David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Críticas’ Category

Um autor é responsável somente pelo que produz

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“Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, foi injustamente acusado de ter levado jovens a cometer suicídio na Alemanha (Foto: Reprodução)

Na minha opinião, um autor sempre vai ser responsável pelo que ele produz, não pelo que os outros entendem, por mais subjetiva que seja sua obra. Acho importante ter isso sempre em mente.

Quando escrevo um texto e alguém tenta dar um sentido a ele com o qual eu não concordo, por exemplo, a responsabilidade não é minha. Não tenho controle sobre a concepção de ninguém. Realmente, depois de pronta uma obra ganha vida, mas isso não significa que o autor seja responsável pelas releituras ou ingerências dos outros.

Claro que pode ocorrer um mea culpa, mas muitas vezes ocorre porque provavelmente o autor está fora dos limites do zeitgeist, não quer conflitos ou fez algo de forma não intencional ou possivelmente até subconsciente.

Quando Goethe publicou “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, houve uma onda de suicídios na Alemanha. Ele nunca desejou que ninguém se suicidasse. E dizer que ele era responsável porque sua obra levou o romantismo alemão às raias do extremismo é de um sensacionalismo mais do que obtuso.

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Written by David Arioch

January 21st, 2017 at 1:20 am

A ilusão do highlander

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Sempre que vejo pessoas na rua arrumando confusão, seja no trânsito ou em qualquer outro lugar, ou se colocando em situações desnecessárias de perigo, me recordo de quando eu era criança e assisti Highlander pela primeira vez. Eu realmente sonhava com a imortalidade. Afinal, quem iria contestar uma criança, tirar dela o direito de sonhar?

Claro que isso não durou muito tempo, porque a maturidade se encarregou de desfazer esse sonho, de mostrar que a finitude não existe só para os outros, mas também para mim. Porém, quando vejo pessoas arriscando a própria vida por nada, penso que provavelmente elas se veem como highlanders.

Written by David Arioch

January 20th, 2017 at 11:09 pm

Reflexões sobre o consumo de carne e a musculação

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R$ 15 a R$ 20, esse é o valor que atribuímos ao quilo do coração de um animal (Foto: Reprodução)

Nenhum animal precisa morrer para que qualquer pessoa tenha resultados com a musculação. Acredito verdadeiramente nisso. Hoje em dia, se eu consumisse carne, por exemplo, eu logo associaria a ideia de que qualquer resultado conquistado teria custado a vida de muitos seres vivos.

Nesse meio, sempre vejo pessoas falando que compram caixas de filé de frango, e comem inclusive sem querer, ou até mesmo passando mal, porque veem a carne daquele pobre animal como essencial fonte de proteína para o ganho de massa muscular.

Ou seja, come-se até pelo desprazer, preocupando-se basicamente com resultados estéticos. Se eu fizesse isso hoje, logo perguntaria a mim mesmo, quantos animais mortos estou comendo por mês? Enquanto eu viso parecer melhor, aos animais é relegado o pior.

Ontem, conversando com um amigo na academia, falávamos sobre corações de frango. Um quilo de coração de frango significa muitos corações. Vende-se uma grande quantidade desse órgão, responsável pelo percurso do sangue bombeado através de todo o organismo do animal, por preços que variam de R$ 15 a R$ 20.

Esse é o valor que atribuímos ao coração de um animal que muita gente gosta de comer com limão. Não sei quantos corações pesam um quilo, mas duvido muito que um coração custe mais de 20, 30 centavos. Não consigo pensar em como isso pode não ser triste.

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January 20th, 2017 at 12:40 am

O embuste do “Live Earth”

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Em 2007, foi realizado no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Japão, Alemanha, Brasil, China, Itália e Antártica uma série de shows que fizeram parte do “Live Earth”. O objetivo desse evento criado por Al Gore e Kevin Wall, era conscientizar as pessoas sobre o aquecimento global e as crises climáticas.

