David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Para o filósofo grego Teofrasto, a humanidade tem uma dívida de justiça para com os animais

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Sucessor de Aristóteles dizia que matar os animais é uma forma de perpetuar danos injustificáveis

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Sucessor de Aristóteles, o filósofo grego Teofrasto (372 a.C 287 a.C) defendia, segundo Porfírio em “De Abstinentia”, que a humanidade tem uma dívida de justiça para com os animais porque o futuro da existência como um todo depende do equilíbrio entre humanos e animais, o que exige também que os seres humanos se abstenham de sacrificá-los e de comê-los.

Para Teofrasto, explorar, torturar ou matar animais significa privá-los de suas vidas, porque assim perpetua-se um ciclo de danos injustificáveis. A crítica do filósofo grego serviu como referência ao filósofo dos direitos animais estadunidense Tom Regan para argumentar que a morte dos animais é moralmente errada porque é uma forma de privação da oportunidade de experimentar qualquer escolha futura, o que leva à conclusão de que a morte dos animais como consequência da exploração racionalmente humana é uma perda irrecuperável, ou seja, final.

Pesquisador da questão animalista na Grécia Antiga, o filósofo estadunidense Stephen Newmyer, professor da Universidade Duquesne, em Pittsburgh, na Pensilvânia, diz que um dos conceitos-chave desenvolvidos por Teofrasto, e que influenciaria os direitos animais, é o conceito de oikeiotes, que combina ideias de pertencimento, parentesco e relacionamento. As primeiras referências estão registradas em “De Abstinentia”, de Porfírio, quando discorre sobre a filosofia de Teofrasto.

O discípulo de Aristóteles acreditava no parentesco humano com os animais, que necessitavam de um tratamento mais empático e justo por parte dos seres humanos. “Esta mesma compaixão pelos animais como criaturas sofredoras inspirou Teofrasto a desenvolver o conceito de Oikeiotês, que está em evidência no tratamento que Porfírio dá aos animais em ‘De Abstinentia’”, declara Newmyer no livro “Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics”, publicado em 2005.

Em “De Pietate”, Teofrasto discute as precedentes especulações gregas em torno da racionalidade animal, caminhando para o que se pode chamar de questões de familiaridade na relação entre seres humanos e outros animais. Por isso, assim como “De Esu Carnium”, de Plutarco, “De Pietate” é considerada uma das duas defesas mais antigas do estilo de vida vegetariano – e referência em direitos animais. De acordo com Newmyer, “De Abstinentia”, de Porfírio, oferece uma defesa cuidadosa da ideia de que o homem primitivo só seria capaz de não matar um animal ao reconhecer nele algum tipo de parentesco.

Na ótica de Porfírio, os seres humanos não se assemelham aos outros animais somente no que diz respeito às paixões, pulsões e sentidos, mas também, em níveis distintos, nas faculdades de raciocínio. Portanto, o conceito Oikeiotês concedeu status moral aos animais e os colocou dentro da preocupação moral humana. “A relação que os animais têm com os seres humanos é, em sua opinião, de natureza jurídica, pois os seres humanos devem tratamento justo às criaturas que são relativamente semelhantes a ele em suas capacidades mentais”, reforçou Stephen Newmyer.

theofrastos_eresios_1Também defendida por Pitágoras, a concepção de parentesco entre seres humanos e outros animais foi ofuscada por Aristóteles que, seguindo por outra via, encontrou maior aceitação em uma sociedade cada vez mais antropocêntrica. “Os agrupamentos irracionais ocorrem tão somente pelo instinto, pois, entre os animais, somente o homem possui a razão, tendo noções de bem e mal, justo e injusto”, simplificou Aristóteles. Afirmações como essa serviram como justificativa para que o ser humano continuasse subestimando a capacidade animal, colocando-os em um nível de inferioridade que influenciaria mais tarde a maneira como os seres humanos continuariam se relacionando com os animais.

No entendimento de Aristóteles, os animais “irracionais” não possuem capacidades mentais para assegurar que seus interesses sejam respeitados. Por outro lado, o seu discípulo Teofrasto, além de reconhecer a existência do intelecto animal, viu exatamente nessa suposta incapacidade animal apontada por Aristóteles uma razão moral para que os seres humanos não se colocassem acima dos animais nem se aproveitassem de sua vulnerabilidade. E esse aspecto da filosofia aristotélica teve continuidade com influentes pensadores como o italiano Tomás de Aquino.

Sendo assim, o interesse de Aristóteles pela questão animal difere substancialmente do interesse de seus discípulos, como Teofrasto, que reconheceu o direito à vida animal. O caso de Aristóteles contra a racionalidade animal possivelmente tinha apenas intenções parcialmente científicas, sem ponderar sobre as consequências morais de seus argumentos.

Porém, foi exatamente essa negação aristotélica que formou parte da base da atitude cristã ocidental em relação aos animais como criaturas que poderiam ser privadas de justiça e da própria existência, e mais – que poderiam ser usadas como o ser humano bem entendesse. Uma conclusão que também é partilhada por Newmyer.

