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Marlon Brando: “Sempre achei os animais fáceis de amar porque o amor deles é incondicional”
“Vacas têm um hálito muito doce por causa do feno que comem”
Um dos maiores nomes do cinema norte-americano, Marlon Brando nasceu em 3 de abril de 1924 em Omaha, Nebraska. Filho de um vendedor ambulante e de uma atriz amadora, ele teve uma infância e adolescência bastante conturbada. Seu pai e sua mãe eram alcoólatras. Ainda assim, isso não o impediu de desenvolver desde cedo uma relação de respeito com os animais e com a natureza.
Em 1938, seus pais compraram uma antiga casa de fazenda em Libertyville, Illinois, a 50 quilômetros de Chicago. No local, onde os poucos animais viviam soltos, havia um estábulo e um celeiro, embora pouco usado pela família. Naquele período, uma das criaturas mais queridas por Marlon Brando era uma vaca chamada Violet, com quem ele corria pelo campo, a abraçando e a beijando. Sobre essas experiências, Brando registraria mais tarde em sua biografia: “Vacas têm um hálito muito doce por causa do feno que comem.”
Há detalhes da vida de Marlon Brando que são pouco conhecidos, como o seu hábito de recolher animais abandonados e doentes, de acordo com a biógrafa Patricia Bosworth, autora do livro “Marlon Brando”, publicado em 2001. E não apenas não humanos. Uma vez, ele levou para casa uma moça esfarrapada e doente que encontrou na rua. Naquele dia, ele e o pai discutiram; até que o pai concordou em ajudá-la.
“Sempre achei os animais fáceis de amar porque o amor deles é incondicional. Eles confiam, são leais e pouco exigentes, exceto em querer amor em troca”, registrou em sua biografia “Brando: Songs My Mother Taught Me”, publicada em 1994. Na obra, Brando explica que a sua simpatia pelos animais e pela natureza foi semeada pela sua mãe, uma mulher que não raramente era violentada por seu pai. Além disso, relata também que sua mãe não foi tão presente em sua vida quanto ele desejava.
Apesar de tudo, as lembranças do que aprendeu com sua mãe ganharam força em 31 de março de 1954. Por volta das cinco horas da manhã, quando suas mãos estavam juntas às mãos de sua mãe, antes do suspiro final, ela disse: “Não tenho medo, e você também não precisa ter.” Na ocasião, Marlon Brando se desesperou e soluçou. Então se recuperou, cortou uma mecha do cabelo de sua mãe e saiu do hospital pensando em como ela tinha sido destemida.
“Parecia-lhe que tudo na natureza estava imbuído de seu espírito, os pássaros, as folhas das árvores, e especialmente o vento. Lembrou-se de como ela o ensinara a amar a natureza, os animais e a proximidade com a terra. Tudo isso o ajudou a lidar com a sua grande perda. Ela era o símbolo de muitas coisas importantes para Marlon – sua paixão pela pureza, sua atitude em relação aos animais, à terra e à música”, escreveu Patricia Bosworth na biografia “Marlon Brando”.
Um ano antes, Marlon Brando já havia revelado o seu desinteresse por coisas que ele julgava como ausentes de essência. Prova disso foi a sua recusa em protagonizar uma produção da Broadway para a qual receberia 10 mil dólares por semana. Ele preferiu aceitar o convite de Lee Falk para participar da adaptação de “Arms and the Man”, do dramaturgo vegetariano George Bernard Shaw, recebendo modestos 500 dólares por semana.
Na mesma época, Brando começou a se interessar cada vez mais por filosofia e espiritualidade. O seu biógrafo, ator e colega de quarto David Ge’lin escreveu que enquanto moraram juntos “ele estava particularmente interessado nos filósofos alemães, particularmente em Nietzsche e na religião hindu.” Marlon Brando era fascinado por religiões orientais e meditava duas vezes por dia. A sua admiração e reverência pela natureza também lançaram luz sobre uma inclinação panteísta. Filosoficamente, ele também não velava o seu respeito pelos índios americanos – mas principalmente pela reverência ao mundo natural como uma força mística e espiritual.
