David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Veganismo’ tag

Ativistas veganos podem ser condenados à prisão por resgatarem animais da morte

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“Porcos bebês estão sofrendo mutilação, fome e abuso em Smithfield”

Ativistas podem ser condenados a anos de prisão por resgatarem leitões (Foto: DxE)

Esta semana, alguns ativistas da rede global de direitos animais Direct Action Everywhere (DxE) terão de comparecer ao tribunal após serem acusados no mês passado de invadirem uma fazenda industrial em Mildford, no condado de Beaver, em Utah. Na ocasião, eles resgataram dois leitões da morte. No entanto, o gabinete do procurador-geral de Utah fez outra leitura do episódio.

A procuradoria acusou Wayne Hsiung, Paul Picklesimer, Samer Masterson, Andrew Sharo e Jonathan Frohnmayer de arrombamento e roubo de animais – qualificados como crimes de segundo grau. Com exceção de Masterson, os outros ativistas também foram acusados de tumulto, delito tipificado como classe A.

Eles irão ao tribunal duas vezes esta semana. Na quarta-feira, além dos cinco acusados, Diane Gandee Sorbi, de 63 anos, também deve comparecer à Corte de Sanpete County, onde enfrenta duas acusações por ter roubado um filhote de peru, na tentativa de livrá-lo da morte. Segundo os ativistas, que podem ser condenados a anos de prisão, os animais estavam vivendo em situação degradante.

“Porcos bebês estão sofrendo mutilação, fome e abuso em Smithfield, e a empresa não quer que o público saiba disso”, declarou Wayne Hsiung. Em sua defesa, a Smithfield Food’s Circle Four Farms negou todas as acusações feitas pelo grupo.





 

Documentário apresenta os equívocos de quem usa as escrituras religiosas para defender o consumo de carne

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“Nossa crença judaica é de que realmente Deus nunca fez com que comêssemos animais”

ANIMA tem o objetivo de mudar a percepção que as pessoas têm em relação aos animais (Foto: Reprodução)

Na semana passada, o Guibord Center lançou um documentário de curta-metragem intitulado “ANIMA: Animals. Faith. Compassion”, disponível no Vimeo, que apresenta os equívocos nas afirmações de quem usa as escrituras religiosas para defender o consumo de carne. O filme conta com depoimentos de autoridades religiosas e propõe uma discussão sobre como objetificamos os animais e os reduzimos a produtos.

As perspectivas apresentadas partem de membros de 12 religiões e credos, incluindo o cristianismo, budismo, islamismo, zoroastrismo, hinduísmo, judaísmo e jainismo. No filme, a reverenda Gwynne Guibord fala que no livro de Gênesis está escrito que Deus deu ao homem o domínio sobre os animais. Porém, aponta que isso é um erro de tradução. “Deveria se ler: ‘E Deus deu ao homem responsabilidade ou intendência. Isso muda toda a noção [da frase]”, defende.

A rabina Suzanna Singer afirma que não temos qualquer necessidade de consumir qualquer alimento de origem animal. “Nossa crença judaica é de que realmente Deus nunca fez com que comêssemos animais. No Jardim do Éden, Deus nos mostra o fruto das árvores, a relva nos campos e diz: ‘Você pode comer algo assim.’ Mas Deus nunca mencionou os animais”, enfatiza.

Lo Sprague, vice-presidente do Guibord Center e uma das idealizadoras do filme, afirma que nunca houve um momento tão importante para desafiar os mal-entendidos que no passado foram usados para justificar a exploração de animais – ponderando que a compaixão é defendida por todas as religiões.

Considerando que milhões de pessoas no mundo todo tratam os animais baseando-se em suas crenças e percepções sobre outras espécies, o objetivo do filme é mudar a maneira como as pessoas interagem com os animais, reconhecendo que eles também são seres vivos sencientes e conscientes.

https://vimeo.com/272785177

 

 

 





 

Como o consumo de carne favorece a destruição da identidade dos animais

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Howard Lyman, a transformação de um pecuarista multimilionário em um ativista vegano

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“Se você realmente ama os animais, se você se importa com eles tanto quanto diz, por que os come?”

