David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Críticas’ Category

Sobre pessoas contra o veganismo

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O veganismo preconiza que não tratemos os animais como produtos (Foto: Jordan Gardone)

Não tenho nada contra quem afirma que abandonou o vegetarianismo ou mesmo o veganismo, mas sempre surge um problema quando alguém, por questões particulares, se empenha em tentar convencer os outros de que o veganismo não é viável.

O veganismo preconiza algo bem simples – não trate os animais como produtos e desconsidere a legitimação dessa exploração, não é difícil entender isso. Claro, alguém pode levantar pontos a serem discutidos, o que pode ser bem positivo.

Porém, acho triste quando alguém insiste em tentar desmotivar pessoas que estão considerando o veganismo, e existe muito disso hoje em dia. Até mesmo o que pode parecer um desabafo de alguém, e que na realidade tem uma visão confusa do veganismo, por isso não entendeu o seu propósito, pode servir muito bem para disseminar a desinformação.

Quando uma pessoa é contra o direito dos animais à vida ou faz piada disso, é difícil não imaginar que seu discurso vem embutido de uma força desmedida que se empenha em empurrar um pouco mais os animais para o fosso da negligência e do esquecimento, onde a cobertura prevalecente é a da ignorância humana. Ademais, a compaixão não é o que fazemos dela, mas sim o que ela faz de nós.

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Written by David Arioch

March 23rd, 2017 at 12:27 am

Proteínas e musculação

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Protein-Shakes

Todos os dias, vejo pessoas se empanturrando de proteínas, algumas inclusive com baixas necessidades – e aqui faço questão de citar principalmente aquelas que pesam menos de 80 quilos. Mal sabem que isso na realidade não vai fazer nenhuma diferença no ganho de massa muscular ou se lá qual for o objetivo para se consumir tantas proteínas.

Vivemos em uma sociedade que exalta tanto as proteínas de origem animal que, pelo menos no meio da musculação, é mais fácil encontrar quem consome proteínas em excesso do que quem as consome em quantidade suficiente ou até mesmo inferior ao necessário. A indústria foi magistral em criar falsas necessidades simplesmente para gerar lucro. E falo disso com alguma propriedade porque anos atrás eu também acreditava que o caminho era consumir grande quantidade de proteínas.

Em academias, vemos inclusive mulheres leves, que fazem inúmeras refeições ao dia e, ainda assim, não abrem mão do shake de whey protein. Talvez seja um placebo que gere algum tipo de motivação, porque é ingenuidade crer que é preciso se empanturrar de proteínas para alcançar qualquer objetivo.

Conheça seu corpo, suas próprias necessidades e busque ajuda profissional se necessário, mas uma dica que dou levando em conta os meus mais de dez anos de musculação é: se distancie desse mito que faz as pessoas associarem musculação com quantidades estratosféricas de proteínas. A maior prova da força da indústria é a incapacidade da maioria em conversar sobre musculação sem citar proteínas na maior parte das frases sobre o assunto.

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Written by David Arioch

March 13th, 2017 at 7:16 pm

A disfunção narcotizante e a banalização da morte animal

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“A dor de uma mãe”, da artista francesa Stephanie Valentin

Quando estudei teoria da comunicação na faculdade, um dos conceitos que mais me intrigou foi o da disfunção narcotizante, proposto por Lazarsfeld e Merton, que nada mais é do que a banalização da violência, e mesmo de tudo que é errado, imoral ou antiético.

Durante muito tempo, associei essa ideia a de uma criança que depois de testemunhar tantas mortes, já não sente mais nada quando vê um corpo caído; a do homem que lê tantas desgraças nos jornais que já não sente nada diante das tragédias.

Mais tarde, comecei a relacionar a disfunção narcotizante com, por exemplo, a nossa realidade nos açougues, onde encontramos animais mortos, e inclusive inteiros (como é o caso do leitão), mas normalmente nos negamos a vê-los como seres que, assim como nós, respiravam, se emocionavam, enfim, tinham vida.

