Archive for the ‘Ovos’ tag
“Esses franguinhos têm uma vida muito triste e curta”
Esses franguinhos têm uma vida muito triste e curta. Todos nascem em uma chocadeira artificial aos milhares de cada vez. O primeiro ar que eles respiram é impregnado de formol. Dizem seus criadores que assim eles ficam amarelinhos e isso agrada mais aos clientes. Eles nem sabem quem são. Nunca vão poder sentir a presença de uma mãe, nunca vão abrigar-se sob suas asas, ou mesmo ter a oportunidade de ciscar ou correr livremente. São tratados como coisas. Para os criadores, eles são simplesmente um produto:
“Você tem que fazer a seleção e depois vacinar. Aqueles que não são aproveitados são triturados.“
Excertos do documentário “A Carne é Fraca”, lançado em 2005 pelo Instituto Nina Rosa.
“Você acha que as pessoas são ruins por se alimentarem de animais?”
Não. O consumo de alimentos de origem animal é cultural, então creio que as pessoas se apeguem a três fatores – costume, paladar e saúde. Sabemos que o terceiro é mais facilmente refutado, já que há tantos vegetarianos e veganos saudáveis pelo mundo afora. Porém a questão de costume e paladar é mais delicada, porque muitas pessoas os veem inclusive como indissociáveis.
Eu, assim como muita gente, cresci me alimentando de animais por um fator cultural baseado no costume. E quando esse fator está tão enraizado na cultura de alguém não é tão fácil enxergar o que realmente existe por trás do que consumimos. Também não é tão simples convencer todo mundo a abandonar esse hábito que muitas vezes representa inclusive todas as refeições que uma pessoa consome ao longo do dia. Há pessoas que tomam leite ou comem queijo no café da manhã, comem carne no almoço, e assim por diante.
É basicamente um dia todo consumindo animais. Fora que as pessoas passam uma vida toda sendo bombardeadas com informações que as convençam de que os alimentos de origem animal devem ser consumidos diariamente. Há uma indústria que te impele a isso; além de escolas, universidades, profissionais de saúde, e toda uma cultura comercial que absorve essa produção surreal que custa a vida de bilhões de animais a cada ano, isso para citar somente os terrestres. Olhe à sua volta e veja quantos estabelecimentos em um raio de quilômetros você pode citar que vendem animais reduzidos a produtos. Neste momento penso em mercados, empórios, bares, lanchonetes, restaurantes, etc.
Claro, muitas pessoas, principalmente adultos, sabem que estão se alimentando de um animal que foi morto, ou de algo que foi retirado dele em regime de privação ou sofrimento. No entanto, saber, enxergar e entender não são a mesma coisa. Uma pessoa pode testemunhar a morte de um animal, mas isso não significa que ela tenha uma real dimensão do que aquilo representa de fato; porque isso depende do seu nível de cognição em relação ao que foi visto e o que aquilo é capaz de despertar nela.
Também é preciso considerar o fato de que hábitos alimentares podem se tornar vícios mesmo que as pessoas não percebam. Alimentos de origem animal têm um poder muito grande de despertar algum tipo de dependência. Porém, qualquer hábito alimentar é passível de mudança, já que somos seres de hábitos mutáveis, embora isso pareça aparentemente difícil, o que na realidade não é.
Nós que temos essa crença e essa resistência. Acredito que não existe nada que o ser humano não seja capaz de fazer nesse sentido. Tudo é possível quando falamos de hábitos alimentares. Mas antes é preciso estimular um novo nível de consciência. Porque uma transição para o vegetarianismo ou veganismo sem uma sólida razão pode ser transitória, efêmera. Uma perspectiva vegana da crueldade pode ou não ser partilhada por quem não é vegetariano ou vegano.
