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Unlikely Friendships

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Um contraste que faz refletir (Foto: Jennifer S. Holland)

Um contraste que faz refletir (Foto: Jennifer S. Holland)

Imagem do livro “Unlikely Friendships”, da jornalista Jennifer S. Holland, da National Geographic, que aborda a capacidade dos animais de cultivarem “amizades improváveis”. Em um mundo cada vez mais intolerante é algo que realmente faz refletir.

Acesse: unlikelyfriendshipsbook.tumblr.com

Written by David Arioch

January 18th, 2016 at 10:20 pm

27% dos jovens atletas paranaenses sofrem de síndrome de burnout

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Rafael Octaviano explica que hoje em dia os jovens precisam de preparo psicológico para não abandonarem o esporte  

Rafael Octaviano: "Eu não tinha ideia dessa profundidade, de que temos mais do que o dobro de casos no Paraná do que na Suécia" (Foto: Amauri Martineli)

Rafael Octaviano: “Eu não tinha ideia dessa profundidade, de que temos mais do que o dobro de casos no Paraná do que na Suécia” (Foto: Amauri Martineli)

No final de abril, o professor universitário paranavaiense Rafael Octaviano de Souza, mestre em exercício físico na promoção da saúde pela Universidade Norte do Paraná (Unopar), lançou o livro “Burnout – Atletas Jovens”, escrito em parceria com o pesquisador Dartagnan Guedes, pós-doutorado em condição física e saúde pela Universidade Técnica de Lisboa.

A obra produzida para auxiliar profissionais das áreas de esporte e saúde traz muitos dados importantes. Um deles é a descoberta de que 27% dos jovens atletas do Paraná têm grandes chances de abandonarem o esporte. Do total, 5% sofrem de burnout elevado e 22% de burnout moderado. “Eu não tinha ideia dessa profundidade, de que temos mais do que o dobro de casos no Paraná do que na Suécia, por exemplo”, diz Rafael Octaviano, acrescentando que embora a identificação da síndrome tenha sido feita nos Estados Unidos nos anos 1970 o problema ainda é pouco conhecido e discutido no Brasil.

Definido como um estresse ocupacional crônico, o burnout é causado por exaustão física e emocional, redução do senso de realização e desvalorização. Nos jovens, um agravante são as cobranças da família, amigos e treinadores. “Muitas vezes a criança começa a treinar cedo por imposição do pai que praticou um esporte e quer que o filho siga o mesmo caminho. Com o tempo, perde-se o interesse pela atividade porque vira uma obrigação, sem direito de escolha”, explica Souza.

A síndrome atinge principalmente os praticantes de esportes individuais. O fato de treinar sozinho e sem apoio faz com que muitos jovens se sintam derrotados antes das competições. Outro fato revelador apresentado no livro é que as mulheres são mais suscetíveis ao burnout do que os homens. “O apoio social para as atletas é bem menor. É comum o marido, namorado e pai as criticarem”, conta o autor.

Hoje em dia, muita gente ainda relaciona o burnout ao chamado overtraining, ou seja, excesso de treinamento, o que é um grande erro, já que a síndrome atinge atletas que estão seguindo uma rotina de menor duração. “Os maiores exemplos são os jovens que estão perdendo o interesse e abandonando o esporte aos poucos”, comenta Rafael Octaviano.

"Com o tempo, perde-se o interesse pela atividade porque vira uma obrigação, sem direito de escolha" (Foto: Amauri Martineli)

“Com o tempo, perde-se o interesse pela atividade porque vira uma obrigação, sem direito de escolha” (Foto: Amauri Martineli)

No entanto, a síndrome não deve ser confundida com dropout que é o abandono da atividade em decorrência de fatores como mudança de cidade, escola, trabalho e lesões. Como o burnout tem características mais específicas, a manifestação do problema pode surgir de diversas formas. “Um jovem que até então gostava de treinar e de repente começa a priorizar banalidades como as baladas e as festas com os amigos pode estar com a síndrome. Neste caso, a recomendação é que o diagnóstico seja feito por psicólogos e psiquiatras”, alerta Souza.