Também foi esse caminho trilhado por Aristóteles, sem antever o futuro, que impediu que teorias filosóficas mais empáticas aos animais, como as de Pitágoras, Teofrasto, Plutarco e Porfírio fossem lançadas à luz, não à escuridão. Assim não é equivocado dizer que a consciência antropocêntrica que persiste ainda hoje é uma consciência de influência aristotélica.

Saiba Mais

Teofrasto, grego de Eresso, em Lesbos, foi o sucessor de Aristóteles na escola peripatética. Ele chegou a Atenas ainda muito jovem, e inicialmente estudou na escola de Platão. Após a morte de Platão, ele se ligou a Aristóteles, que levou os seus escritos a Teofrasto. Quando Aristóteles fugiu de Atenas, Teofrasto assumiu o Liceu.

Ele presidiu a escola peripatética por 35 anos, período em que a escola se desenvolveu bastante -tinha mais de dois mil estudantes. Ele é considerado o “Pai da Botânica”, por causa de seus trabalhos com as plantas.

Após sua morte, os atenienses o honraram com um funeral público. Seu sucessor foi Estratão de Lâmpsaco. Teofrasto faleceu aos 85 anos, de acordo com Diógenes. Uma de suas frases mais famosas é: “Morremos apenas quando estamos começando a viver.”

Referências

Porphyry: On Abstinence from Killing Animals (Ancient Commentators on Aristotle). Bristol Classical Press; Reprint edition (2014).

Newmyer, Stephen. Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics – Páginas 20 a 25. Routledge; 1 edition (2005).

https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Theophrastus

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O pequeno dourado

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gold-fish-in-waterNunca gostei de pescaria, mas me recordo claramente de um episódio em que meu pai tinha recém-comprado uma vara de pescar. Eu era criança e estávamos na divisa entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, onde ele lançou o anzol de cima de uma balsa. Não sei se para a sorte dele ou azar do peixe, um pequeno dourado, talvez ainda inexperiente nas águas do Rio Paraná, fisgou a isca.

Meu pai o puxou no mesmo instante em que a vara tremulou. E a poucos metros de distância, vi o dourado sendo içado a contragosto – se contorcendo, preso ao anzol. Mesmo miúdo, se debatia com violência, não sei se por instinto ou paixão – ou os dois, num sobressalto para não ceder à morte. Notei o desespero nos olhos vibrantes daquele pequeno animal que cintilava como a última luz do poente.

Foi como testemunhar um ser humano se afogando, e me recordei de quando ainda muito ingênuo, quase fui engolido pelo mar. O desespero do dourado não parecia diferente do meu enquanto me afogava – durou mais do que segundos, talvez tenha sido uma eternidade. Mas quando meu pai percebeu a minha reação de espanto e a do meu irmão, ele o lançou de volta.

O peixe partiu veloz, recortando as águas do Rio Paraná. E o sol que até então iluminava somente o leito do rio, aqueceu nossas cabeças por um instante. Eu já não sentia ou reconhecia a chegada da morte, somente da vida que prevalecia e resplandecia.

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Brian Fair sobre o consumo de carne: “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver”

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“Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”

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Quando estava na oitava série, o vocalista da banda de metal estadunidense Shadows Fall, Brian Fair, que faz jus ao sobrenome, ouviu Meat Is Murder (Carne é Assassinato), do The Smiths. A experiência foi o suficiente para que ele se sensibilizasse com a realidade dos animais reduzidos à comida. “Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”, justificou em um vídeo que ele gravou e foi publicado no YouTube.

Na adolescência, ele contou com o apoio de um tio que era vegetariano e estava envolvido com a produção de alimentos orgânicos. Mais tarde, também fez amizade com o vocalista vegano Ray Cappo, das bandas Youth of Today, Shelter e Better Than a Thousand, de quem recebeu boas dicas.

Muitas vezes os fãs perguntaram a Fair por que ele parou de comer carne. Educado e compreensivo, sempre fez questão de explicar que foi motivado por uma transformação interna, um sentimento de justiça – na sua perspectiva, um compromisso com mudanças sociais positivas, o que tem tudo a ver com o heavy metal e o hardcore, que nasceram da contracultura. “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver. Comer carne não se trata de sobrevivência porque podemos viver de outra maneira”, declara.

Brian Fair sugere que as pessoas procurem na internet por vídeos sobre os bastidores da indústria da exploração animal, e vejam o que existe por trás dos alimentos comprados com tanta comodidade. Ele argumenta que é fácil consumir alimentos de origem animal quando tudo é entregue embalado e dissociado de sua origem. “Hoje em dia, há muitos produtos livres de crueldade animal”, pondera e acrescenta que as pessoas não imaginam quantos pequenos coelhos e outros pequenos animais são torturados para a realização de testes e extração de pele.

