Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
Leandro Karnal: “Os vegetarianos são insuportáveis”
“Eles ficam querendo pregar que a vaca tem direito e a cenoura não”
Está disponível no YouTube uma palestra do professor Leandro Karnal intitulada “Os Novos e os Velhos Pecados”. Em um determinado momento, o historiador diz que “Os vegetarianos são insuportáveis. Eles ficam querendo pregar que a vaca tem direito e a cenoura não.” Quando você compara um animal com uma cenoura, você está querendo dizer que um animal sofre tanto quanto uma cenoura, ou seja, há uma banalização do sofrimento e da violência. Agora imagine o que isso pode representar na cabeça de um jovem que já não gosta muito de animais.
Bom, achei uma pena vê-lo fazendo esse tipo de comentário satírico e sem embasamento, ainda mais levando em conta que ele costuma viajar pelo país ministrando palestras sobre moral e ética. Pelo jeito, ele precisa estudar sobre direito animalista, que também versa sobre moral e ética. Karnal costuma citar filósofos gregos em suas palestras, e parece-me que ele não sabe que era comum entre eles uma alimentação isenta de carne, e por uma questão moral – o que contrapõe sua observação mais do que irônica.
Em seus artigos e palestras, também há inúmeras citações a Arthur Schopenhauer. Creio que se ele conhecesse profundamente o trabalho do filósofo alemão jamais teria ignorado o fato de que Schopenhauer escreveu que animais não são artigos fabricados para o nosso uso, de acordo com informações da página 375 do livro “Parerga and Paralipomena: Short Philosophical Essays – Volume 2 .
Animais não são meros meios para quaisquer fins. Ao pensarmos que sim, somos coniventes com a violência contra outras espécies e incentivamos a exploração animal em todas as esferas, sendo permissivos inclusive com formas inimagináveis de privação e crueldade. E esse tipo de conduta em detrimento de outros seres vivos leva a um questionamento a respeito da nossa própria moralidade que não contempla ninguém além de nós mesmos.
Schopenhauer via isso como um tipo frequente de moralidade de conveniência. Sendo assim, pode-se dizer que a moralidade conveniente ao homem não é moralidade, já que a moralidade genuína depende de você não observar somente a si mesmo e as conveniências que envolvem apenas aqueles que são de sua própria espécie.
“É uma vergonha essa moralidade digna de párias […], chandalas, mlechchas e que não reconhece a essência eterna que existe em cada coisa viva, e brilha com significado inescrutável em todos os olhos que veem o sol”, escreveu Arthur Schopenhauer na página 173 do livro “O Fundamento da Moral”, publicado em 1840.
Seria mais honesto o historiador Leandro Karnal dizer: “Dane-se os animais e os vegetarianos”, que parece ser o que ele pensa, mas não fazer piadas sobre pessoas simplesmente por serem vegetarianas. É curioso reconhecer que já vi ele falando de moralidade e citando Tolstói. Provavelmente ele não sabe que o autor de “Guerra e Paz” e “O Primeiro Passo” era vegetariano.
A segunda obra que citei, publicada pela primeira vez em russo em 1883, fala justamente da nova concepção moral que Tolstói alcançou com o vegetarianismo. Então observo com certo pesar quando alguém discorre sobre moralidade e faz chacota do vegetarianismo, já que a moralidade vegetariana preza pelo bem-estar animal. Ou seja, tenta expandir a compreensão ética e moral para além daquela que abarca somente seres humanos.
Não é a primeira vez que vejo o Karnal cometendo esse tipo de deslize. Uma vez, quando assisti uma de suas palestras, ele confundiu esteroides anabolizantes com vitamina ADE, e usou a imagem de um rapaz para abordar o tema. Ou seja, é importante termos o cuidado de não abordarmos assuntos sobre os quais não temos conhecimento. Também é ético não expor pessoas à situação vexatória, mesmo que por meio de imagens.
O problema na atualidade é que há pensadores falando sobre assuntos que desconhecem. Seria muito mais interessante e proveitoso para todos se eles se preocupassem basicamente em transmitir informações sobre aquilo que estudaram e sobre o qual desenvolveram um raciocínio valorosamente crítico.
Algumas pessoas me disseram que o Karnal não disse nada de mais ao fazer piada sobre vegetarianos e os direitos animais, já que ele defende, mesmo que sem argumentos, o ponto de vista dele. Bom, se ele tivesse um programa de stand-up, eu não me importaria com o que ele falou. A diferença é que ele é um formador de opinião que viaja pelo país discutindo sobre moral e ética. Ademais, direitos dos animais tem tudo a ver com moral e ética. Logo se ele vai falar alguma coisa sobre isso, é importante sim estudar sobre o assunto.
Além de desconsiderar meu texto e não apresentar argumentos, Karnal continuou debochando de todos que o questionaram sobre o vídeo em que ele satiriza vegetarianos e os direitos animais. Pelo jeito, o historiador não sabe que vegetarianos e veganos, que se recusam a se alimentar de animais por uma questão moral, naturalmente defendem inclusive o direito à vida dos insetos. Parece que houve uma confusão com um entendimento particularista de especismo. Uma pena, mas cada um conhece a sua própria consciência.
“Se o problema é dor, bastaria dar sonífero para as vacas e matá-las ao som de Mozart, certo? Seria uma carne sem dor.” Muita sensibilidade vinda de alguém que discorre sobre filosofia. Ainda bem que na contemporaneidade tivemos e temos filósofos como Agostinho da Silva, Sônia T. Felipe, Peter Singer e Tom Regan, só para citar alguns, que foram e vão na contramão disso. Outro fato inesperado é que Leandro Karnal deletou os comentários de veganos e vegetarianos o questionando sobre o assunto.
Passagem em que Leandro Karnal ironiza vegetarianos e os direitos dos animais:
https://www.youtube.com/watch?v=ZAjKScwJvVc
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Sobre textos que tentam desqualificar o veganismo

Watson via o veganismo como uma forma de reparação moral e ética em relação ao tratamento que os seres humanos dispensam aos animais (Foto: Reprodução)
Acredito que muita gente tem lido e compartilhado dois textos que desmerecem o veganismo. Um deles se chama “Os Veganos e os Vegetarianos acreditam que não matam animais mas isso não é verdade”, publicado pelo Pensador Anônimo, e o outro é intitulado “O Mito do Veganismo”, publicado pelo blog Kataklysma, que se autointitula de ecologia radical e anticivilização. A fonte original do segundo é o blog Matar o Morir Ediciones.
Os dois seguem uma linha de raciocínio que se distanciam no decorrer de cada texto. O primeiro apresenta uma perspectiva obtusa em relação ao veganismo e bem-estarista em relação aos animais. Já o segundo, ao mesmo tempo que desqualifica o veganismo, propõe logo de cara uma transformação extremamente estoica e utópica para o momento atual, que mais parece saída de um filme de ficção científica.
Só para resumir, na minha opinião o maior equívoco desses dois textos é afirmar que o veganismo já começa errado quando fala que é uma filosofia de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade para com o reino animal. Não, não é exatamente isso que fala a Vegan Society.
