David Arioch – Jornalismo Cultural

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A beleza invisível aos olhos

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David Lynch mostra que um corpo deformado não anula as qualidades de um homem

Apesar da condição física, John Merrick é inteligente, sensível e gentil (Foto: Reprodução)

O Homem Elefante, do cineasta estadunidense David Lynch, é um filme de 1980 sobre a história de John Merrick (John Hurt), um jovem inglês com 90% do corpo deformado que mesmo vivendo sob a condição de aberração preserva grandes qualidades. Merrick vive sob a tutela do senhor Bytes (Freddie Jones) que explora a degradação física do personagem em um show de horrores. Constantemente violentado pelo tutor, só começa a reconhecer a própria existência como ser humano quando conhece o médico Frederick Treves (Anthony Hopkins). Sensibilizado com a situação, Treves consegue tirar Merrick do circo.

A degradação física de John representa muito mais do que o seu definhamento existencial. É um espelho da própria sociedade; como se cada pessoa que se assustasse com a feiura do rapaz confrontasse a si mesmo, seus defeitos e preconceitos. O cineasta David Lynch desmitifica também a ideia de que apenas pessoas de classes baixas se interessam pelo grotesco, o que é provado se compararmos duas cenas. Em uma, John Merrick é atração para um grupo de bêbados. Já em outra, é o novo entretenimento da aristocracia.

David Lynch mostra que a decadência humana independe de classe (Foto: Reprodução)

Os burgueses camuflam a curiosidade pelo mórbido agindo como se tivessem real interesse pela saúde do rapaz. Dessa maneira, independente de classe social, todos compõem o espectro da decadência humana. No início do filme, é possível crer que o cineasta apresenta uma história maniqueísta, com pessoas boas e más. Porém, aos poucos tal ideia desvanece e Lynch mostra que no fundo todos são seres humanos, guiados por interesses, seguros e inseguros, e conscientes e inconscientes de suas intenções. O momento em que o médico questiona a própria conduta, comparando-se ao cruel senhor Bytes, é um exemplo de como a culpa surge a partir de critérios subjetivos.

Se nas primeiras cenas é perceptível a influência do cinema expressionista alemão, principalmente nos momentos em que há distorções envolvendo cenários e personagens, em uma tentativa de ressaltar o caótico e aberrante, tudo parece mudar quando o cineasta David Lynch propõe uma viagem pelo interior de John Merrick. Gradativamente o espectador sente empatia pelo horripilante protagonista. Merrick é dotado de uma beleza interior que se contrapõe à aparência: é inteligente, sensível e gentil.

Peter Lorre, do expressionismo alemão para Hollywood

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Ator fez parcerias com Fritz Lang, John Huston e Alfred Hitchcock

O expressivo, enigmático e intrigante Peter Lorre (Foto: Reprodução)

Peter Lorre, um dos atores mais expressivos, enigmáticos e intrigantes de todos os tempos. Se consagrou por participar de obras geniais como “M – Eine Stadt Sucht Einen Mörde”, do genial Fritz Lang, que no Brasil ganhou o nome de “O Vampiro de Düsseldorf”, de 1931, um clássico do expressionismo alemão em que o cinema flerta magistralmente com o teatro; o emblemático The Maltese Falcon (O Falcão Maltês), de 1941, do mestre do cinema noir, John Huston; e The Man Who Knew Too Much (O homem que Sabia Demais), de 1934, uma obra inesquecível do rei do suspense, Alfred Hitchcock.

São filmes de alguns dos gêneros mais representativos do cinema mundial e que estreitaram a relação do cinema europeu com o cinema norte-americano. Apenas analisando superficialmente o perfil de Lorre e essas quatro obras, é possível interpretar que Hollywood deve muito ao cinema-arte, mas o cinema-arte quase nada deve a Hollywood, já que as referências mais profundas da cultura cinematográfica foram semeadas bem longe de Los Angeles.

Peter Lorre, como imigrante europeu, é um exemplo de como o pós-guerra foi vantajoso para os EUA até mesmo na profusão da sétima arte, já que muitos cineastas e atores de outras nacionalidades foram obrigados a partir para a “América” não para viver o “american way of life”, mas para sobreviver com dignidade e fazendo o que melhor sabiam fazer: CINEMA. Há quem conteste tal benefício dos estadunidenses com a Segunda Guerra Mundial?

