Archive for the ‘Vegetarianismo/Veganismo’ Category
O confinamento de animais e o surgimento de doenças
Botulismo, enterotoxemia, dermatomicose, laminite, intoxicação por ureia, timpanismo, cisticercose, dermatite, pododermatite, clostridiose, acidose (aumento do ácido lático no rûmen), pneumonia, poliencefalomalácia, peste suína, doença de Aujesky, rinite atrófica, brucelose, doença de Glässer, doença do edema, enteropatia proliferativa, doença de Newcastle, salmonela, laringotraqueíte infecciosa, coriza infecciosa, bronquite infecciosa e gripe aviária, entre outras doenças respiratórias e metabólicas/digestivas.
Você sabe o que essas doenças têm em comum? Surgiram e aumentaram na modernidade, quando começamos a confinar animais para atender a alta demanda do consumo de carne, ovos e laticínios. Ou seja, são doenças que só existem porque há um mercado consumidor de produtos de origem animal que obriga os animais a viverem em situação de vulnerabilidade e alta exposição ao surgimento de doenças.
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Sue Coe e o retrato do sofrimento das porcas nas gaiolas de gestação
Gosto do trabalho da artista vegana inglesa Sue Coe. Ela produz uma arte lúcida, fidedigna, testemunhal e desconcertante. Em uma de suas obras, que faz parte do seu acervo na Graphic Witness, ela mostra porcas em gaiolas de gestação. O espaço é tão estreito que elas são incapazes de se moverem, realidade que ela testemunhou em fazendas industriais.
Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém
Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém. O foco do meu trabalho não é esse, mas sim informar, conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre a exploração animal. Sou um cara comum, que anda e vive como uma pessoa comum. Como já disse outras vezes, as pessoas podem me chamar do que elas quiserem: vegano, vegetariano ou nada. Eu me importaria ou brigaria por algo assim se a minha luta fosse por identidade, mas não é. Minha luta é por justiça, e essa luta independe disso.
Nose flap, um artigo usado pela indústria leiteira para forçar o desmame do bezerro
Nose flaps nada mais são do que abas instaladas nas narinas dos bezerros para impedir que eles consigam mamar. Ou seja, para forçar o desmame do bezerro. O material produzido pela QuietWean, do Canadá, é leve e de plástico, o que segundo o fabricante garante que o animal não se machuque na tentativa de mamar. Eles relataram que os nose flaps têm eficácia de até 95%.
Ou seja, os filhotes realmente são impedidos de se alimentarem quando usam esse artigo. São raros os bezerros que conseguem encontrar um meio de mamar usando nose flaps. O artigo, que já se tornou um dos preferidos entre produtores de leite do mundo todo, inclusive do Brasil, é usado como um recurso que força o desmame do animal precocemente.
Segundo o porta-voz da QuietWean, a aba que impossibilita o animal de se alimentar é usada como um facilitador da separação entre vaca e bezerro. Ou seja, ela é comercializada para fazer não apenas com que o bezerro não mame, mas também com que a vaca seja condicionada a aceitar o inevitável processo de separação.
Em síntese, pode-se dizer que a vaca é enganada e o bezerro privado de mamar; e com algo preso ao nariz que é capaz de causar irritação nas narinas do animal, além de estresse. Afinal, quem não se sentiria incomodado ao ser colocado em uma situação em que é praticamente impossível se alimentar ou ter um contato íntimo com a própria mãe? Ainda mais quando falamos de um animal no início da vida.
O porta-voz da QuietWean também informou que os nose flaps impedem que o bezerro “grite muito” ou reaja de forma muito negativa quando separado da vaca. Mas essa não seria uma reação natural de um animal separado da mãe? Será que temos o direito de interferir nas ações naturais desses seres vivos?
Basicamente, o nose flap é mais uma criação voltada à naturalização de uma prática considerada aceitável no contexto da exploração animal. E nesse caso, com a finalidade de destinar o leite da vaca aos seres humanos, ou seja, animais de outra espécie e que não dependem de leite para sobreviver. Se o bezerro passa por esse tipo de privação não há como negar que isso acontece porque existe um mercado consumidor de laticínios.
