O rodeio foi importado, logo não é patrimônio brasileiro
Para quem realmente considera o rodeio um patrimônio cultural nacional, uma resposta do Luiz Henrique Mazza à Agencia de Notícias de Direitos Animais (Anda). Ele é um premiado ex-peão que cresceu participando de rodeios e hoje defende os direitos animais.
“Eu que fui criado no meio rural, sou violeiro, estudei a fundo as raízes da cultura caipira brasileira, acho essa lei [do rodeio ser considerado um patrimônio cultural imaterial do Brasil] UMA PIADA. De todas as modalidades praticadas oficialmente no rodeio brasileiro, somente a montaria em CUTIANO é nacional, o resto é tudo importado, TUDO. Os trajes, os termos, os equipamentos, tudo importado dos EUA. Existem fragmentos culturais sim, claro, como comidas típicas, a viola propriamente dita, literatura, etc. Mas o rodeio, não. Esses fragmentos imateriais não dependem do rodeio e sequer são promovidos por ele.”
Além do fato do rodeio ser uma evidente prática de violência e crueldade contra animais, qualquer um é capaz de perceber que o rodeio não é patrimônio brasileiro. Afinal, desde quando o verdadeiro sertanejo brasileiro, aquele sujeito criado na roça, se veste como “cowboy americano”? Olhe para a história do verdadeiro sertanejo brasileiro e verá que ele não tem nada a ver com o peão de rodeio.
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Direitos animais não são apenas para cães e gatos
Se você pesquisar no Google por imagens de direitos animais, na maior parte delas aparece um cachorro ou gato. Isso é algo que já passou da hora de ser evitado, porque direitos animais não têm nada a ver com especismo, e quem faz esse tipo de vinculação provavelmente não tem noção de que está perpetuando uma ideia equivocada e totalmente rasa de direitos animais. Afinal, direitos animais também é sobre todas as criaturas que as pessoas comem e consideram normal.
Você não sente muito ódio das pessoas por toda a violência que elas causam aos animais?
— É muito triste, e até desanimador às vezes. Mas não chego a esse ponto, simplesmente porque se eu começar a sentir muito ódio, naturalmente vou perder o foco do meu trabalho. E emoção sem informação e conscientização infelizmente não garante compreensão nem razão, principalmente quando você fala com pessoas que não são realmente sensíveis ao sofrimento animal. É justamente por isso que não discuto com pessoas que fazem piadas sobre o sofrimento animal, ou que fazem provocações vazias, que não condizem com a realidade; porque elas simplesmente não sabem o que falam. Estão na superfície da coisa toda, e acredito que no fundo mais por ignorância do que por insensibilidade.
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Para ser vegano, não é preciso amar os animais, basta respeitá-los
Um amigo — Cara, eu até acho legal quem é vegano, mas a verdade é que não amo animais. Para ser honesto, nem gosto muito de animais. O negócio é eles lá e eu aqui. Como isso poderia funcionar? Não vejo como.
Eu — Não há problema nenhum nisso. Você não precisa gostar de animais, tutelar animais, resgatar animais ou algo do tipo. Basicamente, você não precisa querer conviver com animais. Claro, muitos veganos fazem isso, mas não é uma regra ou algo do tipo. Para ser vegano, você precisa apenas ter a consciência de que os animais não humanos merecem viver, não morrer.
Para ser mais preciso, não merecem ser explorados. Então o seu papel como vegano seria esse, se empenhar em não contribuir com a exploração animal. A questão é você entender, reconhecer isso e colocar em prática. O amor pelos animais realmente é uma coisa nobre e bonita, mas a consciência sobre justiça nesse contexto é imprescindível, logo mais importante. Isto porque ela tem forte apelo junto ao discernimento moral e ético em uma sociedade construída sobre valores equivocados que levaram ao antropocentrismo e consequentemente ao especismo.
Independente de alguém se reconhecer ou não como superior a outras formas de vida, o que é preciso entender em relação a isso é que não interessa qual animal é mais inteligente, qual é mais amável ou qual é mais sensível. O entendimento que se deve ter é de que o direito à vida deve ser assegurado e que não cabe a nós decidirmos quais animais devem viver ou morrer levando em conta nossas pretensas necessidades ou preferências. Eles são conscientes, sencientes e merecem viver à sua maneira.
