David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Um presente do médico veterinário Ailton Salvador e do ex-deputado federal Alencar Furtado

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No livro, Alencar Furtado narra suas memórias (Fotos: David Arioch)

Ontem, ganhei um livro de presente do médico veterinário e grande profissional Ailton Salvador e do ex-deputado federal José Alencar Furtado, que hoje reside em Brasília. Atualmente com 92 anos, Alencar Furtado teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por ter denunciado as torturas praticadas no período da Ditadura Militar.

No livro “Um Pouco de Muitos – Memorizando”,  ele, que também foi pai do ex-deputado federal Heitor Alencar Furtado, falecido em 22 de outubro de 1982, narra as suas memórias. Fiquei honrado em ser presenteado por pessoas de grande caráter.

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August 16th, 2017 at 2:09 pm

Será que vale a pena explorar as abelhas?

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É inevitável que abelhas morram no processo de produção de mel nas fazendas apícolas

Será que vale a pena explorar as abelhas? Creio que não. Abelhas em fazendas apícolas são condicionadas a trabalharem fora do seu ritmo natural, logo isso reduz a expectativa de vida delas, assim como acontece com qualquer outro animal explorado por seres humanos.

Além disso, mortes nesse processo são inevitáveis. Considere também o fato de que mel não é uma necessidade básica humana. Vivemos muito bem sem consumi-lo. Acredito que todo mundo já ouviu alguém dizer algo como: “Que lindo como as abelhas produzem mel para nós!”

Não, as abelhas nunca produziram mel para consumo humano. O mel produzido por elas é processado por suas enzimas digestivas e então armazenados em favos para servir como alimento para elas durante o inverno. É assim que elas produzem mel, ou seja, para elas mesmas.

Logo, se consumimos mel, estamos basicamente furtando ou roubando o alimento desses insetos. Abelhas também são animais que merecem viver livremente. Claro, elas contribuem ao realizarem naturalmente um processo de polinização que favorece o desenvolvimento de tantos vegetais que consumimos. Porém, isso não significa que elas existem para nos servir.

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August 16th, 2017 at 1:56 pm

Sobre a realidade da exploração de abelhas

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Abelhas morrem mais rápido quando são afastadas do curso natural de suas vidas

Apicultores usam fumaça e gás para manipular as colônias de abelhas, o que já é uma forma de controlar as abelhas, ou seja, afastá-las do curso natural de suas vidas. Em casos em que as abelhas são contaminadas por parasitas, não é raro os apicultores fumigarem e queimarem toda a colmeia, que costuma ter de 30 a 60 mil abelhas, matando inclusive abelhas saudáveis.

Então alguém pode dizer: “Mas imagine o trabalho de separar as saudáveis das que não são.” Bom, basta não explorarmos as abelhas. Afinal, mel não é uma necessidade básica dos seres humanos. Outro ponto a se considerar é que onde o frio é muito rigoroso, se os apicultores considerarem muito caro manter as abelhas vivas, eles destroem as colmeias usando cianeto.

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August 16th, 2017 at 1:15 pm

A Eslovênia já teve um primeiro-ministro e um presidente vegano

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Janez Drnovšek em 2003 (Foto: Srdjan Zivulovic)

A Eslovênia já teve um primeiro-ministro e um presidente vegano – Janez Drnovšek, que atuou como primeiro-ministro da Eslovênia de 1992 a 2002 e como presidente de 2002 a 2007. Graças ao seu trabalho, o país entrou para a lista de nações com maiores índices de desenvolvimento humano do mundo.





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August 16th, 2017 at 12:09 pm

Como avaliar se uma forma de ativismo é eficaz

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Arte: Banksy

Para avaliar se uma forma de ativismo em prol dos animais está funcionando é muito simples. É só analisar a receptividade e os resultados. Se não está funcionando, ou se sua mensagem está chegando somente a quem pensa como você ou simpatiza com algumas de suas ideias, é porque algo está errado. Tenho visto novas formas de ativismo em prol dos animais surgindo, e acho que essas formas terão papel determinante sobre o que vai acontecer positivamente no futuro.