Se pautando em transmitir uma mensagem positiva sobre vegetarianismo e do veganismo, Brian Fair afirma que as pessoas normalmente subestimam a si mesmas quando não experimentam uma alimentação livre da exploração animal. “Não têm ideia de como é fácil quebrar esse ciclo”, enfatiza.

Brian Fair também se oferece para ajudar na transição de quem se sente inseguro em tornar-se vegetariano ou vegano. “Podem mandar perguntas. Ajudarei vocês no que eu puder”, promete. O vocalista do Shadows Fall já participou de algumas campanhas da Peta, com a intenção de motivar principalmente jovens.

Saiba Mais

Um dos fundadores do Shadows Fall, Brian Fair gravou sete álbuns com a banda entre os anos de 1997 e 2012.

Ele se graduou em literatura pela Universidade de Boston.

Fanpage oficial do Shadows Fall no Facebook 

https://www.facebook.com/shadowsfall/

Referências

http://www.blabbermouth.net/news/shadows-fall-frontman-brian-fair-you-don-t-have-to-kill-in-order-to-live/#z8UVROK308tz6CRc.99

https://www.peta2.com/news/shadows-falls-brian-fair/

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Written by David Arioch

March 16th, 2017 at 5:52 pm

Médico e pesquisador discorda da afirmação de que o ser humano não teria evoluído sem o consumo de carne

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“O problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo”

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Shivam Joshi afirma que há mitos sobre o ser humano da era paleolítica

Quando se fala em consumo de carne, os defensores sempre alegam que o ser humano jamais teria evoluído se não fosse pela ingestão de carne. Alguns dizem inclusive que nossas capacidades neurológicas não seriam as mesmas sem esse hábito de nossos antepassados. Porém, há quem discorde e se empenhe em provar como essa linha de raciocínio é equivocada.

Um exemplo é o médico estadunidense e pesquisador Shivam Joshi, doutor em nefrologia, que está escrevendo um livro sobre os efeitos do consumo de carne na saúde humana e sua associação com pressão alta, doenças cardíacas, câncer, diabetes e acidente vascular cerebral (AVC).

Na obra, ele aborda também importantes aspectos da evolução humana, entre os quais o possível equívoco de quem acredita que jamais teríamos evoluído sem o consumo de carne. “Durante a evolução, humanos e seus ancestrais comeram carne, e algumas pessoas têm usado esse precedente histórico como evidência para legitimar o consumo de carne. A ideia tem sido popularizada em muitas dietas baseadas em gorduras, incluindo a notável dieta paleo”, conta.

E defensores dessas dietas costumam alegar que como os nossos ancestrais paleolíticos tinham um estilo de vida natural, isso significa que deveríamos seguir seu exemplo, já que comer carne era uma prática usual no período paleolítico. “Desde que comemos carne, devemos comer carne, segundo eles”, declara Joshi.

Porém, há lacunas nesse tipo de teoria que tenta simplificar a realidade humana da época ao defender que estamos apenas fazendo algo lógico ao seguir os supostos passos de nossos ancestrais. Para o médico, o primeiro problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo.

“Como nossos predecessores deixaram a África, eles provavelmente encontraram diferentes climas e terrenos, cada um oferecendo recursos diferentes para os homininos [subtribo de primatas que teve os humanos como únicos sobreviventes] durante a evolução”, enfatiza o médico.

Joshi se baseia no fato de que antropólogos descobriram que havia os mais diferentes tipos de dietas no período paleolítico, e a carne foi introduzida em parte dessas dietas, sem que fosse encarada como essencial ou mesmo um modelo a ser seguido.

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“Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo” (Arte: Reprodução)

“Alguns podem ter consumido carne, enquanto outros consumiram frutas, tubérculos. Os homininos mais evoluídos comiam o que estivesse disponível. Comer para sobreviver é diferente de jantar pensando em saúde em longo prazo. A diferença pode ser percebida quando arriscamos a saúde em longo prazo em benefício da saúde em curto prazo”, analisa.

Para ilustrar a ideia de que o ser humano não consumia carne por opção ou prazer, Joshi conta uma história hipotética em que alguém é mantido preso dentro de uma loja de doces, sem possibilidade de fuga. Nesse caso, a pessoa seria obrigada a aceitar suas reduzidas opções para sobreviver.

“Se a sua sobrevivência dependesse disso, e assumindo que não havia mais nada para comer, você comeria doces, apesar de todo o açúcar que pode aumentar o risco de diabetes. Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo”, pondera.

O ser humano foi obrigado a se adaptar à sua realidade, levando em conta mudanças nos padrões climáticos e biomas, especialmente quando deixou a África, observa Shivam Joshi. “Fontes de alimentos teriam mudado e forçado os homininos a comer o que encontravam pela frente. Em algumas situações, teria sido carne. Em outras, grãos ou tubérculos. Claro, nossos ancestrais não tinham ideia de quais efeitos essa alimentação teria em longo prazo”, frisa.

