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Uma população alheia à organização comunitária
Secretário da Ucampar explica porque Paranavaí tem uma estrutura comunitária tão fragilizada

João Francisco de Paula: “Paranavaí tem que crescer da periferia para o centro” (Fotos: David Arioch)
O secretário-geral da União Comunitária das Associações de Moradores de Paranavaí (Ucampar), João Francisco de Paula, é um dos nomes mais emblemáticos da organização comunitária em Paranavaí. Militando na área há 33 anos, acompanhou todo o processo de formação das comunidades locais, mas principalmente das periferias.
De Paula participou da formação das primeiras associações de moradores no final dos anos 1970, numa época em que os movimentos político e comunitário partilhavam os mesmos ideais. Mais tarde, assistiu a dissidência de grupos populares que não se alinhavam mais com as questões partidárias.
“Muitos líderes de bairros foram cooptados politicamente e adquiriram o vício de misturar os interesses do bairro com os próprios”, revela o secretário, acrescentando que quando alguém disputa um cargo de presidente de associação de moradores, já almejando uma candidatura política, corre o risco de priorizar o que não vale a pena ou confundir a própria área de atuação. “Os presidentes naquele tempo não entendiam a organização comunitária”, desabafa.
Em entrevista ao autor deste blog, João Francisco de Paula fala sobre a importância da organização comunitária em Paranavaí, o desinteresse da população, aspectos positivos e negativos das associações de moradores, além de conquistas da Ucampar. Confira alguns trechos:
Como o senhor avalia a organização comunitária em Paranavaí?
A organização comunitária é importante para o avanço dos bairros, embora esteja um pouco estagnada em Paranavaí. Isso acontece porque as lideranças confundem um pouco a sua atuação com a política partidária. Há algum tempo, optei por me afastar da política porque partidos têm interesses próprios, o que acaba prejudicando a comunidade. Precisamos que todos os bairros se organizem, da periferia ou não, porque assim é mais fácil conquistar algo.
Quais são os bairros que estão mais bem articulados?
O Jardim São Jorge é um bairro bem articulado, tem lideranças antigas, pessoas que estão sempre lá ajudando os demais. Depois vem o Sumaré com líderes que também se preocupam com a comunidade.
Como melhorar a organização popular?
As pessoas se reunirem independente de lideranças políticas. Os líderes comunitários precisam buscar apoio e suporte financeiro para executar alguns projetos. É preciso estar em contato constante com o bairro. Só assim se consegue atender as reivindicações.
Sabemos que é comum um líder comunitário vislumbrar uma projeção política. O senhor acredita que isso seja favorável ou prejudicial ao bairro que ele representa?
Não tem porque se ligar em política partidária. A comunidade organizada, ciente do que quer, do que pretende, consegue tudo com facilidade, e é muito melhor se for independente de partido. Mas nada impede que no futuro um companheiro líder de uma comunidade possa disputar um cargo de vereador ou deputado, até porque eu mesmo fiz isso.
Quantos bairros tem representatividade em Paranavaí?
Temos 27 associações de moradores, mas funcionando mesmo não mais que 20. Temos muitas associações que começaram e logo acabaram. Este ano, vamos retomar esse trabalho de mobilização nos bairros. Acho que a organização comunitária pode mudar profundamente a situação da cidade em todos os sentidos.

Secretário-Geral da Ucampar: “A população não tem consciência da importância da organização comunitária”
Em uma comunidade não organizada, o que um morador pode fazer para mudar o cenário atual?
Eu sugiro que reúna pelo menos cinco pessoas e crie uma comissão provisória, prevendo a implantação de um estatuto. Daí é só publicar um edital e reunir interessados do bairro em compor chapas para as eleições. O ideal é que haja vários candidatos. Assim o processo se torna mais participativo e democrático.
O que foi feito para unir mais as associações de moradores?
Estamos tentando reunir as associações em conjunto com a Ucampar. Fazemos assembleias para estimular as lideranças. Explicamos que não se pode fundar uma associação e simplesmente cruzar os braços. Entidade é algo que você cria, estrutura e depois passa para outra pessoa. O poder tem que ser comunitário, de todos.
Desde que foi fundada em abril de 2007, quais as conquistas da Ucampar?
Quando o Wanderlei Giraldes assumiu a presidência já tínhamos um compromisso de realizar eventos para melhorar a movimentação das associações. Ele conseguiu articular esse trabalho e logo lançamos a Campanha de Preservação do Patrimônio Histórico e outra relacionada ao IPTU que teve boa repercussão. Todas as associações participaram. O intuito da Ucampar é fazer com que a comunidade participe das decisões políticas, questionando e reivindicando. Sem participação, não há mudanças.
Quem são os apoiadores?
Os apoiadores da Ucampar são os próprios presidentes de associações. Eu acho que não tem apoiador maior que as próprias lideranças de bairros como entidades independentes, sem ligação com poder público municipal, estadual ou federal. Hoje, Paranavaí cresce do centro para a periferia, mas tem que crescer da periferia para o centro também.
A população de Paranavaí tem consciência da importância da organização comunitária?
