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Reflexões de um minuto – O mundo é tão grande quanto a compaixão humana poderia ser

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2ª Edição do Mega Brechó Vegano vai ser no domingo em São Paulo

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Arte: Divulgação

No domingo, das 12h às 20h, vai ser realizada a 2ª Edição do Mega Brechó Vegano JMA J’Adore mes amis, na Rua Joaquim Távora, 605 (perto do metrô Ana Rosa), na Vila Mariana, em São Paulo.

Com o tema sustentabilidade e consumo consciente, o evento vegano tem como proposta uma renovação ecológica que envolve desde vestuário, calçados e acessórios à área de alimentação. Na 2ª Edição do Mega Brechó Vegano, os expositores vão comercializar itens promocionais em cosméticos, produtos de higiene, artesanato, decoração, alimentos e artigos para animais.

Todos os itens à venda são produzidos à base de ingredientes e matérias-primas sem origem animal, além de não serem testados em animais. Quem tiver roupas, calçados, acessórios, brinquedos, livros, eletrodomésticos e objetos decorativos também pode levá-los para a Feirinha de Troca, desde que não tenham componentes ou insumos de origem animal.

De acordo com a comissão organizadora, é um evento para toda a família e uma boa oportunidade para fazer aquela limpeza em casa, assim minimizando o acúmulo desnecessário e promovendo mais solidariedade e mais interação social. Diversas ONGs também confirmaram presença no Mega Brechó, onde vão receber doações e realizar a adoção responsável de cães.

Em 2018, o Encontro Vegano JMA completa quatro anos. Aberto gratuitamente ao público, já recebeu cerca de 80 mil visitantes e contou com mais de 500 empreendedores, tornando-se referência no veganismo em acessibilidade. No Mega Brechó Vegano, o público tem mais uma prova de que é possível um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta.

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O evento oferece acessibilidade com rampa e estacionamento terceirizado. Além disso, a maioria dos expositores aceita cartão. Porém, como o brechó também conta com não comerciantes, é importante levar dinheiro trocado.

Written by David Arioch

April 13th, 2018 at 5:57 pm

Charlotte Despard, a ativista que não achava certo lutar pelos direitos das mulheres e ignorar os direitos dos animais

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Charlotte Despard discursando para uma multidão em Londres (Foto: Reprodução)

Nascida em 14 de junho de 1844, a britânica Charlotte Despard foi uma ativista política, sufragista, pacifista e defensora dos direitos dos animais. Ela acreditava que não era certo defender os direitos das mulheres e dos trabalhadores e ao mesmo tempo ignorar o fato de que animais eram explorados e mortos em grandes quantidades para atender vícios alimentares humanos. Além disso, fazia ferrenha oposição à vivissecção. O que a levou para o vegetarianismo foi o trabalho do poeta romântico britânico Percy Shelley, defensor do vegetarianismo ético e autor dos ensaios “A Vindication of Natural Diet” e “On The Vegetable System of Diet”. Mais tarde, o posicionamento de Charlotte a favor da não violência não apenas contra seres humanos, mas também contra animais, ganhou força após um encontro com Mohandas Gandhi em 1909.

A ativista britânica tinha tudo para levar uma vida tranquila sem se preocupar com os interesses dos menos desafortunados, fossem eles animais humanos ou não; isto porque ela era de uma família de classe alta, e em 1870 casou-se com um homem igualmente abastado – Maximilian Carden Despard, um empresário anglo-irlandês que tinha negócios no Oriente. Porém, viver imersa nessa realidade, ignorando o que acontecia com quem não tinham tais privilégios, não era o seu ideal de vida.

Após a morte do marido em 1890, ela se engajou cada vez mais em causas sociais e políticas. Seus olhos se abriram completamente para a realidade da pobreza e do sofrimento dos seres humanos e dos animais. Em 1892, ela foi eleita para compor o Kingston Poor Law Board, em Londres, supervisionando as condições de vida dos trabalhadores assalariados. Na região Sul de Londres, ela ficou chocada com a realidade das mulheres. Foi isso que a fez enxergar com maior rigor a importância do sufrágio feminino, inclusive se tornando uma das ativistas mais importantes do movimento – sendo presa duas vezes no distrito londrino de Holloway.

Charlotte se tornou sufragista em 1900, um ano depois que se converteu à teosofia. Em 1907, fundou a Women’s Freedom League, uma organização que lutava pelos direitos das mulheres e dos animais, com ações ilegais não violentas. O seu engajamento era tão grande que ela passou os primeiros cinco meses após a fundação da liga percorrendo a Inglaterra em uma caravana, encontrando membros, buscando filiações e dando palestras aos apoiadores. À frente dessa liga, a ativista britânica montou oficinas para a produção de roupas para a população carente e abriu restaurantes vegetarianos em Londres e em algumas províncias. As roupas confeccionadas pela WFL eram projetadas por Charlotte.

