David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Saúde’ tag

Associação Dietética Americana reconhece os benefícios da dieta vegana

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Foto: David Arioch

A posição da Associação Dietética Americana é de que as dietas vegetarianas, incluindo a dieta vegetariana estrita ou a dieta vegana, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e oferecem benefícios para a saúde na prevenção e tratamento de certas doenças.

Esse posicionamento da ADA foi publicado na US National Library of Medicine e pode ser conferido neste link:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19562864





Idoso precisa de ajuda para tratamento de doença infecciosa aguda

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Seu Juvenal sofre em decorrência de erisipela, uma doença que causa inchaço extremo nos pés e nas pernas (Foto: David Arioch)

O aposentado Juvenal Ferreira, que sobrevive com apenas um salário mínimo, e há muito tempo deixou de andar em decorrência de graves problemas de saúde, passa o dia em uma cadeira de rodas. Morador da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, ele sofre em decorrência de uma doença infecciosa aguda chamada erisipela, que provoca extremo inchaço nos pés e nas pernas.

“Tenho outros problemas de saúde, mas esse é o pior. Tem dia que não consigo dormir, porque a dor é muito grande. O medicamento não é oferecido pelo SUS, então a gente tem que comprar na farmácia. Já estou endividado e não tenho mais condições de continuar comprando os remédios; e são caros pra gente. Não é fácil, meu filho”, explica.

Seu Juvenal conta com o apoio da esposa, Dona Neide, que é quem se responsabiliza por todas as suas necessidades diárias, já que ele não consegue andar. Os únicos medicamentos usados pelo aposentado até hoje e que deram bons resultados foram as pomadas SAF-Gel, um gel hidratante com alginato de cálcio e sódio, e Quadrilon – indicado para dermatoses causadas por infecção bacteriana ou fúngica.

“Gasto dois tubos de cada por mês. E quando falta, a minha situação piora”, garante Seu Juvenal. A pomada SAF-Gel custa de R$ 50 a R$ 60, e a pomada Quadrilon pode variar de R$ 22 a R$ 35. O sonho de Juvenal Ferreira, que quase teve as pernas amputadas por causa da doença, é voltar a andar ou pelo menos ficar em pé sem a ajuda de ninguém. Para mais informações, ligue para (44) 98837-5322.

Saiba Mais

O endereço do Seu Juvenal é Rua das Ameixas, Nº 19, Quadra 15, Lote 18, na Vila Alta.

 

Written by David Arioch

June 1st, 2017 at 1:38 pm

Casal investe na produção de alimentos orgânicos em Paraíso do Norte

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A empresa baseada na agricultura familiar tem se destacado pela oferta de alimentos livres de agrotóxicos

Marcos Cordeiro e Tais Cristina Delin devem ampliar a produção este ano (Foto: Divulgação)

Em novembro de 2016, o tatuador Marcos Cordeiro, que mudou de São Paulo para Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná, decidiu investir em um novo ramo – horta orgânica.

Levando em conta que a região ainda conta com uma baixa produção de alimentos orgânicos, mesmo havendo uma grande demanda, ele e a esposa Tais Cristina Delin não pensaram duas vezes antes de começar um novo negócio.

A empresa baseada na agricultura familiar, e que recebeu o nome de Family Ranch, tem se destacado pela oferta de produtos de boa qualidade, o que inclui tomate-cereja, pimenta-biquinho, quiabo, rúcula, acelga, quatro variedades de alface, mandioca, milho e brócolis, entre outros alimentos distribuídos em uma propriedade de um alqueire.

“Logo que meu marido chegou aqui, ele ficou abismado em ver que só tinha cana-de-açúcar e soja. Quando descobriu que todos os produtores de hortaliças e leguminosas usavam muitos pesticidas, ele começou uma pequena produção orgânica no fundo do quintal”, conta.

A identificação de Marcos e Tais com a produção de alimentos saudáveis foi tão grande que eles decidiram migrar a produção para um rancho, fazendo da atividade uma fonte de renda e profissionalizando a produção.

“Nosso intuito sempre foi vender produtos de qualidade e com preço justo; e sem uso de agrotóxicos”, garante Tais. Em 2016, na primeira safra, o casal atingiu a produção de 60 mil pés de hortaliças e, felizmente, conseguiram vender tudo que foi produzido.

Marcos e Tais admitem que no início foi difícil, até pelo fato de até então não terem experiência no ramo. Hoje em dia, para evitar problemas, já que a produção de orgânicos requer mais cuidado, eles fazem rotação cultural.

Nenhum dos alimentos comercializados pelo casal recebe agrotóxico (Foto: Divulgação)

“Chegamos a perder todo um plantio por causa de pragas. Além disso, como não tínhamos noção nenhuma desse sistema, cometemos muitos erros. Agora contamos com o engenheiro agrônomo Ricardo Shintani, que tem nos ajudado bastante”, garante o casal, acrescentando que a produção e a diversidade deve aumentar em breve, assim oferecendo ainda mais alimentos saudáveis e de boa qualidade.

Saiba Mais

A horta orgânica fica ao lado da Vila Rural de Paraíso do Norte.

Contato

(44) 99726-3739 (Whatsapp)

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A história do vegetarianismo na Rússia

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Ao final de 1914, a Rússia contava com 73 restaurantes vegetarianos em 37 cidades

Antigo prédio da Sociedade Vegetariana Russa (Vegetarianskij.ru)

De acordo com informações do Vegetarianskij.ru, a história oficial do vegetarianismo na Rússia começou com o surgimento da primeira sociedade vegetariana, ironicamente chamada de “Ни рыба, ни мясо”, ou seja, “Nem Carne, Nem Peixe”, em meados de 1860, em São Petersburgo.

