Author Archive
Sobre a linguiça suína
2,5 bilhões de pintinhos são mortos por ano
Prática comum – Pintinhos sendo moídos porque são descartáveis para a indústria de ovos. Também não interessam à indústria de carne porque não têm a mesma genética dos animais criados com essa finalidade. Por ano, 2,5 bilhões de pintinhos são mortos dessa forma ou por meio de dióxido de carbono, de acordo com dados da organização alemã Deutscher Tierschutzbund.
Mesmo que não existisse aquecimento global, que direito teríamos de destruir outras espécies e o seu habitat?

Explorar, destruir e matar simplesmente para o nosso próprio benefício. Onde existe coerência nisso? (Imagem: Nasa)
Uma pessoa pode não acreditar em aquecimento global, mas está aí um fato interessante divulgado pela FAO e pela One Green Planet, e jamais contestado por qualquer órgão ou pela indústria alimentícia – 70% das plantações do mundo são destinadas para alimentar animais de criação que serão comidos por seres humanos. Não pense em aquecimento global, mas somente no absurdo da situação. Isso deveria ser aceitável?
Mesmo que não existisse aquecimento global, que direito teríamos de destruir outras espécies e o seu habitat? Vamos supor que nossa interferência no meio ambiente não resultasse em grande impacto para a vida humana, ainda assim isso seria justo? Explorar, destruir e matar simplesmente para o nosso próprio benefício. Onde existe coerência nisso?
Os outros animais também têm o direito de viver. Falar das consequências para a humanidade é sempre uma forma de apelar ao que nos toca, nos atinge, mas não deveria ser assim, porque isso sempre nos coloca em uma posição de protagonismo. As pessoas deveriam entender que outras vidas e outros espaços existem, e que deveriam ser intocados independente de qualquer coisa, e não simplesmente porque isso também nos afeta.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Um médico demonizar a alimentação vegetariana é um atestado de pedantismo e desinformação
Um médico demonizar a alimentação vegetariana, alegando que não podemos ser saudáveis sem o consumo de proteína animal, é um atestado de pedantismo e desinformação. Ademais, um médico para falar mal da nutrição vegetariana deve pelo menos estudar a respeito. Mas a verdade é que se ele estudasse, provavelmente não falaria mal.
Vegetarianos existem desde sempre, e vão continuar nascendo, se desenvolvendo, criando filhos, etc. Se a alimentação sem ingredientes de origem animal não fosse boa, teríamos notícias frequentes de morte de vegetarianos e veganos, mas sabemos que não é bem isso o que acontece. Basta comparar quantas pessoas morrem em decorrência de doenças relacionadas ao consumo de proteína animal e quantas morrem em decorrência de doenças relacionadas ao consumo de proteína de origem vegetal. A lógica é simples.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
“Você come muitos vegetais, então a sua comida é cheia de agrotóxicos”
— Você come muitos vegetais, então a sua comida é cheia de agrotóxicos, logo você tem mais chances de morrer do que eu.
— Será? Quantas pessoas você conhece que adoeceram pelo consumo excessivo de proteína animal? E agora me diga quantas ficaram doentes em consequência do consumo “excessivo” de vegetais? Pesticidas, herbicidas e fungicidas são um problema, não nego, e precisamos discutir a respeito. Mas você já considerou o fato de que a carne que você consome é proveniente de um animal que também se alimentou de agrotóxicos? A indústria precisa apenas garantir que esses animais sejam alimentados para que um objetivo seja alcançado, que é a produção de carne. Mas ela não tem obrigação nenhuma de não alimentá-los com alimentos que receberam aplicação de agrotóxicos, entre outros químicos, por exemplo. Até porque eles vão morrer de qualquer forma para depois irem para o seu prato. Pense nisso. Será que sou eu que estou consumindo mais agrotóxicos ou você? Há outro ponto a se considerar. A carne que você consome passa por um sistema fitossanitário que não garante uma higienização de 100%, o que significa que não se pode descartar sempre o risco de algum tipo de contaminação antes da carne chegar à sua mesa. Normalmente, o que a fiscalização vai avaliar é se isso pode ser nocivo ou não para o consumidor. E nesse contexto há variáveis e níveis considerados aceitáveis de contaminação.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Não preciso de proteínas de origem animal
Assim como muitos praticantes de musculação, já achei essencial o consumo de proteínas de origem animal (eu consumia mais ovos e laticínios – incluindo albumina, whey protein, caseína e outros tipos de proteína time-release). Afinal, nada melhor do que se empanturrar de proteína animal para ganhar massa muscular, não é mesmo? Já fazia exames periódicos, e tudo ia bem, claramente. Sendo assim, eu pensava:
“Estou no caminho certo! Saúde 100%.” Mas a diferença é que eu era muito jovem. E do tipo que consumia no mínimo 40 gramas de proteínas de origem animal por refeição, mas chegando a 60 gramas, dependendo. Parece muito? Tem gente que consome muito mais do que isso e pesando inclusive menos do que eu pesava. E quem disse que as consequências de se empanturrar de proteína animal surgiriam em curto prazo?