Ela também criou bancos de leite materno, clínicas de maternidade e um albergue sem qualquer custo onde as crianças poderiam se hospedar por até três meses enquanto suas mães se recuperavam de um parto ou alguma doença. A Women’s Freedom League, liderada por Charlotte, promovia a alimentação vegetariana e administrava um hospital com 50 leitos que ela construiu com dinheiro do seu próprio bolso. Além disso, fundou o Despard Arms em Hampstead Road, em Londres, um local onde eram servidas refeições e bebidas não alcoólicas.

A WLF possuía um jornal que visava atrair apoio para a causa sufragista. Intitulado “The Vote”, também ajudava a divulgar o vegetarianismo. Um exemplo é uma foto de uma edição de 1910 em que a senhora Agnes Leonard, secretária honorária da filial de Sheffield, aparece preparando um jantar vegetariano – sendo apontada como uma “perita em culinária vegetariana”. Esse registro é um exemplo de como Charlotte Despard promovia o vegetarianismo na Liga dos Direitos das Mulheres. Em janeiro de 1911, ela financiou a palestra “A Ética da Reforma Alimentar”, de Dan Hamilton, um vegetariano bastante respeitado à época.

“Perto do final de 1912, a filial de Edimburgo informou que uma demonstração extremamente interessante de culinária vegetariana foi dada por Miss MacDonald (de Glasgow), assistida por membros da Sociedade Vegetariana de Edimburgo”, registrou Leah Leneman, na página 272 da obra “The awakened instinct: vegetarianism and the women’s suffrage movement in Britain”, publicada pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, em 1997. A senhora MacDonald era membro da organização fundada por Charlotte Despard.

Como pacifista, a ativista britânica criou o grupo Women’s Peace Crusade, ou A Cruzada das Mulheres pela Paz, e fez campanha contra a Primeira Guerra Mundial e a Guerra dos Bôeres. O que mais a incomodava era o recrutamento de jovens para a guerra, porque sabia que muitos deles eram vulneráveis e miseráveis sem qualquer entendimento do que os aguardava. Charlotte entendia que a guerra trazia ainda mais desgraças para os mais pobres, porque aqueles que morriam na guerra sempre deixavam algum familiar desolado, desamparado ou à mercê da própria sorte – ou azar. Nesse período, ela fez franca oposição ao seu irmão John French, que era chefe do Estado-Maior do Exército Britânico e comandante da Força Expedicionária Britânica.

Charlotte Despard também era muito ativa no Partido Trabalhista inglês e foi selecionada como candidata por Battersea North em 1918, recebendo um terço dos votos. Uma das marcas inconfundíveis da ativista britânica era uma mantilha de renda preta que ela usava o tempo todo. Sempre se vestia com simplicidade, usando somente roupas pretas e sandálias. Ao longo de décadas, organizou e participou de muitas manifestações e protestos – falando inclusive para multidões de homens, não apenas de mulheres. Ela era abertamente uma anti-vivisseccionista – lutava pelo banimento das experiências com animais em laboratórios, considerando esse tipo de prática um ato de crueldade contra seres vulneráveis. Em 1931, ela se tornou vice-presidente da Sociedade Vegetariana de Londres, um ano depois que foi convidada a ingressar no Conselho Executivo do Congresso Mundial da Fé.

Em 1921, Charlotte se mudou para a Irlanda, mas continuou viajando por Londres e por toda a Europa fazendo ativismo. Na década de 1930, com mais de 90 anos, ela ainda participava de manifestações antifascistas. Charlotte Despard, a ativista que defendia os direitos das mulheres, dos trabalhadores e dos animais – na realidade, dos desafortunados em geral, independente de tipo e espécie, faleceu em 10 de novembro de 1939 aos 95 anos em sua casa perto de Belfast, na Irlanda do Norte – depois de mais de 50 anos de ativismo.

Referências

Leneman, Leah. The awakened instinct: vegetarianism and the women’s suffrage movement in Britain. Página 272. Universidade de Edimburgo, Reino Unido (1997).

Linklater, Andro. For Mrs Despard. An Unhusbanded Life. Londres (1980).

Charlotte Despard. Women Working for Peace. Peace Pleadge Union Project. The Men Who Said No.