O presidente vitalício da sociedade era o cirurgião Alexander Petrovich Zelenkov, que faleceu em 1914. Ele se tornou vegetariano em decorrência de problemas de saúde, quando outros métodos de tratamento se mostraram ineficazes. Ele também era um defensor da homeopatia e fazia campanhas contra o consumo de álcool.

Em 1902, a esposa de Zelenkov, Olga Konstantinovna, escreveu o livro “Нечто овегетарианстве”, ou “Algo Sobre Vegetarianismo”, que foi publicado em quatro volumes, cada um trazendo um extenso estudo sobre o vegetarianismo com base em registros históricos, estudos científicos e declarações de pessoas famosas de diferentes épocas.

A obra também conta com a análise do tratado “Питание человекав его настоящем и будущем”, que significa “A Dieta do Indivíduo em Seu Presente e Futuro”, escrita pelo botânico Andrey Beketov em agosto de 1878. Seu modesto ensaio em defesa da dieta e do estilo de vida vegetariano teve um efeito significativo na sociedade de seu tempo e eventualmente foi traduzido para muitas línguas.

Em 1913, Olga publicou o primeiro livro de receitas vegetarianas da história da Rússia. O nome da obra, que traz 1500 receitas, é “Я никого не ем”, ou seja, “Não Como Ninguém”. O livro foi editado inúmeras vezes e vendeu milhares de cópias, segundo o Vegetarianskij.

À essa altura, o vegetarianismo na Rússia já passou a ser visto sob outra perspectiva, que ia muito além da saúde humana, e tudo isso graças à publicação do ensaio “O Primeiro Passo”, de Liev Tolstói, lançado em 1892. Segundo o Vegetarianskij, a sociedade vegetariana russa então encontrou um profundo argumento ético em favor da dieta vegetariana.

O ensaio teve como ponto de partida as experiências de Tolstói desde que ele abandonou o consumo de carne em 1884, quando começou a promover o ideal vegetariano. Tolstói fez uma grande diferença porque se preocupou mais com as implicações morais e éticas do consumo de carne do que com os benefícios da dieta para a saúde.

Campanha contra o consumo de carne

Valendo-se de seu prestígio, Tolstói, sem dúvida, foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento do vegetarianismo na Rússia – que teve adesão exponencial por parcela significativa da população após o lançamento de “O Primeiro Passo”. Figuras influentes da Rússia daquele tempo, como Nikolai Peskov, Ilya Repin, Alexander Voeykov, Nikolai Ge, Sergey Esenin e tantos outros se juntaram ao movimento. Entre os que mais simpatizaram com o vegetarianismo estavam cientistas, médicos, professores, escritores e poetas.

Em 1904, B.A. Dolyachenko e um grupo de professores fundaram a primeira revista vegetariana da Rússia. Intitulada “Вегетарианский вестник”, que significa “O Mensageiro Vegetariano”. Em 1909, foi a vez de Isosif Perper fundar e publicar o “Вегетарианскоеобозрение”, ou “O Jornal Vegetariano”, em Kiev. A publicação circulou até 1915.

Em 1909, a Sociedade Vegetariana de Moscou abriu suas portas. Em abril de 1913, foi realizada a Primeira Conferência Nacional Russa de Vegetarianos em Moscou, reunindo mais de 200 participantes. Uma das questões discutidas durante o evento foi a criação de sociedades vegetarianas por toda a Rússia.

Rapidamente surgiram sociedades vegetarianas em Varsóvia, Kiev, Chișinău, Vilno, Minsk, Saratov, Poltava, Odessa, Rostov-on-Don, Carcóvia, Zhitomir, Dnepropetrovsk, Krasnodar, Tumen e muitas outras. Ao final de 1914, o número de membros já chegava a duas mil pessoas, o que favoreceu o surgimento de 73 restaurantes vegetarianos em 37 cidades da Rússia. As refeições vegetarianas nos cafés eram baratas e bem diversificadas: salsichas feitas com ervilhas, hambúrgueres de repolho, panquecas vegetarianas (blini) e muito mais. E tudo era aceito com entusiasmo – como uma ideia original.

Os grandes planos dos vegetarianos russos, que previam transformar a Rússia em referência em vegetarianismo, foram interrompidos com o advento da guerra. Naqueles anos difíceis, e com o clima bastante tenso, os defensores de uma nutrição sem morte logo se tornaram alvos de desprezo e ridicularização.

Isto porque a alimentação vegetariana começou a ser vista como imoral em um cenário em que pessoas morriam aos milhares e a escassez de alimentos era comum. No entanto, os ativistas sociais vegetarianos não desistiram. Eles se voluntariaram para trabalhar em hospitais do exército, fornecendo refeições gratuitas para os militares em seus restaurantes, e também criaram enfermarias especiais para atender os animais usados pelo exército.

Porém, o desenvolvimento do vegetarianismo na Rússia, que tinha tudo para se destacar internacionalmente, servindo de referência para países do mundo todo, encontrou sua mais forte resistência após a Revolução Russa e a implantação do regime soviético, conforme informações do Vegetarianskij. Nesse período, a divulgação do vegetarianismo foi proibida na Rússia. Inclusive ativistas foram presos e o termo vegetariano acabou banido dos dicionários. As sociedades vegetarianas também foram fechadas em todos os territórios da URSS. A última a fechar suas portas foi a Sociedade Vegetariana de Moscou, que resistiu até 1929.

Em 1961, A Grande Enciclopédia Soviética, uma publicação massivamente popular na época, registrou que: “As ideias do vegetarianismo foram fundadas em hipóteses erradas e não têm seguidores na União Soviética.” Somente em 1990, depois da perestroika [reestruturação política do país], o vegetarianismo voltou à luz pública e suas ideias ressurgiram, ganhando novamente força na Rússia.