Ela fala de buscar excluir, se esforçar para evitar todas as formas de exploração. Versa sobre a contribuição de cada um para reduzir cada vez mais a exploração, e tudo dentro das nossas possibilidades. O veganismo em essência nunca foi um movimento radical, muito pelo contrário, é um movimento pró-vida, e movimentos pró-vida nunca são radicais. Quem tem dúvidas disso, é só estudar a vida de Donald Watson, fundador da Vegan Society, o criador do veganismo como conhecemos hoje.
Ele era um sujeito bastante sociável, que simplesmente acreditava que os animais têm o direito de partilhar da mesma justiça dos seres humanos. Sim, ele foi um humanista antes de ser vegano. E quando alguém que discursa sobre isso vem com papo de anticivilização, já é possível perceber que há um nível desconcertante de incoerência conceitual.
Watson via o veganismo como uma forma de reparação moral e ética em relação ao tratamento que os seres humanos dispensam aos animais. Era alguém com um peculiar senso de justiça, não uma pessoa radical que disseminava um discurso totalmente fora da realidade como os detratores do veganismo tentam pincelar.
Como sempre digo, e acho que meu raciocínio vai ao encontro do que preconizava Donald Watson: “Minha prioridade é proporcionar o menor impacto possível aos seres vivos enquanto eu viver, e vou me adaptando às novidades sem problema algum.”
Bashevis Singer: “Não sou vegetariano pela minha saúde, mas pela saúde dos animais”
“Vou continuar sendo vegetariano, mesmo que o mundo inteiro comece a comer carne”
Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1978, o escritor polonês Isaac Bashevis Singer foi uma importante voz em defesa dos direitos dos animais no século 20. Vegetariano, o autor de clássicos como “A Família Moscat”, “O Mágico de Lublin”, “Spinoza da Rua do Mercado” e “Gimpel O Tolo”, abordou o animalismo em muitas de suas histórias. Entre as mais impactantes estão “O Açougueiro”, “O Escritor de Cartas”, “Sangue” e “Debaixo da Faca”.
Em “O Açougueiro”, que assim como muitos contos de Singer possui elementos surrealistas, ele narra os conflitos de um açougueiro kosher que reconhece a própria negação moral na morte de cada animal reduzido à carne, além da legitimação da injustiça e da naturalização da crueldade. A história se passa no século 19, em um shtetl, ou seja, em uma cidadezinha de população predominantemente judia.
No matadouro, o protagonista começa a ter devaneios com vacas e galinhas se preparando para uma retaliação. Elas querem se vingar por toda a violência perpetrada contra os de suas espécies. Em um determinado momento, os animais berram: “Todo mundo pode matar e todo assassinato é permitido.” Embora tenha sido publicado na revista The New Yorker em 25 de novembro de 1967, “O Açougueiro” continua sendo um conto bastante atual, em que o escritor judeu aborda a realidade da produção de carne e atua como uma consciência moral, uma luz para a sociedade.
Singer dedicou pelo menos 35 anos de sua vida ao vegetarianismo, qualificado por ele como a sua própria religião. Sua principal motivação era a compaixão pelos animais. Antes de falecer em 24 de julho de 1991, aos 88 anos, o polonês concedeu uma entrevista ao escritor estadunidense Rynn Berry que o questionou se ele havia se tornado vegetariano por questões de saúde. “Não sou vegetariano pela minha saúde, mas pela saúde dos animais”, respondeu.
Isaac Bashevis, que escrevia principalmente em iídiche, não raramente questionava em seus contos a hipocrisia humana de consumir carne, e a incapacidade de ponderar sobre o real custo dela. Exemplo disso é um excerto do conto “Sangue”, do livro “Breve Sexta-Feira”, lançado em 1963.
Segurando o ganso, Reuben olhou Risha com intensidade, o olhar subindo e descendo e, afinal, detendo-se no peito. Ainda a fitá-la, golpeou o ganso. As penas brancas tingiram-se de sangue. O ganso torceu o pescoço, ameaçador, e súbito pulou, conseguindo voar alguns metros. Risha mordeu o lábio.
— Dizem que vocês nascem com instinto de assassinos, mas tornam-se açougueiros — disse ela.
— Se é tão delicada assim, por que me trouxe as aves?
— Por quê? Ora, é preciso comê-las!
— Pois para comer carne é preciso matar.

“O Açougueiro”, conto em que o escritor questiona a má relação do ser humano com os animais (Arquivo: The New Yorker)
Em “O Escritor de Cartas”, publicado na revista The New Yorker em 13 de janeiro de 1968, Singer narra a história de Herman Gombiner, um sobrevivente do Holocausto que vive em companhia de um rato. O vínculo entre os dois é tão intenso que Gombiner desenvolve uma consciência animalista: “O que eles sabem? Todos esses filósofos, todos os líderes do mundo? Convenceram-se de que o homem, o pior transgressor de todas as espécies é a coroa da criação. Todas as outras criaturas foram criadas apenas para fornecer-lhe comida e pele, para serem atormentadas e exterminadas. Em relação a elas, todas as pessoas são nazistas. Para os animais, há uma Treblinka eterna.”
O escritor polonês viu semelhanças entre a realidade das vítimas do Holocausto e dos animais transformados em comida, isto porque os dois viveram a experiência do confinamento em espaços apertados, sendo transportados sem água e alimento. “A diferença é que os nazistas tentaram varrer os judeus da face da Terra enquanto os pecuaristas visam sempre aumentar a produção e a quantidade de vítimas”, avalia o escritor Jeffrey Cohan, autor de “Isaac Bashevis Singer, Yiddish Food Writer”.
“Três açougueiros matavam aves sobre uma pia de mármore que refletia a luz de um lampião de querosene, estendendo-as depois a depenadores, que as depenavam e amontoavam-nas, ainda vivas, num cesto.” Excerto de “Debaixo da Faca”, página 66 de “Breve Sexta-Feira”.
De acordo com Isaac Bashevis Singer, quando um ser humano mata um animal para comer, ele negligencia sua própria fome de justiça. “O homem reza por clemência, mas não se dispõe a estendê-la aos outros. Por que então ele deve esperar misericórdia de Deus? É injusto esperar algo que você não está disposto a oferecer”, registrou no texto publicado como prefácio do livro “Diet for Transcendence: Vegetarianism and the World Religions”, de Steven Rosen, de 1987.
Questionado sobre o que diz a Bíblia em relação à sua filosofia de vida, Singer argumentou que a defesa do vegetarianismo pode ser encontrada no Velho Testamento. “Às vezes, eles dizem que Deus quer que animais sejam sacrificados e mortos. […] Mas eu acredito que Deus é sábio e mais piedoso do que isso. E há interpretações das escrituras religiosas dizendo que o vegetarianismo é um grande ideal. Se as pessoas aceitam ou não a interpretação do que é ser vegetariano no contexto da religião, isso não me importa. […] Vou continuar sendo vegetariano, mesmo que o mundo inteiro comece a comer carne”, declarou o premiado escritor na obra “Diet for Transcendence”.