Não, e muitas vezes nem as próprias associações. São poucas que têm essa consciência. Há lideres comunitários que se consideram mandatários, a voz do bairro, e não é bem assim. Tem que liderar sim, mas com democracia, discutindo todas as necessidades do bairro, além de propor fiscalizações, acompanhar o trabalho da Câmara Municipal, levar propostas, sugerir projetos e “pegar no pé”.
Quais municípios podem ser citados como referência no assunto?
Acredito que londrina, onde conheci associações com boa organização comunitária. Outros exemplos são Santo André e Diadema, no interior de São Paulo, que atuam na gestão participativa; significa participação direta na administração com propostas e discussões. São alguns exemplos de exercício de cidadania.
“Sempre vejo os meninos vendendo drogas”
Luiz Carlos Prates fala sobre a realidade dos jovens da Vila Alta
Morador da Vila Alta, um dos bairros mais pobres de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o artista plástico gaúcho Luiz Carlos Prates há mais de 15 anos acompanha de perto tudo que acontece na comunidade, onde desenvolve um trabalho de recuperação de menores em situação de risco. Para Prates, a única forma de livrar os jovens do narcotráfico é fazendo um intenso trabalho social.
“Seu Luiz”, de 82 anos, como é mais conhecido, costuma circular com frequência pelas ruas da Vila Alta. Só em um sábado à tarde, contabilizou 13 crianças comercializando crack. “Sempre vejo os meninos vendendo drogas. É comum virar passador, bode expiatório, testa de ferro ou laranja. Mas a parte mais triste é que o destino deles nesse caminho é a cadeia ou a morte”, diz. No bairro, há casos de adolescentes com 15 anos que já se envolveram tanto com o narcotráfico que não se imaginam desempenhando outra atividade.
Prates relata com tristeza o exemplo de um adolescente para quem estava dando lições de artesanato. “Em 2011, passei por uma fase difícil e tive que interromper as aulas voluntárias por alguns dias para fazer algumas peças pra vender. Quando retomei a oficina, o menino sumiu. Fui procurar ele e descobri que um ‘traficante já tinha tomado conta’”, lamenta.
No bairro, é grande a quantidade de crianças e adolescentes fora das escolas. Muitos não têm pais e são criados pelos avós, segundo informações dos moradores da Vila Alta. “Não têm estrutura familiar e ficam disponíveis ao mundo das drogas”, avalia uma das lideranças do bairro, a catadora de recicláveis Maria de Fátima Oliveira que quando caminha pela Vila Alta sempre se depara com restos de drogas nas ruas, principalmente saquinhos de plástico com vestígios de crack.
Seu Luiz, que coordena um grupo de 12 crianças e adolescentes, afirma estar feliz por tê-los livrado do mau caminho, embora ressalte que ainda há muito trabalho a ser feito. “De todas as crianças que cuido hoje, a maioria não tem pai e mãe em casa. Mas o problema maior é que aqui no bairro não são poucos os jovens envolvidos com drogas que são filhos de desempregados, ladrões, prostitutas, traficantes e viciados”, comenta.
Como o bairro é distante da região central, o consumo de narcóticos começou por volta de 1980, de forma discreta e restrita. Mas a situação se agravou, tanto que muitas crianças conhecem a forma e o cheiro da droga. Os 12 alunos do artista plástico são um exemplo. “O meu neto de oito anos também identifica com facilidade quando estão usando alguma coisa”, complementa Maria.
L.F.B, de 10 anos, que em função da alimentação deficiente aparenta ter de sete a oito, já experimentou cola de sapateiro, tiner, éter, maconha, crack e cocaína por influência de falsos amigos. “Quando conheci não sabia nem o nome certo dos produtos. Não ‘tô’ mais nessa onda não, mas conheço muita gente que ‘tá’”, declara enquanto desvia os olhos e ajeita o boné surrado sobre a cabeça.
Seu Luiz se recorda do episódio em que um garoto estava trabalhando em uma cooperativa de recicláveis quando denunciaram ao Conselho Tutelar. “Foram até o local, tiraram o menino de lá e advertiram a cooperativa. Não apresentaram nenhuma solução, tanto que pra ganhar algum dinheiro hoje o garoto vende drogas em frente a própria casa”, relata.
Para as lideranças do bairro, até os anos 1990, a participação do Conselho Tutelar e de outras autoridades era mais efetiva. A criança ou adolescente com problemas era obrigado a assinar um documento em que se comprometia a mudar, recebendo todo o acompanhamento necessário. “Este lugar sempre foi abandonado pelo poder público. Falo da Vila Alta, não da Vila Operária. As pessoas precisam aprender a diferenciar os bairros”, desabafa Luiz Carlos Prates e sugere que o primeiro passo seja educar os moradores da Vila Alta.
O boia-fria Jurandir Oliveira defende que pessoas de outros bairros e cidades costumam cometer crimes e se refugiarem na Vila Alta. “É triste porque fica a impressão de que faz parte da comunidade, o que não é verdade. Nem tudo que acontece de ruim na cidade deve ser atribuído a nós. É injusto”, reclama.