Quero dizer, o vegano está em um nível diferenciado de consciência sobre a exploração animal, e aquilo pode ter um efeito positivo ou não sobre quem não é dependendo da acepção de quem o lê ou o ouve. Darei um exemplo. Duas pessoas observam carnes em um açougue. Uma delas é vegana e a outra não. A vegana fica chocada com o que vê, por entender que está diante dos pedaços do cadáver de um animal não humano, o que é a mais honesta compreensão da realidade.
Por outro lado, quem não é vegano ou vegetariano observa apenas a carne, dissociada do animal. Não reflete sobre o que aconteceu antes daquela carne chegar àquele local. Vamos supor que aí existe a possibilidade de um diálogo. Se esse diálogo estiver muito aquém do nível de consciência ou da predisposição interpretativa daquele que se alimenta de animais, o resultado pode não ser tão positivo dependendo da abordagem.
Claro, a pessoa citada nesse exemplo pode ter algum nível superficial de consciência de que aquilo foi um ser vivo, mas isso não significa que ela tenha feito ou pelo menos esteja disposta a fazer uma concatenação entre carne, privação e morte. É como um cenário em que duas pessoas estão diante de um assassinato – uma delas assiste tudo e a outra escuta apenas os tiros e os gritos. Ou seja, a primeira pessoa naturalmente estará em um nível de reflexão mais profundo do que foi visto. E como a outra não viu nada, seja por recusa ou temor do que aquilo poderia despertar nela, talvez a interpretação do fato seja dissonante.
No geral, creio que é problemático qualificar quem consome animais como alguém ruim. Naturalmente, pesamos o sofrimento dos animais, e isso é evidentemente terrível. Porém, se nos entregamos à emoção, facilmente perdemos a razão – como diz o clichê. Sim, não tenho dúvidas de que há pessoas que não teriam problema nenhum em matar animais e comê-los. Talvez até por uma questão de disfunção narcotizante, que neste caso em específico seria a banalização da morte, mas esses não representam a maioria da população. Na realidade, a maioria sequer já teve contato real com animais reduzidos a alimento e produtos. Tenho certeza de que muitas pessoas precisam apenas de uma oportunidade de conscientização, de contato mais profundo com essa questão da exploração animal; de tudo que envolve a redução dos animais a alimentos e outros produtos.
Normalmente me deparo com situações em que pessoas que comem carne ficam surpresas e sensibilizadas com algum fato que envolve a exploração animal. Posso citar como exemplo um caso em que havia um mamilo em um pedaço de bacon e houve bastante comoção. Muita gente apontou hipocrisia nisso, o que não deixa de ser verdade, já que ao comer bacon, você está comendo um pedaço de um porco, um animal com mamilos. Mas, por outro lado, entendo que essa reação também pode ser um indicativo de um choque de realidade que pode instigar conscientização e sensibilidade, enfim, quem sabe, predisposição a uma verdadeira reflexão do que é o sofrimento animal. Sendo assim, vejo nessas pessoas que ficam chocadas uma franca possibilidade de mudança.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
“Por que você acha que as pessoas consomem alimentos de origem animal?”

Dos trabalhos old school da artista plástica britânica Sue Coe, este é um dos meus preferidos: “It’s a Picnic”. De um lado, animais confinados e sendo açoitados. Do outro lado, pessoas se confraternizando. Essa arte sintetiza o desinteresse humano em fazer alguma diferença na vida dos animais, ignorando à sua volta até mesmo um cenário de privação, sofrimento e morte.
— Por que você acha que as pessoas consomem alimentos de origem animal, mesmo quando reconhecem que estão se alimentando de animais mortos?
— Eu vejo três aspectos importantes para entender um pouco essa questão. O primeiro é um fator historicamente cultural, ou seja, o distanciamento da ideia de que um animal não é um produto. E claramente isso foi reforçado a partir da Revolução Industrial no século 18, se estendendo em proporções aberrantes até os dias atuais. É até interessante tocar nesse ponto porque o vegetarianismo, ou melhor, o vegetarianismo ético, começou a ser formatado nos moldes atuais exatamente nesse período, o que pode ter sido inclusive uma reação a um novo nível de banalização da vida.
