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Não há respeito na exploração e no consumo de animais
Pesquisa revela que sete a cada dez consumidores desconhecem a real violência por trás da carne

A pesquisa apresentou aos participantes detalhes da vida de animais que ainda muito cedo são enviados para os frigoríficos (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Em uma pesquisa concluída esta semana pela World Animal Protection (WAP), sete a cada dez consumidores entrevistados, de um total de mais de dez mil de mais de dez países, informaram que se surpreenderam ao descobrir como os porcos são criados no sistema industrial. Eles classificaram a criação de animais para consumo como “perturbadora”, “errada” e chocante”. A pesquisa apresentou aos participantes detalhes da vida de animais que ainda muito cedo são enviados para os frigoríficos – como práticas em que porcas são mantidas em gaiolas, uso de antibióticos; e cortes de rabo, dentes e castração – às vezes sem anestesia.
Se por um lado, a pesquisa serviu para atender a interesses consideravelmente “bem-estaristas” em oposição à “violência excessiva” contra os animais criados nas chamadas fazendas industriais, exigindo “melhor tratamento” para os animais. Por outro, também serviu como alerta para o fato de que é muito comum as pessoas desconhecerem e não se preocuparem, de fato, com a cadeia de violência e crueldade contra seres não humanos criados para fins de consumo.
E como a maior parte da população mundial não tem condições de comprar os produtos de origem animal considerados “orgânicos” ou “menos antiéticos” por dois fatores – preço e área insuficiente para esse tipo de criação em escala mundial, a verdade é que o predomínio desse sistema é simplesmente um reflexo natural da alta demanda do mercado consumidor. Ou seja, quanto mais pessoas consumindo animais, maiores índices de violência e crueldade contra seres não humanos; já que a quantidade sempre favorece a permissividade.
Certamente, isso ajuda a endossar a ideia de que a mais promissora solução para a redução da violência contra seres de outras espécies que transformamos em alimentos e produtos é uma só – a abstenção desse consumo, não a sua redução ocasional ou sazonal; e menos ainda a busca de alternativas classificadas como “menos inclementes”, já que essas são, claramente, benéfica aos seres humanos (porque ameniza o peso na consciência), mas não aos não humanos que terão o mesmo implacável destino – a morte precoce.
Referências
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Charlotte Despard, a ativista que não achava certo lutar pelos direitos das mulheres e ignorar os direitos dos animais
Nascida em 14 de junho de 1844, a britânica Charlotte Despard foi uma ativista política, sufragista, pacifista e defensora dos direitos dos animais. Ela acreditava que não era certo defender os direitos das mulheres e dos trabalhadores e ao mesmo tempo ignorar o fato de que animais eram explorados e mortos em grandes quantidades para atender vícios alimentares humanos. Além disso, fazia ferrenha oposição à vivissecção. O que a levou para o vegetarianismo foi o trabalho do poeta romântico britânico Percy Shelley, defensor do vegetarianismo ético e autor dos ensaios “A Vindication of Natural Diet” e “On The Vegetable System of Diet”. Mais tarde, o posicionamento de Charlotte a favor da não violência não apenas contra seres humanos, mas também contra animais, ganhou força após um encontro com Mohandas Gandhi em 1909.
A ativista britânica tinha tudo para levar uma vida tranquila sem se preocupar com os interesses dos menos desafortunados, fossem eles animais humanos ou não; isto porque ela era de uma família de classe alta, e em 1870 casou-se com um homem igualmente abastado – Maximilian Carden Despard, um empresário anglo-irlandês que tinha negócios no Oriente. Porém, viver imersa nessa realidade, ignorando o que acontecia com quem não tinham tais privilégios, não era o seu ideal de vida.
Após a morte do marido em 1890, ela se engajou cada vez mais em causas sociais e políticas. Seus olhos se abriram completamente para a realidade da pobreza e do sofrimento dos seres humanos e dos animais. Em 1892, ela foi eleita para compor o Kingston Poor Law Board, em Londres, supervisionando as condições de vida dos trabalhadores assalariados. Na região Sul de Londres, ela ficou chocada com a realidade das mulheres. Foi isso que a fez enxergar com maior rigor a importância do sufrágio feminino, inclusive se tornando uma das ativistas mais importantes do movimento – sendo presa duas vezes no distrito londrino de Holloway.
Charlotte se tornou sufragista em 1900, um ano depois que se converteu à teosofia. Em 1907, fundou a Women’s Freedom League, uma organização que lutava pelos direitos das mulheres e dos animais, com ações ilegais não violentas. O seu engajamento era tão grande que ela passou os primeiros cinco meses após a fundação da liga percorrendo a Inglaterra em uma caravana, encontrando membros, buscando filiações e dando palestras aos apoiadores. À frente dessa liga, a ativista britânica montou oficinas para a produção de roupas para a população carente e abriu restaurantes vegetarianos em Londres e em algumas províncias. As roupas confeccionadas pela WFL eram projetadas por Charlotte.