Referência

История вегетарианства в России

 

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Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 10:19 pm

A respeito do meu artigo sobre as afirmações de Drauzio Varella

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Alimentação vegetariana é conhecida por ser baseada na diversidade (Foto: Reprodução)

A respeito do meu artigo sobre as afirmações do médico Drauzio Varella, defensor do consumo de carne, tem pessoas dizendo que veganismo não é pela saúde, mas sim pelos animais. Claro que isso é verdade. Porém, esse meu artigo em específico não é sobre veganismo, é sobre alimentação vegetariana, até porque não se rebate afirmações de um médico com informações sobre direitos animais. Acredito que cada coisa é uma coisa.

Direitos animais e veganismo devem ser abordados e discutidos quando os argumentos se voltam para isso, mas não quando são direcionados a outras questões. Se o Drauzio fala que não há nenhum estudo que prova que o consumo de carne faz mal, o correto é contrapor o que ele disse se valendo da mesma seara – ou seja, da medicina.

Falar em direitos animais tentando rebater o que ele disse, não ajudaria na minha opinião – porque o público dele é de pessoas que buscam informações sobre saúde e qualidade de vida, não sobre direitos animais. Na realidade, ir por esse caminho só reforçaria o discurso dele, de que não se tem argumentos para rebater o que ele disse fora do que ele chama de “campo ideológico”.

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Written by David Arioch

April 29th, 2017 at 1:56 am

Drauzio Varella e as falhas na afirmação de que a crítica ao consumo de carne é ideológica

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Não é verdade que não há trabalhos científicos comprovando os malefícios da carne

A minha intenção não é desmerecer o trabalho do médico oncologista Drauzio Varella (Foto: Extra)

Em abril deste ano, o médico oncologista Drauzio Varella, que há muito tempo se tornou referência para a população brasileira, afirmou na entrevista intitulada “Crítica à carne é ideológica”, publicada pela Revista Globo Rural, que não existe trabalho científico comprovando que a carne vermelha faz mal à saúde. Drauzio declarou que se criou “uma porção de mitos” a partir de estudos realizados nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos.

Drauzio Varella tem todo o direito de se opor a pesquisadores, acadêmicos e médicos que apontam os malefícios do consumo de carne, até porque ele nunca velou que é um defensor do consumo de alimentos de origem animal. Porém, a afirmação de que não há trabalhos científicos comprovando isso não é realmente verdadeira, e pode naturalmente induzir o leitor a crer que realmente ninguém nunca apresentou nenhuma evidência das implicações do consumo de carne.

O livro “The China Study”, publicado em 2005 pelo bioquímico estadunidense T. Colin Campbell, que tem doutorado na área de efeitos da nutrição na saúde em longo prazo, e que foi criado em uma fazenda de gado leiteiro nos anos 1940 e 1950, mostra que isso não é realmente verdade. O seu livro examina a relação entre o consumo de produtos de origem animal e o surgimento de doenças cardíacas, diabetes e câncer. E chega à conclusão que uma dieta vegetariana é mais saudável.

O trabalho, que começou no início dos anos 1970 e se estendeu por 20 anos, foi realizado pela Academia Chinesa de Medicina Preventiva, da Universidade Cornell, em parceria com a Universidade de Oxford. Eles analisaram as taxas de mortalidade por câncer e outras doenças crônicas em 2400 condados chineses, reunindo ao final do estudo dados de 880 milhões de chineses (96% da população à época).

O trabalho foi realizado por iniciativa do premier chinês Zhou Enlai. Diagnosticado com câncer, pediu que fizessem um mapeamento da doença na China, para entender de que forma isso estava relacionado com os hábitos alimentares dos chineses. O estudo registrou que nos condados onde o consumo de alimentos de origem animal se tornou muito elevado, as taxas de mortalidade eram mais altas, o que eles classificaram como consequências de “doenças ocidentais”, já que esses hábitos foram influenciados pela cultura do Ocidente. Por outro lado, nas localidades onde pouco ou nada se consumia de origem animal, as pessoas eram mais saudáveis. O trabalho mais tarde foi considerado o maior estudo de nutrição da história.

Claro que há variáveis a se ponderar, como por exemplo, a prioridade a alimentos saudáveis e prática de atividades físicas, entre outras coisas. No entanto, o “The China Study” justifica que somos mais suscetíveis a contrair determinadas doenças quando consumimos carne, laticínios e ovos, o que não significa que vegetarianos ou veganos estejam livres de doenças. Mas apenas que estão indo por um caminho onde isso pode ser evitado com mais facilidade com os devidos cuidados.

Na entrevista, Dráuzio Varella diz também que nos Estados Unidos “como a carne vermelha tem colesterol, foi concluído que o consumo dela devia ser reduzido. O que aconteceu então? Os americanos diminuíram significativamente o consumo de carne e, no lugar, colocaram carboidratos. A partir dessa resolução, até hoje, a epidemia de obesidade nos EUA aumentou descontroladamente. E, dada a influência dos EUA na área da saúde, essa ideologia cresceu sem parar. Resultado: estamos todos enfrentando uma epidemia de obesidade.”

T. Colin Campbell, autor do livro “The China Study”, que estudou as implicações do consumo de alimentos de origem animal por 20 anos (Foto: Second Opinion)

Não sei em quais estudos ele se baseou para fazer tal declaração, mas isso também não é de todo verdade. Sim, os estadunidenses, assim como pessoas de outros países do Ocidente, consomem quantidades excessivas de carboidratos, e isso sem dúvida favorece o surgimento de muitas doenças, mas há equívocos substanciais no discurso de Varella. Normalmente quem opta por uma dieta vegetariana visando saúde ou qualidade de vida, dificilmente vai consumir quantidades estratosféricas de glicídios, alimentos industrializados – principalmente processados. Não se troca seis por meia dúzia quando se visa conscientemente a saúde.

