David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for April, 2017

Goethe seria “crucificado” no mundo de hoje

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Na minha opinião, o que Goethe romantizou acima de tudo foi a impossibilidade do amor (Arte: Reprodução)

No mundo de hoje, creio que Goethe seria “crucificado” por publicar um romance como “Os Sofrimentos do Jovem Werther”. Diriam, com mais paroxismo do que no século 18, que ele romantizou o suicídio às raias da apologia e, assim como no passado, também seria responsabilizado pela morte de jovens, principalmente – mas creio que numa proporção bem maior. Quem sabe, fosse até perseguido.

Na minha opinião, o que Goethe romantizou acima de tudo foi a impossibilidade do amor (tendo como referência inclusive uma experiência pessoal) e transformou isso em uma obra que penso que talvez até tenha salvado a sua vida, já que ele morreu na obra, mas sobreviveu fora dela. Goethe a escreveu em poucos dias – num prazo tão curto que deixa claro como o escritor estava imerso nesse universo romanesco e conflituoso.

Há autores que escrevem sobre o suicídio até mesmo como uma forma de manifestação da incomunicabilidade, tentativa de compreensão de algo que parece maior do que si mesmo, escapismo, libertação e redenção – mas não desejam cometê-lo. Pode parecer sombrio para muita gente, porém, isso também é uma forma de autoconhecimento. Tenho uma crônica em que falo sobre o suicídio, e eu não estava nem triste quando a escrevi.

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April 16th, 2017 at 3:30 pm

Algo brilhava dentro do forno

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Algo brilhava dentro do forno, e não era papel alumínio, mas a pele untada de um pintado inteiro que trepidava. Quando o tiraram do forno, toda a gente viu seus olhos vacilantes que respondiam à boquinha tremulante. As únicas partes que não foram marcadas pelo fogo. Ainda tinha vida.

Seu couro parecia envernizado, e quando tentaram tocá-lo, queimaram os dedos. Era o carimbo da natureza, denunciando que cada bolinha no corpo do Pintado representava uma semana de vida que ele já não teria. Enquanto o peixe agonizava, Manuela gritava. Com o barulho, o pintado se lançou no chão da cozinha.

A criança se afastou, e quando alguém ameaçou colocá-lo de novo no forno, Manuela berrou: “Não! Não! Não!” Enrolou o peixe já sem vida em um lençol branco, caminhou até o quintal e o enterrou no jardim, ladeado por um pé de Jasmim. Deu a ele o nome de Querubim, afirmando que quem nasce nadando morre voando.

 

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April 14th, 2017 at 8:10 pm

Taiwan aprova lei que proíbe o consumo de carne de cães e gatos

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Taiwan é o primeiro país da Ásia a proibir o consumo de carne de cães e gatos (Foto: Sputnik News)

Taiwan é o primeiro país asiático a banir completamente o consumo de carne de cães e gatos. A nova legislação aprovada na última terça-feira é resultado de uma série de protestos contra o abusos de animais. Quem for flagrado desrespeitando a lei, terá de pagar uma multa equivalente a quase 25 mil reais.

A legisladora Wang Yu-min chamou a atenção para a importância da decisão, declarando que é uma porta que se abre para leis cada vez mais justas em relação ao bem-estar animal. De acordo com o Daily Mail, Yu-min disse que autoridades taiwanesas já estavam proibindo o consumo de carne de cães e gatos em algumas regiões. No entanto, ainda eram ações pontuais, o que exigiu uma iniciativa nacional.

Outro ponto positivo da nova legislação é que quem for flagrado abusando de cães e gatos pode pegar até dois anos de prisão e ter de pagar uma multa equivalente a mais de 203 mil reais. Criminosos reincidentes podem ter a pena estendida para cinco anos e a multa aumentada para mais de 500 mil reais. A lei também proíbe que animais encoleirados sejam obrigados a correr para acompanhar veículos em movimento.