Charlotte Despard. Battersea Arts Centre. Digital Archive.

Charlotte Despard. The Open University. Making Britain.





Reflexões de um minuto – Imagine passar a sua vida confinado como um animal criado para consumo

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Respeito?

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Pintura: Fighting Without a Cause, de Evgeniy Monahov

Não deveria, mas respeito é sempre uma questão abstrusa. Isto porque na prática as pessoas tendem a considerar muitas vezes o respeito como uma característica, virtude ou mesmo sentimento associado à conveniência, não contrariedade e até mesmo sujeição. O clássico te respeito à medida em que concordamos, ou te respeito à medida em que você não toque em tal assunto.

Creio que isso seja extremamente comum hoje em dia em todos os aspectos. Basta se posicionar em um espectro ideológico diferente de alguém. Isso já é o suficiente para “existir desrespeitosamente”, ou talvez colher elogios nada amigáveis por “existir desrespeitosamente”. Claro, mesmo que você não esteja desrespeitando ninguém, mas apenas conversando ou articulando opinião, partilhando alguma informação.

Na realidade, e presumo que não seja novidade para ninguém, que isso não raramente acontece até mesmo dentro de um mesmo espectro ideológico quando nossas inclinações e interpretações pessoais, que nem sempre são uma perspectiva expressa da realidade, nos contaminam ou endossam um tipo peculiar de avessa unilateralidade que emerge diante da mais sutil oposição. Pode não haver manifestação de desrespeito por parte do emissor, mas o receptor pode entender que sim e agir, de fato, com desrespeito; e vice-versa.

Acredito que isso acontece porque temos uma tendência a justificar nossas ações, até mesmo aquelas que não são exemplares ou egrégias, com um manto de conspicuidade ou virtude – um falseamento de transigências. Então a crença no desrespeito, mesmo quando inexistente, é uma forma de nos esquivarmos e justificarmos ações ou reações com as quais não queremos lidar, ou não estamos preparados para lidar porque implicam em repensar. Assim o “desrespeito” pode receber uma couraça de elemento “sui generis”, um remendo constante em involução, em um universo de supositícias virtudes e verdades (in)questionáveis.





Written by David Arioch

April 13th, 2018 at 1:20 am

Alex Proud: “Todos nós precisamos parar de comer carne”

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 “Se tornar vegetariano é uma das melhores coisas que você pode fazer pela Terra”

Proud: “Tudo isso me forçou a dar uma longa olhada em minha própria dieta de carne” (Foto: Reprodução)

Até então inegavelmente viciado em carne, o colunista britânico Alex Proud publicou no The Telegraph um artigo intitulado “We all need to stop eating meat now, and this is why” ou “Todos nós precisamos parar de comer carne, e este é o porquê“, explicando como foi a sua tomada de decisão em relação à contrariedade à exploração animal e o entendimento de que não há carne sem dor. Além disso, ele enfatiza o seu entendimento de que o consumo de animais também traz consequências negativas para o mundo. Por todos esses fatores, decidiu se empenhar em começar uma transição para o vegetarianismo:

Um pequeno salto, eu sei, mas tenha paciência comigo. Na semana passada, foi anunciado que o bilionário da tecnologia russa Yuri Milner estava investindo US$ 100 milhões para procurar vida extraterrestre e o que o professor Hawking estaria a bordo. No entanto, o professor Hawking há tempos tem grandes preocupações sobre a busca por vida inteligente. A essência de seu pensamento é que os alienígenas que são muito mais avançados do que nós poderiam nos ver como “não mais valiosos do que vemos bactérias.”

Pelo pouco que vale a pena, discordo um pouco do professor Hawking. Com um toque de orgulho antropocêntrico ou arrogância, imagino que nossos novos senhores galácticos possam nos ver como vemos os animais de fazenda. Porcos, se estivessem sendo generosos, e galinhas caso não estivessem.

O problema é que este pensamento não se dissipa, até porque a exobiologia está em alta no momento. Em nosso próprio sistema solar, descobrimos oceanos sob o gelo da Europa e do Encélado (e possivelmente em Plutão e Ceres), onde a vida poderia existir. Existe agora uma boa chance de que a vida alienígena seja encontrada na próxima década ou mais; hoje em dia, os bookies [que registram apostas] só te darão chances de 100 por 1 de um ET ser descoberto em qualquer ano, enquanto há dez anos você teria uma chance em mil, ou mais.