Ademais, em 19 de agosto de 2016, a Fusion TV publicou uma matéria sobre um assunto também repercutido por muitos outros veículos de comunicação – “Last year americans ate meat like it was going out of style (it’s not)”, que mostra que houve um aumento no consumo de carne nos Estados Unidos em 2015, baseando-se em estudos do Rabobank. Ou seja, por si só, isso já é um indicativo de que as pessoas não estão trocando proteínas de origem animal por carboidratos ruins na velocidade apontada por Varella, mas sim consumindo os dois – que combinados são responsáveis pelo comprometimento da saúde humana.

Outra prova que refuta a posição de Drauzio é que nos Estados Unidos 5% da população se declara como vegetariana, e 2,5% vegana, segundo dados da organização One Green Planet. Sendo assim, onde está toda a população que ele afirma abdicar do consumo de proteínas de origem animal em favor dos maus carboidratos? O vegetarianismo e o veganismo tem crescido, mas, por enquanto, não na proporção desejada por vegetarianos e veganos. Ao mesmo tempo que diz que os críticos do consumo de carne se baseiam em generalizações, Varella parece ignorar que também faz o mesmo, principalmente quando diz que a crítica ao consumo de carne é meramente ideológica.

Então se não for por honestidade e visando o bem da população, por que o pesquisador T. Colin Campbell, filho de produtores de leite, se tornou um defensor da dieta vegetariana que ministra palestras contra o consumo de leite? Por que Howard Lyman, ex-pecuarista que tinha mais de sete mil cabeças de gado, abdicaria disso tudo para se manifestar contra o consumo de carne? Inclusive registrando em seu livro “Mad Cowboy” que ele mesmo tinha o hábito de mandar seus funcionários pulverizarem inseticidas na alimentação e na água do gado para afastar insetos e “pragas”.

Acredito que esses dois homens têm conhecimento mais profundo da realidade do sistema de produção de alimentos de origem animal e das suas consequências na alimentação humana do que o oncologista Dráuzio Varella que, embora seja um profissional respeitado no que diz respeito a vários assuntos, nunca realizou nenhum estudo relevante sobre o tema e incorre em análises equivocadas quando discorre sobre consumo de carne e vegetarianismo, que são áreas que fogem da sua competência.

Em 2006, o The New York Times qualificou o “The China Study” como o “Grande Prêmio da Epidemiologia”, e o “mais abrangente grande estudo já realizado sobre a relação entre a dieta e o risco de desenvolver doenças.” Drauzio pode discordar do conteúdo do livro, mas ele poderia apresentar algum outro estudo equivalente sobre o qual alguém tenha dedicado 20 anos de pesquisa?

Frank Hu: “Este estudo fornece evidências claras de que o consumo regular de carne vermelha, especialmente carne processada, contribui substancialmente para a morte prematura” (Foto: Arquivo Pessoal)

E uma prova de que talvez ele não conheça a obra “The China Study” pode ser encontrada na entrevista para a Revista Globo Rural. Drauzio Varella, parafraseando o epidemiologista Walter Willet, da Universidade Harvard, assinala que somente um estudo com duração de 20 anos poderia trazer resultados realmente consistentes. Como mencionado anteriormente, o livro de T. Colin Campbell foi baseado em um projeto de pesquisa com duração de 20 anos.

E se o “The China Study” não for o suficiente para levar o leitor a refletir sobre a questão, é válido citar o artigo “Cutting red meat – For a longer life”, publicado em junho de 2012 pela Universidade Harvard, a mesma citada por Varella quando diz que não se pode associar o consumo de carne com o surgimento de doenças. “Este estudo fornece evidências claras de que o consumo regular de carne vermelha, especialmente carne processada, contribui substancialmente para a morte prematura”, disse Frank Hu, um dos principais cientistas envolvidos no estudo e professor de nutrição da Harvard School of Public Health.

Na pesquisa, publicada no Archives of Internal Medicine em 9 de abril de 2012, uma equipe de pesquisadores de Harvard procurou estabelecer ligações entre o consumo de carne e a as causas de mortalidade. Eles examinaram os casos de 84 mil mulheres e 38 mil homens em mais de duas décadas. Aqueles que consumiam principalmente carne vermelha, claramente se enquadravam nos grupos de risco de morte prematura.

Depois de 28 anos, aproximadamente 24 mil pessoas que participaram dos estudos da Harvard Medical School sobre a associação entre consumo de carne e mortalidade, faleceram em decorrência de doenças cardíacas e câncer. Analisando os questionários feitos pelos pesquisadores, constatou-se que essas pessoas tinham entre seus hábitos alimentares o consumo de bife, carne de porco, cordeiro e hambúrgueres.

Eles também comiam embutidos como bacon, cachorro-quente, salsicha e salame, entre outros. O estudo determinou que cada porção diária adicional de carne vermelha aumentou o risco de morte em 13%. O impacto subiu para 20% tratando-se de carne processada.

Na entrevista à Revista Globo Rural, Dráuzio Varella pontua que qualquer um tem o direito de ser vegetariano, mas que nem por isso evitará um ataque cardíaco, caso seja sedentário, tenha genética desfavorável, colesterol elevado e hábito de exagerar na comida. Bom, os vegetarianos e veganos que conheço não se veem como imune a todas as doenças do mundo, mas fazem o que está ao seu alcance para tentar evitá-las.