O projeto de lei foi sugerido após a divulgação de uma série de vídeos de abusos de animais em Taiwan, incluindo um vídeo em que três soldados aparecem batendo em um cão abandonado e o estrangulando até a morte. O crime gerou comoção em Taiwan, onde ativistas dos direitos animais realizaram vários protestos de grande repercussão.

Embora Hong Kong e China também tenham proibido a matança de cães e gatos com a finalidade de coibir o comércio de carne desses animais, as leis são falhas porque não criminalizam o consumo, que é o ponto mais importante da questão.

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April 13th, 2017 at 6:37 pm

Johnny Appleseed, o plantador de árvores que amava todas as criaturas

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Para Johnny, era errado e desnecessário ceifar vidas para conseguir comida

Johnny Appleseed é uma das figuras mais lendárias da história dos Estados Unidos (Arte: Autoria Desconhecida)

Johnny Appleseed é uma das figuras mais lendárias da história dos Estados Unidos. Nascido em 26 de setembro de 1774 em Leominster, Massachusetts, ele optou por deixar o conforto familiar para dedicar 50 anos ao plantio de macieiras, percorrendo milhares de quilômetros dos estados da Pensilvânia, Ohio, Illinois, Indiana e West Virginia. Johnny andava a maior parte do tempo descalço e usava como vestimenta apenas um saco de café com buracos para a cabeça e os braços.

“Ele era, de acordo com todos os relatos, extremamente excêntrico, usando sacos como túnicas. Era vegetariano, embora eu não sei se os esquilos e outros animais realmente passeassem com ele pela floresta”, declarou a escritora e doutora em sociologia Gwen Sharp no artigo “The Real Johnny Appleseed: Alcohol, not Apples”, de 9 de janeiro de 2015.

De acordo com informações da U.S. Apple Association, o plantador de árvores dizia que as roupas não devem ser usadas como adorno, mas somente como recurso de conforto. Até mesmo no inverno, Johnny Appleseed era visto caminhando descalço. Na lenda popular, ele não carregava nenhuma arma e andava descalço por toda parte. Além disso, detestava prejudicar qualquer criatura, era vegetariano e às vezes é descrito como um abstêmio, segundo o artigo “Was Johnny Appleseed a Barefoot Vegetarian?”, da American Orchard, publicado em 6 de setembro de 2014.

No livro “Who Was Johnny Appleseed?”, publicado em 2005, a escritora Joan Holub também afirma que Johnny não comia nenhum tipo de carne, nem mesmo quando se reunia em confraternização com os colonos. “Pioneiros caçavam por comida [animais] e achavam que sua crença era estranha. Enquanto viajava pela floresta, ele fervia a água do córrego em sua panela, adicionava bagas, grãos ou batatas para fazer uma refeição. Ele também comia ‘journey bread’, um pão que os nativos americanos o ensinaram a fazer a partir do milho”, informa Joan.

Johnny sentia compaixão por todos os animais (Arte: Al Schmidt)

Johnny tinha estatura mediana, olhos azuis e cabelos longos castanho-claros. Chamava a atenção pela inocência, coragem e resistência. No livro “Johnny Appleseed and the American Orchard: A Cultural History”, de 2012, William Kerrigan narra que tanto o homem branco quanto o índio confiaram em Johnny Appleseed porque viram que ele era um homem sem malícia. As crianças o admiravam e o cumprimentavam com entusiasmo. “Ele amava todas as criaturas de Deus e não queria prejudicar nenhuma delas. Ele era vegetariano. Livros frequentemente contam como ele sentiu remorso profundo quando em um momento incomum de exaltação golpeou uma serpente que o mordeu”, relata Kerrigan.

Johnny sentia compaixão por todos os animais, mas o que aparentemente o levou a se tornar vegetariano foi uma experiência que teve enquanto descansava sob uma fogueira. Ele viu que o fogo atraía os mosquitos, e que rapidamente morriam queimados. Isso o deixou muito triste e o fez tomar a decisão de não acender mais nenhuma fogueira, mesmo que tivesse de passar frio. “Deus me livre de ter que fazer uma fogueira para o meu conforto, porque isso significaria destruir as criaturas de Deus”, teria justificado. Essa experiência o motivou a assumir um compromisso de compartilhar o seu amor com todos os animais.