Para Bashevis Singer, ser vegetariano é um protesto, um ato de discordância em relação ao status quo. “Poder nuclear, fome, crueldade, nós temos que nos posicionar contra essas coisas”, recomendou. Mas nada o entristecia mais do que o sofrimento animal. Citava como exemplo o fato dos animais serem capazes de demonstrar benevolência mesmo diante de uma faca ou outra arma a ser usada para matá-los.

“O homem não tem o direito de matar um animal e torturá-lo simplesmente para ‘encher sua barriga de carne'” (Foto: Reprodução)
“Isso me dá um sentimento de miséria e às vezes de raiva em relação a Deus. Você precisa de sua glória para estar conectado com o sofrimento de tantas criaturas ingloriosas, que apenas gostariam de passar alguns anos em paz. Sinto que os animais estão tão confusos quanto nós, exceto que eles não são capazes de comunicar isso”, desabafou em entrevista à revista Newsweek em 16 de outubro de 1978, após receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Segundo o escritor polonês, o homem não tem o direito de matar um animal e torturá-lo simplesmente para “encher sua barriga de carne”, ainda mais levando em conta que os animais podem sofrer tanto quanto os seres humanos. Na realidade, a sensibilidade e as emoções animais são ainda mais intensas porque eles não têm a capacidade de verbalizá-las. “Vários religiosos e filósofos tentaram convencer seus discípulos e seguidores de que animais não são nada mais do que máquinas sem alma, sem sentimentos. No entanto, qualquer pessoa que viveu com um animal, seja um cão, um pássaro ou um rato, sabe que esta teoria é uma mentira descarada, inventada para justificar a crueldade”, critica.
“O vento não era dos mais fortes, e no entanto Cunegunde sabia de onde vinha. Tinha o poder de sentir o odor de carvões fumegantes, carne e outra coisa oleosa e rançosa, cuja fonte somente ela podia perceber. Sua boca desdentada franziu-se num arreganho: “É uma pestilência, uma pestilência. A aproximação da morte…” Excerto de “Cunengunde”, página 138 de “Breve Sexta-Feira”.
Isaac Singer jamais deixou de se surpreender quando lia sobre humanistas, poetas altamente sensíveis, pregadores da moralidade e benfeitores de todos os tipos que sentiam prazer em caçar – perseguindo pobres lebres e raposas, e ensinando seus cães a fazerem o mesmo. “Pessoas dizem que quando se aposentar vão se dedicar à pesca. Falam isso com um entendimento de que a partir de então não farão mais mal a ninguém. Como se uma época de caridade e tranquilidade fosse começar em suas vidas. Nunca lhes ocorre por um momento que esses seres inocentes vão sofrer e morrer por causa de um esporte ‘inocente’. Às vezes, tenho medo de que a caça aos seres humanos também se torne um esporte”, lamentou.
No livro “Food for the Spirit: Vegetarianism and the World Religions”, de Steven Rosen, lançado em 1987, Singer afirmou que os seres humanos não terão paz enquanto continuarem derramando o sangue dos animais. “Foi necessário um pequeno passo baseado na matança de animais para que fossem construídas as câmaras de gás de Hitler e os campos de concentração de Stalin. Todas essas ações foram praticadas em nome da justiça social. Não haverá justiça enquanto o homem empunhar uma faca ou outra arma para destruir seres mais fracos que ele”, queixou-se. Por outro lado, o escritor reconheceu que sempre vão existir pessoas dispostas a protestarem contra a tortura e a matança de animais.
“Antes de morrer, chamou o rabi e os sete anciãos e informou-lhes que seu nome era Reuben, o açougueiro, com quem Risha cometera pecados. Durante anos vagueara ele de cidade em cidade, sem comer carne, jejuando às segundas e quintas-feiras, usando um saco à guisa de camisa e arrependendo-se de suas abominações.” Excerto de “Sangue”, página 31 do livro “Breve Sexta-Feira”.
Saiba Mais
Isaac Bashevis Singer nasceu em 21 de novembro de 1902 em Leoncin, na Polônia, e faleceu em 24 de julho de 1991 em Surfside, Flórida, nos Estados Unidos, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC).
Em Tel Aviv, em Israel, foi construído o Isaac Bashevis Singer Humane Education. O centro, que possui uma extensa biblioteca e uma grande videoteca, faz um trabalho de prevenção à crueldade contra animais. A entidade possui um programa específico para educar crianças judias e árabes sobre como elas podem ajudar os animais.
Referências
Singer, Bashevis Isaac. Breve Sexta-Feira (1963). Tradução de Hélio Pólvora. Livraria Francisco Alves Editora (1978).
Singer, Bashevis Isaac. The Collected Stories of Isaac Bashevis Singer. Farrar, Straus and Giroux (1983).
Noiville, Florence. Isaac B. Singer: A Life. Northwestern University Press (2008).
Berry, Rynn. Famous Vegetarians and Their Favorite Recipes: Lives and Lore from Buddha to the Beatles. Pythagorean Publishers (1993). Eight Printing (2003).
Rosen, Steven. From Food for the Spirit: Vegetarianism and the World Religions. Bala Books (1987).
Rosen, Steven. Diet for Transcendence: Vegetarianism and the World Religions (1987). Torchlight Publishing; Revised Edition (1997).
Cohan, Jeffrey. Isaac Bashevis Singer, Yiddish Food Writer (20 de novembro de 2012). Disponível em http://forward.com/food/166228/isaac-bashevis-singer-yiddish-food-writer/
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Agnon: “Quem nos ensina mais do que os animais da terra, e nos faz mais sábios que as aves do céu?”
“Para que eu não cometa o erro de desconsiderar qualquer criatura, faço questão de mencionar os animais domésticos, as feras e os pássaros”
Shmuel Yosef Agnon é considerado um dos nomes mais importantes da literatura hebraica moderna. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1966, o escritor israelense se destacou pela produção de contos e romances que abordam os conflitos espirituais da humanidade e o choque entre tradição e modernidade. Também recorrente em suas obras é o vegetarianismo, definido pelo próprio autor como uma filosofia de vida que preza pelo respeito aos animais.
“Para que eu não cometa o erro de desconsiderar qualquer criatura, faço questão de mencionar os animais domésticos, as feras, e os pássaros. Jó nos disse há muito tempo: ‘Quem nos ensina mais do que os animais da terra, e nos faz mais sábios que as aves do céu?”, discursou Agnon na cerimônia de premiação do Nobel de Literatura de 1966.
Shmuel Yosef dizia que os animais são a maior fonte de aprendizado da humanidade. Uma das lições foi materializada pelo escritor em “O Conto da Cabra”, publicado originalmente em 1925. Na história, que para os ocidentais pode trazer lembranças da parábola “O Lenhador e a Raposa”, um senhor fica maravilhado ao experimentar o peculiar leite de uma cabra. Segundo ele, é tão maravilhoso que tem o sabor do céu, do paraíso.
Ao perceber que o animal sempre desaparece por período inexato, o homem conversa com o filho, crente de que o gosto do leite tem relação com as viagens da cabra. O jovem então decide segui-la. O percurso que parece durar horas, mas pode significar até dois dias, termina em uma caverna, uma passagem para um paraíso inimaginável chamado Terra de Israel.