Curiosidade
A Vila Alta tem pouco mais de três mil moradores.
O estigma social da Vila Alta
Maria de Fátima: “Todo mundo era cidadão em outro bairro e aqui se tornou um João Ninguém”

Maria de Fátima no cruzamento com a Rua do Ipê, principal via de acesso da Vila Alta (Fotos: David Arioch)
Uma das lideranças da Vila Alta, um dos bairros mais pobres de Paranavaí, no Noroeste Paranaense, a catadora de recicláveis Maria de Fátima Oliveira conta um pouco da história do bairro que um dia foi conhecido como Vila do Sossego e atualmente soma mais de três mil moradores. Desse total, muitos já foram vítimas de preconceito social.
O começo nos anos 1970
A história da Vila Alta teve início em 1977, quando moradores de outros bairros foram obrigados a migrar para uma área desabitada além da Vila Operária. “Era só mato, não tinha nem árvore. Mudei pra cá alguns anos depois e lembro que aqui onde moro hoje só havia duas famílias, uma no Lote 1 e outra no Lote 16”, diz Maria de Fátima que já trabalhou como empregada doméstica, guarda e boia-fria. A catadora de recicláveis, assim como muitos outros habitantes da Vila Alta, nem sempre viveu na periferia.
Maria, que há 35 anos morou na região central de Paranavaí, serve de exemplo para mostrar como o desenvolvimento de um município pode ser prejudicial aos menos favorecidos. “Do Centro, mudei para o Jardim Panorama. De lá, fui para o Jardim São Jorge, até que me vi obrigada a vir pra cá, quando foi decretado o despejo. Isso aconteceu dois dias depois que cheguei do hospital com um filho recém-nascido”, lembra.
Os barracos de lona e os casebres de lata de óleo
Muitos dos moradores da Vila Alta passaram por situação semelhante por causa da supervalorização do custo de vida em outros bairros. “Todo mundo era cidadão em outro bairro e aqui se tornou um João Ninguém. Éramos excluídos da sociedade e muitos nos tratavam como ‘lixo humano’”, desabafa Maria de Fátima que aponta como um dos principais pioneiros o falecido Zé Bala.
Na década de 1980, ainda não havia muitas residências no bairro que se formou a partir da Rua Benedito Brambila. A maior parte da área era ocupada por barracos de lona e casebres feitos com latas de óleo de cozinha. “Era tanto barraco que a gente parecia um bando de urubus. Sempre fazia aquele barulhão quando o vento batia”, comenta.
O preconceito contra os moradores
A população também não contava com recursos básicos. Assim como a energia elétrica, o acesso à água surgiu bem depois, e de forma precária, quando o Centro Social Urbano instalou duas torneiras no bairro. Para piorar, conseguir emprego no comércio local era quase impossível. “No Centro, ninguém dava emprego para quem era da Vila Alta. As moças e os rapazes mentiam, mas logo que descobriam eram demitidos. O preconceito era muito grande”, revela Maria.
Um ex-gerente de uma loja de departamentos de Paranavaí, que pediu para não ser identificado, ressalta que por muitos anos recebeu recomendações para não contratar moradores da Vila do Sossego. “A gente tinha o costume de generalizar mesmo, era uma questão até cultural, de família e convivência social. Pensava que o morador de lá era diferente, não era confiável. A gente sempre o julgava da pior maneira”, admite outra testemunha, o empresário Juliano Fernão Garcia. Recentemente, um mototaxista pediu que o artista plástico Luiz Carlos Prates descesse da moto ao informar que o destino era a Vila Alta.
O desemprego e o trabalho braçal
Embora uma parte dos moradores tenha conquistado bom espaço no mercado de trabalho, concluindo o ensino superior e tornando-se enfermeiros e professores, a maioria ainda está relegada ao desemprego e às linhas de produção das agroindústrias, colheita de laranja, corte de lenha, mandioca e cana-de-açúcar.
“Muitos atuam como pedreiros fora de Paranavaí. Uma minoria trabalha no comércio e coleta materiais recicláveis”, relata Maria que ainda se recorda de episódios em que lojas da região central se recusavam a vender produtos para os moradores da Vila Alta, caso o pagamento não fosse à vista.
O sentimento de não pertencimento a Paranavaí
A principal queixa dos moradores é a de que grande parte da população de Paranavaí não vê as qualidades do bairro. Por isso, há um sentimento de não pertencimento à cidade e uma crença de que ao longo de mais de 30 anos a maior parte das conquistas é resultado de um trabalho comunitário.
“Somos bem unidos, tanto que muitas casas foram feitas em comunidade, com a ajuda de vizinhos e amigos”, garante a catadora de recicláveis, sem deixar de citar que receberam ajuda de pessoas de outros bairros e cidades.
O orgulho da periferia
A Vila Alta se orgulha dos seus trabalhadores que atuam na construção civil. Muitos desempenham função determinante na criação de condomínios e luxuosas residências situadas nas áreas nobres de Paranavaí. O bairro também é visto pelos moradores como um celeiro de artistas, pintores e vendedores. Ainda assim, a população clama por mais empregos, já que muitos se distanciam da família quando conseguem trabalho somente fora de Paranavaí.
