David Arioch – Jornalismo Cultural

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Por que a matança de animais para consumo é injustificável

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Dono de mercado de peixes desiste de vender um polvo depois de perceber a inteligência do animal

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Experiência brincando de “esconde-esconde” com um polvo em Fiji motivou o empresário a libertá-lo

Polvo que recebeu o nome de Fred foi devolvido à natureza na semana passada (Foto: Giovanni’s Fish Market)

Na semana passada, Giovanni DeGarimore, dono do mercado de peixes Giovanni’s, em Morro Bay, na Califórnia, mudou de ideia sobre a venda de um polvo depois de perceber a inteligência do animal, que provavelmente seria servido no jantar de alguém.

Em entrevista ao San Luis Obispo Tribune, DeGarimore comentou que há pouco tempo estava mergulhando em Fiji quando encontrou um polvo que “brincou com ele de esconde-esconde” por 15 minutos. Giovanni DeGarimore reconheceu que não poderia mais comercializar polvos, seres que qualificou como “magníficos e indiscutivelmente conscientes”.

O polvo de mais de 31 quilos chegou ao Giovanni’s em 14 de maio, recebeu o nome de Fred e passou alguns dias em um tanque antes de ser devolvido à natureza, um local seguro onde não corre o risco de ser capturado novamente.

Há anos a senciência e a inteligência dos polvos deixou de ser uma novidade. Em 2009, a Scientific American publicou o artigo “Are Octopus Smart?”, em que a pesquisadora e especialista em polvos Jennifer Mather explicou que polvos são seres inteligentes com capacidade de assimilar novas informações e usá-las em seu benefício.

“Os polvos participam de brincadeiras e têm personalidades distintas. O complexo ambiente dos recifes tropicais provavelmente ajudou a estimular sua inteligência. Há uma enorme variedade de situações, muitos tipos de presas, muitos predadores e, se você não for blindado, é melhor ser esperto”, informou Jennifer.

Quem sabe, no futuro Giovanni DeGarimore estenda essa empatia aos outros animais comercializados no Giovanni’s, quando descobrir que peixes também são seres sencientes, inteligentes e sociáveis, de acordo com a pesquisa “Fish Intelligence, Sentience and Ethics”, do professor Cullum Brown, do Departamento de Ciências Biológicas da Macquarie University, em Sidney, publicada recentemente na revista Animal Cognition; e com o livro “Do Fish Feel Pain?” da bióloga Victoria Braithwaite, professora da Universidade Estadual da Pensilvânia.





 

39 ativistas veganos foram presos nos EUA por tentarem resgatar galinhas doentes de uma fazenda industrial

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Hsiung (à direita): “Enquanto as corporações controlarem nosso sistema alimentar – incluindo o envio dos denunciantes para a prisão – não teremos um sistema alimentar com integridade” (Foto: DxE)

Esta semana, 39 ativistas veganos foram presos após um grande protesto em frente à Sunrise Farms, em Pataluma, na Califórnia. Cerca de 500 ativistas participaram da vigília organizada pela rede em defesa dos direitos animais Direct Action Everywhere (DxE). Os organizadores informaram que a ação foi uma tentativa de “destacar a inação corporativa do governo diante da crueldade contra os animais”.

Os ativistas, que usavam equipamentos de biossegurança aprovados por veterinários, alegaram que eles tinham o direito legal de entrar na fazenda industrial voltada à produção de ovos para cuidar de 37 galinhas doentes e feridas. Mas autoridades locais discordaram e prenderam 39 ativistas por invasão de propriedade.

“Essas aves são criaturas vivas, não coisas, mas a Amazon.com e outros grandes varejistas as tratam como commodities. Seja o foie gras, as peles de animais ou a parceria com as fazendas industriais, a Amazon está enviando crueldade para milhões de lares”, criticou o investigador do DxE, Priya Sawhney.

O cofundador da rede Direction Action Everywhere e ex-professor de direito da Universidade Northwestern, Wayne Hsiung, afirmou que os estadunidenses não querem ver os animais explorados pelo sistema alimentar. Porém, segundo Hsiung, nenhuma ação foi tomada depois que eles apresentaram filmagens de crueldade contra os animais às autoridades e ao Amazon.com.

