David Arioch – Jornalismo Cultural

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Pesquisadores descobrem que o agrião pode ajudar a prevenir deficiência de vitamina B12

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Agrião ajuda a prevenir deficiência de B12 desde que cultivado em solo enriquecido (Foto: Reprodução)

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Kent, na Inglaterra, descobriu recentemente que o agrião pode ser usado na prevenção da deficiência de cobalamina (vitamina b12).

Os resultados publicados na revista científica Cell Chemical Biology, revelam que a vitamina – comumente tomada na forma de suplementos, no caso dos veganos, está disponível nas folhas do agrião, desde que a planta seja cultivada em um solo enriquecido.

De acordo com os pesquisadores, essa descoberta pode ser uma grande aliada para enfrentar o desafio global de fornecer uma dieta vegetariana completa e nutritiva à medida que as pessoas passem a consumir cada vez menos carne com a expansão populacional.

Referência

Fleming, Sandy. University of Kent. University scientists make vitamin B12 breakthrough. 

 

 





Written by David Arioch

May 21st, 2018 at 3:21 pm

Prefeito adota dieta vegetariana para encorajar a população a se abster do consumo de animais

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Andrew Beerman é prefeito de Park City, em Utah (Foto: Divulgação)

Há alguns dias, o prefeito de Park City, em Utah, nos Estados Unidos, Andrew “Andy” Beerman, anunciou que vai adotar uma dieta vegetariana estrita por dez dias. E que se a experiência for positiva, pretende não voltar atrás. O convite foi feito por ativistas dos direitos animais, como uma forma de encorajar a população a se abster do consumo de alimentos de origem animal.

“Eu convido qualquer curioso a se juntar a mim nessa tentativa”, publicou o prefeito em seu perfil no Facebook. Beerman está recebendo o apoio da esposa, que também aceitou o desafio. Park City, a maior cidade-resort de Utah, que tem pouco mais de oito mil habitantes, conta com um espaço de recreação e esportes onde também é promovida a filosofia de vida vegana, e com o apoio do poder público.

Referência

Veg News

 





Written by David Arioch

May 21st, 2018 at 2:12 pm

Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida

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Um caminhão tombado, frangos na estrada

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Morrer ou viver? Ou morrer ou morrer? Distante do matadouro, não da violência humana (Foto: Reprodução)

Um caminhão tombado, frangos na estrada. Ninguém via vida, apenas comida. “Ninguém morreu?” “Não, só bicho.” As aves saltaram sobre as caixas de plástico tentando atravessar a rodovia. Morrer ou viver? Ou morrer ou morrer? Distante do matadouro, não da violência humana. Coração? Mais de 300 batidas por minuto. Pedaços de carne em movimento – uma prospectiva prosaica.

Penas voando, pessoas comemorando. “Esse é meu! Esse é meu!” Um olhar invertido num mundo distorcido. Pés amarrados com fios, mais penas no chão. Cinco frangos no mesmo porta-malas, se contorcendo. Risadas. Nenhuma luz, apenas escuridão e o som dos pneus em atrito com o chão. A chegada é celebrada – degolada.

 





Casal de criadores de gado transforma fazenda em um santuário de animais no Texas

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As mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto, me assombravam”

“Chorei tantas vezes que ele [Tommy] tentou esconder o fato de estar fazendo isso, mas eu sempre soube por causa do lamento das vacas quando perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los” (Foto: Rowdy Girl Sanctuary)

Em 2009, Renée King-Sonnen se mudou para uma propriedade rural em Angleton, no Texas, com o marido Tommy Sonnen, da quarta geração de uma família de criadores de gado. Fascinada pelos animais, Renée começou a passar muito tempo com eles, desenvolvendo empatia e analisando suas personalidades e individualidades. Logo ela percebeu que rapidamente as vacas criam laços profundos com os bezerros – o que a fez associar com a relação de uma mãe com o seu filho humano.

Por outro lado, para além desse cenário de amor animal que inspira reflexão, Renée conheceu outra faceta da realidade ao testemunhar como os bezerros eram separados das vacas, enviados para leilões e encaminhados para os matadouros. A certeza de que nesse meio o laço familiar é rompido precocemente, e as vidas dos animais são tão curtas em decorrência da exploração, a chocou.

“A experiência de vê-los partir, as mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto, me assombravam. Chorei tantas vezes que ele [Tommy] tentou esconder o fato de estar fazendo isso, mas eu sempre soube por causa do lamento das vacas quando perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los”, enfatizou.