Somos estranhos na nossa relação com outras espécies
Encarceramos espécies que jamais nos causaram qualquer mal

A ideia da inferiorização do que é diferente há muito embruteceu o ser humano (Arte: Hartmut Kiewert)
Como seres humanos somos estranhos na nossa relação com outras espécies. Confinamos os nossos quando esses são condenados por crimes. Porém, encarceramos outras espécies, que jamais nos causaram qualquer mal, simplesmente porque, ao nos considerarmos superiores, nos colocamos em posição de subjugar aqueles que não partilham das nossas habilidades e do mesmo código comunicativo que nós. Porque a esses relegamos o destino da servidão que finda com a morte.
A ideia da inferiorização do que é diferente há muito embruteceu o ser humano. E mesmo hoje, quando o pretexto de suplantar o outro é mais desnecessário do que nunca, até mesmo aqueles que gozam de certas habilidades intelectuais defendem essa prática. Mas por que as coisas são assim?
Simplesmente porque muitos não reconhecem ou preferem não reconhecer que o que fazem nada mais é do que perpetuar hábitos facilmente substituíveis e vícios do paladar que se arrastam por gerações, ou que se desenvolvem a partir dos nossos pontos de vulnerabilidade. Sim, porque se digo que sou incapaz de me abster do consumo de animais, por exemplo, sou, sem dúvida, inábil em controlar as minhas próprias vontades – o que é uma axiomática fraqueza.
O ser humano, independente de inteligência ou níveis de empatia, quando é dominado por algo, não raramente sofre de um tipo criterioso de cegueira, mas é uma cegueira viciosa e deleitável que suprime as possibilidades de ser vista como algo problemático – o que exigiria reflexão e reavaliação sobre quem somos, quem são os outros e o que fazemos. O prazer que determinados humanos têm com a reafirmação da ideia da superioridade e seus desejos a partir da morte de outras criaturas também são um endosso comum desse hábito.
Há algo de altaneiro, e não no bom sentido, no ser humano que, desconsiderando as implicações de suas escolhas para as vítimas, busca pretextos para justificar o consumo de animais. A verdade é muito simples – se há vida saudável sem morte, a matança é sempre injustificada. Afinal, todo alimento proveniente de privação, sofrimento e morte é resultado de nossas escolhas ou do condicionamento dessas escolhas; sejam culturais ou não, conscienciosas ou não.
Práticas violentas contra os animais só existem porque sempre há plateia e consumidores
Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita?
Sobre zombar de animais e matá-los baseando-se na crença do querer e poder
Deveria a morte violenta, coercitiva e indesejada ser associada às coisas boas da vida?
O que leva uma pessoa a tirar foto sorrindo com um animal morto? Você já pensou sobre isso? Considera normal? Aceitável? Por que deveríamos celebrar a morte de criaturas que não nos causam qualquer mal? E mesmo que causassem, consideradas as proporções, isso seria justo? Moral? Ético? Que tipo de mensagem realmente passamos quando jocosamente erguemos um animal morto pelas orelhas, pelas patas, pelo couro ou pelo dorso enquanto seus olhos já não mostram nada a não ser uma ideia concreta de finitude, de um vácuo que parece sempiterno? Como sorrir segurando um corpo desfalecido, um cadáver?
Os animais que matamos, seja para consumo, ou outro tipo de uso ou até mesmo nenhum, não existem ou existiram sozinhos – eles vieram de algum lugar, de alguém. Têm ou tiveram mães, pais, irmãos, irmãs – todo um contexto social, já que não apenas nós humanos somos seres sociais, mas animais de muitas outras espécies também. E mesmo que não tivessem ninguém, e vivessem no mais pleno ostracismo, ainda assim não teríamos tal direito de privar-lhes da vida.