Mas voltando à questão, vejo que antigamente não era incomum os criadores terem algum tipo de vínculo ou afinidade com os animais. Na realidade, no Brasil, por exemplo, isso era muito comum até os anos 1970, pelo menos no interior do país. Sei disso porque parte da minha família veio do meio rural. Mas essa afinidade, mesmo quando culminava ou culmina na morte do animal reduzido a produto, era e é limitada, limitada por uma crença de que se você ver inúmeras semelhanças entre você e um animal, você não é capaz de matá-lo. Talvez de mandar que alguém o mate, dependendo dos níveis de conexão e desconexão.
Ainda assim, eu diria que pode ser bem difícil você atentar contra a vida de um animal depois de reconhecer, talvez até mesmo por identificação, que ele é um ser de direitos com necessidades que pareçam similares às humanas, embora não signifique que sejam. Digo isso porque devemos considerar que cada animal tem a sua própria complexidade enquanto ser vivo. Sobre a desconexão, um exemplo que posso citar baseado em uma realidade histórica regional é que se evitava dar nomes aos animais, principalmente nomes humanos. Também não era recomendado manter contato diário que fosse além do essencial, como alimentá-los. E aqui eu falo da realidade dos pequenos criadores. Porque nas médias e grandes propriedades já havia claramente toda uma estrutura que permitia um distanciamento muito maior.
Afinal, dependendo da quantidade de animais concentrados em uma área, é mais fácil não encará-los como “sujeitos de uma vida”, termo cunhado pelo filósofo Tom Regan. Não tenho dúvida de que para que a morte dos animais continue sendo perpetuada, é preciso que a desconexão seja predominante, e muitas vezes essa desconexão é baseada na ideia de que o animal está cumprindo o seu papel, que é servir como comida, logo há quem encare isso como um ato de nobreza, mesmo que mascarado por uma falsa premissa. Sem essa desconexão, se você se permitir entender o quanto a vida de um animal é importante para ele, assim como a sua é para você, as chances de você matá-lo ou comê-lo diminuem consideravelmente. Qualquer pessoa que experimenta não apenas o entendimento, mas a sensibilidade do que é a vida não humana, tem grandes chances de não querer mais tomar parte nessa desnecessária exploração animal.
O segundo aspecto que considero relevante é a dissimulação da informação. Conheço muitas pessoas de grande sensibilidade, mas que estão imersas no fator cultural da legitimação da exploração animal. Mas sei, baseado no que vejo, que muitos desses irão abdicar disso no futuro. Porém, ainda não o fizeram porque têm dúvidas, inclusive medo, sobre as consequências dessa decisão. Ainda assim, não tenho a menor dúvida de que aos poucos isso vai melhorando, conforme mais e mais informações forem compartilhadas, e os mitos derrubados. Acredito que a única ferramenta para reverter isso é a conscientização, que naturalmente varia de acordo com o emissor e seu nível de informação. Temos inclusive literatura voltada para a educação vegana, o respeito aos animais para além do especismo.
É perceptível o receio das pessoas em tornarem-se vegetarianas ou veganas, um temor que desde o princípio do século 20 é alimentado por muita propaganda que existe não exatamente para garantir o bem-estar da população, mas para manter o status quo das grandes indústrias que atuam no ramo da exploração animal. E qual é o maior exemplo da eficácia dessa propaganda? Quando se tornam parte do ensino. Ou seja, invadem escolas e universidades como vemos há muito tempo. O que as instituições de ensino repercutem, quando ajudam a reforçar a falsa necessidade da exploração animal, é uma versão supostamente educativa da publicidade e da propaganda que ganhou muita força no século 20. Compare a propaganda com a educação nesse aspecto da objetificação. Basicamente é a mesma coisa, o que muda é apenas a linguagem. Afinal, se houvesse uma forte crença do quanto é desnecessário consumir, por exemplo, carne, leite, ovos, o que as grandes indústrias fariam? Elas não teriam como se sustentar no mercado, porque elas dependem de uma aprovação massiva, que poderia sair de controle com uma perda acentuada de consumidores.
