David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘animais’ tag

Sobre a realidade dos animais usados como cobaias

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” Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada”

Há experiências com animais que fazem parte da categoria comportamento e aprendizado. Nesse caso, animais usados como cobaias são submetidos a isolamento social, alimentar, desidratação severa e privação de sono que podem durar dias, semanas, meses ou anos. As pesquisas com animais que visam avaliar o comportamento e o aprendizado não humano normalmente são baseadas na abertura do crânio do animal ainda consciente e na instalação de elétrodos no cérebro.

Nesse ínterim, o cérebro da vítima é manipulado como um brinquedo. Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada; e ele é obrigado a encontrar alguma saída em um labirinto, por exemplo, mesmo incapaz de reagir naturalmente. Também é mantido sobre plataformas por dias, mas como sempre há água embaixo, o animal evita dormir com medo de cair e morrer afogado. Somente depois de muitos episódios de vivissecção que culminam em traumas extremos, ele entra em estado vegetativo. Como já não responde satisfatoriamente aos estudos, é descartado como lixo.

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Documentário denuncia as mazelas da indústria de ração animal

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Documentário está disponível na Netflix

Caso queiram conhecer as mazelas do mercado mundial de ração animal, dominado por cinco grandes conglomerados: Mars, Nestlé, Procter & Gamble, Hills e Big Heart Pet Brands, recomendo que assistam “Pet Fooled”, de Kohl Harrington, disponível na Netfix. O documentário lançado em 2016 mostra como esse mercado funciona sob conveniência e pode não estar tão preocupado com o bem-estar animal.

 

 





Written by David Arioch

August 4th, 2017 at 1:47 pm

250 mil animais foram assassinados no Festival Gadhimai em 2014

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Foto: Humane Society International

Em 2014, 250 mil animais foram assassinados ao longo dos dois dias de duração do Festival Gadhimai em Bariyarpur, no Nepal, de acordo com o jornal britânico Daily Mail e a Humane Society International. Muitas mortes foram inclusive provocadas por hindus de etnia madeshi. Felizmente, o festival foi proibido no país em 2015, embora isso não impeça que o sacrifício de animais seja realizado fora do festival. Não sou supersticioso, mas o Nepal é um dos países da Ásia mais atingidos por terremotos e outros tipos de tragédias de proporções inimagináveis? Difícil aspirar a paz quando semeamos tantas mortes, e acredito que isso vale para todos os tipos de morte de animais relacionadas a algum tipo de exploração.

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Written by David Arioch

August 3rd, 2017 at 4:51 pm

Mesmo que não existisse aquecimento global, que direito teríamos de destruir outras espécies e o seu habitat?

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Explorar, destruir e matar simplesmente para o nosso próprio benefício. Onde existe coerência nisso? (Imagem: Nasa)

Uma pessoa pode não acreditar em aquecimento global, mas está aí um fato interessante divulgado pela FAO e pela One Green Planet, e jamais contestado por qualquer órgão ou pela indústria alimentícia – 70% das plantações do mundo são destinadas para alimentar animais de criação que serão comidos por seres humanos. Não pense em aquecimento global, mas somente no absurdo da situação. Isso deveria ser aceitável?

Mesmo que não existisse aquecimento global, que direito teríamos de destruir outras espécies e o seu habitat? Vamos supor que nossa interferência no meio ambiente não resultasse em grande impacto para a vida humana, ainda assim isso seria justo? Explorar, destruir e matar simplesmente para o nosso próprio benefício. Onde existe coerência nisso?

Os outros animais também têm o direito de viver. Falar das consequências para a humanidade é sempre uma forma de apelar ao que nos toca, nos atinge, mas não deveria ser assim, porque isso sempre nos coloca em uma posição de protagonismo. As pessoas deveriam entender que outras vidas e outros espaços existem, e que deveriam ser intocados independente de qualquer coisa, e não simplesmente porque isso também nos afeta.

