David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Influenciando pessoas com conteúdo sobre veganismo

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Veganismo é o respeito à vida animal

Tenho anotado os dados de pessoas que vieram falar comigo que se tornaram veganas ou que estão em transição para o veganismo desde janeiro até o final de junho de 2017 por influência do meu trabalho. Nesse período, foram 214 pessoas. Mas deve ter mais e também deve melhorar.

De qualquer modo, acho que é um bom número ao longo de seis meses. Há maior motivação para eu continuar escrevendo sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais do que toda semana 10 a 15 pessoas me falarem que estão a caminho do veganismo? Isso me motiva a seguir em frente.

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Written by David Arioch

July 3rd, 2017 at 12:17 am

Mazinho e o menino

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There’s No Place Like Home, de Edwin Henry Landseer

Encontrei uma criança dando um tapa na cabeça de um cachorro na rua. Não foi um tapa muito violento, mas pela reação do cãozinho pareceu tão comum que suspeitei que não era o primeiro. Encostei o carro, desci e caminhei até ele.

— Oi! Tudo bem?
— Oi! Tô bem.
— Legal! Isso é bom!
— Esse cachorro bonito mora com você?
— Mora sim…
— Faz tempo?
— Desde que nasci…
— Qual é o nome dele?
— Mazinho.
— Você gosta do Mazinho?
— Gosto sim, muito.
— Isso é muito bom!
— Você lembra de mim?
— Sim, você visita o Tio Lu.
— Isso mesmo!
— Posso te fazer uma pergunta?
— Pode…
— Você acha que dói apanhar?
— Dói…dói sim…
— Você já bateu em alguém de quem você gosta?
— Não…
— Entendo. Nem no Mazinho?
— Aaaah….bati…
— Você acha que ele sente dor?
— Não sei…acho que sim…
— Ele fica feliz perto de você?
— Fica…
— Então se ele fica feliz, ele também fica triste, e se fica triste significa que tem emoções e sentimentos. E quem tem emoções e sentimentos também sente dor, concorda?
— É…verdade.
— Quando você bate no Mazinho, ele fica alegre?
— Não…
— O que ele faz?
— Ele foge de mim…
— Você gosta quando ele foge de você?
— Não…
— Por quê?
— Acho que porque ele fica com medo de mim.
— E por que ele fica com medo de você?
— Porque quando faço isso ele me acha mau…
— E você é mau?
— Não…
— Então que tal mostrar pra ele o tempo todo que você não precisa ser mau com ele?
— Acho que seria bom…
— Seria sim, e vai ser bom.
— Que tal experimentar?
— Vou fazer isso.
— Promete?
— Prometo.
— O que acha de pedir desculpas e dar um abraço no Mazinho?
— Tá bom…

O menino caminhou até o cãozinho que se escondia atrás de uma cerca em um terreno baldio vizinho. Hesitou com o focinho virado para uma mureta, mas aceitou o abraço. Antes que o soltasse, Mazinho lambeu-lhe a orelha. O menino sorriu e uma lágrima escorreu. “Desculpa, Mazinho…” – disse baixinho.

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O sofrimento dos animais nos testes de toxicidade

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Animais sofrem e morrem nesse processo

A indústria farmacêutica realiza testes de toxicidade em animais e mais tarde lança no mercado medicamentos que serão usados por animais. Ou seja, animais sofrem e são inclusive mortos para que outros animais sejam tratados. Faz pensar, não? Na foto, é possível ver a expressão de satisfação de um animal dando sua saúde e vida para que o ser humano e outros animais possam consumir medicamentos.

Isso é totalmente desnecessário hoje em dia. Há uma organização internacional que inclusive atua no Brasil, chamada Cruelty Free International. Eles oferecem toda a consultoria necessária para a substituição dos testes em animais. A Cruelty Free é responsável pelo fim de testes em animais em diversos países, inclusive em alguns estados brasileiros. Em março, eles conseguiram banir o teste em animais na Guatemala, com aprovação do Congresso. No site deles tem uma lista de alternativas:

https://www.crueltyfreeinternational.org/why-we-do-it/alternatives-animal-testing

 

 





“Você é muito chato, cara! Fica escrevendo sobre veganismo direto”

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Arte: Dana Ellyn (danaellyn.com)

— Você é muito chato, cara! Fica escrevendo sobre veganismo direto, impondo seu estilo de vida. Deixe os outros comerem produtos de origem animal em paz.

— Estou indo na sua página comentar alguma coisa? Acho que não. Já te parei na rua ou em algum outro lugar e te obriguei a me ouvir falar de veganismo? Não. Estou ofendendo alguém? Também não. Simplesmente publico meus textos nas minhas próprias páginas e perfis; e, claro, em grupos e em outras páginas que abordam o assunto.

