Archive for the ‘Carne’ tag
“É um exercício de poder falarmos que os animais são simplesmente máquinas”
É um exercício de poder falarmos que os animais são simplesmente máquinas, que não pensam, que não têm raciocínio e assim por diante; que agem só por instinto, porque assim eu posso usá-los ao meu bel-prazer. Então o fato de não admitir essa dimensão chamada de mente e alma nos animais é o mesmo mecanismo de exercício de poder que se usava em relação aos escravos na época de escravatura aqui no Brasil, que faz pouco mais de cem anos. Como é que o clero e outras instituições religiosas conviviam com isso? Afirmando que os escravos não tinham alma. Era uma estratégia de exercício de poder.
Irvenia Prada, então professora titular de anatomia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, no documentário “A Carne é Fraca”, de 2005.
Um exemplo de como animais reduzidos a alimentos são sensíveis, e nada têm de amorfos, é a arte “The Price” do artista estadunidense “Jackson Thilenius”. A obra é inspirada na realidade dos porcos que vivem em regime de confinamento. Distantes de uma vida natural e diante de muito estresse e outros transtornos psicológicos e emocionais, eles enlouquecem e acabam por matar os próprios companheiros. Infelizmente, essa é uma consequência da suinocultura intensiva visando a produção de bacon, lombo, presunto, pernil, picanha e costela, entre outros chamados produtos que as pessoas consomem no cotidiano.
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A angústia do boi a caminho do abate

“A parte mais estressante são os últimos minutos dele, porque ele vê o amigo dele caindo, escuta o mugido”
O processo de abate começa na fazenda, na hora que o pecuarista separa o lote dele para o frigorífico. Daí já começa o manejo para o abate. [Quando chegam ao matadouro o desespero dos bovinos é tão grande que eles se prensam na saída da carroceria do caminhão]. Na hora do abate, eles são tocados. Quanto menos usar choque nessa hora, menos prejudicial [bois sendo eletrocutados e mugindo]. A parte mais estressante são os últimos minutos dele, porque ele vê o amigo dele caindo, escuta o mugido.
Mesmo estando confinado em um lugar muito apertado, que tem gente em cima, pra mim, aquela parte é a mais angustiante. [Nesse momento o boi reconhece que algo de muito ruim está acontecendo com o seu amigo e então ele recua, tentando fugir]. Aquela angústia dele na rampa, nos últimos minutos, me marcou até hoje. Não olho nem pro osso deles.
É chamado de pistola pneumática o equipamento que a gente usa para insensibilizar. Tem um êmbolo mais ou menos da grossura do meu dedo. Na hora que o operador aperta o gatilho, esse êmbolo sai, lógico que entra na cabeça e volta. E daí dá aquele abalo no cérebro e faz ele ficar insensível. Daí cai na praia de vômito, é içado e depois de um minuto no máximo ele tem que ser sangrado porque senão ele acaba morrendo. Então ele tem que estar com a circulação funcionando para sangrar e escoar o máximo de sangue. Daí já pode fazer todas as operações – esfola, abertura da barriga, evisceração, serragem.
Muitos deles, a quase totalidade deles, quando já percebe o que está acontecendo com os outros lá na frente, eles entram em midríase, ou seja, eles ficam com a pupila dilatada. Então esses animais com certeza estão com taquicardia, com aumento de pressão arterial.
E nessa hora eles descarregam na circulação uma série de substâncias altamente tóxicas por medo, por pavor, por impossibilidade de fuga. E isso caracteriza o fato deles estarem em pânico. E essas substâncias, elas ficam na carne, e depois o homem vai se alimentar com isso. Seja a morte deles em um desses frigoríficos modelo ou em um matadouro comum.
Giovana Mondelli, responsável pelo controle de qualidade do Frigorífico Mondelli.
Irvenia Prada, professora titular em anatomia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.
Fernando Travi – psicólogo e higienista
Excertos do documentário “A Carne é Fraca”, lançado pelo Instituto Nina Rosa em 2005.
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“Você acha que as pessoas são ruins por se alimentarem de animais?”
Não. O consumo de alimentos de origem animal é cultural, então creio que as pessoas se apeguem a três fatores – costume, paladar e saúde. Sabemos que o terceiro é mais facilmente refutado, já que há tantos vegetarianos e veganos saudáveis pelo mundo afora. Porém a questão de costume e paladar é mais delicada, porque muitas pessoas os veem inclusive como indissociáveis.
Eu, assim como muita gente, cresci me alimentando de animais por um fator cultural baseado no costume. E quando esse fator está tão enraizado na cultura de alguém não é tão fácil enxergar o que realmente existe por trás do que consumimos. Também não é tão simples convencer todo mundo a abandonar esse hábito que muitas vezes representa inclusive todas as refeições que uma pessoa consome ao longo do dia. Há pessoas que tomam leite ou comem queijo no café da manhã, comem carne no almoço, e assim por diante.
