Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
Dagomir Marquezi: “[Hambúrguer] é uma mistura [de carnes], e o sentido da vida foi diluído numa massa ali”
“O caso mais chocante que eu acho é o do hambúrguer, porque você come um amontoado de carne moída que vem de vários animais, de vários bois, e você não sabe o que é exatamente. É uma mistura, e o sentido da vida foi diluído numa massa ali, e você não tem a consciência de que foi um animal, de que aquilo foi parte de um ser vivo; que foi parte de um ser vivo que tinha a sua vida, a sua dor.”
Jornalista Dagomir Marquezi em “A Carne é Fraca”, de 2005.
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“É um exercício de poder falarmos que os animais são simplesmente máquinas”
É um exercício de poder falarmos que os animais são simplesmente máquinas, que não pensam, que não têm raciocínio e assim por diante; que agem só por instinto, porque assim eu posso usá-los ao meu bel-prazer. Então o fato de não admitir essa dimensão chamada de mente e alma nos animais é o mesmo mecanismo de exercício de poder que se usava em relação aos escravos na época de escravatura aqui no Brasil, que faz pouco mais de cem anos. Como é que o clero e outras instituições religiosas conviviam com isso? Afirmando que os escravos não tinham alma. Era uma estratégia de exercício de poder.
Irvenia Prada, então professora titular de anatomia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, no documentário “A Carne é Fraca”, de 2005.
Um exemplo de como animais reduzidos a alimentos são sensíveis, e nada têm de amorfos, é a arte “The Price” do artista estadunidense “Jackson Thilenius”. A obra é inspirada na realidade dos porcos que vivem em regime de confinamento. Distantes de uma vida natural e diante de muito estresse e outros transtornos psicológicos e emocionais, eles enlouquecem e acabam por matar os próprios companheiros. Infelizmente, essa é uma consequência da suinocultura intensiva visando a produção de bacon, lombo, presunto, pernil, picanha e costela, entre outros chamados produtos que as pessoas consomem no cotidiano.
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A angústia do boi a caminho do abate

“A parte mais estressante são os últimos minutos dele, porque ele vê o amigo dele caindo, escuta o mugido”
O processo de abate começa na fazenda, na hora que o pecuarista separa o lote dele para o frigorífico. Daí já começa o manejo para o abate. [Quando chegam ao matadouro o desespero dos bovinos é tão grande que eles se prensam na saída da carroceria do caminhão]. Na hora do abate, eles são tocados. Quanto menos usar choque nessa hora, menos prejudicial [bois sendo eletrocutados e mugindo]. A parte mais estressante são os últimos minutos dele, porque ele vê o amigo dele caindo, escuta o mugido.
Mesmo estando confinado em um lugar muito apertado, que tem gente em cima, pra mim, aquela parte é a mais angustiante. [Nesse momento o boi reconhece que algo de muito ruim está acontecendo com o seu amigo e então ele recua, tentando fugir]. Aquela angústia dele na rampa, nos últimos minutos, me marcou até hoje. Não olho nem pro osso deles.
É chamado de pistola pneumática o equipamento que a gente usa para insensibilizar. Tem um êmbolo mais ou menos da grossura do meu dedo. Na hora que o operador aperta o gatilho, esse êmbolo sai, lógico que entra na cabeça e volta. E daí dá aquele abalo no cérebro e faz ele ficar insensível. Daí cai na praia de vômito, é içado e depois de um minuto no máximo ele tem que ser sangrado porque senão ele acaba morrendo. Então ele tem que estar com a circulação funcionando para sangrar e escoar o máximo de sangue. Daí já pode fazer todas as operações – esfola, abertura da barriga, evisceração, serragem.
Muitos deles, a quase totalidade deles, quando já percebe o que está acontecendo com os outros lá na frente, eles entram em midríase, ou seja, eles ficam com a pupila dilatada. Então esses animais com certeza estão com taquicardia, com aumento de pressão arterial.
E nessa hora eles descarregam na circulação uma série de substâncias altamente tóxicas por medo, por pavor, por impossibilidade de fuga. E isso caracteriza o fato deles estarem em pânico. E essas substâncias, elas ficam na carne, e depois o homem vai se alimentar com isso. Seja a morte deles em um desses frigoríficos modelo ou em um matadouro comum.
Giovana Mondelli, responsável pelo controle de qualidade do Frigorífico Mondelli.
Irvenia Prada, professora titular em anatomia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.