— Se você se sente incomodado com meus textos sobre vegetarianismo, veganismo, direitos animais, acho que o problema não é comigo. Mas sim o que isso desperta em você. Chamar isso de imposição é no mínimo um equívoco, já que ninguém é obrigado a ler ou refletir sobre nada que escrevo. As pessoas fazem isso espontaneamente, mesmo aquelas que fazem questão de falar mal. E como sempre digo, a única imposição nesse sentido diz respeito à exploração animal, já que os animais não escolheram morrer. Afinal, nós matamos seres sencientes que gostariam de viver.

— Outro fato a se considerar é que imposição é uma palavra muito banalizada hoje em dia. Muitas pessoas, em uma tentativa de defesa de seus hábitos, tendem a usá-la indiscriminadamente sem levar em conta o seu sentido literal. A imposição é a obrigação em aceitar algo. E como o veganismo depende de aceitação espontânea, logo ele não é uma imposição. Enfim, se você vai se alimentar ou não de animais, não cabe a mim decidir.

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Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 11:44 am

A prática cultural e a questão moral

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Arte: Dana Ellyn (danaellyn.com)

Temos o costume de acreditar que uma prática cultural, por pior que seja, sempre tem algum respaldo moral. Afinal, se muitos a praticam é porque é no mínimo socialmente aceitável. Só a partir do momento que são apresentadas as falhas dessa suposta moralidade que as pessoas começam a refletir e a se questionar.

E nesse percurso, muitos sempre lutarão para que essa prática não seja vista como imoral, por saber que a imoralidade exige mudanças; que deve ser suprimida, principalmente quando há muitos prejudicados.





Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 11:38 am

Veganismo não tem nada a ver com perfeição ou superioridade

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Arte: Dana Ellyn (danaellyn.com)

Dentre os centenas de veganos que já conheci, não sou capaz de citar um que diz que o veganismo é perfeito. Essa interpretação de que o veganismo é perfeito ou que veganos se consideram perfeitos é um equívoco.

O veganismo tem suas falhas, claro. Além disso, se fosse perfeito, não precisaríamos fazer nada a respeito, simplesmente cruzar os braços e esperar que as mudanças aconteçam naturalmente. Afinal, tudo que é perfeito atrai sem muito esforço.

Veganos também não superiores, nem podem se ver de tal forma, já que o veganismo rejeita a perspectiva da superioridade. Um discurso vegano pode não parecer agradável para quem não é vegetariano ou vegano, mas a intenção é sempre positiva. Afinal, é má atitude defender os direitos dos animais à vida?

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Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 11:32 am

Tom Regan: “Não há justificativa para causarmos dor aos animais”

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“O direito à vida pertence não apenas aos seres humanos, mas também aos animais que exploramos”

Regan foi um importante filósofo da teoria dos direitos animais

Falecido em 17 de fevereiro de 2017, Tom Regan foi um importante filósofo da teoria dos direitos animais. Professor de filosofia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, onde lecionou por 34 anos. Conquistou prestígio internacional por sua produção prolífica voltada ao abolicionismo animal. Em 2006, Regan teve o seu livro “Empty Cages”, ou “Jaulas Vazias”, publicado no Brasil.

Na obra, o filósofo diz que o que ele aprendeu ao longo da vida sobre direitos humanos provou ser diretamente relevante para a sua reflexão sobre os direitos animais: “Se os animais têm direitos ou não depende da resposta verdadeira a uma pergunta: Os animais são sujeitos-de-uma-vida? Esta é a pergunta que precisa ser feita sobre os animais porque é a pergunta que precisamos fazer sobre nós.”

Segundo Tom Regan, não podemos nos colocar diante do mundo e declararmos que o motivo pelo qual nós enquanto seres humanos temos direitos é porque somos igualmente sujeitos-de-uma-vida, mas outros animais, que são exatamente como nós enquanto sujeitos-de-uma-vida, bem, eles não têm nenhum direito.

“Isso seria como se colocar diante do mundo e gritar: ‘Um Volvo não é um carro porque um Volvo não é um Ford!’ Ninguém quer ser, nem parecer, tão idiota. Então, eis nossa pergunta: Entre os bilhões de animais não humanos existentes, há animais conscientes do mundo e do que lhes acontece? Se sim, o que lhes acontece é importante para eles, quer alguém mais se preocupe com isso, não é? Se há animais que atendem a esse requisito, eles são sujeitos-de-uma-vida. E se forem sujeitos-de-uma-vida, então têm direitos, exatamente como nós. Devagar, mas firmemente, compreendi que é nisso que a questão sobre direitos animais se resume”, argumenta na página 77 de “Jaulas Vazias”.

