Ronnie Lee conta a história da A.L.F, o mais famoso grupo de ação direta em defesa dos animais
“Já éramos vegetarianos ou veganos e estávamos envolvidos em várias organizações de proteção animal”

Após o ataque, Lee declarou que o objetivo era impedir a “tortura e o assassinato de nossos irmãos e irmãs animais” (Foto: Animal Liberation Front)
Em 1973, Ronnie Lee e mais cinco vegetarianos e veganos fundaram a Band of Mercy em Londres, na Inglaterra. Em reação aos abusos praticados contra os animais, o grupo surgiu com a proposta de realizar ações diretas. A escolha do nome é uma referência a um grupo juvenil homônimo da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA), fundada em Strand, Londres, em 1824. No século 19, esses jovens destruíam armas que pertenciam a caçadores.
“Todos nós já éramos vegetarianos ou veganos e estávamos envolvidos em várias organizações de proteção animal. Compartilhávamos o sentimento comum de que essas organizações não conseguiriam fazer a diferença porque suas táticas não eram rígidas o suficiente”, relatou Ronnie Lee no artigo “The Formation of the Band of Mercy and A.L.F”, publicado na editoria “Direct Action History Lessons”, da revista “No Compromise”, número 28.
Lee relatou que sentiu que era vital embarcar em uma campanha de ação direta para tentar mudar alguma coisa, mesmo sem a certeza de que daria certo ou não. “Sentimos que não havia outra escolha e precisávamos tentar. Decidimos que nossa campanha deveria ser contra a propriedade e que nenhuma violência deveria ser usada contra pessoas, exceto em legítima defesa. Para alguns de nós, nossas ações tinham razões morais, e para outros era algo puramente tático. Eu, pessoalmente, me arrependo disso agora, porque sinto que poderíamos ter feito um uso limitado de violência contra os abusadores de animais”, declarou.
Os primeiros alvos da Band of Mercy foram os canis que davam suporte à caça às raposas, onde eles causaram danos aos veículos usados para transportar cães de caça. Mas foi em 1973 que o grupo chamou bastante atenção na Inglaterra, quando realizaram dois atentados com bomba em um laboratório de vivissecção que estava sendo construído. A ação foi seguida pela destruição de um barco usado no abate de focas bebês e por uma onda de ataques contra veículos usados no transporte de animais para laboratórios.
No verão de 1974, Ronnie Lee e Cliff Goodman, da Band of Mercy, foram identificados e presos por um atentado a um centro de pesquisa de vivissecção. Após o ataque, Lee declarou que o objetivo era impedir a “tortura e o assassinato de nossos irmãos e irmãs animais”. A justificativa não sensibilizou a opinião pública, a imprensa nem a justiça, e os dois foram sentenciados a três anos de prisão. Também passaram a ser vistos como “ecoterroristas”.

““Embora o número de ações tenha diminuído, sinto que a A.L.F se tornou mais eficaz do que nunca” (Foto: Animal Liberation Front)
À época, Lee achou que aquele poderia ser o fim do seu trabalho como ativista em defesa dos direitos animais. Imaginou que a repercussão da sua prisão marcaria o fim da Band of Mercy. Um ano depois, quando saiu da prisão, se surpreendeu ao encontrar muitos ativistas da proteção animal querendo se juntar ao grupo. Em 1976, a Band of Mercy passou a se chamar oficialmente Animal Liberation Front (A.L.F), nome que reflete com mais clareza o ideal do grupo.
Como a A.L.F contava com muito mais ativistas do que nos tempos da Band of Mercy, o trabalho de resgate de animais em laboratórios de vivissecção se tornou mais bem-sucedido. “O número de ações aumentou rapidamente, e grupos da A.L.F se estabeleceram em todo o país e no exterior”, declarou Ronnie Lee no artigo “The Formation of the Band of Mercy and A.L.F”.
E claro, com o tempo, mais ativistas foram presos; na realidade, chegando a centenas de prisões, segundo o fundador da Animal Liberation Front. O período em que a A.L.F realizou mais ações diretas foi na metade dos anos 1980. Os ataques do grupo atingiram diretamente o comércio de peles no Reino Unido. Sua fama e suas ações garantiram que as lojas de departamentos da Inglaterra se recusassem a estocar casacos de pele.
“Embora o número de ações tenha diminuído, sinto que a A.L.F se tornou mais eficaz do que nunca. Com apenas algumas notáveis exceções. Os ataques da A.L.F no passado eram de natureza bastante difusa, com pouca concentração em qualquer alvo específico. Isso significava que os estabelecimentos que lucravam com o abuso de animais podiam se recuperar e continuar os seus negócios com bastante facilidade”, confidenciou.
