David Arioch – Jornalismo Cultural

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Por que o veganismo é um imperativo moral?

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Se é imperativo, é impositivo? Então o veganismo é uma imposição?

Não há alimentos ou produtos de origem animal se não nos apropriarmos do que pertence a seres de outras espécies (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Porque onde não há veganismo há exploração e morte – isso é apenas uma questão de tempo. O veganismo é um imperativo moral sob a perspectiva da imprescindibilidade e da incontestabilidade, não da arbitrariedade. Até porque quem impõe algo somos nós ao decidirmos quando e como as outras espécies devem nos servir.

Se as pessoas não concordam em se abster de encarar animais como fontes de produtos, então elas concordam com a exploração e com a matança de animais, já que os dois elementos estão associados. Não matar seres humanos também é um imperativo moral, já que sabemos quais são as implicações disso, e não falo sob uma perspectiva legal, mas sim de estado de senciência e consciência, além do construto social.

Se posso não causar dor por que causá-la? Se posso não interferir negativamente na vida de alguém, humano ou não, por que fazê-lo? Se você entende que isso é desnecessário e errado, você compreende essa premissa como um imperativo moral, porque você considera inadmissível “escolher comer algo” que custa condicionamento, privação, sofrimento e/ou morte.

Não há alimentos ou produtos de origem animal se não nos apropriarmos do que pertence a seres de outras espécies. E nessa apropriação nos colocamos em posição de discricionariedade. Afinal, passamos a estimular e a financiar a geração de vidas de outras espécies somente para atender interesses pautados em nossos gostos e vontades.

O que significa que os interesses dos animais não fazem a menor diferença quando o que queremos é usufruir daquilo que não é essencialmente produzido por nós, mas que gostamos de dizer que sim, já que temos os instrumentos necessários para favorecer tal produção. Mas se o que produzimos não é mormente gerado por nós como podemos dizer que somos, de fato, produtores?

Acredito que o veganismo é um imperativo moral porque não cabe suscetibilidade e relaxamento. Afinal, sob a perspectiva vegana, você não acorda e diz: “Hoje comerei algo que custou a vida de um animal que não queria morrer.”





Vaquejada não é esporte, é violência

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Um animal sem nome sem espécie

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Único em seu gênero, repousa ao lado de uma macieira

Há um animal, sem nome sem espécie. Único em seu gênero, repousa ao lado de uma macieira. Um homem assiste. Parece boi? Porco também não. Frango, galinha? Menos ainda. É bonito, espadaúdo. Mais do que isso aos olhos do homem – carnoso, delicioso. A fome emana o que a gana encana.

Lindas e robustas maçãs caem entre as pernas do sujeito. Ele? As ignora. Não! “Quero ele”, balbucia roçando a ponta da língua no lábio superior. Desembainha a faca espigada e caminha até o animal que não corre – nem se move na inocência vituperada pela inexperiência.

O homem o abraça. Vra! Vra! Vra! Maçãs rolam ao seu encontro. Maçãs do amor, “caramelizadas” pelo sangue morno, basto. Brilham. O homem comemora diante do moribundo que não chora.





Somos estranhos na nossa relação com outras espécies

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Encarceramos espécies que jamais nos causaram qualquer mal

A ideia da inferiorização do que é diferente há muito embruteceu o ser humano (Arte: Hartmut Kiewert)

Como seres humanos somos estranhos na nossa relação com outras espécies. Confinamos os nossos quando esses são condenados por crimes. Porém, encarceramos outras espécies, que jamais nos causaram qualquer mal, simplesmente porque, ao nos considerarmos superiores, nos colocamos em posição de subjugar aqueles que não partilham das nossas habilidades e do mesmo código comunicativo que nós. Porque a esses relegamos o destino da servidão que finda com a morte.

A ideia da inferiorização do que é diferente há muito embruteceu o ser humano. E mesmo hoje, quando o pretexto de suplantar o outro é mais desnecessário do que nunca, até mesmo aqueles que gozam de certas habilidades intelectuais defendem essa prática. Mas por que as coisas são assim?

Simplesmente porque muitos não reconhecem ou preferem não reconhecer que o que fazem nada mais é do que perpetuar hábitos facilmente substituíveis e vícios do paladar que se arrastam por gerações, ou que se desenvolvem a partir dos nossos pontos de vulnerabilidade. Sim, porque se digo que sou incapaz de me abster do consumo de animais, por exemplo, sou, sem dúvida, inábil em controlar as minhas próprias vontades – o que é uma axiomática fraqueza.

O ser humano, independente de inteligência ou níveis de empatia, quando é dominado por algo, não raramente sofre de um tipo criterioso de cegueira, mas é uma cegueira viciosa e deleitável que suprime as possibilidades de ser vista como algo problemático – o que exigiria reflexão e reavaliação sobre quem somos, quem são os outros e o que fazemos. O prazer que determinados humanos têm com a reafirmação da ideia da superioridade e seus desejos a partir da morte de outras criaturas também são um endosso comum desse hábito.

Há algo de altaneiro, e não no bom sentido, no ser humano que, desconsiderando as implicações de suas escolhas para as vítimas, busca pretextos para justificar o consumo de animais. A verdade é muito simples – se há vida saudável sem morte, a matança é sempre injustificada. Afinal, todo alimento proveniente de privação, sofrimento e morte é resultado de nossas escolhas ou do condicionamento dessas escolhas; sejam culturais ou não, conscienciosas ou não.





Uma reflexão sobre o consumo de embutidos

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Será que as pessoas costumam considerar a quantidade de animais que deu origem a um pequeno embutido?

Em muitos casos, embutidos reúnem partes de diversos animais, não apenas de um (Arte: Tommy Kane)

Todo mundo já viu embutidos na seção de frios dos mercados, ou aqueles nuggets em caixinhas. Mas será que as pessoas costumam considerar a quantidade de animais que deu origem a um pequeno embutido? Você está diante de uma seção, e a poucos centímetros dos seus olhos há meio quilo de alguma coisa; e aquela alguma coisa muitas vezes reúne partes de diversos animais, não apenas de um.

Na realidade, creio que poucos ponderam que aquilo pertenceu a um animal, já que o costume faz com que a associação mais frequente seja com os pedaços comprados à mão do açougueiro. Isso não te parece surpreendente? Pedaços de diversos animais embalados e compactados em algo tão pequeno. Fragmentos que antes permitiram que tais seres sencientes existissem, mesmo que marcados pela mortandade precoce.

De repente, temos meio quilo de algo que um dia fez parte de um número indefinido de criaturas. Muitos animais, no caso dos nuggets – que basicamente são partes de frangos, seres sociais com personalidades distintas. E a mortadela e a salsicha? Sim, pedaços de muitos animais selecionados mecanicamente.

Isso significa que quando alguém come, por exemplo, uma salsicha, esse alguém pode estar consumindo não apenas a parte de um animal que um dia enxergou o mundo, caminhou sobre a terra, sobre um pedaço de concreto, e, a partir de suas características, manifestou seus próprios anseios e potencialidades de socialização.

Realmente, não. São vários animais que dão origem a um mesmo embutido – significando assim uma diversidade de identidades suprimidas por um desejo, na maioria dos casos, inconsciente pela morte de vulneráveis. Afinal, quando nos alimentarmos de animais, naturalmente não apenas damos o aval, mas ordenamos, mesmo que irrefletidamente, que suas vidas sejam diluídas às nossas vontades.





Práticas violentas contra os animais só existem porque sempre há plateia e consumidores

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Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita?

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Por que acredito que o sofrimento de um animal não humano não é menor do que o humano na iminência da morte

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Ocidentais e orientais e o consumo de animais

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Sobre crianças que são obrigadas a se alimentarem de animais

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