Fernando Travi – psicólogo e higienista
Excertos do documentário “A Carne é Fraca”, lançado pelo Instituto Nina Rosa em 2005.
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“Você acha que as pessoas são ruins por se alimentarem de animais?”
Não. O consumo de alimentos de origem animal é cultural, então creio que as pessoas se apeguem a três fatores – costume, paladar e saúde. Sabemos que o terceiro é mais facilmente refutado, já que há tantos vegetarianos e veganos saudáveis pelo mundo afora. Porém a questão de costume e paladar é mais delicada, porque muitas pessoas os veem inclusive como indissociáveis.
Eu, assim como muita gente, cresci me alimentando de animais por um fator cultural baseado no costume. E quando esse fator está tão enraizado na cultura de alguém não é tão fácil enxergar o que realmente existe por trás do que consumimos. Também não é tão simples convencer todo mundo a abandonar esse hábito que muitas vezes representa inclusive todas as refeições que uma pessoa consome ao longo do dia. Há pessoas que tomam leite ou comem queijo no café da manhã, comem carne no almoço, e assim por diante.
É basicamente um dia todo consumindo animais. Fora que as pessoas passam uma vida toda sendo bombardeadas com informações que as convençam de que os alimentos de origem animal devem ser consumidos diariamente. Há uma indústria que te impele a isso; além de escolas, universidades, profissionais de saúde, e toda uma cultura comercial que absorve essa produção surreal que custa a vida de bilhões de animais a cada ano, isso para citar somente os terrestres. Olhe à sua volta e veja quantos estabelecimentos em um raio de quilômetros você pode citar que vendem animais reduzidos a produtos. Neste momento penso em mercados, empórios, bares, lanchonetes, restaurantes, etc.
Claro, muitas pessoas, principalmente adultos, sabem que estão se alimentando de um animal que foi morto, ou de algo que foi retirado dele em regime de privação ou sofrimento. No entanto, saber, enxergar e entender não são a mesma coisa. Uma pessoa pode testemunhar a morte de um animal, mas isso não significa que ela tenha uma real dimensão do que aquilo representa de fato; porque isso depende do seu nível de cognição em relação ao que foi visto e o que aquilo é capaz de despertar nela.
Também é preciso considerar o fato de que hábitos alimentares podem se tornar vícios mesmo que as pessoas não percebam. Alimentos de origem animal têm um poder muito grande de despertar algum tipo de dependência. Porém, qualquer hábito alimentar é passível de mudança, já que somos seres de hábitos mutáveis, embora isso pareça aparentemente difícil, o que na realidade não é.
Nós que temos essa crença e essa resistência. Acredito que não existe nada que o ser humano não seja capaz de fazer nesse sentido. Tudo é possível quando falamos de hábitos alimentares. Mas antes é preciso estimular um novo nível de consciência. Porque uma transição para o vegetarianismo ou veganismo sem uma sólida razão pode ser transitória, efêmera. Uma perspectiva vegana da crueldade pode ou não ser partilhada por quem não é vegetariano ou vegano.
Quero dizer, o vegano está em um nível diferenciado de consciência sobre a exploração animal, e aquilo pode ter um efeito positivo ou não sobre quem não é dependendo da acepção de quem o lê ou o ouve. Darei um exemplo. Duas pessoas observam carnes em um açougue. Uma delas é vegana e a outra não. A vegana fica chocada com o que vê, por entender que está diante dos pedaços do cadáver de um animal não humano, o que é a mais honesta compreensão da realidade.
Por outro lado, quem não é vegano ou vegetariano observa apenas a carne, dissociada do animal. Não reflete sobre o que aconteceu antes daquela carne chegar àquele local. Vamos supor que aí existe a possibilidade de um diálogo. Se esse diálogo estiver muito aquém do nível de consciência ou da predisposição interpretativa daquele que se alimenta de animais, o resultado pode não ser tão positivo dependendo da abordagem.
Claro, a pessoa citada nesse exemplo pode ter algum nível superficial de consciência de que aquilo foi um ser vivo, mas isso não significa que ela tenha feito ou pelo menos esteja disposta a fazer uma concatenação entre carne, privação e morte. É como um cenário em que duas pessoas estão diante de um assassinato – uma delas assiste tudo e a outra escuta apenas os tiros e os gritos. Ou seja, a primeira pessoa naturalmente estará em um nível de reflexão mais profundo do que foi visto. E como a outra não viu nada, seja por recusa ou temor do que aquilo poderia despertar nela, talvez a interpretação do fato seja dissonante.
