David Arioch – Jornalismo Cultural

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Howard Lyman, a transformação de um pecuarista multimilionário em um ativista vegano

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“Se você realmente ama os animais, se você se importa com eles tanto quanto diz, por que os come?”

Lyman: “Nunca vi um animal pular e dizer que quer ser um hambúrguer” (Foto: Reprodução)

Howard Lyman talvez tenha uma das histórias mais famosas de transformação de um pecuarista multimilionário em um ativista vegano. Desde o início da década de 1990, ele tem promovido o veganismo nos Estados Unidos e publicado obras que revelam as mazelas da indústria agropecuária, e sob a perspectiva de quem fez parte desse meio por mais de 20 anos.

Da quarta geração de uma família de pecuaristas, Lyman frequentou a Universidade Estadual de Montana, onde se graduou em agricultura geral em 1961. Depois passou dois anos no Exército dos Estados Unidos antes de comprar a sua própria fazenda: “Eu acordava cedo, fazia a roçada, ouvia os pássaros cantando e me sentia como o guardião do Éden. Meu sonho era ser um fazendeiro. Então fui para a universidade. Comprei uma fazenda orgânica e com o passar dos anos, já possuía mais de 7 mil cabeças de gado e mais de 12 mil hectares.”

De 1963 a 1983, Lyman dedicou a maior parte do seu tempo à criação de animais e grãos, convertendo a sua fazenda orgânica em uma megaoperação de confinamento de animais visando a extração de leite e o abate. “Lembro como se fosse hoje quando trouxemos os animais e demos a eles entre 7 e 21 vacinas. Cortamos os chifres, castramos eles, injetamos hormônios e os alimentamos com resíduos e antibióticos. Na fazenda, eu via tantas moscas juntas que você podia pegá-las aos montes apenas abrindo e fechando as mãos”, narra.

Além de nove mil bovinos, incluindo bezerros enviados ao matadouro para atender ao mercado de carne de vitela, ele criava porcos e aves. Também produzia grãos, silagem e feno: “Levantávamos cedo, quando não havia nevoeiro, e pulverizávamos inseticidas por toda a propriedade. Havia sempre uma grande nuvem flutuando sobre o gado, sobre a água e sobre a comida, e o inseticida atingia tudo. Duas horas mais tarde, o gado se alimentava e bebia aquela água contaminada. Essas são as coisas que aprendi na Universidade Estadual de Montana.”

O ex-pecuarista admite que era preciso dissimular a realidade para seguir em frente. Sempre que via os pássaros mortos, as árvores morrendo, e o solo de sua fazenda mudando, ele se esforçava para não pensar em como estava gastando centenas de milhares de dólares em produtos químicos. “Eu era o responsável por tudo isso. Meu irmão faleceu aos 29 anos, e ainda hoje acho que ele morreu por causa desses produtos químicos que usamos na fazenda”, declara.

Em 1979, quando ainda criava animais para consumo, Lyman foi diagnosticado com um tumor na espinha. Diante da possibilidade de ficar paralítico, ele prometeu que se sobrevivesse ao câncer se afastaria dos meios de produção baseados em produtos químicos.

“Eu estava no auge da minha carreira quando fiquei paralisado da cintura para baixo. É preciso muita concentração para direcionar a sua atenção para outra coisa que não seja a sua situação. No hospital, os médicos disseram que eu tinha uma chance em um milhão de voltar a andar por causa de um tumor dentro da minha coluna vertebral. Fui levado para a sala de cirurgia e operado durante 12 horas. Eles removeram um tumor do tamanho do meu polegar. Saí do hospital depois de uma operação com uma chance de sucesso em um milhão. Me lembro de estar na fazenda após a operação.”

Em casa, o pecuarista viu o próprio reflexo no espelho e teve um momento de conflito existencial que, segundo ele, foi uma das primeiras situações em que foi honesto consigo mesmo. Lyman, que costumava dizer a si mesmo que amava os animais, se perguntou:

“Se você realmente ama os animais, se você se importa com eles tanto quanto diz, por que os come?” Foi tão traumático para mim que eu quase arranquei a pia da parede. Essa foi uma porta da minha alma que eu nunca tinha aberto antes. E uma vez que a abri, nunca mais consegui fechá-la porque eu sabia como esses animais pareciam quando eles caíam mortos no chão. Eu sabia o que havia em seus olhos, e eu era a pessoa que os colocava lá. Era como se tudo o que você acreditasse que é justo e sagrado de repente estivesse em risco.”

Naquele dia, Lyman se perguntou como falaria para a própria esposa que a sua operação multimilionária era um erro, e que ele percebeu que a sua fonte de renda foi construída “sobre a areia”; já que tudo em que Howard Lyman acreditava estava em risco porque, pela primeira vez se deu conta de que o seu lucro era baseado no assassinato de animais. “Como eu poderia dizer que talvez o que devêssemos fazer era sair desse negócio?”, lembra.

Lyman reconheceu que não poderia falar de seus conflitos com seus amigos, porque todos eles trabalhavam no mesmo ramo. Não teve nenhum apoio. Pensou também em falar com um padre, mas concluiu que provavelmente o próprio padre comia tanta carne quanto ele. “Foi o momento mais solitário e mais difícil da minha vida”, garante.

No entanto, a grande transformação de Howard Lyman só aconteceria alguns anos depois. Em 1990, quando atuava como lobista em Washington, ele estava muito acima do peso e enfrentando problemas de saúde como pressão alta e altos níveis de colesterol. Então decidiu definitivamente se tornar vegetariano. No ano seguinte, mais decidido e com uma opinião mais forte sobre os direitos animais, fez a transição para o veganismo e transformou a sua fazenda em um santuário para animais. Também começou a promover o veganismo em diversas regiões dos Estados Unidos, defendendo também a produção orgânica de vegetais:

“Nunca vi um animal pular e dizer que quer ser um hambúrguer. Estive em centenas de matadouros, vi milhares de animais morrerem, e sempre que eu os observava, eu notava que eles sabiam o que aconteceria com eles. Havia o cheiro de morte. Eu me questionava: ‘Existe alguma necessidade disso?’”

Em abril de 1996, o ex-pecuarista participou do programa The Oprah Winfrey Show, onde denunciou as mazelas da indústria de proteína animal. Suas revelações tiveram repercussão nacional e fizeram com que Oprah abdicasse do consumo de hambúrgueres. Lyman e a apresentadora tiveram de responder a dezenas de processos da Associação dos Produtores de Carne Bovina dos Estados Unidos, mas foram inocentados em 1998. “Tenho certeza de que se eu fosse novamente ao programa, hoje eu seria condenado, mesmo falando a verdade”, lamenta.

Também em 1998, Howard Lyman, que se tornou uma referência em veganismo para a atriz vegana Linda Blair, publicou o livro “Mad Cowboy: Plain Truth from the Cattle Rancher Who Won’t Eat Meat”, em que narra a sua trajetória pessoal e profissional de pecuarista à ativista vegano. Também traz importantes informações sobre as mazelas da indústria agropecuária, o que inclui investigações do uso de nocivos produtos químicos nesse meio. Em 2005, ele lançou o livro “No More Bull! The Mad Cowboy Targets America’s Worst Enemy: Our Diet”, que é uma continuação da obra de 1998. A sua história é narrada no documentário “Mad Cowboy” e em “Peaceable Kingdom” – este segundo com boa repercussão internacional.

Lyman também aparece no famoso documentário “Cowspiracy”, de Kip Andersen e Keegan Kuhn, em que afirma que não faz sentido um ambientalista consumir produtos de origem animal. “Engane-se se quiser. Aliás, se quiser alimentar o seu vício, faça-o, mas não chame a si mesmo de ambientalista ou protetor dos animais”, critica.

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Entre os anos de 1996 e 1999, Howard Lyman foi presidente da União Vegetariana Internacional.

 Referências

Lyman, Howard. Mad Cowboy: Plain Truth from the Cattle Rancher Who Won’t Eat Meat (1998).

Capps, Ashley. Former meat and dairy farmers who became vegan activists. Free From Harm (4 de novembro de 2014).

Stein, Jenny. Peaceable Kingdom (2004).

Andersen, Kip; Kuhn, Keegan. Cowspiracy (2014).





 

Alguém diz: “Defendo o fim das vaquejadas e da farra do boi, mas não sou contra matar um animal para comer”

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“Para o animal não importa a finalidade de sua morte, porque isso não muda o fato de que ele deixará de existir”

Um animal não vai te agradecer porque não foi torturado na vaquejada, mas, por exemplo, morreu logo em seguida no matadouro (Fotos: Reprodução)

Alguém diz:

— Eu defendo o fim das vaquejadas e da farra do boi, mas não sou contra matar um animal para comer.

— Imagino que você conheça vegetarianos ou veganos, certo?

— Sim…

— Estão vivos, bem?

— Acho que sim…

— Então por que se alimentar de animais?

— Ora, isso é problema deles, escolha deles. Como porque é gostoso.

— Certo. Se alimentar de um animal então é gostoso. Isso realmente é uma boa justificativa para matar animais? Melhor do que a de não matar que se baseia no fato de que não temos necessidade de tirar vidas para viver bem? E se há pessoas que vivem bem sem consumir a carne de animais, logo sem financiar esse sistema, isso não significa que matar animais acaba por ser um capricho? Quero dizer, privamos um animal de viver, impomos a morte e o comemos. A escolha que existe para nós é inexistente para ele.

— Ainda acho que comer carne não é um problema, porque o animal existe pra isso.

— Entendo, mas quem disse isso?

— A sociedade, o mundo. Ao longo da história, a “sociedade e o mundo” disseram muitas coisas, mas recuaram ou mudaram em diversos aspectos quando houve um entendimento abrangente das consequências de nossas ações em relação ao que não diz respeito somente a nós. Além disso, me responda uma pergunta. Se a “sociedade” decidir que não há nada de errado em sair matando pessoas aleatoriamente, você endossaria isso?

— Claro que não, né?

— Então, isso é uma baliza moral. Independente dos preceitos socialmente aceitáveis, você faria o que considera certo. Sendo assim, matar animais é correto?

— Hum…complicado.

— Considere um ponto. Para o animal não importa a finalidade de sua morte, porque isso não muda o fato de que ele deixará de existir. Ele não vai te agradecer porque não foi torturado na vaquejada, mas, por exemplo, morreu logo em seguida no matadouro. Matar um animal para se alimentar, não anula o fato de que antes ele passou por algum tipo de privação, medo, sofrimento e, claro, algum tipo de violência final que custou a sua vida, tenha sido esse ato curto ou prolongado. Em síntese, nunca há uma boa maneira de matar um animal que não quer morrer.





 

Como achar normal a morte de 70 bilhões de animais terrestres por ano para consumo?

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Após escândalo, Volkswagen promete não realizar mais testes em animais

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“No futuro, excluiremos todos os testes em animais, desde que não haja motivos prementes, legais, que tornem isso necessário”

Macacos eram mantidos em câmaras herméticas e obrigados a inalarem as partículas de exaustão do diesel (Acervo Dirty Money Documentary)

A montadora alemã Volkswagen, maior fabricante de carros da Europa, prometeu que não vai mais utilizar animais para testar os efeitos da fumaça do escapamento de motores a diesel. A promessa foi feita esta semana após o escândalo de fraude em 600 mil veículos montados ilegalmente para dar a impressão de que a montadora cumpria os padrões de restrição de poluição automotiva.

O custo para a Volkswagen foi de dezenas de bilhões de dólares em acordos e multas, além da demissão de executivos-chefes e a prisão de altos funcionários da companhia. A situação piorou ainda mais com a revelação de que a Volkswagen e outras montadoras alemãs financiaram pesquisas com animais sobre os efeitos da exaustão de diesel na saúde. De que forma isso foi feito? Mantendo macacos em câmaras herméticas e os obrigando a inalarem as partículas de exaustão do diesel. Imagens dessa prática na indústria automotiva aparecem no documentário “Dirty Money”, lançado em janeiro na Netflix, e criado por Alex Gibney.

A denúncia, que ganhou força após o escândalo da fraude nos escapamentos, obrigou a Volkswagen a se manifestar publicamente. Na segunda-feira, a montadora emitiu uma carta, divulgada pela Peta, prometendo abandonar a realização de testes em animais. Herbert Diess, nomeado diretor-executivo da montadora em abril, questionou a decisão ética de realizar experimentos com primatas, apesar de afirmar que a prática, realizada nos Estados Unidos, não violava as leis locais.

“Os projetos de pesquisa e estudos devem sempre ser equilibrados com a consideração de questões ética e morais. A Volkswagen se distancia explicitamente de todas as formas de abusos de animais. No futuro, excluiremos todos os testes em animais, desde que não haja motivos prementes, legais, que tornem isso necessário”, declarou.

Diess também enfatizou que a Volkswagen está alterando o novo código de conduta que deve ser seguido por todas as 12 marcas da Volkswagen e seus 640 mil funcionários. O diretor-executivo destacou ainda que a montadora precisa se tornar mais honesta, mais aberta e mais sincera.

Referência

Prashant S. Rao and Melissa Eddy. Volkswagen Vows to End Experiments on Animals. New York Times (4 de junho de 2018).

 

 





 

Written by David Arioch

June 7th, 2018 at 2:59 pm

Ex-vice-presidente do Citibank vai falar hoje sobre veganismo em conferência sobre a fome mundial

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Wollen: “Os direitos animais são a maior questão de justiça social desde a abolição da escravidão”

Wollen: ” É hora de todo cidadão educado, esclarecido e responsável abandonar a carne e as drogas lácteas” (Foto: Edgar’s Mission Farm Sanctuary)

O ex-vice-presidente do Citibank, o australiano Philip Wollen, que também é filantropo e ativista dos direitos animais, foi convidado para ser o principal orador da conferência mundial “Um Futuro Além da Fome Mundial e Outras Crises”, que vai ocorrer no Parlamento Europeu hoje a partir das 13h30.

Entre os assuntos que serão abordados estão o que pode ser feito para alimentar a crescente população mundial, mudanças climáticas, degradação do meio ambiente, superexploração dos recursos naturais, consumo de carne e exploração animal. Na ocasião, Wollen vai falar sobre como o veganismo pode contribuir para mudar esse cenário.

De acordo com o Intergrupo em Bem-Estar e Conservação Animal do Parlamento Europeu, o formato interativo do evento vai permitir que o público e os palestrantes se engajem em uma discussão aberta e desenvolvam não apenas soluções, mas também estratégias para superar a resistência social e política à mudança.

Em abril deste ano, Philip Wollen, que é membro honorário do Centro de Ética Animal da Universidade Oxford, na Inglaterra, participou de um vídeo da Kindness Production afirmando que os direitos animais são a maior questão de justiça social desde a abolição da escravidão.

“Na história humana, apenas 100 bilhões de seres humanos viveram, sete bilhões estão vivos hoje e ainda torturamos e matamos dois bilhões de animais sencientes por semana. É hora de todo cidadão educado, esclarecido e responsável abandonar a carne e as drogas lácteas”, defende.





 

Jornalista britânico denuncia que a matança de cães abandonados prossegue na Rússia

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Segundo Newkey-Burden, há um orçamento de pouco mais de R$ 6 para cada morte

Segundo o jornalista britânico, uma empresa privada de controle de pragas foi contratada para a matança, inclusive se referindo aos cães como “lixo biológico” (Foto: Bici Crono)

O jornalista e escritor britânico Chas Newkey-Burden publicou esta semana no The Guardian um artigo intitulado “Russia is killing stray dogs. World Cup stars must help stop the slaughter” ou “A Rússia está matando cães abandonados. As estrelas da Copa do Mundo precisam parar a matança”.

No texto, o jornalista informa que mesmo com a proximidade da Copa do Mundo na Rússia, os esquadrões da morte continuam atacando cães abandonados nas cidades que sediarão o evento. A justificativa ainda é a mesma de quando surgiram as primeiras denúncias há alguns meses – “uma tentativa de tornar a Rússia mais agradável para a mídia e para os visitantes”.

Newkey-Burden relata que quem conhece a Rússia sabe o quanto esses cães abandonados são amáveis. “Eles chamam a atenção por sua inteligência e resiliência. Muitos deles viajam pela cidade todas as manhãs de trem. Eles sabem quais são os horários em que há menos pessoas nos vagões e também sabem onde encontrar a melhor comida”, revela.

Segundo o autor, quando imploram por comida, os cães mais jovens e mais bonitos tomam a frente do bando, porque entendem que essa é a melhor forma de sensibilizar as pessoas. Em ruas mais movimentadas, os cães obedecem aos semáforos e atravessam apenas em locais seguros, trotando ao lado dos pedestres:

“Essas são as criaturas doces e abandonadas que estão sendo exterminadas em nome de um belo jogo. Muitos são mortos com comida envenenada. Essa forma furtiva de violência condena os animais a uma morte lenta e dolorosa, geralmente com convulsões, quando se engasgam com o seu próprio vômito antes de eventualmente apagarem.”

O jornalista enfatiza também que há caçadores de cães usando zarabatanas e dardos envenenados. E assim, vidas são silenciosamente apagadas porque não se encaixam na imagem que as autoridades querem apresentar ao mundo. Sobre o assunto, as autoridades negam que a eutanásia seja a política oficial, alegando que o foco é levar os cães para os abrigos.

No entanto, a organização Open Cages e outros grupos em defesa dos animais também garantem que o massacre continua. Prova disso é que as mídias sociais na Rússia estão repletas de fotos e vídeos de cães mortos ou convulsionando. Tudo isso permite traçar um paralelo com os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, quando cães abandonados também foram mortos em Sochi, na Rússia.

Além disso, segundo o jornalista britânico, uma empresa privada de controle de pragas foi contratada para a matança, inclusive se referindo aos cães como “lixo biológico”. A realidade foi confirmada pelo membro do parlamento russo Vladimir Burmatov que visitou um abrigo em Ecaterimburgo, na porção oriental dos Montes Urais, e encontrou muitos cães desnutridos e em situações que jamais poderiam ser consideradas satisfatórias.

Burmatov relatou também que uma grande quantidade de cães do abrigo foi colocada para “dormir”. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, há um orçamento de pouco mais de R$ 6 para cada morte. Preocupante também é a denúncia de que os abrigos para os animais “retirados de circulação” na Rússia não são dirigidos por especialistas em bem-estar animal, mas por uma empresa de coleta e descarte de lixo.

Há aproximadamente dois milhões de cães abandonados nas 11 cidades que vão sediar a Copa do Mundo, e isso reflete um descaso cultural que não deveria ter como “solução” o extermínio de animais. “A solução mais eficaz para o problema pode ser uma política de longo prazo de castração. Uma abordagem mais imediata para os cães que continuam nas ruas seria o investimento adequado em abrigos adequados. Deus sabe, a Copa do Mundo traz dinheiro o suficiente para a Fifa, a entidade que controla o futebol e fatura milhões”, pondera Chas Newkey-Burden.

A Fifa também poderia exigir que as autoridades russas parassem imediatamente os assassinatos. De acordo com o jornalista, outra medida poderia ser a inserção de uma cláusula de bem-estar animal no contrato com os anfitriões, impedindo esse tipo de prática. Em 2022, por exemplo, a Copa do Mundo vai ser no Qatar, um país que também tem muitos cães abandonados.

“Talvez algumas estrelas da Copa do Mundo também estejam à frente? Lionel Messi, Mesut Ozil e Harry Kane costumam postar fotos posando com seus cães. Neste jogo que movimenta muito dinheiro, a influência dessas superestrelas é imensa. Aí está a chance de mostrarem que realmente amam os cães”, sugere Newkey-Burden.

Referência

Newkey-Burden, Chas. Russia is killing stray dogs. World Cup stars must help stop the slaughter. The Guardian (4 de junho de 2018)

 





 

Written by David Arioch

June 6th, 2018 at 5:15 pm

Moby: “Precisamos parar de usar os animais como alimentos”

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Imagem publicada por Moby em sua conta no Instagram

Ontem, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o músico vegano Moby usou a sua conta no Instagram para motivar as pessoas a abdicarem do consumo de alimentos de origem animal.

Ele publicou uma foto da destruição das florestas tropicais provocada pela invasão da agropecuária e declarou que vale a pena lembrar que a agricultura animal é responsável por 45% das mudanças climáticas, 95% da destruição das florestas tropicais, 40% do uso de água e 50% da acidificação dos oceanos.

“Então, é claro que precisamos acabar com nossa dependência dos produtos petrolíferos e parar de usar óleo de palma, mas, para salvar a única casa que temos (assim como 100 bilhões de animais, anualmente), precisamos parar de usar os animais como alimentos”, alertou.





 

Não é radical o ato de se alimentar de animais?

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Produtores de queijo premiado se tornam veganos e trocam o leite de cabra pelo leite de oleaginosas

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“Estávamos ampliando o problema. Não queríamos ser parte do problema, mas sim da solução”

“Agora ao não criar animais com essa finalidade [de produzir leite e queijo], podemos salvar os animais da crueldade em vez de agravá-la trazendo mais animais para o mundo” (Acervo: The Sanctuary at Soledad Goats)

Ao longo de 20 anos, Carol e Julian Pearce produziram um queijo de leite de cabra premiado nos Estados Unidos. Ainda assim, decidiram se tornar veganos e começar uma nova vida, que incluiu a fundação de um santuário e uma nova produção de queijos. Mas dessa vez baseado em oleaginosas, não em leite de cabra.