Elia Kazan, genialidade e macartismo

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Elia Kazan morreu aos 94 anos em 2003 (Foto: Reprodução)

Elia Kazan, um genial e polêmico artista, sempre lembrado pelas suas obras, emblemas do realismo socialista norte-americano. Foi acusado de entregar colegas de trabalho no período negro do macartismo. Quando morreu, aos 94 anos, já não gozava do prestígio do auge da carreira eternizada por películas inesquecíveis como A Streetcar Named Desire (Uma Rua Chamada Pecado), joia de 1951.

Nos anos 1990, Kazan, um turco de origem grega que adotou os Estados Unidos como lar, foi alvo de críticas severas de atores conceituados como Sean Penn, Ed Harris, Richard Dreyfuss, Holly Hunter e Nick Nolte pelo que fez no passado. Até hoje há controvérsias sobre a contribuição de Kazan à lista negra do Comitê de Investigação de Atividades Anti-Americanas do Senado dos Estados Unidos. Partiu, mas deixou um legado que influenciou o cinema de Francis Ford Coppola, John Cassavetes e Martin Scorsese.

Para muitos, um ótimo cineasta, para outros, um traidor; pra mim, também um bom escritor, autor de “America, America”, um livro tornado filme que conheci acidentalmente em um sebo.

The Wind that Shakes the Barley

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Filme apresenta a origem do Exército Republicano Irlandês (IRA) (Foto: Reprodução)

The Wind that Shakes the Barley (No Brasil, Ventos da Liberdade) – Pra quem gosta de história, é um bom filme sobre as origens do Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1920.

Muito válido pra quem quer entender um pouco sobre o domínio britânico na Irlanda e a posterior divisão em República da Irlanda e Irlanda do Norte. A obra de 2006 é dirigida pelo inglês Ken Loach, conhecido por uma extensa filmografia embasada na realidade da classe operária.

Francis Ford Coppola revisita Roger Corman

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Filme carrega referências do cinema de Corman e Hitchcock

Demência 13, um thriller que figura entre os grandes filmes B da história

Lançado em 1963, o thriller de horror “Demência 13”, o primeiro longa-metragem do cineasta estadunidense Francis Ford Coppola, revisita o trabalho de Roger Corman, uma das grandes referências dos filmes B de todos os tempos.

“Demência 13”, filme que marcou a estreia oficial de Coppola, é lembrado como um clássico em que a influência de Corman fez o cineasta se aproximar da fórmula hitchcockiana de fazer suspense. Um grande exemplo são as referências à psicologia freudiana. A obra que ganhou status de cult surpreende principalmente pela velocidade dos acontecimentos.

A história apresenta o casal Richard Haloran (William Campbell) e Louise Haloran (Luana Anders) que todos os anos realiza na Irlanda um ritual de celebração da memória da filha Kethleen (Barbara Dowling), morta há 29 anos. Porém, os planos do casal terão a interferência de um assassino que inicia uma carnificina nas imediações do Castelo Haloran. “Demência 13” é um clássico que revela os primeiros indícios da genialidade de Coppola.

O cineasta constrói um misto sólido e intrigante de suspense e horror sem precisar apelar para cenas pesadas de violência, assim como aborda os conflitos psicológicos dos personagens sem necessidade de forçar diálogos a partir de tomadas longas. É um filme com uma linguagem objetiva e clara, assim como as cenas que destoam do artificialismo que mais tarde povoaria os filmes do gênero. Com a obra, Coppola também coloca em prática técnicas em que personagens antagonizam o ambiente. Um exemplo é a cena do casal despontando na noite tenebrosa.

Written by David Arioch

May 12th, 2012 at 5:59 pm

Sossélla, do concretismo à poesia inominada

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O poeta se inspirava no passado para transpor as barreiras do indizível

Escritor publicou mais de 200 livros (Foto: Reprodução)

Falecido em 18 de novembro de 2003, o escritor Sérgio Rubens Sossélla deveria ocupar posição privilegiada na literatura paranaense. Um dos mais produtivos escritores do Brasil, referência em neoconcretismo e poesia marginal, tem uma bibliografia que ultrapassa 200 livros entre volumes de críticas, poemas, ensaios, crônicas e artigos de jurisprudência.