Ronnie Lee explicou que com o tempo a A.L.F começou a escolher melhor seus alvos, atacando principalmente empresas que já estavam sob pressão de outras campanhas e ações. Como resultado, os índices de ações bem-sucedidas cresceram substancialmente.
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A Animal Liberation Front já atuou em mais de 40 países.
“No Compromise” é uma revista sobre direitos animais fundada em San Francisco, na Califórnia, em 1989, que chegou ao fim em 2005. O periódico sempre visou cobrir os aspectos globais dos direitos animais e a promoção do veganismo como estilo de vida.
Referência
Lee, Ronnie. The Formation of the Band of Mercy and A.L.F. Direct Action History Lessons. No Compromise. Número 28 (2005).
“Boi que não quer ser tocado vai de caminhonete”
Encontrei uma foto (ao lado) com a seguinte legenda: “Boi que não quer ser tocado vai de caminhonete.” Além de explorar o animal, ainda debocha dele e o expõe. Sério mesmo que há quem acredite que animais criados para consumo são vistos para além de produtos?
Voltando para casa…
Voltando para casa, encontrei uma caminhonete adaptada para o transporte de gado. Estava vazia, a sujeira grossa escorria e o mau cheiro persistia. O motorista acenou para um homem na rua e disse: “Acabei de entregar uns lá na baixada.” Fiquei imaginando como ele conseguiu colocar “uns” dentro de um espaço tão reduzido. Talvez o odor e a imundície no chão expliquem a degradação da situação. O que será que aquele espaço representa para um boi?
Tom Regan: “Você nunca deve considerar os interesses daqueles que violam os direitos dos animais (ou humanos) antes de julgar o que estão fazendo como errado”
“Embora eu reconheça o papel importante que Singer desempenhou nos estágios iniciais do movimento moderno, não acredito que suas ideias representem o que os ativistas acreditam”

“Acredito que ambas as ideias [de Peter Singer] não são apenas equivocadas, são fundamentalmente enganosas, de maneira que são prejudiciais aos animais” (Acervo: The Animals Voice)
Tom Regan, autor do clássico “Empty Cages”, de 2004, relatou que com o tempo Peter Singer passou a defender unicamente duas ideias principais: “[De acordo com Singer], Primeiro, devemos considerar os interesses de todos e ter igual igualdade de interesses. Segundo, depois de ter feito isso, devemos fazer o que traz o melhor equilíbrio geral dos interesses dos afetados. A primeira ideia diz respeito ao procedimento: o que temos que fazer antes de decidir o que é o certo a se fazer? A segunda ideia diz respeito ao julgamento moral: o que é o certo a se fazer? Acredito que ambas as ideias não são apenas equivocadas, são fundamentalmente enganosas, de maneira que são prejudiciais aos animais.”
Regan discordava de Singer quanto ao procedimento de consideração de interesses porque, de acordo com ele, isso significa colocar em uma balança, e em nível de igualdade, não apenas os interesses dos explorados, mas também dos exploradores em continuar fazendo o que fazem. Para Regan, a perspectiva ética de Singer em relação ao procedimento, ou seja, o que temos de fazer antes de decidir o que é certo, é perigosa, porque, com base nisso, alguém pode dizer também que é importante considerar os interesses de estupradores, proprietários de escravizados e pedófilos antes de julgar que o que eles fizeram e fazem é absolutamente reprovável e inaceitável.
“Similarmente, acredito que é profundamente equivocado dizer que devemos considerar os interesses das pessoas na indústria de pele, vivissecção ou agricultura animal antes de julgarmos que essas pessoas estão fazendo algo terrivelmente errado. Minha posição não poderia ser mais oposta a essa ideia. Você nunca deve considerar os interesses daqueles que violam os direitos dos animais (ou humanos) antes de julgar o que estão fazendo como errado, isto porque estão violando os direitos de alguém”, justificou Tom Regan a Claudette Vaughan.
Tom Regan afirmou em entrevista ao Vegan Voice que muitas pessoas acreditam que o seu trabalho e o de Singer são muito similares. “‘Singer não diz o mesmo?’, ‘Singer não acredita nos direitos animais?’ Para essas perguntas, a resposta honesta é: ‘Não, ele não diz a mesma coisa. Não, ele não acredita nos direitos animais.’ E se alguém pergunta: ‘No que ele acredita então?’ A resposta é: ‘Ele acredita nas duas ideias que descrevi.’”

“Acredito que é profundamente equivocado dizer que devemos considerar os interesses das pessoas na indústria de pele, vivissecção ou agricultura animal antes de julgarmos que essas pessoas estão fazendo algo terrivelmente errado” (Foto: American Anti-Vivisection Society)
Regan citou que Peter Singer não acredita que a vivissecção seja sempre errada, apontando que o filósofo australiano crê que há situações em que a vivissecção é justificável. “Se os resultados estão em melhor equilíbrio do que se fossem obtidos de outra maneira, então sua visão é a de que não há nada de errado em usar animais em pesquisa. Este é um motivo pelo qual penso que as ideias de Singer são prejudiciais aos animais. Minha posição não poderia ser mais oposta à sua”, explicou o filósofo a Claudette Vaughan.