No geral, creio que é problemático qualificar quem consome animais como alguém ruim. Naturalmente, pesamos o sofrimento dos animais, e isso é evidentemente terrível. Porém, se nos entregamos à emoção, facilmente perdemos a razão – como diz o clichê. Sim, não tenho dúvidas de que há pessoas que não teriam problema nenhum em matar animais e comê-los. Talvez até por uma questão de disfunção narcotizante, que neste caso em específico seria a banalização da morte, mas esses não representam a maioria da população. Na realidade, a maioria sequer já teve contato real com animais reduzidos a alimento e produtos. Tenho certeza de que muitas pessoas precisam apenas de uma oportunidade de conscientização, de contato mais profundo com essa questão da exploração animal; de tudo que envolve a redução dos animais a alimentos e outros produtos.
Normalmente me deparo com situações em que pessoas que comem carne ficam surpresas e sensibilizadas com algum fato que envolve a exploração animal. Posso citar como exemplo um caso em que havia um mamilo em um pedaço de bacon e houve bastante comoção. Muita gente apontou hipocrisia nisso, o que não deixa de ser verdade, já que ao comer bacon, você está comendo um pedaço de um porco, um animal com mamilos. Mas, por outro lado, entendo que essa reação também pode ser um indicativo de um choque de realidade que pode instigar conscientização e sensibilidade, enfim, quem sabe, predisposição a uma verdadeira reflexão do que é o sofrimento animal. Sendo assim, vejo nessas pessoas que ficam chocadas uma franca possibilidade de mudança.
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Não é realmente correto relacionar veganismo com religião
Não é realmente correto relacionar veganismo com religião. O veganismo como conhecemos hoje surgiu no ocidente e a sua única defesa é pelos direitos animais. Afinal, não existia nada nos moldes atuais antes do veganismo, e a literatura relacionada aos direitos animais está aí para provar isso.
E se alguém pergunta, mas e as religiões que condenam o consumo de animais? Eu respondo com outra pergunta: Me diga quais religiões que lutaram de fato pela libertação animal? Elas normalmente dialogam com os seus, não com os outros. E mesmo quando seus adeptos não consomem animais, eles não realizam de fato um trabalho abrangente contra a objetificação animal, como o defendido pelos ativistas dos direitos animais.
É um caminho desacertado relacionar vegetarianismo místico ou religioso com veganismo, e simplesmente porque não são a mesma coisa. Uma pessoa pode ser religiosa e vegana, isso é normal, mas não é adequado dizer que sua religião é vegana, porque veganismo não tem nada a ver com religião; porque o veganismo é o reconhecimento do direito animal à vida e a luta pelo abolicionismo animal. E a verdadeira transformação tem acontecido a partir daí.
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A história do ex-palhaço do McDonald’s que se tornou um vegetariano ético
“Meu desejo a todos aqueles que comem carne é que entendam que é possível ser saudável e feliz sem participar da matança de animais inocentes”
Geoffrey Giuliano nasceu em Rochester, Nova York, em 1953. Se graduou em artes cênicas pela Universidade de Nova York e depois concluiu o mestrado na mesma área. Com uma esposa e dois filhos, ele chegou a um ponto em sua vida em que o desemprego e um empréstimo estudantil o levaram a participar de todos os tipos de audições, inclusive de empresas do ramo alimentício que contratavam atores.
A única oportunidade em que viram o seu potencial foi em uma audição do Burger King, onde ele interpretou o Marvellous Magical Burger King, ícone da rede de fast food. “Foi a única oportunidade que apareceu. Minhas crenças eram minhas. ‘Se todo o resto do mundo quer matar uma vaca e comê-la, deixe que façam isso, desde que eu não participe.’ Era assim que eu justificava isso”, explicou Geoffrey Giuliano em entrevista publicada no “Hinduism Today” em março de 1991.
Giulliano já era vegetariano nos anos 1970, embora não por uma motivação verdadeiramente ética como comprova a frase acima. Depois de interpretar o famoso rei em vestes medievais que atraía principalmente crianças para as franquias do Burger King, o ator estadunidense foi contratado entre mais de 600 palhaços para representar Ronald McDonald, o personagem mais famoso da rede McDonald’s.
“Uma das primeiras coisas que me impressionou foi que o núcleo executivo do McDonald’s e a equipe da sua agência de publicidade [que sabiam exatamente como tudo era feito], nunca comiam a comida do McDonald’s. Eles tinham um chefe le cordon bleu, e era só chamá-lo que ele preparava qualquer coisa que eles quisessem”, disse.
