David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

1120 pessoas afirmaram que foram influenciadas pelo meu trabalho

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Arte: Study Breaks Magazine

Sempre que uma pessoa me diz que se tornou vegetariana ou vegana por influência dos meus textos eu faço questão de registrar isso. Na semana passada, uma moça bem educada me revelou que faz dois meses que não consome nada de origem animal. Ela acompanha o meu trabalho há seis meses. Contando com ela, e levando em conta meus registros, já são 1120 pessoas que disseram que as conscientizei a seguirem por esse caminho.

Não imponho nada a ninguém, simplesmente escrevo, e fico muito feliz por esses resultados, apesar de já ter cogitado parar algumas vezes. Que eu possa levar algo de bom para mais pessoas, que elas possam reconhecer que podem viver muito bem sem consumir nada de origem animal.





Written by David Arioch

September 10th, 2017 at 2:14 am

Sobre o equívoco do discurso “Vegano, minha comida caga na sua”

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Como alguém pode persistir no discurso: “Vegano, minha comida caga na sua”, sendo que o escândalo envolvendo a Operação Carne Fraca, realizado pela Polícia Federal em março deste ano, surpreendeu muita gente ao revelar que não é raro encontrar coliformes fecais na carne, desde que em níveis aceitáveis. Seria ignorância ou negação?

Em entrevista sobre coliformes fecais na carne, Eduardo Tondo, professor de microbiologia de alimentos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFRGS disse que a carne de “muito boa qualidade” tem coliformes fecais e ainda endossou:

“Isso é normal, mas em níveis baixos.” Ou seja, não são veganos nem vegetarianos que consomem coliformes fecais. Ademais, é importante considerar que, partindo de um pressuposto lógico, o discurso “a minha comida caga na sua” não faz o menor sentido. Claro, a não ser que você se alimente de pasto, o que não condiz nem mesmo com a realidade dos bovinos criados sob o regime da pecuária intensiva.

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Sobre veganos e vegetarianos que oferecem alimentos com ingredientes de origem animal a quem não é

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Oferecer alimentos sem ingredientes de origem animal é uma forma de aproximar as pessoas do veganismo

Sei que há vegetarianos e veganos que quando realizam algum evento abrem exceção e oferecem alimentos com ingredientes de origem animal para os amigos que não são nem vegetarianos. Bom, fora o fato de que isso também é virar as costas para a exploração animal, perde-se aí uma oportunidade de mostrar como o vegetarianismo ou o veganismo é acessível e tem opções muito boas para todos os gostos. Os clichês e estereótipos surgem exatamente pela desinformação que pode ser combatida neste caso da melhor forma possível.

Afinal, pensemos. Por que uma pessoa se recusaria a consumir comida vegetariana ou vegana por uma noite, por exemplo? Não faz sentido. Além disso, quem te respeita aceita isso numa boa. Não vejo nenhuma justificativa plausível para uma exceção. Simplesmente é incoerente com o veganismo e até mesmo com o vegetarianismo ético. Obviamente porque nenhum dos dois se resume apenas ao que você coloca dentro da sua boca.





Written by David Arioch

September 10th, 2017 at 2:03 am

Seu Santo contra a matança de animais

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Pintura: Ivanici Emília Gonçalves

No final dos anos 1940, meu avô conheceu uma fazenda de café em Paranavaí onde era proibida a matança de animais. Havia dezenas de casebres, e quem quisesse trabalhar e viver ali era obrigado a aceitar o fato de que não era permitido se alimentar de animais. Qualquer morte de animal era punida com expulsão. O dono da fazenda era conhecido como “Seu Santo”.

Ele andava mancando porque em 1944 levou uma mordida de onça na perna direita, perdendo parte de massa muscular e de massa óssea. No dia do acontecido, a onça saltou sobre uma árvore assim que ouviu o barulho de um Ford movido a gasogênio. Logo dois jovens desceram armados e se posicionaram para abatê-la.

Ciente de que ela seria morta, Seu Santo apenas gritou com os filhos: “Deixa ela. Tá no direito dela. Foi a gente que invadiu isso aqui.” O deitaram na carroceria do caminhão e partiram rumo ao Hospital do Estado. Esse lugarejo existiu por mais de 30 anos, até ser abandonado em decorrência das últimas grandes geadas. Hoje resta apenas quiçaça e uma história que parece recôndita sob a terra fragilizada.