Entre os moradores entrevistados é unânime o desejo de ver no futuro uma Vila Alta mais moderna, com a estrutura de uma pequena cidade e maior renda mensal. A população reclama da falta de opções de lazer, tanto para crianças quanto adultos. “A situação não é fácil, mas estamos lutando para melhorar ainda mais a vida na comunidade”, acrescenta Maria de Fátima.
Uma pequena dose de realidade sobre o mundo do fisiculturismo
Janice Engel: “Em Bodybuilders, tento explorar os extremos dos profissionais, amadores e promotores”
Nos Estados Unidos, o documentário Bodybuilders, de Janice Engel, lançado em 2000, até hoje desponta como o segundo filme mais popular sobre fisiculturismo, perdendo apenas para o clássico Pumping Iron, de Robert Fiore e George Butler, que chegou aos cinemas em 1977 e garantiu ainda mais notoriedade mundial a Arnold Schwarzenegger.
Produzido de forma independente, Bodybuilders foi exibido por quatro redes de televisão ao longo de oito anos, com destaque para a veiculação na Discovery Channel, onde o documentário obteve uma audiência que superou as expectativas. Dirigido e escrito por Janice Engel, o filme conta ainda com co-roteiro do ex-fisiculturista e ator Lou Ferrigno.
“Em Bodybuilders, tento explorar os extremos dos profissionais, amadores, promotores e estrelas capazes de fazer o possível para manter-se no topo das competições de ‘culto ao corpo’”, explica Janice que em uma escala de 0 a 10 obteve nota 8,8 da crítica nos EUA. A princípio, a ideia da diretora era fazer algo mais curto e conciso, mas a repercussão do tema e a facilidade em encontrar boas fontes permitiram que o documentário crescesse um pouco mais.
Bodybuilders é um filme especial que de forma estratégica ganhou espaço na TV norte-americana após a virada do milênio. Foi apresentado como uma obra sobre um estilo de vida e esporte do passado, presente e principalmente do futuro. Em 2000, o bodybuilding ainda era pouco conhecido até pelos praticantes de musculação.
“Quis mudar isso e apresentar informações que pudessem ajudar até quem não gosta de levantamento de peso a entender esse universo”, comenta a diretora que lançou luz sobre as várias camadas que envolvem o fisiculturismo, inclusive assuntos tabus. Embora não seja popular no Brasil, onde o fisiculturismo cresce a cada ano, o filme Bodybuilders é considerado uma espécie de manual em vídeo do fisiculturista.
Em alguns aspectos, se comparado a Pumping Iron, a obra de Engel é menos ficcional e mais contundente. No entanto, pouco discute sobre a realidade do uso de esteroides anabolizantes e outros fármacos que auxiliam na rotina de atletas profissionais e amadores. Talvez por um cuidado em evitar polêmicas desnecessárias por parte de quem já encara a modalidade com bastante preconceito.
O que sem dúvida ajudou o documentário a tornar-se uma referência em fisiculturismo e musculação são as participações de algumas lendas do bodybuilding mundial como Arnold Schwarzenegger, Lou Ferrigno, Frank Zane, Jay Cutler, Lesa Lewis, Kim Chizevsky, Stan McQuay, Corinna Everson, Craig Titus, Travis Wojcik e os célebres irmãos Joe e Ben Weider, fundadores da International Federation of BodyBuilding and Fitness (IFBB) e criadores do Mr. Olympia, a mais cultuada competição do bodybuilding mundial.
“Pude entrevistar várias vezes o Craig Titus. Ele foi muito receptivo e honesto com relação ao uso de esteroides em cada preparação para o Mr. Olympia”, revela Janice Engel em referência ao promissor fisiculturista que em 2006 foi preso pelo assassinato da sua assistente pessoal Melissa James em Las Vegas, Nevada. No filme, também são entrevistados importantes funcionários da IFBB, como Wayne DeMillia. Outro destaque é a preparação pre-contest do fisiculturista Stan McQuay na Musclemania, a maior competição mundial de natural bodybuilding.
Outra curiosidade sobre Bodybuilders é que no decorrer de oito anos de exibição do documentário nos EUA foram feitas algumas pesquisas pela Discovery Channel e outras emissoras avaliando a recepção do conteúdo. O resultado indicou que milhares de pessoas decidiram frequentar ginásios de musculação após assistir ao filme, o que surpreendeu Janice.
Quando o bodybuilding conquistou o cinema em 1948
Muscle Beach, o pioneiro dos filmes sobre fisiculturismo
Nem sempre o fisiculturismo foi pouco respeitado pela sociedade e menos valorizado por meios de comunicação. Se hoje vivemos um tempo em que o bodybuilding é distorcido para as massas, visando intensificar a desinformação e o preconceito ao diferente, é importante entender que nos anos 1940 a modalidade era tão admirada nos Estados Unidos que tinha status de atração turística.