Não tão raramente quanto eu gostaria, um sujeito está junto a um animal morto, o sangue daquela criatura desfalecida ainda quente em contato com a sua mão, mas ele está em frenesi; tão imerso no desconhecimento, no obscurantismo e na ignorância que nem se dá conta de que a sua satisfação e o seu prazer estão associados à morte. E deveria a morte violenta, coercitiva e indesejada ser associada às coisas boas da vida? Como podemos vincular violência e tortura de vulneráveis ao prazer? Deleite? Contentamento?
Deveríamos sorrir quando matamos animais simplesmente porque queremos e podemos? Talvez seja a valiosa lição de que há vidas que podemos suprimir, destruir, exterminar sem qualquer prejuízo consciencioso ou moral? Deveríamos comemorar? Vibrar? Mesmo nos casos em que um animal é apontado como um problema, o ser humano opta sempre pela solução mais fácil – que é exterminá-lo o mais rápido possível. “Matemos e está resolvido!” Não se fala em alternativas, porque alternativas “custam caro”, e vidas não humanas valem pouco.
Nesse aniquilamento ignora-se o fato de que quem morreu não queria morrer – mas apenas viver à sua maneira, não importando conceitos confusamente abstratos ou a racionalização humana da felicidade ou da tristeza. Há quem diga que matamos determinadas espécies porque esse é o papel delas, assim como outros alegam que matamos específicas criaturas porque essas tornaram-se “pragas”.
Se o papel delas é esse por que nasceram sencientes, e até mesmo com níveis distintos e equiparáveis de consciência e inteligência? Com habilidades sociais. Não seriam características a serem consideradas moralmente? Que indicam que assim como nós não partilham do desejo pela morte precoce? Além disso, diante de tanto impacto que causamos ao mundo em proporções desmedidas e pouco refletidas há milhares de anos, e mais visceralmente há centenas de anos, será que temos o direito de chamar qualquer espécie de pinima, de praga?
Por que acredito que o sofrimento de um animal não humano não é menor do que o humano na iminência da morte
Animais que produzem medicamentos a partir de plantas podem despertar novas discussões sobre a senciência e a inteligência animal
A medicina não é exclusivamente uma invenção humana, e muitos outros animais são conhecidos por se automedicarem com plantas e minerais

Orangotangos transformaram o extrato de uma planta da ilha de Bornéu em um analgésico tópico (Foto: Getty Images)
Este mês, a Scientific American, uma das revistas científicas mais prestigiadas dos Estados Unidos, publicou um artigo intitulado “Orangutans use plant extracts to treat pain”. Ou seja, “Orangotangos usam extratos de planta para tratar a dor”. No artigo, o autor Doug Main, afirma que a medicina não é exclusivamente uma invenção humana, e que muitos outros animais; como insetos, aves e primatas não humanos, são especialmente conhecidos no meio científico por se automedicarem com plantas e minerais – principalmente para tratar infecções e outras enfermidades. O que por si só já é um indicativo claro não apenas dos níveis de consciência animal, mas também de inteligência.
Mas o que mais chama a atenção no artigo, que pode despertar novas discussões sobre a inteligência animal e a senciência, ou seja, a capacidade de sentir dor, é que a pesquisadora e ecologista comportamental Helen Morrogh-Bernard, que há décadas estuda o comportamento dos orangotangos na ilha de Bornéu, encontrou evidências de que orangotangos têm produzido medicamentos de forma inédita a partir de plantas.
Helen, que trabalha para a Borneo Nature Foundation, passou mais de 20 mil horas realizando observação formal do comportamento desses animais, e constatou que ocasionalmente eles mastigam especificamente uma planta que não faz parte de suas dietas. Os orangotangos a mastigam até formar uma espuma e então a esfregam na pele. As massagens com o medicamento natural duram até 45 minutos, e normalmente o extrato é usado nas pernas e nos braços. Os pesquisadores acreditam que esse é o primeiro exemplo conhecido de um animal não humano usando um analgésico tópico fabricado por ele mesmo.
