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Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la
Ocidentais e orientais e o consumo de animais
Uma diferença que percebo entre os ocidentais e os orientais no que diz respeito principalmente ao consumo de carne é que os ocidentais se esforçam para enquadrar seus maus hábitos alimentares que envolvem a exploração animal dentro de um conceito distorcido de bonomia, enquanto que os orientais assumem a responsabilidade de seus atos em relação a isso. Eles não se esforçam para tentar provar que são justos com os animais quando os matam.
Ou seja, há orientais que nos parecem bárbaros nos aspectos da exploração animal porque eles não têm vergonha de assumir o que fazem, enquanto que os ocidentais preferem delegar responsabilidades, tentando isentar-se de culpa. Não admitimos que digam que tratamos os animais com crueldade, porque nós enquanto ocidentais nos consideramos mais civilizados do que os outros, quando a verdade é que rejeitamos o fato de que tudo que os animais sofrem perpassa pela nossa responsabilidade.
Temos culpa em relação ao que outras espécies sofrem, mas nos consideramos melhores por não realizarmos festivais sangrentos a céu aberto, por não incentivarmos o abate ritual. Isso faz de nós melhores? Culturalmente falando estamos imersos em um contexto onde a morte é sempre justificável quando não somos nós que matamos embora pagamos.
A respeito do meu artigo sobre as afirmações de Drauzio Varella
A respeito do meu artigo sobre as afirmações do médico Drauzio Varella, defensor do consumo de carne, tem pessoas dizendo que veganismo não é pela saúde, mas sim pelos animais. Claro que isso é verdade. Porém, esse meu artigo em específico não é sobre veganismo, é sobre alimentação vegetariana, até porque não se rebate afirmações de um médico com informações sobre direitos animais. Acredito que cada coisa é uma coisa.
Direitos animais e veganismo devem ser abordados e discutidos quando os argumentos se voltam para isso, mas não quando são direcionados a outras questões. Se o Drauzio fala que não há nenhum estudo que prova que o consumo de carne faz mal, o correto é contrapor o que ele disse se valendo da mesma seara – ou seja, da medicina.
Falar em direitos animais tentando rebater o que ele disse, não ajudaria na minha opinião – porque o público dele é de pessoas que buscam informações sobre saúde e qualidade de vida, não sobre direitos animais. Na realidade, ir por esse caminho só reforçaria o discurso dele, de que não se tem argumentos para rebater o que ele disse fora do que ele chama de “campo ideológico”.
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Médico e pesquisador discorda da afirmação de que o ser humano não teria evoluído sem o consumo de carne
“O problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo”

Shivam Joshi afirma que há mitos sobre o ser humano da era paleolítica
Quando se fala em consumo de carne, os defensores sempre alegam que o ser humano jamais teria evoluído se não fosse pela ingestão de carne. Alguns dizem inclusive que nossas capacidades neurológicas não seriam as mesmas sem esse hábito de nossos antepassados. Porém, há quem discorde e se empenhe em provar como essa linha de raciocínio é equivocada.
Um exemplo é o médico estadunidense e pesquisador Shivam Joshi, doutor em nefrologia, que está escrevendo um livro sobre os efeitos do consumo de carne na saúde humana e sua associação com pressão alta, doenças cardíacas, câncer, diabetes e acidente vascular cerebral (AVC).
Na obra, ele aborda também importantes aspectos da evolução humana, entre os quais o possível equívoco de quem acredita que jamais teríamos evoluído sem o consumo de carne. “Durante a evolução, humanos e seus ancestrais comeram carne, e algumas pessoas têm usado esse precedente histórico como evidência para legitimar o consumo de carne. A ideia tem sido popularizada em muitas dietas baseadas em gorduras, incluindo a notável dieta paleo”, conta.
E defensores dessas dietas costumam alegar que como os nossos ancestrais paleolíticos tinham um estilo de vida natural, isso significa que deveríamos seguir seu exemplo, já que comer carne era uma prática usual no período paleolítico. “Desde que comemos carne, devemos comer carne, segundo eles”, declara Joshi.
Porém, há lacunas nesse tipo de teoria que tenta simplificar a realidade humana da época ao defender que estamos apenas fazendo algo lógico ao seguir os supostos passos de nossos ancestrais. Para o médico, o primeiro problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo.
“Como nossos predecessores deixaram a África, eles provavelmente encontraram diferentes climas e terrenos, cada um oferecendo recursos diferentes para os homininos [subtribo de primatas que teve os humanos como únicos sobreviventes] durante a evolução”, enfatiza o médico.
Joshi se baseia no fato de que antropólogos descobriram que havia os mais diferentes tipos de dietas no período paleolítico, e a carne foi introduzida em parte dessas dietas, sem que fosse encarada como essencial ou mesmo um modelo a ser seguido.

“Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo” (Arte: Reprodução)
“Alguns podem ter consumido carne, enquanto outros consumiram frutas, tubérculos. Os homininos mais evoluídos comiam o que estivesse disponível. Comer para sobreviver é diferente de jantar pensando em saúde em longo prazo. A diferença pode ser percebida quando arriscamos a saúde em longo prazo em benefício da saúde em curto prazo”, analisa.
Para ilustrar a ideia de que o ser humano não consumia carne por opção ou prazer, Joshi conta uma história hipotética em que alguém é mantido preso dentro de uma loja de doces, sem possibilidade de fuga. Nesse caso, a pessoa seria obrigada a aceitar suas reduzidas opções para sobreviver.
“Se a sua sobrevivência dependesse disso, e assumindo que não havia mais nada para comer, você comeria doces, apesar de todo o açúcar que pode aumentar o risco de diabetes. Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo”, pondera.
O ser humano foi obrigado a se adaptar à sua realidade, levando em conta mudanças nos padrões climáticos e biomas, especialmente quando deixou a África, observa Shivam Joshi. “Fontes de alimentos teriam mudado e forçado os homininos a comer o que encontravam pela frente. Em algumas situações, teria sido carne. Em outras, grãos ou tubérculos. Claro, nossos ancestrais não tinham ideia de quais efeitos essa alimentação teria em longo prazo”, frisa.
A única necessidade humana da época era a sobrevivência; fazer o que está ao seu alcance para evitar a fome – o que poderia se tornar um grande problema dependendo do surgimento de doenças, exploração indiscriminada de uma área e até mesmo mudança de clima.
“Encontrar alimentos não era fácil como agora. Se eles tivessem encontrado doces na savana, teriam consumido também. A falta de dependência de qualquer comida específica é provavelmente a razão pela qual não há adaptações específicas a nenhum desses alimentos, incluindo a carne”, pontua o pesquisador, lembrando que os seres humanos vêm de uma linhagem de 40 milhões de anos.
De acordo com Joshi, quando comparamos o nosso trato digestivo com o dos chimpanzés, encontramos similaridades que jamais teremos com animais naturalmente carnívoros, como tigres. A morfologia dental e intestinal dos seres humanos assemelha-se mais a dos primatas do que dos grandes felinos, o que é uma razão pela qual o médico crê que o consumo de carne pode não fazer bem aos seres humanos.

“Os seres humanos têm herbívoros como ancestrais” (Foto: Arquivo Pessoal)
Uma questão preocupante hoje em dia, de acordo com Shivam Joshi, é que muitas dietas que preconizam o consumo de carne o colocam como uma tábua de salvação para pessoas que já sofrem de problemas de saúde ou buscam resultados estéticos. “Se um organismo faz algo fora do comum, podemos encontrar consequências perigosas desse comportamento”, comenta.
Referências
http://www.huffingtonpost.com/entry/evolved-to-eat-meat-maybe-not_us_58bc7e4be4b02eac8876d020
Uma pessoa pode defender o “abate humanitário”…
Na nossa sociedade, uma pessoa pode defender o “abate humanitário”, ou alegar “que nem todos os animais sofrem diante da morte”, mas é preciso entender algo essencialmente importante. Enquanto os animais não humanos forem vistos como produtos, sempre vai existir pessoas e indústrias baseadas na exploração animal tentando reduzir despesas e ampliar os lucros o máximo possível.
Se para isso for necessário que o animal sofra ainda mais, pode acreditar que, em menor ou maior proporção, sempre teremos pessoas que lucram com esse mercado que não pensarão duas vezes antes de seguirem por esse caminho. Até porque os métodos mais cruéis de abate, e que não são tão incomuns como muita gente tenta crer, são aqueles que requerem menos despesas para o ser humano e grandes prejuízos aos seres reduzidos à comida.
Afinal, os animais não humanos são os que realmente sofrem em decorrência de hábitos baseados no consumo de alimentos de origem animal. Outro fato a se considerar é que se há animais vivendo em situação degradante é porque sempre há pessoas dispostas a comprar o resultado dessa exploração. Afinal, sabemos que para a maioria pouco importa realmente a origem de qualquer alimento, se houve privação ou sofrimento, desde que este alimento possa proporcionar algum tipo de prazer, por mais efêmero que seja.
Sendo assim, a forma mais eficaz de não contribuir com isso é se abster de consumir alimentos e outros produtos de origem animal. Afinal, não podemos desconsiderar que em algum nível toda exploração envolve algum tipo de privação. Além disso, como não considerar todo abate como cruel se o animal sempre morre no final?
Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la
Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la, e, na minha opinião, isso por si só já é mais que suficiente. Quem come carne, e não abre mão, diz que é importante fonte de proteína, que é gostosa e que faz bem. Ou seja, são argumentos que, independente da veracidade, se voltam mais para a individualidade.
Já os argumentos para não comer carne são: não temos o direito de matar para beneficiar o nosso paladar e não precisamos de carne para sobreviver. A simples e maior prova disso é a existência de vegetarianos e veganos. Além disso, há muitas pesquisas que apontam que a produção de alimentos de origem animal não é sustentável.
Sugestões de leitura:
https://www.theguardian.com/sustainable-business/2017/jan/03/challenges-sustainable-food-2017-organic-farming
https://woods.stanford.edu/environmental-venture-projects/consequences-increased-global-meat-consumption-global-environment
Reflexões sobre o consumo de carne e a musculação