Sabe o que eles comercializavam nesses shows? Principalmente carnes e laticínios, sendo que a pecuária é apontada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação como a principal causa do aquecimento global. Incomodado ao saber disso, o músico britânico Morrissey se recusou a se apresentar. O mais incrível é que havia centenas de famosos. Será que essas pessoas não se informaram ou não se importaram?

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January 19th, 2017 at 1:27 am

Considerações sobre o discurso “bandido bom é bandido morto”

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Crítica em forma de imagem que tem circulado sobre o assunto na internet 

Um problema que surge quando você se manifesta contra o discurso “bandido bom é bandido morto” é que há pessoas que “entendem” que você passa a mão na cabeça de assassinos, pedófilos, estupradores e outros sujeitos que cometem os piores crimes. Quando alguém diz que é contra o “discurso bandido bom é bandido morto”, normalmente o que a pessoa quer dizer é que não se deve nivelar todos os crimes e que todos eles devem ser punidos de acordo com a prática.

Conversando tranquilamente com um sujeito que defende o discurso “bandido bom é bandido morto”, ele me disse que independente de crime todos os criminosos merecem a “vala”. Achei tal comentário visceral, ainda mais levando em conta as minhas experiências de anos em contato com pessoas que cometeram os mais diversos delitos, além de laranjas, usuários de drogas, alcoólatras e andarilhos. Inclusive conheço e escrevi histórias de jovens que abandonaram o mundo do crime.

Expliquei que sou da opinião de que a justiça não deve ser feita por ele nem por mim, mas por quem tem competência e autoridade para tal, e obviamente que respeitando a legislação vigente. Penso que se as leis são falhas, também temos culpa, porque chegamos a esse ponto por uma questão de permissividade de nossa parte.

Irritado com minha observação, o sujeito retrucou que gostaria de ver minha reação quando um bandido matasse algum de meus familiares ou invadisse minha casa. Realmente sou privilegiado por nunca ter sido vítima de assalto, mas não consigo entender como uma pessoa pode torcer pelo mal do outro simplesmente por não partilhar da mesma opinião.

Devo ser vítima de algum ato bárbaro, cruel, para ter a mesma opinião que a sua? Devemos desejar que todos aqueles que não compartilham desse discurso sejam mortos, tenham familiares violentados e assaltados, só para que, num cenário hipotético, sejam forçados a mudarem de opinião e o outro se sinta satisfeito em sua razão?

Precisamos buscar a reafirmação de nossas crenças na hostilização do outro? Como isso pode não ser propagar mais violência? Se você sente raiva de mim por não concordar com o discurso generalizado “bandido bom é bandido morto”, e me deseja algum mal, o que te incomoda não é apenas a criminalidade, mas também a contrariedade, que surge inclusive na figura de muitas pessoas honestas, que nunca cometeram nenhum crime e desejam o melhor para os outros.

Written by David Arioch

January 19th, 2017 at 1:18 am

Por que evitamos ver os animais para além da comida?

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Para não nos sentirmos mal, colocamos em nossas mentes que precisamos da carne para sobreviver (Foto: Reprodução)

Quando crescemos, em algum momento de nossas vidas, temos alguma ideia de como a carne chega aos nossos pratos, mas acaba por ser mais conveniente não pensar a respeito e ignorar o sofrimento envolvido naquele pedaço de carne.

Para não nos sentirmos mal, colocamos em nossas mentes que precisamos da carne para sobreviver, e os animais não humanos podem sofrer, porque estão fazendo algo bonito, que é sanar uma dita importante necessidade da humanidade. Um “belo destino” para seres vistos como inferiores, que muitos preferem acreditar que existem simplesmente para nos servir.

Evitamos ver os animais para além da comida porque não queremos nos responsabilizar pelo fato de que somos culpados por suas vidas tão curtas, por seu sofrimento e privação. Preferimos ignorá-los, observá-los à distância e com altivez, por nos considerarmos melhores.

