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Pawel Kuczynski, um cartunista que desperta reflexões sobre a exploração animal
“Nossa realidade é triste e, como consequência, meu senso de humor é mórbido”

Kuczinsky: “A realidade é tão louca e absurda que é difícil competir com isso” (Foto: Reprodução)
O artista gráfico e cartunista Pawel Kuczynski vive em Police, uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes, situada na região da Pomerânia Ocidental, no Noroeste da Polônia. Lá, ele produz desenhos que despertam a atenção para temas como exploração animal, ecologia, política, pobreza, fome, ganância, novas tecnologias e vício em internet. Kuczynski une metáforas visuais, a estética do surrealismo, a sátira e o humor mórbido para fazer com o que o espectador reflita sobre questões bem atuais.
Muito popular em mídias sociais como Reddit, Pinterest, Instagram e Facebook, neste último ele tem mais de 528 mil seguidores, o artista polonês já produziu inúmeros desenhos em que propõe discussões sobre a forma como nos relacionamos com os animais. São trabalhos que permitem inúmeras releituras e colocam em evidência a hipocrisia humana no que diz respeito ao fato de considerar alguns animais como companheiros e outros simplesmente como comida. Exemplo disso é “Dinner”, uma de suas obras mais populares, em que um açougueiro acaricia a cabeça de um gato enquanto é assistido por animais não domésticos na entrada de um estábulo.
Alguns cartuns de Kuczynski, que trabalha com técnicas de lápis aquarelável, mostram como as pessoas fingem não ver que estão consumindo um ser que um dia teve vida, e talvez por tal motivo em alguns de seus trabalhos os animais estão vivos. Um exemplo é “Pig”, em que um porco aparece sorrindo inocentemente com uma toalha sobre o dorso, sem reconhecer que ele é a mesa e o prato principal de um banquete. Em “Coffin”, ele apresenta o funeral de um porquinho que tem como caixão um lanche, uma referência às tiras de bacon.

Uma das imagens mais famosas do cartunista polonês
Em “Eggs”, há uma máquina que esmaga galinhas para a produção de ovos. Provavelmente, a intenção de Kuczynski é mostrar que ovos não são apenas ovos. Eles custam a vida das galinhas que são descartadas quando produzem pouco ou quando representam despesas. Outra de suas obras destaca um homem com aspecto morbígero, uma boca enorme e dentes pontiagudos, prestes a engolir a cabeça de um suíno, numa analogia à glutonaria humana.
Pawel Kuczynski também critica quem cria peixes em casa. Além desses animais viverem até sua morte em pequenos espaços para o deleite humano, as pessoas normalmente ignoram o quão paradoxal é criar um peixe ao mesmo tempo em que se come outro. Tal contradição é evocada no cartum em que aparece um peixe enlatado dentro de um pequeno aquário.
Em outro desenho, um boi tem um grande pasto como guardanapo amarrado ao pescoço, referência ao desmatamento e a superprodução de grãos para alimentar esses animais, o que vai muito além do que é investido na produção alimentícia voltada aos seres humanos. 
Por esses e outros trabalhos, o polonês graduado na Academia de Belas Artes de Poznań, e com especialização em artes gráficas, já foi premiado nos Estados Unidos, Brasil, Bélgica, Itália, Espanha, Portugal, Rússia, Japão, China, Coréia do Sul, Colômbia, República Tcheca, Irã, Itália, Eslováquia, Turquia, Síria e Taiwan. Em 2005, ele recebeu o Eryk, prêmio da Associação Polonesa de Artistas, por ter conquistado um número recorde de premiações em competições internacionais. Só em 2010, Kuczynski ganhou 19 prêmios e distinções.
“Não sou o tipo de cartunista que trabalha com humor. Não é o tipo de sátira que as pessoas podem associar com piadas. São assuntos muito sérios. A realidade é tão louca e absurda que é difícil competir com isso. A realidade me inspira. Apenas tento ser honesto sobre as minhas observações em meus desenhos. Coloco uma informação em minha cabeça e espero pelos resultados. Se eu já tiver algo em minha mente, e for uma boa ideia, preciso de dois dias para fazer o desenho”, disse em entrevista à Fluster Magazine, da Itália, publicada em 10 de março de 2012.
Um observador do comportamento humano, Pawel Kuczynski considera surpreendente o fato de que vivemos há tanto tempo neste mundo e ainda assim seguimos cometendo os mesmos erros. ele cita como algumas das maiores incoerências humanas as guerras, a pobreza, a fome, a exploração animal e a destruição do meio ambiente. “Nossa realidade é triste e, como consequência, meu senso de humor é mórbido. Acho que talvez eu seja muito lírico e sentimental”, declarou.