Tenho certeza de que a maioria das pessoas quando vai ao açougue jamais pensa em como foi a vida do porquinho que repousa morto atrás de uma vitrine. Afinal, por que iríamos confrontar a realidade quando fomos condicionados a ignorar a exploração e a violência, vivermos em uma realidade de disfunção narcotizante?

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Considerações sobre o consumo de laticínios

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confinamento-gado-de-leiteConsidero um equívoco quando alguém me diz que o problema do sofrimento dos animais nos grandes laticínios poderia ser resolvido se as pessoas comprassem leite de pequenos produtores. Tudo bem, então você compra leite do pequeno produtor e eu também. Daí quando as pessoas perguntarem, explicamos que o ideal é nunca comprar de grandes produtores.

Em pouco tempo, teremos uma infinidade de pessoas indo pelo mesmo caminho, e assim esses pequenos produtores serão obrigados a tornarem-se grandes produtores ou a saírem do negócio, já que eles deverão suprir a demanda ou ceder espaço para quem faça isso. A verdade é que enquanto as pessoas continuarem consumindo leite, inclusive muito mais do que os próprios bezerros, a intensa exploração da vaca vai continuar. Afinal, usa-se leite em quase tudo, até mesmo na composição de adoçantes.

Não há uma solução mais sustentável do que abdicar desse consumo, muito menos como evitar que todas as vacas do mundo passem por algum tipo de sofrimento ou privação enquanto as pessoas consomem quantidades exorbitantes e mesmo nocivas de laticínios. Não existe nem mesmo área para que todas as vacas da indústria leiteira sejam criadas de forma “humanizada”. Afinal, essa é a realidade do sistema industrial predominante, que atua conforme a demanda. E se a demanda é grande, o ritmo de produção é acelerado, o que significa que mais do que nunca o lucro se torna prioritário.868141253

Além disso, os produtores de leite do Brasil descobriram há muito tempo que é possível lucrar até três ou quatro vezes mais criando o gado leiteiro sob regime de confinamento, seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos. Logo não vejo por qual motivo eles iriam abdicar desse sistema se não for por força de uma grande desaceleração no consumo, já que o mercado age em conformidade com as reações dos consumidores.

Um fato a se considerar sobre a produção nacional de leite é que em 2015, de acordo com dados da Leite Brasil, somente as 15 maiores empresas do ramo de laticínios do Brasil foram responsáveis por quase 10 bilhões de litros de leite. Só a Nestlé respondeu por 1,8 bilhão de litros. Levando isso em conta, como alguém pode afirmar que não contribui com a exploração industrial das vacas simplesmente porque não bebe o leite comercializado por grandes produtores? Isso não diz nada.

Seria uma grande ilusão, a não ser que a pessoa seja vegetariana ou vegana, porque quem consome laticínios, ou não lê os rótulos dos produtos (que costumam conter derivados lácteos) e os compra, naturalmente contribui para a manutenção desse sistema. Mesmo que alguém afirme que as vacas sejam “bem tratadas”, que não sofrem violência, isso não muda o fato de que elas são submetidas à ordenha natural ou mecânica por anos, até que, com a queda da produção, são vendidas aos frigoríficos, abatidas e reduzidas a pedaços de carne expostos em um açougue.

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Uma triste face da realidade da indústria leiteira

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Assisti hoje mais um dos muitos vídeos disponíveis no YouTube sobre a realidade da grande indústria leiteira. Animais que morrem pouco a pouco para que as pessoas possam consumir laticínios. As vacas produzem leite em quantidades absurdas, ou seja, não naturais, e não raramente levam uma vida de sofrimento e privações até o dia de sua morte. Ademais, o bezerro vai morrer de qualquer modo, já que ele é irrelevante para o setor.