Para evitar o burnout em atletas, é preciso uma reorganização social do esporte. É necessário ponderar que na infância todo mundo deve ter a oportunidade de experimentar várias atividades. “O que vemos hoje é o oposto. Há muita pressão sobre atletas jovens. Temos crianças com cinco a seis anos que já tem a vida esportiva traçada”, destaca. Como consequência, há um grande incentivo ao treinamento físico, técnico e tático, mas em contraponto há pouco investimento em preparo psicológico.

O assunto ainda é muito polêmico e pouco discutido na literatura esportiva brasileira, o que justifica porque 70% das referências do livro “Burnout – Atletas Jovens” são da literatura internacional. Para a produção do livro, Rafael de Souza e Dartagnan Guedes se aprofundaram nas obras dos maiores estudiosos do assunto. Ou seja, os estadunidenses Herbert Freudenberger, Christina Maslach, Susan E. Jackson, Alan L. Smith e Thomas D. Raedeke.

Para entender melhor como o distúrbio afeta os atletas paranaenses, Souza e Guedes realizaram pesquisas com 1217 jovens. Coletaram muitos dados por meio do Questionário de Burnout em Atletas (QBA), basicamente um questionário de autorrelato em que os participantes respondem 15 questões. “Cada atleta respondeu cinco perguntas sobre cada sintoma”, declara Rafael Octaviano. A dupla também trabalhou com variáveis envolvendo tipos de treinamento, intensidade, idade, sexo, modalidade esportiva e nível de competição. “Essa foi a relação que usamos para identificar o que causa o burnout, mas não tenho dúvidas de que precisamos evoluir muito”, enfatiza.

Os autores comemoram o fato de que a obra está sendo vista como nova referência para pesquisadores brasileiros e estrangeiros que estudam a síndrome. “O nosso trabalho não tem fins de diagnóstico. É mais para servir de assessoria. Agora esperamos que apareçam novas pesquisas sobre burnout em atletas jovens de outros estados do Brasil”, frisa Souza.

Livro foi produzido para auxiliar profissionais das áreas de esporte e saúde (Imagem: Reprodução)

Livro foi produzido para auxiliar profissionais das áreas de esporte e saúde (Imagem: Reprodução)

O projeto gráfico do livro “Burnout – Atletas Jovens” foi criado por Ronaldo Frutuozo e a capa pela Icon Comunicação. “Praticamente tudo foi feito por profissionais de Paranavaí. Apenas o imprimimos na Midiograf de Londrina. Agora estamos comercializando o livro na Banca do Wiegando, Banca Tanaka, Academia Beko, Panificadora Pão de Ouro e em alguns outros pontos por R$ 25”, revela Rafael Octaviano que já está ministrando palestras sobre o tema. Para entrar em contato com o autor, ligue para (44) 9954-8107.

Burnout pode se tornar depressão

Quem sofre de síndrome de burnout precisa procurar ajuda o quanto antes. Do contrário, o distúrbio pode se tornar uma depressão. “Quem tem burnout ainda consegue levar uma vida normal quando se afasta da atividade pela qual não se interessa mais. Em caso de depressão, a realidade é mais alarmante”, garante Rafael Octaviano de Souza, autor do livro “Burnout – Atletas Jovens”, escrito em parceria com Dartagnan Guedes.

Para entender as implicações da síndrome e preveni-la, o primeiro passo é a conscientização. Entretanto, o problema não é facilmente identificado porque exige que os profissionais que estudam ou lidam com o burnout trabalhem com algumas variáveis psicológicas. “É importa avaliar os níveis de perfeccionismo, ansiedade, motivação e autoeficácia de cada pessoa. O assunto exige aprofundamento, tanto que até quem é da área de fisiologia do exercício está buscando referências em burnout. Eles querem saber como essas condições psicológicas podem afetar o aspecto fisiológico”, afirma Souza.

As pesquisas sobre o tema também levantam questões sociais bem pertinentes. Uma delas é sobre o velho ditado de que o esporte tira os jovens das ruas. “Será que tira mesmo? Ou quem vem para o esporte institucionalizado não é alguém que já o praticava? Estudando sobre a realidade dos jovens atletas do Paraná, percebemos que a oportunidade normalmente é dada para quem já está envolvido nesse meio”, reclama Rafael Octaviano.