Para Johnny, era errado e desnecessário ceifar vidas para conseguir comida. Por isso, ele se tornou ainda mais zeloso no seu trabalho de motivar as pessoas a plantarem e cultivarem frutos. A ele, é atribuída à valorização da maçã como alimento tradicional e simbólico nos Estados Unidos. Há quem diga que é praticamente impossível não encontrar macieiras nos lugares percorridos por Johnny Appleseed, filho do capitão Nathaniel Chapman que serviu na Guerra Revolucionária.

“Ele era São Francisco de Assis e Papai Noel embrulhados em um pacote” (Arte: Harper’s New Monthly)

Em 1797, segundo William Kerrigan, o plantador de macieiras pode ter comprado três pares de mocassins na loja Holland Land Company. “Eram fáceis de transportar e poderiam ser trocadas por outras coisas que ele precisava, ou doados a outros em necessidade”, declara Kerrigan. Entretanto, isso é um episódio à parte. Johnny era um sujeito tão simples e empático que ocasionalmente, apenas em caso de última necessidade, usava botas, e somente se estivessem desgastadas ou fossem descartadas por outras pessoas.

E não demorava para que ele as doasse para alguém que julgava mais necessitado. Comprometido com uma vida alheia ao materialismo, Johnny amava a floresta, a considerava o seu verdadeiro lar, e só buscava abrigo entre paredes se o tempo estivesse muito ruim. Todas as histórias sobre ele, apesar de algumas divergências dependendo das fontes, mostram que sua popularidade veio de sua generosidade que não se baseava em espécie. Pessoas, animais e plantas, tudo para ele tinha a sua própria razão de ser. Ao reconhecer isso, Johnny Appleseed, que optou por levar uma vida de abnegação, mostrou o quanto é importante o respeito à vida.

“[…] Pessoas em todo o Meio-Oeste, e até além, dizem que cada antiga árvore de maçã do seu próprio bairro já foi uma das mudas de Johnny Appleseed. Ele era São Francisco de Assis e Papai Noel embrulhados em um pacote [uma menção ao saco que ele usava como vestimenta]”, escreveu William Kerrigan, autor do livro “Johnny Appleseed and the American Orchard: A Cultural History”.

Saiba Mais

John Chapman, mais conhecido como Johnny Appleseed, faleceu aos 70 anos, em 18 de março de 1875, em Fort Wayne, Indiana, onde o seu túmulo pode ser visitado no Johnny Appleseed Park.

Há autores que defendem que Johnny Appleseed foi um dos primeiros divulgadores do vegetarianismo nos Estados Unidos.

Referências

Kerrigan, William. Johnny Appleseed and the American Orchard: A Cultural History. Johns Hopkins University Press (2012).

Holub, Joan. Who Was Johnny Appleseed. Grosset & Dunlap (2005).

Was Johnny Appleseed a Barefoot Vegetarian?

The Real Johnny Appleseed: Alcohol, not Apples

 

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Um motorista embriagado

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Desci e caminhei em sua direção. Embriagado, o sujeito mal falava (Arte: Reprodução)

Em novembro de 2014, eu estava em frente a um mercado quando um motorista bateu à esquerda do meu carro e seguiu ziguezagueando pela rua. Quando vi o amassado pelo retrovisor, fui atrás dele. Sinalizei para que parasse e ele encostou o seu Corcel II bem deteriorado, com o escapamento arrastando no asfalto.

Desci e caminhei em sua direção. Embriagado, o sujeito mal falava. Sua esposa também desceu e expliquei que ele bateu no meu carro. Constrangida, a mulher se desculpou enquanto o marido fazia caretas, ria e tamborilava as mãos sobre o capô do carro. Ele parecia não se importar com a situação. No banco de trás, uma garotinha de tranças, com três ou quatro anos, assistia tudo em silêncio, segurando uma bonequinha inteiriça de plástico duro, dessas mais baratas.

