Archive for the ‘Literatura’ tag
James Joyce e os direitos animais em “Retrato do Artista Quando Jovem”
No romance Retrato do Artista Quando Jovem (A Portrait of the Artist as a Young Man), o personagem Stephen Dedalus, alter ego do escritor irlandês James Joyce, revela a sua simpatia pelos animais quando reconhece similaridades entre o homem, os caninos e os bovinos.
Mais tarde, o jovem anti-herói em processo de amadurecimento desafia perspectivas metafísicas que envolvem a divisão de seres humanos e animais. O confinamento e o abuso dos bichos o incomodam porque o rapaz se vê em situação análoga.
E, curiosamente, a partir do momento em que ignora os limites estabelecidos entre homens e animais, ele começa a ver porcos, bois, vacas, pássaros e morcegos como seus parentes.
Sobre A Portrait of the Artist as a Young Man (Retrato do Artista Quando Jovem), de James Joyce, publicado em 1916.
Quando um garoto assume o papel de um porco no matadouro
Lexington, um jovem que cresceu como vegetariano estrito, vai a um restaurante e experimenta um prato baseado em repolho e carne de porco. Ele nunca tinha comido aquilo e fica maravilhado com a experiência, tanto que decide descobrir a origem da carne. Então viaja até um matadouro, onde assiste o sofrimento dos porcos preparados para o abate.
O primeiro porco é mantido imóvel por meio de uma corrente que envolve seus pés. E essa corrente é presa a um cabo que se move para cima e para baixo. Logo o porco é arrastado enquanto emite grunhidos desesperados ao longo da linha de abate. Apesar da crueldade, Lexington acha o processo fascinante, enquanto os funcionários da linha de produção se mostram entediados.
De repente, por um descuido, uma das pernas do rapaz fica presa a uma corrente e ele é arrastado por um cabo. Os funcionários não se importam, indiferentes ao processo que se repete diariamente. A descrição do que acontece com Lexington é extremamente gráfica e contempla todo o processo de abate. A única diferença é que há um humano no lugar de um porco.
E o maior apelo da história subsiste na associação que o escritor Roald Dahl faz entre suínos e humanos. Sua abordagem vai ao encontro da ciência, que qualifica os porcos como animais inteligentes. Porém, a diferença mais significativa está na incapacidade de terem pensamentos abstratos, serem esperançosos ou recorrerem a Deus. E por isso sua dor é mais avassaladora do que a humana, segundo a própria obra.
Sobre Pig, obra do britânico Roald Dahl publicada em 1960. Ao escrevê-la, o objetivo do escritor era mostrar como a violência humana é legitimada, aceita como parte de um “processo natural”.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Um dos momentos únicos do Femup
18 de novembro – Um dos momentos únicos do Femup, o festival de música, poesia e contos mais antigo do Brasil, que já passou dos 50 anos.
Mais uma vez, tive o privilégio de reencontrar e conhecer artistas de todas as regiões do Brasil.
Na foto, depois de mediar um bate-papo literário com os autores, eu (à direita) com a atriz e declamadora Gislaine Pinheiro e com os escritores Eder Rodrigues e Altair Cirilo. Ou seja, eu e três feras que fazem da cultura uma bandeira de luta.
Bashevis Singer: “Não sou vegetariano pela minha saúde, mas pela saúde dos animais”
“Vou continuar sendo vegetariano, mesmo que o mundo inteiro comece a comer carne”
Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1978, o escritor polonês Isaac Bashevis Singer foi uma importante voz em defesa dos direitos dos animais no século 20. Vegetariano, o autor de clássicos como “A Família Moscat”, “O Mágico de Lublin”, “Spinoza da Rua do Mercado” e “Gimpel O Tolo”, abordou o animalismo em muitas de suas histórias. Entre as mais impactantes estão “O Açougueiro”, “O Escritor de Cartas”, “Sangue” e “Debaixo da Faca”.
Em “O Açougueiro”, que assim como muitos contos de Singer possui elementos surrealistas, ele narra os conflitos de um açougueiro kosher que reconhece a própria negação moral na morte de cada animal reduzido à carne, além da legitimação da injustiça e da naturalização da crueldade. A história se passa no século 19, em um shtetl, ou seja, em uma cidadezinha de população predominantemente judia.
No matadouro, o protagonista começa a ter devaneios com vacas e galinhas se preparando para uma retaliação. Elas querem se vingar por toda a violência perpetrada contra os de suas espécies. Em um determinado momento, os animais berram: “Todo mundo pode matar e todo assassinato é permitido.” Embora tenha sido publicado na revista The New Yorker em 25 de novembro de 1967, “O Açougueiro” continua sendo um conto bastante atual, em que o escritor judeu aborda a realidade da produção de carne e atua como uma consciência moral, uma luz para a sociedade.
Singer dedicou pelo menos 35 anos de sua vida ao vegetarianismo, qualificado por ele como a sua própria religião. Sua principal motivação era a compaixão pelos animais. Antes de falecer em 24 de julho de 1991, aos 88 anos, o polonês concedeu uma entrevista ao escritor estadunidense Rynn Berry que o questionou se ele havia se tornado vegetariano por questões de saúde. “Não sou vegetariano pela minha saúde, mas pela saúde dos animais”, respondeu.