Deprimida, em outubro de 2014, Renée falou para o marido que não queria mais contribuir com a morte de animais vulneráveis, que a cada dia a ensinavam uma nova lição. O amor dos animais pela liberdade, por exemplo, ela descobriu na figura de Houdini, um bezerro que sempre que tinha alguma oportunidade tentava fugir da propriedade. Renée King então passou a considerar insuficiente poupar apenas alguns animais da morte.

Buscando uma mudança mais substancial, ela conheceu o veganismo e decidiu correr atrás de um sonho – transformar a fazenda em um santuário de animais. Renée fez contato com pessoas do movimento vegano que foram determinantes nesse processo de transformação de uma fazenda de gado em um santuário. O marido concordou, e não apenas os bovinos foram poupados, mas também os porcos, frangos, galinhas e outros animais que viviam no local.

Hoje o casal vegano que administra o Rowdy Girl Sanctuary, no mesmo local de onde os bovinos partiam rumo à morte, recebe visitas e abriga um número cada vez mais crescente de animais livrados da morte precoce nos matadouros. Segundo René King-Sonnen, um sonho, de fato, concretizado.

Referências

Capps, Ashley. Former Meat and Dairy Farmers Who Became Vegan Activists (4 de novembro de 2014).

Rowdy Girl Sanctury. Renee King-Sonnen – Founder (7 de abril de 2016)

                                                                      





Jess Strathdee, a mulher que se tornou vegana depois de trabalhar em uma fazenda de produção de leite

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“Vi mães que deram à luz na neve ou durante tempestades e foram privadas de seus bebês”

“Depois de romper essa barreira de condicionamento social do consumo de carne, você acorda em um mundo de horror” (Acervo: Now To Love)

No início de 2013, quando Jess Strathdee e seu parceiro Andrew decidiram trabalhar em uma fazenda de gado leiteiro em Canterbury, na Nova Zelândia, eles acharam que tinham encontrado o estilo de vida rural perfeito. Juntos por mais de uma década, o casal aceitou recomeçar uma vida baseada em longas horas de trabalho fisicamente exaustivo; isto porque era uma oportunidade de passarem mais tempo juntos, sentindo o ar fresco do campo, sem o deslocamento diário.

Porém, depois de conviver com vacas e bezerros por quase quatro anos Jess, que, tinha uma típica dieta onívora – rica em carnes e laticínios, deu uma guinada em sua vida – tornando-se vegana e ativista dos direitos animais. “Depois de romper essa barreira de condicionamento social do consumo de carne, você acorda em um mundo de horror”, relatou a Carmen Lichi, do “Now To Love”, da Nova Zelândia.

Segundo Jess Strathdee, que nunca tinha sido uma amante dos animais, e só havia convivido diariamente com um cão em sua infância, quando você se torna vegano, você percebe que esteve cego diante do holocausto que acontece ao seu redor. A princípio, quando começou a trabalhar na fazenda que contava com um rebanho de 600 vacas, ela teve um sentimento de “orgulho e solidariedade em relação às vacas” – e exatamente por causa da perspectiva romântica que as pessoas têm a respeito da produção leiteira.

Contudo, a realidade descortinou essa ilusão assim que ela testemunhou a primeira temporada de nascimento de bezerros. “A sensação de horror foi imediata. Vi mães que deram à luz na neve ou durante tempestades e foram imediatamente privadas de seus bebês – elas nem sequer conseguiram limpá-los primeiro. Os menores bezerros eram alimentados por sonda duas vezes ao dia durante quatro dias; um litro de colostro derramado de uma só vez”, afirmou ao “Now To Love”.

Jess sabia que as vacas precisam gerar vidas para produzirem leite, mas não tinha ideia de que os bezerros poderiam ser afastados das mães tão rapidamente: “Naquela primeira manhã, eu sabia que nunca mais tomaria leite e chorei todos os dias por duas semanas.”

Porém, Jess ficou grávida, e ela e o marido decidiram continuar na fazenda. Em julho de 2016, em sua quarta temporada de nascimento de bezerros, Jess sofreu com uma grave depressão: “Nunca me senti suicida antes, mas quase perdi a cabeça. Ser mãe intensificou tudo o que eu sentia pelas vacas e seus bebês. Acordei e percebi exatamente o que eu estava fazendo para pagar as minhas contas”, declarou.