Tom Regan enfatizou que as pessoas não deveriam ficar chocadas ao saberem disso, levando em conta que Peter Singer diz que não é moralmente errado ter relações sexuais com animais. “Desde que o sexo ocorra em local privado, e assumindo que os participantes estão gostando, ele não vê nada de errado nisso. Isso é perfeitamente condizente com as duas principais ideias de Singer. Na verdade, isso é exigido pelas suas duas principais ideias. Novamente, a minha posição não poderia ser mais oposta a dele. Na minha visão, bestialidade é sempre moralmente errada pelas mesmas razões que sexo com crianças é moralmente errado: os direitos daqueles que não podem dar o consentimento são violados”, criticou.
O filósofo estadunidense argumentou que a última coisa que os animais precisam é que os exploradores de animais insinuem que os ativistas da militância pelos direitos animais estão reivindicando direitos para que possamos ter sexo mutuamente satisfatório com seres não humanos: “Quero dizer, meu Deus! Se isso acontecesse, os ativistas seriam vistos como desonestos, na melhor das hipóteses, e depravados, na pior das hipóteses. Em ambos os casos, o que os ativistas dizem em nome dos animais seria totalmente desconsiderado. Seria muito difícil calcular o dano maciço que seria causado aos animais. Então, embora eu reconheça o papel importante que Singer desempenhou nos estágios iniciais do movimento moderno, além de eu gostar muito dele como pessoa, não acredito que suas ideias representem o que os ativistas da militância pelos direitos animais acreditam. Espero que isso se torne mais claro à medida que avançamos. E precisa ser assim.”
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Professor de filosofia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, onde lecionou por 34 anos, Tom Regan conquistou prestígio internacional por sua produção prolífica voltada ao abolicionismo animal. Em 2006, Regan teve o seu livro “Empty Cages”, ou “Jaulas Vazias”, publicado no Brasil. Outras de suas obras de referência são “All That Dwell Therein: Essays on Animal Rights and Environmental Ethics”, de 1982; e “The Case for Animal Rights”, de 1983.
Referência
Jo-Anne McArthur: “Um dia depois que me tornei vegana, me senti como se tivesse me livrado de um peso”
“Meu objetivo sempre foi educar as pessoas sobre como tratar os animais. Tornar as indústrias que exploram animais visíveis e responsáveis”

“Quando as pessoas adotam o veganismo, elas estão boicotando um sistema que precisa acabar” (Acervo: We Animals)
Talvez você já tenha visto uma ou várias imagens registradas pela fotógrafa e ativista canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals. Muitas das fotos de maior repercussão internacional sobre a realidade dos animais explorados para consumo e usadas por grupos e organizações em defesa dos animais foram tiradas por ela. O seu trabalho à frente do We Animals se pauta em mostrar a privação e o sofrimento dos animais a partir de uma perspectiva sensível e íntima, que busca despertar a identificação do espectador e levá-lo a refletir sobre o papel do ser humano como responsável e cúmplice da crueldade contra seres não humanos.
As imagens de Jo-Anne, que é natural de Ottawa, em Ontário, já foram publicadas na National Geographic, Elle, Canadian Geographic, Days Japan, Helsingin Sanomat, Photolife, The Huffington Post e em muitos outros veículos. Atualmente o seu trabalho registrando a exploração de animais em todo o mundo tem colaborado com mais de cem organizações em defesa dos animais. Um dos diferenciais da canadense está no fato de que ela não apenas registra a violência contra seres vulneráveis, mas traz em suas imagens as histórias de seus personagens não humanos.
Jo-Anne se empenha em captar o estado e o sentimento de cada animal objetificado em situações de privação e degradação. Ela não quer que sejam apenas imagens explícitas e chocantes, mas também ternas, assim lançando luz sobre o invisível, mas renitente vácuo que, por uma questão de distanciamento e hábito, faz com que as pessoas encarem os animais não humanos como objetos ou meios para um fim. Em entrevista publicada pelo Happy Cow em 22 de janeiro de 2014, ela contou como se tornou vegana.
Surgiu uma oportunidade de estágio no Farm Sanctuary, em Nova York, onde Jo-Anne poderia aprender mais sobre os animais e seus direitos. Porém, uma das exigências era de que os estagiários deveriam ser veganos. “Eu pensei: ‘Hum…bem, isso é um pouco extremo, mas farei isso e voltarei a ser vegetariana depois do estágio.’ Para a minha surpresa, um dia depois que me tornei vegana, me senti como se tivesse me livrado de um peso. Me senti eufórica por não prejudicar ninguém, e senti que era o certo a se fazer. Isso foi em 1º de abril de 2003, e não, não voltei a ser vegetariana. O que aprendi com o tempo é que uma dieta à base de plantas não é extrema. Extrema é a morte desnecessária de bilhões de animais por ano, para não mencionar a violação do planeta nesse processo. Estou tão feliz por ser vegana.”