Ela também criou bancos de leite materno, clínicas de maternidade e um albergue sem qualquer custo onde as crianças poderiam se hospedar por até três meses enquanto suas mães se recuperavam de um parto ou alguma doença. A Women’s Freedom League, liderada por Charlotte, promovia a alimentação vegetariana e administrava um hospital com 50 leitos que ela construiu com dinheiro do seu próprio bolso. Além disso, fundou o Despard Arms em Hampstead Road, em Londres, um local onde eram servidas refeições e bebidas não alcoólicas.
A WLF possuía um jornal que visava atrair apoio para a causa sufragista. Intitulado “The Vote”, também ajudava a divulgar o vegetarianismo. Um exemplo é uma foto de uma edição de 1910 em que a senhora Agnes Leonard, secretária honorária da filial de Sheffield, aparece preparando um jantar vegetariano – sendo apontada como uma “perita em culinária vegetariana”. Esse registro é um exemplo de como Charlotte Despard promovia o vegetarianismo na Liga dos Direitos das Mulheres. Em janeiro de 1911, ela financiou a palestra “A Ética da Reforma Alimentar”, de Dan Hamilton, um vegetariano bastante respeitado à época.
“Perto do final de 1912, a filial de Edimburgo informou que uma demonstração extremamente interessante de culinária vegetariana foi dada por Miss MacDonald (de Glasgow), assistida por membros da Sociedade Vegetariana de Edimburgo”, registrou Leah Leneman, na página 272 da obra “The awakened instinct: vegetarianism and the women’s suffrage movement in Britain”, publicada pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, em 1997. A senhora MacDonald era membro da organização fundada por Charlotte Despard.
Como pacifista, a ativista britânica criou o grupo Women’s Peace Crusade, ou A Cruzada das Mulheres pela Paz, e fez campanha contra a Primeira Guerra Mundial e a Guerra dos Bôeres. O que mais a incomodava era o recrutamento de jovens para a guerra, porque sabia que muitos deles eram vulneráveis e miseráveis sem qualquer entendimento do que os aguardava. Charlotte entendia que a guerra trazia ainda mais desgraças para os mais pobres, porque aqueles que morriam na guerra sempre deixavam algum familiar desolado, desamparado ou à mercê da própria sorte – ou azar. Nesse período, ela fez franca oposição ao seu irmão John French, que era chefe do Estado-Maior do Exército Britânico e comandante da Força Expedicionária Britânica.
Charlotte Despard também era muito ativa no Partido Trabalhista inglês e foi selecionada como candidata por Battersea North em 1918, recebendo um terço dos votos. Uma das marcas inconfundíveis da ativista britânica era uma mantilha de renda preta que ela usava o tempo todo. Sempre se vestia com simplicidade, usando somente roupas pretas e sandálias. Ao longo de décadas, organizou e participou de muitas manifestações e protestos – falando inclusive para multidões de homens, não apenas de mulheres. Ela era abertamente uma anti-vivisseccionista – lutava pelo banimento das experiências com animais em laboratórios, considerando esse tipo de prática um ato de crueldade contra seres vulneráveis. Em 1931, ela se tornou vice-presidente da Sociedade Vegetariana de Londres, um ano depois que foi convidada a ingressar no Conselho Executivo do Congresso Mundial da Fé.
Em 1921, Charlotte se mudou para a Irlanda, mas continuou viajando por Londres e por toda a Europa fazendo ativismo. Na década de 1930, com mais de 90 anos, ela ainda participava de manifestações antifascistas. Charlotte Despard, a ativista que defendia os direitos das mulheres, dos trabalhadores e dos animais – na realidade, dos desafortunados em geral, independente de tipo e espécie, faleceu em 10 de novembro de 1939 aos 95 anos em sua casa perto de Belfast, na Irlanda do Norte – depois de mais de 50 anos de ativismo.
Referências
Leneman, Leah. The awakened instinct: vegetarianism and the women’s suffrage movement in Britain. Página 272. Universidade de Edimburgo, Reino Unido (1997).
Linklater, Andro. For Mrs Despard. An Unhusbanded Life. Londres (1980).
Charlotte Despard. Women Working for Peace. Peace Pleadge Union Project. The Men Who Said No.
Charlotte Despard. Battersea Arts Centre. Digital Archive.
Charlotte Despard. The Open University. Making Britain.