Síndrome foi descoberta pelo psicólogo Herbert Freudenberger

A síndrome de burnout foi descoberta na década de 1970 pelo psicólogo Herbert Freudenberger. À época, o pesquisador trabalhava com pessoas que ajudavam usuários de drogas. “Os participantes começaram a se despersonalizar. Não conseguiam se sensibilizar com os dependentes químicos e abandonaram o trabalho social, o que chamou a atenção de Freudenberger”, relata o professor universitário Rafael Octaviano de Souza, mestre em exercício físico na promoção da saúde.

Na sequência, o maior trabalho de destaque foi o da pesquisadora Christina Maslach que estudou o distúrbio no contexto laboral. Inclusive foi quem descobriu que o burnout deve ser avaliado a partir de diagnósticos sobre exaustão emocional, redução do senso de realização pessoal e despersonalização. “No esporte, o assunto começou a ser pesquisado só na década de 1990”, ressalta Souza.

Saiba Mais

O livro “Burnout – Atletas Jovens” é resultado da dissertação de mestrado profissional concluída no ano passado por Rafael Octaviano de Souza, sob orientação de Dartagnan Guedes. O trabalho teve duração de dois anos.

Um criminoso à moda antiga

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Flávio Frederico conta a história do paranaense que comandou a Boca do Lixo

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Daniel de Oliveira em uma de suas melhores atuações (Foto: Reprodução)

Lançado em 2010, o filme Boca do Lixo, do cineasta Flávio Frederico, autor dos documentários Caparaó e Serra, de 2007 e 2003, conta a história do paranaense Hiroito de Moraes Joanides, o maior criminoso da Boca do Lixo. O filme segue uma ordem cronológica de eventos. Tem início na infância de Hiroito, mostrando de que forma o garoto desenvolveu um vínculo com a Boca do Lixo, no bairro da Luz, em São Paulo.

No início da juventude, o herdeiro dos Joanides já demonstrava desinteresse por uma vida normal. Preferia viver em prostíbulos, bebendo e tentando impor a ordem ao seu modo. Hiroito nunca aceitou a monogamia, e amava tanto as mulheres quanto os livros, a quem dedicava boa parte do dia.

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Hiroito vivia como um rei de perspectiva limitada (Fotos: Reprodução)

Tinha facilidade em conquistar parcerias, mas também em desfazê-las; tudo por causa da personalidade volátil que se agravou com o tempo. O rei da Boca do Lixo, como ficou conhecido, chegou a assassinar o melhor amigo quando soube que o rapaz lhe furtou uma parte dos ganhos com a prostituição e comércio de entorpecentes.

Hiroito vivia como um rei, mas de perspectiva limitada. Acreditava que por ter um delegado de polícia como cúmplice jamais seria imputado por qualquer crime. Um grande engano. A megalomania fez com que chamasse muita atenção em todo o país, inclusive tendo de retornar por um curto período para o Paraná.

Mais tarde, de volta a São Paulo, o jovem Joanides se recusa a crer na transformação da Boca do Lixo, e com apenas dois parceiros tenta retomar o comando do lugar. Além da belíssima fotografia, que parece remeter ao cinema noir, e da ação da trama, referenciada pelo gangster movie, o filme chama atenção pelo realismo e fidedignidade à obra homônima, escrita pelo próprio Hiroito.

Outro destaque é o elenco formado por Milhem Cortez, Hermila Guedes, Leandra Leal e Daniel de Oliveira que mergulha na personalidade do culto mafioso. Quem assina a inconfundível trilha sonora da obra é o produtor musical e compositor Eduardo Bid que também compôs para filmes como O Primeiro Dia, de Walter Salles Jr; Chega de Saudade e As Melhores Coisas do Mundo, de Lais Bodanzky; e Estamos Juntos, de Toni Venturi.

Curiosidade

No filme, Daniel de Oliveira teve de usar um afastador para simular orelhas de abano, além de prótese no queixo e lentes grossas que ressaltam não apenas os olhos, mas também a intrincada expressividade do personagem.

The Bang Bang Club, barbárie na África do Sul pós-Apartheid

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Livro e filme contam as experiências de quatro jovens em meio ao caos da Guerra Civil Africana

Filme se passa na África do Sul de 1990 a 1994 (Foto: Reprodução)

O filme The Bang Bang Club, do canadense Steven Silver e lançado em 2010, conta a trajetória de quatro jovens caucasianos: Greg Marinovich, João Silva, Ken Oosterbroek e Kevin Carter, fotógrafos criados nos bairros de classe média de Joanesburgo, na África do Sul, que trabalhavam para o jornal The Star. Entre os anos de 1990 e 1994, registraram muitos momentos profundos e simbólicos da guerra civil que custou a vida de milhares de membros do Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela, e do grupo separatista de origem zulu Inkatha, formado por moradores da área rural. A história se desenrola em paralelo a um dos momentos mais importantes da política sul-africana, quando um referendo nacional estabelece o fim do Apartheid e oferece a toda a população a oportunidade de votar.

Em 2004, li o livro The Bang Bang Club que desperta questionamentos e reflexões existenciais sobre a banalização da vida, crueldade e barbárie com as quais o ser humano é capaz de conviver como se fosse algo tão natural quanto tomar um copo d’água. O filme homônimo também é pesado, agressivo e carregado de uma carga psicológica tão extenuante que reflete a própria condição da realidade sul-africana da época, transmitida com esmero estético por uma direção de fotografia que privilegia a perspectiva panorâmica dos fotógrafos em ação. A obra levanta questões que até hoje são discutidas em todo o mundo, quando se trata de fotografia de guerra ou testemunhal.

O verdadeiro Clube do Bangue Bangue (Foto: Reprodução)

Até que ponto um fotógrafo deve ou não interferir no cenário? Tanto no livro quanto no filme, Kevin Carter, um dos vencedores do Prêmio Pulitzer, um dos mais importantes do jornalismo mundial, é questionado muitas vezes. Perguntam-lhe por que não salvou a garotinha que estava sendo espreitada por um abutre na área rural do Sudão. Carter não sabia o que dizer, ficava confuso, e tantos questionamentos o afetaram de tal maneira que em 1994 cometeu suicídio dentro do próprio carro. Inalou através de uma mangueira a fumaça que saía do escapamento, chegando ao interior de automóvel com os vidros fechados. O homem que teve sua foto estampada na capa do New York Times morreu pobre e endividado.

Imagem que garantiu a Kevin Carter o Prêmio Pulitzer

Já Ken Oosterbroek foi morto a tiros pelo próprio exército sul-africano durante um conflito armado em que a turma do Clube do Bangue Bangue saiu para registrar uma incursão. Marinovich foi alvejado no mesmo episódio, mas sobreviveu. Greg também ganhou o Prêmio Pulitzer pela autoria de uma foto em que um suposto Inkatha é espancado, depois o banham em álcool e ateiam fogo com um palito de fósforo.

Enquanto o homem corre desesperadamente em chamas, e com o sol ao fundo, tornando a cena mais vívida, um membro do CNA vai até ele e desfere-lhe um golpe de facão. Greg Marinovich registrou o momento preciso, como diria o mestre Henri Cartier-Bresson. Porém, antes disso, o fotógrafo interpelou um dos agressores: “Como você sabe que ele é um Inkatha?” O homem respondeu: “Não sabemos, mas aqui fica uma lição aos outros.” Tal frase é mais que uma simbologia do caos vivido na África do Sul até 1994. Era mais importante surpreender o inimigo mostrando-lhe do que era capaz, mesmo que isso custasse a vida de um não-membro.

Foto premiada de Greg Marinovich

O filme é bom e fiel ao livro, mas a profundidade do original impresso é ainda mais reflexiva. Alguns momentos não foram para as telas, até porque a riqueza de detalhes de João Silva e Greg Marinovich demandaria uma série, não apenas um filme. Uma prática muito comum citada no livro é o necklace que não aparece na adaptação para cinema. O agressor selecionava a vitima, colocava em seu pescoço um pneu com as bordas embebidas em álcool e ateava fogo. Ainda me recordo também que a guerra entre os Inkatha e a CNA custou a vida até mesmo de bebês, mortos de forma extremamente violenta.

