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Vidas não valem nada
Vidas não valem nada, concluí quando saí do matadouro após uma visita no mês passado. O magarefe posicionou a pistola contra a cabeça de um boi dócil e disparou. Um tiro absterso e silente. O dardo penetrou o crânio do animal e o fez deitar no chão. Barulho intenso. Tive a impressão de que algo estava explodindo. E não estava? O mundo de um animal que naquela tarde não imaginava que não veria a noite ou um novo dia. Não chorava feito criança, embora corpulento e desgracioso tremia como um recém-nascido – (in)voluntariamente, batendo de um lado para o outro dentro de uma caixa de tijolos. Morto? Sim ou não, depende de quem vê. O magarefe não viu os olhos embaciados do boi. Não, aquilo era perigoso. Limpou a pistola, sem prestar atenção no bicho e ajeitou os fones de ouvido por baixo do abafador:
Sobre o sofrimento de animais selvagens em armadilhas II
Na primeira hora em que um animal selvagem é preso em uma armadilha, não raramente o desespero faz com que ele comece a mastigar os seus próprios membros na tentativa de se livrar da situação. Isto porque a dor é tão visceral que ele é capaz de qualquer coisa para tentar sobreviver, mesmo que os ferimentos posteriores também possam causar-lhe a morte caso ele não receba nenhum tipo de ajuda.
Referência
Animal Ethics in Animal Research, livro de autoria de Helena Röcklinsberg e publicado em outubro de 2017 pela Editora da Universidade de Cambridge.
A criação de animais em regime industrial é um dos piores crimes da humanidade
O destino dos animais criados em regime industrial é uma das questões éticas mais urgentes do nosso tempo. Dezenas de bilhões de animais sencientes, cada um com sensações e emoções complexas, vivem e morrem em uma linha de produção. Os animais são as principais vítimas da história, e o tratamento dado em fazendas industriais aos animais domesticados é talvez o pior crime da história.
A marcha do progresso humano está repleta de animais mortos. Há dezenas de milhares de anos, nossos antepassados da idade da pedra já eram responsáveis por uma série de desastres ecológicos. Quando os primeiros humanos chegaram à Austrália há cerca de 45 mil anos, eles rapidamente promoveram a extinção de 90% dos grandes animais. Esse foi o primeiro impacto significativo que o Homo sapiens teve no ecossistema do planeta. E não foi o último.
Cerca de 15 mil anos atrás os humanos colonizaram a América, eliminando cerca de 75% dos mamíferos. Numerosas outras espécies desapareceram da África, da Eurásia e das miríades de ilhas ao redor de suas costas. O registro arqueológico de país a país conta a mesma triste história. A tragédia se abre com uma primeira cena que mostra uma população rica e diversificada de grandes animais, sem nenhum vestígio do Homo sapiens.
Na segunda cena, humanos aparecem, evidenciados por um osso fossilizado, um lança pontuda e talvez uma fogueira. A terceira cena se segue rapidamente, em que homens e mulheres ocupam o centro do palco e os animais mais grandes, juntamente com muitos pequenos, desaparecem. No total, os sapiens levaram à extinção cerca de 50% de todos os grandes mamíferos terrestres do planeta antes de cultivar o primeiro campo de trigo, moldar a primeira ferramenta de metal, escrever o primeiro texto ou cunhar a primeira moeda.
O próximo marco importante nas relações entre humanos-animais foi a revolução agrícola: o processo pelo qual nos transferimos de nômades caçadores-coletores para agricultores que viviam em assentamentos permanentes. Isso moldou uma forma de vida completamente nova na Terra: a dos animais domesticados. Inicialmente, esse desenvolvimento parece ter sido de menor importância, já que os humanos conseguiram domesticar menos de 20 espécies de mamíferos e aves, em comparação com inúmeras milhares de espécies que permaneceram “selvagens”.
No entanto, com o passar dos séculos essa nova forma de vida tornou-se uma norma. Hoje, mais de 90% de todos os animais grandes são domesticados (“grande” indica alguns animais que pesam pelo menos alguns quilogramas). Considere o frango, por exemplo. Há dez mil anos, era uma ave rara que se limitava a pequenos nichos do sul da Ásia. Hoje, bilhões de frangos vivem em quase todos os continentes e ilhas. O frango domesticado é provavelmente a ave mais difundida nos anais do planeta Terra. Se você medir o sucesso em termos de números, você vai perceber que frangos, bovinos e porcos são os animais mais rentáveis de todos os tempos.