Mesmo que esse não seja o motivo de eu ter me tornado vegetariano e depois vegano, optei por me manter bem distante das proteínas de origem animal também por entender que não preciso disso para alcançar qualquer objetivo que custe a vida dos animais, além de consequências desnecessárias que não quis conhecer em longo prazo. Claro que tem muita gente que pratica musculação e que não dá a mínima para a própria saúde, se limitando a uma motivação estética. Então para essas pessoas, a crença predominante é de que “mais é sempre mais”, se isso as levar a algum lugar.
Mas eu sou do tipo que nunca colocaria isso acima da saúde. Fora que o consumo acentuado de proteína não beneficia ninguém mais do que a indústria alimentícia e os fabricantes de suplementos alimentares. Afinal, como vender proteína sem fazer a população acreditar que ela sempre precisa de mais do que o necessário? Quem critica o culto ao consumo acentuado de proteína são pessoas que não ganham nada com isso. Afinal, eles estão te incentivando a economizar dinheiro, não a gastar, como faz a indústria da proteína animal.
Vivemos numa época em que proteína animal virou um símbolo romântico do ser humano capaz de romper barreiras genéticas e superar a si mesmo simplesmente consumindo muita proteína animal. Esse é o lema de muitos jovens que povoam as academias do mundo afora. Eu? Não acredito em nada disso, porque sei que não é verdade. Talvez faça sentido se você conciliar muita proteína animal com esteroides anabolizantes, mas daí é um risco de dois espectros que cabe a você decidir se vale a pena. Conheço meus limites naturais, e eles são tranquilamente satisfeitos com a riqueza do mundo vegetal.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
“Agora fiquei até com vontade de ser pai”

“O semblante não era o mesmo. Quem era aquela criança que tomou o seu lugar?” (Desenho: Nino Andaresta)
Em uma loja, enquanto eu aguardava atendimento, observei um bebê em um bebê conforto ao lado do balcão. Tão lindo com aqueles olhinhos serenos e geometricamente redondos de anime. Sorria sem parar enquanto balançava as mãozinhas e as perninhas curtas simulando bicicletinha. Lindo de ver! Expondo o umbiguinho para fora da camisetinha verde com estampa do Hulk. Vez ou outra, soltava algum gritinho suave, empolgado observando coelhinhos de pelúcia pouco acima de sua cabeça.
— Que linda inocência! Que beleza de criança! Que doçura!
— Agora fiquei até com vontade de ser pai. Que coisinha linda e hipnotizante.
O bebê continuava simulando bicicletinha. Um verdadeiro atleta.
— Esse vai gostar muito de se exercitar. Não tenho dúvida disso!
Fui surpreendido. A criança sorriu pra mim, um daqueles sorrisos raros de comerciais de TV, do tipo enviesado.
— Preciso ser pai, cara! Quero isso na minha vida – monologuei.
Ainda bem que ninguém percebeu que falei mais alto do que imaginei.
Era incrível ver aquele pequeno ser cheio de vida, de vontade de existir. Um mundo de infinitas possibilidades se abria diante dele.
— Esse vai conquistar o mundo, parece bem peculiar.
— Nossa! Preciso ser pai, cara! Isso é demais!
De repente, os olhos da criança mudaram, enturveceram. Pressionou uma mãozinha contra a outra, como se estivesse prestes a esmagar os próprios dedinhos. As bicicletinhas d’antes se transformaram em golpes violentos no ar.