Não tenho dúvida de que no entendimento da indústria da exploração animal, é preciso bombardear a população com informações diárias e constantes sobre a importância do consumo de alimentos de origem animal, o que obviamente é uma falsa necessidade, já que vegetarianos e veganos saudáveis são a prova disso. Sem propaganda, a indústria da exploração animal não seria o que é. E ela tem a seu favor o fato de que ainda podemos encontrar muita, muita gente mesmo, que nunca viu um porco vivo à curta distância, assim como um boi ou qualquer outro animal reduzido a produto, o que dificulta o processo de empatia e reconhecimento de direitos não humanos. Isso é mais comum do que podemos imaginar. E facilita bastante a dissociação entre vida, morte e comida.
É fácil encontrar pessoas no mercado que não sabem a origem do presunto, quero dizer, de qual animal esse suposto alimento é proveniente. Isso mostra o quão imersos estamos em uma realidade preocupante, em que muitas vezes as pessoas não se importam, de fato, com o que consomem e as implicações disso, seja para outros seres ou até mesmo para nós. E por que isso acontece? Porque eles acreditam cegamente na indústria. Não há realmente um questionamento contundente. Quando ele existe, se volta mais para a “qualidade do produto”, não para o que ele realmente é.
O terceiro aspecto é o paladar, que também está relacionado com o aspecto cultural e a dissimulação da informação. As agências de publicidade conseguem despertar um anseio no espectador ao trabalhar imagens positivas, repletas de cores associadas ao prazer da alimentação baseada na exploração animal – o que podemos interpretar como um efeito sinestésico. Além disso, sempre apresentam animais como seres felizes e caricatos ao darem sua vida para alimentar seres humanos, se enquadrando no que costumo chamar de “dissimulação estética”. E qual animal seria feliz em morrer para alimentar alguém? Obviamente, nenhum, já que isso não acontece nem mesmo na savana, imagine então no contexto da indústria de carnes, laticínios e ovos, onde muitos animais são condicionados à exploração intensiva, privados de uma vida livre da má intervenção humana.
É preciso considerar também que o paladar é um prazer sensorial que há muito tempo dita alguns hábitos da humanidade. Como lidar com o paladar quando falamos de exploração animal? Bom, o paladar só pode ser associado ao prazer se entendermos que o que estamos consumindo é plenamente satisfatório, sem levantar muitas dúvidas e questionamentos que coloquem esse hábito em xeque a ponto de propor uma real mudança. E não há como algo ser satisfatório se a sua mente trabalha contra isso. Portanto, isso explica por que vegetarianos e veganos muitas vezes têm esse prazer anulado ou neutralizado.
Até porque torna-se impossível não ver os animais que deram vida àqueles “produtos” nas vitrines dos açougues e nas seções de frios, por exemplo. Claro que nem todos são assim. Há quem sinta falta de alguns produtos de origem animal. No entanto, com o passar do tempo esse anseio vai desaparecendo cada vez mais, quem sabe, até se extinguir completamente. Ainda assim, é importante reconhecer que substituir o prazer da gustação, seja motivado por compaixão ou razão, é uma demonstração de que o paladar está abaixo de valores mais importantes como a valorização da vida não humana. Afinal, você associa produtos de origem animal com exploração, privação, sofrimento e morte.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
2,5 bilhões de pintinhos são mortos por ano
Prática comum – Pintinhos sendo moídos porque são descartáveis para a indústria de ovos. Também não interessam à indústria de carne porque não têm a mesma genética dos animais criados com essa finalidade. Por ano, 2,5 bilhões de pintinhos são mortos dessa forma ou por meio de dióxido de carbono, de acordo com dados da organização alemã Deutscher Tierschutzbund.