Isaac Bashevis, que escrevia principalmente em iídiche, não raramente questionava em seus contos a hipocrisia humana de consumir carne, e a incapacidade de ponderar sobre o real custo dela. Exemplo disso é um excerto do conto “Sangue”, do livro “Breve Sexta-Feira”, lançado em 1963.
Segurando o ganso, Reuben olhou Risha com intensidade, o olhar subindo e descendo e, afinal, detendo-se no peito. Ainda a fitá-la, golpeou o ganso. As penas brancas tingiram-se de sangue. O ganso torceu o pescoço, ameaçador, e súbito pulou, conseguindo voar alguns metros. Risha mordeu o lábio.
— Dizem que vocês nascem com instinto de assassinos, mas tornam-se açougueiros — disse ela.
— Se é tão delicada assim, por que me trouxe as aves?
— Por quê? Ora, é preciso comê-las!
— Pois para comer carne é preciso matar.

“O Açougueiro”, conto em que o escritor questiona a má relação do ser humano com os animais (Arquivo: The New Yorker)
Em “O Escritor de Cartas”, publicado na revista The New Yorker em 13 de janeiro de 1968, Singer narra a história de Herman Gombiner, um sobrevivente do Holocausto que vive em companhia de um rato. O vínculo entre os dois é tão intenso que Gombiner desenvolve uma consciência animalista: “O que eles sabem? Todos esses filósofos, todos os líderes do mundo? Convenceram-se de que o homem, o pior transgressor de todas as espécies é a coroa da criação. Todas as outras criaturas foram criadas apenas para fornecer-lhe comida e pele, para serem atormentadas e exterminadas. Em relação a elas, todas as pessoas são nazistas. Para os animais, há uma Treblinka eterna.”
O escritor polonês viu semelhanças entre a realidade das vítimas do Holocausto e dos animais transformados em comida, isto porque os dois viveram a experiência do confinamento em espaços apertados, sendo transportados sem água e alimento. “A diferença é que os nazistas tentaram varrer os judeus da face da Terra enquanto os pecuaristas visam sempre aumentar a produção e a quantidade de vítimas”, avalia o escritor Jeffrey Cohan, autor de “Isaac Bashevis Singer, Yiddish Food Writer”.
“Três açougueiros matavam aves sobre uma pia de mármore que refletia a luz de um lampião de querosene, estendendo-as depois a depenadores, que as depenavam e amontoavam-nas, ainda vivas, num cesto.” Excerto de “Debaixo da Faca”, página 66 de “Breve Sexta-Feira”.
De acordo com Isaac Bashevis Singer, quando um ser humano mata um animal para comer, ele negligencia sua própria fome de justiça. “O homem reza por clemência, mas não se dispõe a estendê-la aos outros. Por que então ele deve esperar misericórdia de Deus? É injusto esperar algo que você não está disposto a oferecer”, registrou no texto publicado como prefácio do livro “Diet for Transcendence: Vegetarianism and the World Religions”, de Steven Rosen, de 1987.
Questionado sobre o que diz a Bíblia em relação à sua filosofia de vida, Singer argumentou que a defesa do vegetarianismo pode ser encontrada no Velho Testamento. “Às vezes, eles dizem que Deus quer que animais sejam sacrificados e mortos. […] Mas eu acredito que Deus é sábio e mais piedoso do que isso. E há interpretações das escrituras religiosas dizendo que o vegetarianismo é um grande ideal. Se as pessoas aceitam ou não a interpretação do que é ser vegetariano no contexto da religião, isso não me importa. […] Vou continuar sendo vegetariano, mesmo que o mundo inteiro comece a comer carne”, declarou o premiado escritor na obra “Diet for Transcendence”.
Para Bashevis Singer, ser vegetariano é um protesto, um ato de discordância em relação ao status quo. “Poder nuclear, fome, crueldade, nós temos que nos posicionar contra essas coisas”, recomendou. Mas nada o entristecia mais do que o sofrimento animal. Citava como exemplo o fato dos animais serem capazes de demonstrar benevolência mesmo diante de uma faca ou outra arma a ser usada para matá-los.

“O homem não tem o direito de matar um animal e torturá-lo simplesmente para ‘encher sua barriga de carne'” (Foto: Reprodução)
“Isso me dá um sentimento de miséria e às vezes de raiva em relação a Deus. Você precisa de sua glória para estar conectado com o sofrimento de tantas criaturas ingloriosas, que apenas gostariam de passar alguns anos em paz. Sinto que os animais estão tão confusos quanto nós, exceto que eles não são capazes de comunicar isso”, desabafou em entrevista à revista Newsweek em 16 de outubro de 1978, após receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Segundo o escritor polonês, o homem não tem o direito de matar um animal e torturá-lo simplesmente para “encher sua barriga de carne”, ainda mais levando em conta que os animais podem sofrer tanto quanto os seres humanos. Na realidade, a sensibilidade e as emoções animais são ainda mais intensas porque eles não têm a capacidade de verbalizá-las. “Vários religiosos e filósofos tentaram convencer seus discípulos e seguidores de que animais não são nada mais do que máquinas sem alma, sem sentimentos. No entanto, qualquer pessoa que viveu com um animal, seja um cão, um pássaro ou um rato, sabe que esta teoria é uma mentira descarada, inventada para justificar a crueldade”, critica.
“O vento não era dos mais fortes, e no entanto Cunegunde sabia de onde vinha. Tinha o poder de sentir o odor de carvões fumegantes, carne e outra coisa oleosa e rançosa, cuja fonte somente ela podia perceber. Sua boca desdentada franziu-se num arreganho: “É uma pestilência, uma pestilência. A aproximação da morte…” Excerto de “Cunengunde”, página 138 de “Breve Sexta-Feira”.
Isaac Singer jamais deixou de se surpreender quando lia sobre humanistas, poetas altamente sensíveis, pregadores da moralidade e benfeitores de todos os tipos que sentiam prazer em caçar – perseguindo pobres lebres e raposas, e ensinando seus cães a fazerem o mesmo. “Pessoas dizem que quando se aposentar vão se dedicar à pesca. Falam isso com um entendimento de que a partir de então não farão mais mal a ninguém. Como se uma época de caridade e tranquilidade fosse começar em suas vidas. Nunca lhes ocorre por um momento que esses seres inocentes vão sofrer e morrer por causa de um esporte ‘inocente’. Às vezes, tenho medo de que a caça aos seres humanos também se torne um esporte”, lamentou.
No livro “Food for the Spirit: Vegetarianism and the World Religions”, de Steven Rosen, lançado em 1987, Singer afirmou que os seres humanos não terão paz enquanto continuarem derramando o sangue dos animais. “Foi necessário um pequeno passo baseado na matança de animais para que fossem construídas as câmaras de gás de Hitler e os campos de concentração de Stalin. Todas essas ações foram praticadas em nome da justiça social. Não haverá justiça enquanto o homem empunhar uma faca ou outra arma para destruir seres mais fracos que ele”, queixou-se. Por outro lado, o escritor reconheceu que sempre vão existir pessoas dispostas a protestarem contra a tortura e a matança de animais.
“Antes de morrer, chamou o rabi e os sete anciãos e informou-lhes que seu nome era Reuben, o açougueiro, com quem Risha cometera pecados. Durante anos vagueara ele de cidade em cidade, sem comer carne, jejuando às segundas e quintas-feiras, usando um saco à guisa de camisa e arrependendo-se de suas abominações.” Excerto de “Sangue”, página 31 do livro “Breve Sexta-Feira”.
Saiba Mais
Isaac Bashevis Singer nasceu em 21 de novembro de 1902 em Leoncin, na Polônia, e faleceu em 24 de julho de 1991 em Surfside, Flórida, nos Estados Unidos, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC).
Em Tel Aviv, em Israel, foi construído o Isaac Bashevis Singer Humane Education. O centro, que possui uma extensa biblioteca e uma grande videoteca, faz um trabalho de prevenção à crueldade contra animais. A entidade possui um programa específico para educar crianças judias e árabes sobre como elas podem ajudar os animais.
Referências
Singer, Bashevis Isaac. Breve Sexta-Feira (1963). Tradução de Hélio Pólvora. Livraria Francisco Alves Editora (1978).
Singer, Bashevis Isaac. The Collected Stories of Isaac Bashevis Singer. Farrar, Straus and Giroux (1983).
Noiville, Florence. Isaac B. Singer: A Life. Northwestern University Press (2008).
Berry, Rynn. Famous Vegetarians and Their Favorite Recipes: Lives and Lore from Buddha to the Beatles. Pythagorean Publishers (1993). Eight Printing (2003).
Rosen, Steven. From Food for the Spirit: Vegetarianism and the World Religions. Bala Books (1987).
Rosen, Steven. Diet for Transcendence: Vegetarianism and the World Religions (1987). Torchlight Publishing; Revised Edition (1997).
Cohan, Jeffrey. Isaac Bashevis Singer, Yiddish Food Writer (20 de novembro de 2012). Disponível em http://forward.com/food/166228/isaac-bashevis-singer-yiddish-food-writer/
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Agnon: “Quem nos ensina mais do que os animais da terra, e nos faz mais sábios que as aves do céu?”
“Para que eu não cometa o erro de desconsiderar qualquer criatura, faço questão de mencionar os animais domésticos, as feras e os pássaros”
Shmuel Yosef Agnon é considerado um dos nomes mais importantes da literatura hebraica moderna. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1966, o escritor israelense se destacou pela produção de contos e romances que abordam os conflitos espirituais da humanidade e o choque entre tradição e modernidade. Também recorrente em suas obras é o vegetarianismo, definido pelo próprio autor como uma filosofia de vida que preza pelo respeito aos animais.
“Para que eu não cometa o erro de desconsiderar qualquer criatura, faço questão de mencionar os animais domésticos, as feras, e os pássaros. Jó nos disse há muito tempo: ‘Quem nos ensina mais do que os animais da terra, e nos faz mais sábios que as aves do céu?”, discursou Agnon na cerimônia de premiação do Nobel de Literatura de 1966.
Shmuel Yosef dizia que os animais são a maior fonte de aprendizado da humanidade. Uma das lições foi materializada pelo escritor em “O Conto da Cabra”, publicado originalmente em 1925. Na história, que para os ocidentais pode trazer lembranças da parábola “O Lenhador e a Raposa”, um senhor fica maravilhado ao experimentar o peculiar leite de uma cabra. Segundo ele, é tão maravilhoso que tem o sabor do céu, do paraíso.
Ao perceber que o animal sempre desaparece por período inexato, o homem conversa com o filho, crente de que o gosto do leite tem relação com as viagens da cabra. O jovem então decide segui-la. O percurso que parece durar horas, mas pode significar até dois dias, termina em uma caverna, uma passagem para um paraíso inimaginável chamado Terra de Israel.
Extasiado, e ciente de que a véspera do sabat anteciparia a escuridão, ele se vê incapaz de retornar para casa. Preocupado, prende um bilhete na orelha da cabra e pede que ela a entregue a seu pai. Quando vê o animal chegando sozinho, o homem entra em desespero e pragueja a cabra, a quem responsabiliza pelo sumiço do filho. Movido por surto momentâneo, a entrega a um açougueiro. Depois que o animal é assassinado, o bilhete cai da orelha da cabra.
“Ai do homem que rouba de si mesmo a sua própria fortuna, e ai do homem que reivindica o bem com o mal”, gritou o velho arrependido, batendo as mãos na própria cabeça. O luto durou dias. O homem se debruçou choroso sobre o animal e se recusou a ser consolado. Na história, o leite é também uma metáfora dos caminhos e dos descaminhos do homem.
Um autor de gênio inquestionável, Agnon é apontado como um dos maiores contadores de histórias do século 20. Está entre os autores de língua hebraica mais elogiados e influentes da literatura. Sua escrita chama atenção pela forma como ele aborda os conflitos da humanidade e o resgate da tradição. Combinando realidade e surrealismo, Shmuel Josef sempre tratou com muita personalidade de questões filosóficas e psicológicas que até hoje transparecem atemporais.

O escritor vegetariano é apontado como um dos maiores contadores de histórias do século 20 (Foto: Reprodução)
A perda da inocência no mundo moderno, a turbulência espiritual vivenciada por quem se viu obrigado a deixar a própria casa, a pátria e, em alguns casos, até a fé, serviram de inspiração para o escritor judeu. Exemplo disso é a obra “Um Convidado para a Noite”, publicada em 1938. Autobiográfica, a história apresenta um narrador anônimo que retorna à Galícia depois de muitos anos, reencontrando sua cidade natal em estado de desolação. Para escrevê-la, Agnon se inspirou em uma visita que fez a Buczacz, onde nasceu, lugar que ele chamava de “a cidade dos mortos”.
Além de colocar em discussão o velho e o novo mundo que surgia, suas histórias sempre foram ternas, dotadas de um requinte onírico que leva o leitor a questionar se suas narrativas são reais ou fantasiosas. Em “Hakhnasat Kallah,“O Dossel Nupcial”, sua obra mais famosa, reconhecida como uma das pedras fundamentais da literatura hebraica moderna, Shmuel Agnon protesta contra o hábito judaico de servir carne no sabat. Faz isso com sutileza.
“Ele recebeu o sabat com doce canção e cantou melodiosamente sua santificação com vinho de passas. A mesa estava bem distribuída, com todos os tipos de frutas, feijões, matérias verdes e boas tortas…mas de carne e peixe não havia qualquer sinal”, escreveu na página 222.
Para o escritor israelense, o silêncio em face da injustiça equivale à cumplicidade. Sua defesa do vegetarianismo significava reprovar os maus-tratos contra os animais. Por isso, ele usava a sua literatura como forma de ampliar a percepção humana em relação à sensibilidade animal e às questões éticas que permeiam o direito à vida, independente de espécie.
Agnon publicou seu primeiro conto aos 18 anos
Shmuel Yosef Agnon nasceu em Buczacz, então Império Austro-Húngaro (atual Ucrânia), em 17 de julho de 1888. Criado em uma família bem diversificada, que incluía comerciantes poloneses judeus, rabinos e acadêmicos, Agnon não chegou a ingressar em uma escola. Recebeu educação de seu pai, que o ensinou o aggadah, a literatura rabínica, e de sua mãe, que o introduziu na literatura alemã.
Aos oito anos, começou a escrever em iídiche e hebraico. Entre os 15 e os 18 anos, produziu seus primeiros poemas e histórias. Na fase adulta, ao longo de três anos, e com um ritmo de produção mais intenso, escreveu 70 peças em hebraico e iídiche. Nesse período, deixou Buczacz e se mudou para Yafo, atual Jaffa, em Israel, onde adotou um estilo de vida secular.
O seu primeiro conto, intitulado “Agunot”, que significa “Esposas Abandonadas”, foi publicado na Palestina em 1908, um ano depois que adotou o sobrenome Agnon. Em 1913, o escritor emigrou para a Alemanha, onde viveu por 11 anos. Seu estilo agradou primeiro aos mais jovens, que viram qualidade na sua maneira de combinar tradição e modernidade.
A repercussão de seus trabalhos atraiu a atenção do magnata Salman Schocken, que se tornou admirador de Agnon e decidiu patrociná-lo. Sem se preocupar com dinheiro, Shmuel Yosef viveu muito bem logo nos primeiros anos de sua carreira. No entanto, quando um incêndio destruiu sua casa, ele interpretou aquilo como um sinal e tomou a decisão de retornar a Israel, adotando Jerusalém como lar. Em 1929, sua casa foi saqueada durante uma animosidade entre judeus e árabes.