Tudo isso e muito mais é retratado no filme Muscle Beach, de 1948, dos cineastas Joseph Strick e Lerner Irving, que levou milhares de pessoas comuns para os cinemas dos EUA, interessadas em conhecer e admirar os físicos perfeitos de homens e mulheres que frequentavam a Muscle Beach de Santa Monica, na Califórnia. A primeira obra sobre o bodybuilding apresenta a realidade dos fisiculturistas amadores que dividiam o mesmo espaço de treino com ginastas e praticantes de outros esportes.
Embora o bodybuilding tenha se profissionalizado em ambientes fechados e privados, a verdade é que o berço da modalidade é a praia, como apresenta Muscle Beach. O filme mostra atletas treinando rodeados por uma plateia de entusiastas e crianças que desde cedo aprendiam a cultivar uma bela relação com a natureza. Na obra, até os pássaros e outros animais se aproximam enquanto os bodybuilders mantêm o foco nas barras e halteres. Com uma estética vívida, iluminada, plácida e pueril, o filme é uma ode ao belo. Nem mesmo as limitações técnicas do cinema em preto e branco, com certa predominância do cinza, ofuscam a luz que se sobressai e transcende em cada cena.
O que também chama atenção em Muscle Beach é a harmonia e a alegria irradiadas pelo cenário. O filme contagia, embora não seja pautado em uma história nem em diálogos. É um registro fiel e nostálgico do bodybuilding em sua forma mais clássica. Strick e Irving tiveram uma grande preocupação em mostrar que a harmonia do corpo é capaz de promover uma conformidade psicológica e emocional com reflexos positivos no ambiente. Não foi preciso dar voz aos personagens para transmitir isso; bastou mostrá-los em seu habitat.
É possível interpretar que aqueles atletas não viviam para o corpo, mas sim o corpo vivia para eles, pois todos os resultados foram conquistados com a alegria e satisfação proporcionadas pela natural busca da qualidade de vida, sem excessos; como se o homem reconhecesse a sua necessidade de manter o corpo em movimento e desenvolvimento. Embora o filme não aborde o assunto, a Muscle Beach de Santa Monica era uma referência turística não apenas pela qualidade da praia. Todos queriam ver de perto o que aquelas pessoas faziam para conquistar uma forma física tão cativante.

As rotinas de treino em Muscle Beach eram acompanhadas por plateias de admiradores (Foto: Reprodução)
Joseph Strick e Lerner Irving viajaram até a Muscle Beach, onde passaram três dias acompanhando o cotidiano de um grande número de atletas. O local também era famoso por ser uma área de aluguéis baratos e equipamentos de levantamento de peso disponíveis gratuitamente a qualquer hora do dia. O ginásio a céu aberto de Santa Monica foi frequentado por importantes nomes do bodybuilding. Alguns exemplos são Vic Tanny, Jack LaLanne, Joe Gold, Chet Yorton, Steve Reeves, Vince Edwards, Jack Delinger, George Eiferman e Dave Draper. Anos mais tarde, atraiu os atletas Larry Scott, Arnold Schwarzenegger, Franco Columbu, Hulk Hogan, o ator Danny Trejo e muitos outros.
A trilha sonora é uma singela viagem pela perspectiva do cantor Earl Robinson que do início ao fim narra as belezas do local e das pessoas que o frequentavam. Em 2008, o filme Muscle Beach foi recuperado pela Academy Film Archive e relançado em 2009 pela San Francisco Cinematheque que o avaliaram como um dos grandes documentários da cultura norte-americana do século XX.
O fisiculturista e eu
Filme canadense mostra como o bodybuilding ajudou a fortalecer uma relação entre pai e filho
Lançado em 2007, The Bodybuilder and I é um filme do canadense Bryan Friedman que decide acompanhar a rotina de fisiculturista do próprio pai. A princípio, a ideia do rapaz era registrar o bodybuilding como uma subcultura recheada de esquisitices. Talvez, uma maneira de conseguir a atenção do homem com quem viveu ao longo de 26 anos, mas jamais o conheceu de verdade.
O advogado Bill Friedman, de 59 anos, é um ex-sedentário e ex-viciado em trabalho que após um longo e desgastado casamento é surpreendido por um pedido de divórcio. Bill se torna depressivo, mas renasce com a musculação, colocando-a em primeiro lugar na sua vida. Chega a deixar pra trás uma carreira extremamente lucrativa que lhe garantiu uma mansão, os melhores carros e uma fortuna que proporcionou estabilidade financeira para toda a família.
Após vencer duas importantes competições de bodybuilding da sua faixa etária, Friedman consegue atrair a atenção do filho Bryan. O rapaz então acompanha a jornada do atleta apenas com a intenção de destacar o quão estranho pode ser o bodybuilding como uma subcultura. Sem um profundo ou forte vínculo com o pai, Bryan registra todas as etapas da rotina, desde a hora em que ele acorda até o momento de dormir.
“Meu objetivo era mostrar como somos distantes e também como aquele mundo poderia parecer mais importante pra ele do que a própria família. Era pra ser algo sobre um velho fisiculturista obsessivo quanto aos seus músculos”, conta o cineasta Bryan Friedman que mesmo com uma vida de luxo sempre se sentiu mal pela ausência da figura paterna. Ao contrário do planejado, o filme ganha outro rumo quando o filho ressentido começa a aprender muito sobre o pai.