Muitas das obras de Rubens Sossélla talvez não sejam conhecidas pelo fato do escritor ter adotado uma linha de produção voltada ao autor e não ao público. Exemplos são as semânticas particulares para muitas palavras, principalmente publicar. Para Sossélla, cada publicação se embutia de um sentido paradoxal de ocultação, o que justifica porque preferia imprimir não mais que 100 exemplares de cada obra em vez de grandes tiragens.

Ao lado do amigo e também escritor paranaense Paulo Leminski, com quem cursou direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Rubens se tornou nos anos 1960 um dos grandes nomes da poesia marginal que concisa e objetiva, influenciada por fontes alheias à poesia convencional, buscava inspiração até mesmo longe da literatura.

No entanto, na década de 1970, quando Sossélla já se dedicava à literatura no interior do Paraná, onde exercia a profissão de juiz, começou a se afastar da poesia marginal e do concretismo contrário ao verso, e que privilegiava tanto o apelo sonoro quanto visual.  Se desvinculou de qualquer corrente poética mais formal, assumindo uma posição de artista solitário que se refugiava em uma linha de composição cada vez mais livre, isenta de convencionalismos e mais moderna.

Tanto é que nesse período a poesia experimental do escritor assume uma linguagem mais autoral e se distancia de rótulos, não reflete apenas momentos e, mesmo que criadas como fragmentos, é melhor compreendida em um cuidadoso exercício de interpretação que depende da capacidade de ver os poemas como parte de uma mesma unidade.

Rubens Sossélla se inspirava no passado para transpor as barreiras do indizível, com um esmero estético que remetia à montagem cinematográfica. Exemplos são as obras com justaposição de imagens, páginas em branco, onde poucas palavras ou nenhuma materializam uma cena, um vazio, um silêncio, um distanciamento, um intervalo ou quem sabe uma neutralização.

No final da década de 1980, o escritor revelou em conversa com o cineasta catarinense Sylvio Back que não se preocupava com a circulação das suas obras. Para Sossélla, um poeta alheio ao grande público, a escrita lhe era um exercício de solidão, sem compromisso com os leitores. Tal pensamento conduz a ideia de que para o autor produzir era em primeiro lugar um ato existencial, de sentir-se vivo enquanto ser pensante, numa analogia ao filósofo francês René Descartes.

O pesquisador Marcelo Fernando Lima, professor doutor da Universidade Positivo, de Curitiba, conviveu com o escritor em Paranavaí nos anos 1990 e relata que anexa à residência de Rubens Sossélla conheceu a “Vila Rosa Maria”, uma biblioteca com pelo menos 30 mil obras, inúmeras mesas cobertas pelos mais variados projetos de livros de distintos gêneros. Tudo era feito simultaneamente, e entre uma escrivaninha e outra, o escritor incorporava vários autores, embora não adotasse heterônimos como fazia o português Fernando Pessoa.

Uma das célebres frases de Sossélla versa sobre a sua fonte de inspiração e faz referência aos tempos em que era um jovem freqüentador de cinema nos anos 1950. “Os grandes momentos concentram-se num apagado coadjuvante [que] encarna a coragem dos covardes, a força dos fracos, a revolta dos oprimidos, a consciência dos injustiçados”, escreveu o autor de uma bibliografia fortemente influenciada por um onirismo recheado de brevidade e ironia que o transportava à infância e adolescência.

Na juventude, o cinema o impulsionou a trabalhar com arte, tanto que se tornou crítico literário em jornais de Curitiba e lançou a obra “9 Artigos de Crítica” em 1962. Quatro anos depois, publicou o primeiro livro de poemas. A rotina dividida entre a profissão de juiz e o amor pela escrita se estendeu até 1986, quando veio a aposentadoria e decidiu se dedicar completamente a literatura, atividade da qual jamais se aposentou em mais de 40 anos de dedicação. Marcelo Fernando, estudioso da bibliografia de Sossélla, revela que em 1994 o escritor publicou 23 livros, superando 1995, ano em que produziu 21. Entretanto, o ápice foi em 1997, quando lançou 29 obras.