Extasiado, e ciente de que a véspera do sabat anteciparia a escuridão, ele se vê incapaz de retornar para casa. Preocupado, prende um bilhete na orelha da cabra e pede que ela a entregue a seu pai. Quando vê o animal chegando sozinho, o homem entra em desespero e pragueja a cabra, a quem responsabiliza pelo sumiço do filho. Movido por surto momentâneo, a entrega a um açougueiro. Depois que o animal é assassinado, o bilhete cai da orelha da cabra.
“Ai do homem que rouba de si mesmo a sua própria fortuna, e ai do homem que reivindica o bem com o mal”, gritou o velho arrependido, batendo as mãos na própria cabeça. O luto durou dias. O homem se debruçou choroso sobre o animal e se recusou a ser consolado. Na história, o leite é também uma metáfora dos caminhos e dos descaminhos do homem.
Um autor de gênio inquestionável, Agnon é apontado como um dos maiores contadores de histórias do século 20. Está entre os autores de língua hebraica mais elogiados e influentes da literatura. Sua escrita chama atenção pela forma como ele aborda os conflitos da humanidade e o resgate da tradição. Combinando realidade e surrealismo, Shmuel Josef sempre tratou com muita personalidade de questões filosóficas e psicológicas que até hoje transparecem atemporais.

O escritor vegetariano é apontado como um dos maiores contadores de histórias do século 20 (Foto: Reprodução)
A perda da inocência no mundo moderno, a turbulência espiritual vivenciada por quem se viu obrigado a deixar a própria casa, a pátria e, em alguns casos, até a fé, serviram de inspiração para o escritor judeu. Exemplo disso é a obra “Um Convidado para a Noite”, publicada em 1938. Autobiográfica, a história apresenta um narrador anônimo que retorna à Galícia depois de muitos anos, reencontrando sua cidade natal em estado de desolação. Para escrevê-la, Agnon se inspirou em uma visita que fez a Buczacz, onde nasceu, lugar que ele chamava de “a cidade dos mortos”.
Além de colocar em discussão o velho e o novo mundo que surgia, suas histórias sempre foram ternas, dotadas de um requinte onírico que leva o leitor a questionar se suas narrativas são reais ou fantasiosas. Em “Hakhnasat Kallah,“O Dossel Nupcial”, sua obra mais famosa, reconhecida como uma das pedras fundamentais da literatura hebraica moderna, Shmuel Agnon protesta contra o hábito judaico de servir carne no sabat. Faz isso com sutileza.
“Ele recebeu o sabat com doce canção e cantou melodiosamente sua santificação com vinho de passas. A mesa estava bem distribuída, com todos os tipos de frutas, feijões, matérias verdes e boas tortas…mas de carne e peixe não havia qualquer sinal”, escreveu na página 222.
Para o escritor israelense, o silêncio em face da injustiça equivale à cumplicidade. Sua defesa do vegetarianismo significava reprovar os maus-tratos contra os animais. Por isso, ele usava a sua literatura como forma de ampliar a percepção humana em relação à sensibilidade animal e às questões éticas que permeiam o direito à vida, independente de espécie.
Agnon publicou seu primeiro conto aos 18 anos
Shmuel Yosef Agnon nasceu em Buczacz, então Império Austro-Húngaro (atual Ucrânia), em 17 de julho de 1888. Criado em uma família bem diversificada, que incluía comerciantes poloneses judeus, rabinos e acadêmicos, Agnon não chegou a ingressar em uma escola. Recebeu educação de seu pai, que o ensinou o aggadah, a literatura rabínica, e de sua mãe, que o introduziu na literatura alemã.
Aos oito anos, começou a escrever em iídiche e hebraico. Entre os 15 e os 18 anos, produziu seus primeiros poemas e histórias. Na fase adulta, ao longo de três anos, e com um ritmo de produção mais intenso, escreveu 70 peças em hebraico e iídiche. Nesse período, deixou Buczacz e se mudou para Yafo, atual Jaffa, em Israel, onde adotou um estilo de vida secular.
O seu primeiro conto, intitulado “Agunot”, que significa “Esposas Abandonadas”, foi publicado na Palestina em 1908, um ano depois que adotou o sobrenome Agnon. Em 1913, o escritor emigrou para a Alemanha, onde viveu por 11 anos. Seu estilo agradou primeiro aos mais jovens, que viram qualidade na sua maneira de combinar tradição e modernidade.
A repercussão de seus trabalhos atraiu a atenção do magnata Salman Schocken, que se tornou admirador de Agnon e decidiu patrociná-lo. Sem se preocupar com dinheiro, Shmuel Yosef viveu muito bem logo nos primeiros anos de sua carreira. No entanto, quando um incêndio destruiu sua casa, ele interpretou aquilo como um sinal e tomou a decisão de retornar a Israel, adotando Jerusalém como lar. Em 1929, sua casa foi saqueada durante uma animosidade entre judeus e árabes.
Em 1932, Agnon conquistou prestígio internacional após o lançamento de “O Dossel Nupcial”. Mais tarde, obteve ainda mais reconhecimento quando lançou a antologia, “Days of Awe”, “Dias de Temor”, baseada em histórias de costumes judaicos. O escritor também publicou livros baseados em contos populares inspirados na cultura rabínica, além de contos inspirados na filosofia e nas lendas hassídicas. Vítima de ataque cardíaco, Shmuel Yosef Agnon faleceu em 17 de fevereiro de 1970 em Rehovot, Israel.
Saiba Mais
Além do Prêmio Nobel de Literatura, Shmuel Yosef Agnon recebeu o Prêmio Israel de Literatura em 1954 e em 1958.
Referências
Agnon, Shmuel Yosef. The Bridal Canopy (1931). The Toby Press; Reissue Edition (2015).
Agnon, Shmuel Yosef. The Fable of the Goat Whose Milk Taste of Eden (Tale of the Goat). Disponível em http://jhom.com/topics/goats/fable.htm
Agnon, Shmuel Yosef. A Guest for the Night (1938). The Toby Press (2015).
Gross, Aaron; Schwartz, Richard; Kalechofsky, Roberta; Levine, Jay. A Case for Jewish Vegetarianism. Peta Publisher (2012).
Fisch, Harold. S.Y. Agnon. Ungar Pub Co (1975).
Gershon Shaked, Shmuel Yosef Agnon: A Revolutionary Traditionalist. New York University Press (1989).
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Comissão do Senado, exploração animal e figuras sinistras
Comissão do Senado aprova projeto que torna vaquejada manifestação cultural no Dia do Veganismo. Mais uma vez, o Brasil na contramão do que é certo. É triste reconhecer até que ponto chega a ganância e a maldade humana. Veremos agora o que vai acontecer daqui em diante. Ainda é possível reverter isso.
Levando em conta essa decisão, quando saí de casa, comecei a refletir sobre a forma como o ser humano se aproveita dos animais. Me recordei da maneira como muitos são explorados e executados, como vemos em vídeos amadores de denúncias de sofrimento e morte animal. Curiosamente, me veio à mente lembranças de figuras sinistras como Ed Gein, Ivan Milat, Ed Kemper, Jeffrey Dahmer, Charles Manson, Ted Bundy, Anders Breivik, Woo Bum-Kon, William Unek, Andrei Chikatilo, Os Maníacos de Dnepropetrovsk e outros tipos de serial killers, mass murderers e rampage killers.