A planta, que tem o nome de Dracaena cantleyi, é um arbusto de aparência incomum com folhas riscadas, e é muito eficaz no tratamento de dores. A química do analgésico dos orangotangos da ilha de Bornéu foi estudada na Academia Tcheca de Ciências, na Universidade Palacký (em Oromouc, na República Tcheca) e na Universidade Médica de Viena.
Os pesquisadores dessas instituições, parceiros da Borneo Nature Foundation, adicionaram extratos às células humanas que foram cultivadas em um prato e as estimularam artificialmente para produzir citocinas – uma resposta do sistema imunológico que causa inflamação e desconforto. Os cientistas envolvidos na pesquisa relataram à revista acadêmica Scientific Reports que o extrato vegetal da Dracaena cantleyi reduziu a produção de vários tipos de citocinas.
Segundo o biólogo Jacobus de Roode, da Universidade Emory, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos, o resultado realmente sugere que os orangotangos usam a planta para reduzir a inflamação e tratar a dor. Descobertas como essa ajudam a identificar plantas e substâncias químicas que podem ser úteis na fabricação de medicamentos de uso humano.
De acordo com o artigo “Orangutans use plant extracts to treat pain”, publicado pela Scientific American, em criaturas como insetos, a capacidade de se automedicar é quase certamente inata; as lagartas do tipo urso lanoso infectadas com moscas parasitas procuram e comem substâncias vegetais que são tóxicas para as moscas. Mas animais mais complexos podem aprender tais truques após uma descoberta inicial por um membro de seu grupo.
“Por exemplo, um orangotango pode ter esfregado a planta em sua pele para tentar lidar com parasitas e percebeu que ela também causava um agradável efeito analgésico”, disse Michael Huffman, primatologista da Universidade de Kyoto, no Japão. Esse comportamento pode então ter sido passado para outros orangotangos.
Aparentemente, não há registros desse tipo de automedicação fora do centro-sul de Bornéu, o que significa que a descoberta tem grande valor científico. E claro, tudo isso ajuda a endossar o fato de que não temos razão para subestimar a senciência e a inteligência animal não humana quando, cada vez mais, eles nos dão mostras de que ainda temos muito a aprender, e principalmente em relação às suas lições e ao valor da vida não humana – incluindo sua capacidade de sentir dor.
Richard Dawkins: “Não temos nenhuma razão para pensar que os animais não humanos sintam dor menos intensamente do que nós”
“Práticas como marcação de gado, castração sem anestesia e touradas devem ser tratadas como moralmente equivalentes a fazer o mesmo com seres humanos”

Dawkins: “Não é plausível que uma espécie não inteligente possa precisar de uma grande dose de dor para levar para casa uma lição que podemos aprender com um estímulo menos poderoso?” (Acervo: The Times)
Em 2011, o biólogo evolutivo e etólogo britânico Richard Dawkins publicou o artigo “But can they suffer?” No texto, ele manifestou publicamente a sua contrariedade em relação à displicência humana no que diz respeito ao tratamento dispensado aos animais não humanos. Ele defende que se não somos capazes de reconhecer o sofrimento dos animais que exploramos em nosso próprio benefício, deveríamos no mínimo dar a eles o benefício da dúvida e considerar as implicações de nossas ações:
O filósofo moral Jeremy Bentham, fundador do utilitarismo, disse: “A questão não é, “eles podem raciocinar?” nem “eles podem falar?”, mas sim “eles podem sofrer?” A maioria das pessoas entende, mas trata o sofrimento humano como algo particularmente preocupante, porque acham vagamente óbvio que a capacidade de sofrer da espécie está positivamente correlacionada com a sua capacidade intelectual. As plantas não podem pensar, e você teria que ser bastante excêntrico para acreditar que elas podem sofrer. É plausível que o mesmo possa ser verdade sobre as minhocas. Mas e as vacas?