O vegetarianismo enquanto opção alimentar não é perfeito, e sabemos que há inúmeras variáveis, mas usar desse discurso para desconsiderar a dieta vegetariana é reverberar senso comum, já que ninguém está negando o fato de que sedentarismo e obesidade também podem ser prejudiciais para vegetarianos e veganos. No entanto, o que os estudos que mostram os malefícios do consumo de produtos de origem animal provam é que é mais fácil ser saudável não consumindo carne do que comendo. Ou seja, uma pessoa obesa que opta por uma dieta vegetariana tem mais chances de recuperar a própria saúde.

Outro artigo da Universidade Harvard, intitulado “Becoming a Vegetarian”, e publicado em outubro de 2009 e atualizado em 18 de março de 2016, explica que comparado com os consumidores de carne, vegetarianos tendem a consumir menos gorduras saturadas e colesterol, e mais vitaminas C e E. Também têm uma dieta mais rica em fibras, ácido fólico, potássio, magnésio, carotenoides e flavonoides.

Como resultado, eles têm níveis mais baixos de mau colesterol, pressão sanguínea mais baixa, e tudo isso pode ser associado à longevidade e redução do risco de muitas doenças crônicas. Em 2003, a Associação Dietética Americana (ADA) publicou um relatório afirmando que os vegetarianos têm 50% menos riscos de contrair diabetes, doenças cardíacas e amargar oscilações nos níveis de colesterol.

Outra citação de Drauzio Varella que merece atenção é a de que a carne é uma fonte maravilhosa de B12. Realmente, carne é uma fonte de B12, mas frisar que é uma fonte maravilhosa é algo contestável, porque dá a entender que o consumo de carne por si só sempre vai ser o suficiente para impedir a deficiência de vitamina B12, o que não é verdade.

O mito de que consumir carne sempre garante bons estoques de B12 foi derrubado em 2000, quando o Framingham Offspring Study, publicado pelo The American Journal of Clinical Nutrition, constatou que 39% dos participantes de uma pesquisa realizada com três mil homens e mulheres sofriam de deficiência de vitamina B12. A informação mais reveladora é que não foi percebida diferença entre quem consumia carne vermelha, aves, peixes ou nenhum desses alimentos.

A conclusão do estudo foi de que todos, vegetarianos ou não, devem fazer exames e, se necessário, consumir suplementos de vitamina B12. E quanto à carne ser uma grande fonte de ferro, é importante deixar claro que ela não é a única. Drauzio poderia ter citado também as leguminosas, castanhas, sementes, cereais integrais, couve, frutas secas e melado.

A minha intenção não é desmerecer o trabalho do médico oncologista Drauzio Varella, que é uma referência para tantos brasileiros, e com sua experiência e conhecimento trouxe luz a importantes debates ao longo de décadas. Porém, no que diz respeito ao vegetarianismo e à defesa do consumo de alimentos de origem animal, ele tem feito declarações, e não de hoje, ignorando todos os estudos que fazem oposição a uma dieta rica em proteínas de origem animal.

Fontes que comprovam que uma dieta vegetariana é mais saudável não faltam. Outro exemplo é a pesquisa “Vegetarian dietary patterns and mortality in Adventist Health Study 2”, da Universidade Loma Linda, referência em cardiologia, realizada com 70 mil pessoas nos Estados Unidos. Depois de seis anos, os pesquisadores concluíram que o número de morte entre vegetarianos foi 12% menor do que entre aqueles que consumiam carne.

Saiba Mais

O estudo “Comparison of Nutritional Quality of the Vegan, Vegetarian, Semi-Vegetarian, Pesco-Vegetarian and Omnivorous Diet”, concluído em 14 de março de 2014 por pesquisadores belgas concluiu que veganos têm os hábitos alimentares mais saudáveis.

O livro “The China Study” inspirou a criação do documentário “Forks Over Knives“, que conta a história do jornalista Lee Fulkerson, que teve a vida transformada depois de adotar uma dieta vegetariana.

Referências

http://revistagloborural.globo.com/Colunas/sebastiao-nascimento/noticia/2017/04/critica-carne-e-ideologica-diz-drauzio-varella.html

http://www.socakajak-klub.si/mma/The+China+Study.pdf/20111116065942/

http://www.health.harvard.edu/staying-healthy/becoming-a-vegetarian

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10648266

http://www.mdpi.com/2072-6643/6/3/1318

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23836264

https://www.andeal.org/vault/2440/web/JADA_VEG.pdf

http://www.mdpi.com/2072-6643/6/3/1318

 

http://tv.fusion.net/story/338095/last-year-americans-ate-meat-like-it-was-going-out-of-style-its-not/

 

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Consumo de abacate ajuda a prevenir e a combater a síndrome metabólica

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Pesquisadores analisaram 129 estudos publicados anteriormente sobre o efeito da fruta na saúde humana (Foto: Reprodução)

Um estudo publicado pelo periódico científico Psychotherapy Research, dos Estados Unidos, revelou que comer abacate ajuda a prevenir e a combater a síndrome metabólica – um conjunto de fatores de risco que contribui para o desenvolvimento de doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Pesquisadores da Universidade de Ciências Médicas em Mashhad, no Irã, analisaram 129 estudos publicados anteriormente sobre o efeito da fruta na saúde humana. Eles constataram que o consumo de abacate ajuda a reduzir os níveis de triglicérides, pressão arterial e mau colesterol (LDL), além de elevar os níveis de bom colesterol (HDL), entre outros benefícios.

“Resumimos diferentes estudos in vivo, in vitro e clínicos realizados por pesquisadores de todo o mundo para descobrir o papel da casca, sementes, carne e folhas de abacate em relação à MetS [síndrome metabólica]. A maioria desses estudos sugerem o uso diário de abacate na dieta. […] De acordo com estudos experimentais relatados na literatura, observamos que o abacate tem maior efeito no perfil lipídico”, escreveram Jamshid Tabeshpour, Bibi Marjan Razavi e Hossein Hosseinzadeh no artigo “Effects of Avocado (Persea americana) on Metabolic Syndrome: A Comprehensive Systematic Review”, que agora se tornou uma nova referência sobre os benefícios da fruta rica em bons lipídios.

