David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Alex Bradshaw: “Estamos combatendo todos os outros preconceitos primitivos, menos o especismo”

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“Sou apaixonado por direitos animais. Tento criar projetos que ajudam a transmitir essas ideias”

Alex costuma levar o veganismo para a música (Foto: Divulgação)

O inglês Alex Bradshaw é um ilustrador, escritor e escultor vegano especializado em folclore e rituais da terra. Durante os anos de 2005 e 2009, ele foi vocalista da banda vegana de crust punk Fall of Efrafa, fundada em Brighton, que ao longo de quatro anos lançou os álbuns “Owsla”, “Elil” e “Inlé”.

Em entrevista ao Plague Years em outubro de 2008, Bradshaw, que integra as bandas Anopheli, Archivist, Carnist, Eleleth, Momentum e Morrow, disse que não devemos aplicar o termo “civilizado” à humanidade enquanto estivermos subjugando outras espécies. “Estamos combatendo todos os outros preconceitos primitivos, menos o especismo”, criticou em referência ao fato de que naturalmente as pessoas se preocupam mais com as desigualdades e os preconceitos que as atingem diretamente, ignorando os demais.

Para Alex, o ser humano ainda não é capaz de ver e reconhecer o seu verdadeiro potencial. Em entrevista ao Metalorgie, publicada em setembro de 2016, ele relatou que o que o fez refletir profundamente sobre a exploração animal e se tornar vegano foi a música “Nailing Descartes To The Wall/(Liquid) Meat is Still Murder”, do álbum “Less Talk, More Rock”, lançado em 1996, pela banda vegana de punk rock Propagandhi.

Durante a entrevista, o inglês citou o trecho: “Mas você não pode negar que carne ainda é assassinato, e laticínios ainda são estupro. Eu ainda sou tão estúpido quanto qualquer um, mas sei dos meus erros. Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta.” Depois de ouvir a música do Propagandhi, Alex admitiu a si mesmo que seria difícil não pensar a respeito e abraçar o veganismo por uma questão moral.

“Faço camisetas com slogans veganos e doo todo o dinheiro para a caridade” (Foto: Divulgação)

“Sou apaixonado por direitos animais. Tento criar projetos que ajudam a transmitir essas ideias. Comando um projeto de vestuário chamado Animals Allies. Faço camisetas com slogans veganos e doo todo o dinheiro para a caridade. Tenho feito isso há cinco anos e levantei um bom dinheiro. Bandas são uma boa forma de veicular mensagens sobre direitos animais”, garante Alex Bradshaw, também conhecido como Alex CF.

Referências

http://www.artofalexcf.com/

https://www.discogs.com/artist/935521-Alex-Bradshaw

http://plague-years.blogspot.com.br/2008/10/fall-of-efrafa-interview.html

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

 
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O triste fim da liberdade de Matias Ziatriko

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Foto: Samira Lemes

Fiquei sabendo agora que o malabarista uruguaio Matias Ziatriko, de 29 anos, foi assassinado com dez tiros em Ji-Paraná, Rondônia, no último dia 8, no pátio de um posto de combustíveis. Matias se envolveu em uma discussão com um rapaz que começou a ofendê-lo, chamá-lo de vagabundo, por causa do seu trabalho como artista de rua. Matias ficou um bom tempo em Paranavaí em 2016, e até onde sei, jamais foi agredido ou agrediu alguém. Lamentável saber que há lugares onde a vida vale menos ainda.

Triste como a liberdade de algumas pessoas, que não têm os objetivos comuns e tradicionalistas de tanta gente, é vista como uma afronta existencial. Desde criança, me identifico com os marginalizados, e acho tão ridículo quando as pessoas veem como sucesso apenas aquilo que lhes parece socialmente aceitável. E muitos adoecem cedo porque compram tal ideia; mesmo que isso signifique suprimir os próprios sonhos. O que vale nesta vida é ser fiel àquilo que faz a existência valer a pena. O resto o tempo arrasta sem clemência.