Os perigos das dietas que demonizam os carboidratos e incentivam o alto consumo de proteínas de origem animal
Sobre as dietas de perda de peso, as pessoas usam duas abordagens que não funcionam a longo prazo. Então é claro que elas dizem que dietas não funcionam. Uma abordagem é tentar ficar sem comer e sentir fome o tempo todo. Essas são dietas de porções controladas, dietas típicas que as pessoas seguem. Não funciona porque você sente fome o tempo todo, e não se pode tolerar esse tipo de dor.
As alternativas são as dietas “torne-se um doente”. E essas são as dietas de alta proteína de origem animal, alta gordura e baixo carboidrato. Nos últimos anos surgiram muitas dietas afirmando que comer pouco carboidrato e muita proteína animal ajuda a perder peso. Tudo orquestrado por campanhas publicitárias multimilionárias e pelo endosso de celebridades [que lucram com isso]. Como resultado, a maioria das pessoas hoje associa carboidrato a ganho de peso.
Dietas com pouco carboidrato deixam você doente [um exemplo é a baixa na imunidade]. Como resultado, todo o seu corpo fica doente, [com riscos de] doenças arteriais e danos nos rins, no fígado e assim por diante. Elas aumentam a mortalidade. Isso já foi mostrado inúmeras vezes nos grandes estudos. Mas elas também o deixam doente de forma que faz você perder o apetite. A pessoa diz: “Finalmente encontre a solução!” E então você entra em cetose e perde o apetite. Como resultado, pode se sustentar sem pensar em comida o tempo todo. Porque você está doente. Essas dietas são perigosas, e as pessoas não deveriam segui-las.
Em 1973, Rob Atkins publicou seu primeiro livro no qual ele argumentava que o problema não era com a gordura, o problema não era com a proteína. Segundo ele, o problema era que consumíamos carboidratos demais. E ele defendeu este argumento. E depois, muitas outras pessoas escreveram a mesma coisa. A Dieta de South Beach é apenas uma cópia, na maior parte, da Dieta Atkins.
A Dieta das Zonas é uma cópia, e a Dieta do Tipo Sanguíneo, em muitos aspectos, também é uma cópia. Calorias Boas, Calorias Ruins, de Gary Taubes, a mesma coisa. Até mesmo Michael Pollan, devo dizer, o Dilema do Onívoro, é uma cópia. E a Dieta Paleo, tão popular hoje em dia, é só uma cópia.
São erros e fraudes em dietas comerciais com nomes diferentes, e podem cuspir diferentes argumentos sobre o porquê de aquilo estar certo, mas estão todos errados. Isso é escrito por pessoas, devo dizer, que não têm experiência nesse campo de pesquisa nutricional, e ponto. A maioria nunca publicou um artigo sequer na literatura científica.
Bem, como você sabe, as maiores mentiras do mundo são aquelas que têm um fundo de verdade. Todos sabemos disso. É uma grande tática. É verdade, concordo que devemos cortar os carboidratos, mas os carboidratos simples. Isso está fora do contexto geral. Você sabe, açúcar, farinha branca. Isso faz sentido. Neste caso, tem um fundo de verdade. Mas eles nem sempre destacam isso. Apenas dizem: low carb, low carb, low carb.
Todos querem ouvir boas notícias sobre seus maus hábitos. Então quando você diz às pessoas que elas podem comer quanta lagosta quiserem, podem comer bife com ovos, alguns incluem laticínios, outros não. Isso soa agradável para as pessoas porque parece menos restritivo. Algumas das pessoas que estão falando sobre dietas com poucos carboidratos não têm habilidades para avaliar informações científicas. Escute, esqueça o que você gosta ou não gosta. Pense no seu objetivo.
John McDougall, médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”.