 

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9349&catId=1

 

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Written by David Arioch

April 20th, 2017 at 12:19 pm

O cardiologista de 102 anos que se tornou vegano há 52 anos

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“Quando eu estava praticando a medicina, eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais é o caminho mais saudável”

Aos 102 anos, o cardiologista ainda cuida do próprio jardim (Foto: Patrick Strattner)

Aos 102 anos, o cardiologista Ellsworth Wareham dorme de oito a nove horas por noite, acorda às cinco da manhã e inicia o dia comendo cereais integrais com leite de amêndoas. Mais tarde, faz exercícios, cuida do jardim e passa o resto do dia com a família.

Essa tem sido a rotina do médico que se aposentou aos 95 anos. E como ele ainda consegue ser tão ativo e saudável? “Não consumo nada de origem animal” – é a resposta de Ellsworth Wareham que mora em uma pequena cidade onde as pessoas vivem mais do que a maioria da população ocidental.

Em Loma Linda, na Califórnia, não é difícil encontrar vegetarianos, inclusive, o maior mercado da cidade não comercializa nenhum tipo de carne. Além disso, também baniram o fumo, e o índice de comercialização e consumo anual de álcool está entre os mais baixos dos Estados Unidos.

É nesse cenário com uma população predominantemente adventista que podemos encontrar o vegano centenário Wareham, que vive em uma casa de dois andares, onde não demonstra nenhuma dificuldade em subir a escada. Também é o médico aposentado que cuida do próprio jardim, um exercício que o permite se sentir mais próximo da natureza.

Com boa saúde e clareza mental exemplar, ele credita todos esses benefícios a uma decisão que tomou há quase 53 anos – banir todos os alimentos de origem animal da sua alimentação. À época, Ellsworth Wareham teve contato com uma pesquisa científica realizada pela Cleveland Clinic, revelando como o consumo de proteínas de origem animal elevam o colesterol e ajudam a aumentar o risco de se contrair doenças cardíacas. A solução segundo a pesquisa, seria a adoção de uma dieta vegetariana estrita e com baixo teor de gordura.

“Quando eu estava praticando a medicina, eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais é o caminho mais saudável. Sugeri manterem-se afastados de produtos de origem animal o tanto quanto possível. Você pode falar sobre exercícios de relaxamento, atitude mental positiva e as pessoas vão aceitar. Mas se você falar sobre o que estão comendo, elas se mostram muito sensíveis sobre isso. Se um indivíduo estiver disposto a ouvir, tentarei explicar com base científica o que acho melhor para ele”, declara.

Não me preocuparia nem em fazer um eletrocardiograma se eu tivesse uma dor no peito (Foto: Jarty)

O nível de colesterol de Wareham há muito tempo se estabilizou em 117, o que significa que ele está muito bem. “Não me preocuparia nem em fazer um eletrocardiograma se eu tivesse uma dor no peito. Se o seu colesterol for inferior a 150, sua chance de sofrer um ataque cardíaco é muito baixa”, afirma.

Por outro lado, a sua realidade não é tão comum quanto deveria. Segundo o médico, um terço da população dos Estados Unidos vai morrer em decorrência de doença coronariana, e tendo como agravante o consumo excessivo de alimentos de origem animal. “Se você puder evitar isso, vale a pena”, sugere com a experiência de quem trabalhou no Loma Linda University Medical Center, considerado um dos melhores hospitais de tratamento de doenças cardíacas dos EUA.

Saiba Mais

Nascido em 3 de outubro de 1914, o médico Ellsworth Wareham, que também é ex-veterano de guerra, realizou uma das primeiras cirurgias de coração aberto dos Estados Unidos.

Ele orientou residentes da Universidade Loma Linda até os 95 anos.

Referências

http://www.collective-evolution.com/2015/05/04/100-year-old-vegan-heart-surgeon-retired-at-95-heres-why-hes-been-a-vegan-for-50-years/

http://www.foxnews.com/health/2014/12/16/100-year-old-surgeon-wwii-vet-who-retired-at-age-5-shares-secrets-to-longevity.html

This 100-year-old Retired Surgeon Says ‘Vegan Diet’ is Key to Longevity

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Written by David Arioch

March 31st, 2017 at 12:43 pm

Drauzio Varella e a defesa dos transgênicos

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Ainda não é possível afirmar que os transgênicos são seguros (Arte: Redação Online)

Li um artigo do médico Drauzio Varella, escrito em 2011, mas atualizado este mês, em que ele diz que o benefício que os alimentos transgênicos podem trazer à humanidade não admite discussões apaixonadas. Por outro lado, ele mesmo faz um discurso apaixonado em algumas passagens do texto, e não apresenta referências, a não ser a sua própria opinião, que não é a de um especialista em organismos geneticamente modificados (OGMs), mas a de um entusiasta.

Levando em conta que o tema ainda é bastante controverso, uma citação em especial me chamou a atenção. “Os alimentos transgênicos poderão representar, para a saúde pública dos próximos cem anos, avanço semelhante ao do saneamento básico no século 20”, escreveu Varella.

Embora o médico oncologista tenha se posicionado dessa forma, se referindo aos transgênicos como se pudessem ser a salvação da humanidade, o que vai ao encontro do discurso dos fabricantes de transgênicos, é preciso ponderar sobre alguns pontos conflitantes apresentados por instituições e pesquisadores de prestígio na área:

De acordo com o projeto Genetically Modified Food, do Center for Health and the Global Environment, da Universidade Harvard, por trás do sucesso da modificação genética, ainda surgem efeitos inesperados e potenciais armadilhas.

