David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for March, 2017

Guatemala proíbe testes em animais e aprova leis que criminalizam outros abusos

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Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país

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Teste em animais passa a ser considerado crueldade contra animais (Foto: Arzte Gegen Tieversuche)

Na semana passada, o Congresso da Guatemala aprovou um pacote de leis proibindo uma série de abusos contra animais. Por enquanto, uma das mais importantes foi a proibição da realização de testes em animais na indústria cosmética. Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país.

Além de evitar que animais sejam usados pela indústria cosmética, também passa a ser considerado crime qualquer abuso contra animais selvagens e animais de companhia, incluindo uso de animais em circos e lutas de cães. Sobre essa conquista, a CEO da Cruelty Free International, Michelle Thew, disse que conforme países como a Guatemala caminham em direção ao futuro há um ímpeto maior em torno de uma adesão global.

“A única maneira de garantir que nenhum animal sofra nessa indústria é por meio da proibição global, proibindo em todos os lugares. O próximo passo é que a ONU tome uma iniciativa decisiva e adote uma convenção internacional que ajude a acabar com esses testes antiquados e cruéis para sempre”, declarou. A Cruely Free International é uma organização que já ajudou mais de 30 países a proibirem testes em animas.

O novo conjunto de leis aprovado pelo Congresso da Guatemala contou com consultoria da Humane Society International (HSI), que tem experiência em legislação voltada à proteção de animais. “A lei enfraquece quem pratica crueldade contra os animais, estabelecendo multas e exigindo que o governo lide com os casos de abuso”, declarou a gerente global de campo da HSI, Cynthia Dent, no site da organização.

A nova legislação também prevê a esterilização e castração de animais, assim diminuindo principalmente a população de cães abandonados. O abandono de animais também passa a ser considerado crime, assim como a caça de animais selvagens.

“A lei cria uma plataforma oficial de governo para tratar do bem-estar animal”, informou o presidente da Humane Society, Wayne Pacelle.  A HSI, que continua prestando consultoria ao governo guatemalteco, já ajudou o estado do Pará a banir o teste em animais. No Brasil, a organização também trabalha com programas de eliminação de práticas de confinamento intensivo de animais de produção e com a campanha “Segunda Sem Carne”.

Ajuda

Participe da campanha da Cruelty Free International para banir mundialmente o teste em animais na indústria cosmética:

https://e-activist.com/page/6541/data/1?ea.tracking.id=web

Referências

https://www.crueltyfreeinternational.org/guatemalan-congress-approves-animal-testing-ban

http://blog.humanesociety.org/wayne/2017/02/guatemala-passes-omnibus-anti-cruelty-law-striking-blow-against-wide-range-of-practices.html?credit=blog_post_030317_idhome-page

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Relatório denuncia Burger King como comprador de ração animal produzida em áreas desmatadas da Amazônia

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p0nF8Bj8Relatório divulgado recentemente pelo grupo ambiental Mighty Earth (ME), dos Estados Unidos, denuncia que a cadeia de fast food Burger King compra importante parcela da ração animal produzida em áreas desmatadas da floresta amazônica.

O objetivo da Mighty Earth ao denunciar o Burger King é garantir transparência na atuação das grandes corporações que estão envolvidas em ações que prejudiquem o meio ambiente. Por isso, eles usaram tecnologia de mapeamento por satélite, entrevistaram agricultores e visitaram 28 fazendas ao longo de três mil quilômetros de áreas que pertencem ao Brasil e à Bolívia.

Um dos grupos apontados pela ME como um dos grandes financiadores do desmatamento na Amazônia é a multinacional Cargill, sediada em Minnesota, nos Estados Unidos, e uma das principais fornecedoras do Burger King. “Burger King não é a única empresa cuja falha de políticas e práticas estão causando grandes problemas ambientais. Tanto a indústria de fast food quanto de vendedores de carne, como supermercados, obtêm suas matérias-primas de muitas fontes questionáveis”, alega a Mighty Earth, acrescentando que o ponto mais crítico da situação é que o Burger King se recusa a mudar suas práticas.

A destruição da floresta amazônica tem forçado a migração de populações locais, queima de áreas nativas e destruição de aproximadamente 200 milhões de hectares de florestas naturais e pastagens, o que equivale a 15 vezes o tamanho da Inglaterra, segundo informações obtidas por Anna Starostinetskaya, da Veg News.

