David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

A matança legitimada de búfalos

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Arte: Sue Coe, Cruel

No livro “Dead Meat”, lançado em 1995, a artista vegana Sue Coe apresenta a obra “Lo Cholesterol”, em que milhares de búfalos são guiados para dentro de um grande matadouro. O desenho foi inspirado em um local que ela visitou nos Estados Unidos à época, onde a matança de búfalos já acontecia durante as 24 horas do dia.





Roland Straller e a inversão de papéis entre animais humanos e não humanos

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Mulheres no lugar de vacas leiteiras, na perspectiva de Straller

Roland Straller é um artista vegano alemão que gosta de abordar a inversão de papéis na relação entre animais humanos e não humanos. Na série “Got Milk?”, ele convida os consumidores de leite a passarem um dia na pele das vacas leiteiras exploradas em regime industrial. Straller é satírico e suas obras de caráter quase sempre sepulcral destacam a perversidade semeada pela indiferença e pela legitimação de um caos que parece invisível aos olhos da maioria.





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 6:12 pm

Não há alimentos de origem animal sem privação ou morte

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Arte: Sue Coe

Claro que não fico feliz pelo fato das pessoas consumirem produtos de origem animal, porque logo associo à exploração animal. Porém o que me incomoda mais são as situações em que as pessoas se negam a reconhecer que isso é uma forma de exploração que impõe privação e morte aos animais. Um animal criado para consumo é condicionado desde que nasce. Ou seja, afastado de sua vocação natural, ele já está em um estado de privação em algum nível.

A sua morte antecipada é apenas uma questão de tempo. Se uma pessoa se alimenta de animais ou trabalha nessa área, é importante que ela seja honesta e não propague discursos que não condizem com a realidade, que são os mesmos propagados pela indústria. E quando se faz críticas a esse posicionamento, às vezes, alguém diz: você não sabe o que fala, você não trabalha com gado de corte, gado leiteiro, criação de aves, suínos, etc. Claro que não trabalho com isso. Se eu trabalhasse, eu não seria vegano, não é mesmo?





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 6:02 pm

“Devido ao desgaste constante em seu sistema, as galinhas desenvolvem fígados aumentados, órgãos vitais alargados e tumores”

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A pressão dos órgãos aumentados e a acumulação de líquido impede que seu trato digestivo funcione e ela acaba por morrer literalmente de fome

“Devido ao desgaste constante em seu sistema, as galinhas desenvolvem fígados aumentados, órgãos vitais alargados e tumores. Muitas vezes, o oviduto, um tubo pelo qual os ovos passam através do ovário, se desintegra e o material do ovo se rompe na cavidade do corpo e apodrece [o que chamamos de peritonite do ovo], envenenando lentamente a galinha. A pressão dos órgãos aumentados e a acumulação de líquido impede que seu trato digestivo funcione e ela acaba por morrer literalmente de fome. É uma morte horrível.”

Excerto de “Chickens Need Homes, Not Jobs”, de Mary Britton Clouse, especialista em aves e fundadora da Chicken Run Rescue.





Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 5:56 pm

Se você fosse um animal explorado para benefício humano, com certeza você concordaria que a ética abolicionista é a melhor

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Arte: Sue Coe

Não raramente alguém diz que a ética abolicionista é uma ética sim, mas não significa que seja a melhor. Se você for um ser humano, pode ser que não seja vista como a melhor, realmente. Mas se você for um animal explorado para benefício humano, pode ter certeza que é a melhor sim. Afinal, nem mesmo o ato de ser abraçado ou beijado reduz o peso da morte antecipada de um animal, sendo este o destino final. Além disso, toda ética de conveniência é uma ética muleta, porque, não sendo realmente honesta, induz os mais incautos a acreditarem que meias medidas são o suficiente. Mas suficientes para quem? Talvez para quem se beneficie dessa exiguidade. Por isso que a única ética animal verdadeiramente benéfica para os animais é aquela que rejeita a objetificação, que não endossa nenhum engodo nebuloso no que tange à exploração.

 

 





E se fosse você a vítima de vivissecção?

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Inversão de papéis de Derek Chatwood

E se, em vez dos animais, fosse você a vítima de vivissecção? Ou de testes de substâncias, ingredientes e produtos? Se você não gostaria de estar no lugar de um animal usado em laboratório, saiba que ele também não gostaria de ser explorado dessa forma.





75% da população mundial sofre de alguma disfunção no processo de digestão de laticínios

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Dados foram divulgados pelo Comitê Médico Para Medicina Responsável dos EUA

De acordo com o Comitê Médico para Medicina Responsável dos Estados Unidos (PCRM), 75% da população mundial sofre de alguma disfunção no processo de digestão de laticínios. Ou seja, alactasia (não possui enzimas lactase), diminuição enzimática secundária ou diminuição gradativa de lactase. O que significa que esse é o percentual de pessoas do mundo todo que têm dificuldade de digerir corretamente e naturalmente, logo sem o uso de enzimas artificiais, o leite e outros produtos baseados em laticínios.