Infelizmente, as espécies domesticadas pagaram pelo incomparável sucesso coletivo com um sofrimento individual sem precedentes. O reino animal conheceu muitos tipos de dor e miséria ao longo de milhões de anos. No entanto, a revolução agrícola criou tipos de sofrimento completamente novos, que só pioraram com o passar das gerações.
À primeira vista, os animais domesticados podem parecer muito melhores do que seus primos e ancestrais selvagens. Os búfalos selvagens gastam seus dias procurando comida, água e abrigo, e são constantemente ameaçados por leões, inundações e secas. O gato domesticado, ao contrário, goza de cuidados e proteção contra predadores e desastres naturais. É verdade que vacas e bezerros mais cedo ou mais tarde serão enviados para matadouros. No entanto, isso torna seu destino pior do que o dos búfalos selvagens? Os dentes do crocodilo são mais gentis do que as lâminas de aço?
O que torna a existência de animais domesticados e criados em fazendas particularmente cruel não é apenas a forma como eles morrem, mas sobretudo como vivem. Dois fatores concorrentes moldaram as condições de vida dos animais de fazenda: por um lado, os seres humanos querem carne, leite, ovos, couro, força animal e entretenimento; por outro, os humanos têm de garantir a sobrevivência e a produção a longo prazo dos animais de fazenda.
Teoricamente, isso deve proteger os animais da crueldade extrema. Se um produtor de leite ordenhar a sua vaca sem oferecer comida e água, a produção de leite cairá, e a própria vaca morrerá rapidamente. Infelizmente, os seres humanos podem causar um tremendo sofrimento para criar animais de outras maneiras, mesmo garantindo sua sobrevivência e reprodução.
A raiz do problema é que os animais domesticados herdaram de seus ancestrais selvagens muitas necessidades físicas, emocionais e sociais que são superabundantes nas fazendas. Os criadores rotineiramente ignoram essas necessidades sem qualquer prejuízo econômico. Eles prendem animais em pequenas gaiolas, mutilam seus chifres e caudas, separam as mães da prole e criam seletivamente monstruosidades. Os animais sofrem muito, mas eles vivem e se multiplicam.
Isso não contradiz os princípios mais básicos da evolução darwiniana? A teoria da evolução sustenta que todos os instintos e movimentos evoluíram a partir do interesse pela sobrevivência e reprodução. Sendo assim, a reprodução contínua de animais criados para consumo provará que todas as suas necessidades reais são atendidas? Como uma vaca pode ter uma “necessidade” que não é realmente essencial para a sobrevivência e reprodução?
Certamente é verdade que todos os instintos e movimentos evoluíram para atender pressões evolutivas de sobrevivência e reprodução. Quando essas pressões desaparecem, no entanto, os instintos e unidades que se formaram não se evaporam instantaneamente. Mesmo que eles não sejam mais instrumentais para a sobrevivência e para a reprodução, eles continuam a moldar as experiências subjetivas do animal. As necessidades físicas, emocionais e sociais das vacas, cães e humanos atualmente não refletem suas condições atuais, mas sim as pressões evolutivas que seus antepassados encontraram há dezenas de milhares de anos.
Por que as pessoas modernas adoram tanto os doces? Não porque no início do século 21 devemos comer vorazmente sorvete e chocolate para sobreviver. Em vez disso, é porque quando nossos antepassados da idade da pedra encontravam frutos doces e amadurecidos, a coisa mais sensata a fazer era comer o maior número possível deles e o mais rápido possível [ponderando o contexto].
Por que os jovens dirigem imprudentemente, envolvem-se em protestos violentos e hackeiam informações confidenciais de sites? Porque eles estão obedecendo antigos decretos genéticos. Há 70 mil anos, um jovem caçador que arriscou sua vida a perseguir um mamute superou todos os seus concorrentes e ganhou a mão da mais bela jovem do lugar – e agora estamos presos aos seus genes.
Exatamente a mesma lógica evolutiva molda a vida de vacas e bezerros em nossas fazendas. Os antigos animais selvagens eram animais sociais. Para sobreviver e se reproduzir, eles precisavam se comunicar, cooperar e efetivamente competir. Como todos os mamíferos sociais, o gado selvagem aprendeu as habilidades sociais necessárias por meio desse jogo. Cachorrinhos, gatinhos, bezerros e crianças gostam de brincar porque a evolução implantou esse impulso neles.