O artista polonês sempre gostou de arte barroca, das obras de Caravaggio [Michelangelo Merisi]. Sua admiração o motivou desde cedo a usar a luz teatral como uma grande aliada, ou seja, aprendeu a manipular sabiamente o contraste entre o claro e o escuro. “É muito útil para organizar a composição narrativa em minhas obras”, justificou.
Membro da Associação Polonesa de Artistas, ele prefere não enaltecer a sua própria história. Quando questionado sobre o motivo de divulgar sempre uma curta biografia, Kuczynski costuma responder que o mais importante não é ele, mas sim o seu trabalho. Sobre sua rotina, ele começa o dia praticando atividades físicas. “É a melhor forma de refrescar meus pensamentos. Ou a melhor forma de não pensar em desenhos”, enfatizou em entrevista veiculada no portal iraniano Tabriz Cartoons em 11 de setembro de 2016.
O cartunista normalmente prepara o projeto um dia antes de executá-lo, e seu período de maior produção costuma ser à tarde. “Trabalho como freelancer. É o que mais me convém, mas posso trabalhar em qualquer lugar onde eu tenha um canto para desenhar e acesso à internet. Tudo que tenho em Police [sua cidade natal] é um ambiente tranquilo, amigos e família. Não preciso de nada mais além disso”, contou a Tabriz Cartoons.
Pawel Kuczynski transparece não ter grandes ambições e ressalta que o mais importante é ter ideias e força para trabalhar. Se suas obras seguirem conquistando as pessoas e permitirem que ele continue vivendo do seu trabalho, isso o deixará satisfeito. “É o suficiente para mim. Como qualquer jovem estudante, eu fazia retratos em festas, imagens para decorar interior de apartamentos. Sou duro comigo e prefiro não admirar meu trabalho. Sempre acho que o próximo será melhor e me forço a ir além. Claro, como qualquer autor, fico feliz quando meu trabalho é notado e recompensado em competições”, ponderou.
Há pessoas que criticam alguns trabalhos de Kuczynski por interpretá-los como críticas intransigentes ao uso de tecnologias. Porém, embora não use smartphones, ele deixa claro que sua intenção nunca foi essa: “Não sou um inimigo das inovações técnicas. Estou ativamente usando e usufruindo delas. Mas, por outro lado, é por isso que tenho o direito de alertar sobre as armadilhas que estão sempre à nossa espreita.” Para o polonês, a melhor forma de manter a qualidade do seu trabalho é jamais negligenciar o próprio cérebro que, por ser um músculo, precisa sempre de bons estímulos.
Saiba Mais
Pawel Kuczynski começou a trabalhar com desenhos satíricos em 2004.
Para comprar algum dos trabalhos do artista polonês, acesse:
http://www.pictorem.com/collectioncat.html?author=Pawel+Kuczynski
Referências
http://pawelkuczynski.com/
http://tabrizcartoons.com/en/news/tcan/6196-interview-with-pawel-kuczy%C5%84ski-poland,2016.html
Morrissey: “A liberdade não é apenas para os seres humanos, mas para todos os animais”
Desde que lançou “Meat is Murder” em 1985, Morrissey segue defendendo os direitos animais

Morrissey: “Me tornei vegetariano com 11, 12 anos” (Foto: Reprodução)
Um dos artistas mais controversos em campanha contra o consumo de carne, o icônico Steven Patrick Morrissey tornou-se um dos porta-vozes do vegetarianismo e dos direitos animais nos anos 1980. Tudo começou em outubro de 1984, quando o vocalista e compositor da banda britânica de rock The Smiths escreveu a música “Meat is Murder”, ou seja, “Carne é Assassinato”, que faz parte do álbum homônimo lançado em 11 de fevereiro de 1985.
O disco ocupou posição de destaque nas paradas do Reino Unido, e ajudou a dar mais visibilidade ao vegetarianismo e a fazer com que os britânicos se questionassem sobre o quão nocivo é o consumo de carne. “Assim que decidimos que ‘Meat is Murder’ seria a faixa título, as manchetes dos jornais britânicos nos deram ampla atenção. O grande problema é que a música não ganhou qualquer espaço nos programas de rádio. O álbum entrou nas paradas, mas a nossa música nunca foi tocada”, disse em entrevista ao vice-presidente de campanhas de mídia da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).
Uma vez, quando o The Smiths estava tocando “Meat is Murder”, em Stokes, na Inglaterra, alguém da plateia arremessou um monte de salsichas em direção ao palco. Elas bateram no rosto de Morrissey e uma porção entrou em sua boca. “Tive que correr para fora do palco e vomitar”, relatou e qualificou o incidente como um caso isolado.
O cantor britânico já recebeu muitos e-mails de pessoas de todas as partes do mundo, informando que estão felizes por ter alguém que diz exatamente o que pensam. “Recebemos tremendas respostas principalmente de fãs dos Estados Unidos agradecendo e dizendo que se tornaram vegetarianos. Isso é maravilhoso! Quando tocamos em Madrid, fizemos um concerto ao ar livre para 350 mil pessoas, e foi televisionado para toda a Espanha. Durante ‘Meat is Murder’, eles traduziram a letra. Foi incrível, e na noite seguinte, tocamos em Barcelona e fizeram a mesma coisa”, narrou.
O disco “Meat is Murder” também teve boa repercussão no Canadá, onde ocupou a 40ª posição entre os melhores discos do ano, e nos Estados Unidos ficou em 110º lugar. Quatro dos álbuns do The Smiths estão entre os 500 melhores de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone. E toda essa popularidade foi usada por Morrissey como uma grande oportunidade para divulgar o vegetarianismo.
Embora o The Smiths tenha existido somente entre os anos de 1982 e 1987, Steven Patrick Morrissey seguiu adiante e fez da sua carreira solo um dos maiores exemplos de sucesso no mundo da música. Suas composições estiveram dez vezes no Top 10 da UK Singles Chart. Como alguém que leva muito a sério a promoção dos direitos animais, ele costuma pedir que os integrantes de sua banda não tirem fotos comendo carne. Além disso, sempre exigiu que os organizadores permitissem somente a comercialização de comida vegetariana nos locais de seus shows.
Em 2007, foi realizado no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Japão, Alemanha, Brasil, China, Itália e Antártica uma série de shows que fizeram parte do “Live Earth”. O objetivo do evento criado por Al Gore e Kevin Wall, era conscientizar as pessoas sobre o aquecimento global e as crises climáticas. No local, eles comercializavam principalmente carnes e laticínios. Incomodado ao saber disso, Morrissey se recusou a se apresentar. O mesmo aconteceu na Islândia.

“Acho que contribuímos muito com o movimento dos direitos animais” (Foto: Reprodução)
Em 2009, o músico britânico abandou o palco do festival Coachella, no interior da Califórnia, nos Estados Unidos, justificando que o cheiro de animais sendo queimados estava deixando ele doente. “Posso sentir o cheiro de carne queimando…”, reclamou.
Em 2013, o cantor cancelou sua participação no “Jimmy Kimmel Live!” depois de ficar sabendo que a equipe do reality Show “Duck Dinasty” também participaria. O programa gira em torno da Família Robertson, que enriqueceu criando produtos para caçadores de patos. “No que diz respeito à minha reputação, não posso correr o risco de estar ao lado de pessoas que, de fato, são como assassinos em série de animais”, declarou.
Em 2014, durante show em Denver, no Colorado, também nos Estados Unidos, Morrissey falou ao público que a liberdade não é apenas para os seres humanos, mas para todos os animais. “Passei pelo Zoológico de Denver que possui mais de quatro mil animais de todo o mundo, mas suponho que eles deveriam dizer que são animais capturados em armadilhas, infelizes, suicidas, prisioneiros. E passei por Greeley que é a capital do assassinato no Colorado. Se você não acredita, pergunte a uma vaca”, satirizou. Em Manchester, onde surgiu a banda The Smiths, seu pedido jamais foi desrespeitado.
Outra ação de Morrissey que chamou muita atenção ocorreu em 21 de novembro de 2016, quando ele escreveu uma carta para a CEO da General Motors, Mary T. Barra, depois de sua apresentação no Royal Oak Music Theatre, em Michigan.
“A GM é citada na nova pesquisa da Peta em que animais têm suas caras marcadas, são eletrocutados e espancados antes de serem abatidos e usados na fabricação de interiores de couro para empresas de automóveis”, reclamou e pediu que a General Motors fabricasse automóveis com bancos de couro vegano.
Para endossar a sua insatisfação, durante o show em Royal Oak, no subúrbio de Detroit, onde fica a sede da GM, ele mostrou um vídeo da Peta, denunciando como os fornecedores de couro dos fabricantes de automóveis maltratam os animais. Colaborador da Peta há muito tempo, Morrissey sempre incentivou seus companheiros de banda a usarem camisetas da organização. A parceria culminou na gravação de um filme de animação sobre a triste realidade de galinhas criadas em unidades industriais. O vídeo foi exibido em cada um de seus shows em 2014.
Considerado um ativista até os “ossos”, o britânico é a favor do fim de todos os zoológicos e circos que usam animais. Ele defende que todos os animais deveriam ter os mesmos direitos básicos dos seres humanos. “Eu gostaria de perguntar a quem come carne por que eles acreditam que os animais não podem ter nenhum direito de viver suas vidas, enquanto os seres humanos reivindicam um direito dado por Deus de viver como desejam…”, queixou-se em resposta a uma pergunta feita pela fã Amber Derby no “True To You – A Morrissey Zine” em janeiro de 2014.
Divulgando um estilo de vida livre de carne desde a década de 1980, Morrissey tem como principal inspiração a própria mãe, que era vegetariana e o motivou a seguir pelo mesmo caminho. “Me tornei vegetariano com 11, 12 anos. Éramos muito pobres e pensei que carne era uma boa fonte de nutrição. Acho que você pode dizer que me arrependi daqueles anos consumindo carne. Minha mãe é muito ativa. Frequentemente participa de campanhas anti-caça no Reino Unido. Me influenciou muito”, admitiu a Dan Matthews, da Peta.

“Todo mundo começa como vegetariano porque mergulhar diretamente [no veganismo] é muito difícil para a maioria das pessoas” (Foto: Reprodução)
Preocupado em contextualizar as letras de suas músicas, um dia quando concederam entrevista a um programa de TV na Escócia, Morrissey pediu filmagens de matadouros e as usou em um show realizado propositadamente no horário do jantar, para que as pessoas refletissem sobre o que estão comendo. Ao final da exibição, o cantor lançou uma pergunta: “Qual é a sua desculpa agora?”
Entre os vídeos que ele costuma indicar aos fãs está “The Video the Meat Industry Doesn’t Want You To See”, disponível no YouTube. Segundo ele, a obra resume a sua perspectiva em relação à exploração animal. “Se isso não for suficiente para trazer pessoas para o vegetarianismo, então provavelmente são pessoas feitas de pedra”, comentou com o fã Matthew Preston em diálogo no “True To You – A Morrissey Zine” em janeiro de 2014.
Sobre a transição para o veganismo, Morrissey disse em 20 de agosto de 2015, em entrevista ao apresentador estadunidense Larry King, que foi algo gradual. “Todo mundo começa como vegetariano porque mergulhar diretamente [no veganismo] é muito difícil para a maioria das pessoas”, argumentou.
O músico britânico também tem ajudado a levar o ativismo pelos direitos animais para o mundo dos jogos. Em 2016, ele aprovou o lançamento de “This Beautiful Creature Must Die”, baseado em um dos trechos da música “Meat is Murder”, que responde pela trilha sonora em versão arcade. No game, o jogador deve proteger animais fracos e indefesos da violência humana, principalmente em matadouros. “É melhor do que Pokémon Go”, brincou Morrissey no site da Peta.
Meat is Murder (Carne é Assassinato)
O lamento do bezerro poderia ser um choro humano
A faca gritante se aproxima cada vez mais
Esta linda criatura deve morrer
Esta linda criatura deve morrer
Uma morte sem razão
E morte sem razão é assassinato
E a carne que você frita distraidamente
Não é suculenta, saborosa ou bondosa
É morte sem razão
E morte sem razão é assassinato
E o vitelo que você destrincha com um sorriso
É assassinato
E o peru que você fatia festivamente
É assassinato
Você sabe como os animais morrem?
Os aromas da cozinha não são familiares
Não são confortáveis, acolhedores ou generosos
É o sangue sendo frito e o profano fedor
De assassinato
Não é natural, normal ou generoso
A carne que você majestosamente frita
A carne em sua boca
É você saboreando o gosto do assassinato
Não, não é outra coisa, é assassinato
Quem ouve quando os animais choram?
Saiba Mais
Morrissey já inspirou milhões de pessoas ao redor do mundo.
Ele também faz campanhas contra o comércio de peles e a superpopulação de animais, incentivando a castração.
Em 11 de outubro do ano passado, os cozinheiros Joshua Ploeg e Automne Zingg lançaram o livro “Defensive Eating with Morrissey: Vegan Recipes from the One You Left Behind”, baseado em mais de 100 receitas aprovadas pelo cantor britânico.
Com o The Smiths, o vocalista e compositor lançou os álbuns “The Smiths”, “Meat is Murder”, “The Queen is Dead” e “Strangways, Here We Come”.
Em carreira solo, lançou entre os anos de 1988 e 2014 os álbuns “Viva Hate”, “Kill Uncle”, “Your Arsenal”, “Vauxhail And I”, “Southpaw Grammar”, “Maladjusted”, “You Are the Quarry”, “Ringleader of the Tormentors”, “Years of Refusal” e “World Peace is None of Your Business”.
Referências
http://www.vegan.com/morrissey/
http://www.yourdailyvegan.com/2014/05/is-morrissey-vegan-yet/
http://pitchfork.com/news/70003-morrissey-calls-on-general-motors-to-offer-vegan-leather/
http://www.huffingtonpost.com/2014/01/07/morrissey-meat-eating-pedophilia_n_4554667.html
http://true-to-you.net/morrissey_news_140102_01
http://www.ora.tv/larrykingnow/2015/8/19/morrisseys-first-in-person-interview-in-nearly-10-years
http://www.peta.org/features/morrissey-spay-neuter/
http://www.peta.org/features/morrissey-opening-act/
http://www.nme.com/news/music/morrissey-86-1213092
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Como nos relacionamos de forma equivocada com os animais

Não se pode se limitar a usar referências de conduta, emoções e intenções humanas para avaliar o comportamento animal (Foto: Reprodução)
Muitas vezes o ser humano se relaciona de forma equivocada com os animais por causa da sua incapacidade em reconhecer que os animais não humanos não são iguais a nós em importantes aspectos.
Não se pode se limitar a usar referências de conduta, emoções e intenções humanas para avaliar o comportamento animal. Não se diz como um animal não humano deve se portar como se ele fosse uma pessoa. Eles são indivíduos, sujeitos morais que têm suas próprias particularidades, e ainda pouco compreendidas.
Por nos julgarmos erroneamente como melhores que eles, nos colocamos em condição de puni-los quando eles agem distante daquilo que consideramos o comportamento adequado ou ideal. E esse comportamento ideal nada mais é do que a tentativa de humanização da condição animal.
Pune-se os animais com violência quando eles não fazem o que queremos, ou seja, quando eles não agem como se fossem humanos obedientes. Precisamos evitar cobrar dos animais uma consciência humana, porque isso me parece que tem sido um dos males que envolve a violência contra seres não humanos.
Aplaude-se o animal que parece “mais humano” e despreza-se o animal que tem comportamento avesso ao nosso. Quando penso sobre isso, vejo que ainda estamos distantes de aceitar que os animais não são nós, mas exigimos deles algo parecido com o que desejamos nas pessoas.
Para citar um exemplo, um homem espancou um animal por não obedecê-lo. E qual a referência que esse homem tem de obediência quando violenta o animal? A mesma que ele tem em relação a seres humanos, talvez um filho, quem sabe. E essa conduta cesarista diz muito sobre quem somos, e mais sobre aquilo que não sabemos do que aquilo que sabemos.
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Ninguém é vegano pela própria saúde
Ninguém é vegano pela própria saúde, simplesmente porque veganismo não se trata disso. Quando uma pessoa não consome alimentos de origem animal, mas sua motivação é a saúde, ela é vegetariana estrita.
Sim, há muitos vegetarianos que se preocupam com a exploração animal, mas não são todos, logo as motivações para uma pessoa tornar-se vegetariana são bem diversas. Porém, veganismo, de fato, é sobre evitar contribuir com a exploração animal.
Naturalmente, uma pessoa que é vegetariana estrita, mas tem como única preocupação a própria saúde, exclui carnes, ovos e laticínios da sua alimentação. Mas, por outro lado, pode não se incomodar em comprar outros tipos de produtos de origem animal que não a afetem diretamente, como, por exemplo, roupas e calçados, já que esse tipo de preocupação só existe por parte de quem é contra a exploração animal.
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Por que não me alimento de animais?

“Acredito verdadeiramente que todo o estresse e os medos do animal são transferidos para aquilo que comemos” (Foto: Reprodução)
Há algum tempo, me perguntaram por que não me alimento de animais. Respondi o seguinte:
Não acho uma boa ideia me alimentar de animais porque, por mais duro que isso pareça, significa se alimentar de morte, sofrimento ou privação. Infelizmente, esse é o preço que pagamos ao ingerir carnes, ovos, laticínios e outros produtos de origem animal. Ninguém vive ou morre feliz ou satisfeito nesse sistema, por melhores que sejam os cuidados. Uma pessoa pode alegar que um bicho teve uma morte indolor, ok, mas você acha que enquanto viveu ele foi feliz em privação?
Não creio, e acredito que todo o estresse e os medos do animal são transferidos para aquilo que comemos, logo não vejo como isso pode ser positivo. Infelizmente, a realidade é que comer carne significa ingerir morte. Afinal, come-se os restos de alguém e aquilo passa a subsistir dentro de você, mesmo que temporariamente. Muitas pessoas sentem nojo do abutre ou do urubu quando testemunham eles comendo carniça. Mas é preciso ser honesto – aquele é o instinto deles.
Em relação a isso, a diferença entre nós e eles é que eles precisam essencialmente da carne. Ao contrário de nós, eles a comem do jeito que ela é, enquanto nós mascaramos o sabor da carne crua para torná-la palatável. Para isso, recorremos a uma grande diversidade de temperos, ou seja, ingredientes de origem vegetal, que fazem a carne até mesmo não parecer “tão carne”. Fora o fato de que quando cito esses animais não humanos, estou falando de seres que comem para viver, não vivem para comer como muitos seres humanos.
“Acho que ficou doente e acabou morrendo dentro de uma semana”
Esses dias, conversando com um camarada, perguntei sobre uma cachorrinha que nunca mais vi em sua casa. Ele me disse que ela faleceu. Então questionei o motivo. “Ah, ela foi parando de comer, acho que ficou doente e acabou morrendo dentro de uma semana”, revelou com naturalidade, sem grande preocupação. Nem chegaram a levá-la ao veterinário ou a pedir ajuda.
A cadelinha tinha oito anos, e sempre me pareceu feliz e bem tratada. Mas não consegui deixar de considerar isso como um triste descaso. E tem gente que ainda critica o veganismo por tentar ampliar a conscientização em relação a forma como nos relacionamos com os animais.
Cortázar: “Acontece o contrário com os animais. Eles me fascinam. O mundo dos insetos…dos mamíferos”

Cortázar: “Descobrir pouco a pouco afinidades e similaridades…Acho que o gato é o meu animal totêmico e eles sabem disso” (Foto: Reprodução)
Um dos maiores nomes da literatura latino-americana, o escritor argentino Julio Cortázar, homem que chegou a um momento da vida em que deixou de surpreender-se com a humanidade e o mundo, teve muitas conversas com o seu amigo Ernesto González Bermejo.
Mais tarde, esses registros deram origem ao livro “Conversaciones con Cortázar”, publicado originalmente em 1978, seis anos antes da morte de Cortázar. No Brasil, a obra foi lançada em 2002, por iniciativa da Editora Jorge Zahar, sediada no Rio de Janeiro. Dentre os assuntos jamais abordados com franqueza em outra entrevista está o seu amor pelos animais, registrado nas páginas 46 e 47:
“Sempre fui, desde criança, profundamente indiferente ao reino vegetal: nunca distingui muito bem um eucalipto de uma bananeira; gosto das flores, mas não me ocuparia em ter um jardim. Acontece o contrário com os animais. Eles me fascinam.
O mundo dos insetos…dos mamíferos. Descobrir pouco a pouco afinidades e similaridades…Acho que o gato é o meu animal totêmico e eles sabem disso, como pude comprovar muitas vezes ao chegar à casa de amigos que têm cães e gatos. Os cães me tratam com indiferença, mas os gatos me abordam logo na chegada.
Se alguém fizer uma pesquisa de meus livros, vai descobrir uma grande percentagem de animais. Um animal se move fora do tempo – repete ao infinito os mesmos movimentos, e para quê? Por quê? Essas são noções humanas que não valem para um inseto. Dizemos que o animal trabalha, mas a noção de trabalho quem insere somos nós.”
Considerado o mestre do conto curto e da prosa poética, o escritor argentino Julio Cortázar ocupa a mesma posição de destaque na literatura mundial que o seu conterrâneo Jorge Luis Borges. Cortázar entrou para a história como um autor original que inovou na literatura ao se afastar da forma clássica de escrever.
Fugindo da linearidade, se destacou pela perene preocupação em se aprofundar no perfil psicológico de seus personagens, garantindo a eles autonomia e proporcionando ao leitor uma imersão numa criação espontânea que, identificada como realismo mágico, precede qualquer avaliação crítica.
Maior exemplo disso é o seu livro mais famoso. “Rayuela” ou “O Jogo da Amarelinha”, de 1963, que convida o espectador a fazer as mais diferentes interpretações da história surrealista de Horacio Oliveira, baseada em um monólogo interior.
Por que não somos carnívoros?
Em seu livro “The 80/10/10/ Diet”, o escritor Douglas N. Graham explica por que não somos carnívoros

Graham discorre sobre características que vão desde as fórmulas dentárias à tolerância à gordura (Foto: Reprodução)
Em 2006, o escritor estadunidense Douglas N. Graham publicou a primeira edição do livro “The 80/10/10 Diet”, lançado no Brasil com o título “A Dieta 80/10/10: Balanceando sua saúde, seu peso e sua vida, a cada doce mordida”. Em um dos capítulos, ele apresenta argumentos que explicam por que é um grande engano muitas pessoas acreditarem que são carnívoras. Para endossar seu posicionamento, Graham, ex-atleta e defensor do crudivorismo, discorre sobre características que vão desde as fórmulas dentárias à tolerância à gordura:
Fórmulas dentárias: Há um sistema chamado de “fórmula dentária” para descrever a disposição dos dentes em cada quadrante da mandíbula da boca de um animal. Isso se refere ao número de incisivos, caninos e molares em cada um dos quatro quadrantes. Começando do centro e movendo-se para fora, nossa fórmula é a da maioria dos antropoides – 2/1/5. A fórmula dentária carnívora é 3/1/5 a 8.
Dentes: Os molares de um carnívoro são pontudos e afiados. Os nossos são primariamente retos, para triturar os alimentos. Nossos dentes caninos não espelham nenhuma semelhança com verdadeiras presas. Nem temos uma boca cheia deles, como um verdadeiro carnívoro tem.
Tamanho do fígado: Carnívoros têm fígados maiores proporcionalmente ao seu tamanho corporal comparados aos humanos.
Andar: Nós temos duas mãos e pés e andamos eretos. Todos os carnívoros têm quatro patas e fazem sua locomoção usando as quatro.
Língua: Apenas os verdadeiros animais carnívoros têm línguas grossas (ásperas). Todas as outras criaturas têm línguas suaves.
Garras: Nossa falta de garras para rasgar a pele e a carne torna esta tarefa extremamente difícil. Possuímos unhas retas e muito mais fracas ao invés das garras.
Polegares Opostos: Nossos polegares opostos nos fazem extremamente equipados para coletar uma refeição de frutas em questão de poucos segundos. A maioria das pessoas faz o processo sem esforço algum. Tudo o que temos a fazer é pegar. As garras dos carnívoros permitem que eles peguem nas suas presas em questões de segundos também. Não podemos pegar ou rasgar a pele ou carne de um veado ou de um urso, mais do que um leão poderia pegar mangas ou bananas.
Nascimento: Humanos dão à luz a uma criança de cada vez. Carnívoros normalmente dão à luz a ninhadas.
Formação do Cólon: Nossos cólons enrolados são bem diferentes em formação se comparado aos suaves cólons dos animais carnívoros.
Glândulas mamárias: as tetas múltiplas no abdômen dos carnívoros não coincidem com o par de glândulas mamárias no peito dos humanos.
Trato intestinal: nossos tratos intestinais medem aproximadamente doze vezes o comprimento de nossos torsos (em torno de nove metros). Isso permite a absorção de açucares e outros nutrientes que provêm da água das frutas. Em oposição, o trato digestivo dos carnívoros é apenas três vezes o comprimento do seu torso. Isso é necessário para evitar o apodrecimento e decomposição da carne dentro do animal. O carnívoro depende de secreções altamente ácidas para facilitar a rápida digestão e absorção em seu tubo bem curto. Ainda assim, a putrefação de proteínas e as gorduras rançosas são evidentes em suas fezes.
Tolerância a micróbios: A maioria dos carnívoros pode digerir micróbios que seriam mortais para os humanos, tais como os que causam botulismo.
Sono: Humanos passam em média dois terços de cada ciclo de 24 horas acordados. Carnívoros tipicamente dormem e descansam de 18 a 20 horas por dia e algumas vezes mais.
Perspiração: Humanos suam através dos poros pelo corpo inteiro. Carnívoros suam através das suas línguas apenas.
Visão: Nosso sentido da visão responde a todo o espectro de cores, tornando assim possível nossa distinção entre frutas maduras e não maduras à distância. Carnívoros tipicamente não veem todos os aspectos de cores.
Tamanho da refeição: Frutas são do tamanho certo da nossa necessidade alimentícia. Cabem na nossa mão. Uma porção de fruta é o suficiente para uma refeição, não causando desperdício. Carnívoros normalmente comem o animal inteiro quando eles o matam.
Bebendo: Se precisamos beber água, podemos sugar com nossos lábios, mas não podemos empurrá-la para dentro. As línguas dos carnívoros são protuberantes para fora a fim de poderem jogá-la para dentro, quando precisam beber.
Placenta: Temos uma placenta em forma de disco, enquanto os carnívoros têm uma placenta zonária.
Vitamina C: Carnívoros produzem a sua própria vitamina C, enquanto para nós a vitamina C é um nutriente essencial que precisamos obter por meio da nossa própria comida.
Movimento da mandíbula: Nossa habilidade de moer nossos alimentos é exclusiva dos herbívoros. Carnívoros não possuem o movimento lateral de suas mandíbulas.
Tolerância à gordura: Nós não conseguimos lidar com mais do que pequenas quantidades de gordura também. Carnívoros prosperam em uma dieta hiperlipídica.
Saliva e pH da urina: Todas as criaturas que se alimentam de vegetais (incluindo humanos saudáveis) mantêm a saliva e a urina alcalina a maior parte do tempo. A saliva e a urina dos animais carnívoros, entretanto, é ácida.
PH da dieta: Carnívoros prosperam em uma dieta de alimentos acidificantes, enquanto tal dieta para humanos seria mortal, abrindo o caminho para uma grande variedade de doenças. Nossos alimentos prediletos são alcalinizantes.