A diminuição dos níveis de glutelina no arroz, por exemplo, foi associada a um aumento não intencional nos níveis de compostos chamados prolaminas, que podem afetar a qualidade nutricional do arroz e aumentar seu potencial para induzir a uma resposta alérgica. Organismos modificados podem, além disso, escapar de estufas, campos e gaiolas de aquicultura e invadir ecossistemas naturais ou quase naturais, e perturbar sua biodiversidade.

O programa da Universidade Harvard que realiza pesquisas na área desde 2012 também informa que os alimentos transgênicos podem danificar a biodiversidade, por exemplo, promovendo uma maior utilização de pesticidas associados com culturas geneticamente modificadas que são particularmente tóxicas para muitas espécies, e, por introduzir genes e organismos exóticos no meio ambiente, podem perturbar comunidades vegetais naturais e outros ecossistemas.

Além disso, desde o início dos anos 2000, pesquisadores brasileiros têm publicado artigos levantando questionamentos sobre a viabilidade e a obscuridade dos transgênicos. Um exemplo é o artigo “Transgênicos: avaliação da possível (in)segurança alimentar através da produção científica“, publicado na revista “História, Ciências, Saúde – Manguinhos”, da Fundação Oswaldo Cruz, em que os pesquisadores Maria Clara Coelho Camara, Carmem L.C. Marinho, Maria Cristina Rodrigues Guilam e Rubens Onofre Nodari revelaram que no Brasil os transgênicos começaram a ser aprovados e introduzidos não respeitando normas de biossegurança:

No Brasil, pelo menos 85% do milho é de origem transgênica, de acordo com a BBC (Foto: Reprodução)

“Contudo, o mais intrigante é a aprovação de três tipos de milho transgênico, o milho Liberty Link (evento LL25), o milho Guardian (evento MON810) e o milho Bt11 (evento Bt11), sem estudos sobre segurança alimentar e riscos ao meio ambiente nos ecossistemas brasileiros, contrariando as normas mais elementares de biossegurança, razão pela qual o IBMA e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recorreram contra a decisão da CTNBio, junto ao Conselho Nacional de Biossegurança.”

Em outro artigo sobre o assunto, intitulado “Avaliação de riscos dos organismos geneticamente modificados“, publicado na Ciência e Saúde Coletiva, os pesquisadores Thadeu Estevam Moreira Maramaldo CostaI, Aline Peçanha Muzy Dias, Érica Miranda Damasio Scheidegger e Victor Augustus Marin, escreveram que a Comissão nacional de Biotecnologia (CTN-Bio), deveria tomar medidas mais enérgicas e cobrar, de toda e qualquer empresa ou instituição que desejasse produzir e/ou reproduzir transgênicos, estudos de análise de risco tanto para a saúde humana quanto para o ambiente, fazendo valer também o Código de Defesa do Consumidor e o Decreto nº 4.680, de 24 de abril de 2003. Um fato preocupante, já que ainda hoje isso não é prática comum.

Considerado um dos maiores especialistas em transgênicos do brasil, o engenheiro agrônomo, cientista, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ex-membro da Comissão Nacional de Biotecnologia (CTN-Bio), Rubens Nodari disse em entrevista à jornalista Laís Araújo, do Brasil de Fato, em setembro de 2016, que entre os impactos dos transgênicos estão as toxinas produzidas, que podem causar danos a organismos benéficos como as abelhas, e a perda de variedade genética, decorrente do fluxo gênico. Segundo o pesquisador, o impacto, que já existe, é um aumento da contaminação das variedades não-transgênicas pelas transgênicas, causando a erosão genética. A constituição genética que estão nas variedades crioulas pode ser perdida.

Em 2016, outro trabalho sobre a produção de transgênicos foi realizado por Rinaldo Vieira da Silva Júnior, no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imeecc) da Unicamp, apontando que no caso da coexistência de dois tipos de lavouras, a produtividade das duas deve cair, mas o maior prejuízo recai sobre a planta natural.

Segundo a reportagem “Transgênicos podem oferecer riscos para a biodiversidade“, do Jornal da Unicamp, embora os defensores dos transgênicos considerem esses organismos como a solução para a ampliação da produção de alimentos, os ambientalistas afirmam que os OGMs têm promovido o aumento do uso de agrotóxicos e comprometido de forma significativa a biodiversidade e a saúde da população nos países onde são produzidos.

Minha intenção não é demonizar os transgênicos ou o Drauzio Varella, mas esses questionamentos e dúvidas deixam claro que ainda não há o que exaltar ou comemorar. Por enquanto, há muitos estudos conflitantes e discordantes sobre o tema, e a população precisa ficar atenta ao desenvolvimento, benefícios, malefícios e consequências dos transgênicos.

Além das controvérsias envolvendo produção, consumo e impacto ambiental, outro ponto a se considerar é o viés econômico da produção de organismos geneticamente modificados, já que, de acordo com a Fundação Heinrich Böll, o pagamento de royalties é uma das consequências do plantio de sementes transgênicas, mas não é a única. O agricultor que planta sementes transgênicas fica vinculado, através de um contrato, à empresa dona da patente da semente.

Embora os transgênicos sejam apresentados como uma das soluções para resolver o problema da fome em países em desenvolvimento, a engenheira agrônoma Flavia Londres diz, em seu artigo “Transgênicos no Brasil: as verdadeiras consequências“, publicado pela Unicamp, que não é bem assim: “Um outro fator que se soma a estes é o modelo de agricultura no qual os transgênicos se inserem [uma “evolução” do modelo da Revolução Verde]. Caracterizado por extensos monocultivos altamente tecnificados, ele tem levado, em todo o mundo, à concentração de terras e à expulsão dos pequenos agricultores do campo. A exclusão social que vem em sua consequência só faz aumentar a fome nos países pobres.”