Para ser justo, os habitantes desses mundos próximos provavelmente são suspeitosos e deveriam ter mais a temer de nós do que nós deles. Mas são os bilhões de outros mundos potencialmente habitáveis na Via Láctea com os quais estou preocupado. Mundos como o atual planeta do mês Kepler-452b (também conhecido como Earth 2.0), que tem uma vantagem de 1,5 bilhão de anos sobre nós. Quero dizer, você pode imaginar o que poderíamos fazer em 1,5 bilhão de anos? Provavelmente, teríamos um aplicativo como o Uber para viagens mais rápidas que a velocidade da luz.

De qualquer forma, esse constante bombardeio de questões complicadas sobre a vida alienígena significa que é difícil ter a ideia de um alienígena verde cintilante saindo de uma espaçonave para me avaliar (como um açougueiro faria com um boi). E o corolário natural disso é: Cristo, tratamos mal os animais de fazenda. Então, talvez, quando nossos senhores galácticos se agitarem, eles olharão para a maneira como tratamos os porcos e pensarão, pff, selvagens, antes de nos jogarem em um forno para fazer um delicioso prato de humano assado.

Tudo isso me forçou a dar uma longa olhada em minha própria dieta de carne – e, lentamente, estou chegando à ideia de que as enormes pilhas de salsichas maravilhosamente douradas, os bifes perfeitamente grelhados, o delicioso bacon e os mistos grelhados que compreendem pelo menos 50% da minha dieta, podem ser um pequeno equívoco. Esta não foi uma jornada fácil pra mim. Sou meio alemão. Eu costumava jogar rugby. Tenho 1,88. Sou projetado para funcionar com combustível pesado. E ainda assim, não consigo me livrar desse pensamento. É como se eu tivesse um pequeno porco alado no meu ombro sussurrando: “Se você comer uma variedade de vegetais, você nunca precisará transformar outro dos meus amigos em uma salsicha.”

Então, ao longo do último ano, tenho olhado para a carne. Lido sobre a carne. Assistido documentários sobre carne e espreitado fóruns online sobre carne. Eu não posso dizer que isso fez com que eu me sentisse melhor. Continuo tropeçando em livros que vão desde “A Questão da Consciência Animal”, de Donald Griffin, de 1976; até o “Além das Palavras: O que os Animais Pensam e Sentem”, de Carl Safina, de 2015. Parece muito claro para mim que os animais sentem como nós e sofrem como nós. Os corvos usam ferramentas, as baleias têm cultura, os porcos podem aprender e os bovinos interagem socialmente. Além disso, a diferença entre nós e os animais é de grau, não de tipo. O cristianismo nos ensina que estamos separados dos animais, mas hoje em dia apenas o fanático mais iludido pode acreditar que somos outra coisa senão macacos muito espertos.

Uma vez que você leve isso em consideração, as fazendas industriais tornam-se praticamente injustificáveis. É repugnante para os animais – da mutilação e do apinhamento à crueldade e ao crescimento artificial acelerado. E é repugnante para o meio ambiente:  10 mil lagoas de lama não podem estar erradas. É até repugnante para a saúde humana porque a vida fica muito mais interessante quando os antibióticos param de funcionar. De fato, a única maneira de comer carne cultivada em fazendas industriais é não pensar nisso – ou não se importar.

Então, você pergunta, a agricultura orgânica e de alto nível de bem-estar poderia ser o nosso cartão para sair da cadeia? Bom, é melhor, mais ou menos. Mas mesmo assim, você ainda está pensando, sentindo seres em algum tipo de cativeiro que serão transformados em nuggets ou hambúrgueres. Além disso, a comida orgânica é cara, e embora eu possa pagar, detesto defender soluções que servem apenas para quem tem um bom orçamento.

No final, porém, animais criados ao ar livre não são uma solução real. Por algumas métricas ambientais o acesso livre é realmente pior do que as fazendas industriais. E enquanto eu recebo o argumento de que muitas áreas montanhosas do Reino Unido são adequadas para as pastagens, então eles podem produzir carne ou não, sei que se fizéssemos isso com todos os animais, não haveria terra suficiente no mundo.

Acrescente isso ao fato de que metade dos animais selvagens no mundo desapareceram nos últimos 40 anos e você começa a entender por que os rebanhos de bovinos orgânicos simplesmente não funcionam para todos. O que funciona para todos, porém, é não comer carne. É matemática básica. As estimativas variam, mas são necessários cerca de sete quilos de grãos para fazer um quilo de bife. Porcos demandam 4 por 1, e as galinhas 2 por 1. Depois, há o vasto consumo de água (15.415 litros para um quilo de bife, parte dos quais são destinados ao cultivo da ração); e as emissões de CO2 (27 quilos por quilo de bife). Se, no entanto, os humanos comessem o quilo de grãos eles mesmos, seria basicamente isso. Um quilo de lentilhas gera somente 0,9 quilo de CO2. Se tornar vegetariano é uma das melhores coisas que você pode fazer pela Terra.