Fã do ator estadunidense Humphrey Bogart, de quem mantinha um grande pôster na entrada da sua doméstica sala de cinema, o escritor reunia livros sobre filmes, cartazes, roteiros, ensaios e discos de trilhas sonoras. De acordo com Lima, muitos dos livros de Rubens Sossélla têm referências cinematográficas de filmes dirigidos por John Ford, Howard Hawks e Orson Welles, além de personagens interpretados por Bogart, John Wayne, Lee Marvin e Gary Grant. O pesquisador lembra que o fascínio do escritor pelo cinema fez com que certa vez o poeta Cesar Bond qualificasse as obras de Sossélla como legendas de filmes que dependem da cumplicidade do leitor.

Alguns de seus livros mais conhecidos são “Aos Vencedores as Batalhas”, editado e lançado pela Fundação Cultural de Paranavaí; “Tatuagens de Nathannaël”, publicado pela Fundação Cultural de Curitiba; e “A Linguagem Prometida”, viabilizado pela Imprensa Oficial do Paraná. Os demais, ou seja, mais de 200 livros, foram publicados de forma independente, sem qualquer relação com editoras, fundações ou grupos de poetas. Porém, há quem acredite que Sossélla tenha produzido cerca de 370 livros de forma artesanal, como é o caso da poeta Lucy Reichenbach, de Londrina, também estudiosa do trabalho de Sossélla e divulgadora dos poemas do escritor na internet. “Ele me revelou que em apenas um ano escreveu dois mil poemas”, ressalta Marcelo Fernando Lima.

Homenagem no 46º Femup

No dia 15 de novembro de 2011, o 46º Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup) contou com a apresentação da peça “O Espetáculo Interrompido”, baseada na poesia concreta do escritor e juiz Sérgio Rubens Sossélla, que viveu até os últimos dias de vida em Paranavaí. No elenco, Gislaine Pinheiro, Ramiro Palicer, Graciele Rocha, Marcos da Cruz e Rosi Sanga. A equipe técnico foi formada pelo músico Arnaldo dos Santos, a atriz Bibiane Oliveira e o iluminador Adauto Soares. Após a peça, houve bate-papo com a professora Gersonita Elpídio dos Santos, estudiosa das obras do escritor.

Saiba Mais

Escritor e juiz aposentado do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Sérgio Rubens Sossélla nasceu em 27 de fevereiro de 1942, em Curitiba. Nos anos 1970, adotou o interior do Paraná como lar. Foi em Paranavaí que em 1986 iniciou o período mais produtivo da carreira literária.

Frase de Sérgio Rubens Sossélla

“O que sou hoje fui aprendendo na penumbra da sala suarenta, com outros no planeta Mongo, nas selvas africanas, nos poços petrolíferos, nas avenidas de Nova Iorque, no fundo dos mares, nos automóveis de corrida, nos bares dos faroestes, nos desertos, nas geleiras e nos pântanos, nas ilhas perdidas, nos bastidores dos teatros, nas redações dos jornais, nos castelos mal-assombrados, dentro dos vulcões, nos ensaios dos musicais, respirando a paixão de Cristo e a tragédia de Judas.”

Fragmento do livro de poemas Tatuagens de Nathannaël

ela atormentou

até as calmarias

de minha infância

penhorei meu relógio

e por isso me tornei

senhor e legítimo possuidor

das horas em que lhe servia

agonizo sem fim

neste inferno em mim

sou um réu sem tempo

com certidões inúteis

quando eu morrer quero ouvir

a nona sinfonia de beethoven

e reler os livros que fiquei

de levar para a ilha inviável

não me reconheço

fora do sonho

Agradecimentos

Professor doutor Marcelo Fernando Lima, de Curitiba.

Poeta Lucy Reichenbach, de Londrina.

Cineasta Sylvio Back, de Blumenau, Santa Catarina.

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A diversidade cultural do cinema

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2ª Mostra de Cinema de Paranavaí exibirá filmes de todas as regiões do Brasil e de Moçambique

Serão exibidas 16 obras de curta, média e longa-metragem

Na sexta-feira, 7, e no sábado, 8, às 20h30, a Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade será cenário da 2ª Mostra de Cinema de Paranavaí (MIC) em que serão exibidos 16 filmes de curta, média e longa-metragem dos mais diversos gêneros. O evento que recebeu obras de todas as regiões do Brasil e de Moçambique é uma iniciativa da Fundação Cultural. A entrada será gratuita.

Para a primeira noite da 2ª MIC está programada a exibição dos filmes “Sonho de Valsa”, de Beto Besant, de Santo André, São Paulo; Loading 66%, de Henrique Duarte, de São Carlos, São Paulo; “Caça-Palavras”, de Pedro Flores da Cunha, de São Paulo, capital; “As Aventuras de Seu Euclides Chegança”, de Marcelo Roque Belarmino, de Aracaju, Sergipe; “Maria Ninguém”, de Valério Fonseca, do Rio de Janeiro, capital; “Foi Uma Vez”, de Renan Lima e Bruno Martins, de São Paulo, capital; “Burguesia”, de Rodrigo Parra, do Rio de Janeiro, capital; “Incelença da Perseguida”, de Silvio Gurjão, de Fortaleza, Ceará; e “Eu Não Faço a Diferença?”, de Henrique Moura, de Paranavaí.

Já no sábado, serão exibidos “A Maldição de Berenice”, de Valério Fonseca, do Rio de Janeiro, capital; “Hr. Kleidmann”, de Marcos Fausto, de São Paulo, capital; “No Oco da Serra Negra”, de Angelo Bueno, Ernesto Teodósio, Pedro Kambiwá e Otto Mendes, de Recife, Pernambuco; “Aos Pés”, de Zeca Brito, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul; “Bucaneiro”, de Juliana Milheiro, do Rio de Janeiro, capital; “Do Morro”, de Mykaela Plotkin e Rafael Montenegro, de Recife, Pernambuco; e Chikwembo, de Julio Silva, de Maputo, Moçambique.

Para o presidente da Fundação Cultural de Paranavaí, Paulo Cesar de Oliveira, o cinema brasileiro e africano está muito bem representado na 2ª Mostra de Cinema de Paranavaí pela diversidade de gêneros e também de temas que abordam desde assuntos mais simples e bucólicos até os mais controversos e subjetivos. “Escolhemos filmes que façam com que as pessoas deixem a Casa da Cultura discutindo, repensando o que assistiram”, enfatiza o diretor cultural Amauri Martineli, acrescentando que a 2ª MIC é voltada ao público com faixa etária acima de 14 anos.

Filmes poderão ser enviados a 2ª MIC até o dia 5 de setembro

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Mostra abre espaço para filmes de curta, média e longa-metragem

Nos dias 7 e 8 de outubro será realizada a 2ª Mostra Internacional de Cinema de Paranavaí (MIC) na Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade. Para participar, basta inscrever algum filme de curta, média ou longa-metragem até o dia 5 de setembro, a contar da data de postagem. O objetivo da Fundação Cultural é incentivar a produção audiovisual e também dar visibilidade aos cineastas brasileiros e estrangeiros, amadores e profissionais.

Cada participante pode enviar quantidade ilimitada de trabalhos, no entanto, vale lembrar que ao se inscrever para a 2ª MIC automaticamente é repassado a Fundação Cultural o direito de exibição dos filmes, sejam para fins promocionais da mostra ou divulgação de conteúdo em eventos culturais e educativos. Também será oferecido ao público um ambiente propício a troca de informações.

Nenhum dos trabalhos enviados será devolvido, pois farão parte da videoteca da Fundação Cultural. A inscrição é totalmente gratuita, no entanto, o custeio do envio das obras é de responsabilidade dos realizadores. Os participantes precisam enviar duas cópias de cada trabalho em DVD e no formato DVD acompanhado de encarte que deve conter imagens da obra e sinopse.