Lyman: “Nunca vi um animal pular e dizer que quer ser um hambúrguer” (Foto: Reprodução)

Howard Lyman talvez tenha uma das histórias mais famosas de transformação de um pecuarista multimilionário em um ativista vegano. Desde o início da década de 1990, ele tem promovido o veganismo nos Estados Unidos e publicado obras que revelam as mazelas da indústria agropecuária, e sob a perspectiva de quem fez parte desse meio por mais de 20 anos.

Da quarta geração de uma família de pecuaristas, Lyman frequentou a Universidade Estadual de Montana, onde se graduou em agricultura geral em 1961. Depois passou dois anos no Exército dos Estados Unidos antes de comprar a sua própria fazenda: “Eu acordava cedo, fazia a roçada, ouvia os pássaros cantando e me sentia como o guardião do Éden. Meu sonho era ser um fazendeiro. Então fui para a universidade. Comprei uma fazenda orgânica e com o passar dos anos, já possuía mais de 7 mil cabeças de gado e mais de 12 mil hectares.”

De 1963 a 1983, Lyman dedicou a maior parte do seu tempo à criação de animais e grãos, convertendo a sua fazenda orgânica em uma megaoperação de confinamento de animais visando a extração de leite e o abate. “Lembro como se fosse hoje quando trouxemos os animais e demos a eles entre 7 e 21 vacinas. Cortamos os chifres, castramos eles, injetamos hormônios e os alimentamos com resíduos e antibióticos. Na fazenda, eu via tantas moscas juntas que você podia pegá-las aos montes apenas abrindo e fechando as mãos”, narra.

Além de nove mil bovinos, incluindo bezerros enviados ao matadouro para atender ao mercado de carne de vitela, ele criava porcos e aves. Também produzia grãos, silagem e feno: “Levantávamos cedo, quando não havia nevoeiro, e pulverizávamos inseticidas por toda a propriedade. Havia sempre uma grande nuvem flutuando sobre o gado, sobre a água e sobre a comida, e o inseticida atingia tudo. Duas horas mais tarde, o gado se alimentava e bebia aquela água contaminada. Essas são as coisas que aprendi na Universidade Estadual de Montana.”

O ex-pecuarista admite que era preciso dissimular a realidade para seguir em frente. Sempre que via os pássaros mortos, as árvores morrendo, e o solo de sua fazenda mudando, ele se esforçava para não pensar em como estava gastando centenas de milhares de dólares em produtos químicos. “Eu era o responsável por tudo isso. Meu irmão faleceu aos 29 anos, e ainda hoje acho que ele morreu por causa desses produtos químicos que usamos na fazenda”, declara.

Em 1979, quando ainda criava animais para consumo, Lyman foi diagnosticado com um tumor na espinha. Diante da possibilidade de ficar paralítico, ele prometeu que se sobrevivesse ao câncer se afastaria dos meios de produção baseados em produtos químicos.

“Eu estava no auge da minha carreira quando fiquei paralisado da cintura para baixo. É preciso muita concentração para direcionar a sua atenção para outra coisa que não seja a sua situação. No hospital, os médicos disseram que eu tinha uma chance em um milhão de voltar a andar por causa de um tumor dentro da minha coluna vertebral. Fui levado para a sala de cirurgia e operado durante 12 horas. Eles removeram um tumor do tamanho do meu polegar. Saí do hospital depois de uma operação com uma chance de sucesso em um milhão. Me lembro de estar na fazenda após a operação.”

Em casa, o pecuarista viu o próprio reflexo no espelho e teve um momento de conflito existencial que, segundo ele, foi uma das primeiras situações em que foi honesto consigo mesmo. Lyman, que costumava dizer a si mesmo que amava os animais, se perguntou:

“Se você realmente ama os animais, se você se importa com eles tanto quanto diz, por que os come?” Foi tão traumático para mim que eu quase arranquei a pia da parede. Essa foi uma porta da minha alma que eu nunca tinha aberto antes. E uma vez que a abri, nunca mais consegui fechá-la porque eu sabia como esses animais pareciam quando eles caíam mortos no chão. Eu sabia o que havia em seus olhos, e eu era a pessoa que os colocava lá. Era como se tudo o que você acreditasse que é justo e sagrado de repente estivesse em risco.”