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O veganismo como evolução do vegetarianismo ético

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O veganismo ao longo da história vem se se desenvolvendo de forma a ampliar cada vez mais o seu escopo em relação à rejeição à exploração animal. Se levarmos em conta que o veganismo é uma evolução do vegetarianismo ético, é natural que o caminho seja preterir cada vez mais a exploração, e não o contrário. O ser humano que chega a um ponto em que já não reconhece nada de origem animal como essencial à vida humana, nem os animais como posse, não tem por que fazer o caminho reverso. Afinal, não seria tolice dizer que isso poderia ser um regresso ou um propiciador de riscos.

Há uma quantidade razoável de material literário disponível para as pessoas refletirem e discutirem sobre o veganismo e os direitos animais, inclusive partindo de outras esferas. Esse seria um bom caminho a ser trilhado. Até porque é um meio interessante para reconhecermos onde estamos errando e acertando, caso não tenhamos boas e sólidas referências em relação a determinados assuntos, sejam mais específicos ou não nesse contexto.

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Written by David Arioch

September 10th, 2017 at 1:25 am

Um exemplo de baliza ética vegana

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Darei um exemplo de baliza ética. Se tenho uma empresa e alguém diz que a única forma de eu comercializar o meu produto em determinado mercado é realizando testes em animais, sabe o que faço? Simplesmente abro mão desse mercado ou redireciono o foco da minha atividade, até porque quem tem condições de realizar testes de produtos em animais tem grana para fazer outra coisa.





Jacaré, mais um animal reduzido a alimento

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Espécie se tornou alvo da ganância humana

Corumbá, no Mato Grosso do Sul, tem o terceiro e maior frigorífico de jacarés do Brasil, e, assim como outros, com o aval e apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Assim como outros animais, do jacaré não se aproveita apenas a carne, mas tudo, inclusive os olhos. Este ano a estimativa é de que pelo menos 600 animais sejam abatidos por dia somente em um frigorífico, de acordo com informações da Caimasul. Isso representa 65 mil quilos de carne de jacaré por mês.

Estamos falando de uma carne que pode custar até R$ 70 por quilo. Logo, além da exploração desnecessária e da crueldade legitimada, interessa a quem algo assim? Quem tem condições de pagar por isso? Não é difícil interpretar que essa oferta vai ao encontro de uma demanda específica, que se volta para a exportação e para uma pequena camada da sociedade com maior poder de compra.

Atualmente, nas maiores cidades do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, o jacaré já é visto por muita gente como alimento, assim como o boi, o porco e o frango. Não é incomum encontrar pedaços de jacaré em açougues e mercados. Normalmente, estão reduzidos à ponta de cauda, filé de cauda, filé de lombo, filé de dorso, filé mignon, coxa, sobrecoxa, linguiça e iscas. Uma cooperativa de criadores de jacaré alega que a iniciativa visa a conservação do meio ambiente e a preservação da espécie.

Mas será mesmo que criar milhares de animais em cativeiro, em baias e galpões, e manter um ritmo de produção de milhares de toneladas por ano é uma medida que visa realmente o bem-estar da espécie? E o que eles pretendem fazer quando a demanda dobrar, triplicar ou quadruplicar? Ou até mais do que isso. Afinal, eles estão incentivando novos hábitos na população, e também a ideia de que o Pantanal é território fértil para esse tipo de exploração.

Além disso, essa demanda também pode estimular naqueles que veem nisso um bom negócio, mas não têm condições de investir formalmente e legalmente na área, o interesse pela comercialização ilegal de carne de jacaré, que pode ter um custo até quatro ou cinco vezes menor. Ou seja, surge aí um estímulo para que mais animais selvagens sejam mortos para atender a uma demanda que deve crescer substancialmente.

Precisamos considerar também o fato de que esses animais estão sendo criados fora do seu habitat. Se o foco é a preservação ambiental, então por que matá-los e reduzi-los a alimentos? Se a ideia é o controle populacional, por que eles são condicionados a se reproduzirem em cativeiro? Enfim, se há uma superpopulação de jacarés no Pantanal, e eles devem ser supostamente abatidos, a situação chegou a esse ponto por negligência e interferência humana.