Ed Gein fazia roupas com o couro de suas vítimas. Ted Bundy arrastava garotas de forma bastante similar com o que já foi testemunhado em matadouros e vaquejadas. Milat e Dahmer não raramente gostavam de pendurar seus alvos em grilhões. Vocês já perceberam como o icônico Leatherface, do filme The Texas Chain Saw Massacre, inspirado em Ed Gein, aplica contra suas vítimas todas as técnicas que ele aprendeu em um matadouro? Inclusive usava ferramentas muito semelhantes. Talvez com exceção da serra elétrica. No filme, ele não faz nada do que seres humanos não tenham feito até então com os animais.
Tais tipos criminosos naturalizavam a tortura, o sofrimento e a morte. E todos eles começaram provocando dor em animais antes de escolherem suas primeiras vítimas humanas. São sujeitos que sempre se viram como senhores da vida e da morte. Não raramente, vemos pessoas em grande posição de tomada de decisões, defendendo, sob um falso princípio democrático, que os animais merecem o mesmo tratamento.
O texto acima é uma breve reflexão desconcertada. Pretendo produzir um artigo com melhor desenvolvimento de ideias sobre o assunto.
Vaquejada não é esporte, é violência
Do ponto de vista moral e ético, vaquejada nunca foi esporte. Em primeiro lugar, porque não há o consentimento do animal. Em segundo, porque o submete à situação vexatória análoga à tortura. Incompreensível também é defini-la como manifestação cultural, na tentativa de legitimar sua prática, endossar sua aceitação.
Cultura é uma palavra que no meu ideário sempre preferi relacionar, pelo menos instantaneamente, com coisas boas, embora infelizmente também seja atrelada a coisas ruins. Quando o assunto é cultura, logo penso em algo que ajude a elevar a alma humana e o desenvolvimento de nossas sensibilidades. É triste reconhecer que há manifestações culturais que envolvam privação e sofrimento a outros seres vivos. Como alguém pode se divertir ou ter prazer em algo assim? Não tenho dúvida alguma de que a vaquejada já não deveria mais ser vista em nossa sociedade como uma manifestação cultural, mesmo que endossada legalmente pelo desejo de uma minoria.
Tanto os filósofos da Grécia Antiga quanto os mais contemporâneos que não endossam a exploração animal convergem para um mesmo ponto quando falamos de ética. Eles argumentam que a ética não existe sem liberdade de escolha. Sendo assim, não há fundamento para a defesa da vaquejada quando alguém a qualifica como manifestação cultural. Ademais, nesse aspecto, penso que cultura e ética são indissociáveis. Nem poderia ser diferente, já que o animal não escolheu ter o seu rabo puxado violentamente para a efervescência da barbárie humana.
É uma pena que tanta gente continue se omitindo em relação às vaquejadas. São pessoas que poderiam contribuir para uma importante retomada de consciência em relação ao valor da vida animal. Falar em liberdade, igualdade e exploração quando se trata de outros assuntos, e ao mesmo tempo não se posicionar quanto a isso, me parece um paradoxo difícil de ignorar, porque grita conveniência, desinteresse por aquilo que não nos atinge diretamente. Há uma evidente ausência de empatia e respeito à vida; uma crença de que se a dor do outro não é a minha, ou se não a reconheço por sermos diferentes, pouco me importa.
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Coetzee: “Animais não precisam do meu amor. Não me preocupo com amor, me preocupo com justiça”
“Basta apenas um olhar para que uma criança se torne vegetariana por toda a sua vida”

Coetzee: Dada a chance, as crianças sempre verão além das mentiras com as quais somos bombardeados pelos anunciantes (Foto: Jerry Bauer)
Basta apenas um olhar para que uma criança se torne vegetariana por toda a sua vida. Com essas palavras, o escritor sul-africano John Maxwell Coetzee, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2003, e considerado um dos maiores autores de língua inglesa da atualidade, emocionou uma grande plateia em Sidney, na Austrália, no dia 22 de fevereiro de 2007, quando falou sobre os direitos dos animais. A repercussão foi tão positiva que seu discurso foi publicado em alguns dos mais importantes jornais do mundo.
“Animais felizes transformados de forma indolor em nuggets, o sorriso da vaca do comercial de leite que diz doar o próprio leite para nós. Dada a chance, as crianças sempre verão além das mentiras com as quais somos bombardeados pelos anunciantes. A respeito disso, crianças nos fornecem as mais brilhantes esperanças. Elas têm corações ternos, que não foram endurecidos por anos de conivência com a crueldade e com o comportamento antinatural”, declarou o vegetariano J.M. Coetzee.
Para o escritor avesso a entrevistas, qualquer pessoa disposta a refletir sabe que há algo de muito errado na relação entre os seres humanos e os animais, e isso se tornou mais aberrante nos últimos 100 anos, quando a pecuária se apropriou dos métodos industriais de produção. “A indústria de alimentos supera o comércio de peles e o uso de animais em laboratórios quando falamos em números de vidas animais afetadas. A grande maioria usa e consome produtos dessas indústrias, mas se sente mal quando pensa no que acontece nas fazendas industriais e nos matadouros. Por isso, eles organizam suas vidas de tal maneira que eles evitam pensar nisso. Também fazem de tudo para garantir que seus filhos sejam mantidos na escuridão, porque sabemos que crianças têm bom coração e mudam facilmente”, enfatizou.
Para Coetzee, o primeiro sinal de que os animais já não eram mais vistos como algo além de produtos apareceu no século 19, com o surgimento das primeiras fazendas industriais. Desde então, a humanidade tem se negado a reconhecer que animais não são meras unidades disponíveis à exploração humana. “Este aviso veio tão alto e claro que parecia ser impossível ignorá-lo. Mais tarde, um grupo sanguinário da Alemanha [em referência aos nazistas] teve a ideia de adaptar a metodologia dos currais industriais. Eles foram pioneiros nesse sistema que eles não chamavam de matadouro, mas sim de área de processamento de seres humanos”, assinalou.
Segundo o escritor, naturalmente esse horror chocou a humanidade. Muitos diziam: “Que terrível! Tratar seres humanos como gado!” Considerando isso, ele observou que se talvez as pessoas tivessem refletido um pouco mais à época, a queixa teria sido bem diferente: “O mais justo seria falar: ‘Que crime terrível! Tratar seres humanos como meras unidades de um processo industrial.’ E assim veríamos com outros olhos a proporção desse crime, já que é um crime contra a natureza resumir qualquer ser vivo a uma unidade de um processo industrial”, ponderou.
Independente do que diz os utilitaristas, Coetzee argumentou que a pecuária tradicional sempre foi suficientemente brutal. Sobre a exploração animal, pessoas sempre dirão: “Sim, é terrível a forma como vivem as porcas reprodutoras e os vitelos. Mas, quem vai, em seguida, encolher seus ombros e perguntar: ‘O que posso fazer sobre isso?’”, criticou o escritor sul-africano.