Para interpretar o palhaço carismático, Geoffrey Giuliano recebia um salário anual de 50 mil dólares, além de chofer, limusine, um chefe de cozinha a seu dispor o dia todo, um escritório em uma cobertura e uma secretária. “Eu sentia que comer carne era prejudicial à saúde, desnecessário e muito, muito errado. Eu queria me redimir e deixar esse mundo, para sempre. E se eu pudesse ajudar alguém antes, essa seria a única razão para que eu continuasse nesse negócio de Ronald McDonald”, declarou ao “Hinduism Today”.
Giulliano ficou tão famoso como Ronald McDonald que as pessoas o paravam na rua para pedir autógrafo. Em uma carta aberta, ele explicou o motivo do seu desligamento da rede McDonald’s depois de dois anos. “Fui contra tudo em que acredito, vendendo para o gigante corporativista McDonald’s, interpretando Ronald McDonald para milhares de crianças inocentes que confiavam em mim. Também lamento dizer que interpretei o Marvellous Magical Burger King no Nordeste dos Estados Unidos, fazendo um show de mágica para crianças e promovendo as ‘glórias’ de comer carne para a corporação Burger King”, escreveu.
Em junho de 1990, Geoffrey Giuliano, o ex-Ronald McDonald, se juntou a 150 ativistas pelos direitos animais para falar sobre como a matança de animais visando a produção de alimentos não faz o menor sentido. Na ocasião, ele gritou frases como: “Carne é assassinato!” Em publicação do “The Sunday Sun”, de 1º julho de 1990, ele contou que é muito cruel comer animais.
Dez anos depois que deixou o seu trabalho como Ronald McDonald, o ator estava assistindo TV quando viu um anúncio antifumo estrelado por um dos intérpretes do Marlboro Man, que contraiu doença pulmonar por causa do tabagismo. Isso o inspirou a fazer algo a respeito do seu passado. Ele tomou a decisão de criar um show de mágica sem fins lucrativos, para conscientizar as crianças sobre o estilo de vida vegetariano, incentivando-as a respeitarem os animais e o meio ambiente.
“Quero me desculpar por ajudar a fazer lavagem cerebral nos jovens da América do Norte”, declarou. Como Ronald McDonald, Geoffrey Giuliano participou de comerciais e compareceu a muitos eventos do McDonald’s, inclusive inaugurações de franquias entre os anos de 1980 e 1982. O seu show mais conhecido era o “Ronald McDonald Safely Show”, voltado para crianças.
“Eu fazia shows, e todos os shows eram gratuitos, e havia crianças que nunca viram nenhum [tipo de] show em suas vidas. Eles corriam até mim, choravam e riam. As crianças eram maravilhosas. Isso foi o que me impediu [de continuar sendo o Ronald McDonald]”, justificou.
Em entrevista ao documentário “McLibel: Two Worlds Collide”, lançado em 1998 e dirigido por Franny Armstrong e Ken Loach, Giuliano revelou que a ideia era convencer as crianças de que os hambúrgueres não têm nada a ver com uma vaca morta, que eles crescem em um lugar feliz e você apenas os arranca com a ajuda de um cara roxo, do Hamburglar, e todos os outros personagens.
“Eles encobriram esse massacre de animais inocentes como em um conto de fadas. Uma vez fui à fábrica onde as galinhas são ‘preparadas’ para fazer o McNuggets. Elas entravam de um lado vivas e saíam mortas do outro lado. O cheiro era horrível. Havia algo escorregadio e nojento no chão, e você sabia que era um lugar de morte”, enfatizou.
Geoffrey Giuliano, que criou os quatro filhos como vegetarianos, se recordou em entrevista ao “Hinduism Today” que ele tinha muita facilidade para fazer as crianças sorrirem. Em suas visitas como Ronald McDonald ao Hospital de Crianças de Toronto, no Canadá, onde ele visitava pacientes em fase terminal, um dia uma enfermeira disse para ele não entrar em um dos quartos porque o garotinho que ele pretendia visitar estava em coma profundo.
“Bom, se ele está tão distante [em coma profundo], o que pode machucá-lo?”, questionou. Então caminhou até a criança, mexeu em seu nariz, fez um pequeno truque de mágica, sussurrou em seu ouvido e segurou sua mão. “Juro por Deus, ele saiu do coma e sorriu. Foi inacreditável!”, garantiu.