Reflexões de um minuto – Imagine passar a sua vida confinado como um animal criado para consumo
Alex Proud: “Todos nós precisamos parar de comer carne”
“Se tornar vegetariano é uma das melhores coisas que você pode fazer pela Terra”

Proud: “Tudo isso me forçou a dar uma longa olhada em minha própria dieta de carne” (Foto: Reprodução)
Até então inegavelmente viciado em carne, o colunista britânico Alex Proud publicou no The Telegraph um artigo intitulado “We all need to stop eating meat now, and this is why” ou “Todos nós precisamos parar de comer carne, e este é o porquê“, explicando como foi a sua tomada de decisão em relação à contrariedade à exploração animal e o entendimento de que não há carne sem dor. Além disso, ele enfatiza o seu entendimento de que o consumo de animais também traz consequências negativas para o mundo. Por todos esses fatores, decidiu se empenhar em começar uma transição para o vegetarianismo:
Um pequeno salto, eu sei, mas tenha paciência comigo. Na semana passada, foi anunciado que o bilionário da tecnologia russa Yuri Milner estava investindo US$ 100 milhões para procurar vida extraterrestre e o que o professor Hawking estaria a bordo. No entanto, o professor Hawking há tempos tem grandes preocupações sobre a busca por vida inteligente. A essência de seu pensamento é que os alienígenas que são muito mais avançados do que nós poderiam nos ver como “não mais valiosos do que vemos bactérias.”
Pelo pouco que vale a pena, discordo um pouco do professor Hawking. Com um toque de orgulho antropocêntrico ou arrogância, imagino que nossos novos senhores galácticos possam nos ver como vemos os animais de fazenda. Porcos, se estivessem sendo generosos, e galinhas caso não estivessem.
O problema é que este pensamento não se dissipa, até porque a exobiologia está em alta no momento. Em nosso próprio sistema solar, descobrimos oceanos sob o gelo da Europa e do Encélado (e possivelmente em Plutão e Ceres), onde a vida poderia existir. Existe agora uma boa chance de que a vida alienígena seja encontrada na próxima década ou mais; hoje em dia, os bookies [que registram apostas] só te darão chances de 100 por 1 de um ET ser descoberto em qualquer ano, enquanto há dez anos você teria uma chance em mil, ou mais.
Para ser justo, os habitantes desses mundos próximos provavelmente são suspeitosos e deveriam ter mais a temer de nós do que nós deles. Mas são os bilhões de outros mundos potencialmente habitáveis na Via Láctea com os quais estou preocupado. Mundos como o atual planeta do mês Kepler-452b (também conhecido como Earth 2.0), que tem uma vantagem de 1,5 bilhão de anos sobre nós. Quero dizer, você pode imaginar o que poderíamos fazer em 1,5 bilhão de anos? Provavelmente, teríamos um aplicativo como o Uber para viagens mais rápidas que a velocidade da luz.
De qualquer forma, esse constante bombardeio de questões complicadas sobre a vida alienígena significa que é difícil ter a ideia de um alienígena verde cintilante saindo de uma espaçonave para me avaliar (como um açougueiro faria com um boi). E o corolário natural disso é: Cristo, tratamos mal os animais de fazenda. Então, talvez, quando nossos senhores galácticos se agitarem, eles olharão para a maneira como tratamos os porcos e pensarão, pff, selvagens, antes de nos jogarem em um forno para fazer um delicioso prato de humano assado.
Tudo isso me forçou a dar uma longa olhada em minha própria dieta de carne – e, lentamente, estou chegando à ideia de que as enormes pilhas de salsichas maravilhosamente douradas, os bifes perfeitamente grelhados, o delicioso bacon e os mistos grelhados que compreendem pelo menos 50% da minha dieta, podem ser um pequeno equívoco. Esta não foi uma jornada fácil pra mim. Sou meio alemão. Eu costumava jogar rugby. Tenho 1,88. Sou projetado para funcionar com combustível pesado. E ainda assim, não consigo me livrar desse pensamento. É como se eu tivesse um pequeno porco alado no meu ombro sussurrando: “Se você comer uma variedade de vegetais, você nunca precisará transformar outro dos meus amigos em uma salsicha.”
Então, ao longo do último ano, tenho olhado para a carne. Lido sobre a carne. Assistido documentários sobre carne e espreitado fóruns online sobre carne. Eu não posso dizer que isso fez com que eu me sentisse melhor. Continuo tropeçando em livros que vão desde “A Questão da Consciência Animal”, de Donald Griffin, de 1976; até o “Além das Palavras: O que os Animais Pensam e Sentem”, de Carl Safina, de 2015. Parece muito claro para mim que os animais sentem como nós e sofrem como nós. Os corvos usam ferramentas, as baleias têm cultura, os porcos podem aprender e os bovinos interagem socialmente. Além disso, a diferença entre nós e os animais é de grau, não de tipo. O cristianismo nos ensina que estamos separados dos animais, mas hoje em dia apenas o fanático mais iludido pode acreditar que somos outra coisa senão macacos muito espertos.
