David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Paolo Troubetzkoy: “Se você compra [carne], você está autorizando a morte de animais”

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“Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem”

Alexandra Tolstói: “O meu pai gostava muito dele. Era um doce e inocente ser humano com grandes dons” (Foto: Getty Images)

Considerado pelo escritor irlandês George Bernard Shaw como o escultor mais surpreendente dos tempos modernos, o escultor italiano de origem russa Paolo Troubetzkoy conquistou muita fama na Rússia nas primeiras décadas do século 20. Influenciado pelas obras de Auguste Rodin e Medardo Rosso, Troubetzkoy criou esculturas que se tornaram mundialmente famosas, como do imperador Alexandre III da Rússia, do pintor Isaac Levitan, do escritor Liev Tolstói, da princesa M.N. Gagarina com sua filha Marina e da grande duquesa Elizabeth Feodorovna.

Assim como Tolstói e Elizabeth, o escultor e pintor italiano de origem russa também era vegetariano. “O meu pai gostava muito dele. Era um doce e inocente ser humano com grandes dons. Ele praticamente não lia nada, falava pouco e passou toda a sua vida envolvido com esculturas”, declarou Alexandra Tolstói, a filha caçula de Liev Tolstói, reproduzindo memórias que seu pai preservou da amizade com Troubetzkoy, para quem posou de bom grado na criação de várias esculturas em sua homenagem. A citação pode ser encontrada no livro “Tolstoy: A Life of My Father”, publicado em 1953 e em 1972.

Troubetzkoy: “Não posso me alimentar de cadáveres” (Foto: Getty Images)

Quando o questionavam sobre o motivo dele não se alimentar de animais, Troubetzkoy quase sempre respondia com uma voz tranquila e parcimônia peculiar: “Não posso me alimentar de cadáveres.” Em seu estúdio em São Petersburgo, ele produziu muitas obras inspiradas na vida selvagem. Inúmeras de suas esculturas foram criadas visando captar a essência da importância da liberdade animal.

O escritor George Bernard Shaw dizia que ele era um humanitarista extraordinário, incapaz de se alimentar de um animal. Sua contrariedade em relação à matança de animais era tão grande que, mesmo tímido, ele jamais deixou de se manifestar em relação a isso.

Talvez essa insatisfação também tenha influenciado o estilo de Troubetzkoy, marcado por um intimismo e melancolia que deram origem a uma forma nervosa de impressionismo. Além de Bernard Shaw e Tolstói, outros nomes importantes de sua época e que viam uma qualidade rara em suas obras estavam o Barão de Rothschild, o conde Robert de Montesquiou, Gabriele D’Annunzio, Arturo Toscanini, Enrico Caruso e Giovanni Segantini.

O escultor russo lecionou na Academia Imperial de Belas Artes de Moscou e recebeu importantes prêmios – como o grande prêmio da Exposição de Paris em 1900. Além da Europa, suas obras também foram levadas para os Estados Unidos. “Como não posso matar, não posso autorizar os outros a matarem. Você entende? Se você compra [carne] de um açougueiro, você está autorizando a morte de animais – a morte de criaturas indefesas e inocentes, que nem eu nem você poderíamos matar”, declarou em entrevista registrada na página 22 da The Vegetarian Magazine em 1907.

Saiba Mais

Paolo Troubetzkoy nasceu na comuna italiana da Verbania em 15 de fevereiro de 1866 e faleceu na comuna de Novara, também na Itália, em 12 de fevereiro de 1938.

Referências

The Vegetarian Magazine, Volume 11, página 22 (1907).

Davis, Gail. Vegetarian Food for Thought. Página 69. New Sage Press (1999).

IVU World Vegetarian Congress Souvenir Book. Warriors for Vegetarianism  (1957).

Tolstoy, Alexandra. “Tolstoy: A Life of My Father”. Octagon Books (1972).

 

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O triste fim da liberdade de Matias Ziatriko

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Foto: Samira Lemes

Fiquei sabendo agora que o malabarista uruguaio Matias Ziatriko, de 29 anos, foi assassinado com dez tiros em Ji-Paraná, Rondônia, no último dia 8, no pátio de um posto de combustíveis. Matias se envolveu em uma discussão com um rapaz que começou a ofendê-lo, chamá-lo de vagabundo, por causa do seu trabalho como artista de rua. Matias ficou um bom tempo em Paranavaí em 2016, e até onde sei, jamais foi agredido ou agrediu alguém. Lamentável saber que há lugares onde a vida vale menos ainda.

Triste como a liberdade de algumas pessoas, que não têm os objetivos comuns e tradicionalistas de tanta gente, é vista como uma afronta existencial. Desde criança, me identifico com os marginalizados, e acho tão ridículo quando as pessoas veem como sucesso apenas aquilo que lhes parece socialmente aceitável. E muitos adoecem cedo porque compram tal ideia; mesmo que isso signifique suprimir os próprios sonhos. O que vale nesta vida é ser fiel àquilo que faz a existência valer a pena. O resto o tempo arrasta sem clemência.

No dia 31 de agosto de 2016, escrevi algo sobre o Matias Ziatriko em meu blog, quando eu ainda não sabia o seu nome:

“Passei ontem à noite por um semáforo da Avenida Paraná e tinha uma fila imensa de carros. Sob chuva, um rapaz com a roupa toda molhada fazia malabarismo sobre um monociclo. Entendo que ele ame o que faz, mas provavelmente ele não estaria ali naquele momento se não precisasse.

O que me surpreendeu foi que só eu e outro cara demos alguns trocados pra ele. Será que todas aquelas pessoas não tinham pelo menos algumas moedas para darem ao artista de rua?

Sinceramente, minha situação nem sempre é das melhores, mas também não é tão ruim a ponto de eu perder completamente o ímpeto de ajudar alguém ou reconhecer o esforço dos outros.”

Ajuda

A família agora precisa de ajuda para enviar o corpo de Matias para o Uruguai. Quem puder contribuir, os dados para depósito ou transferência estão logo abaixo:

Banco Itaú
Titular: Samira Santos Lemes
CPF: 060.234.039-05
Agência: 1538
Conta Corrente: 56996-1

 

Written by David Arioch

April 11th, 2017 at 12:38 am

Raj Singh Tattal: “Quem come carne está desconectado dos animais”

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Pentacularartist, um artista britânico contra a naturalização da exploração animal

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“The Silence of the Lambs”

Aos 38 anos, o britânico Raj Singh Tattal foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, o que o ajudou a entender porque ele se tornava tão obsessivo quando se dedicava a alguma atividade. Embora desenhasse desde criança, quando descobriu o transtorno do espectro autista fazia 11 anos que ele tinha deixado o lápis de lado. Vegano, Tattal retomou o seu trabalho como desenhista na mesma época e, entre suas prioridades, decidiu usar a arte para fazer as pessoas refletirem sobre a crueldade contra os animais.

Para o artista, quem come carne está desconectado dos animais. “Me incomoda a maneira como os animais do campo são tratados e alimentados. Cordeiros são amados pelas crianças, mas também são mortos para o consumo humano. Há tantos adultos quanto crianças que não veem problemas nisso. E um filme que mostra essa estranha relação é ‘The Silence of the Lambs’ [O Silêncio dos Inocentes’ no Brasil]”, diz Raj Singh, também conhecido como Pentacularartist.

Ele se refere à cena em que Jodie Foster relembra a infância, quando estava em uma fazenda testemunhando a matança dos cordeirinhos que ela tanto amava. Aquela passagem cinematográfica teve tanto impacto sobre Tattal que ele criou uma obra homônima. “Foi um dos meus desenhos mais difíceis, não só a nível técnico, mas também emocional. Levei 95 horas e dez dias para criá-lo”, relata.1526934_758140244200290_1177308172_n

A intenção do artista foi transmitir a relação perturbadora entre seres humanos e animais. Quando crianças, eles amam brincar com os animais, mas quando crescem aceitam a exploração como se fosse uma parte natural da vida. “[Na obra] Os adultos que esfolam os cordeiros são supostamente as crianças que estão brincando com eles. A diferença é que elas cresceram. Cordeiros são animais amados por crianças e adultos porque são vistos como dóceis e belos. Mas isso não impede que eles tenham uma existência curta e horrível”, lamenta.

A obra feita em grafite e carvão foi a primeira da sua série sobre crueldade contra animais. Também é uma crítica ao fato de que muitos pais gostam de levar seus filhos para brincar com animais, mas não dizem a eles que aqueles belos e inocentes seres não humanos são reduzidos a pedaços de carne sobre um prato. “Espero que meu trabalho faça as pessoas pensarem sobre o que estão comendo”, enfatiza o desenhista.1512526_758137560867225_1344302203_n

Raj Singh Tattal se queixa que assim que os cordeiros chegam ao princípio da maturidade, já são preparados para a morte. “A carne de cordeiro de 12 a 20 meses é chamada de carne de um ano. A carne das ovelhas de seis a dez meses é vendida como baby lamb [carne de cordeiro bebê], e spring lamb [cordeiro primavera] são aqueles com três a cinco meses de idade. Fiquei chocado quando testemunhei corações de cordeiro vendidos em um supermercado local”, revela.