E os cachorros? Acho que é quase impossível acreditar que René Descartes, que não é conhecido como um monstro, sustentava com tanta veemência a crença filosófica de que apenas os seres humanos têm mentes, e que ele alegremente seria capaz de colocar um mamífero não humano grávido sobre uma mesa para dissecá-lo. Você pensaria que, apesar de seu raciocínio filosófico, ele poderia ter dado ao animal o benefício da dúvida. Mas ele vinha de uma longa tradição de vivisseccionistas, incluindo [Cláudio] Galeno e [Andreas] Vesalius, seguido por William Harvey e muitos outros.
Como eles podem fazer isso: amarrar com cordas um mamífero que grita e resiste, e dissecar o seu coração vivo, por exemplo? Presumivelmente, eles acreditavam no que veio a ser articulado por Descartes: que os animais não humanos não têm alma e não sentem dor. Hoje em dia, a maioria de nós acredita que cães e outros mamíferos não humanos podem sentir dor, e hoje nenhum cientista respeitável seguiria o horrível exemplo de Descartes e Harvey e dissecaria um mamífero vivo sem anestesia. A legislação britânica, entre outras, os puniria severamente se o fizessem (embora os invertebrados não sejam bem protegidos legalmente, nem mesmo os polvos com seus cérebros grandes).
No entanto, a maioria de nós parece assumir, sem questionar, que a capacidade de sentir dor está positivamente correlacionada com a destreza mental – com a capacidade de raciocinar, pensar, refletir e assim por diante. O meu propósito aqui é questionar essa suposição. Não vejo razão alguma para que haja uma correlação positiva. A dor parece primal, como a capacidade de ver cores ou ouvir sons. Parece o tipo de sensação que você não precisa que o intelecto experimente. Os sentimentos não têm peso na ciência, mas, no mínimo, não deveríamos dar aos animais o benefício da dúvida?
Sem entrar na interessante literatura sobre o sofrimento dos animais (ver, por exemplo, o excelente livro de Marian Stamp Dawkins – “Rethinking Animals”), posso ver uma razão darwiniana por que poderia realmente haver uma correlação negativa entre o intelecto e a suscetibilidade a dor. Abordo isso perguntando para que, no sentido darwinista, serve a dor. É um aviso para não repetir ações que tendem a causar danos corporais. Não meta o dedão do seu pé novamente, não provoque uma cobra ou sente-se em uma vespa, não segure brasas mesmo que brilhem lindamente, tome cuidado para não morder a sua língua. As plantas não têm sistema nervoso capaz de aprender a não repetir ações prejudiciais, e é por isso que cortamos alfaces vivas sem remorso.
É uma questão interessante, incidentalmente, o porquê da dor ter que ser tão dolorosa. Por que não equipar o cérebro com o equivalente a uma pequena bandeira vermelha que, indolor, apenas avisa: “Não faça isso novamente”? Em “O Grande Espetáculo da Terra”, sugeri que o cérebro poderia ser dividido entre impulsos conflitantes e um anseio em rebelar-se, talvez hedonisticamente, contra a busca dos melhores interesses da aptidão genética do indivíduo, caso em que precisaria ser agonizantemente punido para retornar à linha.
Vou deixar passar essa questão e retornar a minha questão principal de hoje: você esperaria uma correlação positiva ou negativa entre a capacidade mental e a capacidade de sentir dor? A maioria das pessoas assume, sem pensar, uma correlação positiva, mas por que?
Não é plausível que uma espécie inteligente como a nossa possa necessitar de menos dor, precisamente porque somos capazes de trabalhar inteligentemente o que é benéfico para nós, e quais eventos nocivos devemos evitar? Não é plausível que uma espécie não inteligente possa precisar de uma grande dose de dor para levar para casa uma lição que podemos aprender com um estímulo menos poderoso?
No mínimo, concluo que não temos nenhuma razão para pensar que os animais não humanos sintam dor menos intensamente do que nós, e de qualquer forma devemos dar-lhes o benefício da dúvida. Práticas como marcação de gado, castração sem anestesia e touradas devem ser tratadas como moralmente equivalentes a fazer o mesmo com seres humanos.
Referência
Richard Dawkins on vivisection: “But can they suffer?” Boing Boing (30 de junho de 2011).