Em 1932, Agnon conquistou prestígio internacional após o lançamento de “O Dossel Nupcial”. Mais tarde, obteve ainda mais reconhecimento quando lançou a antologia, “Days of Awe”, “Dias de Temor”, baseada em histórias de costumes judaicos. O escritor também publicou livros baseados em contos populares inspirados na cultura rabínica, além de contos inspirados na filosofia e nas lendas hassídicas. Vítima de ataque cardíaco, Shmuel Yosef Agnon faleceu em 17 de fevereiro de 1970 em Rehovot, Israel.
Saiba Mais
Além do Prêmio Nobel de Literatura, Shmuel Yosef Agnon recebeu o Prêmio Israel de Literatura em 1954 e em 1958.
Referências
Agnon, Shmuel Yosef. The Bridal Canopy (1931). The Toby Press; Reissue Edition (2015).
Agnon, Shmuel Yosef. The Fable of the Goat Whose Milk Taste of Eden (Tale of the Goat). Disponível em http://jhom.com/topics/goats/fable.htm
Agnon, Shmuel Yosef. A Guest for the Night (1938). The Toby Press (2015).
Gross, Aaron; Schwartz, Richard; Kalechofsky, Roberta; Levine, Jay. A Case for Jewish Vegetarianism. Peta Publisher (2012).
Fisch, Harold. S.Y. Agnon. Ungar Pub Co (1975).
Gershon Shaked, Shmuel Yosef Agnon: A Revolutionary Traditionalist. New York University Press (1989).
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Lamartine: “Matar os animais é uma das mais deploráveis enfermidades da condição humana”
“É uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo embrutecimento de sua própria perversidade”

Lamartine: “Talvez eu esteja em dívida com essa dieta por conseguir preservar requintada sensibilidade e uma doce tranquilidade de humor e caráter” (Foto: Reprodução)
Pioneiro do romantismo francês e considerado um dos maiores poetas da França do século XIX, o escritor e poeta Alphonse de Lamartine era um defensor do vegetarianismo. Em uma de suas obras, “Les Confidences”, ele conta como se tornou vegetariano logo nos primeiros anos de sua vida.
“Minha mãe estava convencida, assim como sempre foi a minha convicção, de que matar os animais para nos alimentarmos de sua carne e sangue é uma das mais deploráveis e vergonhosas enfermidades da condição humana. É uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo embrutecimento de sua própria perversidade”, escreveu na página 59 da obra publicada originalmente em 1849.
Lamartine narra que surpreendeu a todos quando chegou aos 11 anos se alimentando basicamente de pão, vegetais e frutas. Nem por isso ele era menos saudável ou teve sua fase de desenvolvimento comprometida. “Talvez eu esteja em dívida com essa dieta por conseguir preservar requintada sensibilidade e uma doce tranquilidade de humor e caráter”, registrou.
Assim como sua mãe, o poeta francês acreditava que os hábitos alimentares que envolvem exploração de animais endurecem o coração humano e comprometem a capacidade de observá-los como seres gentis. “Eles são nossos companheiros, nossos auxiliares […]. Esses apetites sangrentos, essa visão da carne palpitante, são calculados para brutalizar os instintos do coração, tornando-nos ferozes”, observou.
A nutrição baseada na exploração animal era reconhecida por Alphonse de Lamartine como possivelmente mais suculenta e energética. Por outro lado, ele afirmou que essas supostas qualidades também eram as causas ativas da irritação humana e do seu definhamento físico. “Azedam o sangue e encurtam os dias de vida da humanidade”, declarou em “Les Confidences”.
Desde muito cedo, com a intenção de fortalecer a opinião do filho em relação à abstinência de carne, sua mãe contava-lhe histórias de tribos gentis e piedosas da Índia, que se negavam a se alimentar de seres sencientes. Muitos eram pastores ou camponeses e, segundo Lamartine, trabalhavam mais duro do que qualquer outra pessoa. Também possuíam uma genuína inocência. “Para matar o desejo, que mesmo que tivesse existido dentro de mim, ela não usou argumentos, mas recorreu ao instinto, que em nosso cerne é muito mais poderoso do que a lógica”, explicou.
Um dia, ainda jovem, o poeta ganhou um cordeiro de um camponês de Milly, uma comuna francesa da região da Borgonha. Com um estreito laço de amizade com o animal, ele o ensinou a segui-lo por todos os lados. “Se tornou o mais carinhoso e fiel dos cães. Nos amamos com a mesma ternura que toda criança tem pelos animais e vice-versa”, relatou.
No entanto, em uma ocasião, ele ficou chocado quando ouviu um cozinheiro conversando com sua mãe. “Madame, o cordeiro está gordo e o açougueiro veio buscá-lo. Devo entrega-lo a ele?”, questionou. Quando ouviu aquilo, Lamartine começou a gritar, abraçou o animal, perguntou o que era um açougueiro e o que tal pessoa iria fazer com ele.