The Bodybuilder and I é uma história sobre como a conexão entre pai e filho pode ser algo valoroso, verdadeiro e intenso, independente de tempo. Um filme sincero e bem-humorado que tem um caráter testemunhal sobre as possibilidades dos seres humanos se reencontrarem e tentarem entender o que é importante um para o outro. Com 60 anos, o extrovertido Bill Friedman luta para recuperar o status de campeão mundial da categoria masters, se consolidando como um ícone do bodybuilding canadense.
Após algum tempo, o introspectivo Bryan se torna compreensivo quanto ao amor do pai pela musculação, atividade que disciplinou Bill e lhe deu mais ânimo para viver. É interessante a forma como o filho em alguns momentos do filme deixa claro o preconceito contra o bodybuilding. São cenas que representam com clareza a grande intolerância social que aflige o fisiculturismo em todo o mundo. O espectador pode interpretar que o sucesso de Bill na carreira profissional só foi possível em função de sua natureza pautada pela perseverança e disciplina.
Surge aí de forma subjetiva a ideia de que se alguém tem força de vontade o suficiente para seguir uma rotina intensa de treinos, dieta e outras regras que competem ao bodybuilding, essa mesma pessoa tem as qualidades mais importantes para ser bem sucedida em outras áreas. The Bodybuilder and I, vencedor do Prêmio de Melhor Documentário do Festival Internacional de Documentários do Canadá (Hot Docs) e Atlantic Film Festival, é uma obra de esperança voltada principalmente para pais, filhos e qualquer um que desconheça o poder transformador que possui dentro de si. Dirigido e escrito por Bryan Friedman, o filme é co-produzido pela January Films e National Film Board of Canada.
“Sou prostituta sim, acompanhante não”
Mar, uma profissional do sexo sem falsos pudores
Nas imediações do Terminal Rodoviário Urbano de Paranavaí, no Noroeste Paranaense, é possível encontrar muitos personagens marginalizados que fazem parte da história underground da cidade. Enquanto alguns têm pouco a dizer, outros têm muito. Um exemplo é a mulher que prefere ser identificada apenas como Mar.
Há quase 20 anos atuando como profissional do sexo, Mar conta que perdeu as contas de quantos clientes atendeu. “A gente tenta registrar tudo no começo, cheguei até a ter uma caderneta. Depois se perde o interesse e o sexo mais do que nunca se torna apenas uma parte da rotina”, comenta enquanto retoca o batom vermelho no canto da boca.
Mar não esconde a vaidade. Mantém os cabelos escovados, a postura altiva, o entorno dos olhos bem pintados e admite que se veste como se se preparasse para um encontro. “Me sinto bem assim. Não faço pelos clientes porque já passei dessa fase. Preciso me sentir bem comigo mesma”, confidencia.
O expediente de Mar, que já trabalhou em inúmeras “casas de mulheres” e hoje tem um local próprio de atendimento, começa no final da tarde, mesmo com muita claridade. A jornada de trabalho oscila muito, mas reconhece que já atendeu até sete clientes em um dia. “Não aceito mais de um por vez. Teve época que eu ainda aceitava casais, agora não”, diz a mulher que já fez programas com homens dos mais diversos perfis, classes sociais e faixas etárias.
Com 35 anos e muita experiência, Mar explica que nunca entendeu porque tantas profissionais do sexo não toleram o termo prostituta. “Deveriam ser vistas como acompanhantes se realmente fossem contratadas para acompanhar alguém, mas eu nunca vi nenhuma mulher ganhar apenas pra isso. Então eu digo que sou prostituta sim, acompanhante não”, destaca em tom de voz acalorado.
Dos clientes que já atendeu, se recorda de alguns que tinham desejos incomuns. Houve um podólatra que pediu para roer os dedos dos pés de Mar enquanto ele movimentava o corpo no chão, como um réptil. “Falou que isso o excitava muito. Também teve um cara que trouxe pedaços de elástico pra eu prender seus testículos”, exemplifica. Segundo Mar, só quem trabalha nesse ramo sabe que há muita gente aparentemente normal velando seus anseios pela perversão sexual.
“Você não tem ideia de como existem homens que gostam de apanhar. Há pouco tempo, atendi um senhor que me trouxe um daqueles rolos antigos de massa de macarrão. O sujeito pediu que eu batesse em sua bunda com aquilo porque lhe trazia lembranças da infância”, revela com um sorriso enviesado. Os pedidos mais bizarros partem de quem ocupa posição social mais elevada.
Aparentemente, são pessoas infelizes na vida pessoal que a procuram na tentativa de se desvincular da realidade e criar uma nova identidade, nem que seja por tempo bem curto. “Mesmo quando revelam o nome verdadeiro, eles preferem que sejam chamados por outro nome ou apelido”, confidencia. Mar jamais foi desrespeitada pelos clientes, embora alguns tenham sido um pouco agressivos e demonstrado certa inabilidade social.