Written by David Arioch

August 16th, 2017 at 12:06 pm

O confinamento de animais e o surgimento de doenças

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São doenças que só existem porque há um mercado consumidor de produtos de origem animal

Botulismo, enterotoxemia, dermatomicose, laminite, intoxicação por ureia, timpanismo, cisticercose, dermatite, pododermatite, clostridiose, acidose (aumento do ácido lático no rûmen), pneumonia, poliencefalomalácia, peste suína, doença de Aujesky, rinite atrófica, brucelose, doença de Glässer, doença do edema, enteropatia proliferativa, doença de Newcastle, salmonela, laringotraqueíte infecciosa, coriza infecciosa, bronquite infecciosa e gripe aviária, entre outras doenças respiratórias e metabólicas/digestivas.

Você sabe o que essas doenças têm em comum? Surgiram e aumentaram na modernidade, quando começamos a confinar animais para atender a alta demanda do consumo de carne, ovos e laticínios. Ou seja, são doenças que só existem porque há um mercado consumidor de produtos de origem animal que obriga os animais a viverem em situação de vulnerabilidade e alta exposição ao surgimento de doenças.

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Sue Coe e o retrato do sofrimento das porcas nas gaiolas de gestação

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Arte: Sue Coe

Gosto do trabalho da artista vegana inglesa Sue Coe. Ela produz uma arte lúcida, fidedigna, testemunhal e desconcertante. Em uma de suas obras, que faz parte do seu acervo na Graphic Witness, ela mostra porcas em gaiolas de gestação. O espaço é tão estreito que elas são incapazes de se moverem, realidade que ela testemunhou em fazendas industriais.





Written by David Arioch

August 15th, 2017 at 2:14 am

Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém

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Arte: Sue Coe

Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém. O foco do meu trabalho não é esse, mas sim informar, conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre a exploração animal. Sou um cara comum, que anda e vive como uma pessoa comum. Como já disse outras vezes, as pessoas podem me chamar do que elas quiserem: vegano, vegetariano ou nada. Eu me importaria ou brigaria por algo assim se a minha luta fosse por identidade, mas não é. Minha luta é por justiça, e essa luta independe disso.

 





Nose flap, um artigo usado pela indústria leiteira para forçar o desmame do bezerro

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São raros os bezerros que conseguem encontrar um meio de mamar usando nose flaps

Nose flaps nada mais são do que abas instaladas nas narinas dos bezerros para impedir que eles consigam mamar. Ou seja, para forçar o desmame do bezerro. O material produzido pela QuietWean, do Canadá, é leve e de plástico, o que segundo o fabricante garante que o animal não se machuque na tentativa de mamar. Eles relataram que os nose flaps têm eficácia de até 95%.

Ou seja, os filhotes realmente são impedidos de se alimentarem quando usam esse artigo. São raros os bezerros que conseguem encontrar um meio de mamar usando nose flaps. O artigo, que já se tornou um dos preferidos entre produtores de leite do mundo todo, inclusive do Brasil, é usado como um recurso que força o desmame do animal precocemente.

Segundo o porta-voz da QuietWean, a aba que impossibilita o animal de se alimentar é usada como um facilitador da separação entre vaca e bezerro. Ou seja, ela é comercializada para fazer não apenas com que o bezerro não mame, mas também com que a vaca seja condicionada a aceitar o inevitável processo de separação.

Em síntese, pode-se dizer que a vaca é enganada e o bezerro privado de mamar; e com algo preso ao nariz que é capaz de causar irritação nas narinas do animal, além de estresse. Afinal, quem não se sentiria incomodado ao ser colocado em uma situação em que é praticamente impossível se alimentar ou ter um contato íntimo com a própria mãe? Ainda mais quando falamos de um animal no início da vida.

