David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Contato com Ivan Pavlov fez Sergei Esenin abandonar o consumo de carne

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Sergei Esenin foi um dos poetas russos mais influenciados por Tolstói. Mas foi o seu contato com o fisiologista Ivan Pavlov que fez com que ele abdicasse do consumo de todos os tipos de carne, além do tabaco. Em carta ao amigo Grigory Panfilov, ele informou também que deixou de consumir açúcar. Em diversos poemas, Esenin revela o seu amor e compaixão por cães velhos, vacas e cavalos.

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November 8th, 2017 at 2:26 pm

Vegetariano, Gorky se alimentava como um camponês

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Foto: Sophia Andreyevna Tolstaya

Maxim Gorky ao lado de Tolstói em Yasnaya Polyana em 1900. Vegetariano, Gorky se alimentou como um camponês a maior parte de sua vida. Gostava de vegetais em salmoura ou vinagre, além de sopas e aveia com frutas.

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November 8th, 2017 at 2:24 pm

Nikolai Leskov e o vegetarianismo

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Nikolai Leskov se tornou vegetariano sob influência de Tolstói. Mais tarde, publicou duas histórias com personagens vegetarianos – “Фигура (персонаж)” ou “A Figura” e “Polunoshchniki” ou “As Parteiras”.
“A Figura”, publicada pela primeira vez na revista Труд (Trud) em 1889, se tornou a primeira história da literatura russa protagonizada por um vegetariano.

O personagem principal é um homem que vive em Kurenyovka, no subúrbio de Kiev, e leva uma vida simples, cultivando o seu jardim e os seus vegetais comercializados em Podol, no Bazar de Zhitnem.Ele vive com a jovem Nastya Khoshlushka e sua filha de três anos. Nenhum deles se alimenta de nada que “tenha uma consciência de vida”. Em carta a Tolstói, Leskov relevou que a história do personagem vegetariano foi inspirada em uma figura histórica ucraniana.





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November 8th, 2017 at 2:21 pm

Vegetariano, Tolstói não fazia concessões

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Vegetariano, o escritor russo Liev Tolstói não fazia concessões, independente dos hábitos alimentares de seus visitantes. Normalmente às 18h era oferecido um jantar:

Serviam uma sopa com bolinhos de massa e raízes, suflê de cenoura, arroz com ervilhas, sopa de couve-flor e salada de batata com beterraba, além de um purê de maçã com ameixas secas.

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November 8th, 2017 at 2:17 pm

Dick Gregory: “Galinhas, peixes, porcos e vacas sentem dor, assim como eu e você. Por favor, ajude a acabar com essa injustiça”

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Gregory: “Animais e seres humanos sofrem igualmente. A violência causa a mesma dor, o mesmo derramamento de sangue, o mesmo fedor de morte, a mesma arrogante, cruel e brutal usurpação da vida”

Comediante e ativista pelos direitos civis e pelos direitos animais, Dick Gregory começou a ganhar fama nos Estados Unidos no início dos anos 1960 com o seu stand-up livre de tabus. Protestou contra a Guerra do Vietnã e participou de todas as manifestações lideradas pelo reverendo Martin Luther King Jr, incluindo a Marcha Sobre Washington e as Marchas de Selma a Montgomery. Sempre que considerava necessário, Gregory fazia greve de fome para chamar a atenção para alguma causa. Também foi preso inúmeras vezes em protestos.

No artigo “The Circus: “Its Modern Slavery”, de 1998, que faz críticas contundentes à exploração animal, Gregory conta que quando trabalhou com Luther King Jr., ele percebeu que o melhor caminho para se alcançar a justiça é por meios pacíficos: “Sob liderança do Dr. King, me tornei totalmente comprometido com a não violência, e fui convencido que a não violência vai na contramão de qualquer tipo de morte. Acredito que o mandamento ‘Não Matarás’, não diz respeito apenas aos seres humanos em relação à guerra, linchamento, assassinato, mas também aos animais que matamos por comida e esporte. Há passos simples que cada um de nós pode seguir para ajudar a acabar com a exploração de outros seres.”

Nascido em St. Louis, no Missouri, em 12 de outubro de 1932, e falecido em 19 de agosto de 2017 em Washington D.C., Gregory foi um artista muito respeitado no cenário da comédia dos Estados Unidos, chegando a influenciar comediantes como Richard Pryor e Eddie Murphy. Nos anos 1950, quando se apresentava em clubes de comédia de Chicago, ele já se esforçava para tentar diminuir o preconceito e a segregação racial por meio de seus shows.

Em 20 de agosto de 2017, um dia após a sua morte, a Peta publicou um artigo intitulado “Dick Gregory: Animals and humans suffer and die alike”, que fala sobre o empenho do comediante em conscientizar as pessoas sobre a realidade da exploração animal. “Galinhas, peixes, porcos e vacas sentem dor, assim como eu e você. Por favor, ajude a acabar com essa injustiça”, declarou Gregory em uma das citações.

Em uma das campanhas da Peta criticando a KFC, o comediante fala sobre o sofrimento dos animais mortos para rechearem os baldes de frango da rede de fast food. Suas críticas envolvendo exploração animal incluíam desde a debicagem de aves até o desmame forçado estimulado pela indústria de laticínios. “Animais e seres humanos sofrem igualmente. A violência causa a mesma dor, o mesmo derramamento de sangue, o mesmo fedor de morte, a mesma arrogante, cruel e brutal usurpação da vida. Não precisamos fazer parte disso”, defendeu no artigo “The Circus: It’s Modern slavery”, publicado no Marin Independent Journal em 28 de abril de 1998.

No artigo, Dick Gregory também declarou que quando via os animais cativos em circos, logo pensava na escravidão, levando em conta que são enjaulados, presos a grilhões e forçados a trabalharem sob a ordem de um chefe. “Eles nunca têm o gosto da liberdade. Vão da jaula ao picadeiro, e do picadeiro à jaula. Viajam milhares de milhas a cada temporada, o que significa longas horas em vagões ou trailers, sem espaço para se esticar e menos ainda para correr. Não importa o que digam, não há como persuadir um elefante a dançar e um tigre a saltar através de aros sem qualquer tipo de punição ou violência: “Instrutores carregam chicotes, ferramentas afiadas usadas para atingir pontos sensíveis.”

O comediante se recordou da morte de dois animais que excursionavam com o Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus nos Estados Unidos. Um bebê elefante de três anos chamado Kenny, mesmo doente, foi forçado a fazer três shows em um dia. Ao final da terceira apresentação, ele deitou e morreu: “Ele viveria com sua mãe na natureza selvagem por pelo menos 15 anos. Em outra situação, usaram um tigre em uma foto publicitária do Ringling Brothers. Quando o animal atacou um dos treinadores, o outro treinador entrou em cena, o devolveu à jaula, pegou uma arma de fogo e o matou a tiros”, relatou Gregory chocado com a crueldade do homem. Os dois episódios seriam facilmente evitados se os animais não tivessem sido privados de seu habitat.

No artigo “Dick Gregory, 50 years a vegan activist dies at 84”, publicado no Animals 24-7 em 25 de agosto de 2017, Merritt Clifton conta que Dick Gregory abandonou o consumo de carne em 1965 e se tornou um frutariano em 1967. “A sua participação no movimento dos direitos civis extinguiu o apetite de Gregory por carne. Ele começou a reconhecer a relação entre a violência contra seres humanos e a violência contra animais não humanos”, escreveu. Mais tarde, o comediante acabou influenciando Dexter Scott King, o segundo filho de Martin Luther King, a tornar-se vegano, e consequentemente Dexter teve influência sobre a mãe Coretta Scott King que viveu os seus últimos 12 anos de vida como vegana.

Em 1973, Gregory publicou o livro “Natural Diets for Folks Who Like to Eat: Cookin’ With Mother Nature”, que de forma bem-humorada apresenta os benefícios da alimentação vegetariana. A obra foi relançada várias vezes e se tornou um best-seller em sua categoria. Outra curiosidade é que em 1975 o comediante participou do 23º Congresso Vegetariano Mundial, realizado pela Organização Vegetariana Internacional (IVU).

“Comediante, ativista dos direitos animais, pacifista, vegetariano e defensor da alimentação natural, Dick Gregory deu aos participantes um testemunho de seu ponto de vista em todos esses campos de atividades”, segundo informações da IVU. Naquele ano, Dick Gregory ajudou a angariar recursos para combater a fome nas Ilhas Britânicas com comida vegetariana.

 

Referências

https://www.peta.org/living/entertainment/dick-gregory-circuses/

 

 

https://www.peta.org/blog/dick-gregory-animals-humans-suffer-die-alike/

 

https://ivu.org/congress/wvc75/gregory.html

http://www.newsweek.com/dick-gregory-heres-what-you-need-know-about-pioneering-comedian-and-civil-652431





Ellen G. White: “Essas criaturas são guiadas para a morte, para que os seres humanos se banqueteiem com as suas carcaças”

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Ellen G. White: ““Animais são frequentemente transportados por longas distâncias e sujeitos a grande sofrimento até chegarem ao mercado” (Acervo: Ellen G. White State)

Escritora e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen Gould White se tornou uma das personalidades mais controversas de seu tempo pela sua obstinada defesa do vegetarianismo, o promovendo inclusive em escolas, hospitais e centros médicos. Entre as suas obras mais famosas que também versam contra o consumo de animais está o livro “The Ministry of Healing”, publicado em 1905.

No entanto, “Healthful Living”, de 1896, foi uma das primeiras obras em que Ellen G. White abordou o vegetarianismo. Na página 97, ela declara que a dieta de muitos animais é baseada simplesmente em vegetais e grãos, e que o ser humano deveria seguir esse exemplo, já que não temos o direito de nos alimentarmos de criaturas mortas. Segundo Ellen, um animal que não seja essencialmente carnívoro não tem necessidade de destruir outro animal para se alimentar. No livro “Counsels on Diet and Foods”, de 1903, a autora diz que vegetais, frutas e grãos são o suficiente para uma alimentação saudável e bem completa. “Nem uma onça [28 gramas] de carne deve ser enfiada em nossos estômagos. Devemos voltar ao propósito original de Deus na criação do homem”, defende na página 380.
Com livros publicados em mais de 140 línguas, Ellen Gould White se tornou bastante influente à sua época, tanto que há quem diga que ela inspirou o famoso médico John Harvey Kellogg, também adventista, a criar um dos mais famosos cereais matinais de todos os tempos – Corn Flakes. Sua influência também se deve ao fato dela ter sido uma escritora e oradora incansável, chegando a escrever mais de cinco mil artigos e a publicar 40 livros. Suas obras somam mais de 50 mil páginas manuscritas, segundo o artigo “Ellen G. White: A Brief Biography, de Arthur L. White, publicado no The Official Ellen G. White Website em agosto de 2000.

Em “The Ministry of Healing”, lançado em 1905, a escritora afirma que a dieta indicada ao ser humano no princípio não incluía alimento de origem animal. “Não foi senão depois do dilúvio, quando tudo quanto era verde na Terra havia sido destruído, que o homem recebeu permissão para comer carne”, escreveu. Porém, segundo a escritora, foi uma permissão temporária. Ellen faz a ressalva de que Deus escolheu a comida dos seres humanos quando os levou para viverem no Éden, o que não compreendia nada de origem animal.

Porém, na perspectiva de Ellen, o ser humano insistiu no consumo de carne, e em decorrência disso, teve de amargar inúmeras doenças e muitas mortes relacionadas a esse hábito: “Os que se alimentam de carne, não estão senão comendo cereais e verduras, pois o animal recebe a partir desses alimentos a nutrição que garante o seu crescimento. A vida que havia no cereal e na verdura passa aos que os ingerem. Nós a recebemos comendo a carne do animal. Melhor é obtê-la diretamente, comendo aquilo que Deus proveu para o nosso uso.”

Ellen defende que a inteligência de muitos animais é tão semelhante à inteligência humana que chega a ser um mistério (Acervo: Ellen G. White State)

Outro ponto que, segundo a escritora deveria ser o suficiente para desconsiderar a carne como alimento, é o surgimento de doenças que só existem em decorrência da criação de animais para consumo. “A população come ininterruptamente carne cheia de germes de tuberculose e câncer. Assim são transmitidas essas e outras doenças. Muitas vezes são vendidas a carne de animais que estavam tão doentes que os donos receavam mantê-los vivos por mais tempo. E o processo de engorda para a venda produz enfermidades”, critica.

No final do século 19, Ellen G. White percebeu que já era comum os animais serem privados da luz do dia e do ar puro, respirando somente a atmosfera de estábulos imundos, e talvez sendo alimentados com comida deteriorada, o que facilitava a contaminação e proliferação de doenças:

“Animais são frequentemente transportados por longas distâncias e sujeitos a grande sofrimento até chegarem ao mercado. Privados dos campos verdes para viajarem por longas milhas em estradas quentes e empoeiradas, dentro de veículos imundos e lotados, eles ficam febris e exaustos, e passam muitas horas em privação de água e comida. Essas criaturas são guiadas para a morte, para que os seres humanos se banqueteiem com as suas carcaças.”

Para Ellen G. White, a situação dos peixes não é diferente, levando em conta a contaminação das águas e a ausência de boa matéria orgânica como fonte de alimento. Além de sofrerem pela má intervenção humana, quando morrem tornam-se alimentos; um alimento que também ocasiona enfermidades. “Muitos [seres humanos] morrem de doenças devido ao uso da carne, e essa causa não é suspeitada por eles nem pelos outros”, enfatiza.

Além das questões envolvendo saúde e religião, a escritora também apontava como igualmente importante as implicações morais do consumo de carne. Quando discursava sobre o tema, ela pedia que os espectadores pensassem na crueldade por trás do consumo de carne, e os efeitos que isso desencadeia na vida em sociedade, onde a ternura para com as outras criaturas é majoritariamente desconsiderada.

No livro “The Ministry of Healing”, Ellen defende que a inteligência de muitos animais é tão semelhante à inteligência humana que chega a ser um mistério. Observa que os animais veem, ouvem, amam, temem e sofrem. Se servem de suas capacidades melhor do que os seres humanos. Manifestam simpatia e ternura em relação aos seus companheiros de sofrimento:

“Educai a consciência, aliciai a vontade, mostre o caminho do bom e saudável alimento e a mudança acontecerá rapidamente, fazendo desaparecer a necessidade de carne” (Acervo: Ellen G. White State)

“Muitos animais demonstram aos seus uma afeição muito superior àquela manifestada por alguns seres humanos. Que homem, dotado de um coração humano, havendo já cuidado de animais domesticados, poderia fitá-los nos olhos tão cheios de confiança e afeição, e entregá-los voluntariamente à faca do açougueiro? Como lhes poderia devorar a carne como algo delicioso?”

No início do século 20, a autora já considerava um equívoco crer que a força muscular depende do uso de alimento de origem animal, já que podemos recorrer a cereais, frutas e oleaginosas, alimentos que contêm tudo que é necessário à nossa nutrição. “Quando se deixa o uso de carne, há muitas vezes uma sensação de fraqueza ou falta de vigor. Muitos alegam isso como prova de que a carne é essencial. Mas é devido a este alimento ser estimulante, deixar o sangue febril e os nervos estimulados, que assim lhes parece ser algo que faz falta. Alguns acham tão difícil deixar de comer carne o quanto é para um bêbado deixar o álcool. Mas logo se sentirão muito melhor com a mudança”, garante.

Na defesa da abstenção de alimentos de origem animal, Ellen Gould White jamais viu o vegetarianismo como uma impossibilidade. Ela acreditava que mesmo em países com maiores índices de pobreza é possível implementar hábitos vegetarianos na população mais carente. Ela sugeria a realização de pesquisas e a discussão sobre meios de incentivar a produção de alimentos de origem vegetal mais baratos. “Com cuidado e habilidade, é possível preparar pratos nutritivos e saborosos, substituindo a carne. Em todos os casos, educai a consciência, aliciai a vontade, mostre o caminho do bom e saudável alimento e a mudança acontecerá rapidamente, fazendo desaparecer a necessidade de carne. Já não é tempo de todos dispensarem a carne da alimentação?”, questionou no capítulo “A Carne Como Alimento”, do livro “The Ministry of Healing”, publicado em 1905.

Saiba Mais

Ellen Gould White nasceu em Gorham, no Maine, em 26 de novembro de 1827 e faleceu em Elmshaven (Santa Helena), na Califórnia, em 16 de julho de 1915.

Referências

White, Ellen G. The Ministry of Healing (1905). Ellen G. White State (2013). (Disponível em https://egwwritings.org)

White, Ellen G. Healthful Living (1896). Ellen G. White State (2013). (Disponível em https://egwwritings.org)

White, Ellen G. Counsels on Diet and Foods (1903). (Disponível em https://egwwritings.org)

White, Arthur L. Ellen G. White: A Brief Biography. (Disponível em http://www.whiteestate.org/about/egwbio.asp)

 





Ian McKellen: “Carne morta só parecia realmente apetitosa quando disfarçada ou escondida por uma massa ou batatas”

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Acervo: Ian McKellen Site

Em 1980, o ator britânico Ian McKellen, bastante conhecido pelos seus trabalhos como Magneto na franquia “X-Men” e Gandalf na franquia “O Senhor dos Anéis”, passou por uma experiência que o fez refletir sobre o consumo de produtos de origem animal, o levando a abdicar do consumo de carne.

“Olhei para baixo e vi algo se movendo sobre o Tamisa em uma manhã. A maré estava baixa, e vi um cadáver de quatro patas preso entre as pedras. Sem pelos, branco e inchado. Era um bezerro, uma ovelha, uma cabra ou um cachorro? Olhei para ele até a maré subir e lavá-lo. Por 24 horas, não senti fome. Quando comecei a comer novamente, eu não poderia mais encarar a carne, fresca ou enlatada”, escreveu na carta “Que diferença um dia pode fazer – Por que eu sou vegetariano”, escrita no outono de 1997.

McKellen afirmou que na mesma noite decidiu tornar-se vegetariano. O que endossou sua posição foram as fotos da realidade da exploração animal nas fazendas e na indústria. Ainda assim, o motivo mais forte continuou sendo o testemunho do animal morto: “Não é razão ou consciência que me mantém distante da carne, mas apenas uma lembrança desse corpo não identificável e decomposto na praia”, argumentou.

Ian McKellen, nascido no condado inglês de Lancashire em 25 de maio de 1939, ano em que foi iniciada a Segunda Guerra Mundial, declarou que nunca desenvolveu um verdadeiro gosto por carnes. Na realidade, implicitamente já sentia um desgosto pelo abate de cordeiros, vacas, coelhos, patos, galinhas. “Carne morta só parecia realmente apetitosa quando disfarçada ou escondida por uma massa ou batatas. Eu preferia carne enlatada, como sardinha e salmão, que poderia ser amassada e colocada no sanduíche sem qualquer sinal de que aquilo um dia foi uma vida”, revelou.

O ator percebeu que a não associação entre a morte e o animal enquanto alimento é o que facilita o seu consumo e evita que as pessoas pensem a respeito, já que nisso subsiste uma dissimulação estética.

Referência

http://www.mckellen.com/writings/veggie.htm

 

 





Written by David Arioch

November 7th, 2017 at 11:12 am

Ellen G. White: “Essas criaturas são guiadas para a morte, para que os seres humanos se banqueteiem com suas carcaças”

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“Animais são frequentemente transportados por longas distâncias e sujeitos a grande sofrimento até chegarem ao mercado. Privados dos campos verdes para viajarem por longas milhas em estradas quentes e empoeiradas, dentro de veículos imundos e lotados, eles ficam febris e exaustos, e passam muitas horas em privação de água e comida. Essas criaturas são guiadas para a morte, para que os seres humanos se banqueteiem com suas carcaças.”

Ellen Gould White, escritora e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia no capítulo 24 de “The Ministry of Healing”, publicado em 1905.





Complexo habitacional russo aceita somente moradores vegetarianos e veganos

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Complexo vai ser concluído até o final de 2018

Está em andamento em São Petersburgo, na Rússia, a construção do Veda Village, um complexo habitacional para vegetarianos estritos e veganos. A grande vantagem apresentada pela gerente do Veda Village, Maya Podlipskaya, à agência de notícias TASS, é que a comunidade será autossuficiente tratando-se de energia elétrica, água, rede de esgoto e produção de alimentos.

No local, serão construídos centro de educação, de yoga, lojas, restaurantes e academia, além de hortas e pomares. Segundo Maya, é um empreendimento destinado a quem quer levar uma vida mais ética na relação com outros seres vivos, além de preconizar também um estilo de vida mais saudável.

“Uma coisa importante sobre o Veda Village é que aqui as pessoas terão a oportunidade de viver e se envolver com pessoas que tenham esse mesmo ideal de vida”, enfatiza a gerente. Por enquanto, dois dos sete prédios a serem construídos já foram concluídos. A previsão é de que até o final de 2018 o Veda Village esteja pronto para receber até 210 famílias.

Para mais informações, acesse o site do Veda Village.





Written by David Arioch

November 6th, 2017 at 2:11 pm

O que aconteceria com os animais se o mundo se tornasse vegano

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Arte: Irmãos de Mães Diferentes, da série Utopia, do artista alemão Hartmut Kiewert

Não é incomum as pessoas perguntarem o que aconteceria com os animais se o mundo se tornasse vegano. Quando alguém faz tal questionamento, é importante que essa pessoa pondere sobre uma realidade alcançável, não utópica, digressiva. Essa pergunta é feita de duas formas – buscando uma resposta realmente válida ou simplesmente como uma forma de tentar minar qualquer argumento vegano.

Essa pergunta, se feita de forma capciosa, é tola. O mundo não vai se tornar vegano hoje ou amanhã. Esse trabalho em prol do abolicionismo animal é feito como qualquer projeto de longo prazo colocado em prática pela humanidade. Analise com brevidade o nosso passado e reflita sobre a abolição da escravidão, grandes conquistas sociais, entre outras coisas. Algumas delas vieram à tona subitamente? Foram alcançadas rapidamente? Não. São sempre trabalhos iniciados há muito, muito tempo, e que exigem maturação. Toda luta que coloque em xeque o status quo jamais teve visibilidade até o momento em que passou a ser vista como realmente é, ou seja, algo credível e justo.

O vegetarianismo e o veganismo, embora não nos moldes atuais, existem desde o princípio da humanidade. Mas só a partir dos séculos 19 e 20 que passou a haver maior articulação em torno desses ideais. Tivemos um amadurecimento estrutural e nos aproximamos do que entendemos hoje como direitos animais e abolicionismo animal. A literatura da libertação animal, criada formalmente na década de 1970, por exemplo, foi inspirada nas ideias do escritor inglês Henry Salt, que já versava sobre o assunto em 1885.

Vivemos um período de aperfeiçoamento das ideias do abolicionismo animal, de luta pela implementação de políticas públicas. Há mais produção, mais acesso à informação, e isso é muito bom para a mentalização, porque impacta nas nossas relações de consumo, no fortalecimento da ideia de que animais não são objetos, mas sim seres sencientes que merecem viver à sua maneira. Claro, o abolicionismo animal não vai acontecer facilmente ou tão logo. Ninguém vai pegar um megafone e anunciar em um canal no YouTube ou na TV que repentinamente todos os animais foram libertados dos matadouros, das áreas de confinamento.

Não creio que veremos bilhões de animais atravessando ruas e pastos. Nem mesmo sendo remanejados para outras áreas. Sabe por que? Porque o veganismo pelo menos por enquanto tem acontecido majoritariamente sob o aspecto da desaceleração de consumo. O que isso significa? Significa que o veganismo vai ganhando espaço conforme a demanda de produtos de origem animal for diminuindo. Com isso, quem lucra com a exploração animal não terá motivos para investir tanto, até por entender que se trata de mau investimento.

Com a desaceleração do consumo, será mais fácil desenvolver um trabalho de educação vegana. Na minha opinião, a educação vegana depende dessa desaceleração. Atualmente, estamos caminhando para banir a realização de testes de produtos em animais nos próximos anos. Pode parecer pouco, mas só de instigar nas pessoas a reflexão contra a objetificação animal em laboratórios já existe uma possibilidade de ponderação mais ampla sobre a exploração animal.

Atualmente, as pessoas não veem com bons olhos os circos que exploram animais, tanto que é uma prática banida em muitos estados e países. Os zoológicos que lucram com a exploração animal também já não são romantizados. Há cada vez mais pessoas reprovando a realização de vaquejadas, touradas e rodeios, entre outras práticas violentas. Há mais comoção em relação ao abandono de animais, e as pessoas estão mais preocupadas com a origem do que consomem. Prova disso é que se você apresentar uma boa alternativa de produto sem ingrediente de origem animal, sempre haverá aqueles que optarão por não continuarem endossando esse tipo de exploração. O mundo vegano tem sido construído a cada dia, e não da forma utópica apontada de forma jocosa por quem o considera irrealizável.

Se pensarmos que há 20 anos, ou até menos, tudo que citei acima era parte de uma realidade considerada normal, não é difícil reconhecer que essas mudanças são pontos positivos e determinantes para a construção de um mundo vegano, e todos esses fatores dependem da conscientização sobre a exploração animal em todas as esferas. Penso que se o veganismo se tornar uma realidade para a maioria da população, e espero que seja, mesmo que eu não esteja aqui, o número de animais criados e reduzidos a produtos e entretenimento será surpreendentemente menor. Tão menor se comparado à atualidade que não será difícil remanejar para santuários os últimos animais explorados, onde poderão viver até os seus últimos dias.