A esposa do motorista me deu o número do seu telefone e implorou para não chamar a Polícia Militar. Na realidade, eu nem tinha essa intenção. Ela sugeriu que eu entrasse em contato para passar o orçamento do conserto. Antes de ir embora, perguntei de onde eles eram e o que faziam. “A gente mora e trabalha na roça dum homi aí, ‘samo lavrador’. Tamu ino visita o túmulo da minha mãe. Pedi pra ele não beber, mas é teimoso demais. Cê pode ligar qualquer hora”, se justificou constrangida.

Nunca liguei. Só assisti o sujeito serpenteando o carro e desaparecendo dois quarteirões abaixo enquanto a fumaça do escapamento ocultava o veículo. A sinuosidade de suas vidas talvez fosse representada pelos traços sulcados no rosto daquela mulher precocemente envelhecida. Meu prejuízo material nem de longe se aproximava do seu padecimento existencial.

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Written by David Arioch

April 12th, 2017 at 8:38 pm

Sobre ofensas no trânsito

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Dias atrás, descendo pela Heitor de Alencar Furtado, um caminhão invadiu a pista em que eu trafegava (Foto: Helder Shiroshima)

Dias atrás, descendo pela Heitor de Alencar Furtado, um caminhão invadiu a pista em que eu trafegava. Quando estava a poucos centímetros de bater no meu carro, comecei a buzinar e o motorista recuou. Então segui meu caminho.

Um quilômetro depois, o mesmo caminhão encostou do meu lado. O motorista abaixou o vidro e começou a falar: “Ô seu palhaço, você é um palhaço, você mesmo, seu idiota! Por que ficou buzinando lá atrás? Babaca!”

Nem abaixei o vidro, só fiquei em silêncio e mantive meus olhos na avenida. Então refleti depois: “Qual é o sentido de xingar uma pessoa que você não conhece? De ir atrás dela e abordá-la apenas com a finalidade de intimidá-la ou ofendê-la?”

Há pessoas que sentem raiva e ódio com muita facilidade. Seria interessante se elas pudessem conhecer a vida das pessoas que xingam ou ameaçam no trânsito. Acredito que pelo menos uma parcela se arrependeria desse ato impensado.

Também me questiono se pessoas que fazem isso são capazes de ter a mesma atitude enquanto andam. Por exemplo, um cara esbarra em mim e começo a tentar intimidá-lo, xingá-lo. A probabilidade disso acontecer é sempre maior quando nos sentimos ilusoriamente seguros e intocáveis atrás de um volante.

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Written by David Arioch

April 12th, 2017 at 12:09 am

Alex Bradshaw: “Estamos combatendo todos os outros preconceitos primitivos, menos o especismo”

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“Sou apaixonado por direitos animais. Tento criar projetos que ajudam a transmitir essas ideias”

Alex costuma levar o veganismo para a música (Foto: Divulgação)

O inglês Alex Bradshaw é um ilustrador, escritor e escultor vegano especializado em folclore e rituais da terra. Durante os anos de 2005 e 2009, ele foi vocalista da banda vegana de crust punk Fall of Efrafa, fundada em Brighton, que ao longo de quatro anos lançou os álbuns “Owsla”, “Elil” e “Inlé”.

Em entrevista ao Plague Years em outubro de 2008, Bradshaw, que integra as bandas Anopheli, Archivist, Carnist, Eleleth, Momentum e Morrow, disse que não devemos aplicar o termo “civilizado” à humanidade enquanto estivermos subjugando outras espécies. “Estamos combatendo todos os outros preconceitos primitivos, menos o especismo”, criticou em referência ao fato de que naturalmente as pessoas se preocupam mais com as desigualdades e os preconceitos que as atingem diretamente, ignorando os demais.