A Gary Smith, do The Thinking Vegan, Jo-Anne McArthur disse em entrevista publicada em 19 de setembro de 2013 que o veganismo permitiu que ela olhasse um animal nos olhos sem sentir-se culpada: “Posso olhar para um animal nos olhos e reconhecer que não estou explorando ele de nenhuma forma, que não sou mais responsável pelo sofrimento de tantos seres sencientes. Veganismo é uma das maneiras mais gentis de navegar neste mundo.”
Jo-Anne McArthur encara como um privilégio conscientizar as pessoas unindo as suas duas maiores paixões – a fotografia e a preocupação com os animais. Ela defende que é muito importante que as pessoas compartilhem histórias sobre o abuso de animais, para que possamos retirar o véu que vela todas as atrocidades vividas por animais reduzidos a alimentos, produtos e vítimas em experiências laboratoriais.
“Mostrar uma fazenda com cinco mil perus em um galpão é importante, mas é igualmente importante chegar perto e documentar os indivíduos que compõem os cinco mil”, declarou Jo-Anne ao Happy Cow, acrescentando que ao registrar individualmente os animais explorados, isso permite evidenciá-los como indivíduos, sujeitos de uma vida, além de destacar com singularidade o sofrimento e o quão é aberrante tal injustiça. A fotógrafa acredita que só podemos mudar a realidade dos animais se nos importarmos o suficiente em saber o que acontece realmente com eles.
“Expor a verdade é a única esperança para os animais. Os animais são como nós – sensíveis, capazes de sentir alegria, medo, curiosidade e todas aquelas coisas ótimas. Então se pudermos mostrar que os animais sofrem como nós, a verdade da crueldade contra animais se tornará cada vez mais urgente. É realmente uma emergência todo esse sofrimento desnecessário. Espero que mais e mais de nós possamos ver isso como realmente é”, ponderou.
Para Jo-Anne McArthur a forma mais vilmente naturalizada e de maior representatividade no que diz respeito à crueldade contra animais neste planeta é a criação industrial de animais para consumo. “Quando as pessoas adotam o veganismo, elas estão boicotando um sistema que precisa acabar, enviando uma forte mensagem aos outros e ajudando a parar essa crueldade contra os animais”, disse em entrevista à T.O.F.U. Magazine em março de 2016.
O principal objetivo de Jo-Anne quando fundou o We Animals era reunir imagens e informações para a publicação de livros sobre a injusta realidade dos animais. Porém, ela percebeu que o seu trabalho ficaria muito limitado se simplesmente cumprisse esse objetivo. “Vejo que uma maneira melhor de compartilhar o meu trabalho e ajudar os animais é colaborando com grupos que precisam de mim e de boa fotografia. […] Sou fotógrafa de profissão e parte de mim quer se concentrar no desenvolvimento desse caminho por meio de métodos convencionais de construção de carreira, mas eu me tornei em primeiro lugar uma ativista, o que significa colocar os animais e os objetivos do WA em primeiro lugar”, revelou à T.O.F.U. Magazine.
A ativista e fotógrafa canadense tem como inspiração a artista plástica vegana Sue Coe, que segundo ela é um exemplo de dedicação. “Seu comportamento também me inspira. Quando passo algum tempo com ela, percebo que é tão espirituosa e não posso deixar de me perguntar como ela consegue ser assim, considerando o trabalho que realiza o dia todo. Me inspira a ser do mesmo jeito”, enfatizou.
Jo-Anne McArthur relatou à T.O.F.U Magazine que não é fácil testemunhar tantos animais em situação de miséria, explorados para benefício humano. A pior parte do seu trabalho é deixar os animais para trás. Ou seja, documentar as fazendas industriais, zoológicos, laboratórios, lugares que usam animais como entretenimento e não poder resolver a situação deles:
“Isso significa entrar em uma instalação com até 25 mil animais. Tiro suas fotos com a esperança de que o meu trabalho possa influenciar as pessoas, assim reduzindo futuramente o número de animais nesses lugares infernais. Mas tiro as fotos e depois os deixo para trás. Me sinto como se estivesse usando eles, é horrível. Havia um cachorro sendo vendido como comida em um mercado no Vietnã. Ele era adulto e o levavam em uma vara, pendurado de cabeça para baixo, com suas pernas amarradas. Tirei sua foto enquanto ele deitava no chão choramingando. Às vezes, posso ajudá-los, outras vezes não é possível. Como resultado, as feridas são profundas. Quando estou muito mal por causa das coisas que vejo, lembro-me daqueles que não pude ajudar e isso me motiva a continuar.”