Na natureza selvagem, eles precisavam brincar. Se eles não brincassem, eles não aprenderiam as habilidades sociais vitais para sobreviver e se reproduzir. Se um gatinho ou um bezerro nascesse com alguma mutação rara que os tornasse indiferentes às brincadeiras, eles provavelmente não gozariam de habilidades para sobreviver ou se reproduzir, assim como eles não existiriam se em primeiro lugar os seus antepassados não tivessem adquirido essas habilidades. Da mesma forma, a evolução implantada em cachorros, gatinhos, bezerros e crianças é um desejo irresistível de criar um vínculo com suas mães; uma mutação casual que enfraqueceu o vínculo mãe-bebê foi a sentença de morte.
O que acontece quando os criadores pegam uma novilha, a separam de sua mãe, a colocam em uma pequena gaiola minúscula, a vacinam contra várias doenças, dão-lhe comida e água, e então, quando ela tiver idade o suficiente, a inseminam artificialmente com o esperma de um touro? De uma perspectiva objetiva, essa novilha não precisa mais de vínculos maternos ou de companheiros para sobreviver ou se reproduzir. Todas as suas necessidades estão sendo atendidas por seus mestres humanos. Mas de uma perspectiva subjetiva, a novilha ainda sente um forte desejo de se unir à sua mãe e brincar com os outros bezerros. Se esses impulsos não forem satisfeitos, ela sofrerá muito.
Esta é a lição básica da psicologia evolutiva: uma necessidade formada ao longo de milhares de gerações continua a ser sentida subjetivamente, mesmo que não seja mais necessária para a sobrevivência e para a reprodução no tempo presente. Tragicamente, a revolução agrícola deu aos humanos o poder de garantir a sobrevivência e reprodução de animais domesticados, ignorando suas necessidades subjetivas. Em consequência, os animais domesticados são coletivamente os animais mais bem-sucedidos do mundo e, ao mesmo tempo, são individualmente os animais mais miseráveis que já existiram.
A situação piorou nos últimos séculos, período em que a agricultura tradicional cedeu à agricultura industrial. Nas sociedades tradicionais, como a do Antigo Egito, do Império Romano ou da China Medieval, humanos tinham uma compreensão muito parcial da bioquímica, genética, zoologia e epidemiologia. Consequentemente, seus poderes de controle e manipulação foram limitados. Nas aldeias medievais, as galinhas corriam livremente entre as casas, colhendo sementes e minhocas com o bico, e criando ninhos no celeiro. Se um campesino ambicioso tentasse confinar mil galinhas, mantendo-as em um espaço lotado, uma epidemia mortal de gripe aviária provavelmente teria eliminado todas as galinhas, assim como muitos aldeões.
Nenhum padre, xamã ou feiticeiro poderia ter impedido isso. Mas uma vez que a ciência moderna decifrou os segredos de aves, vírus e antibióticos, os seres humanos começaram a sujeitar os animais a condições de vida extremas. Com a ajuda de vacinas, medicamentos, hormônios, pesticidas, sistemas de ar condicionado e alimentadores automáticos, agora é possível colocar dezenas de milhares de frangos em pequenas gaiolas e produzir carne e ovos com uma eficiência sem precedentes.
O destino dos animais em tais instalações industriais tornou-se uma das questões éticas mais urgentes do nosso tempo, certamente em termos de números. Hoje em dia, a maioria dos grandes animais vive em fazendas industriais. Imaginamos que nosso planeta é povoado por leões, elefantes, baleias e pinguins. Isso pode ser verdade para o canal National Geographic, filmes da Disney e contos de fada infantis, mas já não é verdade para o mundo real. O mundo possui 50 mil leões. Em contraste, há cerca de um bilhão de porcos domesticados, 500 mil elefantes e 1,5 bilhão de bovinos domesticados; 50 milhões de pinguins e 20 bilhões de frangos.
Em 2009, havia 1,6 bilhão de aves selvagens na Europa, contando todas as espécies juntas. No mesmo ano, a indústria europeia de carne e ovos aumentou a produção de frangos para 1,9 bilhão. No total, os animais domesticados do mundo pesam cerca de 700 milhões de toneladas em comparação com 300 milhões de toneladas para humanos e menos de 100 milhões de toneladas para grandes animais selvagens.