Para Alex, o ser humano ainda não é capaz de ver e reconhecer o seu verdadeiro potencial. Em entrevista ao Metalorgie, publicada em setembro de 2016, ele relatou que o que o fez refletir profundamente sobre a exploração animal e se tornar vegano foi a música “Nailing Descartes To The Wall/(Liquid) Meat is Still Murder”, do álbum “Less Talk, More Rock”, lançado em 1996, pela banda vegana de punk rock Propagandhi.

Durante a entrevista, o inglês citou o trecho: “Mas você não pode negar que carne ainda é assassinato, e laticínios ainda são estupro. Eu ainda sou tão estúpido quanto qualquer um, mas sei dos meus erros. Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta.” Depois de ouvir a música do Propagandhi, Alex admitiu a si mesmo que seria difícil não pensar a respeito e abraçar o veganismo por uma questão moral.

“Faço camisetas com slogans veganos e doo todo o dinheiro para a caridade” (Foto: Divulgação)

“Sou apaixonado por direitos animais. Tento criar projetos que ajudam a transmitir essas ideias. Comando um projeto de vestuário chamado Animals Allies. Faço camisetas com slogans veganos e doo todo o dinheiro para a caridade. Tenho feito isso há cinco anos e levantei um bom dinheiro. Bandas são uma boa forma de veicular mensagens sobre direitos animais”, garante Alex Bradshaw, também conhecido como Alex CF.

Referências

http://www.artofalexcf.com/

https://www.discogs.com/artist/935521-Alex-Bradshaw

http://plague-years.blogspot.com.br/2008/10/fall-of-efrafa-interview.html

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

 
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O triste fim da liberdade de Matias Ziatriko

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Foto: Samira Lemes

Fiquei sabendo agora que o malabarista uruguaio Matias Ziatriko, de 29 anos, foi assassinado com dez tiros em Ji-Paraná, Rondônia, no último dia 8, no pátio de um posto de combustíveis. Matias se envolveu em uma discussão com um rapaz que começou a ofendê-lo, chamá-lo de vagabundo, por causa do seu trabalho como artista de rua. Matias ficou um bom tempo em Paranavaí em 2016, e até onde sei, jamais foi agredido ou agrediu alguém. Lamentável saber que há lugares onde a vida vale menos ainda.

Triste como a liberdade de algumas pessoas, que não têm os objetivos comuns e tradicionalistas de tanta gente, é vista como uma afronta existencial. Desde criança, me identifico com os marginalizados, e acho tão ridículo quando as pessoas veem como sucesso apenas aquilo que lhes parece socialmente aceitável. E muitos adoecem cedo porque compram tal ideia; mesmo que isso signifique suprimir os próprios sonhos. O que vale nesta vida é ser fiel àquilo que faz a existência valer a pena. O resto o tempo arrasta sem clemência.

No dia 31 de agosto de 2016, escrevi algo sobre o Matias Ziatriko em meu blog, quando eu ainda não sabia o seu nome:

“Passei ontem à noite por um semáforo da Avenida Paraná e tinha uma fila imensa de carros. Sob chuva, um rapaz com a roupa toda molhada fazia malabarismo sobre um monociclo. Entendo que ele ame o que faz, mas provavelmente ele não estaria ali naquele momento se não precisasse.

O que me surpreendeu foi que só eu e outro cara demos alguns trocados pra ele. Será que todas aquelas pessoas não tinham pelo menos algumas moedas para darem ao artista de rua?

Sinceramente, minha situação nem sempre é das melhores, mas também não é tão ruim a ponto de eu perder completamente o ímpeto de ajudar alguém ou reconhecer o esforço dos outros.”