No dia 31 de agosto de 2016, escrevi algo sobre o Matias Ziatriko em meu blog, quando eu ainda não sabia o seu nome:

“Passei ontem à noite por um semáforo da Avenida Paraná e tinha uma fila imensa de carros. Sob chuva, um rapaz com a roupa toda molhada fazia malabarismo sobre um monociclo. Entendo que ele ame o que faz, mas provavelmente ele não estaria ali naquele momento se não precisasse.

O que me surpreendeu foi que só eu e outro cara demos alguns trocados pra ele. Será que todas aquelas pessoas não tinham pelo menos algumas moedas para darem ao artista de rua?

Sinceramente, minha situação nem sempre é das melhores, mas também não é tão ruim a ponto de eu perder completamente o ímpeto de ajudar alguém ou reconhecer o esforço dos outros.”

Ajuda

A família agora precisa de ajuda para enviar o corpo de Matias para o Uruguai. Quem puder contribuir, os dados para depósito ou transferência estão logo abaixo:

Banco Itaú
Titular: Samira Santos Lemes
CPF: 060.234.039-05
Agência: 1538
Conta Corrente: 56996-1

 

Written by David Arioch

April 11th, 2017 at 12:38 am

Minha mãe conta…

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Minha mãe conta que quando eu era criança, não sei exatamente a série, a professora de matemática me perguntou se um dia eu não gostaria de ganhar muito, mas muito dinheiro. Hesitei por um instante, na minha inocência característica, e respondi:

— Não, num quero!
— Mas por que não, David?
— Porque vou ter que parar de brincar só pra juntar papel.

Written by David Arioch

April 11th, 2017 at 12:24 am

Carnist: “A verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas”

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“A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio?”

Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn” (Foto: Divulgação)

Fundada em 2013, a banda inglesa de hardcore Carnist se pauta em questões envolvendo veganismo e direitos animais, além de outros assuntos que o quarteto julga como relevantes na discussão sobre a exploração animal. Embora o grupo não seja antigo, o Carnist surgiu por iniciativa de integrantes das bandas Shels, Plague Mass, Unquiet Grave, Momentum, Light Bearer e Fall of Efrafa. Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn”, que fala sobre o conceito de desaprender normas sociais e traços culturais que são contrários à natureza humana.

“Ou seja, a nossa atitude em relação aos animais [tanto não humanos quanto humanos], que não se encaixam nas ideias sufocantes, arcaicas e claustrofóbicas do que é ser humano”, explica o Carnist, que tem como principais influências bandas como Dropdead, Trial, Propagandhi, Infest, Siege e Protestant. Em tom bem-humorado, eles dizem que o som da banda, que tem uma pegada crust, é melhor apreciado acompanhado de uma xícara de chá.

Em entrevista ao The New Noise, da Itália, em fevereiro de 2014, o vocalista Alex informou que não se sente especial por ser vegano. Também não vê o veganismo com algo particularmente virtuoso. “Realmente sinto que alguém de mente sã, uma vez que conseguisse digerir a informação que está livremente disponível, iria procurar eliminar o abuso animal de sua vida. Infelizmente esse sistema trabalha ativamente para ocultar e distorcer todo o processo, inclusive propagando desinformação”, criticou.

Na música “Eating Children”, do álbum “Unlearn”, Alex canta: “A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio? O pedaço de músculo, atado com veias; uma carne de bebê cortada de seus membros.” Também com o objetivo de chamar a atenção para a crua realidade da exploração animal na indústria alimentícia, o Carnist lançou em 2016 o disco “Hellish”, que tem como capa a imagem de porcos sendo executados em um matadouro.

Capa do disco lançado em 2016 (Foto: Reprodução)

“Queríamos mostrar às pessoas uma verdade, e a verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas. A foto é grotesca em sua exibição do assassino humano sem rosto, a trágica falta de respeito, o medo dos porcos que têm de testemunhar seu companheiro caído. Isso apresenta o inferno da indústria da carne de modo eloquente, penso”, avaliou Alex em entrevista ao Metalorgie em setembro de 2016.

A ideia do nome, “Carnist”, é uma referência ao carnismo, sistema de crença invisível, também definido como ideologia, que, segundo a psicóloga social Melanie Joy, condiciona as pessoas a comerem alguns tipos de animais. O termo foi concebido por ela em sua dissertação de doutorado em 2001, e se tornou popular por meio do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows”, ou seja, “Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas”, publicado em 2009.