Livros como “The Lifelong Activist”, de Hillary Rettig, tem contribuído para que Jo-Anne entenda qual é o melhor caminho para ser uma ativista sem perder o equilíbrio, ou seja, não esmorecer diante de tanta violência desnecessária contra seres não humanos: “Esse ritmo de vida, e a miséria que estou documentando realmente acaba atingindo a minha saúde. Felizmente, tenho uma maravilhosa comunidade de ativistas, amigos e familiares. Quanto a fotografar a miséria, é o que precisa ser feito. É o meu ‘chamado’ expor por meio de fotos esses problemas e a nossa relação com os animais. Então sigo adiante.”
Jo-Anne também disse à T.O.F.U Magazine que uma de suas grandes alegrias é receber cartas e e-mails de grupos e pessoas do mundo todo pedindo autorização para usar suas fotos em trabalhos de conscientização sobre a exploração animal. Em 2013, ela publicou o livro “We Animals” e em 2017 o livro “Captive”.
We Animals, que é resultado de fotografias registradas ao longo de 15 anos, critica do ponto de vista ético o uso de animais com fins de alimentação, moda, entretenimento e pesquisa, além de mostrar a auspiciosa realidade de animais resgatados e levados para viver em santuários. O objetivo do livro é levar o leitor a entender que todos os seres sencientes devem compor o nosso círculo moral e compassivo.
Já “Captive”, apresenta a realidade de animais confinados e discute o papel dos zoológicos, aquários, centros de conservação, educação e entretenimento. O livro também é baseado em fotografias registradas por mais de dez anos, e propõe uma contundente reflexão sobre a realidade da existência ou inexistência do bem-estar animal em locais que muitas pessoas consideram ideais para criaturas não humanas.
“Meu objetivo sempre foi educar as pessoas sobre como tratar os animais. Para reduzir o seu sofrimento. Para ampliar nosso círculo de compaixão e incluir animais não humanos. Para tornar as indústrias que exploram animais visíveis e responsáveis”, registrou Jo-Anne McArthur em “We Animals”.
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Os livros “We Animals” e “Captive” estão à venda no site do projeto de Jo-Anne McArthur.
Referências
https://www.happycow.net/blog/interview-jo-ann-mcarthur-photographer-activist-ghosts-in-our-machine/
http://www.ilovetofu.ca/2016/03/31/tbt-an-interview-with-jo-anne-mcarthur/
http://thethinkingvegan.com/interviews/photographing-the-ghosts-interview-with-jo-anne-mcarthur/
Quando as pessoas se alimentam de animais, normalmente elas não consideram que estão se alimentando de algo que foi alguém

Este alguém teve olhos para testemunhar o mundo sob uma ótica não muito auspiciosa (Acervo: la Veganista)
Quando as pessoas se alimentam de animais, normalmente elas não consideram que estão se alimentando de algo que foi alguém; e este alguém teve olhos para testemunhar o mundo sob uma ótica não muito auspiciosa; um mundo que pode ser visceralmente injusto e violento com os mais vulneráveis.
Nós endossamos isso das mais diferentes formas, mas principalmente negando-lhes o direito à vida. Para negar esse direito, não reconhecemos, ou fingimos não reconhecer, a capacidade não humana em sofrer e amargar as implicações de uma privação que termina somente com a morte.
No momento em que alguém leva um pedaço de carne à boca, dificilmente esse alguém vai despender tempo pensando que o bife é parte da coxa ou da traseira de um boi, por exemplo. As pessoas simplesmente comem, seguindo um hábito naturalizado. Não há contestação ou associação com a morte nem com a vida – apenas comida – a dissimulada mecânica da vida.
Definitivamente, não vejo como negar que somos estranhos se refletirmos que nos alimentamos de partes de membros de outras criaturas que, assim como nós, também fazem o que podem para evitar a morte. Afinal, o desejo de viver não é uma prerrogativa restritamente humana.
Matthieu Ricard: “A principal razão para pararmos de comer animais é que assim poupamos vidas”
“Nós os tratamos como vermes a serem eliminados. Isso seria chamado de genocídio ou desumanização se eles fossem seres humanos”
Em 2016, o monge budista Matthieu Ricard, que vive no Monastério Shechen Tennyi Dargyeling, no Nepal, publicou o livro “A Plea for the Animals: The Moral, Philosophical, and Evolutionary Imperative to Treat All Beings with Compassion”. Na obra, o francês discute de um ponto de vista moral, ético e ambiental por que não devemos nos alimentar de animais. Antes de se tornar monge, ele dedicou a sua juventude à ciência, tornando-se uma referência internacional em biologia molecular sob a orientação do renomado biólogo François Jacob, vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, com quem trabalhou no famoso Instituto Pasteur.