O papel do movimento em defesa dos direitos dos animais é oferecer opções para que as pessoas saibam o que fazer logo que descobrem o que acontece com os animais. “As pessoas precisam saber que há alternativas aos produtos de origem animal. Que essa alternativa não exige sacrifícios em saúde e nutrição, e nem mesmo são caras. O único sacrifício envolvido nisso é dos próprios animais não humanos”, destacou J.M. Coetzee.
O escritor também apontou para um fenômeno alentador. O fato de que atualmente as indústrias que exploram animais estão sendo empurradas para a defensiva. Ou seja, hoje, elas são sempre questionadas sobre suas ações. “As organizações de direitos dos animais mostram que as práticas indefensáveis e injustificáveis da indústria têm tão e somente motivações econômicas. A indústria está indo ladeia abaixo e já prevê que uma tempestade vai arrastá-la. Na medida em que há uma guerra de relações públicas, a indústria prova que já perdeu essa guerra”, analisou.
No dia 30 de junho de 2016, J.M. Coetzee também abordou os direitos dos animais no auditório do Museu Reina Sofia, em Madrid, na Espanha. “Eu não sou um amante dos animais. Animais não precisam do meu amor. Não me preocupo com amor, me preocupo com justiça”, informou Coetzee de antemão. Vegetariano, o escritor sul-africano tem ajudado a promover os direitos dos animais há várias décadas.
Uma de suas obras mais importantes, e que fala justamente sobre o assunto, é a novela metaficcional “The Lives of Animals”, publicada pela editora da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em 1999. A obra de caráter filosófico gira em torno dos conflitos vividos por uma professora e conferencista vegetariana que, ao advogar os direitos dos animais, encontra resistência no âmbito familiar e no trabalho. “Humanos pensam que são muito mais importantes do que os animais. Por isso, rejeitam a consciência animal. As pessoas precisam cultivar sua empatia”, defendeu J.M. Coetzee.
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John Maxwell Coetzee nasceu em 9 de fevereiro de 1940 na Cidade do Cabo, na África do Sul.
Referências
Coetzee, J.M. Exposing the beast: factory farming must be called to the slaughterhouse. Opinions – Article. The Sydney Morning Herald, Austrália (22/02/2007).
Coetzee, J.M.. Animals can’t speak for themselves – it’s up to us to do it. Opinions – Article. The Age, Austrália (22/02/2007).
AFP. Nobel laureate J.M. Coetzee speaks against animal cruelty. Daily Mail, Reino Unido (01/07/2016).
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Magalhães Lima: “Somarão milhões as folhas em que se encontram os nomes de vegetarianos que foram faróis do seu tempo”
“Desde que a nossa civilização pôde gravar seu rastro na história, a tradição do vegetarismo jamais se interrompe completamente”
Admirador de Liev Tolstói, a quem conheceu quando viajou à Rússia, o escritor português Jaime de Magalhães Lima foi um defensor e pesquisador do vegetarianismo. Ao longo da vida, publicou 30 livros, começando por “Estudos sobre a Literatura Contemporânea”, de 1886.
O encontro com Tolstói foi narrado no livro “Cidades e Paisagens”, de 1889. Inclusive a consciência vegetariana do escritor russo teve grande influência sobre o pensamento do português. “Uma das mais doces e encantadoras recordações da minha vida”, escreveu Magalhães Lima. Amigo do proeminente escritor Eça de Queiroz, com quem trabalhou na “Revista de Portugal”, e também do médico Amílcar de Sousa, para quem produziu muitos artigos publicados na revista “O Vegetariano”, Jaime Magalhães se tornou um importante ativista vegetariano, principalmente a partir de 1912, quando lançou o ensaio “O Vegetarismo e a Moralidade das Raças”.
“Que crime horrível lançar em nossas entranhas as entranhas de seres animados, nutrir na sua substância e no seu sangue o nosso corpo! Para conservar a vida a um animal, porventura é mister que morra um outro? Porventura é mister que em meio de tantos bens que a melhor das mães, a terra, dá aos homens com tamanha profusão, prodigamente, se tenha ainda de recorrer à morte para o sustento, como fizeram ciclopes, e que só degolando animais seja possível cevar a nossa fome?”, registrou o escritor na página 3 do ensaio, parafraseando o poeta romano Ovídio.
De formação cristã, Jaime Magalhães descobriu uma forma pessoal de espiritualidade. Influenciado pelo panteísmo que também mudou a vida de muitos escritores vegetarianos nos séculos 18 e 19, ele viu na adoração da natureza umas das mais importantes vocações do ser humano. “Percorre montes e vales, preferindo sentir a aspereza dos caminhos a percorrê-los sobre quatro rodas, ele que possui o primeiro automóvel de Aveiro”, consta na página 17 do Boletim Municipal de Aveiro, publicado em 1986.
De acordo com Jaime de Magalhães Lima, o vegetarianismo foi e é uma das características do zênite moral das civilizações, e como tal o aceitaram, proclamaram e praticaram os gênios que mais fundamente as compreendem e mais brilhantemente as serviram.
“Por certo, somarão milhões as folhas impressas em que se encontram os nomes de vegetarianos que foram na história dos povos da Europa, como sinais de sua grandeza, juízes e faróis do seu tempo e dos tempos futuros. E o vegetarismo, tendo já os seus altares e o seu punhado de fiéis em todos os países que atingiram a sua sensibilidade moral e religiosa, está infelizmente longe de ter penetrado na concepção vulgar das obrigações humanas, como é mister para a redenção de tantos e tão dolorosos males que nos afligem e perseguem por culpa da nossa cegueira e obscuridade”, observa o português.
Pitágoras, Percy Shelley, Élisée Reclus e Liev Tolstói foram considerados pelo escritor como arautos do vegetarianismo, que chamaram a atenção de multidões escravizadas pela primitiva animalidade, aviltados em sórdidos prazeres. “Desde que a nossa civilização pôde gravar seu rastro na história, a tradição do vegetarismo jamais se interrompe completamente. Em mais de vinte e cinco séculos, a sua taça passa de mão em mão, e ora se expõe à luz de sol erguida por austeros e hercúleos sacerdotes cuja rectidão e fôrça nos subjugam, ora é guardada devota e humildemente em solitárias ermidas, mas jamais se partiu ou sequer arrefeceu desamparada do alento de lábios que nela busquem beber a essência do vigor do corpo e do espírito”, defende.
Abordando a busca da superioridade moral elencada pelo filósofo grego Pitágoras, Magalhães Lima menciona que seis séculos antes de Cristo, já existia uma consciência que almejava a pureza moral e a abstinência da carne, assim como de todo o derramamento de sangue. “Não pode restar a menor dúvida de que nas origens da civilização se encontra imposta, como preceito fundamental, a abstinência da carne aos que pretenderem seguir na vida o caminho da dignidade”, declara na obra “Vegetarismo e a Moralidade das Raças”.