Naquele dia, Lyman se perguntou como falaria para a própria esposa que a sua operação multimilionária era um erro, e que ele percebeu que a sua fonte de renda foi construída “sobre a areia”; já que tudo em que Howard Lyman acreditava estava em risco porque, pela primeira vez se deu conta de que o seu lucro era baseado no assassinato de animais. “Como eu poderia dizer que talvez o que devêssemos fazer era sair desse negócio?”, lembra.

Lyman reconheceu que não poderia falar de seus conflitos com seus amigos, porque todos eles trabalhavam no mesmo ramo. Não teve nenhum apoio. Pensou também em falar com um padre, mas concluiu que provavelmente o próprio padre comia tanta carne quanto ele. “Foi o momento mais solitário e mais difícil da minha vida”, garante.

No entanto, a grande transformação de Howard Lyman só aconteceria alguns anos depois. Em 1990, quando atuava como lobista em Washington, ele estava muito acima do peso e enfrentando problemas de saúde como pressão alta e altos níveis de colesterol. Então decidiu definitivamente se tornar vegetariano. No ano seguinte, mais decidido e com uma opinião mais forte sobre os direitos animais, fez a transição para o veganismo e transformou a sua fazenda em um santuário para animais. Também começou a promover o veganismo em diversas regiões dos Estados Unidos, defendendo também a produção orgânica de vegetais:

“Nunca vi um animal pular e dizer que quer ser um hambúrguer. Estive em centenas de matadouros, vi milhares de animais morrerem, e sempre que eu os observava, eu notava que eles sabiam o que aconteceria com eles. Havia o cheiro de morte. Eu me questionava: ‘Existe alguma necessidade disso?’”

Em abril de 1996, o ex-pecuarista participou do programa The Oprah Winfrey Show, onde denunciou as mazelas da indústria de proteína animal. Suas revelações tiveram repercussão nacional e fizeram com que Oprah abdicasse do consumo de hambúrgueres. Lyman e a apresentadora tiveram de responder a dezenas de processos da Associação dos Produtores de Carne Bovina dos Estados Unidos, mas foram inocentados em 1998. “Tenho certeza de que se eu fosse novamente ao programa, hoje eu seria condenado, mesmo falando a verdade”, lamenta.

Também em 1998, Howard Lyman, que se tornou uma referência em veganismo para a atriz vegana Linda Blair, publicou o livro “Mad Cowboy: Plain Truth from the Cattle Rancher Who Won’t Eat Meat”, em que narra a sua trajetória pessoal e profissional de pecuarista à ativista vegano. Também traz importantes informações sobre as mazelas da indústria agropecuária, o que inclui investigações do uso de nocivos produtos químicos nesse meio. Em 2005, ele lançou o livro “No More Bull! The Mad Cowboy Targets America’s Worst Enemy: Our Diet”, que é uma continuação da obra de 1998. A sua história é narrada no documentário “Mad Cowboy” e em “Peaceable Kingdom” – este segundo com boa repercussão internacional.

Lyman também aparece no famoso documentário “Cowspiracy”, de Kip Andersen e Keegan Kuhn, em que afirma que não faz sentido um ambientalista consumir produtos de origem animal. “Engane-se se quiser. Aliás, se quiser alimentar o seu vício, faça-o, mas não chame a si mesmo de ambientalista ou protetor dos animais”, critica.

Saiba Mais

Entre os anos de 1996 e 1999, Howard Lyman foi presidente da União Vegetariana Internacional.

 Referências

Lyman, Howard. Mad Cowboy: Plain Truth from the Cattle Rancher Who Won’t Eat Meat (1998).

Capps, Ashley. Former meat and dairy farmers who became vegan activists. Free From Harm (4 de novembro de 2014).

Stein, Jenny. Peaceable Kingdom (2004).

Andersen, Kip; Kuhn, Keegan. Cowspiracy (2014).