Saiba Mais

Todos os integrantes do Carnist são veganos.

Caso queira comprar a camiseta do Carnist, acesse:

http://doomrock.com/Band-Merch-Clothes/Bandmerch/Shirts/Carnist-Hellish-Shirt::1301.html?XTCsid=93e680a6a7da998e0f1e744595ba30a7

Referências

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

http://no-pasaran.org/label/artists/detail/detail/carnist-ukat/

https://www.discogs.com/artist/3661813-Carnist

http://www.chaosruralrecords.com/store/carnist_hellish_10_inch

CARNIST

Crusty doom hardcore band CARNIST streaming “Hellish” 10” in full!


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Imagine passar a sua vida toda confinado

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Chegando, quem sabe, a perder a noção do que existe fora das grades que afunilam seu mundo (Foto: Reprodução)

Imagine passar a sua vida toda confinado, chegando, quem sabe, a perder a noção do que existe fora das grades que afunilam seu mundo; sem poder sentir o aroma de nada que não seja sua ração e suas próprias fezes. Aos poucos, você se torna incapaz de distinguir importantes elementos da realidade. Talvez, dependendo do nível de estresse e do tipo de ambiente, você comece a comer as suas próprias fezes confundidas com ração.

O som de seus companheiros que não voltam mais. Eles resistem quando são agarrados, mas logo são imobilizados – mesmo que isso custe penas voando e asas dilacerando. Há um tipo de esperança que persiste, mas não em todos. Os mais sensíveis enlouquecem mais rápido em meio à agitação; começam a se estranhar e tentam se bicar porque já não sabem quem são.

Aves que não se veem mais como semelhantes e pouco agem como aves, sintoma de uma degradação tradicional que usurpa do mais frágil o direito ao que seria de fato uma vida normal. Dentro de um caminhão, o colocam dentro de uma caixa minúscula. Sem espaço para movimentar naturalmente as asas, se encolhe num canto e assiste, entre grades de plástico, carros ultrapassando, caminhões encostando, pessoas falando.

Quantas vidas existem lá fora, mas nenhuma delas é como a sua. Te penduram, te atordoam e te sangram por três minutos. Sua existência se esvai com o vermelho que escorre pelo chão. Seu sangue, símbolo-mor da sua vitalidade sem unção, é tratado como imundície. Alguém deve limpar. Não existe velório. Só escaldagem, depenagem e evisceração; e mutilação, gotejamento e resfriamento. Mais tarde, te embalam e te enviam para um açougue. Alguém há sempre de comer. Quanto vale sua morte? R$ 4,50 o quilo, mais ou menos.

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Caso queira se surpreender…

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Caso queira se surpreender, anote suas reflexões e volte a lê-las daqui a um ano. Suspeito que você não vai poder dizer que não mudou em nada ou que não evoluiu em nenhum nível. Claro, se esta for sua vontade.

Written by David Arioch

April 9th, 2017 at 10:53 pm

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Sete pãezinhos e um fujão

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Peço sete pães e aguardo a atendente selecioná-los na sua rotineira cordialidade (Foto: Reprodução)

Na padaria do mercado, peço sete pães e aguardo a atendente selecioná-los na sua rotineira cordialidade. De repente, escuto um som fofo e morredouro na sua sutilidade – do tipo “ploft” suave. O pãozinho agoniza no chão. Gerado há pouco tempo, já não tem mais razão de ser, caído sem chance de se restabelecer. Posso ver nos olhos da atendente que ela discorda. Me observa de soslaio, esperando apenas uma distração e, quem sabe, numa plena desatenção, uma oportunidade de enfiar no saco o “pãozinho sujo”, privado da própria vocação.

Não tiro os olhos dela. Ela reage virando as costas para mim, e manipula o saco de pão com uma astúcia que parece sem fim. Não desiste! E meus olhos continuam mirando-a. Escuta meus passos. Sei disso porque vejo suas orelhas vibrando e seus olhos titubeando. Estamos mais próximos do que antes. E minha sombra desarmoniza suas intenções. Ela disfarça por mais um ou outro segundo, sorri em minha direção, e encosta o pãozinho na parte externa do saco marrom.