O semblante não era o mesmo. Quem era aquela criança que tomou o seu lugar?
Me afastei a passos cuidadosos quando o bebê começou a gritar e a dar violentas cabeçadas no bebê conforto. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove cabeçadas consecutivas.
— Diabeisso! O que está acontecendo aqui? — pensei, mas não falei.
Preocupado, olhei em volta. Ninguém me olhava. Ainda bem. Assim ninguém acharia que tive algo a ver com a infanta fúria. A criança berrava cada vez mais alto. Que vozeirão sinistro!
— Desse jeito, vai cantar death metal – concluí.
Eu não sabia mais se me afastava ou se me aproximava. Por pouco, a criança não vira o bebê conforto com a força das cabeçadas e dos chutes no ar. Até que sua mãe chegou.
— Não quero mais ser pai. Deixa quieto.
E a vontade passou.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
O veto de Geraldo Alckmin ao projeto que garantiria o fim do uso de animais vivos em instituições de ensino
Projeto de autoria do deputado estadual Feliciano Filho (PSC), disponível em https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1110256, que garantiria o fim do uso de animais vivos em escolas e universidades de São Paulo, foi vetado ontem por Geraldo Alckmin. Em publicação no Diário Oficial, o governador simplesmente alegou que o tema não é de competência do Estado de São Paulo, já que é tratado e regulamentado em âmbito federal, por meio do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea).
Mesmo apresentando argumentos consistentes e óbvios de que é possível qualificar bons profissionais e realizar experiências sem o uso de animais, seguindo o exemplo de instituições de ensino dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Inglaterra, o projeto foi desconsiderado por Alckmin, que parece ignorar o fato de que estamos em 2017 e há inúmeras alternativas sem o uso de animais vivos. As mais comuns são o uso de manequins e cadáveres. Ou seja, ele poderia ter demonstrado mais boa vontade em discutir e entender melhor o projeto que envolve o destino de muitos animais de várias espécies.
É importante ter a compreensão de que os animais não estão disponíveis para serem condicionados aos nossos interesses, de acordo com a perspectiva dos direitos animais. Na literatura científica, há bons exemplos do quanto isso é desnecessário e anacrônico hoje em dia. Em síntese, representa uma falta de visão em direção ao futuro, já que há tantas iniciativas voltadas para garantir, de fato, o verdadeiro bem-estar animal. E claro, talvez haja algum tipo de lobby nesse meio também.
Em março de 2016, uma matéria publicada pela USP, já mostrou o quanto tais práticas são desnecessárias. Infelizmente, ainda assim, o governador Geraldo Alckmin diz em julho de 2017 que é necessário o uso de animais vivos em escolas e universidades. Esses políticos agem de má-fé ou desconhecem a realidade, ou os dois.
http://www5.usp.br/106344/novos-metodos-substituem-uso-de-animais-vivos-no-ensino-da-veterinaria/
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
“Por que o senhor chama a ditadura de revolução?”
Conversando, com um amigo, do nada ele me falou que com o retorno da ditadura tudo iria melhorar no Brasil. Achei melhor ficar calado, sorrir e seguir o meu caminho. Há momentos em que não é difícil perceber que o silêncio diz mais do que qualquer palavra, apesar do clichê.
Isso me lembrou das vezes em que, entrevistando pessoas idosas, principalmente homens, alguns se referiram à ditadura como revolução. Assim, é sempre difícil não suspeitar que tenham sido simpatizantes do Golpe de 1964. Um dia, quando um senhor me disse isso, perguntei:
— Por que o senhor chama a ditadura de revolução?
— Porque foi uma verdadeira revolução. Tudo melhorou.
— Sério?
— Sim…
— Então fale isso para o meu tio que levou uma camaçada de pau e foi preso porque estava tocando violão em frente de casa numa noite de 1978.