Uma vez que você leve isso em consideração, as fazendas industriais tornam-se praticamente injustificáveis. É repugnante para os animais – da mutilação e do apinhamento à crueldade e ao crescimento artificial acelerado. E é repugnante para o meio ambiente: 10 mil lagoas de lama não podem estar erradas. É até repugnante para a saúde humana porque a vida fica muito mais interessante quando os antibióticos param de funcionar. De fato, a única maneira de comer carne cultivada em fazendas industriais é não pensar nisso – ou não se importar.
Então, você pergunta, a agricultura orgânica e de alto nível de bem-estar poderia ser o nosso cartão para sair da cadeia? Bom, é melhor, mais ou menos. Mas mesmo assim, você ainda está pensando, sentindo seres em algum tipo de cativeiro que serão transformados em nuggets ou hambúrgueres. Além disso, a comida orgânica é cara, e embora eu possa pagar, detesto defender soluções que servem apenas para quem tem um bom orçamento.
No final, porém, animais criados ao ar livre não são uma solução real. Por algumas métricas ambientais o acesso livre é realmente pior do que as fazendas industriais. E enquanto eu recebo o argumento de que muitas áreas montanhosas do Reino Unido são adequadas para as pastagens, então eles podem produzir carne ou não, sei que se fizéssemos isso com todos os animais, não haveria terra suficiente no mundo.
Acrescente isso ao fato de que metade dos animais selvagens no mundo desapareceram nos últimos 40 anos e você começa a entender por que os rebanhos de bovinos orgânicos simplesmente não funcionam para todos. O que funciona para todos, porém, é não comer carne. É matemática básica. As estimativas variam, mas são necessários cerca de sete quilos de grãos para fazer um quilo de bife. Porcos demandam 4 por 1, e as galinhas 2 por 1. Depois, há o vasto consumo de água (15.415 litros para um quilo de bife, parte dos quais são destinados ao cultivo da ração); e as emissões de CO2 (27 quilos por quilo de bife). Se, no entanto, os humanos comessem o quilo de grãos eles mesmos, seria basicamente isso. Um quilo de lentilhas gera somente 0,9 quilo de CO2. Se tornar vegetariano é uma das melhores coisas que você pode fazer pela Terra.
De qualquer forma, sei de tudo isso. Você provavelmente sabe disso tudo. A pequena voz ainda não vai embora (embora eu permita que a pequena voz possa realmente ser minha minha esposa vegetariana sussurrando: “carne é assassinato” enquanto eu durmo). Mas, mesmo assim, no fundo, sei que ela está certa. O buraco é mais embaixo. Também amo Bife Wellington e foie gras e vitela. Sou um macho alfa barulhento e explosivo. Descrevi o vegetarianismo como um distúrbio alimentar – e pior. Passar pelos próximos 40 anos consumindo feijão-mungo parece-me fora de questão.
Então, o que vou fazer? Já fiz a coisa fácil de classe média. Compro carne orgânica de vacas chamada Rachel, que passou seu tempo em fazendas à direita da Cotswolds [uma cadeia de pequenas colinas onde são criados “animais soltos”]. A próxima coisa é um pouco mais difícil. Dirijo três restaurantes, então [por enquanto] recorro à carne orgânica de baixo impacto. A partir de agora vou oferecer várias opções vegetarianas – e promovê-las e garantir que sejam alternativas genuínas e excelentes, em vez de hesitantes e miseráveis opções na parte inferior do cardápio.
Também vou comer bem menos carne. O britânico médio come 80 quilos de carne por ano. Suspeito que no momento eu esteja mais parecido com o estadunidense médio (125 quilos), mas vou tentar ser como o tailandês médio (28 quilos). Mas, no final das contas, acho que até isso é meio que desculpa. A conclusão inescapável é que tenho que me tornar mais parecido com o indiano médio – isto é, um vegetariano. Francamente, a perspectiva me enche de pavor. Ela coloca borboletas no meu estômago cheio de hambúrguer e provoca gotas de suor com um gosto de molho de carne que parece curiosamente escorrer pela minha testa. Isso me faz odiar o professor Hawking.
Ainda assim, se eu conseguir, vou me sentir muito melhor comigo mesmo. O planeta vai se sentir muito melhor comigo. Os animais vão se sentir melhor comigo. E se os alienígenas avançados do Kepler 452b chegarem à nossa porta, poderei dizer: “Olha, vi o erro dos meus caminhos – e desisti 15 anos atrás. E não, eu também não comi nenhum dos deliciosos palitos de peixe da Europa.”
O artigo foi publicado originalmente no The Telegraph em 27 de junho de 2015. Proud é formado em política pela Universidade de Nova York, atua como colunista do jornal britânico The Telegraph e é fundador das galerias de arte e fotografia Proud.