A única necessidade humana da época era a sobrevivência; fazer o que está ao seu alcance para evitar a fome – o que poderia se tornar um grande problema dependendo do surgimento de doenças, exploração indiscriminada de uma área e até mesmo mudança de clima.

“Encontrar alimentos não era fácil como agora. Se eles tivessem encontrado doces na savana, teriam consumido também. A falta de dependência de qualquer comida específica é provavelmente a razão pela qual não há adaptações específicas a nenhum desses alimentos, incluindo a carne”, pontua o pesquisador, lembrando que os seres humanos vêm de uma linhagem de 40 milhões de anos.

De acordo com Joshi, quando comparamos o nosso trato digestivo com o dos chimpanzés, encontramos similaridades que jamais teremos com animais naturalmente carnívoros, como tigres. A morfologia dental e intestinal dos seres humanos assemelha-se mais a dos primatas do que dos grandes felinos, o que é uma razão pela qual o médico crê que o consumo de carne pode não fazer bem aos seres humanos.

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“Os seres humanos têm herbívoros como ancestrais” (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma questão preocupante hoje em dia, de acordo com Shivam Joshi, é que muitas dietas que preconizam o consumo de carne o colocam como uma tábua de salvação para pessoas que já sofrem de problemas de saúde ou buscam resultados estéticos. “Se um organismo faz algo fora do comum, podemos encontrar consequências perigosas desse comportamento”, comenta.

Referências

http://www.huffingtonpost.com/entry/evolved-to-eat-meat-maybe-not_us_58bc7e4be4b02eac8876d020





Written by David Arioch

March 15th, 2017 at 3:47 pm

Joaquin Phoenix: “Quando somos tocados pelo sofrimento dos animais, aquele sentimento fala bem de nós”

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“Os animais passavam de uma criatura viva e vibrante, lutando pela vida, para uma morte violenta”

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Joaquin Phoenix é vegano desde os três anos (Foto: Getty Images/David Buchan)

O ator Joaquin Phoenix, indicado três vezes ao Oscar, e também muito conhecido como o narrador de um dos documentários mais controversos sobre a exploração animal – Earthlings (Terráqueos), tinha três anos quando se tornou vegano. Em entrevista publicada pela Cover Media em 28 de novembro de 2013, o ator contou que ele e sua família saíram para pescar quando ouviram um peixe se contorcendo e se chocando contra o barco.

“Isso era o que fazíamos para comê-los. Os animais passavam de uma criatura viva e vibrante, lutando pela vida, para uma morte violenta. Reconheci isso, assim como meus irmãos”, relatou em entrevista publicada pela Animal Liberation Front em 14 de novembro de 2006.

Naquele dia, Joaquin e seus irmãos disseram aos seus pais que nunca mais comeriam carne novamente, e foi o que fizeram. “Por que você não disse de onde veio a carne?”, questionou sua mãe à época. Sem saber o que dizer, ela começou a chorar. Com o passar do tempo, ele percebeu que muita gente achava que veganos eram pessoas que praticavam rituais bizarros e que tinham que seguir algumas regras e estilo de se vestir – como se fossem parte de uma seita.

Apesar da incompreensão das pessoas no passado, os direitos animais se tornaram parte de sua vida cotidiana, porque, segundo ele, quando você vive pelo exemplo, naturalmente se cria um certo nível de consciência. Prova disso é que até mesmo amigos com quem ele nunca discutiu sobre vegetarianismo acabaram por adotar uma dieta livre da exploração animal.

“Meu estilo de vida é parte de quem sou e, portanto, algo a se considerar em meu trabalho. Sempre discuto isso com os produtores, e eles são muito complacentes. Há tantas opções livres de crueldade. As pessoas seriam tolas de não aproveitar isso. Também é fácil trabalhar com computadores e animatronics em vez de animais, e isso faz a diferença também. A tecnologia nos permitiu recriar animais – como os tigres em ‘Gladiador’ [filme em que ele interpreta o vilão Cômodo]”, relatou à ALF.

Joaquin Phoenix se recordou que na metade da década de 1990 era estranho ser praticamente o único ator a contestar o uso de peles e a pedir alimentos veganos. “Hoje é diferente. Em todos os lugares onde vou, encontro bons pratos vegetarianos”, comemorou. Entre os seus alimentos preferidos estão tofu e tabule. Ele nunca se interessou em consumir imitações de carne. Também disse que durante muito tempo usou apenas tênis Converse All-Star Canvas porque era difícil encontrar calçados veganos. “Agora parece que a maioria dos sapatos são sintéticos”, comentou à Animal Liberation Front.

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Phoenix em campanha contra o uso de lã (Arte: Peta)

Em outra entrevista, publicada em 13 de novembro de 2014 na Playboy, Phoenix contou não é preciso mais pedir comida vegetariana nos sets de filmagem, porque isso já se tornou comum em praticamente todos os grandes estúdios. “Posso fazer um sanduíche, uma salada e macarrão, mas não sou um bom cozinheiro”, admitiu.