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Abdicar do consumo de laticínios é um ato de justiça em prol dos animais
Considero um equívoco quando alguém me diz que o problema do sofrimento dos animais nos grandes laticínios poderia ser resolvido se as pessoas comprassem leite de pequenos produtores. Tudo bem, então você compra leite do pequeno produtor e eu também. Daí quando as pessoas perguntarem, explicamos que o ideal é nunca comprar de grandes produtores.
Em pouco tempo, teremos uma infinidade de pessoas indo pelo mesmo caminho, e assim esses pequenos produtores serão obrigados a tornarem-se grandes produtores ou a saírem do negócio, já que eles deverão suprir a demanda ou ceder espaço para quem faça isso. A verdade é que enquanto as pessoas continuarem consumindo leite, inclusive muito mais do que os próprios bezerros, a intensa exploração da vaca vai continuar. Afinal, usa-se leite em quase tudo, até mesmo na composição de adoçantes.
Não há uma solução mais sustentável do que abdicar desse consumo, muito menos como evitar que todas as vacas do mundo passem por algum tipo de sofrimento ou privação enquanto as pessoas consomem quantidades exorbitantes e mesmo nocivas de laticínios. Não existe nem mesmo área para que todas as vacas da indústria leiteira sejam criadas de forma “humanizada”. Afinal, essa é a realidade do sistema industrial predominante, que atua conforme a demanda. E se a demanda é grande, o ritmo de produção é acelerado, o que significa que mais do que nunca o lucro se torna prioritário.
Além disso, os produtores de leite do Brasil descobriram há muito tempo que é possível lucrar até três ou quatro vezes mais criando o gado leiteiro sob regime de confinamento, seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos. Logo não vejo por qual motivo eles iriam abdicar desse sistema se não for por força de uma grande desaceleração no consumo, já que o mercado age em conformidade com as reações dos consumidores.
Um fato a se considerar sobre a produção nacional de leite é que em 2015, de acordo com dados da Leite Brasil, somente as 15 maiores empresas do ramo de laticínios do Brasil foram responsáveis por quase 10 bilhões de litros de leite. Só a Nestlé respondeu por 1,8 bilhão de litros. Levando isso em conta, como alguém pode afirmar que não contribui com a exploração industrial das vacas simplesmente porque não bebe o leite comercializado por grandes produtores? Isso não diz nada.
Seria uma grande ilusão, a não ser que a pessoa seja vegetariana ou vegana, porque quem consome laticínios, ou não lê os rótulos dos produtos (que costumam conter derivados lácteos) e os compra, naturalmente contribui para a manutenção desse sistema. Mesmo que alguém afirme que as vacas sejam “bem tratadas”, que não sofrem violência, isso não muda o fato de que elas são submetidas à ordenha natural ou mecânica por anos, até que, com a queda da produção, são vendidas aos frigoríficos, abatidas e reduzidas a pedaços de carne expostos em um açougue. Não podemos ignorar também que muitos bezerros também têm a morte como destino por causa da alta demanda de laticínios. Ou seja, o leite que seria usado para alimentar o filhote da vaca é destinado aos seres humanos.
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Não sou a favor de nenhum tipo de exploração
Não endosso nenhum tipo de exploração. Mesmo tutelando animais comumente explorados pela indústria, jamais me alimentaria de qualquer coisa de origem animal. Também não usaria nada proveniente de seus corpos. Alguém pode me perguntar, isso não seria exagero? Não, porque se eu tratasse um animal bem e me apropriasse de algo dele, mesmo que não o violentasse, isso significaria que existe uma relação de conveniência. E eu sinceramente acredito no veganismo justamente porque não sou a favor disso.
Também significaria que está ok em consumir ou usar o que veio dele. Sendo assim, estou mandando uma mensagem para outras pessoas de que está tudo bem se eles fizerem o mesmo. E o problema surge por um motivo bem simples. Essas falsas necessidades só poderiam ser atendidas em níveis industriais em um mundo com uma população de mais de 7,2 bilhões de pessoas.