A mulher relata que apesar do estilo de vida nem sempre estável, não se arrepende da sua trajetória. Garante que como prostituta lucra mais que muitos profissionais despejados no mercado de trabalho pelas universidades. “Sou graduada em pedagogia, mas optei por não atuar na área porque na época eu ganhava muito mais do que uma profissional do ramo”, justifica. Sem filhos e vícios, Mar não gosta nem do cheiro de álcool e fumo. Ao longo dos anos, conseguiu comprar uma casa em um bairro nobre, carro e ainda guardar dinheiro em uma conta poupança, investir no visual e fazer até cinco viagens nacionais e internacionais por ano.
Criada em uma família desestruturada, Mar é filha única de um alcoólatra e uma viciada em medicamentos e jogatina. “Se endividavam e vendiam até móveis e roupas para alimentar o vício. Era raro o dia que o meu pai não me batia. Me espancava com qualquer coisa que estivesse ao alcance da mão. Tinha tanto medo dele que às vezes fazia xixi nas calças só de ouvir seus passos”, lembra.
Mar fugiu de casa aos 12 anos. Morou na rua alguns meses e foi localizada por uma tia que lhe deu abrigo até os 16 anos, quando a mulher faleceu em decorrência de um câncer no estômago. Sozinha, Mar tinhas duas opções: voltar para casa ou morar na rua. “Foi aí que uma amiga me falou que estava se prostituindo para sobreviver. Relutei muito no começo, mas acabei cedendo e hoje estou aqui”, enfatiza.
Sobre o amor, Mar nunca nutriu esperanças em demasia. Prefere ser prática, mas não radicalmente pragmática. “Sim, já tive alguns bons relacionamentos durante a vida, mas sempre busquei um certo equilíbrio. Nunca menti sobre a minha profissão. Não tenho motivo pra isso. Sou quem sou, me aceitei há muito tempo e isso me basta para ser feliz do meu jeito”, assegura.
Mojica Marins e o Fim do Homem
Lançado em 1971, Finis Hominis (Fim do Homem), do cineasta brasileiro José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, é um controverso filme de influência niilista e iconoclasta que aborda a carência e a fragilidade humana a partir da idolatria de um homem incomum.
Na primeira cena de Finis Hominis, um sentimento de angústia é proeminente. Ao redor do protagonista – o próprio Mojica Marins, que parece confuso ao surgir por meio de um artifício surreal, desponta uma paisagem em que o uso de filtro ressalta uma penumbra; possível referência à escuridão que permeia a natureza humana.
Pouco tempo depois o estranho recebe o nome de Finis Hominis. O personagem representa o antiparadigma do homem considerado normal. Mesmo pouco comunicativo e de aparência extravagante, desperta atenção por onde passa, conquistando uma infinidade de seguidores que veem no anormal um alicerce de segurança e possibilidade de redenção.
Em Finis Hominis, Mojica Marins adianta o que aconteceria muitos anos depois; um grande aumento do número de igrejas. Também enfatiza, por meio da dialógica, que o homem é um ser extremamente vulnerável e refém do status quo. O cineasta questiona até que ponto o ser humano é capaz de ser fiel as suas ideologias e crenças, não se deixando levar pelas tentações do acaso.
Em uma das cenas, Finis Hominis arremessa um monte de moedas em meio a um grupo de hippies que como seres irracionais começam a brigar pela posse do dinheiro, ignorando os próprios valores. O personagem não se surpreende, simplesmente vira as costas e vai embora, como uma figura provocadora e ao mesmo tempo alheia.
Curiosidade
Finis Hominis é o único filme de José Mojica Marins lançado durante a Ditadura Militar que não foi censurado.
O sangrento faroeste à Tarantino
Django Unchained mistura bang-bang, drama e comédia em um cenário de violência extrema
Django Unchained, do cineasta estadunidense Quentin Tarantino, é uma obra audaciosa com quase 2h50. Mesmo longa, é capaz de cativar a atenção do espectador do início ao fim. Memoráveis as interpretações do austríaco Christoph Waltz, Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson. Me diverti muito com o personagem Big Daddy, interpretado pelo multifacetado Don Johnson que incorpora a comicidade, a sátira e a estupidez dos latifundiários sulistas estadunidenses nos tempos da escravidão – é uma bela caricatura da ignorância.
Surpreendente a maneira como Tarantino consegue costurar bang-bang à americana, drama, comédia e ao mesmo tempo brincar com elementos da cultura pop, transportando a música contemporânea e urbana dos EUA para o Velho Oeste Pré-Guerra da Secessão. Tarantino é ousado e acredito piamente que ele faz filmes para si mesmo, mas nessa de ser autoral, de fazer um cinema híbrido, que homenageia os gêneros e cineastas com quem muito aprendeu, acaba sempre, de algum modo, traduzindo os anseios do público que frequenta as salas de cinema do mundo todo. Um exemplo?
