Archive for the ‘animais’ tag
Ensine seu filho a ser justo com os animais
Ensine seu filho a ser justo com os animais, e assim ele também será justo com os seres humanos. Mas se permite que ele seja pernicioso com os animais não humanos, provavelmente ele entenderá que não há problema em ser injusto também com os de sua espécie, já que o seu senso de justiça há de diluir-se em seu ego.
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Mata-se um ser vivo por um prazer efêmero
Quando alguém come um animal, e diz que aquele ser morreu cumprindo o seu papel, eu pergunto: Será que a mãe, o pai, o filho ou a filha daquele animal partilha da mesma opinião? Se eles nascem com essa finalidade, por que então eles e os seus se emocionam, não reconhecem a morte precoce como natural e até mesmo ficam enlutados?
Os animais têm emoções, sentimentos, e aqueles que colocamos sobre a mesa nunca morrem sorridentes ou satisfeitos em tornarem-se comida. Ademais, demonstram dor e sofrimento de maneira bastante óbvia. É triste reconhecer que mata-se um ser vivo por um prazer efêmero, que não ultrapassa minutos.
Aquele que se regozija com a morte em benefício do próprio paladar ignora o fato de que a morte também o habita, já que somos aquilo que fazemos, comemos, pensamos e sentimos. Como podemos almejar a paz enquanto nos alimentamos de morte?
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Serial killers e crueldade contra animais

Jovens que ficaram conhecidos como Os Maníacos de Dnepropetrovsk (Foto: Reprodução)
Tenho uma coleção de livros sobre serial killers, e é intrigante reconhecer como a maioria deles começou causando dor aos animais antes de escolherem alvos humanos. Como alguém pode dizer que causar sofrimento aos animais jamais levaria o ser humano a causar sofrimento aos seus semelhantes?
Entre os anos de 2013 e 2014, estudei sobre a vida de dois jovens ucranianos, um de 19 e outro de 21 anos, que ficaram conhecidos como Os Maníacos de Dnepropetrovsk. Eles começaram assassinando animais, mas como não havia legislação específica para puni-los, continuaram cometendo esses crimes.
Um dia, Viktor Sayenko e Igor Suprunyuck, decidiram ir além, e deram início a uma série de crimes contra andarilhos e transeuntes que encontravam em locais ermos. Quando foram presos, eles já tinham assassinado pelo menos 21 pessoas.
Além disso, pesquisando e escrevendo sobre serial killers no início dos meus 20 anos, quando desenvolvi alguns trabalhos sobre o tema, conheci inúmeros casos de criminosos realmente cruéis enviados para o corredor da morte nos Estados Unidos, e que foram executados por injeção letal.
Aos animais de várias espécies, seres que nunca nos fizeram nada, naturalizamos um fim que não raramente é até pior do que aquele destinado a quem matou dezenas de seus semelhantes. Exemplo disso são os animais degolados em matadouros. Não deveríamos pelo menos refletir mais a respeito?
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A mão que acaricia e envia para a morte
Ao longo dos anos, algumas vezes testemunhei pecuaristas acariciando a cabeça do gado, posando para fotografias que estampariam matérias publicadas em jornais. Dóceis, os animais mantinham-se em silêncio, acatando todas as ordens. Esses mesmos animais que receberam afagos de seus “donos”, mais tarde foram enviados para os matadouros. Eu jamais seria capaz de acariciar um animal e depois enviá-lo para a morte. Não consigo associar isso a algo que não seja traição. Este é o mundo em que vivemos, e normal é aquele que vê beleza nesse tipo de foto no jornal.
Sobre “frescuras”
Um sujeito me disse que acha que é frescura quando uma pessoa se recusa a comer carne. Então perguntei se ele também considera frescura quando um animal se debate em dor e desespero, lutando pela própria vida, enquanto é degolado. Ele não comentou nada.
Quando vejo um ser humano se orgulhando de matar animais
Quando vejo um ser humano se orgulhando de matar aves, bovinos e suínos com as próprias mãos, como se isso fosse digno de mérito, reconheço como a racionalidade humana pode ser questionável.
Nem carnívoros somos, e aqueles que são e vivem na natureza selvagem, mesmo quando matam os menores ou mais fracos para se alimentarem, não demonstram qualquer tipo de soberba ou altivez, e simplesmente porque diferentes de nós agem instintivamente, pela própria sobrevivência.
Com os animais não morre somente a carne