Saiba Mais

Alimentos transgênicos ou geneticamente modificados são produzidos a partir de organismo que sofreram alterações no DNA através de técnicas de engenharia genética.

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Written by David Arioch

March 25th, 2017 at 2:41 am

Médico e pesquisador discorda da afirmação de que o ser humano não teria evoluído sem o consumo de carne

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“O problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo”

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Shivam Joshi afirma que há mitos sobre o ser humano da era paleolítica

Quando se fala em consumo de carne, os defensores sempre alegam que o ser humano jamais teria evoluído se não fosse pela ingestão de carne. Alguns dizem inclusive que nossas capacidades neurológicas não seriam as mesmas sem esse hábito de nossos antepassados. Porém, há quem discorde e se empenhe em provar como essa linha de raciocínio é equivocada.

Um exemplo é o médico estadunidense e pesquisador Shivam Joshi, doutor em nefrologia, que está escrevendo um livro sobre os efeitos do consumo de carne na saúde humana e sua associação com pressão alta, doenças cardíacas, câncer, diabetes e acidente vascular cerebral (AVC).

Na obra, ele aborda também importantes aspectos da evolução humana, entre os quais o possível equívoco de quem acredita que jamais teríamos evoluído sem o consumo de carne. “Durante a evolução, humanos e seus ancestrais comeram carne, e algumas pessoas têm usado esse precedente histórico como evidência para legitimar o consumo de carne. A ideia tem sido popularizada em muitas dietas baseadas em gorduras, incluindo a notável dieta paleo”, conta.

E defensores dessas dietas costumam alegar que como os nossos ancestrais paleolíticos tinham um estilo de vida natural, isso significa que deveríamos seguir seu exemplo, já que comer carne era uma prática usual no período paleolítico. “Desde que comemos carne, devemos comer carne, segundo eles”, declara Joshi.

Porém, há lacunas nesse tipo de teoria que tenta simplificar a realidade humana da época ao defender que estamos apenas fazendo algo lógico ao seguir os supostos passos de nossos ancestrais. Para o médico, o primeiro problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo.

“Como nossos predecessores deixaram a África, eles provavelmente encontraram diferentes climas e terrenos, cada um oferecendo recursos diferentes para os homininos [subtribo de primatas que teve os humanos como únicos sobreviventes] durante a evolução”, enfatiza o médico.

Joshi se baseia no fato de que antropólogos descobriram que havia os mais diferentes tipos de dietas no período paleolítico, e a carne foi introduzida em parte dessas dietas, sem que fosse encarada como essencial ou mesmo um modelo a ser seguido.

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“Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo” (Arte: Reprodução)

“Alguns podem ter consumido carne, enquanto outros consumiram frutas, tubérculos. Os homininos mais evoluídos comiam o que estivesse disponível. Comer para sobreviver é diferente de jantar pensando em saúde em longo prazo. A diferença pode ser percebida quando arriscamos a saúde em longo prazo em benefício da saúde em curto prazo”, analisa.

Para ilustrar a ideia de que o ser humano não consumia carne por opção ou prazer, Joshi conta uma história hipotética em que alguém é mantido preso dentro de uma loja de doces, sem possibilidade de fuga. Nesse caso, a pessoa seria obrigada a aceitar suas reduzidas opções para sobreviver.

“Se a sua sobrevivência dependesse disso, e assumindo que não havia mais nada para comer, você comeria doces, apesar de todo o açúcar que pode aumentar o risco de diabetes. Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo”, pondera.

O ser humano foi obrigado a se adaptar à sua realidade, levando em conta mudanças nos padrões climáticos e biomas, especialmente quando deixou a África, observa Shivam Joshi. “Fontes de alimentos teriam mudado e forçado os homininos a comer o que encontravam pela frente. Em algumas situações, teria sido carne. Em outras, grãos ou tubérculos. Claro, nossos ancestrais não tinham ideia de quais efeitos essa alimentação teria em longo prazo”, frisa.

A única necessidade humana da época era a sobrevivência; fazer o que está ao seu alcance para evitar a fome – o que poderia se tornar um grande problema dependendo do surgimento de doenças, exploração indiscriminada de uma área e até mesmo mudança de clima.

“Encontrar alimentos não era fácil como agora. Se eles tivessem encontrado doces na savana, teriam consumido também. A falta de dependência de qualquer comida específica é provavelmente a razão pela qual não há adaptações específicas a nenhum desses alimentos, incluindo a carne”, pontua o pesquisador, lembrando que os seres humanos vêm de uma linhagem de 40 milhões de anos.

De acordo com Joshi, quando comparamos o nosso trato digestivo com o dos chimpanzés, encontramos similaridades que jamais teremos com animais naturalmente carnívoros, como tigres. A morfologia dental e intestinal dos seres humanos assemelha-se mais a dos primatas do que dos grandes felinos, o que é uma razão pela qual o médico crê que o consumo de carne pode não fazer bem aos seres humanos.

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“Os seres humanos têm herbívoros como ancestrais” (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma questão preocupante hoje em dia, de acordo com Shivam Joshi, é que muitas dietas que preconizam o consumo de carne o colocam como uma tábua de salvação para pessoas que já sofrem de problemas de saúde ou buscam resultados estéticos. “Se um organismo faz algo fora do comum, podemos encontrar consequências perigosas desse comportamento”, comenta.

Referências

http://www.huffingtonpost.com/entry/evolved-to-eat-meat-maybe-not_us_58bc7e4be4b02eac8876d020





Written by David Arioch

March 15th, 2017 at 3:47 pm