Ricard é filho de Jean-François Revel, considerado um dos mais importantes filósofos franceses do século 20. O seu respeito pela vida e pelos animais inspirou Revel a escrever o best-seller “O Monge e o Filósofo”, traduzido para 21 línguas. Em “Um Apelo pelos Animais”, Matthieu Ricard defende que precisamos apenas de um segundo de reflexão para tomarmos a decisão de não comermos mais animais. “Esta não é uma perspectiva extrema. Este é um ponto de vista mais razoável e compassivo”, escreveu.
Ele conta que o seu primeiro professor budista, Kangyur Rinpoche, o inspirou a um profundo e óbvio raciocínio. “Nunca cacei em minha vida, mas de vez em quando eu pescava quando era criança na Bretanha. Com 14 anos, um pensamento floresceu em minha mente: ‘Como posso fazer algo assim?’ Percebi que eu estava evitando me colocar no lugar de outro ser. Quando eu tinha 20 anos, abandonei o consumo de carne. Isso foi há 50 anos”, declarou.
Ricard defende que o coração da trajetória budista é a compaixão, e que isso significa valorizar os outros. Para ele, se você valoriza os outros, você valoriza o bem-estar deles, e isso significa que há uma preocupação real com o sofrimento deles: “Podemos encontrar meios de sobreviver sem causar sofrimento aos outros. Na Índia, por exemplo, [que tem uma população de 1,3 bilhão de pessoas], há mais de 400 milhões de vegetarianos que vivem bem. Eles não estão sacrificando sua saúde ou reduzindo sua expectativa de vida. Na verdade, mesmo do ponto de vista egoísta, é melhor ser vegetariano. Muitos estudos mostram que o consumo de carne vermelha aumenta a incidência de câncer de cólon e outras doenças.”
Matthieu lamenta que atualmente 150 bilhões de animais terrestres e 1,5 trilhão de animais marinhos são mortos para consumo. “O principal motivo parar pararmos de comer animais é que assim poupamos vidas. […] Nós os tratamos [em referências aos animais] como vermes a serem eliminados. Isso seria chamado de genocídio ou desumanização se eles fossem seres humanos”, enfatizou.
Na perspectiva do monge budista, nós instrumentalizamos os animais e os transformamos em objetos; os reduzimos a salsichas e pedaços de carne. São fatos contrários ao que desejamos quando falamos em um mundo mais ético, pacífico e solidário: “Eticamente, você não pode imaginar progredir em direção a uma sociedade mais altruísta ou mais compassiva enquanto se comporta assim. Comer carne revela outro nível de egoísmo tratando-se de seres humanos.”
Matthieu Ricard frisa que os países mais ricos são os que mais matam e consomem animais. Somente nos Estados Unidos há um consumo de carne de 200 quilos per capita por ano: “Quanto mais o PIB de um país aumenta, aumenta também o consumo de carne. Para produzir um quilo de carne, precisamos de dez quilos de proteína vegetal. […] Com dois acres de terra, você pode alimentar 50 vegetarianos ou dois consumidores de carne. Os 775 milhões de toneladas de soja e milho que são utilizados na agropecuária poderiam ser usados para alimentar pessoas necessitadas.”
No livro, Ricard também cita dados do Painel Internacional da Organização das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas, um grupo que, segundo ele, não simpatiza muito com o vegetarianismo, mas o reconhece como sendo o melhor caminho para o futuro do planeta. “Eles recomendam que todo mundo comece a comer menos carne. Esta é uma das maneiras mais fáceis de reduzir o aquecimento global e pode fazer uma grande diferença na taxa de mudanças climáticas. O principal motivo é que a agropecuária gera a produção de metano. O metano é dez vezes mais ativo em relação ao aquecimento global do que o CO2”, argumentou.
O biólogo e monge budista defende que é muito simples ser vegetariano. É bem menos complicado do que as pessoas imaginam: “Não cria grandes mudanças caóticas em nossas vidas. Significa apenas comer outras coisas. É tão simples. Um pequeno esforço pode trazer um resultado muito grande para os animais, para os desfavorecidos, para o planeta e para a nossa saúde. Uma mente sensata pode ver que isso não é uma perspectiva extrema. Este é um ponto de vista mais razoável, ético e compassivo.”
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Matthieu Ricard nasceu em Aix-les-Bains, na França, em 15 de fevereiro de 1946.
Desde 1989, ele atua como intérprete do Dalai Lama.