Havia em Crotona, um homem da ilha de Samos que se exilara da pátria pelo ódio que tinha aos tiranos. Tinha com os deuses aturado comércio. O que sabia comunicava-o a uma multidão de discípulos que em grande silêncio o admiravam. Foi o primeiro que condenou o uso de comer a carne dos animais: doutrina sublime, e tão pouco apreciada, cuja paternidade se lhe atribuía. Deixai, mortais, dizia, deixai de vos servir de manjares abomináveis: dão-vos os campos searas abundantes; para vós vergam de frutos as árvores com os mais belos pomos e produzem uvas as vinhas. Tendes legumes dum suave gôsto, excelentes alguns quando cozidos. […] Enfim para vós, a terra é pródiga de suas riquezas e oferece-vos toda a espécie de alimento sem que necessiteis para sustentar-vos de recorrer à morte e à carnagem, narra Ovídio.

“Não pode restar a menor dúvida de que nas origens da civilização se encontra imposta, como preceito fundamental, a abstinência da carne” (Foto: Reprodução)
Para Jaime de Magalhães Lima, um dos monumentos da dignidade humana são as obras morais do filósofo grego Plutarco, que versam sobre o vegetarianismo como última forma de legitimidade moral e fisiológica. O português, assim como outros vegetarianos como o médico estadunidense John Harvey Kellogg, também condenava o consumo de álcool, alegando que a bebida afasta o ser humano do seu estado natural. “Hoje, como então, a carne e o vinho são companheiros e cúmplices nessa embriaguez do nosso sangue”, sentencia.
Na ótica do escritor, somente aos animais convêm o consumo de carne. E, mesmo assim, poucos se sustentam dela. “Os cavalos, os bois e as ovelhas vivem só de ervas; apenas as feras, os tigres, os leões, ursos e lobos fazem da carne seu sustento habitual. […] Que a piedade não seja sacrificada à vossa gula, que para vos saciar não expulseis dos seus corpos as almas dos vossos pais nem vos alimenteis do seu sangue…”, enfatiza.
Sêneca, o intelectual romano a quem o escritor português admirava, dizia, inspirado em Focion, que o homem precisa reconhecer a sua capacidade de encontrar alimentos sem o derramamento de sangue. Do contrário, a crueldade há de ser mantida como hábito, já que a prática da carnificina passa a ser primeiramente associada ao prazer do apetite.
“Acrescentava ele que é nosso dever limitar os materiais da luxúria. Que, todavia, a variedade de alimentos é nociva à saúde e não é natural ao nosso corpo. Se estas máximas [da escola de Pitágoras] são verdadeiras, então nos abstermos da carne dos animais é animar e promover a inocência; se mal fundadas, ensinam-nos ao menos a frugalidade e a simplicidade da vida. E que perdeis vós perdendo a nossa crueldade? Apenas vos privo do alimento dos leões e dos abutres”, cita Magalhães Lima. Depois de mais de um ano de abstinência de alimentos de origem animal, Sêneca disse que não apenas era fácil ser vegetariano, como delicioso. Alegou também que as faculdades do seu espírito se tornaram mais ativas.
É acostumar-nos a derramar o sangue humano degolar animais inocentes e ouvirmos sem piedade seus tristes gemidos. É desumanidade não nos comovermos com a morte do cabrito, cujos gritos tanto se assemelham aos das crianças, e comermos as aves a que tantas vezes demos de comer. Ah! quão pouco dista d’um enorme crime!, transcreve Magalhães Lima, fazendo menção a Ovídio.
Outro argumento que reforça o posicionamento do português em relação à abstenção de carne é o fato de que para ganhar sabor é preciso submetê-la a um processo de transformação. “Qualquer dama de mãos mimosas que trinca com delícia uma costeleta coberta de pão e embalsamada em louro, em cravo, em salsa, em cebola, pimenta e limão, empalidece de náusea sentindo o cheiro do açougue, considera imundície um pedaço de carne crua nos seus vestidos, e foge mais depressa da praça do peixe do que da montureira que aduba a horta”, critica.
Na perspectiva de Magalhães Lima, na cozinha vegetariana ocorre o oposto. O esmero e a perfeição consiste em conservar inalterável o sabor próprio de cada alimento. “Muitos e muitos [crianças] que seriam incapazes de roubar de qualquer salgadeira um grama de toucinho, não resistem à tentação de se aproveitarem do primeiro cacho de uvas que lhes esteja à mão. Os assaltos às hortas e pomares são frequentes, e de tal forma isso parece estar na ordem natural que grande número dos homens rudes não lhes associe nem de longe a noção do crime. Longos séculos de corrupção da dieta não conseguiram atrofiar essas tentações de uma antiguidade bíblica, as mesmas que desgraçaram Adão e Eva”, compara.
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Jaime de Magalhães Lima nasceu em 15 de outubro de 1859 em Vera Cruz, Aveiro, e faleceu em Eixo, também em Aveiro, em 26 de fevereiro de 1936.
Referências
Lima, Jaime de Magalhães. O Vegetarismo e a Moralidade das Raças (1912). Editora Ônibus Mágico (2015).
Lima, Jaime de Magalhães. Cidades e Paisagens (1912). Biblioteca Digital (2015).
Lima, Jaime de Magalhães. Entre Pastores e nas Serras. Editora Portucel (1986).
Lima, Archer de. Magalhães Lima e a Sua Obra – Notas e Impressões (1911).
Boletim da Aderav, Aveiro, n.º 15 (1986).
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A Rede Globo e a vaquejada
A Rede Globo de Televisão ontem abordando a controvérsia envolvendo a vaquejada. Apelando às formas mais baratas de sentimentalismo, apresentou uma “reportagem” com uma família que ao longo de cinco gerações está envolvida com a vaquejada. E o mais curioso, se referindo a isso várias vezes como “esporte”. Desde quando a vaquejada tem o aval da vaca?
Mostraram inclusive pecuaristas falando sobre como os animais são bem tratados nesse “esporte” que consiste em puxar o rabo da vaca, submetendo o animal a traumas regulares. A estupidez humana me surpreende um pouco mais a cada dia. Apareceu inclusive um sujeito simulando uma expressão chorosa e ridícula. A apelação não tem limites.
Lamartine: “Matar os animais é uma das mais deploráveis enfermidades da condição humana”
“É uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo embrutecimento de sua própria perversidade”

Lamartine: “Talvez eu esteja em dívida com essa dieta por conseguir preservar requintada sensibilidade e uma doce tranquilidade de humor e caráter” (Foto: Reprodução)
Pioneiro do romantismo francês e considerado um dos maiores poetas da França do século XIX, o escritor e poeta Alphonse de Lamartine era um defensor do vegetarianismo. Em uma de suas obras, “Les Confidences”, ele conta como se tornou vegetariano logo nos primeiros anos de sua vida.
“Minha mãe estava convencida, assim como sempre foi a minha convicção, de que matar os animais para nos alimentarmos de sua carne e sangue é uma das mais deploráveis e vergonhosas enfermidades da condição humana. É uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo embrutecimento de sua própria perversidade”, escreveu na página 59 da obra publicada originalmente em 1849.
Lamartine narra que surpreendeu a todos quando chegou aos 11 anos se alimentando basicamente de pão, vegetais e frutas. Nem por isso ele era menos saudável ou teve sua fase de desenvolvimento comprometida. “Talvez eu esteja em dívida com essa dieta por conseguir preservar requintada sensibilidade e uma doce tranquilidade de humor e caráter”, registrou.
