Archive for the ‘Direitos Animais/Animal Rights’ Category
Como os humanos, a vaca e o bezerro compartilham um vínculo especial

As vacas são profundamente afetadas pela dor emocional de serem separadas dos bezerros (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Como os seres humanos, uma vaca e seu bezerro compartilham um vínculo forte e especial – um que se forma poucos minutos após o nascimento. Quando as vacas e seus bezerros podem levar uma vida natural, o bezerro chega a mamar por até um ano. Porém, isso é o que menos acontece. Uma pesquisa da Animal Australia mostrou que as vacas são profundamente afetadas pela dor emocional de serem separadas dos bezerros, uma prática padrão da indústria de laticínios. Será que vale a pena consumir leite e derivados?
Vaquejada não é esporte, é violência
Um animal sem nome sem espécie
Único em seu gênero, repousa ao lado de uma macieira
Há um animal, sem nome sem espécie. Único em seu gênero, repousa ao lado de uma macieira. Um homem assiste. Parece boi? Porco também não. Frango, galinha? Menos ainda. É bonito, espadaúdo. Mais do que isso aos olhos do homem – carnoso, delicioso. A fome emana o que a gana encana.
Lindas e robustas maçãs caem entre as pernas do sujeito. Ele? As ignora. Não! “Quero ele”, balbucia roçando a ponta da língua no lábio superior. Desembainha a faca espigada e caminha até o animal que não corre – nem se move na inocência vituperada pela inexperiência.
O homem o abraça. Vra! Vra! Vra! Maçãs rolam ao seu encontro. Maçãs do amor, “caramelizadas” pelo sangue morno, basto. Brilham. O homem comemora diante do moribundo que não chora.
Somos estranhos na nossa relação com outras espécies
Encarceramos espécies que jamais nos causaram qualquer mal

A ideia da inferiorização do que é diferente há muito embruteceu o ser humano (Arte: Hartmut Kiewert)
Como seres humanos somos estranhos na nossa relação com outras espécies. Confinamos os nossos quando esses são condenados por crimes. Porém, encarceramos outras espécies, que jamais nos causaram qualquer mal, simplesmente porque, ao nos considerarmos superiores, nos colocamos em posição de subjugar aqueles que não partilham das nossas habilidades e do mesmo código comunicativo que nós. Porque a esses relegamos o destino da servidão que finda com a morte.
A ideia da inferiorização do que é diferente há muito embruteceu o ser humano. E mesmo hoje, quando o pretexto de suplantar o outro é mais desnecessário do que nunca, até mesmo aqueles que gozam de certas habilidades intelectuais defendem essa prática. Mas por que as coisas são assim?
Simplesmente porque muitos não reconhecem ou preferem não reconhecer que o que fazem nada mais é do que perpetuar hábitos facilmente substituíveis e vícios do paladar que se arrastam por gerações, ou que se desenvolvem a partir dos nossos pontos de vulnerabilidade. Sim, porque se digo que sou incapaz de me abster do consumo de animais, por exemplo, sou, sem dúvida, inábil em controlar as minhas próprias vontades – o que é uma axiomática fraqueza.
O ser humano, independente de inteligência ou níveis de empatia, quando é dominado por algo, não raramente sofre de um tipo criterioso de cegueira, mas é uma cegueira viciosa e deleitável que suprime as possibilidades de ser vista como algo problemático – o que exigiria reflexão e reavaliação sobre quem somos, quem são os outros e o que fazemos. O prazer que determinados humanos têm com a reafirmação da ideia da superioridade e seus desejos a partir da morte de outras criaturas também são um endosso comum desse hábito.
Há algo de altaneiro, e não no bom sentido, no ser humano que, desconsiderando as implicações de suas escolhas para as vítimas, busca pretextos para justificar o consumo de animais. A verdade é muito simples – se há vida saudável sem morte, a matança é sempre injustificada. Afinal, todo alimento proveniente de privação, sofrimento e morte é resultado de nossas escolhas ou do condicionamento dessas escolhas; sejam culturais ou não, conscienciosas ou não.
Uma reflexão sobre o consumo de embutidos
Será que as pessoas costumam considerar a quantidade de animais que deu origem a um pequeno embutido?
Todo mundo já viu embutidos na seção de frios dos mercados, ou aqueles nuggets em caixinhas. Mas será que as pessoas costumam considerar a quantidade de animais que deu origem a um pequeno embutido? Você está diante de uma seção, e a poucos centímetros dos seus olhos há meio quilo de alguma coisa; e aquela alguma coisa muitas vezes reúne partes de diversos animais, não apenas de um.
Na realidade, creio que poucos ponderam que aquilo pertenceu a um animal, já que o costume faz com que a associação mais frequente seja com os pedaços comprados à mão do açougueiro. Isso não te parece surpreendente? Pedaços de diversos animais embalados e compactados em algo tão pequeno. Fragmentos que antes permitiram que tais seres sencientes existissem, mesmo que marcados pela mortandade precoce.
De repente, temos meio quilo de algo que um dia fez parte de um número indefinido de criaturas. Muitos animais, no caso dos nuggets – que basicamente são partes de frangos, seres sociais com personalidades distintas. E a mortadela e a salsicha? Sim, pedaços de muitos animais selecionados mecanicamente.
Isso significa que quando alguém come, por exemplo, uma salsicha, esse alguém pode estar consumindo não apenas a parte de um animal que um dia enxergou o mundo, caminhou sobre a terra, sobre um pedaço de concreto, e, a partir de suas características, manifestou seus próprios anseios e potencialidades de socialização.
Realmente, não. São vários animais que dão origem a um mesmo embutido – significando assim uma diversidade de identidades suprimidas por um desejo, na maioria dos casos, inconsciente pela morte de vulneráveis. Afinal, quando nos alimentarmos de animais, naturalmente não apenas damos o aval, mas ordenamos, mesmo que irrefletidamente, que suas vidas sejam diluídas às nossas vontades.
Práticas violentas contra os animais só existem porque sempre há plateia e consumidores
Por que só reconhecemos a exploração animal quando envolve violência explícita?
Sobre zombar de animais e matá-los baseando-se na crença do querer e poder
Deveria a morte violenta, coercitiva e indesejada ser associada às coisas boas da vida?
O que leva uma pessoa a tirar foto sorrindo com um animal morto? Você já pensou sobre isso? Considera normal? Aceitável? Por que deveríamos celebrar a morte de criaturas que não nos causam qualquer mal? E mesmo que causassem, consideradas as proporções, isso seria justo? Moral? Ético? Que tipo de mensagem realmente passamos quando jocosamente erguemos um animal morto pelas orelhas, pelas patas, pelo couro ou pelo dorso enquanto seus olhos já não mostram nada a não ser uma ideia concreta de finitude, de um vácuo que parece sempiterno? Como sorrir segurando um corpo desfalecido, um cadáver?
Os animais que matamos, seja para consumo, ou outro tipo de uso ou até mesmo nenhum, não existem ou existiram sozinhos – eles vieram de algum lugar, de alguém. Têm ou tiveram mães, pais, irmãos, irmãs – todo um contexto social, já que não apenas nós humanos somos seres sociais, mas animais de muitas outras espécies também. E mesmo que não tivessem ninguém, e vivessem no mais pleno ostracismo, ainda assim não teríamos tal direito de privar-lhes da vida.
Não tão raramente quanto eu gostaria, um sujeito está junto a um animal morto, o sangue daquela criatura desfalecida ainda quente em contato com a sua mão, mas ele está em frenesi; tão imerso no desconhecimento, no obscurantismo e na ignorância que nem se dá conta de que a sua satisfação e o seu prazer estão associados à morte. E deveria a morte violenta, coercitiva e indesejada ser associada às coisas boas da vida? Como podemos vincular violência e tortura de vulneráveis ao prazer? Deleite? Contentamento?
Deveríamos sorrir quando matamos animais simplesmente porque queremos e podemos? Talvez seja a valiosa lição de que há vidas que podemos suprimir, destruir, exterminar sem qualquer prejuízo consciencioso ou moral? Deveríamos comemorar? Vibrar? Mesmo nos casos em que um animal é apontado como um problema, o ser humano opta sempre pela solução mais fácil – que é exterminá-lo o mais rápido possível. “Matemos e está resolvido!” Não se fala em alternativas, porque alternativas “custam caro”, e vidas não humanas valem pouco.
Nesse aniquilamento ignora-se o fato de que quem morreu não queria morrer – mas apenas viver à sua maneira, não importando conceitos confusamente abstratos ou a racionalização humana da felicidade ou da tristeza. Há quem diga que matamos determinadas espécies porque esse é o papel delas, assim como outros alegam que matamos específicas criaturas porque essas tornaram-se “pragas”.
Se o papel delas é esse por que nasceram sencientes, e até mesmo com níveis distintos e equiparáveis de consciência e inteligência? Com habilidades sociais. Não seriam características a serem consideradas moralmente? Que indicam que assim como nós não partilham do desejo pela morte precoce? Além disso, diante de tanto impacto que causamos ao mundo em proporções desmedidas e pouco refletidas há milhares de anos, e mais visceralmente há centenas de anos, será que temos o direito de chamar qualquer espécie de pinima, de praga?
Moby está vendendo seus equipamentos musicais para arrecadar dinheiro para um comitê de médicos veganos
O renomado músico e ativista vegano Richad Melville Hall, mais conhecido como Moby, abriu hoje uma loja online depois de firmar uma parceria com o mercado online reverb.com para vender mais de 100 peças de seus instrumentos e equipamentos musicais pessoais. Os recursos serão doados ao Comitê de Médicos Pela Medicina Responsável dos Estados Unidos, formado por médicos veganos. “Estou vendendo o equipamento que usei para fazer todos os meus discos. Tenho muitos equipamentos e quase todos têm profundo valor sentimental para mim, incluindo sintetizadores que comecei a usar nos anos 1980. Mas, em vez de guardar tudo, quero vendê-los por uma boa causa”, disse Moby ao reverb.com.
O Comitê beneficiado pela boa ação de Moby defende o consumo de alimentos de origem vegetal em substituição aos alimentos de origem animal como uma medida preventiva contra doenças. O grupo também vai além da dieta, voltando-se para os direitos animais. Nos últimos anos, o Comitê de Médicos pela Medicina Responsável dos Estados Unidos tem lutado por medidas legislativas contra a realização de testes em animais nas escolas de medicina. O grupo também é conhecido por incentivar a reformulação das refeições escolares nos Estados Unidos – oferecendo opções veganas e também excluindo alimentos de origem animal como carnes processadas.
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