Vivemos em um mundo com mais de 7,2 bilhões de pessoas, e onde mais de 870 milhões de seres humanos sofrem de subnutrição crônica, mas temos um péssimo costume de culpar outras espécies por nossas falhas e concupiscências. A comercialização de carne de jacaré é um exemplo disso. Transformamos um animal selvagem em bode expiatório, extraímos o máximo que pudermos dele para gerar lucro, e esse lucro não é redistribuído nem mesmo direcionado à recuperação do meio ambiente.

Acredito que é mister não ignorar que essa indústria mata animais privados de seu habitat, habitat este que não pertence a ninguém, a não ser à própria natureza. E os espólios de suas mortes são celebrados por uma pequena parcela da população com maior poder aquisitivo. É justo isso? Não creio.





Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 8:11 pm

Kátia Abreu e a objetificação animal

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Jumento, mais um animal relegado ao consumo humano

A senadora e pecuarista Kátia Abreu publicou em sua página no Facebook uma foto de um banquete em Pequim que incluiu carne de jumento. O que as pessoas não fazem por dinheiro. Se refletirmos um pouco, não é difícil concluir que muitos animais não são vistos como commodities no Brasil simplesmente porque não têm um valor “adequado” de mercado. Porém, não dá pra ignorar que a exportação de jumentos pode abrir um precedente temerário e mais preocupante para os próximos anos. A impressão que fica é que qualquer animal, pelo menos neste país, está sujeito à morte massiva se em algum momento alguém mostrar que seu fim pode ser uma boa fonte de renda.

 





Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 8:04 pm

Sim, toda teoria é sempre um processo inacabado de indagação e descoberta, porém…

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Sim, toda teoria é sempre um processo inacabado de indagação e descoberta, porém, é preferível que mire o horizonte. Se chegamos a um ponto em que uma teoria legitima ou tenta legitimar práticas que, por uma questão evolutiva, já não deveriam ser aceitas, isso significa, impreterivelmente, que há o risco de se caminhar para trás, dependendo da quantidade de pessoas que a endossam.





Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 7:55 pm

Posted in Reflexões

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Exploração animal e a criança no restaurante

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Se você percorrer mercados, lanchonetes e restaurantes e, naturalmente, prestar atenção à sua volta, sempre vai encontrar pais obrigando crianças a se alimentarem de animais

Se você percorrer mercados, lanchonetes e restaurantes e, naturalmente, prestar atenção à sua volta, sempre vai encontrar pais obrigando crianças a se alimentarem de animais. Sei que muitos fazem isso até mesmo de forma irrefletida, por uma questão historicamente cultural. Afinal, poucas propagandas foram tão bem-sucedidas quanto a da suposta necessidade do consumo de alimentos de origem animal.

Porém, quem analisa sob outra perspectiva, e aqui me refiro à reação genuína de estranhamento, pode se surpreender em reconhecer como estamos entorpecidos por uma realidade fragmentada que nos condiciona a viver não da forma mais adequada, justa ou saudável, mas da maneira que parece mais socialmente aceitável.

E quando falo em socialmente aceitável, quero dizer que até mesmo a saúde é relegada a segundo plano, ou nem mesmo é relegada a plano algum. Permita-me citar uma breve história que exemplifica tal raciocínio sobre condicionamento alimentar.

Passando em um restaurante para conversar brevemente com alguém, notei uma criança com, talvez, três anos resistindo em comer um pedaço de carne bovina ou “cadáver de boi”. A garotinha não fazia barulho, apenas lacrimejava enquanto se recusava a observar um bife em seu prato.

— Num gosdibife.
— Não precisa gostar. É só comer – disse o pai.
— Num quero.
— Coma…coma já esse bife – prosseguia o homem tentando não chamar a atenção.
— Não!
— Por favor, filhinha – insistia a mãe.
— Olhe nas outras mesas, todo mundo está comendo carne. Só você que não – continuou o pai.
— Deixa. Num sou eles. E eles não é eu.
— Aé? Então tá! — reagiu o pai.
O casal acabou cedendo, mas não desistiram de punir a criança.
— Tudo bem. Mas hoje não vai ter sobremesa.
— Num picisa.

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