Raj Singh espera que as pessoas olhem para a sua arte e reflitam sobre o que elas estão promovendo quando estão comprando e comendo carne. Para ele, o sofrimento diário imposto a milhões de animais é um dos piores atos de maldade da humanidade. “Sou um artista londrino que trabalha com lápis de grafite e carvão, que se especializou em criar obras realistas em preto e branco. Embora eu ame todas as formas de arte, sigo pelo caminho da arte hiper-realista. E isso me inspirou a seguir os passos de artistas como Kelvin Okafor, Paul Cadden e outros. Estou em minha própria jornada para tornar realidade a minha meta de ser um artista hiper-realista”, assinala.

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“End of the Road”

Na obra “End of the Road”, o Pentacularartist transmite a mensagem de que o homem só é capaz de entender a dor de um animal ao se colocar no lugar dele. “Não vou dizer o que sinto, mas deixarei que os outros interpretem”, sugere o reservado e enigmático Tattal. Obras que outras pessoas precisariam de pelo menos um mês, o artista londrino é capaz de concluir em apenas quatro dias. A explicação é que ele é um sujeito que passa até 95% do tempo consigo mesmo.

“Realmente não gosto de mudanças. Fiquei até 12 anos sem sair de Londres. Tenho os mesmos pares de tênis, e já comi feijões cozidos todos os dias por 20 anos. Algumas dessas coisas soam muito triviais, mas com o tempo isso começa a irritar as pessoas ao seu redor. No passado, comecei a beber para tentar me encaixar entre as pessoas e fazer amigos. Mas hoje não bebo, só desenho, e nunca fui tão feliz”, garante.

Embora suas obras mostrem verdades sombrias e desconfortáveis, ele não se considera uma pessoa mórbida, mas sim alguém que extrai algo de bom e motivador a partir do que é triste. “Todos os meus trabalhos são em preto e branco, e baseados em grafite e carvão. ‘Beauty and the Beast’, é o terceiro desenho da minha série sobre crueldade contra animais. Levei 100 horas e 13 dias para terminar. Foi um dos mais demorados e difíceis que fiz até hoje”, pontua.

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“The Beauty and the Beast”

Uma crítica aos testes em animais realizados na indústria cosmética, a obra coloca uma mulher na mesma situação de coelhos usados como cobaias. Embora a prática tenha sido banida na Inglaterra em 1998, Raj Singh reclama que os testes ainda são usuais em outros países. “A União Europeia tem caminhado para a proibição de testes desde março de 2009. E desde 2012, é ilegal a venda de produtos cosméticos com ingredientes recentemente testados em animais. Embora seja encorajador que vários países fora da UE também estejam tentando adotar proibições semelhantes, isso é muito comum em países como China e Estados Unidos [assim como no Brasil]”, critica.

Entre os animais mais explorados em testes de produtos estão camundongos, coelhos, porquinhos-da-índia, macacos e gatos. Testes de irritabilidade na pele são os mais comuns. Geralmente os compostos químicos são esfregados sobre a pele raspada, ou então os técnicos pingam o produto nos olhos dos animais. Coelhos confinados em pequenas caixas são mantidos com as cabeças expostas, sem qualquer possibilidade de alívio para a dor. “Eles sofrem graves lesões, chegando à cegueira. São vítimas de estudos contínuos de alimentação forçada com duração de semanas ou meses para procurar sinais de doença ou riscos específicos para a saúde, como câncer e problemas congênitos.”

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Tattal em uma de suas exposições em Londres (Acervo: The Pentacularartist)

De acordo com Tattal, ao final dos testes até mesmo os animais que sobrevivem são mortos. Os métodos mais comuns são asfixia, destroncamento ou decapitação. Não há nenhum tipo de anestesia. “Nos Estados Unidos, uma grande porcentagem de animais usados em testes não entra nas estatísticas oficiais nem recebem proteção da Lei de Bem-Estar Animal”, reprova o Pentacularartist. Por outro lado, ele acredita que está crescendo o número de testes sem animais na indústria cosmética, até porque, hoje, mais do que nunca, é injustificável o uso de seres não humanos com essa finalidade.

“Eu costumava achar que eu era um fracassado”

Além de desenhar, Raj Singh Tattal participa de um grupo de apoio para pessoas com Síndrome de Asperger em Londres. “Eu costumava achar que eu era um fracassado. Há pessoas que fazem você se sentir como se fosse uma má pessoa porque você não faz certas coisas. Indo ao grupo de apoio, você vê pessoas na mesma situação que você, e percebe que são boas pessoas. É reconfortante falar com alguém. Eles podem dar conselhos e ajudá-lo”, defende.

Na adolescência, Tattal se apaixonou por ilustrações em quadrinhos. Aos 15 anos, criou o seu próprio super-herói que ganhou espaço em um jornal britânico de circulação nacional. Depois estudou arte e design, e, na faixa dos 20 anos, foi para a London South Bank University. Se graduou em design de produtos, mas por causa de problemas pessoais parou de desenhar por 11 anos.

“Fiquei longe da arte. Em novembro de 2012, a descoberta da Síndrome de Asperger despertou em mim um impulso incontrolável e voltei a desenhar. Peguei meus lápis e minhas canetas, comecei a desenhar e nunca mais pensei em parar novamente. Minha paixão e amor pela arte estão mais fortes do que nunca”, assegura.

Conheça um pouco mais o trabalho de Raj Singh Tattal

http://pentacularartist.wixsite.com/pentacularartist

https://www.facebook.com/Raj-Singh-Tattal-the-Pentacularartist-757948990886082/

https://www.instagram.com/pentacularartist/

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Vegan Sidekick: “Se você ama os animais, como pode comê-los?”

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“Devemos nos mover em direção ao futuro, sermos mais compassivos e menos violentos”

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Crítica de Vegan Sidekick ao especismo

Richard, mais conhecido como Vegan Sidekick, é um ilustrador e designer gráfico britânico que em abril de 2013 criou uma página para promover o veganismo e os direitos animais por meio de ilustrações e quadrinhos cômicos, ácidos e satíricos. A princípio, ele não tinha a mínima ideia de que um dia o seu trabalho influenciaria milhares de pessoas.

Ele conta que foi um vegano apático por muito tempo, e como nenhum dos seus amigos ou familiares demonstrou interesse pelo veganismo, ele decidiu pensar em um meio de motivar as pessoas a refletirem sobre o assunto. “Embora eu não prejudicasse os animais, eu não estava ativamente ajudando. Senti que poderia fazer algo, mas queria me focar na lógica da não violência”, relata.

Um dia, nos tempos da faculdade, Richard estava comprando leite e queijo, e começou a refletir em como aquilo era desnecessário. Havia tantas opções ao seu redor que se sentiu mal por comprar exatamente aqueles produtos baseados na exploração de animais. “Então parei de comprá-los. Até então, eu nunca tinha conhecido um vegano, e eu não sabia que os machos [bezerros e pintinhos] morrem na indústria de ovos e laticínios, e que as fêmeas são mortas quando sua produção é menos lucrativa. Hoje em dia, é o que digo aos vegetarianos, e eles não devem apoiar isso”, argumenta.

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Muro de desculpas

Vegan Sidekick, que vê o veganismo como uma extensão do raciocínio lógico, gosta de criar imagens com elementos propositalmente mal desenhados, tornando suas criações ainda mais engraçadas e acessíveis. “A maioria das pessoas nem sabe que sou ilustrador, mas acho que a forma como meus desenhos são elaborados já revela que o conteúdo é satírico. Decidi ir por esse caminho quando criei um stickman [boneco palito], e ele se tornou mais popular do que tudo que eu tinha feito. Então continuei”, justifica.

Nos finais de semana, Richard cria pelo menos sete imagens, assim publicando uma por dia em sua página no Facebook e em seu site. Mas o ritmo de produção também pode variar, se surgirem muitas novas ideias. “Não tenho uma rotina com regras muito rígidas. Tenho apenas um bloco de notas em que mantenho uma lista de ideias que são inspiradas nos absurdos que leio na internet [sobre veganismo]. Há comentários que são tão incômodos que não consigo acompanhar por muito tempo sem contra-argumentar. Então, para não perder tempo, às vezes prefiro ignorar o que acontece ficando offline”, pondera.

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Sátira a quem chama veganos de extremistas

Os quadrinhos e as ilustrações de Vegan Sidekick são autoexplicativos e bem diretos, direcionados para um público composto por pessoas das mais diferentes faixas etárias. Naturalmente, o britânico também se depara com críticas negativas, que revelam uma contrariedade intransigente. “Espero fazer as pessoas rirem, mas o humor é muito subjetivo. Então só posso dar o meu melhor e esperar que as pessoas façam a ligação com as imagens em vez de se focarem em sentirem-se ofendidas”, declara.

Para lidar com perguntas clichês ou questionamentos triviais, Richard criou um guia e o compartilhou em sua página no Facebook e em seu site para que as pessoas evitem repetir perguntas, sejam elas entusiastas do veganismo ou principalmente pessoas à toa, simplesmente dedicando tempo a atacar veganos e simpatizantes. “Quando minha página cresceu em popularidade, apareceram pessoas tentando justificar o abuso animal. Também criei o guia porque, francamente, ainda há muitos veganos que não são bons em defender seus pontos de vista. Pelo menos é o que vejo na internet”, avalia.