T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.
Pamela A. Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.
Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
“Ah, você fica publicando esses textos criticando o consumo de carne, leite e ovos”
Ah, você fica publicando esses textos criticando o consumo de carne, leite e ovos. Mas então por que pouca gente sabe disso, e não sai na TV, na grande mídia? Parece teoria da conspiração.
— Isso não sai na grande mídia por um motivo óbvio. Significaria perder grandes anunciantes. Acredito que há veículos que poderiam até fechar suas portas dependendo do tipo de contrato e da duração. Ou você acha que é fácil bater de frente com um mercado que movimenta trilhões? Só o mercado global de carne bovina prevê uma receita de 2,1 trilhões de dólares até 2020. Ir contra a indústria da exploração animal é um trabalho de resistência. Isso significa lutar contra toda uma publicidade que começou a ser desenvolvida massivamente após a Revolução Industrial. Além disso, enquanto se publica uma pesquisa honesta criticando o que existe de errado nesse meio, surgem até dez sob encomenda tentando desqualificar esse trabalho. O único momento em que a mídia volta sua atenção para a realidade da indústria da exploração animal é quando surge algum escândalo, então é claro que eles são obrigados a se manifestarem. Do contrário, perdem credibilidade. Porém, isso também não significa que estejam simplesmente defendendo os interesses da população. Só pra ter uma ideia, no primeiro semestre de 2016 a JBS e a BRF investiram sozinhas 1,2 bilhão de reais em publicidade veiculada no Brasil. Sendo assim, o potencial de dissimulação da realidade a respeito dos produtos de origem animal é sempre maior do que o da verdade. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, obviamente. Prefiro me juntar àqueles que não enchem os bolsos de dinheiro às custas da exploração de seres vivos incapazes de reivindicar o direito à vida.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
“Muitos homens comem muita carne porque se sentem muito machos assim, certo? A verdade é que a longo prazo o efeito é o oposto”
Muitos caras que comem carne veem isso como um reflexo da sua masculinidade. Associam isso com ser forte e másculo. Muitos homens comem muita carne porque se sentem muito machos assim, certo? A verdade é que a longo prazo o efeito é o oposto.
Não é muito macho ter disfunção erétil [quando se chega a uma certa idade]. Estamos falando de fluxo sanguíneo. Até dizem isso em comerciais de Cialis e Viagra. Então se suas artérias estão entupidas pelo alto consumo de carne, laticínios e ovos, o que isso vai acontecer com o seu desempenho sexual? É uma ciência simples, cara.
É inquestionável que homens acham que têm que comer um monte de proteínas e que seguir uma dieta vegetariana não é algo muito masculino. Mas vou lhe dizer algo: o que realmente não é masculino é disfunção erétil. Se quer ser viril, se quer ter uma bela vida masculina, siga uma dieta vegetariana.
Há grandes evidências que mostram que a disfunção erétil é causada pela dieta em muitas circunstâncias. E o motivo é que se você tem doença arterial coronariana em uma parte do corpo, você a tem nele todo. A prova disso é que aqueles vasinhos minúsculos de sangue que levam ao pênis são os primeiros a serem afetados.
Nós nos referimos à disfunção erétil como o primeiro sinal de perigo. É o sinal de que alguma coisa está indo muito mal e que você precisa consertar [Não é à toa que pessoas com disfunção erétil podem morrer consumindo Viagra ou Cialis]. Nesse estágio, é muito mais fácil de tratar isso se você ainda não teve um infarto ou AVC.
T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.
John Joseph, músico, triatleta vegano e defensor da alimentação livre de produtos de origem animal.
Pamela Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.
Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski, lançado em 2008.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
O sofrimento das galinhas poedeiras
Uma galinha selvagem bota 10 a 15 ovos, mas podendo chegar a 30 por ano, e apenas no período natural de reprodução. Porém, as galinhas modernas, que produzem os ovos mais consumidos em todo o mundo, foram manipuladas geneticamente para botarem até 350 ovos por ano.