É basicamente um dia todo consumindo animais. Fora que as pessoas passam uma vida toda sendo bombardeadas com informações que as convençam de que os alimentos de origem animal devem ser consumidos diariamente. Há uma indústria que te impele a isso; além de escolas, universidades, profissionais de saúde, e toda uma cultura comercial que absorve essa produção surreal que custa a vida de bilhões de animais a cada ano, isso para citar somente os terrestres. Olhe à sua volta e veja quantos estabelecimentos em um raio de quilômetros você pode citar que vendem animais reduzidos a produtos. Neste momento penso em mercados, empórios, bares, lanchonetes, restaurantes, etc.
Claro, muitas pessoas, principalmente adultos, sabem que estão se alimentando de um animal que foi morto, ou de algo que foi retirado dele em regime de privação ou sofrimento. No entanto, saber, enxergar e entender não são a mesma coisa. Uma pessoa pode testemunhar a morte de um animal, mas isso não significa que ela tenha uma real dimensão do que aquilo representa de fato; porque isso depende do seu nível de cognição em relação ao que foi visto e o que aquilo é capaz de despertar nela.
Também é preciso considerar o fato de que hábitos alimentares podem se tornar vícios mesmo que as pessoas não percebam. Alimentos de origem animal têm um poder muito grande de despertar algum tipo de dependência. Porém, qualquer hábito alimentar é passível de mudança, já que somos seres de hábitos mutáveis, embora isso pareça aparentemente difícil, o que na realidade não é.
Nós que temos essa crença e essa resistência. Acredito que não existe nada que o ser humano não seja capaz de fazer nesse sentido. Tudo é possível quando falamos de hábitos alimentares. Mas antes é preciso estimular um novo nível de consciência. Porque uma transição para o vegetarianismo ou veganismo sem uma sólida razão pode ser transitória, efêmera. Uma perspectiva vegana da crueldade pode ou não ser partilhada por quem não é vegetariano ou vegano.
Quero dizer, o vegano está em um nível diferenciado de consciência sobre a exploração animal, e aquilo pode ter um efeito positivo ou não sobre quem não é dependendo da acepção de quem o lê ou o ouve. Darei um exemplo. Duas pessoas observam carnes em um açougue. Uma delas é vegana e a outra não. A vegana fica chocada com o que vê, por entender que está diante dos pedaços do cadáver de um animal não humano, o que é a mais honesta compreensão da realidade.
Por outro lado, quem não é vegano ou vegetariano observa apenas a carne, dissociada do animal. Não reflete sobre o que aconteceu antes daquela carne chegar àquele local. Vamos supor que aí existe a possibilidade de um diálogo. Se esse diálogo estiver muito aquém do nível de consciência ou da predisposição interpretativa daquele que se alimenta de animais, o resultado pode não ser tão positivo dependendo da abordagem.
Claro, a pessoa citada nesse exemplo pode ter algum nível superficial de consciência de que aquilo foi um ser vivo, mas isso não significa que ela tenha feito ou pelo menos esteja disposta a fazer uma concatenação entre carne, privação e morte. É como um cenário em que duas pessoas estão diante de um assassinato – uma delas assiste tudo e a outra escuta apenas os tiros e os gritos. Ou seja, a primeira pessoa naturalmente estará em um nível de reflexão mais profundo do que foi visto. E como a outra não viu nada, seja por recusa ou temor do que aquilo poderia despertar nela, talvez a interpretação do fato seja dissonante.
No geral, creio que é problemático qualificar quem consome animais como alguém ruim. Naturalmente, pesamos o sofrimento dos animais, e isso é evidentemente terrível. Porém, se nos entregamos à emoção, facilmente perdemos a razão – como diz o clichê. Sim, não tenho dúvidas de que há pessoas que não teriam problema nenhum em matar animais e comê-los. Talvez até por uma questão de disfunção narcotizante, que neste caso em específico seria a banalização da morte, mas esses não representam a maioria da população. Na realidade, a maioria sequer já teve contato real com animais reduzidos a alimento e produtos. Tenho certeza de que muitas pessoas precisam apenas de uma oportunidade de conscientização, de contato mais profundo com essa questão da exploração animal; de tudo que envolve a redução dos animais a alimentos e outros produtos.
Normalmente me deparo com situações em que pessoas que comem carne ficam surpresas e sensibilizadas com algum fato que envolve a exploração animal. Posso citar como exemplo um caso em que havia um mamilo em um pedaço de bacon e houve bastante comoção. Muita gente apontou hipocrisia nisso, o que não deixa de ser verdade, já que ao comer bacon, você está comendo um pedaço de um porco, um animal com mamilos. Mas, por outro lado, entendo que essa reação também pode ser um indicativo de um choque de realidade que pode instigar conscientização e sensibilidade, enfim, quem sabe, predisposição a uma verdadeira reflexão do que é o sofrimento animal. Sendo assim, vejo nessas pessoas que ficam chocadas uma franca possibilidade de mudança.
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A história do ex-palhaço do McDonald’s que se tornou um vegetariano ético
“Meu desejo a todos aqueles que comem carne é que entendam que é possível ser saudável e feliz sem participar da matança de animais inocentes”
Geoffrey Giuliano nasceu em Rochester, Nova York, em 1953. Se graduou em artes cênicas pela Universidade de Nova York e depois concluiu o mestrado na mesma área. Com uma esposa e dois filhos, ele chegou a um ponto em sua vida em que o desemprego e um empréstimo estudantil o levaram a participar de todos os tipos de audições, inclusive de empresas do ramo alimentício que contratavam atores.
A única oportunidade em que viram o seu potencial foi em uma audição do Burger King, onde ele interpretou o Marvellous Magical Burger King, ícone da rede de fast food. “Foi a única oportunidade que apareceu. Minhas crenças eram minhas. ‘Se todo o resto do mundo quer matar uma vaca e comê-la, deixe que façam isso, desde que eu não participe.’ Era assim que eu justificava isso”, explicou Geoffrey Giuliano em entrevista publicada no “Hinduism Today” em março de 1991.
Giulliano já era vegetariano nos anos 1970, embora não por uma motivação verdadeiramente ética como comprova a frase acima. Depois de interpretar o famoso rei em vestes medievais que atraía principalmente crianças para as franquias do Burger King, o ator estadunidense foi contratado entre mais de 600 palhaços para representar Ronald McDonald, o personagem mais famoso da rede McDonald’s.
“Uma das primeiras coisas que me impressionou foi que o núcleo executivo do McDonald’s e a equipe da sua agência de publicidade [que sabiam exatamente como tudo era feito], nunca comiam a comida do McDonald’s. Eles tinham um chefe le cordon bleu, e era só chamá-lo que ele preparava qualquer coisa que eles quisessem”, disse.
Para interpretar o palhaço carismático, Geoffrey Giuliano recebia um salário anual de 50 mil dólares, além de chofer, limusine, um chefe de cozinha a seu dispor o dia todo, um escritório em uma cobertura e uma secretária. “Eu sentia que comer carne era prejudicial à saúde, desnecessário e muito, muito errado. Eu queria me redimir e deixar esse mundo, para sempre. E se eu pudesse ajudar alguém antes, essa seria a única razão para que eu continuasse nesse negócio de Ronald McDonald”, declarou ao “Hinduism Today”.
Giulliano ficou tão famoso como Ronald McDonald que as pessoas o paravam na rua para pedir autógrafo. Em uma carta aberta, ele explicou o motivo do seu desligamento da rede McDonald’s depois de dois anos. “Fui contra tudo em que acredito, vendendo para o gigante corporativista McDonald’s, interpretando Ronald McDonald para milhares de crianças inocentes que confiavam em mim. Também lamento dizer que interpretei o Marvellous Magical Burger King no Nordeste dos Estados Unidos, fazendo um show de mágica para crianças e promovendo as ‘glórias’ de comer carne para a corporação Burger King”, escreveu.
Em junho de 1990, Geoffrey Giuliano, o ex-Ronald McDonald, se juntou a 150 ativistas pelos direitos animais para falar sobre como a matança de animais visando a produção de alimentos não faz o menor sentido. Na ocasião, ele gritou frases como: “Carne é assassinato!” Em publicação do “The Sunday Sun”, de 1º julho de 1990, ele contou que é muito cruel comer animais.
Dez anos depois que deixou o seu trabalho como Ronald McDonald, o ator estava assistindo TV quando viu um anúncio antifumo estrelado por um dos intérpretes do Marlboro Man, que contraiu doença pulmonar por causa do tabagismo. Isso o inspirou a fazer algo a respeito do seu passado. Ele tomou a decisão de criar um show de mágica sem fins lucrativos, para conscientizar as crianças sobre o estilo de vida vegetariano, incentivando-as a respeitarem os animais e o meio ambiente.
“Quero me desculpar por ajudar a fazer lavagem cerebral nos jovens da América do Norte”, declarou. Como Ronald McDonald, Geoffrey Giuliano participou de comerciais e compareceu a muitos eventos do McDonald’s, inclusive inaugurações de franquias entre os anos de 1980 e 1982. O seu show mais conhecido era o “Ronald McDonald Safely Show”, voltado para crianças.