O preço da nossa carne
Imagine se acordássemos um dia e descobríssemos que a nossa carne literalmente tem um preço. As partes com menos teor de gordura sendo as mais valorizadas, ou não. Na rua, anúncios trazendo seres como nós, fragmentados em outdoors, anúncios na TV e folhetos de supermercado. Olho um encarte com atenção. Ao lado de frutas em promoção, vejo partes de um corpo como o meu à venda. Me falta uma perna. Está lá: Pernil, ornamentado com belas ervas.
Na rua, eu e outro sujeito nos entreolhamos estranhamente. Ele não tem braços. “Fui pego de surpresa. Espetinho”, lamenta. Somos bens de consumo, com um preço modesto, baixo, torpe, pode variar. É a crise. Sinto cheiro rançoso. Reconheço. É bacon na chapa. “É de quando, meu amigo?”, pergunta o freguês. “É fresquinho. De um rapaz que abateram ontem, tinha 18 anos”, responde o dono do carrinho de cachorro-quente. “Tá certo. Manda ver!”
Sequestro de pessoas? Não. Comércio legal de carne humana. O mundo mudou. Hoje você come, amanhã você pode ser comido, dizem. Sabor? Carne de porco, com algumas variações. O direito à vida desapareceu, para não humanos e humanos. Atropelamentos, assassinatos. Cadáveres largados nas esquinas deixados para apodrecer. Ninguém se importa. Não há mais velórios. Os cemitérios desapareceram.
“Morreu? Quantos minutos? Se a carne estiver em bom estado, mande um caminhão para aproveitar o que sobrou.” Carne moída de primeira, segunda, terceira e quarta. Comida. A sua liberdade termina onde a fome do outro começa. “Tem dinheiro?” “Sim!”, “É só apontar o dedo que a gente recolhe”. Um arrastão leva 40 de uma vez. No matadouro, todo mundo tenta fugir. Impossível. Laço de bezerro. Espasmos, olhos vacilantes, pistola pneumática. Abate humanitário.
Jane Goodall: “Sou vegetariana porque, você sabe, respeito os animais. Sei que todos eles são indivíduos”
“Parei de comer carne há 50 anos, quando olhei a costeleta de porco em meu prato e pensei: isso representa medo, dor e morte”

“A maioria das pessoas não percebe a indescritível crueldade sofrida pelos animais […]. E aqueles que sabem, não se importam” (Foto: Reprodução)
“Parei de comer carne há 50 anos, quando olhei a costeleta de porco em meu prato e pensei: isso representa medo, dor e morte. Feito, me tornei vegetariana instantaneamente”, contou Jane Goodall em artigo publicado em seu site no dia 28 de abril. Para a primatóloga, um grande e nobre motivo para não consumirmos carne é a contrariedade à exploração animal, a rejeição ao sofrimento imposto arbitrariamente aos seres não humanos.
Ela citou como outra importante razão o impacto causado pela produção de carne ao meio ambiente – incluindo a contribuição às mudanças climáticas. “A maioria das pessoas não percebe a indescritível crueldade sofrida pelos animais […]. E aqueles que sabem, não se importam. As pessoas me dizem que os animais são criados para tornarem-se comida – como se isso significasse que eles não são mais seres sensíveis. Outros me pedem para não falar sobre isso, porque eles ‘amam os animais e são muito sensíveis’ – [pedem isso] para que possam comer porcos, bois e vacas sem sentirem culpa”, lamentou.
Em 14 de janeiro de 2016, Jane Goodall concedeu uma entrevista ao Democracy Now, e disse que assim como não comeria seu cachorro, não seria capaz de comer a carne de outros animais. “Sou vegetariana porque, você sabe, respeito os animais. Sei que todos eles são indivíduos”, declarou e acrescentou que porcos são animais mais inteligentes do que muitos cães.
Jane destacou que vê com estranheza quando alguém diz que não acredita que o mundo está passando por mudanças climáticas em decorrência da displicência humana em relação aos animais e ao meio ambiente. “Esse vasto impacto está sendo causado pela agropecuária. E a fim de alimentar bilhões e bilhões de bois, vacas, porcos, frangos, galinhas. Mesmo que você não se importe com a crueldade, mesmo que se recuse a admitir que esses indivíduos têm sentimentos, que sentem dor e têm emoções, você tem que admitir que grandes florestas são destruídas para cultivar grãos para alimentá-los. A pecuária está transformando florestas em pasto”, reclamou em entrevista ao Democracy Now. No artigo publicado no dia 28 de abril, Jane Goodall citou as secas causadas pelas mudanças climáticas na África Subsaariana. Relatou que a região está se tornando um deserto com grandes áreas suscetíveis à erosão:
“Quantidades enormes de água estão sendo desperdiçadas para transformar a proteína vegetal em proteína animal. […] Os aquíferos subterrâneos também estão diminuindo e se tornando poluídos, e frequentemente por causa do escoamento de produtos químicos agrícolas ou por causa das ‘lagoas’ de resíduos produzidos pelos próprios animais [criados para consumo]. Precisamos considerar a grande quantidade de metano gerada pelo sistema digestivo dos animais, especialmente os bovinos – um gás com efeito estufa muito mais potente do que o CO2. As grandes quantidades de combustíveis fósseis utilizados para manter toda a produção industrial de carne estão aumentando absurdamente os gases do efeito estufa.”