“Hambúrgueres e batatas-fritas não valem a destruição das florestas tropicais”, informa o relatório. De acordo com Anna Starostinetskaya, embora a organização ambiental tenha feito um bem em denunciar o problema, não foi tão feliz na sugestão para resolvê-lo:

“Eles identificaram uma solução equivocada, que seria cultivar mais soja e gado em menos terra, uma prática que resulta em operações concentradas de alimentação animal nos moldes das fazendas industriais, o que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação [FAO] ,já provou ser algo nocivo para o ambiente, bem-estar animal e saúde humana”.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9121&catId=1

http://www.mightyearth.org/mysterymeat/

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March 14th, 2017 at 1:17 pm

Ativista vegano de 12 anos tem chamado a atenção no Canadá

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Daniel: “Seu corpo é o seu templo, então você precisa comer os alimentos certos”

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Daniel Bissonnette é vegano desde que nasceu (Foto: Divulgação)

Aos 12 anos, o estudante Daniel Bissonnette está se tornando um dos mais conhecidos ativistas veganos do Canadá. Depois de passar oito anos sendo chamado de “garoto estranho” por causa da sua alimentação livre de ingredientes de origem animal, atualmente, sempre que possível, ele viaja pelo país compartilhando suas experiências com o veganismo.

Depois de sofrer preconceito por alguns anos, na 3ª série uma de suas professoras o convidou para fazer uma apresentação para a classe, falando sobre sua alimentação e os benefícios do veganismo. “A senhora Stanley veio até mim e disse que seria uma ótima ideia. Percebi que eu tinha certas capacidades que outras crianças não tinham, certas forças que vêm da forma como me alimento”, relatou a David Bell, da CBC News.

Nem por isso Daniel se vê como melhor que as outras crianças, porém, ele declarou que por meio de uma alimentação vegana suas habilidades cognitivas estão melhores do que nunca – seu cérebro tem adquirido o combustível certo. Os três alimentos mais importantes na alimentação do garoto são mirtilo, óleo de coco e cacau. “Que é do que todo chocolate é feito. [Esses alimentos] estimulam a memória, o foco e a concentração, então você pode dar o seu melhor em um exame escolar ou em um projeto em que esteja trabalhando”, declarou.

Bissonnette, que vive perto de Vancouver, importante cidade litorânea da Colúmbia Britânica, deixa claro que seu maior objetivo é inspirar outros jovens a mudarem sua alimentação e a sentirem o impacto positivo do veganismo. “Estou realmente apaixonado por ensinar as crianças a comerem um café da manhã saudável, porque eu sei que muitas têm medo de que outras crianças zombem delas por se alimentarem assim”, comentou.

Daniel, que é vegano desde que nasceu, tem compartilhado suas experiências se pautando principalmente em uma alimentação saudável e livre de ingredientes de origem animal. Segundo ele, as crianças são muito negligentes em relação ao café da manhã, que é uma refeição de extrema importância no rendimento cotidiano. “Seu corpo é o seu templo, então você precisa comer os alimentos certos e, se seus amigos o chamarem de estranho, encontre melhores amigos”, recomendou em entrevista a David Bell.

Saiba Mais

Daniel Bissonnette tem se apresentado em eventos veganos e vegetarianos e feito o seu ativismo em canais de mídia social. Ele também publicou um livro intitulado “Daniel’s Breakfast Burst”.

Referências

http://www.cbc.ca/news/canada/calgary/daniel-bissonnette-calgary-health-show-1.3999718

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9117&catId=1

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Written by David Arioch

March 14th, 2017 at 12:06 pm

Eslavos e beterrabas

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beterraba-0Por que os povos eslavos gostam tanto de beterraba e a incorporaram em tantas receitas? Por um fator culturalmente histórico – as beterrabas sobrevivem às geadas, e durante diversos períodos de crise ao longo de centenas de anos os salvaram da fome.

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March 14th, 2017 at 11:35 am

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Forest Green Rovers, um clube de jogadores vegetarianos

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“Sou vegano e tenho opiniões muito fortes sobre o meio ambiente, bem-estar animal e saúde humana”

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Jogadores abdicaram de alimentos de origem animal em 2014 (Foto: Divulgação)

Na Inglaterra, um clube tem chamado a atenção. Desde junho de 2014, o Forest Green Rovers, de Gloucestershire, é apresentado como um clube formado por jogadores vegetarianos, que não consomem nenhum alimento de origem animal. Na realidade, ninguém que faz parte do clube consome.

E essa mudança aconteceu graças ao investidor da energia verde e fundador da Ecotricity, Dale Vince, que assumiu a presidência do clube em outubro de 2010 e levou para o time uma proposta de mudança baseada em seu estilo de vida vegano.