“Eu fazia shows, e todos os shows eram gratuitos, e havia crianças que nunca viram nenhum [tipo de] show em suas vidas. Eles corriam até mim, choravam e riam. As crianças eram maravilhosas. Isso foi o que me impediu [de continuar sendo o Ronald McDonald]”, justificou.
Em entrevista ao documentário “McLibel: Two Worlds Collide”, lançado em 1998 e dirigido por Franny Armstrong e Ken Loach, Giuliano revelou que a ideia era convencer as crianças de que os hambúrgueres não têm nada a ver com uma vaca morta, que eles crescem em um lugar feliz e você apenas os arranca com a ajuda de um cara roxo, do Hamburglar, e todos os outros personagens.
“Eles encobriram esse massacre de animais inocentes como em um conto de fadas. Uma vez fui à fábrica onde as galinhas são ‘preparadas’ para fazer o McNuggets. Elas entravam de um lado vivas e saíam mortas do outro lado. O cheiro era horrível. Havia algo escorregadio e nojento no chão, e você sabia que era um lugar de morte”, enfatizou.
Geoffrey Giuliano, que criou os quatro filhos como vegetarianos, se recordou em entrevista ao “Hinduism Today” que ele tinha muita facilidade para fazer as crianças sorrirem. Em suas visitas como Ronald McDonald ao Hospital de Crianças de Toronto, no Canadá, onde ele visitava pacientes em fase terminal, um dia uma enfermeira disse para ele não entrar em um dos quartos porque o garotinho que ele pretendia visitar estava em coma profundo.
“Bom, se ele está tão distante [em coma profundo], o que pode machucá-lo?”, questionou. Então caminhou até a criança, mexeu em seu nariz, fez um pequeno truque de mágica, sussurrou em seu ouvido e segurou sua mão. “Juro por Deus, ele saiu do coma e sorriu. Foi inacreditável!”, garantiu.
Longe dos holofotes, Giulliano se especializou na produção de biografias e se tornou um autor bem-sucedido. Publicou livros sobre a vida de Paul McCartney, George Harrison e Pete Townshend, além de um livro de entrevistas raras dos Beatles. Em publicação do “Hinduism Today” de março de 1991, ele se desculpou novamente com todos os vegetarianos, principalmente aqueles que, por causa do seu trabalho como Ronald McDonald, tiveram dificuldades em convencer seus filhos a seguirem uma dieta vegetariana.
“Meu desejo é que todos aqueles que comem carne entendam que é possível ser saudável e feliz sem participar da matança de animais inocentes”, destacou.
Referências
Armstrong, Franny. Loach, Ken. McLibel: One-Off Productions e Spanner Films. Two Worlds Collide (1998).
https://www.hinduismtoday.com/modules/smartsection/item.php?itemid=804
http://www.mcspotlight.org/people/interviews/guilliano_geoff.html
http://www.mcspotlight.org/people/witnesses/advertising/guiliano_geoff.html
http://www.thenazareneway.com/vegetarian/ronald_mcdonald_is_now_a_vegetar.htm
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Para o escritor Pat Condell, dizer que alguns vegetarianos comem peixe é como dizer que alguns budistas adoram Alá
Pat Condell se tornou vegetariano em 1978 depois de testemunhar o abate de um cervo

Condell: “Nós nos tornamos nossas crenças e as vestimos como se fossem roupas, e é fácil imaginar que tudo é como deve ser até você confrontar a realidade”
O escritor e comediante irlandês Pat Condell se tornou vegetariano em 1978, quando testemunhou um cervo sendo abatido. Desde então, não quis mais saber de comer nada de origem animal. “Foi uma das melhores coisas que fiz”, admite.
Em seu site, ele conta de forma bem-humorada que não entende porque todos os seres humanos não são vegetarianos. “Nós nos tornamos nossas crenças e as vestimos como se fossem roupas, e é fácil imaginar que tudo é como deve ser até você confrontar a realidade”, ponderou.
Condell já passou por muitas situações inusitadas e desconfortáveis por ser vegetariano. Ele se recorda de uma vez em que foi até um restaurante e percebeu que não havia nada para vegetarianos, a não ser uma simples salada. “Ah, vamos lá! Certamente você pode ter um frango. Tem um cérebro tão pequeno que é praticamente um vegetal”, respondeu o garçom.
Sobre experiências em consultórios médicos, o escritor também não tem recordações muito boas. Segundo Pat Condell, se você contar ao seu médico [que reprova o vegetarianismo] que você é vegetariano, você pode ouvi-lo mentalmente o reprovando. “É como dizer a um padre que você se converteu ao islã”, ironizou.