Vale a pena beber leite e consumir derivados a esse preço? Não creio. Por isso não compro nem consumo nada que tenha leite. De repente, pode aparecer alguém dizendo que isso não é uma realidade que se deve generalizar. Acredito que seja a realidade sim porque a maior parte das pessoas compra leite industrializado, o que significa que estamos falando de grandes produtores. Para atender a demanda, é preciso exigir muito dos animais, reduzindo expectativa de vida e consequentemente gerando sofrimento. Até porque nenhum animal é feliz produzindo leite para seres humanos.

Em síntese, esse tipo de situação só existe porque há uma grande demanda de leite e derivados. Se um animal é levado a viver dessa forma, isso acontece porque tem quem compre o resultado da exploração desse animal. Se possível, pense nisso quando for comprar leite, iogurte, queijo, etc. É apenas uma sugestão.

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Sobre a questão moral da exploração animal e as ostras

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Mesmo que ostras não sentissem dor, isso não significa que estão disponíveis à exploração (Foto: Reprodução)

Esses dias, testemunhei uma discussão sobre animais que hipoteticamente “não sentem dor”. Na minha opinião, a questão moral e ética da exploração animal não deve ter como parâmetro apenas o nível de dor que um animal é capaz de sentir.

Se há uma indesejada e desnecessária interferência humana, eu já vejo isso como errado. Não temos o direito de interferir na vida dos animais não humanos, a não ser que eles precisem de nós.

Essa tendência há equacionar tudo com base em quem sofre mais ou menos não deve ser a única referência quando falamos de direitos animais. Inclusive é por isso que muitos animais, principalmente marinhos, são subestimados.

Sobre moluscos, por exemplo, como ostras, já vi o filósofo australiano Peter Singer dizendo que tudo bem em comê-las, porque, segundo ele, elas não sentem dor. O que hoje em dia não é nem mesmo uma afirmação, mas sim uma opinião, já que não é possível confirmar isso.

Os pesquisadores Robyn Jean Crook e Edgar Walters, da Universidade Estadual de São Francisco e da Universidade do Texas, descobriram que ostras e mexilhões têm sistemas nervosos rudimentares e, por isso, parecem não usar opiáceos endógenos para inibir a dor, de acordo com o artigo “Nociceptive Behavior and Physiology of Molluscs: Animal Welfare Implications”.

A posição de Singer só reafirma a sua defesa utilitarista, o que nesse caso não representa o veganismo, já que o veganismo versa sobre a não exploração animal, e acho que é importante evitar excluir animais porque hipoteticamente eles não sentem dor ou parecem não reagir negativamente à intervenção humana. Animais não foram feitos para os nossos próprios fins. E acho que essa deveria ser a premissa de todos aqueles que são veganos ou vegetarianos por questões morais e éticas.

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Written by David Arioch

March 12th, 2017 at 7:45 pm

Sobre animais como entretenimento

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A bear rides a bicycleUm animal não humano usado como entretenimento é explorado a maior parte de sua vida saudável, mas principalmente na juventude, e quando deixa de gerar grandes lucros ao “dono” é descartado como se fosse lixo. Na realidade, muitos são mortos ou abatidos, caso a carne, os ossos e a pele tenham um valor considerado atrativo pelo dono”.

Então qual é o problema em exigir que alguém que explorou tanto uma vida não humana custeie os últimos anos de vida de um animal em um santuário? Tenho certeza que as despesas seriam pequenas se levarmos em conta o tanto que esses animais geraram de lucro ao longo da vida. Afinal, todo animal não humano naturalmente vive para sobreviver, diferentemente do ser humano quando motivado pela ganância.

Então é óbvio que seria justa a obrigatoriedade de fundos de aposentadoria para animais. Na realidade, acredito inclusive que seja vergonhoso defensores dos direitos animais terem que lutar por isso, já que esse tipo de iniciativa deveria partir espontaneamente de quem explorou esses animais.

Tem que ser muito traiçoeiro para acariciar a cabeça de um animal, explorá-lo por anos e depois relegá-lo à morte como se não fosse nada. Na minha opinião, isso é uma faceta vil, que revela uma grande falha de caráter.

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Written by David Arioch

March 5th, 2017 at 8:07 pm

Sobre o comportamento na internet

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Foto: PMCV

Tem muita gente com quem mantenho contato pela internet e que conheço pessoalmente. Não é raro eu ver pessoas classificando algumas delas como agressivas ou como diferentes do que realmente são.

Isso acontece porque às vezes, ou mais do que isso, as pessoas podem ser muito passionais e veem na internet uma forma de expor suas insatisfações. Portanto, podem transmitir alguma impressão negativa, o que não significa que sejam basicamente isso.

Tem muita gente na internet que se expressa de uma maneira vista como visceral, dando margem para interpretações não tão boas ou acalentadoras, mas isso não significa que não sejam pessoas boas ou que não tenham qualidades. A forma como escrevemos algo diz muito, mas não tudo, só que é algo que pode clarear ou escurecer posicionamentos.

Em síntese, conheço pessoas de longa data que são gentis pessoalmente, mas que parecem outra coisa para quem as conhece somente pela internet.

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Written by David Arioch

March 5th, 2017 at 7:54 pm

Breve reflexão sobre a exploração

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Arte: Joker Syndicate

Mesmo analisando superficialmente a vida e o mundo, não é difícil perceber que quase tudo envolve algum tipo de exploração. E se comento sobre isso com as pessoas, muitos dirão que “a vida é assim e que devemos aceitar isso”. Não vejo como pode ser saudável ou justo aceitar tantas mazelas usando o pretexto de que são coisas que estão fora do nosso controle.

A impressão que esse tipo de raciocínio me transmite é que para “vivermos bem”, na concepção de muita gente, devemos ignorar as desgraças do mundo e nos limitarmos a nós mesmos. Ou seja, devemos ser individualistas, buscarmos o melhor somente para nós, e fecharmos os olhos para a realidade, cultivando uma ilusão que nada mais é do que um microcosmo da nossa própria ignorância.

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Written by David Arioch

March 1st, 2017 at 11:51 pm

Serial killers e crueldade contra animais

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Jovens que ficaram conhecidos como Os Maníacos de Dnepropetrovsk (Foto: Reprodução)

Tenho uma coleção de livros sobre serial killers, e é intrigante reconhecer como a maioria deles começou causando dor aos animais antes de escolherem alvos humanos. Como alguém pode dizer que causar sofrimento aos animais jamais levaria o ser humano a causar sofrimento aos seus semelhantes?

Entre os anos de 2013 e 2014, estudei sobre a vida de dois jovens ucranianos, um de 19 e outro de 21 anos, que ficaram conhecidos como Os Maníacos de Dnepropetrovsk. Eles começaram assassinando animais, mas como não havia legislação específica para puni-los, continuaram cometendo esses crimes.

Um dia, Viktor Sayenko e Igor Suprunyuck, decidiram ir além, e deram início a uma série de crimes contra andarilhos e transeuntes que encontravam em locais ermos. Quando foram presos, eles já tinham assassinado pelo menos 21 pessoas.

Além disso, pesquisando e escrevendo sobre serial killers no início dos meus 20 anos, quando desenvolvi alguns trabalhos sobre o tema, conheci inúmeros casos de criminosos realmente cruéis enviados para o corredor da morte nos Estados Unidos, e que foram executados por injeção letal.

Aos animais de várias espécies, seres que nunca nos fizeram nada, naturalizamos um fim que não raramente é até pior do que aquele destinado a quem matou dezenas de seus semelhantes. Exemplo disso são os animais degolados em matadouros. Não deveríamos pelo menos refletir mais a respeito?

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Written by David Arioch

February 5th, 2017 at 11:50 pm