A produção de ovos é extremamente exaustiva, porque o ovo requer muitos nutrientes, especialmente o cálcio que é um importante nutriente da casca. Para cada casca de ovo produzida, uma quantidade considerável de cálcio é drenada do corpo de uma galinha. Por isso, as galinhas poedeiras geralmente sofrem de osteoporose, e têm ossos bem frágeis se comparados aos das galinhas selvagens. Há casos em que a deficiência é tão grande que elas sofrem de quebra de ossos mesmo sem fazer esforço.
Além do uso de luz artificial nas granjas, como forma de condicionar as galinhas a botarem ovos fora do seu ciclo natural, há também alguns relatos de uma prática reprovável testemunhada em algumas granjas – deixar as galinhas sem comida e água por dias. Aparentemente, isso causa um choque no organismo da galinha e a estimula a botar mais ovos caso a produção tenha caído ou estagnado. Dizem que tal prática pode ser aplicada por até três vezes antes da galinha ser enviada para um matadouro.
Outro ponto de reflexão é que galinhas poedeiras exploradas em níveis industriais não raramente sofrem de prolapso uterino, câncer de ovário, peritonite, esteatose (síndrome do fígado gorduroso) e fadiga crônica. Normalmente, uma galinha pode viver por pelo menos dez anos, mas no sistema industrial a sua expectativa de vida é de um a dois anos.
Para mais informações, sugiro a leitura:
http://www.galgoamigo.com/eggs.html
http://www.foodispower.org/hens-raised-for-eggs/
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
O que você acha de ovolactovegetarianos?
O que você acha de ovolactovegetarianos?
Acho que é um bom caminho para quem tem como primeiro passo abandonar o consumo de todos os tipos de carne. Mas acho importante também que as pessoas tenham em mente que o ovolactovegetarianismo, embora seja um passo importante no abandono do consumo de produtos de origem animal, não deixa de contribuir com a exploração animal. Exemplo clássico disso é o fato de que a maior parte do leite consumido pela população é proveniente do sistema industrial, e o sistema industrial prevê a separação do bezerro da vaca para que o leite seja destinado ao consumo humano. Para produtores de gado leiteiro não é interessante a criação de bezerros machos, então acaba sendo mais vantajoso economicamente matá-los ou, dependendo do país, até mesmo vendê-los para o mercado de carne de vitela. Às vezes, alguém diz que é visceral demais dizer que o consumo de laticínios é tão terrível quanto o de carne. Não, não é, basta refletirmos sobre a duração dessa exploração e todos os seus desdobramentos, começando, por exemplo, pelo estado da vaca e do bezerro após a separação. A vaca naturalmente procura o bezerro e ele faz o mesmo, caso tenham a oportunidade. O estado emocional dos dois em decorrência da impotência é de alto estresse seguido de sofrimento. E claro, tudo isso pode culminar na morte do bezerro, que pode ou não ser reduzido a uma carne pela qual as pessoas pagam caro e consomem como se fosse algo natural. Logo se tomo leite ou consumo qualquer produto com laticínios, acabo por incentivar em menor ou maior proporção a morte de bezerros machos. Além disso, a queda na produção de leite não raramente é associada à mastite, uma grave inflamação das glândulas mamárias. É importante entender que vacas exploradas nesse ramo são condicionadas a produzirem leite em um ritmo não natural, e isso consequentemente reduz a expectativa de vida do animal. Também é preciso ponderar que a exploração do gado leiteiro é mais duradoura e só é interrompida quando o animal morre. Sim, a vaca leiteira que já não produz muito leite e não é economicamente viável manter viva. Depois de uma vida de contumaz exploração, o destino dela é o matadouro, ter sua carne, entre outros fins, reduzida a porções de hambúrgueres congelados enfileirados na área de frios dos mercados. Não duvido que haja exceções, mas a verdade é que no geral a produção e o consumo de laticínios nos leva a isso, e claro, a ânsia por carne industrializada.