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“Quero comer suas pernas.” “Prefiro comer esta banana” – Veganos são tão estranhos

Vegan Sidekick reconhece que há dias em que se vê como alguém irônico demais ou até mesmo estoico, e em situações como essa há pessoas que tentam atingi-lo enviando muitas mensagens ásperas de contrariedade. “Se alguém repete as mesmas justificativas [contra o veganismo] inúmeras vezes, isso significa que estão apenas buscando briga, fazendo com que se sintam melhores. Então tento manter a calma e evito insultar. Há sete bilhões de nós no planeta, então se uma pessoa tapa seus ouvidos com as mãos, encontre alguém que não faça isso”, sugere.

Por outro lado, ele também recebe muitas mensagens positivas, de pessoas dizendo que suas imagens mudaram suas mentes. Esse tipo de retorno é visto como a maior recompensa, porque, segundo Richard, suas conquistas já ultrapassaram suas expectativas. “Nunca vou me acostumar com o fato de que há muitas pessoas que me têm em tão grande estima por causa do meu trabalho”, pontua.

Entre as imagens preferidas de Vegan Sidekick está uma em que um vegano tenta romper o muro de desculpas, rotineiramente usado por pessoas que criticam o veganismo porque não querem sair de suas zonas de conforto. “Estamos em uma sociedade em que muita gente prefere apenas dizer que ‘as coisas são assim’. Dê um passo para fora e veja suas opções, e você vai perceber que a exploração de animais é completamente injustificada. Devemos nos mover em direção ao futuro, sermos mais compassivos e menos violentos. Explorar vítimas inocentes por um prazer trivial não deve fazer parte disso”, desabafa.

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Escolha pessoal – “Hum, devo vestir a calça azul ou a preta?” Não é uma escolha pessoal – “Hum, eu deveria esfaquear este animal ou comer outra coisa?”

Mesmo ciente de que tem ajudado a transformar a vida de muitas pessoas, Richard diz com modéstia que não sabe se seu trabalho pode ser considerado ativismo. No entanto, desde o início ele já se sentia em uma missão e não conseguia evitar de fazer questionamentos confrontadores como: “Se você ama os animais, como pode comê-los? Então recebia respostas do tipo: “Não dou a mínima, cale a sua boca!” “Por isso, decidi me tornar um exemplo mais positivo, e espero que pessoas assim se interessem pelo que estou fazendo”, enfatiza.

Esse novo caminho foi inspirado no fisiculturista vegano Robert Cheeke, dos Estados Unidos, a quem ele considera uma grande influência na abordagem positiva do veganismo. “Não acho que um dia terei a mesma positividade que ele”, comenta. O médico vegano Michael Greger, também estadunidense, é outra inspiração para Richard. Criador do site NutritionFacts.org, o médico é um estudioso da nutrição baseada em vegetais e há muitos anos vem confrontando os maus hábitos alimentares que se tornaram parte da cultura do Ocidente.

“Meu objetivo continua sendo ajudar as pessoas a perceberem o que acontece. Os animais não merecem toda essa exploração praticada pela indústria com seus ridículos argumentos”, assegura Vegan Side Kick que reconhece ser impossível saber o real impacto de seu trabalho.

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Socialmente inaceitável – “Tudo bem, filho, hora do seu leite!”

Mesmo sem controle das imagens que criou desde 2013, ele não consegue ver isso como algo que não seja verdadeiramente positivo. “Posso dizer que realmente servi ao meu propósito. Essencialmente, continuo trabalhando e tentando transmitir a mensagem de forma humorística e inventiva. Nunca imaginei que publicaria livros do meu trabalho”, informa.

Para quem tem vontade de ser ativista, mas acredita que ainda não encontrou o próprio caminho, Richard afirma que o mais importante é não desistir. “Se eu tivesse desistido completamente, não teria todos esses quadrinhos. Não há um beco sem saída. Você pode usar até mesmo a sua saúde e o seu corpo como meio de divulgação do veganismo. Cuide de sua alimentação, treine, corra, nade, pedale, levante pesos. Assim quando alguém questionar como você ficou assim, terá bons argumentos, e a conversa vai fluir com facilidade”, recomenda.

Curiosidade

Vegan Sidekick gosta de comer arroz integral, feijões, manteiga de castanha-de-caju, chili vegano e macarrão, além de smoothies (batidos cremosos) de frutas.

Conheço um pouco mais o trabalho de Vegan Sidekick

http://www.vegansidekick.com/

https://www.facebook.com/vegansidekick/

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Written by David Arioch

February 22nd, 2017 at 7:11 pm

Jackson Thilenius e a arte que não romantiza a exploração animal

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“Eu sabia que precisava fazer algo para ajudar a interromper a loucura que eu estava testemunhando”

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“Next”, de Jackson Thilenius

Jackson Thilenius é um artista, arquiteto e defensor dos direitos animais estadunidense que se define como visionário, rebelde e idealista. Não é difícil entender o motivo. Basta conhecer o seu trabalho que desde 2013 tem despertado controvérsias e conscientização. Uma de suas obras mais conhecidas é “Next”, em que ele mostra um boi assistindo a morte de seus companheiros e aguardando a sua vez em um matadouro.

Seus trabalhos são chocantes porque são fidedignos, não velam a realidade por trás da exploração de animais reduzidos à comida ou transformados em matéria-prima. A arte de Thilenius é uma reação à descoberta de um universo de mazelas envolvendo o abuso de animais não humanos.

“Eu não estava preparado para o impacto que isso teve sobre mim. Foi devastador. Depois de processar o horror e a raiva, eu sabia que precisava fazer algo para ajudar a interromper a loucura que eu estava testemunhando”, diz o artista, admitindo que conhecer em profundidade o sofrimento e privação imposto aos animais não humanos foi um despertar, um chamado para a mudança.

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“The Price”

Como um desenhista e pintor que descobriu as próprias habilidades ainda muito jovem, o vegano Jackson Thilenius sempre se interessou por temas bastantes diversos, desde que instiguem a reflexão do espectador. Porém, quando se mudou para o Sul da Califórnia, ele decidiu transformar sua arte em uma ferramenta de questionamento, mobilização social, discutindo temas morais e éticos, além de hábitos, estilos de vida e condicionamentos culturais.

Seus trabalhos podem ser encontrados principalmente em exposições, galerias e shows na área de Los Angeles. Thilenius admite que criar imagens provocativas e espinhosas é uma de suas maiores motivações artísticas. Exemplo do sofrimento extenuante e destrutivo imposto aos animais é a obra “The Price”. Nela, o artista se inspirou na realidade dos porcos que vivem em regime de confinamento. Distantes de uma vida natural e vivenciando muito estresse e outros transtornos psicológicos e emocionais, eles enlouquecem e acabam por matar os próprios companheiros. Não menos chocante é a obra “Hoist”, em que o personagem é um boi recém-abatido, transmitindo desespero enquanto sua vida se esvai.

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“Hoist”

Com sua arte, Jackson Thilenius quer que as pessoas abram suas mentes, tenham consciência social das atrocidades praticadas diariamente contra seres não humanos, privados de existirem para si mesmos, e tendo seus destinos traçados desde que nascem, quando são limitados a viverem somente para tornarem-se comida ou matéria-prima. A intenção de Thilenius é deixar claro que devemos promover um estilo de vida que não depende da exploração desumana de animais inocentes. Ele acredita na luta pela libertação animal.

Depois de conhecer a realidade da indústria de ovos, onde pintinhos machos são descartados logo após a identificação do sexo, já que não é lucrativo para a indústria mantê-los vivos, Jackson Thilenius criou a obra “Male Chicks”, uma reação ao fato cruel e corriqueiro de que suas  vidas acabam antes mesmo de começar, quando são mortos em trituradores, asfixiados ou simplesmente descartados no lixo. Em síntese, um sistema que só existe porque as pessoas consomem ovos.

Em “Parallel Lives”, o artista apresenta um cão feliz e saudável, como se aguardasse que alguém lhe arremessasse uma bola. Ao lado, o mesmo cão aparece ferido, infeliz, irascível, consequências das agressões praticadas pelo seu tutor, na tentativa de transformá-lo em um cão de briga, condicionado a matar ou morrer. É possível perceber ainda que uma de suas orelhas foi cortada propositalmente.

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“Male Chicks”

Thilenius nunca para de produzir, e parte dos lucros das vendas de suas obras são destinados às organizações que atuam em defesa dos direitos animais. O artista também tem um projeto intitulado Crusade Creative (Cruzada Criativa), em que abre espaço para pintores, ilustradores, fotógrafos e ilustradores que se interessam em produzir arte voltada para a questão animalista. “É uma cruzada para criar uma mudança positiva e ajudar a fazer do dom de ser humano, humano”, justifica.

Saiba Mais

Jackson Thilenius é especialista em arquitetura comercial, principalmente de restaurantes e bares. Ele qualifica o seu trabalho como pintor e desenhista como um contraponto à sua profissão de arquiteto – iniciada em 2001. Ele possui mestrado em arquitetura pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia.

Conheça um pouco mais o trabalho de Jackson Thilenius

http://www.crusadecreative.org/terms-of-use.html

https://jacksonthilenius.wordpress.com/

https://www.artslant.com/global/artists/show/316205-jackson-thilenius

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Jo Frederiks: “Animais não são coisas, não são nossos escravos”

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“Nosso próprio futuro é baseado em um reflexo de como tratamos nossos companheiros não humanos”

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Jo Frederiks se tornou vegana em 1993

Jo Frederiks é uma artista australiana que cria desenhos e pinturas para conscientizar as pessoas sobre a crueldade contra os animais na indústria alimentícia, farmacêutica e de entretenimento. Durante muitos anos, ela se dedicou principalmente à vida selvagem enquanto tema, até que em 2010, sentindo-se frustrada e desiludida com a sua arte, decidiu buscar uma motivação maior.