O porta-voz da QuietWean também informou que os nose flaps impedem que o bezerro “grite muito” ou reaja de forma muito negativa quando separado da vaca. Mas essa não seria uma reação natural de um animal separado da mãe? Será que temos o direito de interferir nas ações naturais desses seres vivos?

Basicamente, o nose flap é mais uma criação voltada à naturalização de uma prática considerada aceitável no contexto da exploração animal. E nesse caso, com a finalidade de destinar o leite da vaca aos seres humanos, ou seja, animais de outra espécie e que não dependem de leite para sobreviver. Se o bezerro passa por esse tipo de privação não há como negar que isso acontece porque existe um mercado consumidor de laticínios.

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Abdicar do consumo de laticínios é um ato de justiça em prol dos animais

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A realidade prova que o romantismo na exploração de vacas leiteiras é apenas um mito

Considero um equívoco quando alguém me diz que o problema do sofrimento dos animais nos grandes laticínios poderia ser resolvido se as pessoas comprassem leite de pequenos produtores. Tudo bem, então você compra leite do pequeno produtor e eu também. Daí quando as pessoas perguntarem, explicamos que o ideal é nunca comprar de grandes produtores.

Em pouco tempo, teremos uma infinidade de pessoas indo pelo mesmo caminho, e assim esses pequenos produtores serão obrigados a tornarem-se grandes produtores ou a saírem do negócio, já que eles deverão suprir a demanda ou ceder espaço para quem faça isso. A verdade é que enquanto as pessoas continuarem consumindo leite, inclusive muito mais do que os próprios bezerros, a intensa exploração da vaca vai continuar. Afinal, usa-se leite em quase tudo, até mesmo na composição de adoçantes.

Não há uma solução mais sustentável do que abdicar desse consumo, muito menos como evitar que todas as vacas do mundo passem por algum tipo de sofrimento ou privação enquanto as pessoas consomem quantidades exorbitantes e mesmo nocivas de laticínios. Não existe nem mesmo área para que todas as vacas da indústria leiteira sejam criadas de forma “humanizada”. Afinal, essa é a realidade do sistema industrial predominante, que atua conforme a demanda. E se a demanda é grande, o ritmo de produção é acelerado, o que significa que mais do que nunca o lucro se torna prioritário.

Além disso, os produtores de leite do Brasil descobriram há muito tempo que é possível lucrar até três ou quatro vezes mais criando o gado leiteiro sob regime de confinamento, seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos. Logo não vejo por qual motivo eles iriam abdicar desse sistema se não for por força de uma grande desaceleração no consumo, já que o mercado age em conformidade com as reações dos consumidores.

Um fato a se considerar sobre a produção nacional de leite é que em 2015, de acordo com dados da Leite Brasil, somente as 15 maiores empresas do ramo de laticínios do Brasil foram responsáveis por quase 10 bilhões de litros de leite. Só a Nestlé respondeu por 1,8 bilhão de litros. Levando isso em conta, como alguém pode afirmar que não contribui com a exploração industrial das vacas simplesmente porque não bebe o leite comercializado por grandes produtores? Isso não diz nada.

Seria uma grande ilusão, a não ser que a pessoa seja vegetariana ou vegana, porque quem consome laticínios, ou não lê os rótulos dos produtos (que costumam conter derivados lácteos) e os compra, naturalmente contribui para a manutenção desse sistema. Mesmo que alguém afirme que as vacas sejam “bem tratadas”, que não sofrem violência, isso não muda o fato de que elas são submetidas à ordenha natural ou mecânica por anos, até que, com a queda da produção, são vendidas aos frigoríficos, abatidas e reduzidas a pedaços de carne expostos em um açougue. Não podemos ignorar também que muitos bezerros também têm a morte como destino por causa da alta demanda de laticínios. Ou seja, o leite que seria usado para alimentar o filhote da vaca é destinado aos seres humanos.

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