Nossa interferência deve ocorrer apenas quando eles precisam de nós, sem subjugação. Se esforçar para não impactar negativamente na vida dos animais é uma forma de aperfeiçoamento civilizatório, porque se você é capaz de respeitar honestamente a vida de um animal que não é capaz de falar, isso te conduz a respeitar mais a vida em geral. Gostar ou amar animais é uma questão de pessoalidade. Você pode desenvolver isso ou não, e sem que isso prejudique ninguém. Por outro lado, é a falta de entendimento de que os animais não existem para nos servir que tem perpetuado práticas desnecessárias que anualmente custam a vida de bilhões de animais.
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Jaime de Magalhães Lima e “O Vegetarismo e a Moralidade das Raças”
Sêneca, o intelectual romano a quem o escritor português Jaime de Magalhães Lima admirava, dizia, inspirado em Focion, que o homem precisa reconhecer a sua capacidade de encontrar alimentos sem o derramamento de sangue. Do contrário, a crueldade há de ser mantida como hábito, já que a prática da carnificina passa a ser primeiramente associada ao prazer do apetite.
“Acrescentava ele que é nosso dever limitar os materiais da luxúria. Que, todavia, a variedade de alimentos é nociva à saúde e não é natural ao nosso corpo. Se estas máximas [da escola de Pitágoras] são verdadeiras, então nos abstermos da carne dos animais é animar e promover a inocência; se mal fundadas, ensinam-nos ao menos a frugalidade e a simplicidade da vida. E que perdeis vós perdendo a nossa crueldade? Apenas vos privo do alimento dos leões e dos abutres”, cita Magalhães Lima. Depois de mais de um ano de abstinência de alimentos de origem animal, Sêneca disse que não apenas era fácil ser vegetariano, como delicioso. Alegou também que as faculdades do seu espírito se tornaram mais ativas.
É acostumar-nos a derramar o sangue humano degolar animais inocentes e ouvirmos sem piedade seus tristes gemidos. É desumanidade não nos comovermos com a morte do cabrito, cujos gritos tanto se assemelham aos das crianças, e comermos as aves a que tantas vezes demos de comer. Ah! quão pouco dista d’um enorme crime!, transcreve Magalhães Lima, fazendo menção a Ovídio.
Outro argumento que reforça o posicionamento do português em relação à abstenção de carne é o fato de que para ganhar sabor é preciso submetê-la a um processo de transformação. “Qualquer dama de mãos mimosas que trinca com delícia uma costeleta coberta de pão e embalsamada em louro, em cravo, em salsa, em cebola, pimenta e limão, empalidece de náusea sentindo o cheiro do açougue, considera imundície um pedaço de carne crua nos seus vestidos, e foge mais depressa da praça do peixe do que da montureira que aduba a horta”, critica.
Na perspectiva de Magalhães Lima, na cozinha vegetariana ocorre o oposto. O esmero e a perfeição consiste em conservar inalterável o sabor próprio de cada alimento. “Muitos e muitos [crianças] que seriam incapazes de roubar de qualquer salgadeira um grama de toucinho, não resistem à tentação de se aproveitarem do primeiro cacho de uvas que lhes esteja à mão. Os assaltos às hortas e pomares são frequentes, e de tal forma isso parece estar na ordem natural que grande número dos homens rudes não lhes associe nem de longe a noção do crime. Longos séculos de corrupção da dieta não conseguiram atrofiar essas tentações de uma antiguidade bíblica, as mesmas que desgraçaram Adão e Eva”, compara.
Para conhecer melhor o trabalho do escritor português Jaime de Magalhães Lima, recomendo que leiam o livro “O Vegetarismo e a Moralidade das Raças”, publicado originalmente em 1912, reeditado no Brasil em 2015, e disponível em versão digital na Livraria Cultura por R$ 5,90 e na Amazon.com por R$ 3,90.
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Será que os animais que matamos são capazes de nos ver como demônios?
Será que os animais que matamos são capazes de nos ver como demônios no instante final? Não sei, porque até nisso existe uma certa nobreza por parte dos animais não humanos mais comumente explorados.
Nobreza? E qual seria a nobreza? O fato de que é possível que os animais reduzidos a alimentos e produtos nem saibam o que são demônios.