Para mais informações, acesse o site do Physicians Committee for Responsible Medicine.


Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:41 pm

“Você fala com uma vaca, assim como se falasse com um porco, um gato ou um cachorro. Não vejo diferença”

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Jan Gerdes: “Antes, eu negava que eu gostava deles”

“Antes, eu negava que eu gostava deles. Não havia outra maneira. Eu queria ganhar a vida. E agora eles são como meus camaradas. Você está feliz, você fala, você fala com eles. Você fala com uma vaca, assim como se falasse com um porco, um gato ou um cachorro. Não vejo diferença. Todos eles têm suas qualidades e ficam felizes quando falo com eles.”

Jan Gerdes, ex-criador de gado de corte e leiteiro que se tornou vegano e defensor dos direitos animais na Alemanha. Para conhecer um pouco mais da história de Gerdes, assista ao documentário “Live and Let Live”, lançado por Marc Pierschel em 2014 e disponível na Netflix.

 

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“Você sabe que não como nada de origem animal”

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Arte: Sue Coe

Um amigo me ofereceu um pedaço de bolo.

— Você sabe que não como nada de origem animal.

— É praticamente um bolo vegetariano, só tem um ovo. Nada de mais. Come aí, só hoje, um pedaço. Você não vai nem sentir o gosto de ovo porque a gema foi peneirada. Não tem leite.

— Entendi. Então, o problema não é o gosto de ovo. Qual mensagem eu estou te passando se eu comer um pedaço desse bolo?

— Sei lá…a mensagem de que você é um vegano flexível.

— A mensagem que eu passaria seria a de que não tem nada de errado em ocasionalmente comer algo de origem animal. E isso não condiz com o que eu defendo, que é não enxergar os animais como fonte de alimentos ou produtos. Conheço a realidade das galinhas poedeiras, e isso não é algo que eu gostaria de incentivar, mesmo que minimamente, até porque não penso só na galinha que botou esse ovo, mas em todas. Inclusive aquelas que nesse momento estão confinadas em gaiolas. Talvez esse ovo não traga o pior dos sofrimentos, mas em algum nível traz algum tipo de exploração. Isso já vem implícito quando pensamos na galinha como fonte de alimento para seres humanos, na ideia de que elas podem e até devem nos servir. E a ideia de servir, para não falar em servidão, reflete, no melhor cenário, conveniência, caso alguém diga que as galinhas são “bem tratadas”. Não concordo com isso porque não reconheço nada de origem animal como algo que eu possa ou deva consumir. Um ovo foi botado por uma galinha, e não creio que ela o botou para que eu o comesse.  Afinal, ovos nada mais são do que ovulação de galinha.

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Written by David Arioch

August 26th, 2017 at 12:24 pm

Sue Coe e o sofrimento dos peixes

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Arte: Sue Coe

Uma vez, li uma entrevista da artista plástica vegana Sue Coe em que a questionaram sobre o motivo para ela ter criado obras em que retrata o terror vivido pelos peixes. O entrevistador fez tal indagação como se peixes estivessem abaixo dos outros animais de criação. Então Sue Coe foi enfática ao dizer que peixes sentem dor, medo da morte e fazem o que podem para evitar a captura. Ela fala isso com propriedade, já que todo o seu trabalho de artes visuais é baseado em pesquisas sobre a realidade dos animais, inclusive antes e depois do abate ou da captura.

Ela sugeriu que o entrevistador fosse até os grandes mercados de peixes capturados inclusive em áreas de proteção, como ocorre nas Ilhas Galápagos. Sue Coe comentou algo como: “Você verá a cor natural e cintilante desses peixes desaparecendo. No alvorecer de uma cidade cinzenta, é possível ver um peixe caindo na calçada e lutando pela vida.”

Em várias ocasiões a artista vegana disse que estamos destruindo a vida oceânica, e definitivamente. Entre as tragédias envolvendo animais marítimos, Sue Coe costuma citar a pesca com grandes redes em que até mesmo pássaros, baleias em extinção, golfinhos, botos e tartarugas são capturados acidentalmente e depois descartados como lixo.

Mas alguém pode dizer: “Mas eu não como animais do oceano.” Para esse comentário, Sue Coe provavelmente diria, como declarou outras vezes: “Fazendas de peixes [muito comuns hoje em dia, com a alta na produção de peixes em cativeiro] são outra praga no planeta. Os peixes nadam em produtos químicos e são então ‘colhidos.'” Fora o fato de que as águas dos rios há muito tempo estão contaminadas e muitas espécies estão desaparecendo. Obviamente que o argumento principal é baseado na senciência e no direito à vida desses animais.

“A única solução é não comer peixe”, defende Sue Coe. Esse assunto é abordado de forma impactante no seu livro “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, publicado em 2012 e disponível na Amazon.com.

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