Em 2016, ele foi um dos grandes apoiadores da campanha Be Fair, Be Vegan (Seja Justo, Seja Vegano) e, explicou que a iniciativa teve como objetivo a conscientização sobre nossas atitudes especistas em relação aos animais, estimulando as pessoas a verem que nossas semelhanças com os animais não humanos são muito mais profundas do que julgamos. “Agora, mais do que nunca, o mundo precisa dessa mensagem”, enfatizou em declaração publicada em diversos veículos de comunicação dos Estados Unidos.

Entre as muitas campanhas que tiveram a participação voluntária do ator hollywoodiano, uma das mais recentes e que teve boa repercussão é “Joaquin Phoenix is drowning”, da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta). No vídeo, ele aparece sob a água, e o espectador pode perceber o pânico e o terror em seus olhos –  o que representa a forma como os peixes se sentem antes de morrer. Além disso, a intenção é alertar sobre a morte de mais de um trilhão de peixes por ano, consequência da pesca indiscriminada, que além de gerar sofrimento aos animais, tem causado impactos ambientais.

“Os animais exóticos são em sua maioria desconhecidos por nós, assim como o seu sofrimento antes de serem transformados em cintos e bolsas. Todos os anos, milhões de répteis são abatidos para que bolsas, cintos e calçados sejam feitos de suas peles. O bem-estar dos animais não é uma preocupação para aqueles que caçam e comercializam suas peles”, criticou na campanha “Skin Horrors”, da Peta, lançada em 2013. No curta, ele pede que as celebridades parem de usar peles de animais, principalmente de jacarés, lagartos e cobras.

Joaquin Phoenix estrelou outra campanha da Peta no final de 2016, depois de assistir filmagens que mostram a realidade das ovelhas nas fazendas de produção de lã. No vídeo, ele alerta sobre o fato de que não existe uma forma humana de extrair lã. “A única opção é não usar lã”, ponderou.

O curta foi estrategicamente lançado após a denúncia de que trabalhadores da indústria de lã australiana estavam dando socos e chutes em ovelhas, além de feri-las com cortadores elétricos. O que também é apontado como agravante dessa violência é o fato de que os trabalhadores desse ramo recebem por volume de corte, não por hora de serviço.

Na campanha intitulada “Walmart Cruelty”, Joaquin Phoenix aparece em um vídeo mostrando a origem da carne de porco comercializada pela rede Walmart. “Porcas grávidas são confinadas em caixas imundas de metal, são pouco maiores do que seus próprios corpos, e cada momento é como o inferno na Terra”, lamentou.

Em 2005, o diretor Shaun Monson conseguiu convencer Phoenix a narrar o documentário Earthlings porque, segundo ele, o ator era a pessoa ideal para a função. “Nós chegamos como senhores da terra, com estranhos poderes de terror e misericórdia. O ser humano devia amar os animais como o experiente ama o inocente, e como o forte ama o vulnerável. E quando somos tocados pelo sofrimento dos animais, aquele sentimento fala bem de nós, mesmo se o ignoramos. E aqueles que dispensam o amor pelas outras criaturas, como o puro sentimentalismo, ignoram uma parte importante e boa da humanidade. Mas nenhum humano vai perder nada ao ser gentil com um animal. E, na verdade, faz parte de nosso propósito dar-lhes uma vida feliz e longa”, narra Joaquin Phoenix no final de Earthlings.

Saiba Mais

Nascido em San Juan, Porto Rico, em 28 de outubro de 1974, Joaquin Phoenix é irmão dos atores River Phoenix (falecido em 1993), Rain Phoenix, Summer Phoenix e Liberty Phoenix.

Referências

https://sg.news.yahoo.com/joaquin-phoenix-recalls-vegan-choice-003000101.html

http://www.animalliberationfront.com/Saints/Interviews/JoaquinPhoenix.htm

http://www.playboy.com/articles/playboy-interview-joaquin-phoenix

http://www.alternet.org/food/be-fair-be-vegan-most-ambitious-animal-justice-campaign-ever-launched-new-york

http://www.peta.org.uk/blog/watch-joaquin-phoenix-reacts-petas-wool-expose/

http://features.peta.org/joaquin-phoenix-is-drowning/

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Written by David Arioch

March 14th, 2017 at 9:00 pm

Pesquisa aponta que alimentação vegetariana pode ser mais saudável para os cães

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Cães suscetíveis a problemas de pele e gastrointestinais apresentaram os resultados mais surpreendentes

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Se as pessoas podem se beneficiar com uma dieta vegetariana, por que não estender isso aos cães? Pensando nisso, a companhia canadense Dogg Canine Nutrition concluiu uma série de experiências com alimentação canina baseada em comida fresca e vegetariana. Para avaliar os benefícios da dieta, foram selecionados aleatoriamente 20 cães. Todos eles reagiram muito bem à nova alimentação servida ao longo de 12 semanas. Ou seja, não houve qualquer resistência.