“Pedi ao meu parceiro por um conselho, e ele disse: ‘Você é apaixonada pelo que? Imediatamente respondi: ‘Veganismo!’ Então continuei a falar seriamente sobre o holocausto animal. Ele sugeriu: ‘Pinte isso. Pinte pelo que você é apaixonada.’ Esse conselho foi fundamental e mudou completamente a direção da minha vida”, contou Jo Frederiks em entrevista ao blog Animalista Untamed em 4 de março de 2016.

A artista que se graduou na Academia de Artes de Brisbane, na Austrália, trabalha principalmente com grafite e pintura a óleo. Uma de suas grandes preocupações ao pintar seres não humanos é retratar a singular individualidade de cada um. Jo cresceu rodeada de animais, mas não de forma harmoniosa.

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Ela foi criada em uma das maiores estações de gado da Austrália, com um milhão de hectares, em Queensland. Lá, seu pai possuía inúmeras propriedades, onde milhares de animais foram criados para serem mortos. “Aprendi rapidamente a me insensibilizar com a brutalidade da vida na fazenda, como todas as pessoas do interior fazem. Houve matanças implacáveis, mutilações bárbaras e torturas que são consideradas ‘prática padrão da indústria.’ Aqueles que menosprezávamos, como o gado, eram considerados meras coisas, naquela época e ainda hoje. Não havia nada remotamente humano em nada disso. Nada!”, explicou ao Animalista Untamed.

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Blind to the Hypocrisy

Em 1993, não aceitando mais a realidade imposta aos animais não humanos, Jo Frederiks tornou-se vegana e defensora dos direitos animais. O que a motivou foi um evento da Animal Liberation Victoria, em Melbourne. “Peter Singer era um dos palestrantes, e fui introduzida em seu divisor de águas, [o livro] ‘Animal Liberation’, que li imediatamente. Antes disso, eu estava completamente inconsciente do horror da indústria de laticínios e ovos. A melhor parte é reconhecer que não contribuo mais para o sofrimento desnecessário de seres sencientes. Já a grande dificuldade é lidar com a apatia e indiferença da sociedade em relação a isso”, declarou ao blog Animalista Untamed.

Desde 2010, Jo Frederiks é uma artista em tempo integral que direciona sua arte quase que completamente para a questão animalista. Ou seja, sua missão é mostrar por meio de desenhos e pinturas como nossa relação com os animais é imoral e antiética. Em entrevista ao Cruelty Free Festival 2016, ela deixou claro que sua mensagem é fazer com que as pessoas entendam que todos os animais devem ser respeitados.

“Usar a arte para expor a injustiça é uma forma de fazer algo construtivo sobre isso. É sobre falar a verdade. A mensagem é pungente e perigosa. A sociedade não quer ser incomodada. A mensagem [por meio da arte] é tão perigosa quanto a posição de [Abraham] Lincoln sobre a abolição da escravidão”, comparou.

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We Didn’t Even Make It This Far

Em entrevista ao Nonhuman Rights Project em 29 de julho de 2015, Jo Frederiks declarou que animais não humanos não são coisas, não são nossos escravos, e não são nossos para explorarmos ou abusarmos deles. “Suas vidas lhes pertencem. Eles merecem justiça. Têm o direito de exercer sua personalidade. No final, nosso próprio futuro é baseado em um reflexo de como tratamos nossos companheiros não humanos”, ponderou.

Para Jo, a arte tem o poder de tocar as pessoas e inspirá-las na busca por sua própria posição moral e ética em relação aos animais. “A arte atinge pessoas onde fotografias e a palavra escrita não podem. É um mecanismo para a consciência social e uma plataforma para a demonstração do que a mente pode fazer para mudar o mundo”, defendeu.

A artista  lamenta que a maioria das pessoas não querem ouvir os fatos quando se trata do sofrimento animal e destruição do meio ambiente causados pela agropecuária. “Não se dispõem a olhar para as fotos ou confrontar vídeos de vítimas indefesas reduzidas à comida. Apesar disso, eles vão olhar para uma pintura ou um esboço. É uma poderosa e efetiva forma de penetrar nessa negação profundamente enraizada, nessas mentiras e doutrinação em que todos nascemos. Espero que minha arte inspire mudança”, disse ao Animalista Untamed em 4 de março de 2016, acrescentando que a transformação depende da educação e da percepção.

Para Jo Frederiks, criar arte vegana é como esculpir uma estátua de mármore com uma pena. “É um trabalho longo e tedioso, mas tem que ser feito se quisermos salvar o planeta e nossa espécie para as gerações futuras”, assinalou.

Em uma de suas obras mais populares, “We Didn’t Even Make It This Far”, Jo Frederiks registrou a moagem de pintinhos machos, indesejados pela indústria, já que não botam ovos. A pintura que remete à pop art, é uma estratégia da autora para prender a atenção do espectador e fazer com que ele reflita sobre as reais consequências dos chamados ovos livres de crueldade, o que segundo ela não passa de enganação da indústria alimentícia, já que não existe produção de ovos sem submeter a galinha a uma vida de exploração, privação ou sofrimento. Em síntese, ao comprarmos ovos, financiamos a morte de “bebês indefesos”, como Frederiks se refere aos pintinhos.

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Lady Justice

Canalizando com singularidade a sua relação com os animais e projetando isso em forma de desenhos e pinturas, a artista australiana demonstra facilidade em transmitir uma resposta visualmente rica e informativa sobre tudo que testemunha em relação ao tratamento que damos aos animais não humanos. O realismo cru da matança de seres sencientes é transmitido por ela de forma pungente, mas que estimula reais possibilidades de reflexão e sensibilização por parte do espectador que não é vegano nem vegetariano.

Jo Frederiks também faz críticas pontuais à exploração praticada por corporações multinacionais, como por exemplo, na obra “Palm Oil and Pollution”, em que critica o uso insustentável e indiscriminado do óleo de palma, prática que tem destruído o habitat de animais como orangotangos. A triste e cruel realidade da exportação de animais vivos, que muitas vezes morrem durante viagens longas e excruciantes, foi materializada na obra “Indefensible – Live Animal Export”, além de outros desenhos e pinturas.

Mais uma de suas obras famosas é “Lady Justice”, em que a Senhora Justiça aparece enforcada ao lado de animais abatidos, transmitindo a ideia de que a justiça também é sacrificada sempre que um animal é morto desnecessariamente para o benefício humano. Em “Kill To Dress”, que critica a alta costura, uma mulher está usando um vestido que custou a vida de um sem número de pequenos animais indefesos.

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Vivisection: R.I.P. Double Trouble

Não menos impactante é “Vivisection: R.I.P. Double Trouble”, que homenageia um gato submetido a cirurgias desnecessárias em seus ouvidos, crânio e cérebro, procedimentos realizados sem anestesia, na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, revelando a crueldade envolvida na vivissecção.

Em junho de 2013, ativistas pelos direitos animais em Israel resgataram um bezerro que trazia no corpo o número 269. Por causa disso, se apresentaram mais tarde como Movimento 269, o que motivou ativistas de todo o mundo a se identificarem como 269. O episódio inspirou Jo Frederiks a criar a obra “We Are All 269” em referência ao resgate.

Saiba Mais

Aos 13 anos, Jo Frederiks testemunhou o terror de um boi durante o abate. Ele foi estraçalhado por um homem empunhando um machado. O sujeito tinha um revólver preso à cintura, mas preferiu usar o machado para terminar o trabalho, isto porque ele queria economizar o custo de uma bala.

Referências

http://jofrederiks.altervista.org/biography.php

https://animalistauntamed.com/2016/03/04/jo-frederiks-artist-for-the-animals/

http://www.nonhumanrightsproject.org/2015/07/29/featured-volunteer-jo-frederiks/

http://www.sparklingadventures.com/index.php?id=2006

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Dana Ellyn: “Por que amamos alguns animais e comemos outros?”

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“Quanto mais pesquisarem de onde vêm sua comida, mais se inclinarão a tornarem-se veganas”

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Dana Ellyn Em uma de suas exposições (Foto: Divulgação)

Muitas pessoas que gostam de animais normalmente ficam aborrecidas ou furiosas quando veem um animal doméstico sofrendo ou passando por algum tipo de privação. Por outro lado, não partilham do mesmo sentimento quando se trata de animais enviados aos matadouros. Foi justamente pensando nisso que um dia a artista vegana estadunidense Dana Ellyn decidiu pautar o seu trabalho em uma questão retórica: “Por que amamos alguns animais e comemos outros?”

Sim, não é difícil entender que se trata de um fator cultural, contudo, não deixa de ser uma forma de hipocrisia de nossa parte, principalmente se afirmamos que amamos animais, e ainda assim os comemos. “Os animais têm aparecido na minha arte há anos, mas foi só em 2013 que fiz deles o meu tema de trabalho. Colocar um adorável leitão ao lado de um pedaço de bacon [como ela fez na série ‘Olhe em Meus Olhos e Diga-me que Sou Delicioso’] pode causar desconforto em quem come carne, porque faz com que pensem sobre a origem da comida”, disse Dana em entrevista ao Compassion Over Killing (COK), uma entidade filantrópica de Washington, D.C., que atua em defesa dos direitos animais, em 22 de abril de 2014.