Antes da chegada de Vince, os jogadores da quinta liga estavam acostumados a comer lasanha com carne vermelha antes dos jogos, porém o novo presidente viu aquilo como um erro, levando em conta que a carne demora para ser digerida. “Me pareceu errado alimentar os jogadores com algo que iria dificultar o desempenho deles”, disse ao jornal britânico The Independent.

A princípio, o dirigente conseguiu convencer os jogadores a não consumirem carne vermelha. Em seguida, abdicaram dos outros tipos de carne. E por fim, dos laticínios. Em junho de 2014, o Forest Green Rovers passou a ser considerado na Inglaterra como um clube vegano.

Mas nem todo mundo aceitou a decisão com muita facilidade. O dirigente contou que algumas pessoas ficaram irritadas e não concordaram, porém, algum tempo depois, aqueles que mais criticaram a mudança se tornaram grandes defensores do vegetarianismo. “Sou vegano e tenho opiniões muito fortes sobre o meio ambiente, bem-estar animal e saúde humana”, explicou Vince ao The Independent.

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Dale Vince, o grande responsável pela mudança no clube (Foto: Adrian Sherratt/Ecotricity)

A verdade é que Vince tocou em um ponto delicado da cultura futebolística inglesa. Hambúrgueres e cervejas há muito tempo fazem parte da realidade dos torcedores de futebol da Inglaterra. “Hambúrgueres são horríveis, feitos das partes de um animal. Substituímos por alimentos vegetais de alta qualidade”, argumentou em referência a hambúrgueres vegetarianos, wraps e falafels que agradaram até aos paladares mais conservadores.

Um dos alimentos oferecidos pelo clube aos jogadores, equipe técnica e torcedores é uma torta que recebeu o nome de Quorn, coberta com uma pasta vegana e servida com uma camada de purê de batata cercada por ervilhas e coberta com alho-poró grelhado e triturado ao molho. “É o prato mais incrível”, comentou Dale Vince.

Além dos jogadores terem aderido completamente à alimentação instituída no clube por Vince, até mesmo uma parcela dos torcedores se tornou vegetariana desde que o clube foi assumido pelo empresário vegano em 2010. “Eles disseram que isso mudou suas vidas”, garantiu Vince, que se surpreendeu com a sua própria conquista ao ponderar que o futebol é um dos esportes onde as pessoas estão mais presas às “tradições”.

Três horas antes de cada jogo, os jogadores do Forest Green Rovers têm recebido uma refeição simples e pesada de carboidratos, normalmente um prato de massa ou batatas com feijão cozido, segundo informações do The Independent. Sincero, Vince preferiu não atribuir à alimentação vegetariana a melhora no desempenho dos atletas.

Por outro lado, citou que os jogadores não sofreram nenhuma lesão na temporada, o que é incomum. Outro ponto alto celebrado pelo dirigente é que, ao contrário do que muita gente imaginava, o clube não foi comprometido por ter se tornado vegetariano. Os patrocinadores e torcedores não se afastaram.

Referências

Hosie, Rachel. Why I turned my football club vegan. The Independent (2 de fevereiro de 2017).

Forest Green Rovers Official Site

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Written by David Arioch

March 13th, 2017 at 9:14 pm

Proteínas e musculação

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Todos os dias, vejo pessoas se empanturrando de proteínas, algumas inclusive com baixas necessidades – e aqui faço questão de citar principalmente aquelas que pesam menos de 80 quilos. Mal sabem que isso na realidade não vai fazer nenhuma diferença no ganho de massa muscular ou se lá qual for o objetivo para se consumir tantas proteínas.

Vivemos em uma sociedade que exalta tanto as proteínas de origem animal que, pelo menos no meio da musculação, é mais fácil encontrar quem consome proteínas em excesso do que quem as consome em quantidade suficiente ou até mesmo inferior ao necessário. A indústria foi magistral em criar falsas necessidades simplesmente para gerar lucro. E falo disso com alguma propriedade porque anos atrás eu também acreditava que o caminho era consumir grande quantidade de proteínas.

Em academias, vemos inclusive mulheres leves, que fazem inúmeras refeições ao dia e, ainda assim, não abrem mão do shake de whey protein. Talvez seja um placebo que gere algum tipo de motivação, porque é ingenuidade crer que é preciso se empanturrar de proteínas para alcançar qualquer objetivo.

Conheça seu corpo, suas próprias necessidades e busque ajuda profissional se necessário, mas uma dica que dou levando em conta os meus mais de dez anos de musculação é: se distancie desse mito que faz as pessoas associarem musculação com quantidades estratosféricas de proteínas. A maior prova da força da indústria é a incapacidade da maioria em conversar sobre musculação sem citar proteínas na maior parte das frases sobre o assunto.

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Written by David Arioch

March 13th, 2017 at 7:16 pm

Estudantes abrem cafeteria vegana em universidade palestina

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Cafeteria usa a alimentação como forma de conscientização (Foto: Liga Animal Palestina)

Em outubro do ano passado, foi inaugurada na Universidade de Al Quds, em Jerusalém, na Palestina, a Sudfeh – a primeira cafeteria e restaurante universitário vegano do mundo árabe. Logo no primeiro mês, a Liga Animal Palestina (PAL), formada principalmente por estudantes, comercializou 1,6 mil refeições veganas.

Embora tivessem receio de que a aceitação não fosse muito boa, eles se surpreenderam com a receptividade positiva, inclusive por parte de quem não é vegano nem vegetariano. Claro, reflexo de um bom trabalho que envolve a oferta de alimentos frescos da cozinha palestina, que já possui muitos pratos sem ingredientes de origem animal, e outros que não são difíceis de “veganizar”.

Entre os pratos oferecidos aos estudantes estão húmus, feijões, sopas, folhas de videira recheadas, falafel e maqluba – a paella palestina. Ou seja, alguns dos alimentos mais tradicionais da culinária árabe. Muitos dos estudantes que passaram pelo Sudfeh pelo menos uma vez estão retornando. E a boa qualidade da comida é atribuída ao chefe Anan e sua equipe.

Os fundadores da cafeteria idealizada pela PAL investiram o equivalente a pouco mais de R$ 38 mil, e o dinheiro foi arrecadado através de doações de 200 pessoas e organizações, incluindo a Vegan Society, da Inglaterra, via projeto de financiamento coletivo. O nome Sudfeh é uma referência ao bom acaso do surgimento do empreendimento, que faz referência à sorte, esperança e à satisfação de estar no local certo no momento certo.

Além de administrar a cafeteria que oferece opções para mais de 13 mil estudantes na Universidade Al Quds, a PAL é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo conscientizar os estudantes da Universidade Al Qds sobre os benefícios da alimentação vegana para a saúde, além dos direitos animais.

Os lucros da cafeteria que surgiu graças ao empenho de um grupo de estudantes palestinos vão ser destinados a financiar projetos de proteção animal e bolsas de estudos para estudantes de baixa renda. Por enquanto, algumas prioridades são as castrações de cães de rua e um programa para melhorar a vida de cavalos e burros.

Quem não pode ir à Palestina, pode conhecer o sabor da cafeteria Sudfeh por meio de um livro de receitas que eles disponibilizaram para download:

https://pal.ps/wp-content/uploads/2016/09/Sudfeh-Cookbook-1st-Edition-ilovepdf-compressed-2.pdf

Referências

https://pal.ps/en/sudfeh/

https://www.vegansociety.com/whats-new/news/vegan-society-helps-fund-first-vegan-cafe-palestine

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CEO de uma das maiores produtoras de carne do mundo acredita que a proteína vegetal é a proteína do futuro

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Tom Hayes

Hayes: “A proteína vegetal está se desenvolvendo, neste ponto, um pouco mais rápido do que a proteína animal” (Foto: Tyson Foods)

Tom Hayes, que em dezembro assumiu o cargo de CEO da Tyson Foods, uma das maiores produtoras de carne do mundo, disse em entrevista publicada pela Fox Business na semana passada que se dermos uma olhada nas estatísticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o consumo de proteína está crescendo em todo o mundo, e continua crescendo. Não está no ápice apenas nos Estados Unidos, mas em todos os lugares; pessoas querem proteínas, independente de origem, segundo Hayes.

“Elas têm apetite para isso. A proteína vegetal está se desenvolvendo, neste ponto, um pouco mais rápido do que a proteína animal, então acho que a migração vai continuar nessa direção”, declarou Tom Hayes, que acredita que a proteína vegetal é a proteína do futuro.

A maior prova disso é o fato de que a Tyson Foods se tornou uma das acionistas minoritárias da Beyond Meat, uma fábrica sediada em Los Angeles que produz alternativas vegetarianas e sustentáveis à carne.  Além disso, destinou 150 milhões de dólares a um fundo de capital de risco voltado para start-ups que criam substitutos de carne.

Sobre a participação da Tyson Foods, a Beyond Meat informou que o único objetivo em comum é atender aos consumidores que estão em busca de mudanças. Segundo a empresa, citando como referência a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as pesquisas de Goodland e Anhang, as carnes vegetais proporcionam benefícios para a saúde e para o meio ambiente.

“Essas questões positivas me motivam, fortemente. Mas eu também acredito que os animais valorizam tanto suas vidas quanto nós, e aqui temos obrigações não cumpridas. Seria um erro de minha parte desconsiderar isso quando entrei nessa nova relação”, declarou o CEO da Beyond Meat, Ethan Brown.

Referências

http://www.foxbusiness.com/features/2017/03/07/tyson-foods-ceo-future-food-might-be-meatless.html

http://beyondmeat.com/whats-new/view/why-i-am-welcoming-tyson-foods-as-an-investor-to-beyond-meat

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Written by David Arioch

March 13th, 2017 at 1:58 pm

A disfunção narcotizante e a banalização da morte animal

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“A dor de uma mãe”, da artista francesa Stephanie Valentin

Quando estudei teoria da comunicação na faculdade, um dos conceitos que mais me intrigou foi o da disfunção narcotizante, proposto por Lazarsfeld e Merton, que nada mais é do que a banalização da violência, e mesmo de tudo que é errado, imoral ou antiético.

Durante muito tempo, associei essa ideia a de uma criança que depois de testemunhar tantas mortes, já não sente mais nada quando vê um corpo caído; a do homem que lê tantas desgraças nos jornais que já não sente nada diante das tragédias.

Mais tarde, comecei a relacionar a disfunção narcotizante com, por exemplo, a nossa realidade nos açougues, onde encontramos animais mortos, e inclusive inteiros (como é o caso do leitão), mas normalmente nos negamos a vê-los como seres que, assim como nós, respiravam, se emocionavam, enfim, tinham vida.

Tenho certeza de que a maioria das pessoas quando vai ao açougue jamais pensa em como foi a vida do porquinho que repousa morto atrás de uma vitrine. Afinal, por que iríamos confrontar a realidade quando fomos condicionados a ignorar a exploração e a violência, vivermos em uma realidade de disfunção narcotizante?

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Considerações sobre o consumo de laticínios

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confinamento-gado-de-leiteConsidero um equívoco quando alguém me diz que o problema do sofrimento dos animais nos grandes laticínios poderia ser resolvido se as pessoas comprassem leite de pequenos produtores. Tudo bem, então você compra leite do pequeno produtor e eu também. Daí quando as pessoas perguntarem, explicamos que o ideal é nunca comprar de grandes produtores.

Em pouco tempo, teremos uma infinidade de pessoas indo pelo mesmo caminho, e assim esses pequenos produtores serão obrigados a tornarem-se grandes produtores ou a saírem do negócio, já que eles deverão suprir a demanda ou ceder espaço para quem faça isso. A verdade é que enquanto as pessoas continuarem consumindo leite, inclusive muito mais do que os próprios bezerros, a intensa exploração da vaca vai continuar. Afinal, usa-se leite em quase tudo, até mesmo na composição de adoçantes.

Não há uma solução mais sustentável do que abdicar desse consumo, muito menos como evitar que todas as vacas do mundo passem por algum tipo de sofrimento ou privação enquanto as pessoas consomem quantidades exorbitantes e mesmo nocivas de laticínios. Não existe nem mesmo área para que todas as vacas da indústria leiteira sejam criadas de forma “humanizada”. Afinal, essa é a realidade do sistema industrial predominante, que atua conforme a demanda. E se a demanda é grande, o ritmo de produção é acelerado, o que significa que mais do que nunca o lucro se torna prioritário.868141253

Além disso, os produtores de leite do Brasil descobriram há muito tempo que é possível lucrar até três ou quatro vezes mais criando o gado leiteiro sob regime de confinamento, seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos. Logo não vejo por qual motivo eles iriam abdicar desse sistema se não for por força de uma grande desaceleração no consumo, já que o mercado age em conformidade com as reações dos consumidores.

Um fato a se considerar sobre a produção nacional de leite é que em 2015, de acordo com dados da Leite Brasil, somente as 15 maiores empresas do ramo de laticínios do Brasil foram responsáveis por quase 10 bilhões de litros de leite. Só a Nestlé respondeu por 1,8 bilhão de litros. Levando isso em conta, como alguém pode afirmar que não contribui com a exploração industrial das vacas simplesmente porque não bebe o leite comercializado por grandes produtores? Isso não diz nada.

Seria uma grande ilusão, a não ser que a pessoa seja vegetariana ou vegana, porque quem consome laticínios, ou não lê os rótulos dos produtos (que costumam conter derivados lácteos) e os compra, naturalmente contribui para a manutenção desse sistema. Mesmo que alguém afirme que as vacas sejam “bem tratadas”, que não sofrem violência, isso não muda o fato de que elas são submetidas à ordenha natural ou mecânica por anos, até que, com a queda da produção, são vendidas aos frigoríficos, abatidas e reduzidas a pedaços de carne expostos em um açougue.

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