Além da dieta atender todas as necessidades nutricionais dos animais, a equipe que realizou a pesquisa concluiu que os cães se tornaram mais saudáveis. A diferença foi percebida porque antes alguns deles já apresentavam problemas de saúde enquanto seguiam uma dieta onívora. Porém, por enquanto a companhia canadense prefere não fazer nenhum alarde sobre o assunto, resguardando o direito de apresentar todos os resultados ao final do programa.

No entanto, a primeira série de experiências já deixou claro que cães aparentam ter predisposição a se darem tão bem com a alimentação vegetariana quanto os seres humanos. “Estamos muito confiantes em nossa primeira formulação [que possui acompanhamento e certificação de um grupo de nutricionistas veterinários] devido aos primeiros resultados. Não há dúvida de que a dieta vegetariana é positiva para os cães”, declarou a fundadora da Dogg, Laura Simonson, ao Vegan News.

Cães que sofrem de hipersensibilidade, e que são mais suscetíveis a problemas de pele e gastrointestinais apresentaram os resultados mais surpreendentes, de acordo com o supervisor veterinário Gavin Myers. “Isso significa uma grande melhoria em muitos casos que vemos todos os dias. Portanto, ter uma ferramenta extra à nossa disposição para ajudar os animais é muito bem-vinda”, enfatizou Myers.c443ec_27029313fe344e1ea763cb2a45c0fc8a-mv2

Por outro lado, o resultado não surpreendeu todo mundo, isto porque cães também sofrem com doenças comuns aos seres humanos, e muitas são prevenidas e mesmo tratadas com a dieta vegetariana. Então a melhora no quadro de saúde dos caninos serve para reforçar o fato de que a dieta vegetariana também pode assegurar um futuro melhor para os cães, garantindo mais qualidade de vida e, quem sabe, maior expectativa de vida.

Depois que a Dogg Canine Nutrition concluir toda a pesquisa realizada com alimentação vegetariana para cães, eles vão publicar os resultados, a lista de ingredientes e todos os detalhes de preparação. Por enquanto, Laura Simonson sugere que quem quiser experimentar oferecer alimentação vegetariana aos caninos, pode obter informações no site balanceit.com, que oferece sugestões de refeições caseiras e vegetarianas para animais.

Você pode obter mais informações sobre o programa da Dogg Canine Nutrition no link abaixo:

http://www.joindogg.com/single-post/2016/08/29/Meet-Two-of-our-Feeding-Trial-Dogg-Stars

Referências

http://latestvegannews.com/new-research-suggests-dogs-can-thrive-plant-based-diet/

http://www.joindogg.com/

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Written by David Arioch

March 14th, 2017 at 5:36 pm

Ativista vegano de 12 anos tem chamado a atenção no Canadá

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Daniel: “Seu corpo é o seu templo, então você precisa comer os alimentos certos”

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Daniel Bissonnette é vegano desde que nasceu (Foto: Divulgação)

Aos 12 anos, o estudante Daniel Bissonnette está se tornando um dos mais conhecidos ativistas veganos do Canadá. Depois de passar oito anos sendo chamado de “garoto estranho” por causa da sua alimentação livre de ingredientes de origem animal, atualmente, sempre que possível, ele viaja pelo país compartilhando suas experiências com o veganismo.

Depois de sofrer preconceito por alguns anos, na 3ª série uma de suas professoras o convidou para fazer uma apresentação para a classe, falando sobre sua alimentação e os benefícios do veganismo. “A senhora Stanley veio até mim e disse que seria uma ótima ideia. Percebi que eu tinha certas capacidades que outras crianças não tinham, certas forças que vêm da forma como me alimento”, relatou a David Bell, da CBC News.

Nem por isso Daniel se vê como melhor que as outras crianças, porém, ele declarou que por meio de uma alimentação vegana suas habilidades cognitivas estão melhores do que nunca – seu cérebro tem adquirido o combustível certo. Os três alimentos mais importantes na alimentação do garoto são mirtilo, óleo de coco e cacau. “Que é do que todo chocolate é feito. [Esses alimentos] estimulam a memória, o foco e a concentração, então você pode dar o seu melhor em um exame escolar ou em um projeto em que esteja trabalhando”, declarou.

Bissonnette, que vive perto de Vancouver, importante cidade litorânea da Colúmbia Britânica, deixa claro que seu maior objetivo é inspirar outros jovens a mudarem sua alimentação e a sentirem o impacto positivo do veganismo. “Estou realmente apaixonado por ensinar as crianças a comerem um café da manhã saudável, porque eu sei que muitas têm medo de que outras crianças zombem delas por se alimentarem assim”, comentou.