Em suma, fica claro que os maiores “vitoriosos” da guerra civil sul-africana foram os africâneres, principalmente os bôeres, que colocaram os nativos africanos para matarem uns aos outros, o que era bem quisto pelos segregacionistas, racistas brancos e dominantes que sempre representaram a minoria continental. The Bang Bang Club  e War Photographer – que conta com exímio realismo a história de um dos maiores fotógrafos de guerra do mundo, James Nachtwey (que inclusive tem uma curta participação no livro e no filme The Bang Bang Club), são duas recomendações para quem gosta do tema fotografia de guerra.

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Hermann Hesse se correspondia com mais de seis mil leitores

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Hermann Hesse preferia se comunicar por cartas (Foto: Reprodução)

Embora ostracista, o escritor alemão Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1946, se correspondia com pessoas do mundo todo. Às vezes, mais de 1/3 do seu dia era dedicado a responder cartas. Ao longo da vida, recebeu mais de 20 mil correspondências de mais de seis mil remetentes de 100 países, segundo o Arquivo Suíço de Literatura. Todas foram respondidas por Hesse que curiosamente não gostava de visitas. O escritor é famoso por obras que se tornaram clássicos da literatura mundial, como “Demian”, “Sidarta”, “O Lobo da Estepe”, “Narciso e Goldmund” e “O Jogo das Contas de Vidro”.

Written by David Arioch

November 11th, 2012 at 11:52 am

Histórias de Paranavaí eram publicadas em revista alemã

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Frei Ulrico Goevert começou a escrever para a Karmmelstimmen em 1958

Adalbert Deckert quem sugeriu que Ulrico Goevert escrevesse sobre Paranavaí (Foto: Ordem do Carmo)

Em 1951, logo que chegou a Paranavaí, o frei alemão Ulrico Goevert teve a ideia de relatar em um diário todos os fatos que lhe chamavam a atenção. Foi assim até o final de 1957. Um ano depois, recebeu o convite para publicar as histórias uma vez por mês na revista alemã Karmelstimmen.

Sobre a necessidade de contar alguns dos fatos mais simples até os mais complexos da história local, o padre justificou que quando um acontecimento não é registrado por escrito em pouco tempo as pessoas esquecem ou criam outras versões. Frei Ulrico começou a escrever, quem sabe, visando a preservação histórica regional que independente de época sempre contribui para a formação da identidade de um povo.

A partir das publicações na revista alemã Karmelstimmen, de Bamberg, no Estado da Baviera, o padre queria mostrar aos leitores o quão extraordinária era a jovem Paranavaí que despontava em meio a mata virgem, onde pessoas de diversas etnias conviviam com animais silvestres; um lugar onde crianças balançavam sobre os cipós que adornavam as casas. Segundo frei Ulrico, a solidariedade da população o encantava e o motivava a se sentir mais brasileiro do que alemão.

“Quando uma criança come durante o recreio escolar, sempre oferece o pão à criança mais pobre e diz: Qué um pedaço? O trabalhador mais pobre também fica feliz em dar ao companheiro um pouco da sua sopa de feijão”, escreveu o padre para a Karmelstimmen em 1958. A sugestão para publicar textos sobre Paranavaí partiu do padre provincial Adalbert Deckert, superior de frei Ulrico em Bamberg.

Boa parte dos textos publicados na revista abordou também o trabalho dos padres carmelitas. “Cumpri com muito gosto a tarefa de descrever aos leitores como foi fundada a missão em Paranavaí, além das nossas alegrias”, disse Goevert. Quando o primeiro relato foi publicado, o vigário pediu aos leitores alemães que não fossem rigorosos com o seu estilo literário. Frei Ulrico acrescentou que nunca teve intenção de escrever livros ou artigos científicos.

Modesto, o padre qualificou os próprios textos como rabiscos, talvez pelo fato de tê-los concebido com bastante pessoalidade, incluindo muitos adjetivos e comentários. Ainda assim, é perceptível que essas características agregaram mais valor aos textos, os deixando leves, cômicos e recheados de envolventes contextualizações. “Quando escreveu para os alemães, frei Ulrico não teve a preocupação de fornecer certos detalhes ou citar nomes de pessoas”, revelou frei Wilmar Santin, responsável pela tradução dos artigos publicados na revista alemã.