R$ 15 a R$ 20, esse é o valor que atribuímos ao quilo do coração de um animal (Foto: Reprodução)
Nenhum animal precisa morrer para que qualquer pessoa tenha resultados com a musculação. Acredito verdadeiramente nisso. Hoje em dia, se eu consumisse carne, por exemplo, eu logo associaria a ideia de que qualquer resultado conquistado teria custado a vida de muitos seres vivos.
Nesse meio, sempre vejo pessoas falando que compram caixas de filé de frango, e comem inclusive sem querer, ou até mesmo passando mal, porque veem a carne daquele pobre animal como essencial fonte de proteína para o ganho de massa muscular.
Ou seja, come-se até pelo desprazer, preocupando-se basicamente com resultados estéticos. Se eu fizesse isso hoje, logo perguntaria a mim mesmo, quantos animais mortos estou comendo por mês? Enquanto eu viso parecer melhor, aos animais é relegado o pior.
Ontem, conversando com um amigo na academia, falávamos sobre corações de frango. Um quilo de coração de frango significa muitos corações. Vende-se uma grande quantidade desse órgão, responsável pelo percurso do sangue bombeado através de todo o organismo do animal, por preços que variam de R$ 15 a R$ 20.
Esse é o valor que atribuímos ao coração de um animal que muita gente gosta de comer com limão. Não sei quantos corações pesam um quilo, mas duvido muito que um coração custe mais de 20, 30 centavos. Não consigo pensar em como isso pode não ser triste.
Exploração animal, consumo de carne e fome mundial

Investe-se tanto no peso de animais inocentes que serão sacrificados. Ao mesmo tempo, investe-se nada naqueles que estão esfomeados (Fotos: Reprodução)
O mundo atualmente conta com mais de 1,5 bilhão de bovinos e pouco mais de sete bilhões de pessoas. Os seres humanos consomem 9,5 bilhões de quilos de comida e 20 bilhões de litros de água por dia. Por outro lado, o gado é alimentado com 61 bilhões de quilos de comida e 170 bilhões de litros de água por dia, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Ou seja, temos animais criados simplesmente para serem mortos e transformados em carne para pessoas que têm condições de pagar por ela. Claro, muitos não têm, já que o mundo soma mais de um bilhão de pessoas passando fome diariamente. Isso é absurdo e surreal. Gasta-se seis vezes mais para alimentar bovinos, quando poderíamos estudar e viabilizar uma alternativa para destinar comida de origem vegetal para sanar a fome do mundo.
Claro que muitos alegarão que ninguém tem obrigação de fazer nada em relação a isso, mas se há condições de fazer o bem, por que não fazer? Por que não investir na vida em vez de investir na morte? Que tipo de mensagem a humanidade transmite quando mata bilhões de animais por ano, e simplesmente para consumo? Além do mal que causamos aos animais não humanos, ainda desconsideramos a fome mundial, porque é isso que a produção e o consumo de carne privilegiam, uma aberrante desigualdade social, já que não se trata de algo justo nem aceitável. Acredito que quando comemos carne também estamos virando as costas para a miséria que assola o mundo e ajudando a perpetuar um sistema que incentiva mais a morte do que a vida.
Al Gore e a verdade velada sobre o aquecimento global
![September 23 2009, New York City Politician Al Gore at the Clinton Global Initiative on September 23 2009 in New York City (Newscom TagID: zumasharkworld042556) [Photo via Newscom]](http://davidarioch.com/wp-content/uploads/2016/06/algore.jpg)
Al Gore não quis falar sobre a pecuária, principal responsável pelo aquecimento global (Foto: Newscom)
A única coisa que percebi foi ele tentando fazer pessoas comuns sentirem-se os principais culpados pelos problemas no meio ambiente, sem nem mesmo citar o impacto ambiental da agropecuária.
E o profissional que fez a pesquisa para o Al Gore revelou anos mais tarde que ele não queria citar a pecuária, alegando que seria “informação demais” para o público. É triste ver tantas pessoas sendo manipuladas dessa maneira para fins de politicagem.
E no mesmo caminho segue muitas celebridades, inclusive de Hollywood, falando sobre racionamento doméstico de água, entre outras coisas que pouco contribuem para uma real transformação. Ou seja, vamos continuar fazendo pouca diferença enquanto quem realmente compromete o meio ambiente não for responsabilizado por essas práticas.
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Consumo de carne pode se tornar insustentável até 2050
De acordo com um relatório apresentado na Conferência Anual sobre Água, em Estocolmo, na Suécia, a escassez de alimentos será o motivo pelo qual o mundo terá que renunciar à carne até 2050.
Os especialistas afirmam que os produtos de origem animal consomem de 5 a 10 vezes mais água do que os vegetais e, por volta da metade deste século, não haverá água suficiente para alimentar nove bilhões de pessoas que habitarão o planeta.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), são necessários 1,5 mil litros de água para gerar um quilo de grãos, e dez vezes essa quantidade para produzir um quilo de carne.
Referência
FAO, World Agriculture Towards 2030/2050: The 2012 Revision.