Não duvido que sejamos os únicos seres vivos capazes de ver, idealizar ou conceituar demônios. Os outros não são como nós, e principalmente aqueles que morrem subjugados pela malícia e pelo desconhecimento da própria força aliada à inocência, talvez morram nos observando e quem sabe apenas se perguntando:
“Por que não posso viver? Por que terminei assim?” Ou não. Quem sabe, desvanecem simplesmente sem saber quem são e quem somos. Morrem confusos, como é natural da vida curta que finda.
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Sobre as mais diferentes formas de ativismo
Não raramente me deparo com pessoas que são contra as mais diferentes formas de ativismo. Levando isso em conta, pergunto:
— O que você acha que você seria ou o que você acha que você teria se não fosse pelo ativismo feito por tanta gente no decorrer da história? Algum tipo de ativismo consolidado no passado te beneficia hoje, não tenha dúvida. Você pode condenar uma ou outra forma de ativismo, mas é importante entender que nem tudo é totalmente errado, nem totalmente certo. O que precisa ser definido é se esse ativismo foi ou é sincero e honesto. Se foi, ou se é, há uma intenção legitimada que leva à mudança. A evolução da humanidade, claro, há muitas falhas, mas as conquistas ao longo da história só foram possíveis por causa de ativismo. Só o ativismo promove mudanças sólidas na estrutura de uma sociedade. Então se você é contra isso, você naturalmente é contra os outros e quem sabe até contra a si mesmo.
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“Você é um ladrão de ar, um ladrão!”
No banco, enquanto eu aguardava a minha vez, um senhor perscrutou um rapaz:
— Você não tem ideia do mal que está fazendo.
— Como?
— Isso mesmo!
— Isso mesmo o que?
— Você inspira e respira alto, com uma intensidade absurdamente desconfortável e desrespeitosa. Isso é ultrajante!
— Como?
— Isso mesmo!
— Isso mesmo o que?
— Você não acha que deveria inspirar e respirar um pouco menos? Não se dá conta de que está me roubando um pouco de ar? Não só meu, mas de todos que estão próximos de nós.
— Respiro normalmente. De boa.
— Não mesmo. Sinto que o ar não está fluindo corretamente desde que você se aproximou. Você é um ladrão de ar, um ladrão! — bradou o homem, chamando a atenção das pessoas mais próximas.
Assustado, o rapaz se levantou e caminhou até o outro lado do banco, temendo que o homem se aproximasse.
O sujeito de meia-idade ainda o assistia à segura distância com um olhar reprovador, ajeitando os óculos sobre o nariz. Cutucou o vizinho e disse:
— Agora ele vai roubar o ar daqueles outros infelizes, é um tremendo ladrãozinho de ar.
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Sobre a realidade dos animais usados como cobaias
Há experiências com animais que fazem parte da categoria comportamento e aprendizado. Nesse caso, animais usados como cobaias são submetidos a isolamento social, alimentar, desidratação severa e privação de sono que podem durar dias, semanas, meses ou anos. As pesquisas com animais que visam avaliar o comportamento e o aprendizado não humano normalmente são baseadas na abertura do crânio do animal ainda consciente e na instalação de elétrodos no cérebro.
Nesse ínterim, o cérebro da vítima é manipulado como um brinquedo. Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada; e ele é obrigado a encontrar alguma saída em um labirinto, por exemplo, mesmo incapaz de reagir naturalmente. Também é mantido sobre plataformas por dias, mas como sempre há água embaixo, o animal evita dormir com medo de cair e morrer afogado. Somente depois de muitos episódios de vivissecção que culminam em traumas extremos, ele entra em estado vegetativo. Como já não responde satisfatoriamente aos estudos, é descartado como lixo.
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Até uma pessoa se tornar vegana, dificilmente ela vai entender a perspectiva de um vegano
Até uma pessoa se tornar vegana, dificilmente ela vai entender em essência a perspectiva de um vegano. Isso não é preconceito, é um fato. Afirmo isso porque eu mesmo quando era vegetariano não tinha a consciência de um vegano. Você pode se esforçar para entender algo, e isso é louvável, mas há coisas que você só é capaz de entender em profundidade se experienciar honestamente. Falo isso porque é o que acontece naturalmente com todo mundo que se torna vegano. Uma pessoa pode se esforçar para entender como um vegano pensa em relação à exploração animal e todo o resto, mas ainda assim não terá o mesmo entendimento se não partilhar da mesma consciência e sensibilidade. Conheço muita gente que diz entender o veganismo, mas ao mesmo tempo reproduz discursos claramente antropocêntricos e especistas.
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