Há um ou dois minutos, ele era igual aos outros. Ninguém pode negar, mas foi maculado, e aos seus irmãos já não pode se juntar. Que assim seja feita a justiça do alimento! Juro que por um segundo vi um traço que parecia um sorriso. Um pão sorrindo? Impossível! Ou não? A moça da padaria me entrega o saco de pão quente. Ruborizada, me dá um último sorriso, sem velar o ar de derrota.

Quando abro o saco, e, descuidado, inalo a fumaça que me esbraseia o salão, vejo sete irmãozinhos parifomes repousando. Do outro lado, o pãozinho fujão se esconde de baixo de um segundo balcão, e desaparece em um buraco do tamanho de minha mão.

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Written by David Arioch

April 9th, 2017 at 12:49 am

Kupfer-Koberwitz: “Acredito que enquanto o homem torturar e matar animais, ele vai torturar e matar seres humanos também”

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Me recuso a comer animais porque não posso me nutrir a partir do sofrimento e da morte de outras criaturas

Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o pacifista alemão Edgar Kupfer-Koberwitz foi classificado como um inimigo da Alemanha e enviado para um campo de concentração em Dachau, ao norte de Munique. Mesmo vivendo em situação degradante, ele se manteve fiel a sua filosofia de vida como vegetariano.

Quando recebia uma porção de carne, Kupfer dava aos seus companheiros prisioneiros, de acordo com informações do “Guide to the Edgar Kupfer-Koberwitz Dachau Diaries 1942-1945”, da Universidade de Chicago. Durante os anos em que esteve em Dachau, ele escreveu diariamente sobre a sua vida e suas impressões da realidade. Para Kupfer, o fato do ser humano negar humanidade a seus semelhantes e, assim agir de forma cruel, sempre foi determinante na legitimação da brutalidade contra os animais.

“Acredito que enquanto o homem torturar e matar animais, ele vai torturar e matar seres humanos também – e guerras serão travadas – pois o assassinato deve ser praticado e aprendido em uma pequena escala. Devemos tentar superar nossa própria pequena crueldade irrefletida, evitá-la e aboli-la”, escreveu em seu diário que deu origem ao livro “Dachauer Tagebücher Die Aufzeichnungen des Häftlings 2481”, publicado em Munique em 1997, baseado em suas memórias e reflexões.

Segundo informações da Biblioteca da Universidade de Chicago, depois de conseguir um trabalho como balconista em uma loja do campo de concentração, Edgar Kupfer-Koberwitz começou o seu próprio diário em pequenos pedaços de papel. A princípio, ele relatava principalmente os incidentes da vida em Dachau.

Para não ser flagrado e punido, ele escondia suas folhas entre outros papéis. Até que mais tarde, preocupado em perder tudo que tinha escrito, tomou a decisão de enterrar seus diários. Ainda assim, foi impossível preservar todas as folhas porque algumas foram danificadas pelo contato com a água.

“Me recuso a comer animais porque não posso me nutrir a partir do sofrimento e da morte de outras criaturas. Me recuso a fazê-lo, porque sofri tão dolorosamente que posso sentir as dores dos outros, lembrando meus próprios sofrimentos”, declarou em carta que faz parte do ensaio “Animais, Meus Irmãos”, que integra seus diários preservados pela Universidade de Chicago.

A passagem foi escrita quando, após contrair tifo, o pacifista alemão estava em um barracão que funcionava como hospital. Mesmo doente e receando a própria morte, ele conseguiu sobreviver, ao contrário de outros 12 mil prisioneiros que sucumbiram em decorrência de doenças ao longo de quatro meses e meio.

“Me sinto feliz, ninguém me persegue; por que devo perseguir outros seres ou fazer com que sejam perseguidos? Não sou prisioneiro, sou livre; por que eu faria com que outras criaturas fossem feitas prisioneiras e jogadas na prisão? Ninguém me prejudica; por que eu deveria prejudicar outras criaturas e fazê-las sofrer?”, ponderou Kupfer.