Há quem use o pretexto da saúde, quando, de um modo ou de outro, sabemos que a única justificativa para comer carne é o paladar. Sim, não há nada que motive mais o ser humano a seguir por esse caminho do que o paladar. Quando ele refuta isso, é porque não admite ser visto como alguém que é motivado pelo efêmero prazer da gustação.

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Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:26 pm

É importante adotar o veganismo pelos motivos certos

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Foto: We Animals/Jo-Anne McArthur

Não digo que é fácil abandonar todos os hábitos alimentares que envolvem ingredientes de origem animal, porque de fato sei que pode não ser tão simples. Mas querer mudar é o mais importante. Veganismo, por exemplo, ao contrário do que muita gente pensa, pelo menos tratando-se de alimentos, não se resume a não consumir carnes, ovos, leite e mel.

Uma vez, há muito tempo, fui ao mercado com minha mãe, e ela me mostrou uma nova barra de chocolate Hershey’s com 70% de cacau. Dei uma olhada e vi que tinha gordura anidra de leite na composição, logo não era um chocolate livre de ingredientes de origem animal. Além disso, naturalmente associei aquele chocolate à denúncia de que a Hershey compra cacau oriundo da exploração de mão de obra escrava, humana e não humana, na Costa do Marfim.

Então creio que é importante adotar o veganismo pelos motivos certos e entender o que isso representa de verdade, porque não se trata simplesmente de não comer carnes, leite e ovos, mas sim de evitar consumir qualquer produto que envolva algum tipo de exploração animal.

Acredito que o veganismo é um constante aprendizado. Por outro lado, também é surpreendente reconhecer como um novo mundo de possibilidades se abre para nós quando optamos por mudar. Acredite, algo substancial muda dentro de você.





Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 1:14 pm

Ricos, governo e mazelas

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Certeza que se eu fosse muito rico eu iria ficar esperando os governos resolverem as mazelas do mundo. Acho que se as pessoas que têm uma miríade de recursos pensassem um pouco mais nos outros, se empenhassem em ajudar verdadeiramente, o mundo seria um lugar muito melhor. Mas o problema é que muitas delas apenas simulam ajudar. O que mais vejo são pessoas com muita grana “ajudando” em troca de um benefício muito maior.

Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 12:39 pm

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Latifundiários e a política brasileira

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Latifundiários interferem na política brasileira desde sempre e, com tanta naturalidade que tenho a impressão que tornaram-se organicamente parte da política brasileira há centenas de anos. É só analisar como se porta a bancada ruralista, ditando as regras do meio ambiente e interferindo decisivamente em questões envolvendo direitos animais.

O que dizer sobre esses casos de conflitos de interesses? Um político da bancada ruralista jamais poderia tomar parte em decisões ambientais, já que há nisso um conflito de interesses. Desde quando a política brasileira é feita, de fato, por políticos? Não tenho a mínima ideia, de certo. Porque o que temos são pessoas que representam os mais diferentes interesses ocupando espaço para legislarem em benefício próprio.

Written by David Arioch

January 16th, 2017 at 12:37 pm

A morte da porca selvagem e a moralidade

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Foto: ARFF

Uma amiga compartilhou no Facebook uma imagem de duas garotas felizes depois de terem matado uma porca selvagem. Uma delas segurava o filhote da porca também morto. Um sujeito comentou na publicação dela que não viu nada de errado nisso, e que essa minha amiga estava somente tentando impor a dieta dela aos outros. E que isso é uma questão de opção.

Desculpe-me, mas não existe opção quando você mata um ser vivo que não deu o seu aval para morrer. E pior ainda, quando motivado pelo mórbido prazer. Schopenhauer já dizia no século 19, primordialmente em seu livro “O Mundo Como Vontade e Representação”, publicado em 1818, e não por acaso considerado uma das obras mais influentes da filosofia do século 19, que a moralidade conveniente ao homem não é moralidade. A moralidade genuína depende de você não observar somente a si mesmo e as conveniências que envolvem apenas os seus.

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