É por isso que o destino dos animais de fazenda não é uma questão ética unilateral. Refere-se à maioria das grandes criaturas da Terra: dezenas de bilhões de seres sencientes, cada um com um mundo complexo de sensações e emoções, mas que vivem e morrem em uma linha de produção industrial. Há 40 anos, o filósofo moral Peter Singer publicou o seu livro canônico “Libertação Animal”, que fez muito para mudar a mente das pessoas sobre essa questão. Singer afirmou que a agropecuária é responsável por mais dor e miséria do que todas as guerras da história juntas.
O estudo científico dos animais tem desempenhado um papel sombrio nesta tragédia. A comunidade científica usou seu crescente conhecimento sobre os animais principalmente para manipular suas vidas de forma mais eficiente a serviço da indústria humana. No entanto, esse mesmo conhecimento demonstrou, sem qualquer dúvida razoável, que os animais de fazenda são seres sencientes, com relações sociais intrincadas e padrões psicológicos sofisticados. Eles podem não ser tão inteligentes quanto nós, mas certamente conhecem a dor, o medo e a solidão. Eles também podem sofrer, e eles também podem ser felizes.
Já é tempo de levar essas descobertas científicas ao coração, porque, à medida que o poder humano cresce, a nossa capacidade de prejudicar ou beneficiar outros animais cresce com ela. Por quatro bilhões de anos, a vida na Terra foi governada pela seleção natural. Agora é governada cada vez mais pelo design inteligente. Biotecnologia, nanotecnologia e inteligência artificial permitirão aos seres humanos remodelar os seres vivos a partir de novas formas ainda mais radicais, que redefinirão o próprio significado da vida. Quando chegarmos a projetar esse admirável mundo novo, devemos levar em consideração o bem-estar de todos os seres conscientes, e não apenas do Homo sapiens.
O artigo “Industrial farming is one of the worst crimes in history”, de autoria do professor de história israelense Yuval Noah Harari, foi publicado em 25 de setembro de 2015 no jornal britânico “The Guardian”. Harari conquistou fama internacional após a publicação do best-seller “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, lançado oficialmente em 2014.
Tradução: David Arioch
Breve reflexão contra a vivissecção (experimentação animal)
A vivissecção passou a ser considerada “prática comum” no mundo ocidental a partir do século 19. Muito tempo se passou, estamos em 2018 e animais continuam sendo torturados e mortos desnecessariamente em nome da ciência. O que ajuda a postergar o banimento dessa prática já considerada obsoleta é o lobby e a politicagem que caminham lado a lado.
Diga não aos testes em animais
Reflexão sobre a importância de sermos contra a realização de testes em animais. Estamos em 2018 e há inúmeras alternativas que não envolvem exploração, sofrimento e morte de animais.
Ativista canadense denuncia crueldade por trás de grifes como Dolce & Gabbana
O ativista dos direitos animais canadense Malcolm Klimowicz, da Kitchener Ontario Animal Liberation Alliance, divulgou recentemente imagens que ele registrou no ano passado em cinco das 40 fazendas em que visons são criados e mortos na região de Ontário para serem usados como matéria-prima na indústria de peles.
No vídeo registrado em diversas localidades é evidente o estado de privação e sofrimento desses animais confinados em pequenas gaiolas cobertas de ferrugem e cheias de excrementos. Em vários momentos, eles lutam para tentar escapar do confinamento. O registro audiovisual também mostra infestações de vermes próximos dos visons. Inúmeros animais, visivelmente estressados por serem privados de seu habitat, aparecem com diversos ferimentos na cabeça e no corpo.
Esse tipo de situação é incentivada por algumas das grifes mais famosas do mundo, como é o caso da Dolce & Gabbana que compra matéria-prima dessas fazendas para a confecção de bolsas, sapatos, casacos e outros itens baseados na pele dos visons.
Sobre a crueldade na indústria de peles de animais
“Sobre a crueldade na indústria de peles de animais” é o meu novo vídeo. Nele, falo sobre a problemática do consumo de peles de animais, e cito as breeding farms, que são fazendas ou locais onde animais selvagens ou não são criados e forçados a procriarem para atender a demanda da indústria. Esses locais existem não apenas para “suprir” um mercado regional ou nacional, mas também demandas internacionais e intercontinentais. Nesses lugares, os animais são mantidos em cativeiro até o momento em que normalmente são mortos e têm suas peles arrancadas. Há inclusive registros de animais que, em decorrência do estresse, de graves problemas psicológicos e emocionais, perdem a identidade e chegam a praticar canibalismo.
Além de não usar peles de animais, é importante abdicarmos do consumo de produtos que estão inseridos no cotidiano comum, como couro, lã, seda animal, etc. Porque esses também reforçam a coisificação, a objetificação e a atribuição utilitária que damos aos animais. Opte por produtos sintéticos, são mais acessíveis, baratos e não contribuem com a exploração e a violência de animais.
Cuidado com o engodo da indústria de peles
Cuidado com o engodo. Há várias grifes que dizem estar parando de usar peles de animais. Inclusive lançam peças com peles sintéticas para agradar a opinião pública. Mas isso não significa que já tenham parado de comercializar peles de animais. O que vale mesmo é a confirmação de que uma empresa não está realmente mais envolvida na exploração e na violência contra animais. O resto pode ser publicidade para agradar consciências suscetíveis.
Brigitte Bardot condena a violência contra animais abandonados na Rússia

Brigitte Bardot enviou carta ao presidente Vladimir Putin, pedindo que ele pare com a violência contra os animais na Rússia (Acervo: Azactu)
Em declaração feita por meio da sua fundação homônima, a ativista dos direitos animais e lenda do cinema francês Brigitte Bardot, de 83 anos, qualificou como barbarismo os programas de crueldade contra animais abandonados que estão sendo colocados em prática em muitas cidades russas, visando “deixá-las limpas” para a Copa do Mundo.
Incomodada com a situação, Brigitte Bardot enviou uma carta para o presidente Vladimir Putin expressando sua preocupação com o destino dos animais abandonados na Rússia. Na carta divulgada pela Fundação Brigitte Bardot, ela diz que se Putin “aceita essa matança em massa, isso significa que ele é a favor da barbárie.” Brigitte pediu que ele substitua a violência desnecessária por campanhas de castração.
A senhora Bardot lembrou que com a proximidade da Copa do Mundo, os olhos da comunidade internacional estarão cada vez mais voltados para a Rússia. Além disso, manifestou preocupação em relação aos riscos que ursos, guaxinins, raposas e texugos, animais comuns na Rússia, podem sofrer antes e durante a Copa do Mundo. “Animais indefesos são mantidos em gaiolas estreitas para serem atacados por cães”, lamentou.
A famosa ativista também apontou que vai ser difícil salvar esses animais enquanto o governo russo permitir que cães sejam treinados para caçar animais selvagens. Em 1973, no auge da carreira, Brigitte Bardot, que estrelou 47 filmes, anunciou a sua aposentadoria do cinema. E foi assim, aos 39 anos, que ela iniciou uma nova vida como ativista dos direitos animais.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 10 de julho de 2015, ela contou que quando descobriu a verdade sobre a realidade da exploração animal, tornou-se evidentemente óbvio para ela, e até mesmo indispensável, colocar um fim em sua carreira. “Que era somente brilho e vaidade, para que eu pudesse me dedicar a esta causa urgente”, justificou.
Em entrevista publicada pelo tabloide Daily Mail em 2 de novembro de 2014, Brigitte relatou que a fama não a satisfazia mais, e que seu amor pelos animais deveria ser expressado oficialmente. “Jamais olhei para trás. Nasci com o amor pelos animais. Não tive nenhum perto de mim na minha infância porque estávamos em guerra, e a vida em Paris era muito difícil”, declarou.
Cativeiro ou “cativeiro”
Esses dias, eu estava conversando com um amigo sobre as acepções da palavra “cativeiro”. Você já percebeu como essa palavra traz conceitos e significações diferentes dependendo do que falamos? Se você começa o desenvolvimento de um raciocínio falando em cativeiro e refere-se a um humano, antes de você fazer uma menção clara a um relato, as pessoas já o terão associado com um cenário de um refém, uma pobre vítima mantida em um lugar contra a sua vontade. Sendo assim, um ato claramente imoral, e obviamente criminoso.
Porém, quando falamos de seres não humanos, há uma superficialização da situação. Um não humano mantido em cativeiro é simplesmente um ser fora do seu habitat, o que na significação popular humana fundamentada na dissimulação remete a uma ideia apenas de um “ambiente artificial”; o que para muita gente não é ruim, mas apenas diferente, logo tolerável, transigente. Isso é o que o antropocentrismo e o especismo fazem com a nossa consciência. Suavizam realidades arrebatadoras de exploração, valendo-se não apenas da nossa ignorância ou insipiência, mas também da nossa predisposição em considerar o nosso benefício ou prazer acima dos interesses dos outros.