A artista reconhece que suas obras podem despertar os mais diferentes sentimentos, desde compaixão ao escárnio, até porque, além do veganismo, ela aborda também religião, política, divórcio e a opção em não ter filhos. “Quando comecei a me concentrar na criação de quadros com temática veg, pensei que estava me aventurando em um território menos controverso. Eu estava definitivamente errada”, admite.fridge

Ela achava que algumas de suas pinturas, como “Baby Back Ribs” e “Independente (from Meat) Day” transmitiam mensagens óbvias, resultados do reconhecimento de como a carne chega aos nossos pratos. “Acontece que a maioria das pessoas não gosta de pensar sobre isso. Mesmo criando muitas pinturas com temáticas veganas, eu equilibro elas com uma coleção de obras gentis, que apresentam doces animais que olham para o espectador com olhos inocentes e enviam mensagens como: ‘Tenho sentimentos, por favor, não me coma’”, declarou a pintora a COK.

A habilidade pictórica, a evidência das contradições e o humor peculiar de Dana Ellyn estão em suas obras de cores vívidas e intensas que apresentam um forte e desafiador conteúdo crítico das mais diferentes questões sociais. Portanto, pode-se definir o trabalho de Dana como uma combinação do expressionismo com o realismo social, principalmente se levarmos em conta que ela tem como grandes inspirações a expressividade emocional e a perspectiva sombria dos expressionistas alemães; além da crueza e da confrontação da realidade influenciada por artistas mais contemporâneos e outsiders.

Muitos dos trabalhos de Dana com temáticas veganas são reconstruções de flashes artísticos de sua infância, um olhar adulto e vegano sobre o condicionamento em consumir carne e outros alimentos de origem animal. “Olhando para trás, percebo que sou vegetariana em meu coração desde a infância. Carne sempre me incomodou. Qualquer sinal de líquido vermelho era um tormento. E frango no osso era um grande problema, porque ainda parecia um animal. E nem falo sobre tendões em uma asa de frango, ou roer a carne de uma sobressalente costela em um restaurante chinês”, relatou em entrevista a Jodi Truglio, da revista Global Looking Glass em 23 de agosto de 2013.see3.jpg

Dana Ellyn, que se tornou vegetariana em 2001 e vegana em 2013, cresceu em uma pequena cidade costeira em Connecticut nos anos 1980. A cultura predominante de consumo de alimentos naquela época era do tipo “coma o que vier em seu prato e não faça perguntas”. “Minha família via o consumo de carne como um estilo de vida, uma maneira de pertencimento. Em minha infância, eu me sentia desconfortável quando me serviam pratos com cadáveres”, contou em entrevista à blogueira Zahava Katz-Perlish, do I’m An Animal Too, em 30 de junho de 2016.

Ainda criança, já preferia comer grãos e vegetais. Ela afirmou que despertou quando percebeu que a carne que era encorajada a comer para “viver”, nada mais era do que uma escolha, já que é possível viver muito bem sem consumir partes de animais. “Sempre fui sensível sobre o sofrimento dos animais reduzidos à comida ou usados com outros propósitos destrutivos. Ao me tornar vegana, abriu-se um novo mundo de experiências culinárias que eu e meu marido [que também é vegano] exclamamos com um pouco de frustração, por que alguém precisa comer carne?”, confidenciou.2e119de49815ebb506d1bc4d9069f491

O que levou a artista a ter fortes sentimentos sobre os direitos animais e o veganismo foi o reconhecimento de que estava sendo conivente com o sofrimento de outros seres vivos. “Assistir vídeos no YouTube, de galinhas sendo pisoteadas é um bom começo para qualquer um. Quanto mais as pessoas pesquisarem de onde vêm sua comida, e se conscientizarem da violência nas indústrias de carnes e laticínios, mais elas se inclinarão a tornarem-se veganas. Gosto de me considerar uma consumidora informada, e um consumidor especialmente informado pesquisa sobre o que coloca em sua boca. Ser vegano faz todo o sentido”, ponderou.

Dana Ellyn gosta de atrair a atenção de consumidores de carne com suas pinturas que questionam a conduta especista humana. “Quem come frango, carne bovina ou de porco fica todo sentimental quando vê os coelhos e gatinhos sendo vendidos como comida em minhas pinturas. Em um nível intelectual, eles entendem que minha referência é sobre diferenças culturais, mas eles não são capazes de direcionar o espelho para si mesmos e admitir plenamente que o que eles comem não é diferente”, explicou ao portal Viva La Vegan! em 20 de junho de 2013.

A artista, que vive em Washington, D.C., se graduou em história da arte e belas artes em 1992 pela George Washington University. Desde 2002, ela se dedica à pintura em tempo integral. Além de participar de muitas exposições nos Estados Unidos, seu trabalho também já foi prestigiado na Europa e no Marrocos.outsmarted

“Foi essa mudança do vegetarianismo para o veganismo que me influenciou a começar a me concentrar principalmente nas questões dos direitos animais. Descobri que [muitas] pessoas que comem carne preferem negar as vantagens do veganismo. Eles gostam de zombar ou fazer piadas sobre a ideia de ser vegano. Agem como se eu fosse uma extremista por fazer uma escolha em ser vegana; como se eu fosse a estranha ou a errada [sendo que eles que financiam a morte dos animais ao consumirem carne]”, reclamou ao I’m An Animal Too.

Segundo Dana, é fácil para as pessoas negarem a realidade quando elas se mantêm alheias à origem da comida. “Eles compram a carne que é embalada em um invólucro plástico, e isso pouco se assemelha ao animal de onde veio. Tenho tido muitas conversas ao longo do ano sobre ser vegetariana. Quando falo sobre as horríveis condições dos animais na agroindústria, as pessoas balançam suas cabeças e sempre afirmam que sabem, mas não querem saber. Eles basicamente reconhecem que se eles admitirem a si mesmos como isso é horrível, eles teriam que parar de comer carne. Não entendo isso. Então por que não simplesmente parar de comer carne em vez de enfiar a cabeça na areia e fingir que não vê qual é o problema?”, lamentou ao Viva La Vegan!.87157922d9f48e1b7de24751b756d43f

Em “Meet Your Meats”, ou “Conheça Suas Carnes”, inspirada na negação da realidade, Dana Ellyn criou um cenário em que uma pessoa abre o refrigerador para retirar comida e, de repente, se vê obrigada a lidar, face a face, com os animais que está pensando em jantar. “Em várias ocasiões, colaborei com a [entidade filantrópica em defesa dos direitos animais] Compassion Over Killing, disponibilizando minha arte para venda em seus eventos de arrecadação de fundos. A COK também usou minha arte como capa do seu cartão de férias. Recentemente, colaborei com a britânica Lucy Tammam, premiada designer de moda de alta costura de Londres, que tem sido uma inovadora em termos éticos e sustentáveis”, revelou a Zahava Katz-Perlish.

Ao Viva La Vegan!, Dana se queixou que muitas pessoas jamais dedicam qualquer tempo para sair e conhecer um porco como animal de estimação. Ela defende que essa experiência poderia fazer alguma diferença. “Elas seriam capazes de comer carne de porco novamente? Suponho que algumas sim, e outras não”, concluiu. Tal reflexão a motivou a criar uma obra em que o cão Fido aparece vestido de porco para ser servido durante o jantar, enquanto o suíno ocupa maliciosamente o lugar do cachorro. “A menina parece saber o que aconteceu porque ela está olhando em direção ao porco, suprimindo um sorriso. Mas a mãe, representada de propósito como uma dona de casa dos anos 1950 está obedientemente servindo o jantar. Tradicional e antiquada, ela não questiona nada – está apenas fazendo o que se espera dela”, assinalou.meat

Em outra pintura de Dana Ellyn, que evoca uma inversão de papéis, um leitão assado aparece com uma maçã na boca, enquanto um cão feliz tem uma bola de tênis entre os dentes. “Meu principal objetivo como artista é fazer as pessoas felizes. Orgulho-me em fazer minhas obras de arte acessíveis. Eu quero que todos que desejem possuir um dos meus quadros tenham condições de adquiri-los. Como uma artista vegana, espero que os veganos compreendam e apreciem a minha arte. Se os não veganos veem minhas pinturas e se sentem confusos e desafiados, ou mudados por minhas pinturas, então me sinto feliz”, garantiu ao blog I’m An Animal Too em 30 de junho de 2016.

Referências

http://imananimaltoo.com/2016/06/30/power-art-change/

http://cok.net/blog/2014/04/vegan-artist-dana-ellyn/

http://www.vivalavegan.net/list/7-updates/545-dana-ellyn-vegan-painter-art-a-inspiration.html

http://www.danaellyn.com/bio.html

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Written by David Arioch

February 13th, 2017 at 7:56 pm

Sue Coe: “Ser vegano está além do que você come. É um movimento de justiça social”

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“Enquanto falamos, somos capazes de ouvir um bezerro que foi tirado da própria mãe e chora sem parar por três dias. Essa é a realidade [da produção de leite]”

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Sue Coe: “Quando você segura uma galinha, você percebe que há uma força de vida lutando para sobreviver”

Nascida em 21 de fevereiro de 1951, a artista e ilustradora Sue Coe, uma das maiores referências em arte sobre direitos animais, cresceu perto de um matadouro em Tamworth, Staffordshire, na Inglaterra. A experiência fez com que ela desenvolvesse um grande interesse em sensibilizar as pessoas sobre a crueldade contra os animais. Porém, seus pais esperavam que ela trilhasse outro caminho. Na adolescência, eles queriam que Sue se tornasse uma secretária ou trabalhasse em uma fábrica. Idealista, ela preferiu se arriscar como artista.