Por se tratar de uma mostra não haverá prêmios em dinheiro. Porém, os dez melhores filmes de cada categoria, eleitos por uma comissão julgadora formada por profissionais ligados a comunicação social e ao cinema, receberão certificados de participação. Os trabalhos que não respeitarem o prazo de envio não serão exibidos. Informações sobre a programação e o funcionamento do festival serão publicadas em breve no site da Fundação Cultural de Paranavaí: http://www.novacultura.com.br. Para mais informações, basta ligar para (44) 3902-1128.

O regulamento e a ficha de inscrição podem ser baixados no seguinte endereço:

http://www.mediafire.com/?jm91wgadsf5gpeb

Paranavaí terá mostra de filmes de curta-metragem

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De 23 a 24 de julho será realizada no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa, a 1ª Mostra de Curtas de Paranavaí que dá visibilidade ao trabalho de artistas audiovisuais brasileiros e estrangeiros, amadores ou profissionais. A inscrição é gratuita e deve ser feita até o dia 15 de junho.

A Mostra de Curtas de Paranavaí foi criada para incentivar a difusão de filmes de curta-metragem que não são exibidos e nem distribuídos em circuito comercial. Além do estímulo a produção audiovisual, o evento vai oferecer ao público um ambiente propício a troca de informações sobre a produção de filmes. A mostra será aberta a pessoas de qualquer parte do mundo, e para participar basta apenas ter produzido algum filme de curta-metragem, independente de origem ou nacionalidade, desde que a obra esteja legendada em português.

Cada participante poderá inscrever quantidade ilimitada de curtas, porém os filmes precisam se enquadrar nas categorias ficção, documentário, animação ou experimental. Os trabalhos devem ter no máximo 20 minutos de duração, os que ultrapassarem esse limite não serão exibidos. Após a Mostra, os filmes irão para a videoteca da Fundação Cultural e serão eventualmente veiculados em eventos culturais e educativos.

Todas as obras devem ser enviadas por conta dos realizadores, isentando a FC de qualquer despesa. A data-limite é 15 de junho. Os filmes que não respeitarem o prazo de envio não serão exibidos. Também vale ressaltar que os participantes devem enviar duas cópias de cada trabalho em DVD e no formato DVD. O evento será aberto a toda comunidade e terá entrada gratuita.

Mais informações

A ficha de inscrição e o regulamento estão disponíveis no seguinte link: http://www.novacultura.com.br/v08/Doc/RegMostraCurtas2010.doc

Os trabalhos devem ser enviados para a Fundação Cultural de Paranavaí, na Rua Guaporé, 2080 – Caixa Postal 511 – CEP 87705-120.

Cine Paramounth era usado como salão para bailes

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Sem local para a realização de festas, moradores alugavam o cinema

Multidão se forma em frente ao Cine Theatro Paramounth (Foto: Reprodução)

Multidão se forma em frente ao Cine Theatro Paramounth (Foto: Reprodução)

No final da década de 1940, foi criado em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o Cine Theatro Paramounth, localizado na Rua Marechal Cândido Rondon. O cinema, encarado como primeira e única fonte de entretenimento para a então população de dez mil habitantes, logo foi usado também para a realização de bailes.

Até o ano de 1948, a vida dos moradores de Paranavaí era delimitada pelo trabalho no campo ou no pequeno espaço urbano. Divertimento fazia parte da realidade dos poucos que tinham condições financeiras para se deslocarem até outras cidades. “O improviso era o único jeito de garantir divertimento. Ainda bem que naquele ano foi criada uma sociedade para a construção de um cinema, então percebi que as coisas mudariam”, lembra o pioneiro Ephraim Machado que à época era quem divulgava por meio de um serviço de alto-falantes os raros eventos sociais.

Machado percorria toda a cidade incentivando os moradores a participarem das festas locais. Naquele tempo, muitas atividades não visavam retorno financeiro. Os eventos eram realizados apenas com o objetivo de entreter a população. “É bem diferente de hoje. Em qualquer evento envolvendo a comunidade, sempre há pelo menos um que lucra em cima dos outros”, compara o pioneiro.