Ajuda

A família agora precisa de ajuda para enviar o corpo de Matias para o Uruguai. Quem puder contribuir, os dados para depósito ou transferência estão logo abaixo:

Banco Itaú
Titular: Samira Santos Lemes
CPF: 060.234.039-05
Agência: 1538
Conta Corrente: 56996-1

 

Written by David Arioch

April 11th, 2017 at 12:38 am

Minha mãe conta…

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Minha mãe conta que quando eu era criança, não sei exatamente a série, a professora de matemática me perguntou se um dia eu não gostaria de ganhar muito, mas muito dinheiro. Hesitei por um instante, na minha inocência característica, e respondi:

— Não, num quero!
— Mas por que não, David?
— Porque vou ter que parar de brincar só pra juntar papel.

Written by David Arioch

April 11th, 2017 at 12:24 am

Carnist: “A verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas”

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“A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio?”

Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn” (Foto: Divulgação)

Fundada em 2013, a banda inglesa de hardcore Carnist se pauta em questões envolvendo veganismo e direitos animais, além de outros assuntos que o quarteto julga como relevantes na discussão sobre a exploração animal. Embora o grupo não seja antigo, o Carnist surgiu por iniciativa de integrantes das bandas Shels, Plague Mass, Unquiet Grave, Momentum, Light Bearer e Fall of Efrafa. Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn”, que fala sobre o conceito de desaprender normas sociais e traços culturais que são contrários à natureza humana.

“Ou seja, a nossa atitude em relação aos animais [tanto não humanos quanto humanos], que não se encaixam nas ideias sufocantes, arcaicas e claustrofóbicas do que é ser humano”, explica o Carnist, que tem como principais influências bandas como Dropdead, Trial, Propagandhi, Infest, Siege e Protestant. Em tom bem-humorado, eles dizem que o som da banda, que tem uma pegada crust, é melhor apreciado acompanhado de uma xícara de chá.

Em entrevista ao The New Noise, da Itália, em fevereiro de 2014, o vocalista Alex informou que não se sente especial por ser vegano. Também não vê o veganismo com algo particularmente virtuoso. “Realmente sinto que alguém de mente sã, uma vez que conseguisse digerir a informação que está livremente disponível, iria procurar eliminar o abuso animal de sua vida. Infelizmente esse sistema trabalha ativamente para ocultar e distorcer todo o processo, inclusive propagando desinformação”, criticou.

Na música “Eating Children”, do álbum “Unlearn”, Alex canta: “A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio? O pedaço de músculo, atado com veias; uma carne de bebê cortada de seus membros.” Também com o objetivo de chamar a atenção para a crua realidade da exploração animal na indústria alimentícia, o Carnist lançou em 2016 o disco “Hellish”, que tem como capa a imagem de porcos sendo executados em um matadouro.

Capa do disco lançado em 2016 (Foto: Reprodução)

“Queríamos mostrar às pessoas uma verdade, e a verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas. A foto é grotesca em sua exibição do assassino humano sem rosto, a trágica falta de respeito, o medo dos porcos que têm de testemunhar seu companheiro caído. Isso apresenta o inferno da indústria da carne de modo eloquente, penso”, avaliou Alex em entrevista ao Metalorgie em setembro de 2016.

A ideia do nome, “Carnist”, é uma referência ao carnismo, sistema de crença invisível, também definido como ideologia, que, segundo a psicóloga social Melanie Joy, condiciona as pessoas a comerem alguns tipos de animais. O termo foi concebido por ela em sua dissertação de doutorado em 2001, e se tornou popular por meio do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows”, ou seja, “Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas”, publicado em 2009.

Saiba Mais

Todos os integrantes do Carnist são veganos.

Caso queira comprar a camiseta do Carnist, acesse:

http://doomrock.com/Band-Merch-Clothes/Bandmerch/Shirts/Carnist-Hellish-Shirt::1301.html?XTCsid=93e680a6a7da998e0f1e744595ba30a7

Referências

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

http://no-pasaran.org/label/artists/detail/detail/carnist-ukat/

https://www.discogs.com/artist/3661813-Carnist

http://www.chaosruralrecords.com/store/carnist_hellish_10_inch

CARNIST

Crusty doom hardcore band CARNIST streaming “Hellish” 10” in full!


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