Longe dos holofotes, Giulliano se especializou na produção de biografias e se tornou um autor bem-sucedido. Publicou livros sobre a vida de Paul McCartney, George Harrison e Pete Townshend, além de um livro de entrevistas raras dos Beatles. Em publicação do “Hinduism Today” de março de 1991, ele se desculpou novamente com todos os vegetarianos, principalmente aqueles que, por causa do seu trabalho como Ronald McDonald, tiveram dificuldades em convencer seus filhos a seguirem uma dieta vegetariana.
“Meu desejo é que todos aqueles que comem carne entendam que é possível ser saudável e feliz sem participar da matança de animais inocentes”, destacou.
Referências
Armstrong, Franny. Loach, Ken. McLibel: One-Off Productions e Spanner Films. Two Worlds Collide (1998).
https://www.hinduismtoday.com/modules/smartsection/item.php?itemid=804
http://www.mcspotlight.org/people/interviews/guilliano_geoff.html
http://www.mcspotlight.org/people/witnesses/advertising/guiliano_geoff.html
http://www.thenazareneway.com/vegetarian/ronald_mcdonald_is_now_a_vegetar.htm
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“O reconhecimento do direito animal à vida é isso, não me colocar acima deles quando posso viver bem sem explorá-los”
— Vamos supor que você tenha virado vegano no mês passado, e de repente grande parte da sua muscular construída em anos de musculação está indo embora. O que você faria? Digo isso num cenário hipotético em que não é possível evitar essa perda de massa magra.
— Eu não faria nada. Claro, eu gosto de ter um shape legal, mas isso não é mais importante pra mim do que não comer animais. O que tenho é um corpo que é consequência da minha filosofia de vida. E se uma nova filosofia de vida não permitisse que eu tivesse uma boa massa muscular, sem problema. Pra mim, o reconhecimento do direito animal à vida é isso, não me colocar acima deles quando posso viver bem sem explorá-los. Meu ego e minha vaidade diminuem um pouquinho mais a cada dia. Ter saúde seria o suficiente para continuar trilhando o meu caminho. Isto aqui é uma carcaça que merece cuidados para que eu possa ter uma boa qualidade de vida. Porém, me vejo mais abaixo do que acima, talvez uma consequência natural de um tipo peculiar, ou estranho aos olhos de alguns, de estabelecimento de prioridades.
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O vegetarianismo na vida de Attila Csihar

Csihar: ” “Fiquei terrivelmente apavorado. Foi algo como: “Porra, não sei se quero fazer parte disso”
O vocalista e compositor húngaro Attila Csihar, que se tornou famoso como vocalista da banda de black metal Mayhem, não cansa de surpreender quem não o conhece. Levando em conta o seu perfil performático, sombrio e chocante durante suas apresentações, as pessoas rendidas aos clichês dificilmente imaginam que ele seja vegetariano. Sim, Attila Csihar se tornou vegetariano nos anos 1990.
Em entrevista à Revolver Magazine, ele contou que ficou enojado quando encontrou cabeças e pedaços de suínos no palco em seu primeiro show com o Mayhem. “Fiquei terrivelmente apavorado. Foi algo como: “Porra, não sei se quero fazer parte disso”, relatou.
Csihar explicou mais tarde que com o tempo entendeu que as carcaças de animais sobre o palco refletem a sociedade, a gula humana e a sua relação com os animais, o que pode parecer horrível ou reprovável para muita gente, mas para ele isso apenas reforça um fato cotidiano.
O vocalista e compositor concorda que embora estejamos imersos em uma sociedade acostumada a se alimentar de animais, a maioria rejeita a possibilidade de ter que confrontar uma realidade mais próxima de um matadouro do que de um açougue, onde os pedaços são fatiados e embalados de forma a despersonalizar o que a morte de animais realmente representa.
Antes de tocar no Mayhem, com quem gravou três álbuns entre os anos de 1994 e 2014, Attila Csihar fez parte da banda de black metal Tormentor, fundada em 1984, e que gravou o primeiro álbum “Anno Domini” em 1988. Ele ingressou na banda norueguesa em 1994, após a morte do fundador e guitarrista Oystein Aarseth, mais conhecido como Euronymous, assassinado em 10 de agosto de 1993.
