David Arioch – Jornalismo Cultural

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Como o McDonald’s é apelão

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Além dos males há saúde, há também o envolvimento com a exploração animal

Como o McDonald’s é apelão. Vi há pouco um novo comercial deles, fazendo parecer que os alimentos usados no McDoença Feliz são orgânicos. Gente colhendo tomates em uma cestinha, e daqueles mais visualmente atrativos do que os do pós-impressionismo de Cézanne. E acho que não preciso dizer que muitos compram essa ideia.





Written by David Arioch

July 26th, 2017 at 9:44 pm

Um exemplo de simplicidade e sensibilidade

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Arte: John Lautermilch

Fui na Vila Alta conversar com uma senhora que teve o marido assassinado com um tiro na cabeça em um bar. Ele foi usado como escudo em um acerto de contas entre jovens envolvidos com o narcotráfico. Me surpreendeu a simplicidade dela, uma pessoa de fala mansa que não sente raiva nem ódio de ninguém, mesmo depois de uma tragédia. Me disse que gostaria apenas que as pessoas parassem de se matar em vez de destruir a própria vida e a dos outros.





Written by David Arioch

July 26th, 2017 at 9:38 pm

Um corpo bonito nem sempre significa saúde

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Mentiras normalmente são motivadas por lucro e status

Outra coisa que a indústria da propaganda conseguiu incutir na mente das pessoas – a ideia de que um corpo bonito sempre significa saúde. Não, um corpo bonito nem sempre significa saúde, ainda mais em uma sociedade onde há pessoas que fazem de tudo para serem esteticamente “perfeitas”. Claro que há pessoas com corpos bonitos que são muito saudáveis e exemplares. Mas é importante ter em mente que também há muitas pessoas com um belo físico vendendo um estilo de vida saudável que na realidade não condiz com o que vivem. Transformar o corpo em um laboratório é uma opção pessoal, mas isso se torna um problema quando essa realidade é velada para ajudar a alimentar uma indústria desonesta que vende mentiras e ilusões.

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Written by David Arioch

July 26th, 2017 at 9:34 pm

“Ah, você fica publicando esses textos criticando o consumo de carne, leite e ovos”

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Ah, você fica publicando esses textos criticando o consumo de carne, leite e ovos. Mas então por que pouca gente sabe disso, e não sai na TV, na grande mídia? Parece teoria da conspiração.

Arte: Sue Coe

— Isso não sai na grande mídia por um motivo óbvio. Significaria perder grandes anunciantes. Acredito que há veículos que poderiam até fechar suas portas dependendo do tipo de contrato e da duração. Ou você acha que é fácil bater de frente com um mercado que movimenta trilhões? Só o mercado global de carne bovina prevê uma receita de 2,1 trilhões de dólares até 2020. Ir contra a indústria da exploração animal é um trabalho de resistência. Isso significa lutar contra toda uma publicidade que começou a ser desenvolvida massivamente após a Revolução Industrial. Além disso, enquanto se publica uma pesquisa honesta criticando o que existe de errado nesse meio, surgem até dez sob encomenda tentando desqualificar esse trabalho. O único momento em que a mídia volta sua atenção para a realidade da indústria da exploração animal é quando surge algum escândalo, então é claro que eles são obrigados a se manifestarem. Do contrário, perdem credibilidade. Porém, isso também não significa que estejam simplesmente defendendo os interesses da população. Só pra ter uma ideia, no primeiro semestre de 2016 a JBS e a BRF investiram sozinhas 1,2 bilhão de reais em publicidade veiculada no Brasil. Sendo assim, o potencial de dissimulação da realidade a respeito dos produtos de origem animal é sempre maior do que o da verdade. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, obviamente. Prefiro me juntar àqueles que não enchem os bolsos de dinheiro às custas da exploração de seres vivos incapazes de reivindicar o direito à vida.

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Super bois, animais que chegam a ultrapassar uma tonelada

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Super bois, animais transformados em monstros

Super bois – animais que estão sendo criados para alimentar a alta demanda do consumo de carne. Comem pouco, mas ganham peso rapidamente. Bois que chegam a ultrapassar uma tonelada. Não imagino como deve ser a vida de um animal desse, totalmente distante da sua natureza. Estrutura e densidade óssea, assim como estrutura e densidade muscular, visivelmente desproporcionais. Quem já viu um boi extremamente pesado sabe como pode ser tortuoso para ele o ato de se locomover. E por outro lado, há que se considerar também que as pessoas já estão consumindo esse tipo de carne, e devem consumir mais ainda nos próximos anos. Muitos dizem e dirão que isso é normal.

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Leite é um alimento saudável para bezerros, para filhotes de vaca

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Imagine a penúria de viver assim, sem poder se movimentar direito porque seu corpo foi transformado em um laboratório de produção de leite

Leite é um alimento saudável para bezerros, para filhotes de vaca. Leite é para bebês, literalmente. Somos a única espécie que [conscientemente] toma leite de outra espécie, e também a única espécie que [conscientemente] toma leite depois de virar adulto. Por que o leite é associado com o aumento de risco de câncer de próstata? Bem, o que é o leite? Leite é um coquetel de hormônios do crescimento que fazem com que um pequeno animal bovino, suscetível de ser caçado na savana africana, ganhe algumas centenas de quilos em poucos meses, porque ele não quer ser comido por um leão. Então ele é desenvolvido como um alimento para o crescimento rápido, o que é ótimo se você é um bezerro, mas se você é um humano adulto esse excesso de hormônios do crescimento não é uma coisa boa.

Uma das coisas mais difíceis para as pessoas largarem são os laticínios, e às vezes são muito resistentes. Uma coisa que sempre digo às pessoas é: Bem, por que não olhe as evidências e decida por você mesmo? Porque eu sempre disse que controlar a sua saúde não é fazer o que eu digo em vez de fazer o que os outros dizem. Tomar controle da sua saúde é olhar para as informações e fazer escolhas conscientes sobre o que você quer fazer.

Descrevo laticínios como carne líquida. Basicamente como carne vermelha: alto teor de gordura, colesterol e nada de fibras. Na verdade, pode ser pior do que a carne vermelha. A caseína que usam para dar liga no queijo é cheia de química. E são químicos tão viciantes que se assemelham à heroína [nesse aspecto], pois não temos quatro estômagos como os bezerros [para metabolizá-la corretamente]. E infelizmente o leite está em tudo. Eles colocam secreções de vaca, sei que há outros nomes para isso, como laticínio, manteiga, sorvete, queijo. Mas realmente isso não é nada além de leite de amamentação tirado de uma vaca.

O único motivo pelo qual as pessoas acham que precisamos de cálcio extra é porque há duas décadas cientistas elevaram a quantidade de cálcio que precisamos ingerir. Isso foi influenciado pela indústria de laticínios. O que eles realmente estão dizendo é: “Não estamos bebendo leite o suficiente.” Porque isso é o que a indústria de laticínios quer que falemos. Quando, na verdade, se você olhar para a relação entre quanto cálcio as pessoas consomem em diferentes sociedades, já que se relaciona, digamos, com a osteoporose, doença nos ossos, quanto maior a ingestão de cálcio, mais alto é o risco de osteoporose. Ninguém quer ouvir isso. Mas é isso que os dados reais mostram.

Michael Greger, médico especialista em nutrição e fundador da NutritionFacts.org

Pamela A. Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.

John McDougall, médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”.

Karyn Calabrese, chefe de cozinha e escritora de literatura wellness.

T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.

Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.

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Algumas verdades sobre o óleo de peixe e a indústria do ômega-3

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Segundo especialistas, suplementação de ômega-3 a partir do óleo de peixe não faz a menor diferença para a saúde

Muitas dessas dietas de modinha se tornam uma indústria. Há muito dinheiro a se ganhar fazendo produtos que atendam a essas dietas. Estou convencida de que é o caso do ômega-3. Bem, é o seguinte: há dois ácidos graxos essenciais – ômega-3 e ômega-6. Todo o resto, seu corpo sintetiza. Os meios essenciais devem vir da comida. Então encontramos ácidos graxos ômega-3 em peixes, nozes, sementes de linhaça alguns tipos de soja; e encontramos ácidos graxos ômega-6 em animais da terra, frango, porco, carne vermelha e em óleos vegetais poli-insaturados.

Você pode ver qual é o nosso problema. Comemos muitos ácidos graxos ômega-6. Na verdade, a proporção de ácidos graxos ômega-3 e 6 eram entre um para um e um para quatro. Sabe qual é hoje? Entre 1 para 25 e 1 para 30. Isso levou as pessoas a dizerem: “Minha nossa! Isso está muito errado! O ômega-6 está aqui em cima e o ômega-3 lá embaixo. Talvez devêssemos tomar cápsulas de ômega-3 de óleo de peixe e encorajar o consumo de peixe. Assim voltaremos àquela proporção a que estávamos acostumados enquanto população. Bem, não há provas de que isso funcione. Neste trecho em específico se fala do ômega-3 proveniente do óleo de peixe, mas no geral se defende diminuir a ingestão do ômega-6 em vez de suplementar ômega-3. É porque pelo menos nos Estados Unidos o ômega-3 se tornou praticamente sinônimo de óleo de peixe. Na verdade, em qualquer lugar, pouco se fala de ômega-3 de outra origem.

Na verdade, uma grande metanálise que verificou 89 estudos mostrou que não faz a menor diferença para a saúde. Mas, além disso, não seria melhor reduzir a quantidade de ômega-6 da dieta? Pare de comer todos esses animais e pare de consumir tanto óleo que a proporção voltará ao normal. Não vamos complementar com ômega-3. Vamos abaixar o ômega-6 e terminaremos onde precisamos estar. Não há dinheiro envolvido na redução do consumo de ômega-6. Mas há muito dinheiro nas vendas de cápsulas de ômega-3 para as pessoas, e para fazê-las comerem peixe.

Temos boas evidências agora de que quanto maior o consumo de ômega-3, maior o risco de diabetes do tipo 2. Há provas de que o índice de câncer aumenta também [além disso, há o fato de muitas espécies de peixe estarem contaminadas com mercúrio]. O ômega-3 faz exatamente o oposto do que as pessoas acham.

Antes havia dados sugerindo que poderia ser benéfico, mas agora a preponderância de provas é de que óleo de peixe é inútil. Há uma indústria bilionária que basicamente vende às pessoas óleo de peixe e lucra com isso.

Pamela Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.

T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.

Michael Greger, médico especialista em nutrição e fundador da NutritionFacts.org

Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.

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“Muitos homens comem muita carne porque se sentem muito machos assim, certo? A verdade é que a longo prazo o efeito é o oposto”

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Uma dieta rica em vegetais é muito mais saudável

Muitos caras que comem carne veem isso como um reflexo da sua masculinidade. Associam isso com ser forte e másculo. Muitos homens comem muita carne porque se sentem muito machos assim, certo? A verdade é que a longo prazo o efeito é o oposto.

Não é muito macho ter disfunção erétil [quando se chega a uma certa idade]. Estamos falando de fluxo sanguíneo. Até dizem isso em comerciais de Cialis e Viagra. Então se suas artérias estão entupidas pelo alto consumo de carne, laticínios e ovos, o que isso vai acontecer com o seu desempenho sexual? É uma ciência simples, cara.

É inquestionável que homens acham que têm que comer um monte de proteínas e que seguir uma dieta vegetariana não é algo muito masculino. Mas vou lhe dizer algo: o que realmente não é masculino é disfunção erétil. Se quer ser viril, se quer ter uma bela vida masculina, siga uma dieta vegetariana.

Há grandes evidências que mostram que a disfunção erétil é causada pela dieta em muitas circunstâncias. E o motivo é que se você tem doença arterial coronariana em uma parte do corpo, você a tem nele todo. A prova disso é que aqueles vasinhos minúsculos de sangue que levam ao pênis são os primeiros a serem afetados.

Nós nos referimos à disfunção erétil como o primeiro sinal de perigo. É o sinal de que alguma coisa está indo muito mal e que você precisa consertar [Não é à toa que pessoas com disfunção erétil podem morrer consumindo Viagra ou Cialis]. Nesse estágio, é muito mais fácil de tratar isso se você ainda não teve um infarto ou AVC.

T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.

John Joseph, músico, triatleta vegano e defensor da alimentação livre de produtos de origem animal.

Pamela Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.

Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski, lançado em 2008.

 

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Sue Coe e o bezerro no matadouro

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Arte: Sue Coe

“Inside the Abattoir” é um incrível e realista desenho da artista britânica Sue Coe. O contraste do bezerro hesitante e assustado, e as figuras humanas indiferentes ao temor animal, acostumados com essa realidade em que a criatura bovina não simboliza nada mais do que um objeto.

E nas laterais, de um lado alguns bezerros sobressaltados observam com olhos intumescidos e suplicantes a insensibilidade humana. Do outro, bezerros assistem a inação do bezerro na pista. Os bezerros à esquerda estão mais imersos nas sombras, talvez pelo choque com a última grande desilusão representada pelo homem que se distrai com um cigarro na boca, ignorando tudo que está logo atrás dele.

As paredes brutas, o isolamento, o ambiente soturno que não revela o que existe mais adiante também parece representar o fato de que o animal é morto de forma traiçoeira, já que ele é impossibilitado de ver o que aconteceu com aqueles que seguiram antes dele pelo mesmo caminho.

 

 

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“A ideia de que somos caçadores-coletores é verdadeira, somos caçadores-coletores, mas a maior parte do tempo sempre fomos coletores”

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McDougall: “Todas as grandes e bem-sucedidas populações da história da humanidade recebiam sua grande massa calórica do amido”

Todas as grandes e bem-sucedidas populações da história da humanidade recebiam sua grande massa calórica do amido: arroz, milho, batata e outros amidos; pães e assim por diante. Particularmente, quando se vive próximo à Linha do equador, ao se locomover para o norte e para o sul em latitude, você acaba comendo mais alimentos de origem animal. E se for bem ao norte, por exemplo na região dos esquimós inuits, você verá que eles se alimentam como carnívoros, porque é isso que está disponível para eles.

Mas esta é uma pequena população de pessoas que vivem nos extremos do meio ambiente. São a exceção, não a regra. A ideia de que somos caçadores-coletores é verdadeira, somos caçadores-coletores, mas a maior parte do tempo sempre fomos coletores. Um dos problemas tem a ver com sexismo. Tem a ver com o fato de que os coletores eram mulheres, avós e crianças. Os caçadores eram os homens, e eles ficavam com a glória. As pessoas que realmente proviam o grande volume de calorias necessárias à sobrevivência, ao longo de toda a história humana de que temos conhecimento, foram e são mulheres, crianças e avós.”

John McDougall, médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”, no documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.





Written by David Arioch

July 25th, 2017 at 6:06 pm