Ademais, quem quiser conhecer as muitas histórias de corrupção nos tempos da ditadura, recomendo os livros “A Chave do Tesouro”, “Os Mandarins da República” e “A Dupla Face da Corrupção”, os três publicados pelo economista José Carlos de Assis, vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo em 1983. Outra boa referência sobre a ditadura militar é o documentário “O Dia que Durou 21 Anos”, de Camilo Tavares, lançado em 2013.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:
Os perigos das dietas que demonizam os carboidratos e incentivam o alto consumo de proteínas de origem animal
Sobre as dietas de perda de peso, as pessoas usam duas abordagens que não funcionam a longo prazo. Então é claro que elas dizem que dietas não funcionam. Uma abordagem é tentar ficar sem comer e sentir fome o tempo todo. Essas são dietas de porções controladas, dietas típicas que as pessoas seguem. Não funciona porque você sente fome o tempo todo, e não se pode tolerar esse tipo de dor.
As alternativas são as dietas “torne-se um doente”. E essas são as dietas de alta proteína de origem animal, alta gordura e baixo carboidrato. Nos últimos anos surgiram muitas dietas afirmando que comer pouco carboidrato e muita proteína animal ajuda a perder peso. Tudo orquestrado por campanhas publicitárias multimilionárias e pelo endosso de celebridades [que lucram com isso]. Como resultado, a maioria das pessoas hoje associa carboidrato a ganho de peso.
Dietas com pouco carboidrato deixam você doente [um exemplo é a baixa na imunidade]. Como resultado, todo o seu corpo fica doente, [com riscos de] doenças arteriais e danos nos rins, no fígado e assim por diante. Elas aumentam a mortalidade. Isso já foi mostrado inúmeras vezes nos grandes estudos. Mas elas também o deixam doente de forma que faz você perder o apetite. A pessoa diz: “Finalmente encontre a solução!” E então você entra em cetose e perde o apetite. Como resultado, pode se sustentar sem pensar em comida o tempo todo. Porque você está doente. Essas dietas são perigosas, e as pessoas não deveriam segui-las.
Em 1973, Rob Atkins publicou seu primeiro livro no qual ele argumentava que o problema não era com a gordura, o problema não era com a proteína. Segundo ele, o problema era que consumíamos carboidratos demais. E ele defendeu este argumento. E depois, muitas outras pessoas escreveram a mesma coisa. A Dieta de South Beach é apenas uma cópia, na maior parte, da Dieta Atkins.
A Dieta das Zonas é uma cópia, e a Dieta do Tipo Sanguíneo, em muitos aspectos, também é uma cópia. Calorias Boas, Calorias Ruins, de Gary Taubes, a mesma coisa. Até mesmo Michael Pollan, devo dizer, o Dilema do Onívoro, é uma cópia. E a Dieta Paleo, tão popular hoje em dia, é só uma cópia.
São erros e fraudes em dietas comerciais com nomes diferentes, e podem cuspir diferentes argumentos sobre o porquê de aquilo estar certo, mas estão todos errados. Isso é escrito por pessoas, devo dizer, que não têm experiência nesse campo de pesquisa nutricional, e ponto. A maioria nunca publicou um artigo sequer na literatura científica.
Bem, como você sabe, as maiores mentiras do mundo são aquelas que têm um fundo de verdade. Todos sabemos disso. É uma grande tática. É verdade, concordo que devemos cortar os carboidratos, mas os carboidratos simples. Isso está fora do contexto geral. Você sabe, açúcar, farinha branca. Isso faz sentido. Neste caso, tem um fundo de verdade. Mas eles nem sempre destacam isso. Apenas dizem: low carb, low carb, low carb.
Todos querem ouvir boas notícias sobre seus maus hábitos. Então quando você diz às pessoas que elas podem comer quanta lagosta quiserem, podem comer bife com ovos, alguns incluem laticínios, outros não. Isso soa agradável para as pessoas porque parece menos restritivo. Algumas das pessoas que estão falando sobre dietas com poucos carboidratos não têm habilidades para avaliar informações científicas. Escute, esqueça o que você gosta ou não gosta. Pense no seu objetivo.
John McDougall, médico especialista em nutrição e autor do livro “The Starch Solution”.
T. Colin Campbell, bioquímico e doutor em nutrição, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos. Em 2005, o seu trabalho foi transformado no livro “The China Study”.
Pamela A. Popper, doutora em nutrição e fundadora do Fórum Wellness.
Excertos de depoimentos do documentário “Food Choices”, de Michal Siewierski.
Contribuição
Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:







