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Chris Mills, um homem do campo que se tornou vegano depois de testemunhar o sofrimento dos porcos a caminho do matadouro
“Olhei aqueles pobres animais nos olhos e sabia que estavam sendo enviados para a morte”
Um homem do campo, Chris Mills trabalhou por 20 anos em fazendas de produção de leite em Ontário, no Canadá. Além de viver a realidade comum de quem ignora o sofrimento vivido pelos animais criados para consumo, ele também era um ávido caçador. No entanto, Chris se apaixonou por uma vegetariana, com quem acabou se casando quando começou a trabalhar na construção de rodovias.
As conversas com sua esposa o levaram a ver os animais com outros olhos. Porém, não o suficiente para que ele abdicasse do consumo de animais. A transformação veio com um choque de realidade e um olhar atento que o fizeram perceber que a carne que ele consumia era, de fato, proveniente de criaturas com emoções e sensações muito semelhantes às nossas.
Um dia, Chris estava dirigindo uma máquina quando o tráfego na rodovia foi interrompido. Ao seu lado, havia um caminhão transportando porcos para um matadouro em Quebec. “Esse foi o dia em que fiz a conexão. Olhei aqueles pobres animais nos olhos e sabia que estavam sendo enviados para a morte. A temperatura estava em 36 graus abaixo de zero e eles estavam congelando. Suas peles estavam vermelhas e você podia ver gelo em algumas de suas faces. Meu coração sangrou. Me senti tão mal que disse a mim mesmo que daria um basta nisso, que eu nunca mais causaria mal a qualquer outra criatura novamente! Jamais olhei para trás”, garante.
Chris Mills não teve dificuldade em se tornar vegano e abandonar todos os alimentos de origem animal. O que facilitou a sua transição foi o prazer em cozinhar e mostrar às pessoas que “a comida vegana é deliciosa e bonita”. Hoje, não apenas Chris e a esposa são veganos, mas também a filha do casal – veganos a favor da vida, segundo ele. Em 2015, Chris e a esposa Kim transformaram a própria casa em um pequeno santuário – The Grass Is Greener, que é focado especialmente no resgate de coelhos que são enviados para a indústria da carne.
Referência
Capps, Ashley. Former Meat and Dairy Farmers Who Became Vegan Activists. Free From Harm.
Mata-se um animal por um prazer efêmero
A história da crueldade contra os animais em Hollywood
“Os seres humanos têm abusado de animais para entretenimento desde o início dos tempos”

Pelo menos 25 cavalos foram mortos ou tiveram que ser sacrificados durante as filmagens de A Carga da Brigada Ligeira, de 1936 (Foto: Reprodução)
A crítica de cinema e escritora britânica Anne Billson, autora do livro “Cats on Film”, ou “Gatos no Cinema”, publicou hoje no jornal britânico The Guardian um artigo intitulado “Chicken decapitation and battered cats: Hollywood’s history of animal cruelty”, em que ela convida o leitor a refletir sobre a história da crueldade contra os animais no cinema, e especialmente em Hollywood. Exatamente por não ser vegana nem vegetariana, mas repudiar o tratamento dispensado aos animais no cinema, ela diz que “está ciente de que os animais morrem todos os dias para nos alimentarmos e para usarmos sapatos de couro. Por outro lado, prefere não assistir as cenas de crueldade contra os animais, e se isso faz dela uma hipócrita, que assim seja”.
Anne, que é contra a violência contra os animais no cinema, reconhece que a sétima arte é um meio controverso em essência, e que cinéfilos como ela frequentemente se veem em um dilema – que é a veemente contrariedade à censura. Porém, quando a suposta liberdade é usada como pretexto para explorar e impingir sofrimento aos animais, não há como ser favorável, já que essa permissividade garante inclusive a manutenção da objetificação, da subordinação forçada e da desvalorização da vida animal, mesmo quando animais são incluídos como personagens que servem a um retrato cru da realidade. Afinal, a tecnologia já permite que animais não sejam usados para benefício humano no cinema.
Ela começa o artigo citando o seu desinteresse em relação ao lançamento do filme “The House That Jack Built”, do polêmico cineasta dinamarquês Lars Von Trier:
Se não estou ansiosa para ver A Casa que Jack Construiu, quando finalmente chega às telas do Reino Unido, não é por causa da violência contra mulheres e crianças que ajudou o filme a ganhar uma rodada inicial de críticas de repúdio. Não, o que realmente me enche de terror é a perspectiva de ver um patinho com a perna arrancada com um alicate.
Mesmo depois que a Peta [organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais] deu uma bronca para confirmar que Von Trier realmente não torturou um patinho (o efeito foi alcançado ‘usando a magia dos filmes e partes de silicone’), a ideia me deixa enojada. (Independente disso, o filme fez convidados correrem saída afora durante a sua estreia internacional em Cannes no início do mês). Meio século assistindo filmes de terror pode ter me acostumado à violência misógina na tela (o que não quer dizer que eu goste), mas não me ajudou a lidar com os maus-tratos contra os animais.
Se Von Trier realmente tivesse torturado aquele patinho, ele estaria seguindo uma longa e desonrosa tradição de autores tratando animais pior do que tratam as atrizes. Andrei Tarkovsky mostrou um cavalo levando um tiro no pescoço e sendo empurrado escada abaixo em Andrei Rublev (1966). Jean-Luc Godard filmou um porco tendo a sua garganta cortada em Fim de Semana (1967). Galinhas foram decapitadas em Pat Garrett e Billy The Kid (1973) de Sam Peckinpah. 1900 (1976), de Bernardo Bertolucci, contém cenas de sapos sendo torturados e um gato aterrorizado sendo amarrado para que Donald Sutherland possa esmagá-lo até a morte com a cabeça. O diretor corta o ato (graças aos céus), e gosto de pensar que Sutherland realmente não matou o gato, embora os italianos tenham uma peculiaridade a esse respeito. O escritor Curzio Malaparte, em um ensaio de 1943 sobre Mussolini, descreve um tradicional entretenimento de férias na Toscana, onde homens da classe trabalhadora, com as mãos amarradas às costas, matam gatos até a morte com suas cabeças raspadas.
Francis Ford Coppola incorporou imagens de um búfalo-asiático, que é golpeado com facões até a morte em Apocalypse Now (1979). Sátántangó (1994), de Béla Tarr, mostra um gato sendo maltratado. Tarr insistiu que o gato não foi ferido, mas claramente ele não estava preocupado em mostrar que ele estava sendo girado por suas patas dianteiras. Entre as cenas do thriller de vingança Oldboy (2003), de Park Chan-Wook, o ator Choi Min-Sik, um “budista devoto”, foi flagrado se desculpando com os polvos vivos que estava comendo – o que te faz pensar na morsa de Lewis Carroll, chorando diante das ostras que ele estava devorando.
O Ato de 1937 para Filmes Cinematográficos (Com Animais), estabelecido pelo Parlamento Britânico, “proíbe a exibição ou o fornecimento de um filme [no Reino Unido] se animais forem cruelmente maltratados com a finalidade de produzi-lo.” O Conselho Britânico de Censores de Cinema, ainda corta as cenas reais de abusos contra animais, embora seja mais tolerante do que no caso dos filmes de terror. Sátántangó e Oldboy passaram sem cortes, mas os novos lançamentos em Blu-Ray de A Montanha dos Canibais (1978), de Sergio Martino e Cannibal Ferox (1981), de Umberto Lenzi, passaram por cortes de dois minutos, entre outras cenas que mostram o desmembramento de uma tartaruga, uma iguana sendo partida e criaturas peludas e fofas que são atacadas e comidas por cobras enormes.
Mas então ambos os filmes conquistaram notoriedade, tendo sido classificados como “filmes nojentos”. Os extras em ambos os relançamentos incluem entrevistas nas quais os respectivos diretores falam sobre a crueldade contra os animais. Martino diz: “De certa forma, foi uma cena construída porque colocamos o macaco e a píton juntos, mas não planejamos o final disso…então é realmente desagradável assistir.”
É bastante perturbador ver um cervo sendo engolido por uma cobra em um dos especiais de David Attenborough sobre a natureza, mas o próprio Attenborough traçou a linha do reality show em que os competidores matam crocodilos, porcos e perus “apenas para ter uma imagem”.
Os seres humanos têm abusado de animais para entretenimento desde o início dos tempos, e os cineastas não se mostraram com mais princípios do que aqueles que participam do chapeamento de texugos ou das touradas. O outrora admirável pioneiro de dublês Akima Canutt inventou um dispositivo chamado “The Running W”, que derrubava cavalos a galope, muitas vezes machucando-os ou os matando no processo. Pelo menos 25 cavalos foram mortos ou tiveram que ser sacrificados durante as filmagens de A Carga da Brigada Ligeira (1936), enfurecendo Errol Flynn, o astro do filme, que atacou o seu diretor Michael Curtiz. Tal foi o clamor público quando um cavalo quebrou a sua espinha depois de cair de um penhasco de 70 pés durante a filmagem de Jesse James (1939), que a American Humane (equivalente a RSPCA) foi finalmente encarregada de supervisionar o tratamento dado aos animais nos sets de Hollywood.
Mesmo assim, parece que o selo de aprovação da AH não é garantia de que “nenhum animal acabe machucado”. Enquanto pesquisava para o meu livro Cats on Film, descobri que pelo menos 20 gatos morreram durante a produção de Koneko Monogatari (1986), um filme japonês sobre um gatinho ruivo e branco e seu companheiro pug, intitulado “As Aventuras de Milo e Otis”, com narração de Dudley Moore. A AH deu um sinal positivo, e os rumores nunca foram checados, mas é óbvio que quando você assiste ao filme é perceptível que os animais estão em constante perigo. O BBFC [British Board of Film Classification] cortou 16 segundos do filme e deu a ele um certificado U, mas a cena de um gato “caindo” de um penhasco e desesperadamente tentando sair do mar em segurança é o suficiente para me fazer nunca mais querer vê-lo novamente.
Anne Billson continua: “Aqui estou eu sendo hipócrita de novo, porque enquanto me refiro à crueldade com gatinhos ou patinhos, posso tolerar os não amigáveis escorpiões e formigas sendo incendiados em A Quadrilha Selvagem (1969), ou os horríveis répteis cortados em pedaços em Cannibal Ferox. Mas viva o CGI, que agora torna qualquer tipo de tortura animal redundante. ‘Hoje, eu filmo essas cenas de uma maneira diferente’, admite Lenzi em sua entrevista sobre o lançamento de Cannibal Ferox. ‘Eu provavelmente vou refazê-lo agora com mais ajuda do departamento de efeitos especiais.’”
Referência
60% dos mamíferos do mundo são produtos da pecuária
“Nossas escolhas alimentares têm um grande efeito sobre os habitats dos animais, plantas e outros organismos”

Milo: “Considero o impacto ambiental na minha tomada de decisão, então isso me ajuda a pensar se quero escolher bife ou frango ou usar tofu?” (Foto: Creative Commons)
Um estudo intitulado “A Distribuição de Biomassa na Terra”, publicado esta semana pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, revelou que 60% de todos os mamíferos do mundo são produtos da pecuária. Ou seja, existem para serem comercializados como alimentos ou fontes de alimentos.
Desses 60%, a maioria é formada por suínos e bovinos. Tratando-se de animais não mamíferos, 70% das aves do mundo todo são criadas para consumo, e apenas 30% são silvestres. Os seres humanos, que somam 7,6 bilhões na atualidade, não representam mais do que 0,01% de todos os seres vivos que habitam a Terra. Ainda assim, a humanidade conseguiu provocar o desaparecimento de 83% de todos os mamíferos selvagens desde o início da civilização, segundo a pesquisa.
Ron Milo, do Instituto de Ciência Weizmann, de Israel, que liderou o trabalho, declarou que ficou chocado ao descobrir que não havia uma estimativa abrangente de todos os diferentes componentes da biomassa. “Espero que isso dê às pessoas uma perspectiva sobre o papel dominante que a humanidade desempenha agora na Terra”, enfatizou.
Para o pesquisador, a maneira como nos alimentamos exige uma profunda reflexão. “Nossas escolhas alimentares têm um grande efeito sobre os habitats dos animais, plantas e outros organismos. Considero o impacto ambiental na minha tomada de decisão, então isso me ajuda a pensar se quero escolher bife ou frango ou usar tofu?”
Referência
Reflexão sobre a exploração animal na Inglaterra e no Brasil

Não tenho dúvida de que o melhor caminho em contrariedade a isso é a completa abstenção do consumo de animais (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)
Quero te convidar a uma breve reflexão sobre a exploração animal. Publiquei uma notícia sobre uma série de episódios de tortura praticados contra porcos em uma fazenda na Inglaterra. Sim, na Inglaterra, terra de Henry Salt, pioneiro da teoria dos direitos animais, onde surgiu o veganismo em 1944, e onde o respeito aos animais é considerado muito superior ao da maioria dos países.
Ainda assim, isso não impede que na Inglaterra ocorra violência contra os animais. Afinal, animais continuam sendo explorados, privados e mortos para atender um mercado consumidor. E toda essa demanda alavanca a objetificação e ajuda a fazer com que pessoas não vejam os animais como sujeitos de uma vida, mas somente pedaços de carne ambulante, que podem ser submetidos a qualquer tipo de violência; bastando para isso que não haja reconhecimento do valor da vida não humana nem mesmo legislação verdadeiramente favorável aos animais.
Agora vamos falar do Brasil. O Brasil é o quinto maior país do mundo, ou seja, é imenso. O Reino Unido, do qual faz parte a Inglaterra, cabe dentro do estado de São Paulo. O Brasil vive imerso em corrupção, é um país que ganhou fama internacional durante a Operação Carne Fraca como o país que “comercializa carne adulterada” e que possui fiscais da superintendência agropecuária que podem ser comprados, desde que bem pagos.
Além disso, segundo o artigo “A Clandestinidade na Produção de Carne no Brasil”, de João Felippe Cury Marinho Mathias, pesquisador da Embrapa, a produção de carne de origem clandestina no Brasil pode chegar a 50%, o que significa carne sendo consumida sem inspeção, e animais sendo criados e mortos da forma que o produtor e o comprador bem entender.
Não podemos ignorar também que os últimos episódios de exportação de bovinos vivos provaram como a intervenção política pode ignorar qualquer interesse coletivo e bem-estar animal – desconsiderando o fato de animais estarem em situação lastimável e degradante, segundo registros fotográficos que podem ser consultados via Google.
Sendo assim, será mesmo que deveríamos dizer algo como: “Mas isso é fora do Brasil!” “Isso é na Inglaterra!”? Será que em um país onde o respeito à vida não é exemplar, onde há muitos matadouros clandestinos e animais criados irregularmente, a parca exposição da violência contra os animais criados para consumo não é apenas uma questão de poucas denúncias e investigações? Não tenho dúvida de que o melhor caminho em contrariedade a isso é a completa abstenção do consumo de animais. Afinal, de um modo ou de outro, a violência existe e persiste.
Ativistas filmam funcionários torturando porcos em uma fazenda na Inglaterra

A gravação revelou mais de cem episódios de violência em um período de apenas dez dias (Foto: Animal Equality)
A Animal Equality do Reino Unido divulgou hoje um vídeo mostrando trabalhadores da Fazenda Fir Tree, em Lincolnshire, na região leste da Inglaterra, chutando continuamente a cabeça e o estômago de dezenas de porcos. A gravação revelou mais de cem episódios de violência em um período de apenas dez dias.
Em um dos momentos do vídeo, dois funcionários se juntam para chutar um suíno que grita de dor. Outro funcionário aparece cutucando um porco com os dentes de um garfo usado para recolher esterco. Em outro momento da filmagem, um homem pula em uma baia para chutar os animais para dentro.
Os ativistas da Animal Equality informaram que receberam uma denúncia sobre as condições na fazenda e instalaram câmeras escondidas nos locais onde funcionários foram flagrados torturando os animais. As imagens captadas chocaram os ativistas e os espectadores. A propriedade pertence a Elsham Linc, um dos maiores produtores de suínos do Reino Unido.
Referências
Há sempre motivos mais nobres para não comer carne do que para comê-la
Casal de criadores de gado transforma fazenda em um santuário de animais no Texas
“As mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto, me assombravam”

“Chorei tantas vezes que ele [Tommy] tentou esconder o fato de estar fazendo isso, mas eu sempre soube por causa do lamento das vacas quando perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los” (Foto: Rowdy Girl Sanctuary)
Em 2009, Renée King-Sonnen se mudou para uma propriedade rural em Angleton, no Texas, com o marido Tommy Sonnen, da quarta geração de uma família de criadores de gado. Fascinada pelos animais, Renée começou a passar muito tempo com eles, desenvolvendo empatia e analisando suas personalidades e individualidades. Logo ela percebeu que rapidamente as vacas criam laços profundos com os bezerros – o que a fez associar com a relação de uma mãe com o seu filho humano.
Por outro lado, para além desse cenário de amor animal que inspira reflexão, Renée conheceu outra faceta da realidade ao testemunhar como os bezerros eram separados das vacas, enviados para leilões e encaminhados para os matadouros. A certeza de que nesse meio o laço familiar é rompido precocemente, e as vidas dos animais são tão curtas em decorrência da exploração, a chocou.
“A experiência de vê-los partir, as mães chorando por uma semana, e a ausência de suas almas no pasto, me assombravam. Chorei tantas vezes que ele [Tommy] tentou esconder o fato de estar fazendo isso, mas eu sempre soube por causa do lamento das vacas quando perdem seus bebês e não conseguem encontrá-los”, enfatizou.
Deprimida, em outubro de 2014, Renée falou para o marido que não queria mais contribuir com a morte de animais vulneráveis, que a cada dia a ensinavam uma nova lição. O amor dos animais pela liberdade, por exemplo, ela descobriu na figura de Houdini, um bezerro que sempre que tinha alguma oportunidade tentava fugir da propriedade. Renée King então passou a considerar insuficiente poupar apenas alguns animais da morte.
Buscando uma mudança mais substancial, ela conheceu o veganismo e decidiu correr atrás de um sonho – transformar a fazenda em um santuário de animais. Renée fez contato com pessoas do movimento vegano que foram determinantes nesse processo de transformação de uma fazenda de gado em um santuário. O marido concordou, e não apenas os bovinos foram poupados, mas também os porcos, frangos, galinhas e outros animais que viviam no local.
Hoje o casal vegano que administra o Rowdy Girl Sanctuary, no mesmo local de onde os bovinos partiam rumo à morte, recebe visitas e abriga um número cada vez mais crescente de animais livrados da morte precoce nos matadouros. Segundo René King-Sonnen, um sonho, de fato, concretizado.
Referências
Capps, Ashley. Former Meat and Dairy Farmers Who Became Vegan Activists (4 de novembro de 2014).
Rowdy Girl Sanctury. Renee King-Sonnen – Founder (7 de abril de 2016)
Jess Strathdee, a mulher que se tornou vegana depois de trabalhar em uma fazenda de produção de leite
“Vi mães que deram à luz na neve ou durante tempestades e foram privadas de seus bebês”

“Depois de romper essa barreira de condicionamento social do consumo de carne, você acorda em um mundo de horror” (Acervo: Now To Love)
No início de 2013, quando Jess Strathdee e seu parceiro Andrew decidiram trabalhar em uma fazenda de gado leiteiro em Canterbury, na Nova Zelândia, eles acharam que tinham encontrado o estilo de vida rural perfeito. Juntos por mais de uma década, o casal aceitou recomeçar uma vida baseada em longas horas de trabalho fisicamente exaustivo; isto porque era uma oportunidade de passarem mais tempo juntos, sentindo o ar fresco do campo, sem o deslocamento diário.
Porém, depois de conviver com vacas e bezerros por quase quatro anos Jess, que, tinha uma típica dieta onívora – rica em carnes e laticínios, deu uma guinada em sua vida – tornando-se vegana e ativista dos direitos animais. “Depois de romper essa barreira de condicionamento social do consumo de carne, você acorda em um mundo de horror”, relatou a Carmen Lichi, do “Now To Love”, da Nova Zelândia.
Segundo Jess Strathdee, que nunca tinha sido uma amante dos animais, e só havia convivido diariamente com um cão em sua infância, quando você se torna vegano, você percebe que esteve cego diante do holocausto que acontece ao seu redor. A princípio, quando começou a trabalhar na fazenda que contava com um rebanho de 600 vacas, ela teve um sentimento de “orgulho e solidariedade em relação às vacas” – e exatamente por causa da perspectiva romântica que as pessoas têm a respeito da produção leiteira.
Contudo, a realidade descortinou essa ilusão assim que ela testemunhou a primeira temporada de nascimento de bezerros. “A sensação de horror foi imediata. Vi mães que deram à luz na neve ou durante tempestades e foram imediatamente privadas de seus bebês – elas nem sequer conseguiram limpá-los primeiro. Os menores bezerros eram alimentados por sonda duas vezes ao dia durante quatro dias; um litro de colostro derramado de uma só vez”, afirmou ao “Now To Love”.
Jess sabia que as vacas precisam gerar vidas para produzirem leite, mas não tinha ideia de que os bezerros poderiam ser afastados das mães tão rapidamente: “Naquela primeira manhã, eu sabia que nunca mais tomaria leite e chorei todos os dias por duas semanas.”
Porém, Jess ficou grávida, e ela e o marido decidiram continuar na fazenda. Em julho de 2016, em sua quarta temporada de nascimento de bezerros, Jess sofreu com uma grave depressão: “Nunca me senti suicida antes, mas quase perdi a cabeça. Ser mãe intensificou tudo o que eu sentia pelas vacas e seus bebês. Acordei e percebi exatamente o que eu estava fazendo para pagar as minhas contas”, declarou.
O local onde os bezerros nasciam não era distante da janela de Jess, e ela podia ouvir as dores das vacas a noite toda. Elas observavam seus filhos afetuosamente e os limpavam, até que Andrew chegava com um trator e uma gaiola para levar os bebês para os currais.
Jess, que não era afeiçoada às redes sociais, um dia entrou no Facebook e encontrou muitos veganos e grupos dos direitos animais; o que a motivou. Conversando com um ativista vegano chamado Carl Scott, de Dunedin, que já foi funcionário de um matadouro, ela percebeu que definitivamente precisava mudar de vida.
Jess Strathdee garantiu que seria capaz de deixar o marido se ele não concordasse em partir. “Eu tive que sair. Eu certamente estava perdendo a cabeça”, justificou. Para a sua surpresa, Andrew disse que também estava infeliz na fazenda e não suportaria outra temporada de nascimentos de bezerros. Atualmente, o casal reside em uma pequena cidade costeira de Canterbury, onde criam o filho Mac como vegano: “As coisas não são fáceis, porque vivemos com pouco, mas estamos felizes.”
Referência
Lichi, Carmen. Former dairy farmer tells how the job turned her vegan (16 de agosto de 2017).
Curta-metragem mostra a realidade das experiências científicas realizadas com primatas
O maior peso do curta está no retrato do trauma psicológico que os animais sofrem em laboratórios
Lançado no mês passado, “Empty Laws: Psychological Well-Being of Laboratory Primates”, de Kelly Guerin, é um curta-metragem que mostra o impacto das experiências científicas realizadas com primatas. De acordo com o filme, primatas usados em laboratórios são submetidos a tudo – inclusive têm seus olhos costurados, como ocorre nas pesquisas de acidentes de carro.
O maior peso do curta está no retrato do trauma psicológico que os animais sofrem em laboratórios. Isso é perceptível quando observamos os olhos, as expressões e as reações dos primatas que aparecem no filme. Claro, um reflexo de um fato comum – praticamente nada é ilegal quando se trata de pesquisas com animais.
Mesmo após séculos de campanhas contra a vivissecção, e algumas conquistas, ainda esbarramos em um problema usual – a garantia do bem-estar animal pode ser facilmente negligenciada se isso for um impedimento à realização de um experimento, já que no contexto científico há muito perpetuou-se a crença de que podemos usar e abusar dos animais simplesmente porque eles não são iguais a nós.
Como mostra o filme “Empty Laws”, inspeções laboratoriais costumam ser raras, e a única forma de revelar o que realmente acontece nesses locais é enviando um investigador disfarçado capaz de registrar a realidade com uma câmera. Sem isso, provavelmente não teríamos registros confiáveis do estado de privação e sofrimento desses animais.
Ainda assim, o impacto não tem sido tão grande quanto deveria; nem o cenário tão auspicioso quanto poderia. Prova disso é que só nos Estados Unidos mais de 71 mil primatas foram usados em experiências do Departamento de Agricultura em 2016, de acordo com o relatório anual da USDA. Um número surpreendente se comparado ao fato de que os santuários membros da North American Primate Sanctuary Alliance (NAPSA) abrigam atualmente cerca de 700 chimpanzés recuperados de laboratórios.
Essa diferença gritante de números entre explorados e sobreviventes deixa claro que o destino comum dos primatas usados em laboratórios é o “descarte”, ou seja, a morte – tão logo sejam considerados inúteis. Para além desse cenário, segundo a Cruelty Free International, pelo menos 115 milhões de animais são usados em experiências por ano no mundo todo.
https://www.youtube.com/watch?v=wrNA9vpYidM