“Quando os americanos veem o que está acontecendo atrás das portas das fazendas industriais, eles sabem que isso vai contra seus valores, mas enquanto as corporações controlarem nosso sistema alimentar – incluindo o envio dos denunciantes para a prisão – não teremos um sistema alimentar com integridade. [Mas] essa ação vai acabar com o poder deles”, garantiu. A Sunrise Farms negou todas as acusações feitas pelo DxE.

 

Referência

Plant Based News

 





 

Written by David Arioch

May 31st, 2018 at 6:32 pm

E se humanos fossem abatidos como animais criados para consumo?

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Cena do filme “Holocaust – A Realistic Look Into slaughterhouses”, lançado pela Stretch Films em 2016

A Peta lançou ontem em seu canal no YouTube um curta-metragem intitulado “If Humans Were Slaughtered for Meat Like Animals”, que de um lado mostra os horrores do abate de suínos (com cenas reais).  Já do outro lado, apresenta uma inversão de papéis com cenas do filme “Holocaust – A Realistic Look Into slaughterhouses”, lançado pela Stretch Films em 2016 – em que um ser humano é colocado na mesma situação de um porco criado para consumo. Ou seja, recebendo os mesmos tipos de agressão. O objetivo é mostrar que talvez seja necessário nos imaginarmos na situação desses animais, para entendermos como a carne que chega ao prato do consumidor envolve privação, sofrimento e violência que antecede e culmina na morte de um ser senciente que não deseja morrer.





 

The Guardian lança episódio sobre os benefícios e a evolução do veganismo no podcast “Nós precisamos falar sobre…”

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O The Guardian lançou hoje mais um episódio no podcast “Nós Precisamos Falar Sobre…”,  uma série que aborda temas escolhidos pelos apoiadores do jornal britânico. O episódio da vez foi dedicado aos benefícios e a evolução do veganismo como uma filosofia de vida que tem conquistado cada vez mais visibilidade. Entre as questões abordadas estão o que significa se tornar um vegano e qual é o impacto do veganismo na vida dos animais, no meio ambiente e no bem-estar humano.

Apresentado pela colunista Decca Aitkenhead, o episódio sobre veganismo também mostra como as pessoas estão desconectadas dos alimentos que consomem e discute a iniciativa de grandes empresas em investirem em produtos para veganos. Os colaboradores do episódio sobre veganismo são a jornalista Joanna Blythman, o editor de meio ambiente do The Guardian, Damian Carrington; a chef e autora Meera Sodha e a diretora de programas da Jeremy Coller Foundation, Rosie Wardle.

Acesse o podcast





 

Written by David Arioch

May 30th, 2018 at 7:30 pm

Ativistas dos direitos animais intensificam táticas de guerrilha na França

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A organização L214 tem se inspirado nas ações do ativista belga Henry Spira

Marcha pelo fim dos matadouros realizada pela L214 em 10 de junho de 2017 em Paris (Foto: Geoffroy Van Der Hasselt/AFP)

Durante anos, o movimento dos direitos animais, desprezado tanto por políticos quanto pelo público na terra do foie gras, lutou para ganhar força na França, maior produtor e consumidor de carne vermelha da Europa, onde um bilhão de animais são executados nos matadouros.

“O bem-estar animal nunca foi realmente uma causa bem vista pelos políticos franceses, embora o público concorde que os animais não devem ser maltratados”, diz Sébastien Arsac, cofundador de uma das organizações de direitos dos animais mais populares do país, a L214 Éthique & Animaux.

Então, quando Arsac e a cofundadora da organização, Brigitte Gothière, ouviram Emmanuel Macron, agora presidente, prometer salvaguardar direitos básicos para o bem-estar animal durante a campanha eleitoral de 2017, eles acharam que haviam encontrado um aliado. Macron prometeu exigir a instalação de circuito interno de televisão em matadouros e proibir a venda de ovos de galinhas criadas em gaiolas até 2022, que são duas prioridades da L214.

Mas enquanto os legisladores franceses estão debatendo uma lei sobre agricultura e nutrição esta semana, o governo de Macron recuou em relação às suas antigas promessas de campanha, frustrando as esperanças da L214 de fazer incursões com o apoio de líderes políticos.

Por isso, seus ativistas, se espelhando em outros países, incluindo os Estados Unidos, estão intensificando uma campanha de táticas de guerrilha na esperança de chocar o Parlamento e alterar a lei proposta pelo governo.

Recentemente, a L214 lançou uma série de vídeos gravados clandestinamente que mostravam a enorme falta de higiene nas granjas e as terríveis condições em que as galinhas são mantidas – onde há registros de aves arrancando as penas uma das outras e pisoteando cadáveres apodrecidos dentro de suas gaiolas.