Estudou ilustrações e arte comercial na Chelsea School of Art e na Royal College of Art, em Londres. Mesmo sonhando com um futuro nesse ramo, ela se sentia incomodada com o fato de que as mulheres inglesas que atuavam nessa área só eram contratadas para ilustrar livros infantis. Coe não queria isso.

Para a sua surpresa, o dom para as artes chamou a atenção de revistas inglesas e de outros países europeus. Quando se mudou para Nova York em 1972, aos 21 anos, ela decidiu enveredar pelo caminho do artivismo, ou seja, começou a produzir arte como uma ferramenta de ativismo político. Na matéria “Staying True to a Unique Vision of Art”, publicada pelo Los Angeles Times em 1º de abril de 2001, ela relatou que o que a atraiu nos Estados Unidos foi o multiculturalismo, uma abertura de espírito muito emocionante.

Em Nova York, ela recebeu importantes convites para abordar questões como fome, miséria, terrorismo e racismo. Suas ilustrações ocuparam espaço privilegiado em edições de importantes veículos de comunicação, como o New York Times, New Yorker, Time, Newsweek, Village Voice, Esquire, Mother Jones e Rolling Stone.

Ainda nos anos 1970, enquanto vendia suas obras, Sue Coe deu aulas na School of Visual Arts, de Nova York. “Ela se estabeleceu como uma versátil artista adepta de pinturas, desenhos, litografias, colagens e gravuras, habilmente usando guache, grafite, aquarela, lápis de cera e carvão. […] Ela mostra problemas sociais ignorados ou ocultados pelo governo, corporações, sociedade e mídia. Ela costuma ser comparada a artistas como Honoré Daumier, Käthe Kollwitz e Francisco Goya”, escreveu Susan Vaughn, do LA Times.

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Foi no início dos anos 1980 que Sue Coe se voltou para a situação dos animais mortos para consumo humano. Ao longo de seis anos, ela realizou pesquisas e visitou matadouros de várias regiões dos Estados Unidos. “Quando comecei, pensei: ‘Ah, isso não vai mudar.’ Então percebi que poderia motivar as pessoas. Acho que o melhor que pode acontecer é você instigar o diálogo. Acredito que a maioria das pessoas tem a mente aberta”, informou Coe à Susan.

A artista inglesa, que se considera uma jornalista visual, possui um estilo mordaz que lembra o trabalho do escritor e reformador social Upton Sinclair, autor de The Jungle (A Selva), que denunciou as mazelas da indústria frigorífica em 1906. Modesta, Sue Coe diz que se um dia alcançar 1% da genialidade do pintor holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn, autor de Slaughtered Ox (Boi Abatido), de 1655, ela se sentirá realizada.

Autora de livros de ilustrações como “Dead Meat”, de 1995; “Pitt’s Letter”, de 2000; “Sheep of Fools”, de 2005; “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, de 2012; e “The Animals’s Vegan Manifesto”, de 2017, ela contribuiu para que milhares de pessoas se tornassem vegetarianas e veganas por meio de sua arte engajada na defesa dos direitos animais. Muitas de suas ilustrações denunciam principalmente a cruel realidade vivida por animais criados e mortos para tornarem-se comida. “Por favor, veja por si mesmo, vá a um matadouro. Veja o que ocorre e, se você não pode, pergunte a si mesmo o porquê”, sugeriu.

Sempre que a questionam sobre como ela consegue retratar situações dolorosas sem enlouquecer, Sue Coe argumenta que o seu trabalho é uma forma de terapia, além de sentir-se motivada pela possibilidade de mudar a mente das pessoas em relação a como os animais são vistos e tratados. “Quando você segura uma galinha, e elas são feitas apenas de carne e ossos, mas você sente um coração batendo rapidamente, você percebe que há uma força de vida lutando para sobreviver, é isso que me move”, argumentou em entrevista ao LA Times.butcher-to-the-world-fix

Durante alguns anos, a ilustradora vegana Sue Coe viveu em um apartamento de um quarto em Nova York, dedicando-se às ilustrações. Embora famosa nesse meio, sempre vendeu impressões de alguns de seus trabalhos a preços bem acessíveis. “Não compro coisas que não preciso. Meu trabalho é mais importante do que possuir um micro-ondas [por exemplo]”, ponderou, acrescentando que destina parte de seus lucros à Farm Sanctuary, em Watkins Glen, em Nova York. O santuário cuida de animais que seriam mortos pela indústria agropecuária.

Segundo Sue, mesmo que você seja uma artista e tente desenhar 50 vacas ou 50 ovelhas, você precisa ter em mente que todas elas têm diferentes personalidades. E se você for a um santuário e começar a desenhá-las, elas se apoiarão em você, e você sentirá o seu doce hálito com aroma de feno:

“Cada uma é tão individual e diferente. E desenhar apenas 50 é quase impossível. Por isso, preciso olhar nos olhos de uma ovelha ou de todos os animais que encontro em um matadouro, o que representa apenas uma gota do sangue de todos os animais massacrados. E assim que sou notada, muitos deles me olham diretamente nos olhos, e o que eles dizem, eu registrei isso em um livro. O que eles dizem é tão claro como se escrevessem em inglês e com letras gigantes: ‘Por que vocês estão fazendo isso comigo?’ É o que eles estão dizendo.”

Em entrevista a Sunaura Taylor, da Bomb Magazine, de Nova York, em 2 de agosto de 2012, Sue Coe contou que pessoas influentes do mercado editorial de Nova York tentaram se livrar dela nos anos 1980. Mesmo que não tenham conseguido fazer com que desistisse do seu trabalho, ela prefere dizer que não tem uma carreira, mas sim uma missão: “Já amarguei meses e meses sem dinheiro, pensando: ‘Ah, como eu gostaria de ter sido capaz de vender este mês, ou coisa parecida. Mas estou tão acostumada com isso agora. Então nunca pensei no meu trabalho como uma carreira.”

Ela jamais se esqueceu do dia em que acompanhou um bando de cabras e ovelhas arrastadas para um matadouro. Compenetrada no comportamento dos animais, ela se distanciou de si mesma. “Continuei a desenhar mecanicamente, e o resultado é um desenho que nunca estará à venda. É um lembrete para mim, do porquê estou fazendo esse trabalho”, justificou.

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Questionada sobre como faz para conseguir entrar em matadouros onde nenhum jornalista entrou antes, Sue Coe explicou que tudo depende da abordagem e das ferramentas que você carrega. “Levo apenas papel e lápis, e as pessoas podem ver o que estou fazendo. Não estou roubando nada. Não vou tirar nada. Se eles querem meus desenhos, eles podem tê-los. Contanto que eu não retrate trabalhadores como monstros, o que nunca faço de qualquer maneira, embora algumas vezes fiz isso, tenho de admitir”, revelou em entrevista a Caryn Hartglass no podcast “It’s All About Food” em 20 de junho de 2012.

Sue Coe prefere visitar matadouros menores, porque esses são os que menos dificultam suas visitas. Mesmo assim, ela sempre se depara com uma mesma situação – funcionários de matadouros com receio de ficarem desempregados. “Eles não querem ser atacados por ativistas dos direitos animais. Então eles me veem e simplesmente conversamos sobre qualquer assunto que eles queiram. Muitos deles são falantes de espanhol. Então dou-lhes um desenho, e eles podem olhar e dizer se devo mudar alguma coisa. Eles apenas olham e dizem: ‘Ah, isso é bom! Você poderia ser estenógrafa’”, narrou.

Sue perdeu as contas de quantos matadouros visitou ao longo de décadas. Só no livro “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, de 2012, ela traz ilustrações de experiências em 35 a 40 matadouros. “É muito mais fácil entrar em matadouros halal [islâmico] ou kosher [judaico] porque eles são pequenos, de propriedade familiar. Os maiores são da IBP [International Pork and Beef]. Entrei [em matadouro deles também], mas foi muito difícil. Costumo chegar dizendo: ‘Sou uma artista. Gostaria de desenhar.’ Eles dizem sim ou não”, resumiu.

Quando permitem que Sue Coe visite um matadouro, ela é revistada e em seguida lhe entregam um uniforme. “Não é necessário que alguém entre em um matadouro para ver e entender o que acontece lá dentro. Você esquece muito rapidamente, pessoas esquecem, mas eu nunca esquecerei. Vou fazer isso até morrer, porque é minha responsabilidade com os rostos que vi. Esse é o meu trabalho. Essa era a vida deles. Eu os vi. Eles olharam em meus olhos, e eles me viram”, garantiu a ilustradora a Sunaura Taylor, da Bomb Magazine.4- The Ghosts Of The  Skinned Want Coats Back.jpg

Com a experiência de quem acompanha a realidade dos animais explorados na indústria alimentícia desde os anos 1980, Sue admite que produzir centenas e centenas de desenhos e pinturas sobre a questão animalista intensificou sua conexão com os animais. Em entrevista a Elin Slavick do Media Reader, em 2005, ela destacou a importância de educar o público sobre a trajetória do “alimento” de origem animal antes dele chegar à mesa:

“Acredito na bondade das pessoas, e acho que elas são inteligentes o suficiente para fazerem uma boa escolha. Abram as portas dos matadouros e das fazendas. Deixe as pessoas verem como as porcas são mantidas presas suas vidas inteiras, sem espaço para girarem o corpo. Porcos em estado natural [livres], passam 70% de suas horas de vigília explorando o ambiente, se enraizando na sujeira e socializando. Os bezerros, fracos demais para manterem-se de pé, são alimentados apenas com leite, encaixotados e enviados para o abate. Há cientistas que dizem que as vacas leiteiras estão tão cansadas quanto um ser humano correndo em uma maratona, por causa do estresse em seus corpos em decorrência da enorme produção de leite. E as galinhas, que vivem sem espaço suficiente para estica suas asas, são seis por cada gaiola até o momento do abate; ficam com os ossos tão fracos que desenvolvem fraturas por causa do estresse físico.” (An Interview with Sue Coe By Elin Slavick, Media Reder, 2005).