Assim como sua mãe, o poeta francês acreditava que os hábitos alimentares que envolvem exploração de animais endurecem o coração humano e comprometem a capacidade de observá-los como seres gentis. “Eles são nossos companheiros, nossos auxiliares […]. Esses apetites sangrentos, essa visão da carne palpitante, são calculados para brutalizar os instintos do coração, tornando-nos ferozes”, observou.
A nutrição baseada na exploração animal era reconhecida por Alphonse de Lamartine como possivelmente mais suculenta e energética. Por outro lado, ele afirmou que essas supostas qualidades também eram as causas ativas da irritação humana e do seu definhamento físico. “Azedam o sangue e encurtam os dias de vida da humanidade”, declarou em “Les Confidences”.
Desde muito cedo, com a intenção de fortalecer a opinião do filho em relação à abstinência de carne, sua mãe contava-lhe histórias de tribos gentis e piedosas da Índia, que se negavam a se alimentar de seres sencientes. Muitos eram pastores ou camponeses e, segundo Lamartine, trabalhavam mais duro do que qualquer outra pessoa. Também possuíam uma genuína inocência. “Para matar o desejo, que mesmo que tivesse existido dentro de mim, ela não usou argumentos, mas recorreu ao instinto, que em nosso cerne é muito mais poderoso do que a lógica”, explicou.
Um dia, ainda jovem, o poeta ganhou um cordeiro de um camponês de Milly, uma comuna francesa da região da Borgonha. Com um estreito laço de amizade com o animal, ele o ensinou a segui-lo por todos os lados. “Se tornou o mais carinhoso e fiel dos cães. Nos amamos com a mesma ternura que toda criança tem pelos animais e vice-versa”, relatou.
No entanto, em uma ocasião, ele ficou chocado quando ouviu um cozinheiro conversando com sua mãe. “Madame, o cordeiro está gordo e o açougueiro veio buscá-lo. Devo entrega-lo a ele?”, questionou. Quando ouviu aquilo, Lamartine começou a gritar, abraçou o animal, perguntou o que era um açougueiro e o que tal pessoa iria fazer com ele.

“Vi um homem com os braços nus e lambuzados de sangue, batendo na cabeça de um touro” (Arte: Reprodução)
“O cozinheiro disse que era um homem que matava cordeiros, carneiros, novilhos e belas vacas por dinheiro. Eu mal podia acreditar nisso. Orei à minha mãe e facilmente a convenci a pouparem o meu amigo”, admitiu. Na realidade, a mãe do poeta não raramente testava suas convicções.
Mais tarde, Alphonse de Lamartine acompanhou sua mãe até a cidade e, no caminho, atravessaram o quintal de um matadouro. Havia um propósito nisso que o jovem só percebeu depois. “Vi um homem com os braços nus e lambuzados de sangue, batendo na cabeça de um touro. Outros cortavam as gargantas de bezerros e ovelhas, separando seus membros ainda palpitantes. O sangue fluía por todo o pavimento. Um intenso sentimento de pena, misturado com horror, se apoderou de mim. Tive que ser levado rapidamente para fora daquele lugar”, revelou.
A experiência fez com que Lamartine nunca mais deixasse de associar aquela cena à imagem de um prato com carne, tantas vezes visto por ele sobre a mesa. “Embora a necessidade de cumprir as regras da sociedade me fez comer carne [em determinado momento da vida], desde então, tudo que as outras pessoas comem [e que seja de origem animal] me causa repulsa. O que testemunhei me fez sentir completa aversão. Insuflou-me do horror perpetrado pelos açougueiros. Tem sido sempre difícil pra mim não ver no trabalho de um açougueiro a ocupação de um carrasco”, enfatizou em “Les Confidences”.
A importância de Alphonse de Lamartine
O escritor e poeta Alphonse de Lamartine nasceu em Mâcon, na França, em 21 de outubro de 1790. Criado em uma propriedade rural nas imediações de Milly, estudou os clássicos gregos e romanos, além das obras francesas contemporâneas. Sua educação foi uma educação filosófica que ele qualificava como de “segunda mão”, suavizada por sentimentos maternais. Lamartine, que sofreu grande influência de filósofos como Pitágoras, publicou 19 livros, entre poesia, ficção e história.
De todas as obras publicadas pelo francês, “Méditations Poétiques”, de 1820, continua sendo a mais famosa. No livro, o poeta aborda as relações entre o misticismo, a natureza e as emoções. Para ele, a natureza é a mais importante manifestação da grandeza divina.
Despertando para uma formação mais pessoal de espiritualidade, o escritor adotou a simplicidade como estilo de vida, tanto na forma de se vestir quanto de se alimentar. Depois do lançamento de “Méditations Poétiques”, que alçou o nome da Lamartine aos dos grandes nomes da literatura mundial, ele conseguiu uma nomeação para assumir a embaixada francesa na Itália.
Lá, viveu dez anos, e aproveitou o tempo ocioso para produzir literatura, já que seus deveres diplomáticos não exigiam tanto tempo. Em 1828, de volta à França, tentou garantir uma vaga no parlamento, mas foi derrotado. Então tomou a decisão de viajar para o Oriente Médio, onde começou a se interessar por religiões orientais. Reflexo desse período foi registrado no livro “Souvenirs, Impressions, Pensées, et paysages pendant un Voyage en Orient”, escrito em 1832 e 1832, e no romance em verso “La Chute d’un Ange”; obra de 1838 que chegou a ser banida da Igreja Católica pelo viés panteísta e racionalista.
Em um excerto, o poeta diz: “Le plus beau don de l’homme, c’est la Misericorde”. Ou seja, o maior dom do homem é a Misericórdia. Sendo assim, ele jamais deve matar qualquer animal. Lamartine também se inspirava na idealização do amor, suas crenças e sua relação com a natureza. Considerado um dos protagonistas da transição da literatura neoclássica para a romântica, marcada pela paixão e pelo lirismo, ele foi também um historiador. Escreveu sobre a história dos girondinos, importante grupo político que participou da Revolução Francesa entre os anos de 1789 e 1799.
Em 1849, Lamartine teve o privilégio de fazer parte do governo provisório da França na Segunda República, após a deposição de Luís Filipe I. O escritor e poeta liderou as ações que culminaram na abolição da escravidão e no primeiro modelo dos direitos trabalhistas na França, de acordo com o pesquisador Lawrence C. Jennings. Ainda assim, acabou derrotado por Napoleão III na eleição presidencial realizada no mesmo ano. Depois de se aposentar da política em 1851, Alphonse de Lamartine continuou escrevendo até o dia 28 de fevereiro de 1869, quando faleceu em Paris.
Referências
Lamartine, de Alphonse. Les Confidences (1857). Nabu Press (2012).
Lamartine, de Alphonse. Trois Mois au Pouvoir (1848). Nabu Press (2011).
Lamartine, de Alphonse. La Chute d’un Ange (1838). CreateSpace Independent Publishing Platform (2015).
William A. Alcott. Vegetable Diet: As Sanctioned by Medical Men and by Experience in All Ages. Marsh, Capen & Lyon (1838).
Jennings, Lawrence C. French Anti-Slavery: The Movement for the Abolution of Slavery in France, 1802-1848. Cambridge University Press (2006).
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