A inspiração para essa tática veio de Henry Spira, o ativista belga que emigrou para os Estados Unidos e abraçou a causa dos direitos animais há quase 50 anos. Spira costumava procurar empresas e instituições para conversar sobre o tratamento dispensado aos animais, mas quando isso não funcionava, ele recorria às denúncias de maus-tratos baseadas em registros que ele mesmo fazia. Então as publicava em forma de anúncio nos jornais.

Gothière e Arsac disseram em entrevista ao New York Times que sua organização faz parte do legado do ativista Henry Spira, falecido em 1998. Eles fundaram a L214, a nomeando após a publicação do artigo do código rural francês que define os animais como seres sencientes que devem ter seus direitos respeitados.

Com 50 funcionários e dois mil voluntários por toda a França, a organização tenta dialogar com empresas e instituições, mas quando isso não funciona, eles recorrem à má publicidade baseadas em investigações e registros de denúncias, assim como Spira. Embora as conquistas ainda sejam modestas, a L214, com o apoio do clamor público, conseguiu fechar dois frigoríficos que abatiam vacas, ovelhas e cavalos semiconscientes.

Uma das campanhas mais conhecidas do grupo teve como alvo o “produtor premium” de foie gras, Ernest-Soulard, acusado de torturar gansos após o vazamento de um vídeo de 2013 que mostra aves feridas e angustiadas. No primeiro julgamento, Ernest-Soulard foi inocentado, mas aclamados chefes de cozinha como Joël Robuchon e Gordon Ramsay pararam de comprar seus produtos.

“Como Spira, nosso objetivo é dar um passo de cada vez”, comentou Gothière em entrevista ao New York Times, citando o julgamento de Ernest-Soulard e a proibição dos ovos de galinhas criadas em gaiolas em bateria como exemplos de avanços que não resolvem a situação, mas ajudam a reduzir o sofrimento dos animais.

A Elian Peltier, do NYT, o filósofo australiano Peter Singer, que era amigo de Spira, e está publicando uma biografia sobre a vida do ativista, falou que por muitos anos a França foi um pouco atrasada na sua forma de encarar os animais. Mas reconheceu que a L214 fez progresso com base nos métodos de Spira, que mostrou que o movimento em defesa dos animais tem condições de triunfar sobre grandes corporações e veneradas instituições.

Nos últimos dois anos, a L214 levou dezenas de cadeias de supermercados francesas a se comprometerem a pararem de vender ovos de galinhas em gaiolas em bateria até 2022 ou 2025. No mundo todo, inclusive nos Estados Unidos, grandes empresas de alimentos se comprometeram a comercializar os chamados “ovos livres”.

No entanto, os métodos da L214 não conseguiram convencer os políticos franceses, e suas demandas enfureceram muitos que veem nos produtos de origem animal um elemento vital da cultura e da economia da França. Ao contrário de vários outros países europeus, como Portugal, Espanha e Holanda, a França não tem partidos políticos que fizeram do bem-estar animal uma prioridade.

Como um sinal de que a L214 está lutando uma batalha contra políticos, a maioria dos legisladores optou por ignorar a convocação da instalação de circuito fechado de televisão em matadouros. “Que tipo de espiral descendente enfrentaremos se começarmos a filmar os funcionários?”, defendeu Sandrine Le Feur, fazendeira e legisladora do partido de Macron, no canal de televisão LCP, que faz oposição a L214.

Até agora, a Grã-Bretanha é a única na Europa com planos de tornar as TVs de circuito fechado obrigatórias em todos os frigoríficos até 2018. O senhor Moreau, ex-gerente de um matadouro e pecuarista que divide seu tempo entre o Parlamento em Paris e sua fazenda na região de Creuse, no centro da França, onde mantém 100 vacas, disse que se recusou a negociar com a L214, que ele chamou de “organização extremista que prejudica os fazendeiros com métodos fascistas “.

Suas críticas à L214 ecoaram uma animosidade generalizada entre os profissionais da indústria da carne, que alegam que as práticas denunciadas pela organização representam a realidade de uma minoria de matadouros. “A causa da L214 não é o bem-estar animal, mas a abolição da criação de animais”, disse Marc Pagès, diretor da Interbev, uma organização nacional de profissionais de carne e gado.