Sue Coe jamais acreditou que as leis do bem-estarismo, que alega diminuir o sofrimento do animal reduzido a produto, vão culminar no abolicionismo animal. Para ela, não existe bem-estar quando se fala em um animal que vai ser eventualmente morto para o consumo humano. “Sob este sistema econômico, a pressão é para que a pequena fazenda fique maior ou vá à falência. Penso que esta luta para melhorar as condições de vida dos animais criados em fazenda tem chamado a atenção das pessoas. Ela tira a pressão sobre o pequeno criador, que pode receber subsídios para migrar da criação de animais para a produção de vegetais, e isso [em médio ou longo prazo] acabará por eliminar os métodos das fazendas industriais”, analisou.

Sue viaja muito ministrando palestras sobre desenhos e ilustrações, e não para ativistas dos direitos animais, mas sim para comunidades, locais em que, para a sua surpresa, seu trabalho é muito bem recebido. “Costumo dizer que as fazendas industriais são erradas e discutirmos sobre isso. Então eles falam que vão parar de consumir produtos de origem animal. Agora a pergunta número um que recebo é: ‘Está tudo bem em comer produtos do abate humanitário?’ Claro que digo que não! Não está tudo bem em comer qualquer animal, de pequenas ou grandes fazendas. E as pessoas entendem. Se alguém se torna um farol por causa do meu trabalho, esse é o meu prêmio. Como disse um ativista, é como empurrar uma pedra até uma colina com a ponta do nariz. Não é fácil, mas pode ser feito”, relatou a Caryn Hartglass, do podcast “It’s All About Food” e a Susan Vaughn, do Los Angeles Times.

“Não podemos nem chegar perto da opressão do direito corporativo [da indústria da exploração animal]. Nossa propaganda é como um minúsculo dedal cheio de verdades – uma minúscula partícula. Mas essa partícula é muito perigosa para eles. Por isso que eles estão constantemente tentando esmagá-la. Quero dizer, tudo que temos a fazer é um panfleto, cartaz ou grafite, e isso pode explodi-los em um sopro, porque tudo que eles fazem é baseado em mentiras. E [sabemos que] um pouco de verdade pode se espalhar por águas oleosas.” (Drawing Attention: Sue Coe, de Sunaura Taylor, Bomb Magazine, 2 de agosto de 2012.) 

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Sue Coe não se define politicamente. Ela alega que isso pode interferir na mensagem. Em sua opinião, não é útil rotular-se. “Como artista, desejo que o espectador olhe através dos meus olhos, veja o que vi, e não olhe para a cor dos meus olhos. […] Não sei se a alegria é possível para cada ser vivo, mas cada ser vivo faz o máximo que pode para evitar sofrimento e dor”, disse a Elin Slavik, do Media Reader.

Vivendo há alguns anos em uma cabana sustentável e com energia solar em uma floresta ao norte de Nova York, Sue Coe não raramente escuta o que ocorre nas fazendas vizinhas. “Enquanto conversamos, somos capazes de ouvir um bezerro que foi tirado da própria mãe e chora sem parar por três dias. Essa é a realidade [da produção de leite]”, lamentou a Caryn Hartglass.

Sobre a sua descrença no suposto abate humanitário, a artista também relatou como exemplo a experiência de um amigo que visitou um matadouro no Canadá. No local, eles têm câmaras de gás, onde os porcos seguem um sistema de linha única. Porém, quando o animal percebe a iminência da morte, ele faz de tudo para sair do local, inclusive tentando escalar as laterais:

“Nesse processo, eles são eletrocutados nos olhos, que é uma parte tão sensível deles quanto a nossa. Eles são cutucados para seguirem no sistema de linha única. Assim, o chamado abate humanitário acaba por ter o dobro de tortura. É por isso que quando os defensores dos direitos animais se envolvem com isso, eles precisam ser muito cuidadosos, porque a indústria da carne é apenas sobre como lucrar. E eles podem incluir câmaras de gás porque são baratas, já que mata seis animais de cada vez. É por isso que acho incrivelmente ingênuo, ou terrível, quando os defensores dos direitos animais se envolvem nesse tipo de manipulação da indústria da carne”, confidenciou ao podcast “It’s All About Food” em 20 de junho de 2012.slaughterhouseentrance

Sue Coe argumenta que o único caminho de assegurar um tratamento mais justo aos animais não humanos é o veganismo. Ninguém precisa ser um amante dos animais para se tornar vegetariano ou vegano. O mais importante é entender que eles também têm direito à vida “Ser vegano está além do que você come. É um movimento de justiça social. Não se trata de uma escolha enquanto consumidor”, explicou a Caryn.

A ilustradora espera que chegue o dia em que os direitos animais e as questões de justiça social sejam bem aceitos, e as pessoas vejam como era o passado e digam: “Aqueles eram tempos sombrios, quando seres humanos costumavam matar animais para comer.” Sue crê que é muito fácil ser seduzido pela ideia de que os seres humanos são simplesmente maus. Porque se vermos o que fazemos deliberada e inconscientemente aos animais não humanos, a nós mesmos, a tudo, é muito fácil pensar que não há esperanças.

“É muito sedutor, mas não é verdade. Temos agora uma estrutura econômica que atinge a pior parte da espécie humana. Imagino uma sociedade com um tipo de estrutura econômica diferente – porque eu absolutamente acredito que os seres humanos farão o melhor sempre, se eles tiverem a oportunidade de tentar. Vi isso em tantos países diferentes no mundo, onde as pessoas são tão pobres, mas ainda partilham suas últimas coisas. Acho que seres humanos geralmente são muito nobres, estamos apenas presos neste maldito sistema que nos reflete. É uma ingenuidade política pensar que o ativismo dos direitos animais é apenas uma questão – que qualquer ativista é uma pessoa de apenas uma questão”, assinalou em entrevista a Sunaura Taylor, da Bomb Magazine publicada em 2 de agosto de 2012.

Saiba Mais

Para quem quiser conhecer melhor o trabalho de Sue Coe, acesse: www.graphicwitness.org

A artista inglesa pede que as pessoas visitem o site do santuário que ela ajuda em Nova York. Na página, há muitas informações sobre investigações de crueldades contra animais em fazenda – www.farmsanctuary.org.

Referências

http://www.graphicwitness.org/coe/latimes.htm

http://elena-kuzmina.blogspot.com.br/2008/05/art-activism-interview-with-sue-coe-by.html

http://bombmagazine.org/article/6696/

http://responsibleeatingandliving.com/interview-with-gary-steiner-and-sue-coe/

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O grito dos animais por trás do grito de Edvard Munch

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“Creio que quando [Edvard Munch] criou esse nome [em alemão], ele o relacionou com o grito dos animais”

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O Grito, de Edvard Munch, cortesia da Galeria Nacional, em Oslo

O pintor norueguês Edvard Munch, precursor do expressionismo alemão, conquistou fama mundial com a sua obra-prima Skrik (O Grito), de 1893, considerada uma das mais importantes pinturas da história do expressionismo. Embora muita gente associe a obra à angústia e decepção em sua vida pessoal, a verdade é que existe muito mais por trás dessa pintura que se tornou o símbolo internacional da ansiedade.

Em “O Grito”, que mais tarde recebeu versões de Andy Warhol e Gary Larson, um corpo contorcido, um rosto esticado e uma boca oblonga e aberta tem ao fundo duas pessoas conversando, possíveis amigos de Munch. Acredita-se que as cores mais vívidas tenham sido inspiradas pelos matizes impetuosos do céu europeu durante a erupção do vulcão Krakatoa em 1883.

Há quem diga que a pintura é uma manifestação das insatisfações de Munch no amor e na amizade. Porém, declarações de artistas conceituados e pesquisas mais aprofundadas trazem informações reveladoras. Um exemplo é o livro “Edvard Munch: Behind the Scream”, da inglesa Sue Prideaux, publicado pela Yale University Press em 2005.

A escritora e pesquisadora da obra e vida do pintor norueguês confirma que a cena de “O Grito” foi baseada em um lugar na Colina de Ekeberg, um bairro de Oslo, na Noruega. A inspiração veio de uma memória de quando ele caminhava ao pôr-do-sol em companhia de dois amigos.

Segundo informações que Sue transcreveu do próprio diário de Edvard Munch, o pintor sentiu-se exaurido e parou para descansar, encostando na grade retratada na pintura. Também sofrendo de ansiedade, problema crônico que sempre o acompanhara, ouviu sons que pareciam vir diretamente da natureza. Eram gritos de animais sendo mortos em um matadouro perto de um hospício. Os sons perturbadores se misturaram ao choro dos pacientes internados em um manicômio onde sua irmã era uma das internas.