Edgar Kupfer-Koberwitz foi libertado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em 29 de abril de 1945, assim como outros mais de 67 mil prisioneiros. Quando se deu conta de que estava realmente livre para continuar a sua vida, ele declarou: “O dia acabou, celebrarei este 29 de abril de 1945 pelo resto da minha vida como o meu segundo aniversário, como o dia que me deu novamente a vida.”

Conforme o “Guide to the Edgar Kupfer-Koberwitz Dachau Diaries 1942-1945”, durante a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler proibiu que todas as organizações vegetarianas continuassem ativas em territórios ocupados pela Alemanha. Também ordenou a prisão de seus líderes. Tal iniciativa foi colocada em prática porque o vegetarianismo organizado era visto como uma ameaça, por se aproximar dos mesmos ideais das organizações pacifistas que o Führer desprezava.

“Ninguém me mata. Por que devo ferir ou matar outras criaturas, ou fazer com que sejam feridas ou mortas para o meu prazer e conveniência? Não é natural que eu não cause dor em outras criaturas que, eu espero e temo, nunca causarão em mim? Não seria injusto fazer tais coisas sem outra finalidade senão gozar deste insignificante prazer físico à custa do sofrimento dos outros, da morte de outros?”, interpelou o pacifista alemão em seu diário.

A vida de um pacifista alemão

Edgar Kupfer-Koberwitz nasceu na cidade de Koberwitz, na Alemanha, em 24 de abril de 1906 e estudou em Bonn, Regensburg e Stuttgart. Após o divórcio de seus pais, ele deixou a escola para ajudar sua mãe e sua irmã. Trabalhou em fábricas, lojas e bancos. Como consequência de uma desilusão amorosa, foi para a Itália em 1925.

Entre idas e vindas até 1940, trabalhou em jornais, agências de viagens e também como modelo para um escultor. Após a sua libertação, ele viveu nos Estados Unidos até o início dos anos 1950. E depois, se mudou para a Sardenha. Decidiu viver definitivamente na Alemanha a partir de 1984. Ele faleceu em Stuttgart, na Alemanha, em 7 de julho de 1991.

A autenticidade de seus diários foi confirmada pelos agentes do Corpo de Contra-Inteligência (CIC), e também por testemunhas. Ele criou e distribuiu um questionário entre ex-prisioneiros, assim reunindo declarações sobre seu comportamento no acampamento e sobre sua confiabilidade. Os relatos nos diários de Edgar Kupfer, doados à Universidade de Chicago em 1º de abril de 1954, foram publicados de forma fragmentada pela primeira vez no semanário do parlamento alemão “Aus Politik und Zeitgeschichte”, sob o título “Als Häftling in Dachau”.

Saiba Mais

“Die Tierbrüder − eine Betrachtung zum ethischen Leben“, ou “Os Irmãos Animais – Uma Consideração da Vida Ética”,  ensaio que ele escreveu sobre vegetarianismo, foi publicado na íntegra no livro “Radical Vegetarianism”, de Mark Mathew Braunstein, em 1981.

Referências

https://www.lib.uchicago.edu/e/scrc/findingaids/view.php?eadid=ICU.SPCL.KOBERWITZ

http://neveragain.org.il/articles/animals-my-brethren-edgar-kupfer-koberwitz/

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A realidade, o leitãozinho e a “exceção”

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Evidente sofrimento animal na indústria da carne (Foto: A Beating Heart)

Realidade da indústria da exploração animal. Alguém pode dizer que o caso do leitãozinho da foto é exceção. Não creio, mas se for para considerar tal ponto de vista, penso da seguinte maneira:

Foi a partir das “exceções” que começamos a ser condescendentes com algumas das práticas mais nefastas perpetuadas pela humanidade. Prefiro não consumir para não ser conivente com a “exceção”, se esse for o argumento de quem vê imagens como essa como “exageradas”. Foto do projeto A Beating Heart.

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Written by David Arioch

April 8th, 2017 at 12:49 am

George Harrison: “A coisa que me repeliu em relação a comer carne foi a ideia de matar animais”

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“A carne é uma das piores coisas que qualquer um pode comer”

George Harrison parou de consumir carne em 1965 (Foto: Reprodução)

Conhecido como “O Beatle Calado”, o britânico George Harrison, que fez história com os Beatles de 1960 a 1970, foi o primeiro dos Garotos de Liverpool a aderir ao vegetarianismo. Em 1965, depois de ler um livro que ganhou de um amigo, e que fala sobre a desumana indústria do abate de bezerros, Harrison decidiu começar banindo o consumo de qualquer tipo de carne da sua alimentação.