Pagès e Moreau argumentaram que a prioridade é outra. “O fim da pecuária resultaria na extinção de qualquer vida no campo”, exagerou Moreau. De fato, os objetivos finais da L214 seriam revolucionários. A Sra. Gothière declarou a Elian Peltier que apenas uma sociedade vegana seria um sucesso, mas os pequenos passos já são um progresso.

“Quando vejo como nossas sociedades ainda estão lutando contra o racismo ou o sexismo, não estou muito otimista de que verei o fim do especismo em minha vida. Mas também não estou desesperada”, acrescentou.

Referência

Peltier, Elian. Scorned, Animal Rights Advocates in France Intensify Guerrilla Tactics. New York Times (25 de maio de 2018).





 

Projeto pode criminalizar a produção e o comércio de carne de cachorro na Coreia do Sul

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A estimativa é de que mais de 2,5 milhões de cães são criados para consumo humano no país

“Esperamos que o projeto se torne lei para darmos o primeiro passo para acabar com a indústria de carne de cachorro na Coreia” (Phil Harris/Daily Mirror)

No início deste mês, Lee Sang-don, membro do partido de centro-direita Baurenmirae, apresentou à Assembleia Nacional da Coreia um projeto que visa a criminalização da criação de cães para consumo humano na Coreia do Sul. A iniciativa foi elogiada por ativistas dos direitos animais, considerando que no país há mais de três mil fazendas de cães, onde um milhão de cães são abatidos por ano, segundo informações do grupo Animal Liberation Wave, que lançou uma campanha em fevereiro contra a produção e o consumo de cães.

“Esperamos que o projeto se torne lei para darmos o primeiro passo para acabar com a indústria de carne de cachorro na Coreia”, disse o grupo ao Korea Times. Os cães têm um status legal complicado na Coréia do Sul, onde a prática do consumo de carne de cachorro existe há milhares de anos e está associada à virilidade. O cenário atual é preocupante porque a estimativa é de que mais de 2,5 milhões de cães são criados para consumo humano no país.

Porém, os coreanos mais jovens se opõem massivamente a essa prática, tanto que o número de restaurantes que comercializam carne de cães está em constante declínio. A questão começou a ganhar bastante visibilidade durante os Jogos Olímpicos de Inverno na Coréia do Sul, quando atletas estrangeiros participaram do resgate de cães que seriam reduzidos a alimentos. A iniciativa partiu da organização Humane Society International (HSI). Por enquanto, não há nenhuma definição sobre o projeto, mas Lee Sang-don se mostra otimista em relação à possibilidade de banir definitivamente o comércio de carne de cachorro na Coréia do Sul.





 

Dia Nacional dos Direitos Animais homenageia os 100 bilhões de animais mortos nos matadouros ao longo de um ano

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“Esses indivíduos, que têm uma alma, um caráter único e uma vontade de viver, são exatamente como nós”

Evento é realizado em grandes cidades do mundo todo desde 2011 (Acervo: Our Planet. Theirs Too)

No domingo, 3 de junho, 32 grandes cidades, incluindo Nova York, Paris, Frankfurt, Barcelona, Saigon, Manila, Hong Kong, Mumbai, Perth e Montreal, vão celebrar o Dia Nacional dos Direitos Animais, que homenageia principalmente os 100 bilhões de animais mortos nos matadouros ao longo de um ano, segundo a organização sem fins lucrativos Our Planet. Theirs Too.

O objetivo do Dia Nacional dos Direitos Animais, instituído em 2011, é refletir sobre a violência humana contra animais de outras espécies. O evento memorial traz em sua programação a leitura da Declaração dos Direitos Animais, discursos, poesia, música e apresentações audiovisuais. Além disso, convida as pessoas a adotarem um estilo de vida vegano, em oposição à exploração animal que se estende à alimentação, vestuário, cosméticos, produtos domésticos, medicamentos, mão de obra, esportes e entretenimento.

Segundo a organização Our Planet. Theirs Too, sediada em Los Angeles e responsável pela criação do Dia Nacional dos Direitos Animais, 100 bilhões de animais foram mortos nos matadouros do mundo todo ao longo de um ano. Somente nos Estados Unidos, 10 bilhões de animais terrestres e 20 bilhões de animais marinhos foram reduzidos a alimentos. Tivemos dez milhões de animais mortos em laboratórios, três milhões mortos para a extração de suas peles e 200 milhões assassinados por caçadores. São 80 milhões de animais mortos por dia.