Django Unchained foi lançado mundialmente no final de dezembro e conseguiu desbancar milhares de obras que ganharam o mercado estadunidense no ano passado. Ainda assim, foi eleito nos EUA um dos dez melhores filmes do ano. Quentin Tarantino 2012 continua criativo, experimentador, filosófico e não tem medo de conduzir o público ao nonsense. Justo, já que nem todo personagem, assim como ser humano, tenta ou precisa fazer sentido o tempo todo. Talvez por isso, o trabalho do homem seja sucesso de público e crítica.
O filme tem uma estética incandescente que remete ao western spaghetti e casa magistralmente com o objetivo do personagem principal, Django (Jamie Foxx), um ex-escravo que se torna um caçador de recompensas e parte em busca de sua Broomhilda, numa livre interpretação do mito germânico e islandês de Brunhilde e Siegfried. A exemplo de Inglourious Basterds e da franquia Death Proof, Tarantino explora com muita violência audiovisual – é sangue do início ao fim, o tema retaliação. O cineasta presta tributo ao cinema B que para cobrir as lacunas das falhas orçamentárias apelava para o gore ou splatter. Entre os personagens, não posso deixar de destacar o old house nigger Stephen, interpretado ruidosamente pelo inconfundível Samuel L. Jackson.
O homem é fiel apenas ao seu “dono” e, embora tenha uma autonomia de pensamentos, age como se fosse um animal de estimação. Em uma das extremidades da hipocrisia, trata os demais escravos como se não fossem iguais a ele – nem mesmo humanos. Interessante como Quentin Tarantino expõe através do caçador de recompensas alemão King Schultz (Christoph Waltz), personagem que qualifica Django para o trabalho, a origem negra do escritor francês Alexandre Dumas na biblioteca do fazendeiro francófilo Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), um cruel escravocrata. Como não poderia deixar de ser, a música incidental do filme é assinada pelo lendário Ennio Morricone, o maior compositor de trilhas sonoras do cinema western.
O poder transformador da musculação
Facing Goliath narra a história de superação do fisiculturista canadense Ray Taylor
Lançado em 2006, o documentário Facing Goliath, do cineasta canadense Kirk Pennell, mostra como o fisiculturista e ator Sebastian MacLean ajudou Ray Taylor, um amigo deficiente visual e obeso, a transformar a própria vida aos 50 anos. Com o apoio de MacLean, Taylor descobre na musculação uma nova realização pessoal e decide superar muitos desafios para se tornar um fisiculturista.
Certo dia, Ray Taylor recebe a notícia de que está perdendo a visão do único olho com o qual ainda enxerga. Acreditando que será muito difícil evitar a depressão, Taylor liga para o amigo Sebastian MacLean e pergunta se a melhora da condição física pode afastá-lo dos problemas psicológicos e emocionais. Então o fisiculturista o desafia a participar de um programa de transformação corporal com duração de 12 semanas. “Aceitei o desafio e consegui perder 40 libras [pouco mais de 18 quilos]. Me superei porque acredito que não existe limites quando se quer alcançar um objetivo”, diz Ray.
No filme, MacLean, que competiu como fisiculturista por mais de dez anos ininterruptos, é contagiado pelo empenho do amigo que toma a decisão de se tornar um bodybuilder. “Com a parceria de Ray, me senti até mais animado para competir”, conta o experiente fisiculturista que coleciona prêmios e já foi apontado como uma das revelações do fisiculturismo natural canadense. Em várias oportunidades, chegou a ser destaque da revista Muscle Mag, especializada em bodybuilding.
Sebastian é o responsável por introduzir Ray no universo do fisiculturismo clássico, onde a relação com as origens do esporte e a busca pela excelência da condição física remetem aos grandes atletas do passado, principalmente da Era de Ouro. É uma filosofia de vida em que a forma harmoniosa se sobressai ao físico exagerado e volumoso. Com MacLean, Taylor aprende que o bodybuilding tradicional tem como alicerce o equilíbrio.
Ray se apega a musculação como uma razão existencial. Um ano depois, mesmo ciente de que faltam apenas alguns meses antes de ficar cego, Taylor intensifica o treinamento. Durante o campeonato nacional, o atleta chega a chamar mais atenção do que o treinador. Por onde passa, independente de resultados, Ray conquista novos fãs e é aplaudido a cada pose. “Eu era completamente sedentário. Ninguém nunca imaginaria que isso aconteceria comigo”, comenta Taylor que sempre se emociona ao final das competições.
Facing Goliath não é apenas um filme sobre a superação de um homem, mas também uma história de amizade, cumplicidade e apoio. Logo no início do documentário, Sebastian ajuda Ray, um amigo em dificuldade. Depois, Taylor quem apoia MacLean a se tornar um fisiculturista ainda melhor. E juntos, chegam ao topo, participando dos mesmos campeonatos e partilhando novas experiências. “Desde o princípio, minha intenção era mostrar que o coração é o músculo mais poderoso do corpo humano. Sebastian e Ray são as provas disso. Se mantêm fortes e unidos até nas situações mais difíceis”, destaca o cineasta Kirk Pennell.
Curiosidade
O filme Facing Goliath, resultado de uma parceria entre os canadenses Kirk Pennell e Sebastian MacLean, já foi exibido em pelo menos 116 países.