Além desses apontamentos e críticas, há muito tempo Jane Goodall qualifica a dieta vegetariana como mais benéfica para a saúde. Costuma citar a si mesma como exemplo, argumentando que assim que parou de se alimentar de animais, imediatamente sentiu-se melhor e mais leve. “Muitas pessoas me disseram o mesmo”, afirmou em seu artigo. Ao abordar os malefícios do consumo de carne, Jane apresentou como referência os estudos da Harvard Medical School e do Science Daily – que relacionou o alto consumo de carne na atualidade com o aumento da obesidade:
“Alguns dos hormônios e outros suplementos alimentares dados aos animais para aumentar a taxa de crescimento podem ter impacto sobre nós. Os antibióticos agora são fornecidos regularmente para manterem vivos os animais [criados para consumo] em condições de lotação e depressão. Inevitavelmente, as bactérias estão se tornando mais resistentes, e pessoas têm morrido em decorrência de simples infecções que não responderam aos antibióticos usados para curá-las.”
Jane Goodall defende que há muitas razões para uma pessoa se tornar vegetariana ou vegana, e sempre que possível pede encarecidamente para que reflitam a respeito: “Continuo pedindo que as pessoas considerem o que essa escolha realmente significa em um nível moral para os animais e o meio ambiente. É a escolha de mudar nossas vidas, o que por sua vez trará enormes benefícios para toda a humanidade e todas as outras criaturas com quem compartilhamos a nossa casa.”
Saiba Mais
Jane Goodall nasceu em Londres, na Inglaterra, em 3 de abril de 1934. Ao longo de sua carreira, recebeu dezenas de prêmios, títulos e homenagens. O primeiro prêmio foi o World Wildlife Award for Conservation em 1980, e o mais recente foi o International Cosmos Prize em 2017.
Envio de 27 mil bezerros para a Turquia pode abrir um precedente para uma situação ainda mais crítica

Para quem lucra com esse tipo de negociação, desde que tenha sido muito bem pago, pouco importa o destino desses animais (Foto: Divulgação)
O envio de 27 mil bezerros para a Turquia pode abrir um precedente para uma situação ainda mais crítica. Se essa megaoperação for considerada “bem-sucedida” o Brasil pode se tornar um grande fornecedor de bezerros para a indústria estrangeira de carne. O que isso significa? Que no futuro a vida dos bovinos, que já é terrível partindo da objetificação, pode ser ainda mais curta.
Vivemos em um país onde os produtores de carne sempre alegam desvantagem quanto ao abate de bezerros. Porém, com um mercado estrangeiro ávido por esse tipo de carne, e que “paga bem”, tanto que a Turquia reduziu de 60% para 10% a tarifa sobre importação de gado, provamos que nossos subjetivos escrúpulos, que já ignoram o direito dos animais à vida, são sempre negociáveis. Sendo assim, podem tornar-se um pouco mais deletérios.
Por outro lado, essa situação também traz luz à desonestidade da indústria da carne. Qual seria? Essa ação reforça o fato de que o “abate humanitário” sempre foi um engodo, já que não apenas enviamos animais para a morte, mas também de acordo com o “gosto do cliente”. Se isso significa degolar crianças de outras espécies, que assim seja, não é mesmo?
Para quem lucra com esse tipo de negociação, desde que tenha sido muito bem pago, pouco importa o destino desses animais. Já os bezerros, enviados para uma jornada que termina com suas cabeças separadas dos corpos, em breve serão consumidos e esquecidos como se jamais tivessem existido. Se nada for feito, muito mais bezerros terão o mesmo destino.
O que a grande mídia fez para favorecer o transporte dos 27 mil bezerros para a Turquia:
— A maioria não citou que são bezerros, o que acredito que, por estranhamento e associação, poderia ter despertado alguma reflexão sobre a exploração e o consumo de animais.
— Falou do que isso pode representar economicamente.
— Citou como a exportação de animais vivos pode beneficiar o Porto de Santos
— Ouviu somente os envolvidos na megaoperação.
— Publicou apenas fotos do navio ainda vazio e de poucos animais no Porto de Santos.
— Deu ênfase no trabalho da Minerva Foods, destacando a grandiosidade da exportadora responsável pelo envio dos animais.
— Descreveu positivamente a estrutura do navio, endossando o embarque dos animais. Porém, não citou a área destinada a cada animal.
— Citou cifras, cifras e mais cifras para fazer todo o resto parecer insignificante.