 

Alguém diz: “Defendo o fim das vaquejadas e da farra do boi, mas não sou contra matar um animal para comer”

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“Para o animal não importa a finalidade de sua morte, porque isso não muda o fato de que ele deixará de existir”

Um animal não vai te agradecer porque não foi torturado na vaquejada, mas, por exemplo, morreu logo em seguida no matadouro (Fotos: Reprodução)

Alguém diz:

— Eu defendo o fim das vaquejadas e da farra do boi, mas não sou contra matar um animal para comer.

— Imagino que você conheça vegetarianos ou veganos, certo?

— Sim…

— Estão vivos, bem?

— Acho que sim…

— Então por que se alimentar de animais?

— Ora, isso é problema deles, escolha deles. Como porque é gostoso.

— Certo. Se alimentar de um animal então é gostoso. Isso realmente é uma boa justificativa para matar animais? Melhor do que a de não matar que se baseia no fato de que não temos necessidade de tirar vidas para viver bem? E se há pessoas que vivem bem sem consumir a carne de animais, logo sem financiar esse sistema, isso não significa que matar animais acaba por ser um capricho? Quero dizer, privamos um animal de viver, impomos a morte e o comemos. A escolha que existe para nós é inexistente para ele.

— Ainda acho que comer carne não é um problema, porque o animal existe pra isso.

— Entendo, mas quem disse isso?

— A sociedade, o mundo. Ao longo da história, a “sociedade e o mundo” disseram muitas coisas, mas recuaram ou mudaram em diversos aspectos quando houve um entendimento abrangente das consequências de nossas ações em relação ao que não diz respeito somente a nós. Além disso, me responda uma pergunta. Se a “sociedade” decidir que não há nada de errado em sair matando pessoas aleatoriamente, você endossaria isso?

— Claro que não, né?

— Então, isso é uma baliza moral. Independente dos preceitos socialmente aceitáveis, você faria o que considera certo. Sendo assim, matar animais é correto?

— Hum…complicado.

— Considere um ponto. Para o animal não importa a finalidade de sua morte, porque isso não muda o fato de que ele deixará de existir. Ele não vai te agradecer porque não foi torturado na vaquejada, mas, por exemplo, morreu logo em seguida no matadouro. Matar um animal para se alimentar, não anula o fato de que antes ele passou por algum tipo de privação, medo, sofrimento e, claro, algum tipo de violência final que custou a sua vida, tenha sido esse ato curto ou prolongado. Em síntese, nunca há uma boa maneira de matar um animal que não quer morrer.





 

Como achar normal a morte de 70 bilhões de animais terrestres por ano para consumo?

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Ex-vice-presidente do Citibank vai falar hoje sobre veganismo em conferência sobre a fome mundial

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Wollen: “Os direitos animais são a maior questão de justiça social desde a abolição da escravidão”

Wollen: ” É hora de todo cidadão educado, esclarecido e responsável abandonar a carne e as drogas lácteas” (Foto: Edgar’s Mission Farm Sanctuary)

O ex-vice-presidente do Citibank, o australiano Philip Wollen, que também é filantropo e ativista dos direitos animais, foi convidado para ser o principal orador da conferência mundial “Um Futuro Além da Fome Mundial e Outras Crises”, que vai ocorrer no Parlamento Europeu hoje a partir das 13h30.

Entre os assuntos que serão abordados estão o que pode ser feito para alimentar a crescente população mundial, mudanças climáticas, degradação do meio ambiente, superexploração dos recursos naturais, consumo de carne e exploração animal. Na ocasião, Wollen vai falar sobre como o veganismo pode contribuir para mudar esse cenário.

De acordo com o Intergrupo em Bem-Estar e Conservação Animal do Parlamento Europeu, o formato interativo do evento vai permitir que o público e os palestrantes se engajem em uma discussão aberta e desenvolvam não apenas soluções, mas também estratégias para superar a resistência social e política à mudança.

Em abril deste ano, Philip Wollen, que é membro honorário do Centro de Ética Animal da Universidade Oxford, na Inglaterra, participou de um vídeo da Kindness Production afirmando que os direitos animais são a maior questão de justiça social desde a abolição da escravidão.

“Na história humana, apenas 100 bilhões de seres humanos viveram, sete bilhões estão vivos hoje e ainda torturamos e matamos dois bilhões de animais sencientes por semana. É hora de todo cidadão educado, esclarecido e responsável abandonar a carne e as drogas lácteas”, defende.