“Vi um homem com os braços nus e lambuzados de sangue, batendo na cabeça de um touro” (Arte: Reprodução)
“O cozinheiro disse que era um homem que matava cordeiros, carneiros, novilhos e belas vacas por dinheiro. Eu mal podia acreditar nisso. Orei à minha mãe e facilmente a convenci a pouparem o meu amigo”, admitiu. Na realidade, a mãe do poeta não raramente testava suas convicções.
Mais tarde, Alphonse de Lamartine acompanhou sua mãe até a cidade e, no caminho, atravessaram o quintal de um matadouro. Havia um propósito nisso que o jovem só percebeu depois. “Vi um homem com os braços nus e lambuzados de sangue, batendo na cabeça de um touro. Outros cortavam as gargantas de bezerros e ovelhas, separando seus membros ainda palpitantes. O sangue fluía por todo o pavimento. Um intenso sentimento de pena, misturado com horror, se apoderou de mim. Tive que ser levado rapidamente para fora daquele lugar”, revelou.
A experiência fez com que Lamartine nunca mais deixasse de associar aquela cena à imagem de um prato com carne, tantas vezes visto por ele sobre a mesa. “Embora a necessidade de cumprir as regras da sociedade me fez comer carne [em determinado momento da vida], desde então, tudo que as outras pessoas comem [e que seja de origem animal] me causa repulsa. O que testemunhei me fez sentir completa aversão. Insuflou-me do horror perpetrado pelos açougueiros. Tem sido sempre difícil pra mim não ver no trabalho de um açougueiro a ocupação de um carrasco”, enfatizou em “Les Confidences”.
A importância de Alphonse de Lamartine
O escritor e poeta Alphonse de Lamartine nasceu em Mâcon, na França, em 21 de outubro de 1790. Criado em uma propriedade rural nas imediações de Milly, estudou os clássicos gregos e romanos, além das obras francesas contemporâneas. Sua educação foi uma educação filosófica que ele qualificava como de “segunda mão”, suavizada por sentimentos maternais. Lamartine, que sofreu grande influência de filósofos como Pitágoras, publicou 19 livros, entre poesia, ficção e história.
De todas as obras publicadas pelo francês, “Méditations Poétiques”, de 1820, continua sendo a mais famosa. No livro, o poeta aborda as relações entre o misticismo, a natureza e as emoções. Para ele, a natureza é a mais importante manifestação da grandeza divina.
Despertando para uma formação mais pessoal de espiritualidade, o escritor adotou a simplicidade como estilo de vida, tanto na forma de se vestir quanto de se alimentar. Depois do lançamento de “Méditations Poétiques”, que alçou o nome da Lamartine aos dos grandes nomes da literatura mundial, ele conseguiu uma nomeação para assumir a embaixada francesa na Itália.
Lá, viveu dez anos, e aproveitou o tempo ocioso para produzir literatura, já que seus deveres diplomáticos não exigiam tanto tempo. Em 1828, de volta à França, tentou garantir uma vaga no parlamento, mas foi derrotado. Então tomou a decisão de viajar para o Oriente Médio, onde começou a se interessar por religiões orientais. Reflexo desse período foi registrado no livro “Souvenirs, Impressions, Pensées, et paysages pendant un Voyage en Orient”, escrito em 1832 e 1832, e no romance em verso “La Chute d’un Ange”; obra de 1838 que chegou a ser banida da Igreja Católica pelo viés panteísta e racionalista.
Em um excerto, o poeta diz: “Le plus beau don de l’homme, c’est la Misericorde”. Ou seja, o maior dom do homem é a Misericórdia. Sendo assim, ele jamais deve matar qualquer animal. Lamartine também se inspirava na idealização do amor, suas crenças e sua relação com a natureza. Considerado um dos protagonistas da transição da literatura neoclássica para a romântica, marcada pela paixão e pelo lirismo, ele foi também um historiador. Escreveu sobre a história dos girondinos, importante grupo político que participou da Revolução Francesa entre os anos de 1789 e 1799.
Em 1849, Lamartine teve o privilégio de fazer parte do governo provisório da França na Segunda República, após a deposição de Luís Filipe I. O escritor e poeta liderou as ações que culminaram na abolição da escravidão e no primeiro modelo dos direitos trabalhistas na França, de acordo com o pesquisador Lawrence C. Jennings. Ainda assim, acabou derrotado por Napoleão III na eleição presidencial realizada no mesmo ano. Depois de se aposentar da política em 1851, Alphonse de Lamartine continuou escrevendo até o dia 28 de fevereiro de 1869, quando faleceu em Paris.
Referências
Lamartine, de Alphonse. Les Confidences (1857). Nabu Press (2012).
Lamartine, de Alphonse. Trois Mois au Pouvoir (1848). Nabu Press (2011).
Lamartine, de Alphonse. La Chute d’un Ange (1838). CreateSpace Independent Publishing Platform (2015).
William A. Alcott. Vegetable Diet: As Sanctioned by Medical Men and by Experience in All Ages. Marsh, Capen & Lyon (1838).
Jennings, Lawrence C. French Anti-Slavery: The Movement for the Abolution of Slavery in France, 1802-1848. Cambridge University Press (2006).
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Renato Frata, entre contos e crônicas
“Arrisquei fazer os primeiros textos poéticos. Gostei, continuei e senti vontade de escrever textos corridos”
Foi na puberdade, quando se apaixonou pela primeira vez, que o escritor e advogado Renato Benvindo Frata, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, rascunhou alguns versos. Influenciado pelo pai e pelo irmão, assíduos leitores, ele descobriu na leitura um dos maiores prazeres da vida. “Então arrisquei fazer os primeiros textos poéticos. Gostei, continuei e senti vontade de escrever textos corridos”, relata.
O primeiro conto, “Pá de Polenta”, foi premiado na década de 1990 no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), 20 anos depois de escrito. “Produzi uma extensão maior desse conto e o transformei em um livro que retrata parte da minha infância. Depois vieram outros. ‘Reflexão dos Cinquenta’, por exemplo, foi a primeira obra de um escritor de Paranavaí a ser publicada por um projeto da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná”, conta.
Em 1999, Frata escreveu o conto infantil “O Sapo Chorão”, lançado pelo projeto Aluno Especial, da Secretaria da Educação de Paranavaí. “Fiz o texto e ele foi ilustrado por alunos de classes especiais. Fiquei muito satisfeito porque uma garotinha de Graciosa [distrito de Paranavaí], que tinha dificuldade de memorização, conseguiu captar a intenção do conto e o ilustrou de forma bastante singela, limpa. A obra foi editada com os desenhos dela”, informa.
Em 2009, o escritor lançou o livro “O Cavalariço e a Rainha Roxa”, que recebeu o Prêmio Clarice Lispector no 7º Concurso Literário Internacional da União Brasileira de Escritores (UBE), no Rio de Janeiro. Na história, há um confronto entre a cultura e a condição financeira dos personagens. “Ela era uma rainha triste e ele era um cavalariço sonhador. E através de sua capacidade intelectual, ele consegue conquistá-la. “Fiquei muito feliz com esse prêmio porque a UBE é um expoente literário e trabalha em parceria com a Academia Brasileira de Letras”, comenta.
Frata publicou também “Quarto de Solteiro”, que traz 60 crônicas da época em que saiu de casa para sedimentar a vida profissional, além de outras 40 crônicas sobre o cotidiano. É uma obra que o marcou muito, com histórias que remetem às décadas de 1960 e 1970. Na sequência, vieram “O Ipê Amarelo”, conto que garantiu outro prêmio no Femup, e “O Azarinho e o Caga Fogo”, premiado em Paranavaí e em Curitiba. “O trabalho com a literatura infantil é complicado porque a cabeça da criança é muito diferente da nossa. Não é fácil”, argumenta.
De literatura infantil, Frata cita ainda os livros “O Sapo Chorão”, publicado em duas versões, “Coração Alegria” e “Gato Tiziu”, escrito em parceria com o neto. Na semana passada, o escritor lançou “200 Microcontos…e mais alguns” na 3ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim). “Um verdadeiro desafio. Eu nunca tinha feito isso. Foi um exercício estafante porque o livro saiu em menos de dois meses. Mas fiquei contente pela receptividade. Algumas professoras de Maringá me convidaram para ministrar oficinas para alunos do ensino fundamental. Sei que há coisas a se considerar, mas parece-me que saiu um livro gostoso de se ler”, avalia, em referência à obra em que cada microconto tem cerca de 140 caracteres.
Depois de 16 livros lançados, o escritor mantém-se animado. Confidencia que está editando mais dois livros de contos e crônicas. “Vamos fazendo por diletantismo. A minha motivação é a vida e uma família que, graças a Deus, segue inteira, sem nenhuma cisão. Sou casado há mais de 46 anos e minha esposa Helena me ajuda muito nesse processo”, pondera o escritor que possui sete Barrigudas, troféu-símbolo do Festival de Música e Poesia de Paranavaí, além de premiações em Maringá, Cornélio Procópio, São Paulo e Rio de Janeiro.

Frata recebeu o Prêmio Clarice Lispector, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE), no Rio de Janeiro (Foto: David Arioch)
Sobre a inspiração para escrever, Renato Frata esclarece que suas obras surgem a partir de suas memórias ou relatos de amigos e conhecidos. “Tudo vem de um intercâmbio de ideias. Eu gostaria de editar todos os meus trabalhos. Tenho uma quantidade razoável de obras que rendem pelo menos mais dois ou três livros de contos e crônicas”, revela.
O escritor qualifica como muito gratificante as ocasiões em que é reconhecido pelos seus textos literários. Um dia, visitando o túmulo de seus pais, um senhor o abordou e disse que era seu fã. “Falou que guardava todas as minhas crônicas que saíam em jornais e revistas. Uma experiência que faz o trabalho de um escritor valer a pena. Para quem escreve, leitores sempre serão mais importantes do que qualquer prêmio”, enfatiza.
No dia 27, o livro “200 Microcontos…e mais alguns”, de Renato Frata, vai ser lançado às 20h no 1º Sarau da Academia de Letras e Artes de Paranavaí no Lions Clube. “Na mesma noite, serão premiados os vencedores do concurso de microcontos e poemas que versam sobre a doação de órgãos. Recebemos mais de 600 trabalhos. Foi uma experiência muito interessante”, declara Frata que é presidente de honra da academia, atualmente presidida por José Cauneto.