“Esses indivíduos, que têm uma alma, um caráter único e uma vontade de viver, são exatamente como nós: eles vêm em todas as formas, cores e tamanhos. Alguns deles têm penas, alguns deles têm pelos, alguns deles têm patas e outros têm pernas minúsculas. Mas todos compartilham a mesma coisa que também temos em comum: eles têm o direito de viver. Com seus filhos e famílias. Felizes e livres. Neste dia, paramos tudo e nos lembramos deles“, justifica a Our Planet. Theirs Too.

 

 





 

Por que não me alimento de animais

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Mike Lanigan, o pecuarista canadense que transformou a própria fazenda em um santuário

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“Quando chegar à minha velhice, quero que seja com uma consciência limpa e agradável”

“Pensei em como eu era hipócrita em dar tanto amor e no final agir de forma tão diferente desse amor” (Acervo: Farmhouse Garden Animal Home)

Em 2016, o pecuarista canadense Mike Lanigan, de Uxbridge, Ontário, estava ajudando um bezerro prematuro a mamar pela primeira vez quando se questionou sobre a sua fonte de renda, que se baseava em criar animais para mais tarde enviá-los ao matadouro: “Eu estava fazendo isso com tanto amor, e conversando com ele, limpando a sua face e tentando fazê-lo mamar em sua mãe.”

Lanigan ponderou sobre a contradição de dar a um animal todo esse cuidado simplesmente para depois enviá-lo ao abate. “Nunca gostei dessa parte, mas como fazendeiro você pode simplesmente desligá-la. Então pensei em como eu era hipócrita em dar tanto amor e no final agir de forma tão diferente desse amor”, diz Lanigan em um vídeo publicado por sua funcionária, Edith Barabash, na página do santuário Farmhouse Garden Animal Home.

Da terceira geração de uma família de criadores de gado, Mike Lanigan era uma criança quando se mudou nos anos 1950 para a fazenda onde vive até hoje. Mais tarde, foi para a faculdade e depois retornou. Mas somente a experiência de amamentar um bezerro prematuro fez com que mudasse o rumo de sua vida em 2016.

Com um choque de consciência, Lanigan decidiu que não exploraria nem mataria mais nenhum animal. Na realidade, fez mais do que isso. Transformou a tradicional fazenda de gado em um santuário para bovinos, aves, equinos e animais de outras espécies – um lugar onde podem viver até os seus últimos dias em paz. Porém, Lanigan sabia que seguir por esse caminho não seria fácil, porque uma das partes mais difíceis é conseguir recursos para alimentar todos os animais.

Além disso, passou a ser visto com outros olhos pelos vizinhos e se tornou alvo da piadas. Os fazendeiros da região pararam de acenar e de cumprimentá-lo quando passavam por sua propriedade. Ele não reagiu mal à reação. Apenas entendeu que os fazendeiros se sentiam ameaçados por sua atitude inimaginável. “Há um forte ativismo animal acontecendo. E não percebi todas essas nuances quando decidi fundar um santuário”, enfatiza. Até mesmo seus filhos ficaram com raiva no primeiro mês, porque estavam planejando assumir a fazenda de gado nos próximos anos. Com o tempo, entenderam e respeitaram a sua decisão.

Lanigan passou a ser visto como um sobrevivente em seu meio, porque vários de seus vizinhos, que também eram fazendeiros independentes e investiam no gado de corte e no gado leiteiro, não resistiram às pressões do mercado e acabaram vendendo suas fazendas para corporações e grandes produtores de gado. Apesar das dificuldades, Mike Lanigan está feliz com a sua decisão. Para angariar recursos para sustentar todos os moradores da fazenda, ele decidiu investir na produção de vegetais orgânicos e de xarope de bordo.

Em 2017 a fazenda foi transformada na Farmhouse Garden Animal Home, um abrigo para animais sem fins lucrativos que é mantido com os recursos da produção de vegetais orgânicos e por meio de doações. “Quando chegar à minha velhice, quero que seja com uma consciência limpa e agradável”, revela Mike Lanigan.

Referências

Farmhouse Garden – Animal Home. Our Story (2017).

Vegan Food and Living. Canadian cattle rancher turns his farm into sanctuary (16 de setembro de 2016).

CBC Radio. Meet the cattle rancher who stopped killing his cows ‒ to the annoyance of his neighbours (26 de novembro de 2017).