O que é inclusive uma grande revelação, levando em conta que muita gente achava e ainda acha que ele optou por não se alimentar de animais basicamente por um viés religioso, por ter se encontrado no hinduísmo. Essas informações estão na autobiografia “Wonderful Tonight”, de Pattie Boyd, lançada em 2008. Pattie, que também era vegetariana, foi casada com o guitarrista dos Beatles de 1966 a 1977.

Harrison se tornou tão contrário ao consumo de animais que, em hipótese alguma, permitia que alguém entrasse em sua casa com qualquer tipo de carne. Em entrevista a David Wigg, do Apple Offices, de Londres, em 8 de outubro de 1969, ele foi questionado sobre isso. “A carne é uma das piores coisas que qualquer um pode comer”, declarou e acrescentou que o vegetarianismo não era uma fase, mas sim algo em que ele realmente acreditava.

No Livro “The Beatles Anthology”, lançado em 2000, há citações em que George Harrison também fala da importância que o livro “The Complete Illustrated Book of Yoga”, de Swami Vishnu Devananda, publicado em 1959, teve em sua vida. Porém, ele deixa claro que o vegetarianismo surgiu em sua vida antes do hinduísmo. “Li seu livro depois que me tornei vegetariano. A coisa que me repeliu em relação a comer carne foi a ideia de matar animais”, revelou.

Harrison também comentou que todas as doenças humanas vêm de uma dieta não natural, o que segundo ele, inclui o consumo de alimentos de origem animal. De acordo com o artigo “Beatle George Harrison’s Formula for Spiritual Health”, de Joshua M. Greene, Harrison era vegetariano porque sentia que era contraditório honrar a vida em muitas formas e ainda contribuir com o abate de animais.

O vegetarianismo de Harrison era tanto moral quanto espiritual (Foto: Reprodução)

“Seu prato favorito era Dahl, uma sopa de lentilha que, quando misturada com arroz, forma uma proteína perfeita e um substituto ideal da carne”, escreveu. O vegetarianismo de Harrison era tanto moral quanto espiritual. E para além de uma vida de excessos se tratando do consumo de drogas como cocaína e LSD, ele também buscava ser uma pessoa realmente saudável, embora tivesse dificuldade em abandonar principalmente o álcool e o cigarro.

E foi a inclinação de George Harrison pelo vegetarianismo que o levou ao hinduísmo e mais tarde permitiu que ele estreitasse sua relação com músicos indianos como Ravi Shankar, e gurus como Maharishi Mahesh, fundador da meditação transcendental. Sendo assim, há quem atribua a Harrison o estreitamento das relações musicais entre Ocidente e Oriente, já que a partir daí muitos artistas se interessaram em fazer parceria com músicos indianos, popularizando o uso de sitar no Ocidente.

George Harrison, que teve uma carreira solo exemplar, com o lançamento de 12 álbuns entre os anos de 1968 e 2002, também é considerado o responsável pela popularização do Movimento Hare Krishna no Ocidente. Ao longo de sua vida, ele foi um dos grandes colaboradores da International Society for Krishna Consciousness, conforme informações da edição de 30 de novembro de 2002 do Daily Telegraph.

Saiba Mais

George Harrison nasceu em Liverpool em 25 de fevereiro de 1943 e faleceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, em decorrência de câncer de pulmão em 29 de novembro de 2001. Em 2002, o seu filho Dhani, lançou o último álbum de George Harrison – “Brainwashed”.

O seu álbum “Wonderwall Music”, que faz parte da trilha sonora do filme “Wonderwall”, inspirou a banda Oasis a compor uma música homônima que se tornou um de seus maiores sucessos.

Referências

http://www.yogachicago.com/jan06/harrison.shtml

http://www.neatorama.com/2011/11/29/a-few-things-you-might-not-know-about-george-harrison/

http://www.beatlesinterviews.org/db1969.1008.beatles.html

http://surrealist.org/prayforpeace/harrison.html

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