Em “The Case for Animal Rights”, de 1983, o filósofo escreveu que não faz sentido usar o argumento de que os seres humanos podem subjugar outros animais, já que o leão faz o mesmo para a sua sobrevivência. Tom Regan usou como argumento o fato de que os leões não têm conhecimento da dor que causam à sua presa. “Na verdade, precisamente porque se espera a indiferença dos animais, mas piedade ou misericórdia dos seres humanos, pessoas que podem ser cruéis quando insensíveis ao sofrimento que causam, e muitas vezes são chamadas [pejorativamente] de ‘animais’ ou ‘brutos’”, observa.

Um exemplo clássico da conduta humana cotidiana em minimizar o valor da vida animal é dizer que os piores assassinatos parecem trabalho de animais, pela ausência de piedade. Porém, os animais não fazem isso por um prazer sádico, ao contrário de quem comete um assassinato bárbaro.

Regan faz oposição aos animais explorados nos laboratórios quando afirma que eles não são um “recurso” cujo status moral no mundo é servir aos interesses humanos. Eles próprios são sujeitos-de-uma-vida que pode ser melhor ou pior para eles como indivíduos, logicamente independente de qualquer utilidade que possa ter ou não relação com os interesses dos outros”, defende.

Quando reduzimos o valor dos animais aos interesses humanos, como ocorre na indústria da exploração animal, somos injustos, porque violamos o direito moral básico que é tratar outras vidas sencientes com respeito. Segundo Regan, há leis que legitimam os testes em animais, mas por outro lado não mostram a contradição de que como esses experimentos são moralmente toleráveis.

Para o filósofo, isso prova que as próprias leis são injustas e devem ser mudadas. E mais, que essa perspectiva científica, do ponto de vista dos direitos animais, é anti-científica e anti-humana. Nós, como humanos, temos o direito de garantir que ninguém seja prejudicado. Isso é algo que a perspectiva de direitos visa iluminar e defender, colocando como desafio para farmacologistas e cientistas a busca de formas científicas que sirvam ao interesse público sem violar os direitos individuais.

Regan declara que a farmacologia tem como responsabilidade primária a redução de riscos para quem usa drogas lícitas; e deveria sempre alcançar isso sem prejudicar aqueles que não as usam. Não se empenhar nisso é a reafirmação de uma conduta verdadeiramente anti-científica. Pretensamente, cientistas dizem que a maior justificativa para a realização dos testes de toxicidade em animais são os benefícios que podem se estender tanto a humanos quanto a animais. Como podemos falar em benefício para os animais quando os prejudicamos na criação de um produto farmacológico?

“Esses testes violam os direitos dos animais. […] Os benefícios que esses testes proporcionam aos outros são irrelevantes de acordo com a visão de direitos, uma vez que os testes violam os direitos individuais dos animais. Os animais de laboratório não são nossos provedores, e nós não somos seus reis. […] Não devem ser tratados como meros recipientes ou como recursos renováveis”, argumenta o filósofo em “The Case for Animal Rights”.

Sem fazer concessões, Regan deixa claro que os testes em animais devem ser findados, isto porque o valor dos animais não deve ser baseado na sua utilidade em relação a interesses que não são deles. “Também há algumas coisas que não podemos aprender usando humanos, se respeitarmos seus direitos. A visão de direitos requer consistência moral a este respeito”, pondera. Sendo assim, para o filósofo a ciência que prejudica rotineiramente os animais em busca de seus objetivos é moralmente corrompida, porque é injusta no seu núcleo.

Tom Regan cita ainda médicos veterinários como profissionais que deveriam inspirar exemplo para a sociedade no cuidado com os animais. Porém, a realidade é bem diferente. Regan enfatiza que encontrar tantos profissionais da área prestando serviços para indústrias que violam rotineiramente os direitos animais é desalentador.

Em “All That Dwell Therein”, publicado em 1982, o filósofo estadunidense diz que tanto o direito moral de não sofrer quanto o direito à vida pertencem não apenas aos seres humanos, mas também aos animais que exploramos e comemos. A justificativa de que os humanos gostam de carne, e por isso a comem, não é aceitável porque ignora o direito à vida de seres sencientes. Ademais, mesmo que o “abate humanitário” se estendesse a todos os animais reduzidos a produtos de consumo, isso jamais asseguraria que seus direitos não fossem violados.

E a realidade hipermoderna é a maior prova de como ainda há muito a ser feito para que os animais sejam vistos como sujeitos-de-uma-vida. No século 20, o apetite humano pelo consumo de carne se tornou tão exagerado que deu origem aos métodos intensivos de criação de animais. Ou seja, práticas que asseguram que a maior quantidade de carne seja produzida no menor período de tempo e com as menores despesas possíveis. Assim, muitos animais foram e são obrigados a viver em condições de lotação e sem a possibilidade de manifestar seus desejos naturais.