Além disso, não me considero especial. Então não acho que tenho o direito de fazer isso, mesmo que algum animal jogue algo diante dos meus pés. Até porque isso não significa que ele está dizendo pra eu consumir coisa alguma. Então, mesmo eu na minha casa, por exemplo, tosquiando a “minha ovelha” além do necessário para o bem-estar dela, comendo o ovo da “minha galinha” ou bebendo o leite da “minha vaca”, eu estaria dizendo ao mundo:
“Olha, se eu posso fazer isso, vocês também podem.” E assim teríamos uma cadeia industrial que explora animais à exaustão, que é exatamente a nossa realidade atual. Então, sim, sou radical por não me alimentar ou usar nada que venha de animais. Não faço concessões.
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A triste realidade de ovelhas e carneiros
Ovelhas e carneiros são tosquiados ao longo de toda a vida, assim servindo como matéria-prima para a indústria de lã. Porém, é importante considerar que há um mercado consumidor para o cordeiro, que é o carneiro ainda filhote. A carne de cordeiro é bastante valorizada quando o animal tem entre cinco e seis meses. No caso de animais da raça Dorper o abate é feito a partir de três meses.
Porém, o que determina o envio para o abate é a qualidade da carne e se o produtor tem interesse em usá-lo ou não como reprodutor. Caso contrário, mata-se nos primeiros meses um animal com expectativa de vida de 12 anos. No mais tardar, carneiros com dois anos e ovelhas com seis anos são enviados ao matadouro. Isto porque como os níveis de reprodução de ovelhas e carneiros caem nessa faixa etária, eles são considerados velhos e financeiramente inviáveis pelos produtores.
Como não são mais vistos como “boa matriz”, o destino desses animais, que muita gente pensa que são simplesmente tosquiados e têm uma vida feliz até os seus últimos dias, é o matadouro. Em qualquer parte do mundo, carneiros e ovelhas explorados pela indústria morrem precocemente, independente da finalidade da criação. Não é difícil chegar a essa conclusão se considerarmos que eles são mortos nos primeiros anos de vida, mesmo tendo uma expectativa de vida de 12 anos que pode ser estendida a 20 anos caso haja boa qualidade de vida.
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Muitos sabonetes são baseados em sebo e banha de animais

Se higienizar com um produto que tem em sua composição ingredientes extraídos do cadáver de um animal é algo que deveria nos levar pelo menos a uma reflexão sobre nossas relações de consumo
Muitas pessoas compram e usam sabonetes e outros produtos de higiene pessoal que são baseados em ingredientes de origem animal. Exemplo comum é o uso de gordura bovina, caprina e suína como matéria-prima. Se higienizar com um produto que tem em sua composição ingredientes extraídos do cadáver de um animal é algo que deveria nos levar pelo menos a uma reflexão sobre nossas relações de consumo.
A indústria investe massivamente em campanhas que apresentam os benefícios “inimagináveis” desses sabonetes. Por outro lado, nunca fala que o sebo extraído de bois e carneiros, assim como a banha de porco, os dois recolhidos em frigoríficos, estão entre os ingredientes principais.
O sebo e a banha dão origem, por exemplo, a um espessante chamado de ácido esteárico, que também pode ser desenvolvido de forma vegetal, ou seja, sem o uso de sebo ou banha de animais, assim como fazem muitas empresas que investem em produtos mais ecológicos e livres de exploração.
Há também fabricantes que vão muito além, e produzem sabonetes baseados inclusive em banha de tartaruga, incentivando a perseguição e o assassinato desses animais como matéria-prima ao prometer ao consumidor o rejuvenescimento e a diminuição das rugas, algo impossível de se alcançar com o uso de um sabonete.
Porém, isso não aconteceria se a indústria de produtos de higiene pessoal não usasse banha de outros animais como bovinos, caprinos e suínos. Quero dizer, um mercado abre precedente para outro que ilude o consumidor com uma suposta proposta “diferenciada”, já que trata-se de um animal menos comum do que os outros mais comumente explorados nesse mercado.
Sendo assim, o que você prefere, se higienizar com um sabonete de origem vegetal baseado em algo agradável aos olhos ou com um produto que depende da banha ou do sebo retirado do cadáver de um animal? Caso prefira a primeira opção, então comece a comprar sabonetes vegetais. Ou, melhor ainda, que também não realizam testes em animais no processo de fabricação desses produtos. Outra alternativa, caso tenha um tempinho disponível, é fabricar os próprios sabonetes, o que também tem excelente custo/benefício.