Mas e se as pessoas consumissem leite de pequenos produtores, em que não há o mesmo sofrimento imposto pela indústria?
Ainda assim eu não endossaria tal prática. Por quê? Porque isso reafirmaria a crença de que os animais existem para nos servir. Não deixaria de ser uma posição antropocêntrica e especista. E claro, alguém pode alegar que o animal não sofre. Vamos supor que isso seja possível. Nem todo mundo teria condições de ter uma vaca em casa ou comprar o suposto embora enganoso “leite eticamente sustentável” e “cruelty free”. E como a demanda seria alta, essas pessoas que consomem o “leite eticamente sustentável” incentivariam os outros a fazerem o mesmo. A demanda seria muito grande, e quem teria que suprir isso seria o sistema industrial, e no sistema industrial é impossível que não haja privação e sofrimento, porque a privação e o sofrimento são consequências de demandas muito altas de consumo num curto período de tempo.
E sobre o consumo de ovos?
O consumo de ovos também tem sua faceta tétrica. O romantismo que a indústria defende não condiz com a realidade em nenhum aspecto. Você já visitou granjas de pequenos produtores? Eu já, e muitas vezes, e posso dizer que ainda assim o nível de estresse das galinhas é muito difícil de ser controlado. E por que isso? Porque elas não estão levando uma vida natural. A dura vida das galinhas começa logo que nascem. Normalmente, com dez dias de idade, passam pelo processo de debicagem, ou seja, têm seus bicos cortados para que não pratiquem canibalismo quando o nível de estresse se torna muito alto. Mas como eu disse antes, ser ovolactovegetariano é louvável, mas é uma meia medida caso a pessoa não pense em ir além. Quero dizer, não é o suficiente para quem quer evitar realmente tomar parte na exploração animal. Quando falamos de ética alimentar no contexto dos direitos animais, a alimentação vegetariana estrita é a mais adequada.
O que você diria para quem é ovolactovegetariano há anos?
Eu sugiro que, caso seja uma escolha ética, que a pessoa reflita a respeito, porque há sofrimento em um copo de leite, em um ovo, e até mesmo no mel, já que nos apiários as abelhas também são condicionadas a trabalharem em um ritmo não natural. Quero dizer, normalmente elas têm sua expectativa reduzida à a serviço dos seres humanos. A rainha também é substituída, entenda-se como morta, quando começa a colocar menos de dois mil ovos por dia. Isso não seria uma forma de exploração? Elas poderiam viver mais. O romantismo na produção de mel também é preocupante. Onde há intervenção humana na vida animal com fins econômicos, pode acreditar que ali há uma vida não natural. Porque vidas não foram feitas para gerarem lucro, para serem mercantilizadas logo objetificadas, sendo assim há sempre uma dissonância entre expectativa de vida e geração de renda.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
A crueldade da debicagem na indústria de ovos
A debicagem é um dos processos mais cruéis da indústria da exploração animal, e o que sustenta tal prática é a produção e comercialização de ovos. Nas granjas, corta-se o bico de pintinhos com até 10 dias de idade para evitar que eles machuquem uns aos outros. E por que fariam isso?
Simplesmente porque, afastadas de um estilo de vida natural e convivendo em pequenos espaços com muitos animais, as aves que se tornarão galinhas poedeiras ficam extremamente estressadas e chegam a praticar canibalismo. A dor pós-debicagem pode durar de 20 a 30 dias, e os animais sofrem tanto que muitos não conseguem dormir até o ferimento cicatrizar.
Para quem tem dúvidas sobre se essa prática é pontual ou recorrente, é possível encontrar vídeos de amadores e profissionais no YouTube cortando os bicos de pintinhos, galinhas e frangos.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:













