David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category

Tolstói: “Não ouçam os médicos antigos que preconizam o uso da carne, porque o fazem unicamente por teimosia”

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Tolstói: “O movimento moralizador que constitui a base de todo progresso se cumpre sempre lentamente”

Quando Liev Tolstói foi questionado sobre o motivo pelo qual ele acreditava que a privação da carne é a primeira etapa para a vida moral, o escritor russo disse que a resposta poderia ser encontrada no livro “The Ethics of Diet”, de autoria do inglês Howard Williams, lançado em 1883.

Segundo Tolstói, a obra representa não apenas a voz de um homem, mas da humanidade, na pessoa de seus melhores representantes desde que chegamos ao que ele chama de idade da razão. Em seu ensaio “O Primeiro Passo”, publicado em 1892, o escritor russo justificou que embora a imoralidade da alimentação de origem animal seja conhecida, a verdade é que ela continua sendo ignorada porque a maioria prefere não confrontar a sua própria consciência moral.

“O movimento moralizador que constitui a base de todo progresso se cumpre sempre lentamente. […] Tal é o movimento vegetariano; este movimento está expresso tão bem por todos os escritos que se incluem no livro citado [The Ethics of Diet], como pela existência da própria humanidade, a qual tende mais e mais, sem que sequer o perceba, a passar da alimentação animal ao regime vegetal, e este movimento se manifesta com uma força particular e consciente no vegetarianismo, que adquire cada vez maior extensão”, escreveu Liev Tolstói.

O escritor fez essa otimista observação depois de ver a evolução do movimento vegetariano, principalmente na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, onde, no início do século 20, já crescia o número de pousadas e hotéis vegetarianos. Para Tolstói, o vegetarianismo é um sinal da aspiração séria e sincera da humanidade em direção à perfeição moral. Poetizando os desígnios do vegetarianismo, comparou a alegria em ver a evolução do movimento com o exemplo de um homem disposto a alcançar gradualmente o andar mais alto de um edifício.

Para o escritor russo, o melhor caminho é o mais simples, ou seja, é preciso começar subindo o primeiro degrau da escada. “Aqueles que duvidam disso, leiam os numerosos livros escritos por médicos e sábios. Eles provam que a carne não é necessária como alimento. Não ouçam os médicos antigos que preconizam o uso da carne, porque a preconizaram seus antecessores; e o fazem unicamente por teimosia […]”, criticou.

Referência

Tolstói, Liev. O Primeiro Passo (1892).

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Schopenhauer: “Os animais não são artigos fabricados para o nosso uso”

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Eles acreditam e fazem com que os outros acreditem que a conduta humana para com os animais não tem nada a ver com a moral

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A contribuição de Schopenhauer à discussão dos direitos animais é inegável (Pintura: Reprodução)

Em 1818, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer publicou “O Mundo como Vontade e Representação”, consideradas uma das mais importantes obras da filosofia do século 19, e que influenciou o compositor alemão Richard Wagner e o escritor russo Liev Tolstói a se interessarem um pouco mais pelo vegetarianismo e pelos direitos animais.

Embora não haja provas de que Arthur Schopenhauer tenha sido vegetariano, a sua contribuição à discussão dos direitos animais é inegável, ainda mais levando em conta que ele foi um importante filósofo do Ocidente a abordar esses direitos sob a perspectiva da moralidade. Schopenhauer não concordava com a concepção antropocêntrica de que os animais existem simplesmente para servirem aos seres humanos.

Em seu trabalho, esse debate começou a ganhar bastante visibilidade nos livros “Ontologia” e “Ética”, segunda e quarta obra que compõem “O Mundo Como Vontade e Representação”. À época, o filósofo alemão considerou a moralidade cristã extremamente limitada e obtusa por contemplar somente os seres humanos. Sendo assim, pode-se dizer que a moralidade conveniente ao homem não é moralidade, já que a moralidade genuína depende de você não observar somente a si mesmo e as conveniências que envolvem apenas aqueles que são de sua própria espécie.

Schopenhauer também criticou a coisificação dos seres não humanos, o que acabou destacando não apenas a face predominantemente antropocêntrica da moralidade cristã como também de parte da moralidade filosófica, já que a exclusão de outras espécies também encontrou representatividade entre filósofos de seu tempo, o que vem se estendendo até a atualidade, já que muitos filósofos evitam abordar o tema. Esse tipo de conduta era vista por Schopenhauer como um tipo frequente de moralidade de conveniência.

Animais não são meros meios para quaisquer fins. Ao pensarmos que sim, somos coniventes com a violência contra outras espécies e incentivamos a exploração animal em todas as esferas, sendo permissivos inclusive com formas inimagináveis de privação e crueldade. E esse tipo de conduta em detrimento de outros seres vivos leva a um questionamento a respeito da nossa própria moralidade que não contempla ninguém além de nós mesmos. “É uma vergonha essa moralidade digna de párias […], chandalas, mlechchas e que não reconhece a essência eterna que existe em cada coisa viva, e brilha com significado inescrutável em todos os olhos que veem o sol”, escreveu Arthur Schopenhauer na página 173 do livro “O Fundamento da Moral”, publicado em 1840.

Para o escritor Howard Williams, autor do livro “The Ethics of Diet”, de 1883, e considerada uma das obras mais importantes da história do vegetarianismo ocidental, o que distinguia o filósofo alemão da maioria dos pensadores era a sua perspectiva mais singular e abrangente. Ele fez da compaixão o principal, a fonte exclusiva da ação moral. E a sua reivindicação dos direitos das espécies não humanas, em contraste com o silêncio dos moralistas comuns, é o que sempre lhe dará o direito de assumir posição excepcionalmente elevada entre os reformadores dos sistemas éticos, apesar de seus exageros e desvantagens em outros aspectos, segundo Williams na página 287 de “The Ethics of Diet”.

Na página 375 do livro “Parerga and Paralipomena: Short Philosophical Essays – Volume 2”, que reúne uma coleção de ensaios publicados em 1851, Schopenhauer diz que o mundo não é uma peça de maquinaria e os animais não são artigos fabricados para o nosso uso. “Não se contentarão facilmente em contemplar um animal raro e desconhecido; hão de querer também instigá-lo, irritá-lo, fazer-lhe brincadeiras desagradáveis e isto unicamente para se darem o sentimento da ação ou da reação; mas esta necessidade de excitar a vontade se revela, de modo efetivamente especial, […] expressão verdadeira do lado miserável da humanidade”, consta na página 29 do quarto livro, intitulado “Ética”, de “O Mundo Como Vontade e Representação”.

De acordo com Schopenhauer, a compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, assim afirmando que quem é cruel com as criaturas vivas não pode ser um bom homem. Além disso, no seu entendimento, tal sentimento flui manifestamente da mesma fonte de onde surgem as virtudes da justiça e da gentileza.

“Os saxões, quando conquistaram a Inglaterra, ainda não eram cristãos. No entanto, a língua inglesa mostra algo análogo no estranho fato de que todos os animais de gênero neutro são citados pelo pronome ‘it’, empregado a eles como se fossem coisas sem vida. Este idioma soa muito censurável, especialmente quando se fala de cachorros, macacos e outros primatas, e é inequivocamente um truque projetado para reduzir os animais ao nível de objetos inanimados”, criticou.

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Para o filósofo alemão, a moralidade conveniente ao homem não é moralidade (Imagem: Reprodução)

Por outro lado, o filósofo citou como contraponto a realidade dos antigos egípcios que dedicavam todos os seus dias à religião e estavam acostumados a colocar um crocodilo, entre outros animais, na mesma abóbada com a múmia humana. “Na Europa, é um crime, uma abominação, enterrar um cão fiel no mesmo local onde repousa seu mestre, embora seja lá que talvez ele, com uma fidelidade e um apego desconhecido pelos filhos dos homens, aguardasse seu próprio fim”, declarou.

O pensador alemão também relatou que um dia leu sobre um caçador inglês que depois de matar um macaco não conseguiu mais esquecer o olhar moribundo que a criatura lançava sobre ele. Movido por remorso, jamais atirou em outro animal. “As pessoas de delicada sensibilidade, ao perceberem que em um ataque de mau humor ou raiva, ou sob a influência do vinho, puniram seu cão, seu cavalo ou seu macaco imerecidamente, desnecessariamente ou excessivamente, são apreendidas pelo remorso. Sentem a mesma insatisfação em relação a si mesmos, como quando estão conscientes de terem feito algum mal a um de seus companheiros. A única diferença – puramente nominal – é que, neste último caso, esse remorso, essa insatisfação é chamada de voz da consciência que se ergue em repreensão”, analisou Schopenhauer que qualifica essa reação como a voz da moralidade que surge mais docemente a partir da compaixão.

O britânico William Harris, um dos caçadores mais famosos de seu tempo, contou em sua biografia publicada em Bombaim, na Índia, em 1838, que nos anos de 1836 e 1837 viajou para longe no coração da África com a mera intenção de perseguir animais, algo que ele definia como uma de suas paixões. Em uma passagem, ele descreveu como atirou em seu primeiro elefante, uma fêmea. Na manhã seguinte, indo procurar seu alvo, ele descobriu que todos os elefantes tinham fugido da localidade, exceto um jovem elefante que passou a noite toda ao lado de sua mãe morta.

Vendo os caçadores, ele esqueceu completamente do medo e, com os mais claros e vivos sinais de tristeza desconsolada, caminhou até eles. Então moveu seu minúsculo tronco em direção a eles, como se pedisse ajuda. Sobre o episódio, narrou Harris: “Eu estava cheio do mais verdadeiro remorso pelo que tinha feito e me senti como se eu tivesse cometido um assassinato.” Para o filósofo alemão, reações como essa eram mais comumente encontradas nos ingleses que, segundo ele, eram mais compassivos que os outros povos europeus.

No livreto do Congresso da União Vegetariana Internacional (IVU) de 1957, consta um excerto em que Arthur Schopenhauer assinala que o esquecimento imperdoável ao qual os animais não humanos são relegados pelos moralistas da Europa é bem conhecido. Eles fingem que os animais não têm direitos. Acreditam e fazem com que os outros acreditem que a conduta humana para com os animais não tem nada a ver com a moral, que o ser humano não tem dever algum em relação aos animais.

“Uma doutrina revoltante, grosseira e bárbara. Não conheço oração mais bela do que a que os hindus de outrora usaram para fechar seus espetáculos públicos. Era: ‘Que todos os que têm vida sejam libertos do sofrimento…’”, enfatizou. Observações e reações como essa acompanharam Schopenhauer por toda a sua vida, fazendo com que ele ficasse conhecido como o maior intérprete das ideias budistas e hinduístas na Europa.

Embora não tenha fundado nenhuma escola de filosofia, o filósofo alemão exerceu grande influência sobre o existencialismo e a psicologia, principalmente a partir do quarto livro de “O Mundo como Representação e Vontade”. Na página 409 da obra completa, ele citou que quando Buda, ainda como Bodisatwa, colocou pela última vez uma sela sobre um cavalo para fugir da casa de seu pai em direção ao deserto, ele falou ao animal: “De longa data, tu me auxilias na vida e na morte; mas doravante cessarás de levar-me e de trazer-me. Leve-me daqui ainda uma vez, ó Kantakana, e quando tiver conquistado a lei [ou seja, quando ele for o Buda] não me esquecerei de ti.”

Sob a ótica das crenças do Ocidente e do Oriente, outra referência que realça a distinção no tratamento dado aos animais não humanos é a alusão à transmigração das almas, que fala que todos os sofrimentos que infligimos às outras criaturas devem ser expiados. O filósofo cita na obra “Ética”, do livro “O Mundo como Vontade e Representação”, que sob a perspectiva da metempsicose, a má conduta obriga o ser humano a retornar ao plano terreno sob a forma da criatura sofredora e desprezada, o que pode ser qualquer tipo de ser vivo, humano ou não.

Em 1872, o teólogo e exegeta (intérprete religioso) alemão David Strauss publicou o livro “Der alte und der neue Glaube”, que significa “A Velha e a Nova Fé”. Na obra, ele registrou que a história da violência e da criminalidade mostra que muitos torturadores e assassinos foram antes torturadores de animais. Para Strauss, a forma como uma nação trata outras espécies é um medidor do seu nível real de civilidade. “As raças latinas como sabemos, saem mal neste exame, nós alemães, não muito bem. O budismo fez mais nesta direção do que o cristianismo, e Schopenhauer mais do que todos os filósofos antigos e modernos juntos. Essa serena simpatia pela natureza senciente, que permeia todos os escritos de Schopenhauer, é um dos aspectos mais agradáveis de sua […] filosofia”, escreveu.

Referências

Schopenhauer, Arthur. O Mundo Como Vontade e Representação (1818).

Schopenhauer, Arthur. O Fundamento da Moral (1840).

Schopenhauer, Arthur. Parerga and Paralipomena: Short Philosophical Essays – Volume 2. Clarendon Press (2001).

Williams, Howard. The Ethics of Diet (1883).

Strauss, David. Der alte und der neue Glaube (1872).

http://www.ivu.org/history/europe19b/schopenhauer.html

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Quando vejo um ser humano se orgulhando de matar animais

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Arte: Sue Coe

Quando vejo um ser humano se orgulhando de matar aves, bovinos e suínos com as próprias mãos, como se isso fosse digno de mérito, reconheço como a racionalidade humana pode ser questionável.

Nem carnívoros somos, e aqueles que são e vivem na natureza selvagem, mesmo quando matam os menores ou mais fracos para se alimentarem, não demonstram qualquer tipo de soberba ou altivez, e simplesmente porque diferentes de nós agem instintivamente, pela própria sobrevivência.

 





Written by David Arioch

January 26th, 2017 at 12:08 am

Com os animais não morre somente a carne

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“Homem Moderno Seguido pelos Fantasmas de Sua Carne”, da artista britânica Sue Coe

Visite uma grande criação e olhe nos olhos de cada animal. Por mais parecidos que eles sejam, nunca são iguais. São seres únicos, e cada qual nasce com a sua própria individualidade e peculiaridade sensitiva.

O maior exemplo disso é a reação diversa à nossa presença. Alguns se assustam, outros se aproximam; há aqueles que imóveis assistem em silêncio e há aqueles que emitem algum tipo de som.

Quando esses animais são mortos, o que morre com eles não é somente a carne, mas existências singulares que não tiveram tempo de amadurecer para reconhecer o seu próprio lugar no mundo, e é daí que acredito que vem o desespero animal diante da finitude.

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Written by David Arioch

January 26th, 2017 at 12:06 am

Considerações sobre o meu trabalho envolvendo vegetarianismo e veganismo

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Pintura “Cemetery”, da artista russa Anastasia 

Algumas pessoas têm me acusado de promover um desserviço ao escrever e pesquisar sobre pessoas que não eram ou não são exatamente vegetarianas ou veganas. Bom, em primeiro lugar, não assumi nenhum compromisso de escrever somente sobre pessoas que provam que são vegetarianas ou veganas.

O meu trabalho é a conscientização, e pra mim é mais importante conscientizar quem não é vegetariano ou vegano do que quem já é. Em vários dos meus textos, dependendo da abordagem, nem cito que o personagem era vegetariano ou vegano. Então pode acreditar que meu trabalho não se restringe a escrever sobre aqueles que são comprovadamente vegetarianos ou veganos.

Meu artigo sobre o Augusto dos Anjos, por exemplo, não afirma que ele era vegetariano, até porque não há provas disso, mas aborda a questão animalista e a consciência vegetariana em suas obras, o que na minha opinião abre um espaço muito interessante para discutir o tratamento que damos aos animais.

Recentemente, escrevi sobre o cantor e compositor britânico Paul McCartney. Ele diz que é vegetariano, mas há quem contrarie isso, tudo bem. Porém, não decidi escrever sobre ele porque ele é mais ou menos vegetariano, mas sim porque ele é muito influente e é uma pessoa que ajuda a divulgar o vegetarianismo de forma positiva.

Claro que pessoas podem concordar ou discordar disso, mas como sou o autor, esse é o caminho que considero mais produtivo e que acredito que tem mais chances de atrair atenção de não vegetarianos e não veganos. Há pessoas que gostam de ir por outra via. Podem preferir produzir textos que provam que uma pessoa não era tão vegetariana.

Tudo bem, mas por enquanto esse não é o meu objetivo. Não estou aqui para julgar ninguém, até porque vegetarianos e veganos já são minoria. Sendo assim, prefiro não ir por esse caminho. Meus textos não são sobre quem era o mais vegetariano ou o mais vegano em tal época. Se uma pessoa contribuiu para que as pessoas repensassem a forma como se relacionam com os animais, ou contribuiu para que outros se tornassem vegetarianas ou veganas, isso é algo que já atrai minha atenção.

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Written by David Arioch

January 25th, 2017 at 11:54 pm

A falta de sentido da caça

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O que leva uma pessoa a viajar milhares de quilômetros para matar um animal em seu habitat? Como um sujeito desse pode sentir-se forte ou feliz por assassinar um ser vivo que nunca representou ameaça à sua vida? É um dos maiores exemplos de soberba e estupidez. Qualquer dia, quero escrever sobre o perfil de caçadores, porque ninguém me tira da cabeça que tem algo de errado com essas pessoas, e quero saber exatamente o que é.

Written by David Arioch

January 25th, 2017 at 11:43 pm

“Me senti como se eu tivesse cometido um assassinato”

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Walking the Line – Pheasant Hunting, de Michael Sieve

O britânico William Harris, um dos caçadores mais famosos de seu tempo, conta que durante os anos de 1836 e 1837 viajou para longe no coração da África com a mera intenção de perseguir animais, algo que ele definia como uma de suas paixões. Em uma passagem de sua biografia, publicada em Bombaim em 1838, ele descreve como atirou em seu primeiro elefante, uma fêmea.

Na manhã seguinte, indo procurar seu novo alvo, ele descobriu que todos os elefantes tinham fugido da localidade, exceto um jovem elefante que passou a noite toda ao lado de sua mãe morta. Vendo os caçadores, o animal não sentiu medo e, com os mais claros e vivos sinais de tristeza desconsolada, caminhou até eles. Então moveu seu minúsculo tronco como se suplicasse por ajuda. Sobre o episódio, registrou Harris em sua biografia: “Eu estava cheio do mais verdadeiro remorso pelo que tinha feito e me senti como se eu tivesse cometido um assassinato.”

 

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Written by David Arioch

January 25th, 2017 at 11:42 pm

O grito dos animais por trás do grito de Edvard Munch

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“Creio que quando [Edvard Munch] criou esse nome [em alemão], ele o relacionou com o grito dos animais”

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O Grito, de Edvard Munch, cortesia da Galeria Nacional, em Oslo

O pintor norueguês Edvard Munch, precursor do expressionismo alemão, conquistou fama mundial com a sua obra-prima Skrik (O Grito), de 1893, considerada uma das mais importantes pinturas da história do expressionismo. Embora muita gente associe a obra à angústia e decepção em sua vida pessoal, a verdade é que existe muito mais por trás dessa pintura que se tornou o símbolo internacional da ansiedade.

Em “O Grito”, que mais tarde recebeu versões de Andy Warhol e Gary Larson, um corpo contorcido, um rosto esticado e uma boca oblonga e aberta tem ao fundo duas pessoas conversando, possíveis amigos de Munch. Acredita-se que as cores mais vívidas tenham sido inspiradas pelos matizes impetuosos do céu europeu durante a erupção do vulcão Krakatoa em 1883.

Há quem diga que a pintura é uma manifestação das insatisfações de Munch no amor e na amizade. Porém, declarações de artistas conceituados e pesquisas mais aprofundadas trazem informações reveladoras. Um exemplo é o livro “Edvard Munch: Behind the Scream”, da inglesa Sue Prideaux, publicado pela Yale University Press em 2005.

A escritora e pesquisadora da obra e vida do pintor norueguês confirma que a cena de “O Grito” foi baseada em um lugar na Colina de Ekeberg, um bairro de Oslo, na Noruega. A inspiração veio de uma memória de quando ele caminhava ao pôr-do-sol em companhia de dois amigos.

Segundo informações que Sue transcreveu do próprio diário de Edvard Munch, o pintor sentiu-se exaurido e parou para descansar, encostando na grade retratada na pintura. Também sofrendo de ansiedade, problema crônico que sempre o acompanhara, ouviu sons que pareciam vir diretamente da natureza. Eram gritos de animais sendo mortos em um matadouro perto de um hospício. Os sons perturbadores se misturaram ao choro dos pacientes internados em um manicômio onde sua irmã era uma das internas.

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Munch provavelmente tinha grande aptidão para se sensibilizar tanto com a dor humana quanto com a dor dos animais (Foto: Edvard Munch – The Dance of Life Site)

Na pintura, ao fundo, a paisagem esmaecida da Colina de Ekeberg, que proporciona uma túrbida perspectiva, deu a tônica do estado emocional de Munch transformado em protagonista. A inquietação do personagem combinou a agitação interna e externa de tudo que o pintor vivenciou na caminhada em companhia dos dois amigos. Ele também chamava sua pintura de Der Schrei der Natur (O Grito da Natureza), nome alemão que deu à obra.

“A experiência foi muito perturbadora para ele quando atravessou aquela ponte. Creio que quando [Edvard Munch] criou esse nome [em alemão], ele o relacionou com o grito dos animais. Acho que se abrirmos nossos corações para esse grito, os animais estão falando através de si mesmos”, interpreta a artista britânica Sue Coe, deixando subentendido que Munch provavelmente tinha grande aptidão para se sensibilizar tanto com a dor humana quanto com a dor dos animais.

Saiba Mais

Edvard Munch nasceu em Løten em 12 de dezembro de 1893 e faleceu em Ekely em 23 de janeiro de 1944.

Uma das cinco versões de “O Grito” foi vendida em um leilão por 120 milhões de dólares para um colecionador privado. As outras estão em exibição em museus ao redor do mundo.

Referências

Prideaux, Sue. Edvard Munch: Behind the Scream. Yale University Press (2005).

Interviews with Gary Steiner and Sue Coe, 6/21/2012

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Paul McCartney sobre o consumo de carne: “Acabei percebendo que eu estava tirando a vida dos animais”

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“Uma grande mudança que alguém pode fazer no seu estilo de vida é se tornar vegetariano”

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Campanha da Peta: “Eu sou Paul McCartney, e eu sou um vegetariano”

O cantor e compositor britânico Paul McCartney, que há muito tempo faz campanhas em defesa dos direitos animais, contou em entrevista à jornalista Barbara Ellen, publicada no The Guardian em 18 de julho de 2010, que abdicou do consumo de carne no início dos anos 1970, quando ele e sua esposa Linda estavam comendo um assado durante o jantar.

O casal olhou pela janela e viu cordeiros felizes saltitando. Sensibilizados com a cena, perderam o interesse em comer carne. “Foi como se a ficha tivesse caído, a lâmpada acendeu. Vimos que poderíamos simplesmente desistir disso. Acabei percebendo que eu estava tirando a vida dos animais”, disse.

McCartney atribui a Linda, falecida em 1998, a sua adesão ao vegetarianismo. Sua esposa inclusive atraiu muita atenção com seus livros de receitas sem carne. “Ela tinha um jeito, uma força não-agressiva, e muitos de nossos amigos se tornaram vegetarianos por causa disso”, explicou.

Um dia, quando estava pescando em um rancho em Nashville, nos Estados Unidos, ele puxou um peixe para fora da água e viu que o pequeno animal lutava bravamente pela própria vida. Normalmente, ele teria dito: “Sim, você é meu jantar!”, mas naquele dia o desfecho foi diferente: “Apenas pensei: ‘Oh, realmente estou matando você e posso fazer algo sobre isso. Então o tirei do gancho, o soltei e disse: ‘Aí está, camarada!”

O compositor britânico relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) publicada em 21 de abril de 2008 que se surpreende com o fato de que a maioria das organizações ambientais jamais citam a adesão ao vegetarianismo como uma das medidas mais importantes para ajudar a reduzir o aquecimento global. “O mais interessante é que hoje em dia é tão fácil ser vegetariano. Esse é um passo simples, mas extremamente efetivo, que muitas pessoas poderiam dar para ajudar o meio ambiente e melhorar a sua própria saúde”, argumentou.

Segundo Paul McCartney, a vida selvagem e muitos dos lugares mais belos do planeta estão sendo destruídos em consequência da industrialização irrefletida. “É algo que pode ser interrompido, e há sinais esperançosos de que as pessoas estão começando a perceber que isso deve ser feito [adesão ao vegetarianismo] para garantir um futuro melhor para nossos filhos e os filhos deles”, declarou.

Em entrevista a David Frickle, publicada na revista Rolling Stone em 10 de agosto de 2016, o compositor britânico revelou que não frequenta a rede de fast food McDonald’s porque é incompatível com seus ideais, o que significaria incentivar a exploração animal. O que também sempre gerou estranheza em McCartney é que muitas pessoas pensam que vegetarianos comem peixes:

“E quando você considera a pesca excessiva, a poluição marinha e os danos enormes aos nossos oceanos em decorrência da pesca comercial, fica mais óbvio ainda que um estilo de vida vegetariano pode melhorar muito o nosso meio ambiente e ajudar a salvar os oceanos.”

McCartney, assim como muitos, foi criado como um típico consumidor de carne, mas isso não impede que as pessoas façam escolhas melhores, que beneficiem os animais, a saúde e o planeta. “Acho que uma grande mudança que alguém pode fazer no seu estilo de vida é se tornar vegetariano. A indústria global da carne, por causa da terra e água necessárias para o serviço, é uma das maiores responsáveis pelo aquecimento global. Esse fato surpreendente emergiu nas pesquisas nos últimos anos. Então convido todos a refletirem e darem esse simples passo [tornarem-se vegetarianos] para ajudar o nosso precioso meio ambiente, o salvando para as crianças do futuro”, ponderou.

Referências

http://www.peta.org/blog/interview-sir-paul-mccartney/

https://www.theguardian.com/music/2010/jul/18/paul-mccartney-vegetarianism

http://www.rollingstone.com/music/features/paul-mccartney-looks-back-the-rolling-stone-interview-w433437

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Written by David Arioch

January 24th, 2017 at 12:16 pm

Tatyana Pavlova, a ativista que definiu os rumos dos direitos animais na Rússia

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“Ela revolucionou nossa consciência, motivando pessoas a repensarem suas atitudes sobre os seres vivos”

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Tatyana Pavlova, um dos nomes mais importantes do vegetarianismo russo (Foto: Centro de Direitos Animais Vita)

A russa Tatyana Nikolaevna Pavlova, que comandou a Sociedade Vegetariana Russa e o Centro Pela Ética no Tratamento de Animais (Ceta), foi uma das pessoas que revolucionou o vegetarianismo na Rússia e mais chamou a atenção para os direitos animais naquele país. Embora sua luta tenha chegado ao fim com o seu falecimento em 21 de agosto de 2007, o seu legado segue contagiando pessoas em todo o mundo.

Tatyana Pavlova se tornou vegetariana em 1969, influenciada por amigas ligadas à defesa do bem-estar animal. À época, ficou horrorizada com os relatos sobre maus-tratos contra animais. Então se ofereceu como voluntária à Sociedade de Proteção Animal, a primeira organização de direitos animais da Rússia, que antes era chamada de Departamento de Proteção Animal da Sociedade Russa para Proteção à Natureza.

“Participei da organização até ser fechada alguns anos atrás, e novas sociedades se formarem em Moscou e em outras cidades russas. Eu própria fundei o Ceta [Centro pela Ética no Tratamento de Animais] porque seu propósito era diferente da sociedade em que trabalhei por 20 anos”, contou no seu artigo “Uma Vegetariana na Rússia”, publicado em dezembro de 1995.

Tatyana relatou que sua transição para o vegetarianismo não foi tão fácil. Ela pensou em se tornar vegetariana muitas vezes, mas as pessoas ao seu redor sempre diziam que era impossível viver sem carne. “Era estranho, porque temos o exemplo de milhões de pessoas na Índia e em outros países orientais. Mesmo sabendo que eles não comem carne, a princípio isso não me motivou o bastante”, cita em referência ao fato de que as pessoas são tão influenciadas pelo meio que ignoram outras realidades.

Foi no final dos anos 1970 que Pavlova criou as primeiras comissões de bioética da Rússia, contando com a participação de médicos e biólogos que se ofereceram para definir metas e desenvolver alternativas à experimentação animal. O trabalho foi baseado em literatura ocidental traduzida por Pavlova, que logo estabeleceu relações amistosas com organizações estrangeiras que realizavam trabalho semelhante.

Em 1989, fundou a primeira Sociedade Vegetariana Russa desde a Revolução de 1917. Em 1991, criou o Centro pela Ética no Tratamento de Animais (Ceta), que combate a exploração de animais na indústria alimentícia, de peles e couro, além de experimentação científica e entretenimento. Mais tarde, conseguiu introduzir algumas de suas ideias no sistema de ensino russo.

O primeiro livro de Pavlova sobre bioética, “Deontologia – Experimentos Biomédicos” lançado em 1987, foi aprovado pelo Ministério da Educação, e com ele Tatyana propôs a realização de seminários para professores, abrindo espaço para a implantação de cursos de leitura e compreensão de bioética nas universidades russas.

“A situação do vegetarianismo na Rússia é interessante. Há pessoas que são predispostas a terem uma vida saudável, que se interessam por ioga e pela medicina oriental. Estes representam a maioria dos vegetarianos russos. Mas aqui há também pessoas que são vegetarianas porque suas religiões exigem isso. Por exemplo, os hare krishna. Também temos pessoas que fazem isso por razões éticas”, explicou no artigo “Uma Vegetariana na Rússia”.

No início dos anos 1990, Tatyana Pavlova inspirou a criação da série de TV “A Vida Sem Crueldade”, que abordava a exploração animal em vários países. Ações como essa deram um forte impulso para o renascimento do vegetarianismo na Rússia, onde o estilo de vida vegetariano começou a decair nos anos 1930. Décadas depois, os novos defensores dos direitos animais trouxeram novas ideias. Em 1994, sob coordenação de Pavlova, a Praça Pushkin, em Moscou, foi cenário da primeira grande manifestação pública vegetariana realizada em território russo. O evento, que teve inclusive cobertura dos mais importantes jornais da Rússia, ficou marcado por palavras de ordem como: “Vegetarianismo é bondade e saúde!” e “Você está matando os animais todos os dias!”

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Tatyana tornou-se vegetariana em 1969 (Acervo: Centro de Direitos Animais Vita)

De acordo com o Centro de Direitos Animais Vita, sediado em Moscou, Tatyana se tornou a mais importante personagem do vegetarianismo russo e da causa animal russa no final da década de 1990, sendo convidada para participar de diferentes programas televisivos de entrevistas. Em 1998, por iniciativa da ativista, podia-se encontrar cartazes sobre os benefícios do vegetarianismo e sobre os direitos animais na Praça Pushkin e em metrôs das mais importantes cidades russas.

Ela também lutou pela criação de um projeto de lei federal para proteger os animais contra abusos, tendo como referências as leis progressistas dos países ocidentais. O problema é que mesmo após três revisões e a aprovação do Soviete da Federação, a câmara alta da Assembleia Federal da Rússia, o presidente Vladimir Putin a rejeitou em 2000, e o seu destino segue desconhecido, segundo o Centro de Direitos Animais Vita.

Pavlova também foi uma das responsáveis pela criação da campanha “Um Dia Sem Carne” na Rússia. Coordenou a realização de shows em defesa dos direitos animais na Praça Vermelha e publicou muitos artigos nos grandes jornais do país. Um dos eventos teve cobertura da TV. “A partir disso, muitas pessoas entraram em contato comigo, e pelo menos um terço tornaram-se vegetarianos por razões éticas. Eram homens jovens, o que foi muito agradável de saber”, informou no artigo publicado em 1995.

Alguns anos antes de falecer, Tatyana sentiu-se recompensada ao reconhecer que muitas pessoas que se tornaram vegetarianas por razões éticas na Rússia jamais se deixaram desviar por crises econômicas ou políticas. “Para eles, é algo sério. Nosso principal problema na Rússia é que as pessoas não sabem muito bem o que são os direitos animais, e nosso Centro [Ceta] foi a primeira organização a se esforçar para promover essas ideias na TV e no rádio, além de publicar livros, folhetos e ministrar palestras”, declarou.

Tatyana Pavlova argumentava que o desenvolvimento espiritual da humanidade depende do fim de uma sociedade antropocêntrica, que aceita e incentiva a escravidão de outras espécies para satisfazer supostas necessidades. “Ela revolucionou nossa consciência, motivando pessoas a repensarem suas atitudes sobre os seres vivos, inspirando eles a juntarem-se na luta pela libertação das criaturas com menos direitos neste planeta – os animais não humanos”, assinalou o escritor vegano estadunidense Kim Stallwood, especialista em direitos animais.

No início da década de 1990, por meio de pesquisas realizadas pelo Centro Médico Científico, Pavlova conseguiu fazer com que o governo russo reconhecesse os benefícios do vegetarianismo, obrigando o Ministério da Saúde a incluir a dieta vegetariana como o caminho para uma vida saudável. “Os cientistas tiveram de admitir oficialmente, após longos anos de silêncio sobre esse assunto, as vantagens do vegetarianismo”, comemorou a ativista.

Para Tatyana Pavlova, vai continuar sendo muito difícil proteger os animais enquanto as pessoas continuarem consumindo demais, porque quanto mais consomem, mais terão de produzir e mais terão de descartar, assim poluindo o meio ambiente e degradando o habitat dos animais não humanos. A ideia de se produzir muitos produtos com vida útil curta sempre a incomodou. “Fundamentalmente, o nosso problema com os animais se resume a um problema de violência e sofrimento, de proteger quem não pode se proteger”, ponderou no artigo “Uma Vegetariana na Rússia”.

A ativista russa dizia que o melhor caminho é ensinar os mais jovens a verem os animais como nossos iguais, tão importantes quanto os seres humanos. “A humanidade tem uma grande responsabilidade em relação a todos os seres vivos. No geral, estou otimista sobre o futuro da Rússia. Outro dia, conheci pessoas da Sibéria Oriental que se mudaram para o país e estão tentando arrecadar dinheiro para começar um experimento de viver distante da civilização. Estão desistindo de tudo, todos os tipos de máquinas. Querem retornar a uma vida simples e que era típica há cem anos. Isso não quer dizer que os russos não sejam tolos como os americanos. Eles também acreditam que produzir para consumir muito é o sonho de uma vida”, revelou em seu artigo publicado em dezembro de 1995.

Alguns dos livros de autoria de Tatyana Pavlova

Deontologia – Experimentos Biomédicos (1987)
Vegetarianismo – Saúde, Bondade, Beleza (1992)
Tudo Sobre o Vegetarianismo (1992)
Vegetarianismo e Ética (1993)
Vegetarianismo e o Futuro do Planeta (1993)
Alimentos que Tratam (1995)
Bioética na Escola (1996)
Bioética na Escola – Parte II (1996)
A Educação Humanitária (1998)
Alimentação Saudável – Um Manual para a Escola Primária (1998)

Saiba Mais

Tatyana Pavlova nasceu em 14 de março de 1931 e faleceu em 21 de agosto de 2007.

Referências

http://www.satyamag.com/dec95/pavlova.html

http://www.vita.org.ru/new/2007/aug/24.htm

Tatyana Nikolaevna Pavlova RIP

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Written by David Arioch

January 23rd, 2017 at 5:52 pm