Daniel, que é vegano desde que nasceu, tem compartilhado suas experiências se pautando principalmente em uma alimentação saudável e livre de ingredientes de origem animal. Segundo ele, as crianças são muito negligentes em relação ao café da manhã, que é uma refeição de extrema importância no rendimento cotidiano. “Seu corpo é o seu templo, então você precisa comer os alimentos certos e, se seus amigos o chamarem de estranho, encontre melhores amigos”, recomendou em entrevista a David Bell.

Saiba Mais

Daniel Bissonnette tem se apresentado em eventos veganos e vegetarianos e feito o seu ativismo em canais de mídia social. Ele também publicou um livro intitulado “Daniel’s Breakfast Burst”.

Referências

http://www.cbc.ca/news/canada/calgary/daniel-bissonnette-calgary-health-show-1.3999718

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9117&catId=1

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Written by David Arioch

March 14th, 2017 at 12:06 pm

Forest Green Rovers, um clube de jogadores vegetarianos

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“Sou vegano e tenho opiniões muito fortes sobre o meio ambiente, bem-estar animal e saúde humana”

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Jogadores abdicaram de alimentos de origem animal em 2014 (Foto: Divulgação)

Na Inglaterra, um clube tem chamado a atenção. Desde junho de 2014, o Forest Green Rovers, de Gloucestershire, é apresentado como um clube formado por jogadores vegetarianos, que não consomem nenhum alimento de origem animal. Na realidade, ninguém que faz parte do clube consome.

E essa mudança aconteceu graças ao investidor da energia verde e fundador da Ecotricity, Dale Vince, que assumiu a presidência do clube em outubro de 2010 e levou para o time uma proposta de mudança baseada em seu estilo de vida vegano.

Antes da chegada de Vince, os jogadores da quinta liga estavam acostumados a comer lasanha com carne vermelha antes dos jogos, porém o novo presidente viu aquilo como um erro, levando em conta que a carne demora para ser digerida. “Me pareceu errado alimentar os jogadores com algo que iria dificultar o desempenho deles”, disse ao jornal britânico The Independent.

A princípio, o dirigente conseguiu convencer os jogadores a não consumirem carne vermelha. Em seguida, abdicaram dos outros tipos de carne. E por fim, dos laticínios. Em junho de 2014, o Forest Green Rovers passou a ser considerado na Inglaterra como um clube vegano.

Mas nem todo mundo aceitou a decisão com muita facilidade. O dirigente contou que algumas pessoas ficaram irritadas e não concordaram, porém, algum tempo depois, aqueles que mais criticaram a mudança se tornaram grandes defensores do vegetarianismo. “Sou vegano e tenho opiniões muito fortes sobre o meio ambiente, bem-estar animal e saúde humana”, explicou Vince ao The Independent.

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Dale Vince, o grande responsável pela mudança no clube (Foto: Adrian Sherratt/Ecotricity)

A verdade é que Vince tocou em um ponto delicado da cultura futebolística inglesa. Hambúrgueres e cervejas há muito tempo fazem parte da realidade dos torcedores de futebol da Inglaterra. “Hambúrgueres são horríveis, feitos das partes de um animal. Substituímos por alimentos vegetais de alta qualidade”, argumentou em referência a hambúrgueres vegetarianos, wraps e falafels que agradaram até aos paladares mais conservadores.

Um dos alimentos oferecidos pelo clube aos jogadores, equipe técnica e torcedores é uma torta que recebeu o nome de Quorn, coberta com uma pasta vegana e servida com uma camada de purê de batata cercada por ervilhas e coberta com alho-poró grelhado e triturado ao molho. “É o prato mais incrível”, comentou Dale Vince.

Além dos jogadores terem aderido completamente à alimentação instituída no clube por Vince, até mesmo uma parcela dos torcedores se tornou vegetariana desde que o clube foi assumido pelo empresário vegano em 2010. “Eles disseram que isso mudou suas vidas”, garantiu Vince, que se surpreendeu com a sua própria conquista ao ponderar que o futebol é um dos esportes onde as pessoas estão mais presas às “tradições”.

Três horas antes de cada jogo, os jogadores do Forest Green Rovers têm recebido uma refeição simples e pesada de carboidratos, normalmente um prato de massa ou batatas com feijão cozido, segundo informações do The Independent. Sincero, Vince preferiu não atribuir à alimentação vegetariana a melhora no desempenho dos atletas.

Por outro lado, citou que os jogadores não sofreram nenhuma lesão na temporada, o que é incomum. Outro ponto alto celebrado pelo dirigente é que, ao contrário do que muita gente imaginava, o clube não foi comprometido por ter se tornado vegetariano. Os patrocinadores e torcedores não se afastaram.

Referências

Hosie, Rachel. Why I turned my football club vegan. The Independent (2 de fevereiro de 2017).

Forest Green Rovers Official Site

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Written by David Arioch

March 13th, 2017 at 9:14 pm

Estudantes abrem cafeteria vegana em universidade palestina

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Cafeteria usa a alimentação como forma de conscientização (Foto: Liga Animal Palestina)

Em outubro do ano passado, foi inaugurada na Universidade de Al Quds, em Jerusalém, na Palestina, a Sudfeh – a primeira cafeteria e restaurante universitário vegano do mundo árabe. Logo no primeiro mês, a Liga Animal Palestina (PAL), formada principalmente por estudantes, comercializou 1,6 mil refeições veganas.

Embora tivessem receio de que a aceitação não fosse muito boa, eles se surpreenderam com a receptividade positiva, inclusive por parte de quem não é vegano nem vegetariano. Claro, reflexo de um bom trabalho que envolve a oferta de alimentos frescos da cozinha palestina, que já possui muitos pratos sem ingredientes de origem animal, e outros que não são difíceis de “veganizar”.

Entre os pratos oferecidos aos estudantes estão húmus, feijões, sopas, folhas de videira recheadas, falafel e maqluba – a paella palestina. Ou seja, alguns dos alimentos mais tradicionais da culinária árabe. Muitos dos estudantes que passaram pelo Sudfeh pelo menos uma vez estão retornando. E a boa qualidade da comida é atribuída ao chefe Anan e sua equipe.

Os fundadores da cafeteria idealizada pela PAL investiram o equivalente a pouco mais de R$ 38 mil, e o dinheiro foi arrecadado através de doações de 200 pessoas e organizações, incluindo a Vegan Society, da Inglaterra, via projeto de financiamento coletivo. O nome Sudfeh é uma referência ao bom acaso do surgimento do empreendimento, que faz referência à sorte, esperança e à satisfação de estar no local certo no momento certo.

Além de administrar a cafeteria que oferece opções para mais de 13 mil estudantes na Universidade Al Quds, a PAL é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo conscientizar os estudantes da Universidade Al Qds sobre os benefícios da alimentação vegana para a saúde, além dos direitos animais.

Os lucros da cafeteria que surgiu graças ao empenho de um grupo de estudantes palestinos vão ser destinados a financiar projetos de proteção animal e bolsas de estudos para estudantes de baixa renda. Por enquanto, algumas prioridades são as castrações de cães de rua e um programa para melhorar a vida de cavalos e burros.

Quem não pode ir à Palestina, pode conhecer o sabor da cafeteria Sudfeh por meio de um livro de receitas que eles disponibilizaram para download:

https://pal.ps/wp-content/uploads/2016/09/Sudfeh-Cookbook-1st-Edition-ilovepdf-compressed-2.pdf

Referências

https://pal.ps/en/sudfeh/

https://www.vegansociety.com/whats-new/news/vegan-society-helps-fund-first-vegan-cafe-palestine

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CEO de uma das maiores produtoras de carne do mundo acredita que a proteína vegetal é a proteína do futuro

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Tom Hayes

Hayes: “A proteína vegetal está se desenvolvendo, neste ponto, um pouco mais rápido do que a proteína animal” (Foto: Tyson Foods)

Tom Hayes, que em dezembro assumiu o cargo de CEO da Tyson Foods, uma das maiores produtoras de carne do mundo, disse em entrevista publicada pela Fox Business na semana passada que se dermos uma olhada nas estatísticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o consumo de proteína está crescendo em todo o mundo, e continua crescendo. Não está no ápice apenas nos Estados Unidos, mas em todos os lugares; pessoas querem proteínas, independente de origem, segundo Hayes.

“Elas têm apetite para isso. A proteína vegetal está se desenvolvendo, neste ponto, um pouco mais rápido do que a proteína animal, então acho que a migração vai continuar nessa direção”, declarou Tom Hayes, que acredita que a proteína vegetal é a proteína do futuro.

A maior prova disso é o fato de que a Tyson Foods se tornou uma das acionistas minoritárias da Beyond Meat, uma fábrica sediada em Los Angeles que produz alternativas vegetarianas e sustentáveis à carne.  Além disso, destinou 150 milhões de dólares a um fundo de capital de risco voltado para start-ups que criam substitutos de carne.

Sobre a participação da Tyson Foods, a Beyond Meat informou que o único objetivo em comum é atender aos consumidores que estão em busca de mudanças. Segundo a empresa, citando como referência a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as pesquisas de Goodland e Anhang, as carnes vegetais proporcionam benefícios para a saúde e para o meio ambiente.

“Essas questões positivas me motivam, fortemente. Mas eu também acredito que os animais valorizam tanto suas vidas quanto nós, e aqui temos obrigações não cumpridas. Seria um erro de minha parte desconsiderar isso quando entrei nessa nova relação”, declarou o CEO da Beyond Meat, Ethan Brown.

Referências

http://www.foxbusiness.com/features/2017/03/07/tyson-foods-ceo-future-food-might-be-meatless.html

http://beyondmeat.com/whats-new/view/why-i-am-welcoming-tyson-foods-as-an-investor-to-beyond-meat

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Written by David Arioch

March 13th, 2017 at 1:58 pm