Carol e Julian se conheceram enquanto cuidavam de bezerros doentes. Quando viviam na Inglaterra, Carol era conhecida por invadir fazendas e “sequestrar” animais que seriam enviados para o matadouro.

Mais tarde, nos Estados Unidos, os Pearce investiram em uma fazenda de caprinos no Sul da Califórnia, onde a política era “nunca matar”. No entanto, com o tempo, começaram a repensar a própria história, o trabalho e a vida. Foi quando perceberam uma contradição em suas ações.

Enquanto resgatavam animais que seriam enviados para os matadouros, eles investiam na procriação de outros para a produção de leite e queijo. “Por ser uma fazenda leiteira, estávamos ampliando o problema. Não queríamos ser parte do problema, mas sim da solução”, explica o casal.

Em 2015, a decisão natural foi o veganismo, que os Pearce qualificam como um imperativo moral, de honrar e respeitar os animais rejeitando todas as formas de exploração. O leite de cabra então foi substituído pelo leite de oleaginosas – nozes, castanhas, amêndoas, etc.

“Estamos replicando a qualidade do queijo que conseguimos produzir com o leite de cabra – textura suave, ingredientes frescos, e feito artesanalmente com cuidado, consistência e paixão. Até agora nossas amostras foram muito bem recebidas, com muitas pessoas nos dizendo que continuarão comprando os nossos produtos em versão vegetal. Isso é muito encorajador para nós”, garantem.

Além de cuidar das cabras do seu antigo rebanho leiteiro, o casal resgata cabras, vacas, bois, cavalos, porcos, frangos, galinhas, patos, cães e gatos maltratados, abandonados e negligenciados. Parte desses animais seria enviada para o matadouro, outros passariam por eutanásia. “Agora ao não criar animais com essa finalidade [de produzir leite e queijo], podemos salvar os animais da crueldade em vez de agravá-la trazendo mais animais para o mundo”, justificam.

Hoje, o The Sanctuary, situado em Soledad, no sul da Califórnia, é uma entidade sem fins lucrativos, e a produção de queijo vegano ajuda a custear as despesas com os animais, assim como a contribuição de seus apoiadores. O santuário é aberto à visitação e quem quiser pode comprar diretamente no site alguns produtos veganos como chocolates, velas, sabonetes, canecas, brincos e hidratantes.

Referência

The Sanctuary at Soledad Goats – Where every animal has a home

 





 

Maior feira de produtos naturais do Brasil conta com Espaço Vegano

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O Espaço Vegano pode ser visitado a partir de amanhã, das 11h às 20h, no Pavilhão do Anhembi

O Espaço Vegano vai oferecer uma boa diversidade para quem busca alimentos e produtos isentos de ingredientes de origem animal e livres de testes em animais (Fotos: Divulgação)

Começa amanhã e termina no sábado, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na zona norte de São Paulo, a NaturalTech – 14ª Feira de Alimentação Saudável, Suplementos, Produtos Naturais e Saúde. Para os veganos, o diferencial é que pelo terceiro ano consecutivo, e em parceria com o Encontro Vegano JMA, o evento disponibiliza uma área com diversos expositores. No local, produtos e serviços veganos serão oferecidos, incluindo lançamentos como salgados, hambúrgueres, doces, bebidas, cosméticos, roupas, calçados e acessórios.

Com entrada gratuita, a NaturalTech deve receber mais de 25 mil visitantes, dentre compradores, profissionais da área de saúde, fornecedores, produtores, imprensa, entidades, associações e instituições de ensino de diversos estados brasileiros e também de outros países.

Vale lembrar que há quatro anos a JMA realiza o Encontro Vegano, aberto gratuitamente ao público em São Paulo, e que já recebeu cerca de 80 mil visitantes ao longo das edições e mais de 500 empreendedores, tornando-se referência em veganismo ao divulgar um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta. Os estandes do Espaço Vegano JMA na NaturalTech ficam na Rua 4E do Pavilhão de Exposições do Anhembi.

Serviço

Pavilhão de Exposições do Anhembi

Av. Olavo Fontoura, 1209 – Portão 1 – Santana, São Paulo – SP

Traslado gratuito entre a Estação Tietê do metrô e a feira

Dias 6 a 9 de junho de 2018 – Quarta a sábado, das 11h às 20h

Credenciamento em www.naturaltech.com.br

 





 

Written by David Arioch

June 5th, 2018 at 2:21 pm