Além do seu projeto Plasma Pool e da sua carreira solo, Csihar também teve passagens por bandas como Aborym, Limbonic Art, Korog, Anaal Nathrakg, Keep of Kalessin, Emperor, Sear Bliss, Sunn O))), Astarte, Ulver, Taake, Burial Chamber Trio e Grave Temple, entre outras. Ele também é conhecido por suas máscaras peculiares, como as criadas pelo egípcio Nader Sadek, que já assinou a direção de efeitos visuais dos shows do Mayhem e de seus projetos.
Saiba Mais
Attila Csihar nasceu em Budapeste, na Hungria, em 29 de março de 1971.
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Para o escritor Pat Condell, dizer que alguns vegetarianos comem peixe é como dizer que alguns budistas adoram Alá
Pat Condell se tornou vegetariano em 1978 depois de testemunhar o abate de um cervo

Condell: “Nós nos tornamos nossas crenças e as vestimos como se fossem roupas, e é fácil imaginar que tudo é como deve ser até você confrontar a realidade”
O escritor e comediante irlandês Pat Condell se tornou vegetariano em 1978, quando testemunhou um cervo sendo abatido. Desde então, não quis mais saber de comer nada de origem animal. “Foi uma das melhores coisas que fiz”, admite.
Em seu site, ele conta de forma bem-humorada que não entende porque todos os seres humanos não são vegetarianos. “Nós nos tornamos nossas crenças e as vestimos como se fossem roupas, e é fácil imaginar que tudo é como deve ser até você confrontar a realidade”, ponderou.
Condell já passou por muitas situações inusitadas e desconfortáveis por ser vegetariano. Ele se recorda de uma vez em que foi até um restaurante e percebeu que não havia nada para vegetarianos, a não ser uma simples salada. “Ah, vamos lá! Certamente você pode ter um frango. Tem um cérebro tão pequeno que é praticamente um vegetal”, respondeu o garçom.
Sobre experiências em consultórios médicos, o escritor também não tem recordações muito boas. Segundo Pat Condell, se você contar ao seu médico [que reprova o vegetarianismo] que você é vegetariano, você pode ouvi-lo mentalmente o reprovando. “É como dizer a um padre que você se converteu ao islã”, ironizou.
O escritor afirma que raramente vai ao médico, já que dificilmente fica doente. Ele não sabe se isso tem relação com o fato de ser vegetariano, mas logo emenda: “Acho que tem sim. Posso ficar anos sem pegar um resfriado, e sempre me sinto muito bem. Hurra! para mim e passe-me os brotos de feijão”, enfatizou em tom bem-humorado.
Depois de tanto perguntarem sobre o motivo que o levou para o vegetarianismo, um dia Pat Condell decidiu dar uma resposta imprevisível. Questionado pela médica se ele é vegetariano pela saúde ou por razões morais, ele respondeu: “ Nenhuma! Faço isso apenas para irritar as pessoas.”
Outra questão que sempre o incomodou é o fato de encontrar pessoas sempre insistindo para que ele coma peixe, ovos e queijo:
— Você come peixe?
— Não.
— Alguns vegetarianos comem.
— Isso é como dizer que alguns budistas adoram Alá.
— E sobre ovos?
— Não.
— Queijo?
— Sinto muito.
— Não é um pouco extremo?
Pat Condell usa esses exemplos, que ele apresenta de forma cômica, para mostrar como há tantas pessoas, inclusive bem instruídas, que até hoje não sabem como é a alimentação de um vegetariano, e, segundo ele, muitas vezes por desinteresse.
Saiba Mais
Pat Condell nasceu em Dublin, na Irlanda, em 23 de novembro de 1949.
Em 2010 e 2012, ele publicou os livros “Godless and Free” e “Freedom is My Religion”.
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“Fat, Sick & Nearly Dead”, um documentário em que vidas são transformadas pela alimentação vegetariana

Documentário mostra homens perdendo dezenas de quilos se alimentando de frutas e vegetais (Arte: Reprodução)
Se você tem dificuldade de perder peso ou algum problema sério de saúde, recomendo que assista “Fat, Sick & Nearly Dead”, do australiano Joe Cross, na Netflix. O documentário conta a história de homens obesos que perderam dezenas de quilos simplesmente fazendo refeições líquidas à base de vegetais e frutas. São transformações incríveis e acompanhadas por profissionais da área de saúde. Eles conseguiram se livrar não apenas de graves doenças, mas também de todos os medicamentos que consumiram por anos e anos. Vale a pena. É uma baita lição.