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Written by David Arioch

July 28th, 2017 at 8:51 pm

Um mundo com mais de sete bilhões de pessoas, onde se cria anualmente mais de 70 bilhões de animais para consumo

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Assim como nós, outros animais também têm direito à vida (Foto: Jo-Anne McArthur)

Um mundo com mais de sete bilhões de pessoas, onde se cria anualmente mais de 70 bilhões de animais terrestres para consumo. Isso é sinistro tratando-se de exploração animal. E há pessoas que dizem que vegetarianos e veganos comem a comida que deveria ser destinada aos animais. Usemos um pouco a lógica. Levando em conta esses dados da FAO e da WAP, está bem claro que mesmo que o mundo todo fosse vegano não teríamos a menor condição de chegar nem perto da quantidade de alimentos consumidos pelos animais. Basta pensarmos na mera proporcionalidade. E não estou falando de impacto ambiental nem de sustentabilidade, mas sim de uma simples obviedade, que embora real nos pareça kafkiana.

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Written by David Arioch

July 19th, 2017 at 1:44 am

Sobre a realidade da produção industrial de carne suína

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Sistema industrial impõe privação intensa aos animais

A realidade da produção industrial de carne suína pode ser chocante para quem consome carne e não tem a mínima ideia de como funciona esse sistema. Muitas porcas grávidas são aprisionadas como se fossem culpadas de algo, quando na realidade a privação existe simplesmente porque são animais condicionados a nascer, viver com brevidade e morrer distantes de uma vida natural. Há situações degradantes em que elas dormem sobre as próprias fezes em gaiolas apertadas.

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Written by David Arioch

July 19th, 2017 at 1:19 am

Sobre o novo comercial da Sadia

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A realidade do peru e de outros animais mais tarde fatiados (ou não) e embalados, a Sadia e nenhuma outra indústria alimentícia faz questão de mostrar

Sobre o novo comercial da Sadia. Alegria, família, crianças sorrindo, abraços, confraternização, uma verdadeira lição de harmonia. Muito amor envolvido. Bandejas bonitas, rótulos bem elaborados, tudo para dissociar o que se come da realidade. E claro, um peru feliz divulgando a própria carne, como se estivesse se oferecendo para morrer. Como sempre, uma utopia que vela uma distopia. Afinal, a realidade do peru e de outros animais mais tarde fatiados (ou não) e embalados, a Sadia e nenhuma outra indústria alimentícia faz questão de mostrar.

 





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July 7th, 2017 at 6:12 pm

Tive um sonho na noite passada

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Triste realidade da exploração animal (Arte: Reprodução)

Tive um sonho na noite passada.

Um boi falou que não é pra eu desejar sua carne senão ele vai ter que morrer. E ele quer viver.

Uma vaca disse pra eu parar de tomar seu leite senão ela nunca mais vai ver o seu bezerro.

O bezerro se queixou que é cedo demais para morrer, porque nem o sol teve tempo de ver.

A galinha poedeira revelou que não quer passar os seus últimos dias em uma granja, onde seu destino final é ser sacrificada após a queda na produção de ovos.

O frango reclamou que se como sua carne sou culpado por ele ter de viajar entre grades de plástico, agonizando entre seus semelhantes.

O porco berrou que se bacon fosse vida ele sairia andando depois de fatiado.

O peixe gritou que se fosse pra ele servir de alimento para as pessoas, ele deixaria a água e deitaria sobre pratos.

A abelha me mandou ficar longe de seu mel, porque ela não trabalha o dia todo para sustentar seres humanos.

 





Written by David Arioch

July 7th, 2017 at 2:08 pm

O cãozinho Peraltinha

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Arte: Tracy White

Quando eu tinha cinco anos, todos os dias o mesmo cãozinho que morava na casa vizinha perseguia o caminhão de lixo. Ele era mestiço, pequeno e seu nome era Peraltinha. Todo mundo o adorava. Os carros paravam, e muitos motoristas o cumprimentavam. “Pode passar, Peraltinha…”, dizia Seu Paulo, assistindo o cãozinho atravessar vagarosamente a rua, balouçando o rabinho. Era realmente famoso.

O abandonaram ainda filhotinho em um terreno baldio na esquina de casa. Faminto, chorava sem parar. Foi salvo por Dona Estela, que o tratava como um filho. Eu não tinha ideia do que o caminhão de lixo representava no ideário de Peraltinha. Mas sei que Chico, um dos lixeiros, e um dos meus melhores amigos de infância, sempre o observava.