População de Bamberg leu muitas histórias sobre Paranavaí em 1958 (Foto: Reprodução)

Em janeiro de 1992, durante a Festa de São Sebastião, a Ordem dos Carmelitas publicou o pequeno livro “Histórias e Memórias de Paranavaí” que reúne uma compilação de textos que Ulrico Goevert escreveu para a revista Karmelstimmen.

Para a publicação da obra, Wilmar Santin fez uma profunda pesquisa para a inclusão de notas de rodapé. “O livro não é só para homenagear o frei Ulrico, mas também manter viva parte da memória histórica do povo de Paranavaí e região. Povo sem passado é povo sem futuro”, enfatizou Santin.

Saiba Mais

Livro “Memórias e Histórias de Paranavaí” foi editado pela Livraria Nossa Senhora do Carmo.

Frei Adalbert Deckert chegou a Paranavaí no dia 10 de junho de 1955 para uma visita canônica e ficou aqui até o dia 14 de julho.

Bamberg, cidade de origem da revista para a qual frei Ulrico Goevert escrevia, é um município de 70 mil habitantes.

Escritor paranavaiense terá obra publicada pelo Governo do Paraná

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O livro “Viagens”, de Altair Cirilo dos Santos, será lançado até o final do ano

Altair Cirilo: “Há desde sonetos até poemas concretos”

Anualmente, a Secretaria de Estado da Cultura seleciona 40 livros de autores paranaenses a serem publicados. Este ano, um dos contemplados é o escritor Altair Cirilo dos Santos com a obra “Viagens” que reúne 50 poemas.

Altair Cirilo dos Santos conta que tudo começou no ano passado, quando recebeu apoio da Fundação Cultural para encaminhar sua obra a apreciação da Secretaria de Estado da Cultura. “Deu tudo certo e meu trabalho foi um dos escolhidos. Agradeço muito a Fundação Cultural porque sozinho seria muito difícil conseguir publicar esse livro”, explica.

Altair Cirilo reuniu vários trabalhos em um. A obra consiste em 50 poemas selecionados pelo próprio autor. “Há desde sonetos até poemas concretos. Tentei dar uma unidade ao trabalho, então peguei aqueles que foram premiados nos concursos que participei”, conta o escritor. A obra “Viagens” soma 75 páginas e deve ser publicada até o final deste ano.

Um apanhado do estilo literário de Santos nos mais diversos períodos da sua trajetória como escritor, o livro sintetiza reflexões políticas e rigor formal poético. “É preciso ter um pensamento sobre o que é poesia”, afirma Altair Cirilo que além de poeta também é cronista.

Conhecido por uma escrita heterogênea, o escritor passeia por diversas correntes literárias, influências que ele admite como referências para o surgimento de um estilo sólido e próprio de escrever. “Da prosa e da poesia posso citar Osman Lins, Rubem Fonseca, António Lobo Antunes, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Mário de Andrade e todos os outros modernistas”, exemplifica.

O interesse de Altair Cirilo pela literatura surgiu na escola, quando visitas regulares a biblioteca despertaram o interesse por contos. “Lembro quando li pela primeira vez ‘A Terra dos Meninos Pelados’, de Graciliano Ramos’”, enfatiza. O interesse pelos contos se deu pelo fato de serem histórias curtas, algo atrativo para crianças e adolescentes. “Desde então se passou muito tempo, já faz 30 anos que escrevo. Quando a gente lê bastante o interesse por escrever sempre aparece”, assinala.

Santos teve suas primeiras obras publicadas no início dos anos 90, a mais conhecida, segundo o próprio autor, é “Passarim, Passarão”, um livro infantil lançado em 2003 que teve o apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Fundação Cultural. Entre as outras obras estão “Viver Enquanto Amar”, de haicai até sonetos, “As Encruzilhadas”, “Por instantes lembrei de mim” e “Um conto, uma espada e uma sombra”.  “Três das minhas obras podem ser encontradas na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley”, revela Santos.

Altair Cirilo já participou de pelo menos 25 antologias

O escritor Altair Cirilo dos Santos tem poemas e contos publicados em pelo menos 25 antologias. Além disso, coleciona prêmios em concursos literários de todo o Brasil. “Minha primeira vitória foi em Brasília”, lembra sem esconder o sorriso nostálgico. Dentre as grandes conquistas, Altair cita o primeiro lugar na fase nacional da categoria poesia no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup) em 2005.