O local onde os bezerros nasciam não era distante da janela de Jess, e ela podia ouvir as dores das vacas a noite toda. Elas observavam seus filhos afetuosamente e os limpavam, até que Andrew chegava com um trator e uma gaiola para levar os bebês para os currais.

Jess, que não era afeiçoada às redes sociais, um dia entrou no Facebook e encontrou muitos veganos e grupos dos direitos animais; o que a motivou. Conversando com um ativista vegano chamado Carl Scott, de Dunedin, que já foi funcionário de um matadouro, ela percebeu que definitivamente precisava mudar de vida.

Jess Strathdee garantiu que seria capaz de deixar o marido se ele não concordasse em partir. “Eu tive que sair. Eu certamente estava perdendo a cabeça”, justificou. Para a sua surpresa, Andrew disse que também estava infeliz na fazenda e não suportaria outra temporada de nascimentos de bezerros. Atualmente, o casal reside em uma pequena cidade costeira de Canterbury, onde criam o filho Mac como vegano: “As coisas não são fáceis, porque vivemos com pouco, mas estamos felizes.”

Referência

Lichi, Carmen.  Former dairy farmer tells how the job turned her vegan (16 de agosto de 2017).

 

 

 





Written by David Arioch

May 17th, 2018 at 7:01 pm

Jogo com temática vegana é lançado para Nintendo Switch

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“Kitten Squad” também pode ser jogado gratuitamente no Steam 

Game pode ser jogado por até quatro jogadores (Arte: Divulgação)

Este mês foi lançado para Nintendo Switch o jogo “Kitten Squad”, que apresenta gatinhos guerreiros lutando contra robôs para libertar animais explorados das mais diferentes formas. No game, os jogadores devem libertar vacas da indústria de laticínios, ovelhas que serão usadas na indústria de lã, orcas de uma instalação semelhante ao SeaWorld e elefantes explorados em circos. No jogo, disponibilizado gratuitamente no Steam para Windows, macOS, iOS e Android, os participantes usam armas de cenoura e bolas de fio. Kitten Squad pode ser jogado por até quatro jogadores.

 





Written by David Arioch

May 17th, 2018 at 3:07 pm

Curta-metragem mostra a realidade das experiências científicas realizadas com primatas

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O maior peso do curta está no retrato do trauma psicológico que os animais sofrem em laboratórios

O filme é resultado de uma parceria entre a NEAVS e a We Animals (Foto: Reprodução)

Lançado no mês passado, “Empty Laws: Psychological Well-Being of Laboratory Primates”, de Kelly Guerin, é um curta-metragem que mostra o impacto das experiências científicas realizadas com primatas. De acordo com o filme, primatas usados em laboratórios são submetidos a tudo – inclusive têm seus olhos costurados, como ocorre nas pesquisas de acidentes de carro.

O maior peso do curta está no retrato do trauma psicológico que os animais sofrem em laboratórios. Isso é perceptível quando observamos os olhos, as expressões e as reações dos primatas que aparecem no filme. Claro, um reflexo de um fato comum – praticamente nada é ilegal quando se trata de pesquisas com animais.

Mesmo após séculos de campanhas contra a vivissecção, e algumas conquistas, ainda esbarramos em um problema usual – a garantia do bem-estar animal pode ser facilmente negligenciada se isso for um impedimento à realização de um experimento, já que no contexto científico há muito perpetuou-se a crença de que podemos usar e abusar dos animais simplesmente porque eles não são iguais a nós.

Como mostra o filme “Empty Laws”, inspeções laboratoriais costumam ser raras, e a única forma de revelar o que realmente acontece nesses locais é enviando um investigador disfarçado capaz de registrar a realidade com uma câmera. Sem isso, provavelmente não teríamos registros confiáveis do estado de privação e sofrimento desses animais.

Ainda assim, o impacto não tem sido tão grande quanto deveria; nem o cenário tão auspicioso quanto poderia. Prova disso é que só nos Estados Unidos mais de 71 mil primatas foram usados em experiências do Departamento de Agricultura em 2016, de acordo com o relatório anual da USDA. Um número surpreendente se comparado ao fato de que os santuários membros da North American Primate Sanctuary Alliance (NAPSA) abrigam atualmente cerca de 700 chimpanzés recuperados de laboratórios.

Essa diferença gritante de números entre explorados e sobreviventes deixa claro que o destino comum dos primatas usados em laboratórios é o “descarte”, ou seja, a morte – tão logo sejam considerados inúteis. Para além desse cenário, segundo a Cruelty Free International, pelo menos 115 milhões de animais são usados em experiências por ano no mundo todo.