O escritor afirma que raramente vai ao médico, já que dificilmente fica doente. Ele não sabe se isso tem relação com o fato de ser vegetariano, mas logo emenda: “Acho que tem sim. Posso ficar anos sem pegar um resfriado, e sempre me sinto muito bem. Hurra! para mim e passe-me os brotos de feijão”, enfatizou em tom bem-humorado.
Depois de tanto perguntarem sobre o motivo que o levou para o vegetarianismo, um dia Pat Condell decidiu dar uma resposta imprevisível. Questionado pela médica se ele é vegetariano pela saúde ou por razões morais, ele respondeu: “ Nenhuma! Faço isso apenas para irritar as pessoas.”
Outra questão que sempre o incomodou é o fato de encontrar pessoas sempre insistindo para que ele coma peixe, ovos e queijo:
— Você come peixe?
— Não.
— Alguns vegetarianos comem.
— Isso é como dizer que alguns budistas adoram Alá.
— E sobre ovos?
— Não.
— Queijo?
— Sinto muito.
— Não é um pouco extremo?
Pat Condell usa esses exemplos, que ele apresenta de forma cômica, para mostrar como há tantas pessoas, inclusive bem instruídas, que até hoje não sabem como é a alimentação de um vegetariano, e, segundo ele, muitas vezes por desinteresse.
Saiba Mais
Pat Condell nasceu em Dublin, na Irlanda, em 23 de novembro de 1949.
Em 2010 e 2012, ele publicou os livros “Godless and Free” e “Freedom is My Religion”.
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Google lança vídeo denunciando o papel da pecuária no desmatamento da Amazônia
Este mês, o Google lançou um vídeo em seu canal no YouTube intitulado “Eu Sou Mudança – Consumo Consciente”. O trabalho bastante objetivo, que não chega a um minuto e meio de duração, denuncia, de maneira bem simples e didática, como a pecuária tem contribuído com o desmatamento na Amazônia. Ao final, enfatiza que “o desmatamento pode estar no prato de quem consome carne”, relacionando esse hábito com o impacto ambiental.
De acordo com o vídeo, na Amazônia, mais de 750 mil quilômetros quadrados de floresta foram destruídos, dois terços foram transformados em pasto, o equivalente ao tamanho da Espanha. Tudo começa assim, uma pequena estrada de terra é aberta na floresta, por onde entram madeireiros interessados no corte das árvores com maior valor comercial. Quando acabam de cortar, e deixam a área, chega o fazendeiro de gado pela mesma estrada, corta todas as árvores remanescentes e bota fogo em tudo para fazer pasto.
Aí o gado se espalha, em uma imensidão de território só ocupado por ele. Segundo informações do filme, a pecuária extensiva ainda é a maior responsável pela derrubada de floresta na Amazônia brasileira. É um ciclo vicioso. Após a derrubada da floresta, o pasto se degrada rapidamente, exigindo assim novas aberturas na floresta.
O vídeo diz também que 38% de toda a carne produzida no Brasil vem da Amazônia. Somos o maior exportador de carne do mundo. “Não seria exagero dizer que o desmatamento pode estar no seu prato. Até agora já são 20% de toda a Amazônia que se foi. Todo esse pasto, e pensar que era tudo floresta”, termina.
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“Por que você acha que as pessoas consomem alimentos de origem animal?”

Dos trabalhos old school da artista plástica britânica Sue Coe, este é um dos meus preferidos: “It’s a Picnic”. De um lado, animais confinados e sendo açoitados. Do outro lado, pessoas se confraternizando. Essa arte sintetiza o desinteresse humano em fazer alguma diferença na vida dos animais, ignorando à sua volta até mesmo um cenário de privação, sofrimento e morte.
— Por que você acha que as pessoas consomem alimentos de origem animal, mesmo quando reconhecem que estão se alimentando de animais mortos?
— Eu vejo três aspectos importantes para entender um pouco essa questão. O primeiro é um fator historicamente cultural, ou seja, o distanciamento da ideia de que um animal não é um produto. E claramente isso foi reforçado a partir da Revolução Industrial no século 18, se estendendo em proporções aberrantes até os dias atuais. É até interessante tocar nesse ponto porque o vegetarianismo, ou melhor, o vegetarianismo ético, começou a ser formatado nos moldes atuais exatamente nesse período, o que pode ter sido inclusive uma reação a um novo nível de banalização da vida.