Diariamente, Santos escreve pelo menos um parágrafo. Tal hábito e amor pela literatura permitiu que ao longo dos anos reunisse grande volume de trabalhos inéditos. “Tenho muito material que ainda quero publicar, tanto poemas quanto contos. Penso também em escrever uma novela ou um romance”, declara. Altair Cirilo dos Santos é policial militar, escritor, graduado em letras e direito, além de membro da Academia de Letras e Artes de Paranavaí (A.L.A.P.)

Frase do escritor Altair Cirilo dos Santos

“Quem mexe com arte, sem apoio não é ninguém”

Paranavaí terá “Conversa Entre Amigos” em junho

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Programa literário visa estimular não apenas a leitura, mas também o senso crítico

Dia 11 de junho, às 18h, será realizado mais um encontro do programa de incentivo a leitura Conversa Entre Amigos na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley. O livro a ser discutido é “Terra Vermelha”, do escritor paranaense Domingos Pellegrini. O evento vai contar com a participação do deputado federal Marcelo Almeida, idealizador do programa.

O programa Conversa Entre Amigos é voluntário e gratuito, e visa facilitar o acesso às grandes obras da literatura brasileira e internacional, além de formar uma rede de grupos de discussão. Criado em Curitiba em fevereiro de 2004, o programa já conta com mais de 1,5 mil leitores cadastrados, divididos em grupos por todo o Paraná.

O Conversa Entre Amigos não impõe nenhuma restrição quanto a faixa etária, profissão, crença e origem. Inclusive tal diversidade contribui para o enriquecimento dos debates, segundo o deputado federal Marcelo Almeida, conhecido pelo trabalho que desenvolve em prol da cultura. Almeida é o responsável por disponibilizar gratuitamente livros aos grupos de leitura espalhados pelo Paraná.

Em Paranavaí, o primeiro encontro do programa Conversa Entre Amigos foi em março, quando houve discussão da obra “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini. Os encontros são realizados a cada dois meses na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley. “A escolha de cada livro é definida pelo próprio grupo. Atualmente, temos 56 pessoas participando do programa”, revela a assessora de projetos culturais da Fundação Cultural, Ivonete Almeida.

Programa foi criado em Curitiba há seis anos (Foto: Programa Conversa Entre Amigos)

O livro da vez, “Terra Vermelha”, a ser debatido às 18h do dia 11 de junho na Biblioteca Municipal, foi escrito por Domingos Pellegrini que conta a trajetória de um casal de migrantes durante a colonização do Norte do Paraná. A história de José e Tiana, no entanto, é apenas simbólica, pois o que Pellegrini faz com profundidade é traçar reflexões sobre temas atemporais da existência humana. Paixões, valores e conflitos servem de alicerce a obra que se tornou um clássico da literatura brasileira.

Entre os livros que o grupo de leitura do programa “Conversa Entre Amigos” de Paranavaí tem disponível para leitura e debate estão: “1808”, de Laurentino Gomes; “O Advogado”, de John Grisham”; “A Distância Entre Nós”; de Thrity Umrigar; “Um Doce Aroma de Morte”, de Guilhermo Arriaga; “A Eternidade e o Desejo”, de Inês Pedrosa; “O Filho Eterno” e “O Fotógrafo”, de “Cristovão Tezza; “O Guardião de Memórias”, de Kim Edwards; “Herdando uma Biblioteca”, de Miguel Sanches Neto; “O Livreiro de Cabul”, de Asne Seierstad; “A Menina que Roubava Livros”, de Markus Zuzak; “Os Meninos da Rua Paulo”, de Ferenc Mólnar; “Rota 66 – A História da Polícia que Mata”, de Caco Barcellos; “Sua Resposta Vale Um Bilhão”, de Vikas Swarup; e “Tocquevilleanas”, de Roberto da Matta.

Saiba Mais

Cada participante tem o prazo de um mês para ler o livro a ser debatido.  Os exemplares estão disponíveis na Fundação Cultural. Para mais informações, ligar para (44) 3902-1128