“Homem Moderno Seguido pelos Fantasmas de Sua Carne”, da artista britânica Sue Coe
Visite uma grande criação e olhe nos olhos de cada animal. Por mais parecidos que eles sejam, nunca são iguais. São seres únicos, e cada qual nasce com a sua própria individualidade e peculiaridade sensitiva.
O maior exemplo disso é a reação diversa à nossa presença. Alguns se assustam, outros se aproximam; há aqueles que imóveis assistem em silêncio e há aqueles que emitem algum tipo de som.
Quando esses animais são mortos, o que morre com eles não é somente a carne, mas existências singulares que não tiveram tempo de amadurecer para reconhecer o seu próprio lugar no mundo, e é daí que acredito que vem o desespero animal diante da finitude.
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“Me senti como se eu tivesse cometido um assassinato”
O britânico William Harris, um dos caçadores mais famosos de seu tempo, conta que durante os anos de 1836 e 1837 viajou para longe no coração da África com a mera intenção de perseguir animais, algo que ele definia como uma de suas paixões. Em uma passagem de sua biografia, publicada em Bombaim em 1838, ele descreve como atirou em seu primeiro elefante, uma fêmea.
Na manhã seguinte, indo procurar seu novo alvo, ele descobriu que todos os elefantes tinham fugido da localidade, exceto um jovem elefante que passou a noite toda ao lado de sua mãe morta. Vendo os caçadores, o animal não sentiu medo e, com os mais claros e vivos sinais de tristeza desconsolada, caminhou até eles. Então moveu seu minúsculo tronco como se suplicasse por ajuda. Sobre o episódio, registrou Harris em sua biografia: “Eu estava cheio do mais verdadeiro remorso pelo que tinha feito e me senti como se eu tivesse cometido um assassinato.”
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Um ratinho na cozinha
Com não mais que sete anos, numa noite fui até a cozinha e encontrei meu pai sentado no chão, aparentemente falando sozinho. Quando me aproximei, vi que tinha um rato perto dele, desses que a maioria despreza e mata quando invadem a cozinha. Ele conversava com o animalzinho, e achei aquilo intrigante.
Por alguns meses, meu pai encontrou todas as noites aquele ratinho ruço, o alimentando com a mais singela malácia. Mazzaropi sempre retornava quase no mesmo horário, com diferença de minutos. Um dia, ele desapareceu. Então perguntei ao meu pai o que ele faria: “Nada, porque na hora certa ele seguiu o seu caminho, o que não deve ser traçado por nós só porque demos a ele um pouquinho daquilo que chamamos de carinho.”
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O grito dos animais por trás do grito de Edvard Munch
“Creio que quando [Edvard Munch] criou esse nome [em alemão], ele o relacionou com o grito dos animais”

O Grito, de Edvard Munch, cortesia da Galeria Nacional, em Oslo
O pintor norueguês Edvard Munch, precursor do expressionismo alemão, conquistou fama mundial com a sua obra-prima Skrik (O Grito), de 1893, considerada uma das mais importantes pinturas da história do expressionismo. Embora muita gente associe a obra à angústia e decepção em sua vida pessoal, a verdade é que existe muito mais por trás dessa pintura que se tornou o símbolo internacional da ansiedade.
Em “O Grito”, que mais tarde recebeu versões de Andy Warhol e Gary Larson, um corpo contorcido, um rosto esticado e uma boca oblonga e aberta tem ao fundo duas pessoas conversando, possíveis amigos de Munch. Acredita-se que as cores mais vívidas tenham sido inspiradas pelos matizes impetuosos do céu europeu durante a erupção do vulcão Krakatoa em 1883.
Há quem diga que a pintura é uma manifestação das insatisfações de Munch no amor e na amizade. Porém, declarações de artistas conceituados e pesquisas mais aprofundadas trazem informações reveladoras. Um exemplo é o livro “Edvard Munch: Behind the Scream”, da inglesa Sue Prideaux, publicado pela Yale University Press em 2005.
A escritora e pesquisadora da obra e vida do pintor norueguês confirma que a cena de “O Grito” foi baseada em um lugar na Colina de Ekeberg, um bairro de Oslo, na Noruega. A inspiração veio de uma memória de quando ele caminhava ao pôr-do-sol em companhia de dois amigos.
Segundo informações que Sue transcreveu do próprio diário de Edvard Munch, o pintor sentiu-se exaurido e parou para descansar, encostando na grade retratada na pintura. Também sofrendo de ansiedade, problema crônico que sempre o acompanhara, ouviu sons que pareciam vir diretamente da natureza. Eram gritos de animais sendo mortos em um matadouro perto de um hospício. Os sons perturbadores se misturaram ao choro dos pacientes internados em um manicômio onde sua irmã era uma das internas.

Munch provavelmente tinha grande aptidão para se sensibilizar tanto com a dor humana quanto com a dor dos animais (Foto: Edvard Munch – The Dance of Life Site)
Na pintura, ao fundo, a paisagem esmaecida da Colina de Ekeberg, que proporciona uma túrbida perspectiva, deu a tônica do estado emocional de Munch transformado em protagonista. A inquietação do personagem combinou a agitação interna e externa de tudo que o pintor vivenciou na caminhada em companhia dos dois amigos. Ele também chamava sua pintura de Der Schrei der Natur (O Grito da Natureza), nome alemão que deu à obra.
“A experiência foi muito perturbadora para ele quando atravessou aquela ponte. Creio que quando [Edvard Munch] criou esse nome [em alemão], ele o relacionou com o grito dos animais. Acho que se abrirmos nossos corações para esse grito, os animais estão falando através de si mesmos”, interpreta a artista britânica Sue Coe, deixando subentendido que Munch provavelmente tinha grande aptidão para se sensibilizar tanto com a dor humana quanto com a dor dos animais.
Saiba Mais
Edvard Munch nasceu em Løten em 12 de dezembro de 1893 e faleceu em Ekely em 23 de janeiro de 1944.
Uma das cinco versões de “O Grito” foi vendida em um leilão por 120 milhões de dólares para um colecionador privado. As outras estão em exibição em museus ao redor do mundo.
Referências
Prideaux, Sue. Edvard Munch: Behind the Scream. Yale University Press (2005).
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