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Danone, Nestlé e Yakult realizam testes cruéis com animais
Danone, Nestlé e Yakult são alguns dos grandes fabricantes de gêneros alimentícios que realizam testes em animais, além, claro, de usarem matéria-prima baseada na exploração animal. Há anos as três promovem testes que envolvem alimentação forçada, irradiação, dietas restritas com não mais do que 25% das necessidades nutricionais de cada animal e implantação cirúrgica de tubos. Ao final dos experimentos, não raramente os animais são mortos.
De acordo com a ONG Cruelty Free International, elas realizam esses experimentos principalmente na Ásia. A Yakult, por exemplo, promove experiências com camundongos na Coréia do Sul. Os animais usados nos experimentos têm em média cinco semanas de idade, não têm pelos, e são expostos a irradiação a pouco mais de 12 centímetros de suas peles. Esse procedimento geralmente é realizado por 12 semanas e há um aumento gradual na dose de radiação a cada semana.
Os camundongos normalmente desenvolvem rugosidade profunda e são mortos para que suas peles sejam removidas e analisadas. Em 2015, a Cruelty Free International entrou em contato com o porta-voz da Yakult, e ele disse que esses produtos não são comercializados no Reino Unido, mas em outros países. Porém, segundo a Cruelty Free International, que investiga o uso de animais em laboratórios, o lucro da Yakult na Inglaterra até hoje ajuda a fomentar pesquisas que envolvem exploração animal em outros países. Além de camundongos, a empresa realiza testes em cães e porcos, assim como a Danone que usa suínos para testar reações adversas aos seus novos produtos.
Outro grande conglomerado envolvido na exploração animal é a Nestlé, que também usa camundongos e cães. Em um experimento realizado pela gigante do ramo alimentício, 60 camundongos morreram quando a empresa realizou testes com duração de dez semanas para avaliar a eficácia de um novo extrato de canela. No experimento, os animais foram obrigados a ingerir canela através de um tubo enfiado em suas gargantas.
O porta-voz da Nestlé admitiu o que estavam fazendo e comentou: “O teste em animais é, com razão, uma questão de interesse público e deve ocorrer quando são necessárias demonstrações de segurança como parte do processo de autorização regulamentar de um produto.” Porém, esse mesmo porta-voz ignorou que há opções no mercado de alimentos regulamentados e não testados em animais, o que rebate a sua justificativa. A Nestlé promete desde 2015 a redução de testes em animais, porém muitos de seus produtos continuam sendo testados em animais.
A diretora do departamento de ciência da Cruelty Free International, Katy Taylor, também apresentou uma falha no argumento da Nestlé: “Alguns desses testes [com animais] são realizados em produtos que já estavam no mercado. Acreditamos que não há motivo para que voluntários e consumidores humanos não possam estar envolvidos na avaliação dos efeitos desses produtos na saúde humana.” Assim dispensando o uso desnecessário de animais.
Saiba Mais
Para mais informações sobre testes em animais, acesse o site da Cruelty Free International.
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Por que é cruel usar animais em testes de produtos alimentícios
— Como usar animais em testes de produtos alimentícios pode prejudicá-los? Não tem lógica. Os animais vão apenas consumir os produtos que serão mais tarde vendidos para nós.
— O problema é que esses animais são mantidos confinados, e para avaliar os resultados de algum produto alimentício, eles são obrigados a seguirem uma dieta baseada nesses produtos. Ou seja, imagine consumir um produto industrializado várias vezes por dia ao longo de semanas. Será que isso seria bom? Fora o fato de que animais não devem se alimentar como seres humanos. Mesmo que eles sejam parecidos com nós em alguns aspectos, eles são diferentes, logo têm necessidades nutricionais distintas. Seria o mesmo que você participar como cobaia de uma experiência para avaliar a segurança de uma ração industrializada destinada a algum outro animal, por exemplo. Você se sentiria bem consumindo essa ração várias vezes ao dia e por semanas? Outro fator a se considerar é que testes de produtos do gênero alimentício podem envolver inclusive desidratação, reações alérgicas, vivissecção [que significa operar um animal vivo, e o que não raramente é feito sem anestesia] e baixa severa no sistema imunológico em decorrência da deficiência de nutrientes. Sendo assim, sem dúvida, testes de produtos alimentícios em animais podem ser tão nocivos quanto qualquer outro.
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