 

Moby: “Precisamos parar de usar os animais como alimentos”

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Imagem publicada por Moby em sua conta no Instagram

Ontem, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o músico vegano Moby usou a sua conta no Instagram para motivar as pessoas a abdicarem do consumo de alimentos de origem animal.

Ele publicou uma foto da destruição das florestas tropicais provocada pela invasão da agropecuária e declarou que vale a pena lembrar que a agricultura animal é responsável por 45% das mudanças climáticas, 95% da destruição das florestas tropicais, 40% do uso de água e 50% da acidificação dos oceanos.

“Então, é claro que precisamos acabar com nossa dependência dos produtos petrolíferos e parar de usar óleo de palma, mas, para salvar a única casa que temos (assim como 100 bilhões de animais, anualmente), precisamos parar de usar os animais como alimentos”, alertou.





 

Não é radical o ato de se alimentar de animais?

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Produtores de queijo premiado se tornam veganos e trocam o leite de cabra pelo leite de oleaginosas

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“Estávamos ampliando o problema. Não queríamos ser parte do problema, mas sim da solução”

“Agora ao não criar animais com essa finalidade [de produzir leite e queijo], podemos salvar os animais da crueldade em vez de agravá-la trazendo mais animais para o mundo” (Acervo: The Sanctuary at Soledad Goats)

Ao longo de 20 anos, Carol e Julian Pearce produziram um queijo de leite de cabra premiado nos Estados Unidos. Ainda assim, decidiram se tornar veganos e começar uma nova vida, que incluiu a fundação de um santuário e uma nova produção de queijos. Mas dessa vez baseado em oleaginosas, não em leite de cabra.

Carol e Julian se conheceram enquanto cuidavam de bezerros doentes. Quando viviam na Inglaterra, Carol era conhecida por invadir fazendas e “sequestrar” animais que seriam enviados para o matadouro.

Mais tarde, nos Estados Unidos, os Pearce investiram em uma fazenda de caprinos no Sul da Califórnia, onde a política era “nunca matar”. No entanto, com o tempo, começaram a repensar a própria história, o trabalho e a vida. Foi quando perceberam uma contradição em suas ações.

Enquanto resgatavam animais que seriam enviados para os matadouros, eles investiam na procriação de outros para a produção de leite e queijo. “Por ser uma fazenda leiteira, estávamos ampliando o problema. Não queríamos ser parte do problema, mas sim da solução”, explica o casal.

Em 2015, a decisão natural foi o veganismo, que os Pearce qualificam como um imperativo moral, de honrar e respeitar os animais rejeitando todas as formas de exploração. O leite de cabra então foi substituído pelo leite de oleaginosas – nozes, castanhas, amêndoas, etc.

“Estamos replicando a qualidade do queijo que conseguimos produzir com o leite de cabra – textura suave, ingredientes frescos, e feito artesanalmente com cuidado, consistência e paixão. Até agora nossas amostras foram muito bem recebidas, com muitas pessoas nos dizendo que continuarão comprando os nossos produtos em versão vegetal. Isso é muito encorajador para nós”, garantem.

Além de cuidar das cabras do seu antigo rebanho leiteiro, o casal resgata cabras, vacas, bois, cavalos, porcos, frangos, galinhas, patos, cães e gatos maltratados, abandonados e negligenciados. Parte desses animais seria enviada para o matadouro, outros passariam por eutanásia. “Agora ao não criar animais com essa finalidade [de produzir leite e queijo], podemos salvar os animais da crueldade em vez de agravá-la trazendo mais animais para o mundo”, justificam.

Hoje, o The Sanctuary, situado em Soledad, no sul da Califórnia, é uma entidade sem fins lucrativos, e a produção de queijo vegano ajuda a custear as despesas com os animais, assim como a contribuição de seus apoiadores. O santuário é aberto à visitação e quem quiser pode comprar diretamente no site alguns produtos veganos como chocolates, velas, sabonetes, canecas, brincos e hidratantes.

Referência

The Sanctuary at Soledad Goats – Where every animal has a home