PH ácido do estômago: O nível do pH dos ácidos clorídricos que os humanos produzem no estômago geralmente varia entre 3 a 4 vezes ou mais, mas pode chegar a 2 (0 = mais ácido, 7 = neutro, 14 = mais alcalino). O nível do ácido estomacal de gatos e outros carnívoros pode chegar a 1, mas normalmente fica em 2. Por causa da escala do pH ser logarítmica, isso significa que o ácido estomacal de um carnívoro pode ser 10 vezes mais forte do que o de um humano e pode chegar a ser 100 vezes ou até mesmo 1000 vezes mais forte.
Uricase: Carnívoros verdadeiros secretam uma enzima chamada uricase para metabolizar o ácido úrico da carne. Não secretamos essa substância e precisamos neutralizar esse forte ácido com nossos minerais alcalinos, primeiramente o cálcio. O resultado deste cálcio forma pedras nos rins e é um dos muitos patogênicos do consumo de carne, nesse caso criando ou contribuindo para a gota, artrite, reumatismo e bursite.
Enzimas digestivas: Nossas enzimas digestivas são feitas para facilitar principalmente a digestão de alimentos vegetais. Produzimos a amilase pancreática – também conhecida como “amilase salivar” – para iniciar a digestão de frutas. Animais comedores de carne não produzem esta enzima e tem níveis de enzimas digestivas completamente diferentes das nossas.
Metabolismo do açúcar: A glucose e a frutose nas frutas abastecem nossas células sem forçar nosso pâncreas (a não ser que comêssemos uma dieta hiperlipídica). Carnívoros não lidam com açucares facilmente. Eles são propensos a diabetes, se comerem uma dieta predominante de frutas.
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O veganismo é muito radical?

Porém, não é radical o ato de comer animais? Seres que tinham vida, respiravam, se emocionavam? (Foto: We Animals/Jo-Anne McArthur)
Vez ou outra, alguém me diz que considera o veganismo muito radical. Sob a perspectiva de que o veganismo é uma grande mudança na vida de alguém, concordo naturalmente. Porém, não é radical o ato de comer animais? Seres que tinham vida, respiravam, se emocionavam? Claro que é uma questão cultural o consumo de carne, mas ninguém pode dizer que não há diversidade ou boas fontes nutricionais na alimentação vegetariana.
De acordo com o botânico John Warrer, autor do livro “A Natureza dos Cultivos”, há mais de 300 mil alimentos vegetais disponíveis na natureza. Claro que nem todos esses alimentos são acessíveis por diversos fatores, mas não deixa de ser um número surpreendente, que mostra como as pessoas subestimam o potencial de uma alimentação vegetariana. Isso prova também que não é por falta de opções que as pessoas não deixam de comer carne, mas sim porque têm o costume e o paladar como principais justificativas. Por isso, em muitos casos não fazem questão de mudar, já que é mais fácil manter o status quo.
Ademais, uma dieta básica vegetariana, que não prioriza o consumo de produtos industrializados, pode ser muito mais barata do que uma dieta baseada em carnes e laticínios. Creio que não seja necessária nenhuma pesquisa científica para provar isso. Basta passar em feiras, mercados e açougues e fazer as devidas comparações. Eu, por exemplo, às terças-feiras compro até mais de dez quilos de vegetais, frutas, legumes e tubérculos com cerca de R$ 25. Compare isso com o preço da carne, por exemplo, e avalie o custo/benefício.
O menino que matava porcos

“Mato mesmo!”, confirmou o menino rindo e ouvindo o comentário do sobrinho do meu avô (Foto: Reprodução)
Quando eu tinha oito anos, viajamos para Batayporã, no Mato Grosso do Sul. Lá, conheci outros familiares do meu avô. Mas naquela viagem só uma pessoa me chamou a atenção – um primo de terceiro grau. Ele tinha sete anos e olhos avermelhados.
Na fazenda, o vi de longe, expulsando alguns animais que circulavam pela casa principal. Me falaram que ele matava porcos desde os cinco anos, e que gostava de eviscerá-los com um punhal resguardado por gerações. “Mato mesmo!”, confirmou o menino rindo e ouvindo o comentário do sobrinho do meu avô.
Caminhando pela fazenda, eu evitava ficar sozinho, e sempre olhava ao meu redor, na tentativa de saber se o menino de olhos avermelhados estava por perto. Criança, eu nunca tinha visto ou ouvido falar de alguém que tivesse matado um porco.
Com o cair da tarde, e o sol despontando baixo e avermelhado no horizonte, assim como os olhos do menino, fiquei sabendo que meus pais pretendiam passar a noite na fazenda. Me aproximei de minha mãe e a questionei, garantindo a nossa partida: “Não quero dormir aqui. Se esse menino mata porco, um bicho que não fez nada pra ele, quem garante que ele não é capaz de fazer o mesmo comigo de madrugada?”
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