Quando o Cine Theatro Paramounth foi inaugurado, a cidade ainda não tinha um ambiente específico para festas e bailes de carnaval. Por isso, Ephraim Machado e outros pioneiros tiveram a ideia de usar o espaço do cinema para resolver o problema. “O Paramounth tinha piso em nível, então o que fazíamos no carnaval? Alugávamos o salão do cinema e tínhamos três dias ininterruptos de batuque”, conta Machado sorrindo.

A realização de eventos no Cine Theatro atraiu muita gente. O primeiro baile, por exemplo, reuniu mais de 400 pessoas. O sucesso da iniciativa permitiu que festas fossem realizadas no Paramounth ao longo de três anos. O pioneiro Wiegando Reinke, que já tinha uma banca de jornais e revistas a alguns metros dali, se recordava com nostalgia do intenso fluxo de pessoas. “Não havia asfalto, apenas uma estrada de areia bem densa. O pessoal saía de lá e vinha direto aqui comprar alguma coisa. Era como se fosse um hábito, costume mesmo.”

Paramounth quando estava sendo construído nos anos 1940 (Foto: Reprodução)

Paramounth quando estava sendo construído nos anos 1940 (Foto: Reprodução)

Surgem os primeiros clubes

Com o surgimento dos clubes em Paranavaí, foram construídos os primeiros locais específicos para a realização de festas. O pioneiro foi o Aeroclube, atual Tênis Clube, onde a maior parte da população com vida social ativa se reunia, principalmente na década de 1950, para aproveitar os finais de semana. “Sempre organizávamos algum evento atrativo para o público, de modo geral. Não havia distinção de classe como hoje. Ali recebemos diversos governadores, entre eles Bento Munhoz da Rocha e Moisés Lupion”, conta o pioneiro e ex-presidente do extinto Aeroclube, Ephraim Machado.

Os clubes da época serviram para ampliar a consciência comunitária, algo que não existia até a década de 1940, quando as comemorações eram mais restritas. “As pessoas até então só organizavam festas particulares, até porque o conceito de confraternização da época era muito limitado. O pensamento das pessoas mudou somente quando organizamos as primeiras grandes festas”, revela Machado.

Os bailes nos salões dos clubes, mesmo fora da época do carnaval, eram impulsionados pelo hino de Benedito Lacerda e Humberto Porto: A jardineira, de 1938. A marchinha de tema baiano, somada a outras canções nordestinas e nortistas, fazia a alegria da população. Tudo era improvisado, e até mesmo pessoas da plateia subiam ao palco para tocar algum instrumento. Foi uma época de muito samba, baião, maxixe e bolero, segundo Machado.

Os grupos musicais normalmente eram compostos por três instrumentos: sanfona, violão e pandeiro. “Toda banda normalmente tem bateria, mas nós não tínhamos isso na cidade, era tudo muito experimental. Quem surgia com um instrumento diferente via o que podia ser feito dentro do ritmo que o grupo estava tocando”, enfatiza o pioneiro. Certa vez, um músico chamou a atenção do público ao subir no palco e casar a sonoridade de um violino com a sanfona, o pandeiro e o violão.

“A diversão do homem era o clube ou a zona”

Para aqueles que preferiam locais ermos, havia os clubes comerciais. O mais emblemático era o Clube do Arara Vermelho, localizado em uma ilha no Porto São José. “Eles venderam muitas ações. Todo mundo tinha vontade de ir lá, mas não deu certo por muito tempo. Quando chovia, a estrada ficava horrível, levava até 15 dias para voltar a ser transitável”, informa o pioneiro Ephraim Machado.

Na década de 1950, a realização de festas juninas tornou-se bastante comum. A principal influência para as comemorações de São João eram as comunidades nordestinas e nortistas. “Claro que tudo era regado a muita bebida quente, principalmente pinga e quentão. Ninguém aqui tinha acesso a bebida gelada”, revela o pioneiro.

Até o ano de 1964, os convites para as festas eram direcionados às famílias, não apenas a uma ou outra pessoa. Quando os pais informavam que estavam de saída, todas as mulheres da família tinham de ir embora também. “Lembro bem que a diversão do homem era o clube ou a zona. Havia dois setores. Dá pra dizer que um era bom e o outro mau porque este segundo era separado da sociedade”, exemplifica Ephraim Machado às gargalhadas.