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Munch provavelmente tinha grande aptidão para se sensibilizar tanto com a dor humana quanto com a dor dos animais (Foto: Edvard Munch – The Dance of Life Site)

Na pintura, ao fundo, a paisagem esmaecida da Colina de Ekeberg, que proporciona uma túrbida perspectiva, deu a tônica do estado emocional de Munch transformado em protagonista. A inquietação do personagem combinou a agitação interna e externa de tudo que o pintor vivenciou na caminhada em companhia dos dois amigos. Ele também chamava sua pintura de Der Schrei der Natur (O Grito da Natureza), nome alemão que deu à obra.

“A experiência foi muito perturbadora para ele quando atravessou aquela ponte. Creio que quando [Edvard Munch] criou esse nome [em alemão], ele o relacionou com o grito dos animais. Acho que se abrirmos nossos corações para esse grito, os animais estão falando através de si mesmos”, interpreta a artista britânica Sue Coe, deixando subentendido que Munch provavelmente tinha grande aptidão para se sensibilizar tanto com a dor humana quanto com a dor dos animais.

Saiba Mais

Edvard Munch nasceu em Løten em 12 de dezembro de 1893 e faleceu em Ekely em 23 de janeiro de 1944.

Uma das cinco versões de “O Grito” foi vendida em um leilão por 120 milhões de dólares para um colecionador privado. As outras estão em exibição em museus ao redor do mundo.

Referências

Prideaux, Sue. Edvard Munch: Behind the Scream. Yale University Press (2005).

Interviews with Gary Steiner and Sue Coe, 6/21/2012

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Pawel Kuczynski, um cartunista que desperta reflexões sobre a exploração animal

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“Nossa realidade é triste e, como consequência, meu senso de humor é mórbido”

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Kuczinsky: “A realidade é tão louca e absurda que é difícil competir com isso” (Foto: Reprodução)

O artista gráfico e cartunista Pawel Kuczynski vive em Police, uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes, situada na região da Pomerânia Ocidental, no Noroeste da Polônia. Lá, ele produz desenhos que despertam a atenção para temas como exploração animal, ecologia, política, pobreza, fome, ganância, novas tecnologias e vício em internet. Kuczynski une metáforas visuais, a estética do surrealismo, a sátira e o humor mórbido para fazer com o que o espectador reflita sobre questões bem atuais.

Muito popular em mídias sociais como Reddit, Pinterest, Instagram e Facebook, neste último ele tem mais de 528 mil seguidores, o artista polonês já produziu inúmeros desenhos em que propõe discussões sobre a forma como nos relacionamos com os animais. São trabalhos que permitem inúmeras releituras e colocam em evidência a hipocrisia humana no que diz respeito ao fato de considerar alguns animais como companheiros e outros simplesmente como comida. Exemplo disso é “Dinner”, uma de suas obras mais populares, em que um açougueiro acaricia a cabeça de um gato enquanto é assistido por animais não domésticos na entrada de um estábulo.

Alguns cartuns de Kuczynski, que trabalha com técnicas de lápis aquarelável, mostram como as pessoas fingem não ver que estão consumindo um ser que um dia teve vida, e talvez por tal motivo em alguns de seus trabalhos os animais estão vivos. Um exemplo é “Pig”, em que um porco aparece sorrindo inocentemente com uma toalha sobre o dorso, sem reconhecer que ele é a mesa e o prato principal de um banquete. Em “Coffin”, ele apresenta o funeral de um porquinho que tem como caixão um lanche, uma referência às tiras de bacon.

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Uma das imagens mais famosas do cartunista polonês

Em “Eggs”, há uma máquina que esmaga galinhas para a produção de ovos. Provavelmente, a intenção de Kuczynski é mostrar que ovos não são apenas ovos. Eles custam a vida das galinhas que são descartadas quando produzem pouco ou quando representam despesas. Outra de suas obras destaca um homem com aspecto morbígero, uma boca enorme e dentes pontiagudos, prestes a engolir a cabeça de um suíno, numa analogia à glutonaria humana.

Pawel Kuczynski também critica quem cria peixes em casa. Além desses animais viverem até sua morte em pequenos espaços para o deleite humano, as pessoas normalmente ignoram o quão paradoxal é criar um peixe ao mesmo tempo em que se come outro. Tal contradição é evocada no cartum em que aparece um peixe enlatado dentro de um pequeno aquário.

Em outro desenho, um boi tem um grande pasto como guardanapo amarrado ao pescoço, referência ao desmatamento e a superprodução de grãos para alimentar esses animais, o que vai muito além do que é investido na produção alimentícia voltada aos seres humanos.  elwu6vn-vert

Por esses e outros trabalhos, o polonês graduado na Academia de Belas Artes de Poznań, e com especialização em artes gráficas, já foi premiado nos Estados Unidos, Brasil, Bélgica, Itália, Espanha, Portugal, Rússia, Japão, China, Coréia do Sul, Colômbia, República Tcheca, Irã, Itália, Eslováquia, Turquia, Síria e Taiwan. Em 2005, ele recebeu o Eryk, prêmio da Associação Polonesa de Artistas, por ter conquistado um número recorde de premiações em competições internacionais. Só em 2010, Kuczynski ganhou 19 prêmios e distinções.

“Não sou o tipo de cartunista que trabalha com humor. Não é o tipo de sátira que as pessoas podem associar com piadas. São assuntos muito sérios. A realidade é tão louca e absurda que é difícil competir com isso. A realidade me inspira. Apenas tento ser honesto sobre as minhas observações em meus desenhos. Coloco uma informação em minha cabeça e espero pelos resultados. Se eu já tiver algo em minha mente, e for uma boa ideia, preciso de dois dias para fazer o desenho”, disse em entrevista à Fluster Magazine, da Itália, publicada em 10 de março de 2012.

Um observador do comportamento humano, Pawel Kuczynski considera surpreendente o fato de que vivemos há tanto tempo neste mundo e ainda assim seguimos cometendo os mesmos erros. ele cita como algumas das maiores incoerências humanas as guerras, a pobreza, a fome, a exploração animal e a destruição do meio ambiente. “Nossa realidade é triste e, como consequência, meu senso de humor é mórbido. Acho que talvez eu seja muito lírico e sentimental”, declarou.pawelk7-horz

O artista polonês sempre gostou de arte barroca, das obras de Caravaggio [Michelangelo Merisi]. Sua admiração o motivou desde cedo a usar a luz teatral como uma grande aliada, ou seja, aprendeu a manipular sabiamente o contraste entre o claro e o escuro. “É muito útil para organizar a composição narrativa em minhas obras”, justificou.

Membro da Associação Polonesa de Artistas, ele prefere não enaltecer a sua própria história. Quando questionado sobre o motivo de divulgar sempre uma curta biografia, Kuczynski costuma responder que o mais importante não é ele, mas sim o seu trabalho. Sobre sua rotina, ele começa o dia praticando atividades físicas. “É a melhor forma de refrescar meus pensamentos. Ou a melhor forma de não pensar em desenhos”, enfatizou em entrevista veiculada no portal iraniano Tabriz Cartoons em 11 de setembro de 2016.

coffin-pawel-vertO cartunista normalmente prepara o projeto um dia antes de executá-lo, e seu período de maior produção costuma ser à tarde. “Trabalho como freelancer. É o que mais me convém, mas posso trabalhar em qualquer lugar onde eu tenha um canto para desenhar e acesso à internet. Tudo que tenho em Police [sua cidade natal] é um ambiente tranquilo, amigos e família. Não preciso de nada mais além disso”, contou a Tabriz Cartoons.

Pawel Kuczynski transparece não ter grandes ambições e ressalta que o mais importante é ter ideias e força para trabalhar. Se suas obras seguirem conquistando as pessoas e permitirem que ele continue vivendo do seu trabalho, isso o deixará satisfeito. “É o suficiente para mim. Como qualquer jovem estudante, eu fazia retratos em festas, imagens para decorar interior de apartamentos. Sou duro comigo e prefiro não admirar meu trabalho. Sempre acho que o próximo será melhor e me forço a ir além. Claro, como qualquer autor, fico feliz quando meu trabalho é notado e recompensado em competições”, ponderou.

Há pessoas que criticam alguns trabalhos de Kuczynski por interpretá-los como críticas intransigentes ao uso de tecnologias. Porém, embora não use smartphones, ele deixa claro que sua intenção nunca foi essa: “Não sou um inimigo das inovações técnicas. Estou ativamente usando e usufruindo delas. Mas, por outro lado, é por isso que tenho o direito de alertar sobre as armadilhas que estão sempre à nossa espreita.” Para o polonês, a melhor forma de manter a qualidade do seu trabalho é jamais negligenciar o próprio cérebro que, por ser um músculo, precisa sempre de bons estímulos.

Saiba Mais

Pawel Kuczynski começou a trabalhar com desenhos satíricos em 2004.

 Para comprar algum dos trabalhos do artista polonês, acesse:

http://www.pictorem.com/collectioncat.html?author=Pawel+Kuczynski

 Referências                    

http://pawelkuczynski.com/

https://flustermagazine.wordpress.com/2012/03/10/showcase-pawel-kuczynski/

http://tabrizcartoons.com/en/news/tcan/6196-interview-with-pawel-kuczy%C5%84ski-poland,2016.html