Mas voltando à questão, vejo que antigamente não era incomum os criadores terem algum tipo de vínculo ou afinidade com os animais. Na realidade, no Brasil, por exemplo, isso era muito comum até os anos 1970, pelo menos no interior do país. Sei disso porque parte da minha família veio do meio rural. Mas essa afinidade, mesmo quando culminava ou culmina na morte do animal reduzido a produto, era e é limitada, limitada por uma crença de que se você ver inúmeras semelhanças entre você e um animal, você não é capaz de matá-lo. Talvez de mandar que alguém o mate, dependendo dos níveis de conexão e desconexão.
Ainda assim, eu diria que pode ser bem difícil você atentar contra a vida de um animal depois de reconhecer, talvez até mesmo por identificação, que ele é um ser de direitos com necessidades que pareçam similares às humanas, embora não signifique que sejam. Digo isso porque devemos considerar que cada animal tem a sua própria complexidade enquanto ser vivo. Sobre a desconexão, um exemplo que posso citar baseado em uma realidade histórica regional é que se evitava dar nomes aos animais, principalmente nomes humanos. Também não era recomendado manter contato diário que fosse além do essencial, como alimentá-los. E aqui eu falo da realidade dos pequenos criadores. Porque nas médias e grandes propriedades já havia claramente toda uma estrutura que permitia um distanciamento muito maior.
Afinal, dependendo da quantidade de animais concentrados em uma área, é mais fácil não encará-los como “sujeitos de uma vida”, termo cunhado pelo filósofo Tom Regan. Não tenho dúvida de que para que a morte dos animais continue sendo perpetuada, é preciso que a desconexão seja predominante, e muitas vezes essa desconexão é baseada na ideia de que o animal está cumprindo o seu papel, que é servir como comida, logo há quem encare isso como um ato de nobreza, mesmo que mascarado por uma falsa premissa. Sem essa desconexão, se você se permitir entender o quanto a vida de um animal é importante para ele, assim como a sua é para você, as chances de você matá-lo ou comê-lo diminuem consideravelmente. Qualquer pessoa que experimenta não apenas o entendimento, mas a sensibilidade do que é a vida não humana, tem grandes chances de não querer mais tomar parte nessa desnecessária exploração animal.
O segundo aspecto que considero relevante é a dissimulação da informação. Conheço muitas pessoas de grande sensibilidade, mas que estão imersas no fator cultural da legitimação da exploração animal. Mas sei, baseado no que vejo, que muitos desses irão abdicar disso no futuro. Porém, ainda não o fizeram porque têm dúvidas, inclusive medo, sobre as consequências dessa decisão. Ainda assim, não tenho a menor dúvida de que aos poucos isso vai melhorando, conforme mais e mais informações forem compartilhadas, e os mitos derrubados. Acredito que a única ferramenta para reverter isso é a conscientização, que naturalmente varia de acordo com o emissor e seu nível de informação. Temos inclusive literatura voltada para a educação vegana, o respeito aos animais para além do especismo.
É perceptível o receio das pessoas em tornarem-se vegetarianas ou veganas, um temor que desde o princípio do século 20 é alimentado por muita propaganda que existe não exatamente para garantir o bem-estar da população, mas para manter o status quo das grandes indústrias que atuam no ramo da exploração animal. E qual é o maior exemplo da eficácia dessa propaganda? Quando se tornam parte do ensino. Ou seja, invadem escolas e universidades como vemos há muito tempo. O que as instituições de ensino repercutem, quando ajudam a reforçar a falsa necessidade da exploração animal, é uma versão supostamente educativa da publicidade e da propaganda que ganhou muita força no século 20. Compare a propaganda com a educação nesse aspecto da objetificação. Basicamente é a mesma coisa, o que muda é apenas a linguagem. Afinal, se houvesse uma forte crença do quanto é desnecessário consumir, por exemplo, carne, leite, ovos, o que as grandes indústrias fariam? Elas não teriam como se sustentar no mercado, porque elas dependem de uma aprovação massiva, que poderia sair de controle com uma perda acentuada de consumidores.
Não tenho dúvida de que no entendimento da indústria da exploração animal, é preciso bombardear a população com informações diárias e constantes sobre a importância do consumo de alimentos de origem animal, o que obviamente é uma falsa necessidade, já que vegetarianos e veganos saudáveis são a prova disso. Sem propaganda, a indústria da exploração animal não seria o que é. E ela tem a seu favor o fato de que ainda podemos encontrar muita, muita gente mesmo, que nunca viu um porco vivo à curta distância, assim como um boi ou qualquer outro animal reduzido a produto, o que dificulta o processo de empatia e reconhecimento de direitos não humanos. Isso é mais comum do que podemos imaginar. E facilita bastante a dissociação entre vida, morte e comida.
É fácil encontrar pessoas no mercado que não sabem a origem do presunto, quero dizer, de qual animal esse suposto alimento é proveniente. Isso mostra o quão imersos estamos em uma realidade preocupante, em que muitas vezes as pessoas não se importam, de fato, com o que consomem e as implicações disso, seja para outros seres ou até mesmo para nós. E por que isso acontece? Porque eles acreditam cegamente na indústria. Não há realmente um questionamento contundente. Quando ele existe, se volta mais para a “qualidade do produto”, não para o que ele realmente é.
O terceiro aspecto é o paladar, que também está relacionado com o aspecto cultural e a dissimulação da informação. As agências de publicidade conseguem despertar um anseio no espectador ao trabalhar imagens positivas, repletas de cores associadas ao prazer da alimentação baseada na exploração animal – o que podemos interpretar como um efeito sinestésico. Além disso, sempre apresentam animais como seres felizes e caricatos ao darem sua vida para alimentar seres humanos, se enquadrando no que costumo chamar de “dissimulação estética”. E qual animal seria feliz em morrer para alimentar alguém? Obviamente, nenhum, já que isso não acontece nem mesmo na savana, imagine então no contexto da indústria de carnes, laticínios e ovos, onde muitos animais são condicionados à exploração intensiva, privados de uma vida livre da má intervenção humana.
É preciso considerar também que o paladar é um prazer sensorial que há muito tempo dita alguns hábitos da humanidade. Como lidar com o paladar quando falamos de exploração animal? Bom, o paladar só pode ser associado ao prazer se entendermos que o que estamos consumindo é plenamente satisfatório, sem levantar muitas dúvidas e questionamentos que coloquem esse hábito em xeque a ponto de propor uma real mudança. E não há como algo ser satisfatório se a sua mente trabalha contra isso. Portanto, isso explica por que vegetarianos e veganos muitas vezes têm esse prazer anulado ou neutralizado.
Até porque torna-se impossível não ver os animais que deram vida àqueles “produtos” nas vitrines dos açougues e nas seções de frios, por exemplo. Claro que nem todos são assim. Há quem sinta falta de alguns produtos de origem animal. No entanto, com o passar do tempo esse anseio vai desaparecendo cada vez mais, quem sabe, até se extinguir completamente. Ainda assim, é importante reconhecer que substituir o prazer da gustação, seja motivado por compaixão ou razão, é uma demonstração de que o paladar está abaixo de valores mais importantes como a valorização da vida não humana. Afinal, você associa produtos de origem animal com exploração, privação, sofrimento e morte.
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“Você come muitos vegetais, então a sua comida é cheia de agrotóxicos”
— Você come muitos vegetais, então a sua comida é cheia de agrotóxicos, logo você tem mais chances de morrer do que eu.
— Será? Quantas pessoas você conhece que adoeceram pelo consumo excessivo de proteína animal? E agora me diga quantas ficaram doentes em consequência do consumo “excessivo” de vegetais? Pesticidas, herbicidas e fungicidas são um problema, não nego, e precisamos discutir a respeito. Mas você já considerou o fato de que a carne que você consome é proveniente de um animal que também se alimentou de agrotóxicos? A indústria precisa apenas garantir que esses animais sejam alimentados para que um objetivo seja alcançado, que é a produção de carne. Mas ela não tem obrigação nenhuma de não alimentá-los com alimentos que receberam aplicação de agrotóxicos, entre outros químicos, por exemplo. Até porque eles vão morrer de qualquer forma para depois irem para o seu prato. Pense nisso. Será que sou eu que estou consumindo mais agrotóxicos ou você? Há outro ponto a se considerar. A carne que você consome passa por um sistema fitossanitário que não garante uma higienização de 100%, o que significa que não se pode descartar sempre o risco de algum tipo de contaminação antes da carne chegar à sua mesa. Normalmente, o que a fiscalização vai avaliar é se isso pode ser nocivo ou não para o consumidor. E nesse contexto há variáveis e níveis considerados aceitáveis de contaminação.
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Os perigos das dietas que demonizam os carboidratos e incentivam o alto consumo de proteínas de origem animal
Sobre as dietas de perda de peso, as pessoas usam duas abordagens que não funcionam a longo prazo. Então é claro que elas dizem que dietas não funcionam. Uma abordagem é tentar ficar sem comer e sentir fome o tempo todo. Essas são dietas de porções controladas, dietas típicas que as pessoas seguem. Não funciona porque você sente fome o tempo todo, e não se pode tolerar esse tipo de dor.
As alternativas são as dietas “torne-se um doente”. E essas são as dietas de alta proteína de origem animal, alta gordura e baixo carboidrato. Nos últimos anos surgiram muitas dietas afirmando que comer pouco carboidrato e muita proteína animal ajuda a perder peso. Tudo orquestrado por campanhas publicitárias multimilionárias e pelo endosso de celebridades [que lucram com isso]. Como resultado, a maioria das pessoas hoje associa carboidrato a ganho de peso.
Dietas com pouco carboidrato deixam você doente [um exemplo é a baixa na imunidade]. Como resultado, todo o seu corpo fica doente, [com riscos de] doenças arteriais e danos nos rins, no fígado e assim por diante. Elas aumentam a mortalidade. Isso já foi mostrado inúmeras vezes nos grandes estudos. Mas elas também o deixam doente de forma que faz você perder o apetite. A pessoa diz: “Finalmente encontre a solução!” E então você entra em cetose e perde o apetite. Como resultado, pode se sustentar sem pensar em comida o tempo todo. Porque você está doente. Essas dietas são perigosas, e as pessoas não deveriam segui-las.
Em 1973, Rob Atkins publicou seu primeiro livro no qual ele argumentava que o problema não era com a gordura, o problema não era com a proteína. Segundo ele, o problema era que consumíamos carboidratos demais. E ele defendeu este argumento. E depois, muitas outras pessoas escreveram a mesma coisa. A Dieta de South Beach é apenas uma cópia, na maior parte, da Dieta Atkins.
A Dieta das Zonas é uma cópia, e a Dieta do Tipo Sanguíneo, em muitos aspectos, também é uma cópia. Calorias Boas, Calorias Ruins, de Gary Taubes, a mesma coisa. Até mesmo Michael Pollan, devo dizer, o Dilema do Onívoro, é uma cópia. E a Dieta Paleo, tão popular hoje em dia, é só uma cópia.
São erros e fraudes em dietas comerciais com nomes diferentes, e podem cuspir diferentes argumentos sobre o porquê de aquilo estar certo, mas estão todos errados. Isso é escrito por pessoas, devo dizer, que não têm experiência nesse campo de pesquisa nutricional, e ponto. A maioria nunca publicou um artigo sequer na literatura científica.
Bem, como você sabe, as maiores mentiras do mundo são aquelas que têm um fundo de verdade. Todos sabemos disso. É uma grande tática. É verdade, concordo que devemos cortar os carboidratos, mas os carboidratos simples. Isso está fora do contexto geral. Você sabe, açúcar, farinha branca. Isso faz sentido. Neste caso, tem um fundo de verdade. Mas eles nem sempre destacam isso. Apenas dizem: low carb, low carb, low carb.
Todos querem ouvir boas notícias sobre seus maus hábitos. Então quando você diz às pessoas que elas podem comer quanta lagosta quiserem, podem comer bife com ovos, alguns incluem laticínios, outros não. Isso soa agradável para as pessoas porque parece menos restritivo. Algumas das pessoas que estão falando sobre dietas com poucos carboidratos não têm habilidades para avaliar informações científicas. Escute, esqueça o que você gosta ou não gosta. Pense no seu objetivo.
John McDougall, médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”.
T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.
Pamela A. Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.
Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.
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“Ah, você fica publicando esses textos criticando o consumo de carne, leite e ovos”
Ah, você fica publicando esses textos criticando o consumo de carne, leite e ovos. Mas então por que pouca gente sabe disso, e não sai na TV, na grande mídia? Parece teoria da conspiração.
— Isso não sai na grande mídia por um motivo óbvio. Significaria perder grandes anunciantes. Acredito que há veículos que poderiam até fechar suas portas dependendo do tipo de contrato e da duração. Ou você acha que é fácil bater de frente com um mercado que movimenta trilhões? Só o mercado global de carne bovina prevê uma receita de 2,1 trilhões de dólares até 2020. Ir contra a indústria da exploração animal é um trabalho de resistência. Isso significa lutar contra toda uma publicidade que começou a ser desenvolvida massivamente após a Revolução Industrial. Além disso, enquanto se publica uma pesquisa honesta criticando o que existe de errado nesse meio, surgem até dez sob encomenda tentando desqualificar esse trabalho. O único momento em que a mídia volta sua atenção para a realidade da indústria da exploração animal é quando surge algum escândalo, então é claro que eles são obrigados a se manifestarem. Do contrário, perdem credibilidade. Porém, isso também não significa que estejam simplesmente defendendo os interesses da população. Só pra ter uma ideia, no primeiro semestre de 2016 a JBS e a BRF investiram sozinhas 1,2 bilhão de reais em publicidade veiculada no Brasil. Sendo assim, o potencial de dissimulação da realidade a respeito dos produtos de origem animal é sempre maior do que o da verdade. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, obviamente. Prefiro me juntar àqueles que não enchem os bolsos de dinheiro às custas da exploração de seres vivos incapazes de reivindicar o direito à vida.
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