Tanto em termos de dor física quanto psicológica, não há dúvida de que não raramente os animais experimentam uma realidade imerecida. E conforme nos alimentamos da carne desses animais, ajudamos a criar demandas cada vez maiores de métodos de criação intensiva. Basicamente, financiamos a privação e o sofrimento animal quando compramos e consumimos carne.

Temos o costume de acreditar que uma prática cultural, por pior que seja, sempre tem algum respaldo moral. Afinal, se muitos a praticam é porque é no mínimo socialmente aceitável. Só a partir do momento que são apresentadas as falhas dessa suposta moralidade que as pessoas começam a refletir e a se questionar. E nesse percurso, muitos sempre lutarão para que essa prática não seja vista como imoral, por saber que a imoralidade exige mudanças; que deve ser suprimida, principalmente quando há muitos prejudicados.

“Somos sempre tentados a negar que os animais sentem dor e, embora pareçam sofrer, diremos que eles realmente nunca o fazem. […] Que evidências precisaríamos além de seus gritos, gemidos, corpos e olhar desesperado? De minha parte, não sei o que mais poderia exigir. […] E uma linha de argumento semelhante pode ser dada, penso eu, ao considerar a visão de que os animais têm experiências agradáveis que, embora possam ser de baixo nível em comparação com, digamos, as alegrias da filosofia ou êxtase da visão beatífica, ainda assim são prazeres”, escreveu Tom Regan em “All That Dwell Therein”.

No entendimento do filósofo, se é justo evitar que um ser humano, que também é animal, sofra imerecidamente, levando em conta que a dor é má e o ser humano é inocente, portanto não merece o mal que recebe, então não há justificativa para causarmos dor aos outros animais. “Todos nós temos motivos para supor que restringir os conceitos de tratamento justo e injusto aos seres humanos é um preconceito”, enfatizou.

Saiba Mais

Tom Regan nasceu em Pittsburgh, na Pensilvânia, em 28 de novembro de 1938.

Referências

Regan, Tom. Empty Cages. Rowman & Littlefield Publishers (2005).

Regan, Tom. The Case for the Animal Rights. University of California Press (1983-2004).

Regan, Tom. All That Dwell Therein.  University of California Press. First edition (1982).

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“Mããããe, olha que lindo aquele boi!”

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“Por que será que ele parece tão feliz?”

No açougue do mercado, uma criança ficou eufórica ao ver um quadro de um boi sorrindo.

— Mããããe, olha que lindo aquele boi!

— É sim, querida.

A criança coçou a cabeça, olhou para os lados e estranhou o fato de que ninguém mais estava admirando o mesmo quadro que ela. Praticamente invisível. 

— Por que será que ele parece tão feliz?

— Não sei, filhinha.

— Já sei, mãe!

— O quê, filha?

— É porque ainda não mataram ele, né?

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Written by David Arioch

June 29th, 2017 at 9:06 pm

Se você tivesse um filho, ele seria criado como vegano?

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Boy playing with piglets at an animal farm

— Se você tivesse um filho, ele seria criado como vegano?

— Com certeza. Não tenho dúvida nenhuma disso, já que o veganismo é um imperativo moral.

— Mas não seria uma forma de imposição?

— Acredito que imposição seria eu condicioná-lo a se alimentar de animais. Seria uma imposição aos animais que não escolheram morrer em vez de viver.

— Mas e se seu filho não quisesse ser vegano?

— Bom, ele seria criado como vegano, educado com total transparência em relação à exploração animal, ao valor da vida independente de espécie. Mas, se um dia, mesmo depois de receber todas as informações disponíveis sobre o processo que envolve a produção de produtos de origem animal, ele decidir por não ser vegano, não farei nada sobre isso. Afinal, cada um é responsável pelas próprias decisões e consequências quando há discernimento para tais.

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Written by David Arioch

June 29th, 2017 at 9:01 pm

A criança e o sofrimento animal

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Crianças têm facilidade em reconhecer o valor da vida animal (Foto: Kellie Parry)

O fato de um ser humano sentir-se mal diante do sofrimento animal é uma reação natural e prova de que não nascemos para nos alimentarmos de seres sencientes.

E quando tal sofrimento não nos sensibiliza, isso é um reflexo da banalização da vida não humana, ou seja, de que nos afastamos da nossa vocação humana em decorrência de um condicionamento.

A criança é uma prova disso. Ainda muito pequena, antes de ser condicionada, levada a aceitar a naturalização da exploração animal, ela jamais verá com bons olhos a ideia de um ser vivo que morreu para tornar-se comida em seu prato. É por isso que a criança é mantida no obscurantismo até certa idade.

E se a criança perde essa característica natural, que é reconhecer a importância da vida independente de espécie, isso ocorre fatalmente por influência do meio, dos pais ou de outras pessoas. Assim, ensina-se que se os animais são comida, logo eles têm pouco valor.

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Written by David Arioch

June 29th, 2017 at 1:44 am