Microconto “Infância”
À beira da calçada, o copo com água e sabão e a haste de arame envergado faziam sonhos, felicidade, magia. Todos assoprados nas bolhas de sabão. (Página 3)
Saiba Mais
Renato Frata já publicou 16 livros de contos e crônicas. O escritor nascido no interior de São Paulo se mudou para o Paraná com apenas cinco anos, então se considera paranaense e paranavaiense.
Frase do escritor Renato Frata
“Simpatizo muito com trovas, porém não tenho o hábito de fazer. Acredito que me dou melhor com a crônica.”
Sobre a 35ª Semana Literária do Sesc em Paranavaí
Nos últimos cinco anos, mediei bate-papo com mais de 20 escritores de renome nacional e internacional na 35ª Semana Literária do Sesc e no projeto Autores e Ideias, também do Sesc. Aprendi muito e pretendo escrever sobre a experiência, mas sobre ontem, com a escritora Luci Collin e o escritor João Carrascoza, preciso dizer agora: uma das melhores experiências da minha vida.
Poucas vezes encontrei tanta simplicidade e simpatia em pessoas com tanto conhecimento literário e sabedoria sobre a vida. Eles mereciam um público de no mínimo milhares de pessoas. Definitivamente há escritores que te emocionam ao mostrar que são tão bons autores quanto seres humanos. Em poucas horas, e graças a eles, adquiri um conhecimento equivalente a anos de vida. Eu já conhecia algumas obras dos dois, mas agora quero ler tudo que produziram.
Por outro lado, me entristece reconhecer o desinteresse de tanta gente em participar de eventos culturais como a Semana Literária do Sesc. Inacreditável como professores, professoras, pessoas que se dizem leitoras assíduas, pouco se importam em participar de um intercâmbio cultural tão rico e raro como o de ontem, que trouxe a Paranavaí a Luci Collin e o João Carrascoza. A verdade é que as universidades e faculdades locais pouco se importam em prestigiar e contribuir de alguma forma. E na mesma esteira, muitos de seus profissionais e alunos.
O mais curioso é que há muitas pessoas que não participam desses eventos, mas se queixam do desinteresse pela leitura no Brasil, da falta de incentivo à circulação da literatura. Bom, mas não tenho dúvida alguma de que o azar é deles. E ainda bem que podemos contar com pessoas conscientes, incentivadoras e exemplares como a professora Rose Freire que levou um bom público para a Semana Literária na segunda-feira e ontem.
Bate-papo com Luci Collin e João Carrascoza na Semana Literária do Sesc

Luci Collin e João Carrascoza são os convidados do último bate-papo da Semana Literária do Sesc em Paranavaí (Fotos: Divulgação)
Hoje, às 20h, vou mediar mais um bate-papo da Semana Literária do Sesc em Paranavaí, no Noroeste do Paraná. Desta vez, com a escritora curitibana Luci Collin e o escritor paulista João Carrascoza. Luci, que é professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem pós-doutorado em literatura irlandesa. Já publicou 16 livros entre poesia e prosa de ficção.
Carrascoza, que é publicitário e professor da Universidade de São Paulo (USP), tem pós-doutorado sobre a interface literatura e publicidade. Já recebeu os prêmios Jabuti, Guimarães Rosa (concedido pela Rádio França Internacional) e Fundação Biblioteca Nacional. Além de suas obras, vamos conversar sobre a multiplicidade da literatura brasileira. Apareçam por lá! É tudo de graça!
Saiba mais sobre Luci Collin
Luci Collin é graduada no curso superior de piano da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, no curso de letras português/inglês, da Universidade Federal do Paraná e no curso superior de percussão clássica, também da Belas Artes do Paraná. Concluiu o mestrado em literatura de língua inglesa na Universidade Federal do Paraná e o doutorado em estudos linguísticos e literários em inglês na Universidade de São Paulo. É professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR, onde leciona atualmente. Também tem experiência como tradutora literária.
Saiba mais sobre João Carrascoza
João Carrascoza foi premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e Associação Paulista dos Críticos de Arte. Desde que saiu de Cravinhos, sua cidade natal, o escritor escreve livros de contos, romances e novelas infanto-juvenis, com os quais recebeu importantes prêmios. Algumas de suas histórias foram traduzidas para inglês, francês, italiano, sueco e espanhol, participou ainda de programas internacionais de escritores residentes, como a Ledig House (EUA) e o Château Lavigny (Suíça). Atualmente, dedica-se à docência na Universidade de São Paulo (USP) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Bate-papo com Marta Barcellos na Semana Literária do Sesc
Hoje, às 20h, vou mediar um bate-papo na Semana Literária do Sesc em Paranavaí, no Noroeste do Paraná. A convidada é a carioca Marta Barcellos, vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2015, na categoria contos, com o livro “Antes que seque”. É uma grande oportunidade para conhecer o trabalho dela ou se aprofundar um pouco mais em suas obras. Também vamos falar sobre textualidade nas mídias sociais. Apareçam por lá! É tudo de graça!
Jornalista e escritora, Marta Barcellos é mestre em letras/literatura, cultura e contemporaneidade pela PUCRio. Ela possui graduação em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialização em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo pela PUCRio. Foi a Vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2015, na categoria Contos, com o livro “Antes que seque”, lançado pela Editora Record.