Nos condicionamos a crer que precisamos de carne para sobreviver

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Marlon Brando: “Sempre achei os animais fáceis de amar porque o amor deles é incondicional”

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“Vacas têm um hálito muito doce por causa do feno que comem”

“Eles confiam, são leais e pouco exigentes, exceto em querer amor em troca” (Fotos: Reprodução)

Um dos maiores nomes do cinema norte-americano, Marlon Brando nasceu em 3 de abril de 1924 em Omaha, Nebraska. Filho de um vendedor ambulante e de uma atriz amadora, ele teve uma infância e adolescência bastante conturbada. Seu pai e sua mãe eram alcoólatras. Ainda assim, isso não o impediu de desenvolver desde cedo uma relação de respeito com os animais e com a natureza.

Em 1938, seus pais compraram uma antiga casa de fazenda em Libertyville, Illinois, a 50 quilômetros de Chicago. No local, onde os poucos animais viviam soltos, havia um estábulo e um celeiro, embora pouco usado pela família. Naquele período, uma das criaturas mais queridas por Marlon Brando era uma vaca chamada Violet, com quem ele corria pelo campo, a abraçando e a beijando. Sobre essas experiências, Brando registraria mais tarde em sua biografia: “Vacas têm um hálito muito doce por causa do feno que comem.”

Há detalhes da vida de Marlon Brando que são pouco conhecidos, como o seu hábito de recolher animais abandonados e doentes, de acordo com a biógrafa Patricia Bosworth, autora do livro “Marlon Brando”, publicado em 2001. E não apenas não humanos. Uma vez, ele levou para casa uma moça esfarrapada e doente que encontrou na rua. Naquele dia, ele e o pai discutiram; até que o pai concordou em ajudá-la.

“Sempre achei os animais fáceis de amar porque o amor deles é incondicional. Eles confiam, são leais e pouco exigentes, exceto em querer amor em troca”, registrou em sua biografia “Brando: Songs My Mother Taught Me”, publicada em 1994. Na obra, Brando explica que a sua simpatia pelos animais e pela natureza foi semeada pela sua mãe, uma mulher que não raramente era violentada por seu pai. Além disso, relata também que sua mãe não foi tão presente em sua vida quanto ele desejava.

Apesar de tudo, as lembranças do que aprendeu com sua mãe ganharam força em 31 de março de 1954. Por volta das cinco horas da manhã, quando suas mãos estavam juntas às mãos de sua mãe, antes do suspiro final, ela disse: “Não tenho medo, e você também não precisa ter.” Na ocasião, Marlon Brando se desesperou e soluçou. Então se recuperou, cortou uma mecha do cabelo de sua mãe e saiu do hospital pensando em como ela tinha sido destemida.

“Parecia-lhe que tudo na natureza estava imbuído de seu espírito, os pássaros, as folhas das árvores, e especialmente o vento. Lembrou-se de como ela o ensinara a amar a natureza, os animais e a proximidade com a terra. Tudo isso o ajudou a lidar com a sua grande perda. Ela era o símbolo de muitas coisas importantes para Marlon – sua paixão pela pureza, sua atitude em relação aos animais, à terra e à música”, escreveu Patricia Bosworth na biografia “Marlon Brando”.

Um ano antes, Marlon Brando já havia revelado o seu desinteresse por coisas que ele julgava como ausentes de essência. Prova disso foi a sua recusa em protagonizar uma produção da Broadway para a qual receberia 10 mil dólares por semana. Ele preferiu aceitar o convite de Lee Falk para participar da adaptação de “Arms and the Man”, do dramaturgo vegetariano George Bernard Shaw, recebendo modestos 500 dólares por semana.

Na mesma época, Brando começou a se interessar cada vez mais por filosofia e espiritualidade. O seu biógrafo, ator e colega de quarto David Ge’lin escreveu que enquanto moraram juntos “ele estava particularmente interessado nos filósofos alemães, particularmente em Nietzsche e na religião hindu.” Marlon Brando era fascinado por religiões orientais e meditava duas vezes por dia. A sua admiração e reverência pela natureza também lançaram luz sobre uma inclinação panteísta. Filosoficamente, ele também não velava o seu respeito pelos índios americanos – mas principalmente pela reverência ao mundo natural como uma força mística e espiritual.





Written by David Arioch

May 16th, 2018 at 8:01 pm