Agachava apoiado na caçamba e estendia uma das mãos com as pontas dos dedos mirando o asfalto. Peraltinha a cheirava, cheirava e parava de correr, assistindo o caminhão desaparecer em direção a Sanepar. Todos os dias a cena se repetia. Ninguém entendia. “Por que esse cachorrinho sempre para de correr atrás do caminhão depois que cheira a mão do lixeiro?”

Chico só tirava as luvas para Peraltinha; para mais ninguém. Era a exceção. Foi assim durante meses, até que sem mais nem menos parou de perseguir o caminhão. Então eu soube que Chico tutelava uma cadela que teve filhotinhos, e o cheiro em sua mão sempre vinha dela. Era o perfume de mãe que atraía Peraltinha.

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O que vem do bicho é do bicho

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Pintura: Child With Chicken, de Diego Rivera

Na escolinha, a professora Helena falou sobre a relação dos seres humanos com os animais e mostrou dezenas de figuras para os alunos.

— A brincadeira é formar duplas e montar as peças de acordo com o que cada animal oferece de bom para a gente, tudo bem?
— Siiiiiiiiiimmmmmm! – responderam.

Depois de distribuir os quadrinhos de madeira para as crianças, a professora percebeu que Rubinho preferiu ficar sentado em um canto.

— O que foi, Rubinho? Você está passando mal? Sentindo alguma dor?
— Não…
— O que houve?
— Estou triste só…não quero brincar.
— Mas por que não? Você sempre amou brincadeiras envolvendo animais.
— Dessa eu não gostei.
— O quê?
— Esse jogo é de enganar.
— Como?
— Ah, não fala a verdade e quase todo mundo acredita.
— Qual é a verdade?
— Enquanto a gente se diverte os animais sofrem, e quase ninguém liga.
— Como assim, Rubinho?
— Ah, tia. Você falou que o boi, o frango, o porco e o peixe dão a carne; que a vaca dá o leite, a galinha dá o ovo e a abelha dá o mel. Isso não é certo…
— Por que você acha isso?
— Porque eles não dão nada pra gente, tia. Eles morrem, ficam presos ou sofrem por causa disso. É errado. Um dia, o vovô quase matou uma galinha na nossa frente. Ela se balançava e tentava escapar, com as perninhas pro ar. Fazia um barulhinho tão triste com o bico. Eu e a Marcelinha choramos e o vovô soltou ela. O chão ficou forrado de pena. Tadinha, se escondeu no galinheiro e começou a fazer um sonzinho esquisito. Acho que ela tava chorando. Ele ia matar ela só pra fazer galinha ao molho.
— A vida deles é essa, Rubinho.
— Mas não precisa, né? Eu e a Marcelinha não comemos carne, a gente nem sente falta. Tô vivo aqui. Ela também.
— Tudo bem, Rubinho. Mas não tem problema em tomar leite e consumir os ovos da galinha e o mel da abelha.
— Acho que tem sim, tia. Até o ano passado, o leite da minha mãe era meu. Então o leite da vaca é do bezerrinho até acabar. Não acho certo tomar o leite que é dele.
— Mas e os ovos e o mel?
— Ah, tia, não como nada de bicho não. O que vem do bicho é do bicho. Acho que se fosse pra mim ele me oferecia.
— É, Rubinho. Não posso negar que você tem um bom argumento.
— A gente não precisa de nada disso. Tem tanta coisa gostosa pra gente comer sem judiar de ninguém.
— Eu acredito.
— Minha mãe faz bolo, torta, pão, sorvete, tudo isso sem nada dos bichinhos.
— Sério?
— É sim. Na semana que vem vou trazer um bolo bem fofinho pra todo mundo experimentar.
— Traga sim. Tenho certeza de que vamos adorar.

Rubinho desfez o semblante tristonho, sorriu, abriu o caderno e mostrou um desenho para a professora. Um homem idoso soltava um peixe em um rio. Ao seu lado, havia um cão, um boi, um porco, uma cabra e uma galinha.

— Quem é esse?
— É o vovô, ele não come mais carne.
— Que legal! Então você conseguiu mudar a cabeça do vovô?
— Sim…no ano passado.
— Isso é incrível! Você deve ter ficado muito feliz.
— Fiquei sim!
— Muito bom, Rubinho! Parabéns!
Ah, tia. Aquela hora eu falei que os animais não dão nada pra gente. Eles dão sim.
— O quê, Rubinho?
— Eles dão lição de vida.

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