De qualquer forma, sei de tudo isso. Você provavelmente sabe disso tudo. A pequena voz ainda não vai embora (embora eu permita que a pequena voz possa realmente ser minha minha esposa vegetariana sussurrando: “carne é assassinato” enquanto eu durmo). Mas, mesmo assim, no fundo, sei que ela está certa. O buraco é mais embaixo. Também amo Bife Wellington e foie gras e vitela. Sou um macho alfa barulhento e explosivo. Descrevi o vegetarianismo como um distúrbio alimentar – e pior. Passar pelos próximos 40 anos consumindo feijão-mungo parece-me fora de questão.

Então, o que vou fazer? Já fiz a coisa fácil de classe média. Compro carne orgânica de vacas chamada Rachel, que passou seu tempo em fazendas à direita da Cotswolds [uma cadeia de pequenas colinas onde são criados “animais soltos”]. A próxima coisa é um pouco mais difícil. Dirijo três restaurantes, então [por enquanto] recorro à carne orgânica de baixo impacto. A partir de agora vou oferecer várias opções vegetarianas – e promovê-las e garantir que sejam alternativas genuínas e excelentes, em vez de hesitantes e miseráveis opções na parte inferior do cardápio.

Também vou comer bem menos carne. O britânico médio come 80 quilos de carne por ano. Suspeito que no momento eu esteja mais parecido com o estadunidense médio (125 quilos), mas vou tentar ser como o tailandês médio (28 quilos). Mas, no final das contas, acho que até isso é meio que desculpa. A conclusão inescapável é que tenho que me tornar mais parecido com o indiano médio – isto é, um vegetariano. Francamente, a perspectiva me enche de pavor. Ela coloca borboletas no meu estômago cheio de hambúrguer e provoca gotas de suor com um gosto de molho de carne que parece curiosamente escorrer pela minha testa. Isso me faz odiar o professor Hawking.

Ainda assim, se eu conseguir, vou me sentir muito melhor comigo mesmo. O planeta vai se sentir muito melhor comigo. Os animais vão se sentir melhor comigo. E se os alienígenas avançados do Kepler 452b chegarem à nossa porta, poderei dizer: “Olha, vi o erro dos meus caminhos – e desisti 15 anos atrás. E não, eu também não comi nenhum dos deliciosos palitos de peixe da Europa.”

O artigo foi publicado originalmente no The Telegraph em 27 de junho de 2015. Proud é formado em política pela Universidade de Nova York, atua como colunista do jornal britânico The Telegraph e é fundador das galerias de arte e fotografia Proud. 

 





Reflexões de um minuto – Vidas são importantes, até mesmo a do menor animal

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Mesa-redonda discute amanhã a liberação da caça no Brasil

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A onça-pintada está entre os animais mais caçados no Brasil (Foto: Reprodução)

Amanhã, quinta-feira, às 18h30, na Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP (entrada pela Rua Riachuelo, altura do nº 194, Sé), vai ocorrer uma discussão sobre o PL 6.268/2016, proposto pelo deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que visa liberar a caça esportiva, profissional e comercial de animais silvestres em todo o território nacional – prática extinta há 35 anos. Organizado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, o evento já tem confirmadas as participações do coordenador de operações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Cabral Borges; da coordenadora do Núcleo Técnico de Gestão Ambiental da Prefeitura de São Paulo, Angela Maria Branco; da promotora de justiça do Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo Urbano do Ministério Público de São Paulo (GECAP-MPSP), Vania Tuglio; e do coordenador substituto do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rogério Cunha de Paula.

De acordo com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, a participação popular nessa discussão sobre o PL da caça é muito importante porque os resultados serão enviados aos parlamentares. O parecer do deputado federal Nilto Tatto, contrário ao projeto de lei ainda será votado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. O projeto ainda vai tramitar por outras duas comissões antes de ser votado no plenário da Câmara dos Deputados. Se aprovado, segue para o Senado, onde também será discutido.

Em 2016, o deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), também conhecida como bancada ruralista, apresentou o projeto de lei nº 6.268, que dispõe sobre a política nacional de fauna. Em síntese, o projeto, que já foi rejeitado pelo relator e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), ainda busca relaxamento das leis ambientais brasileiras.

Sem dúvida, a tentativa de flexibilização representa um claro retrocesso se considerarmos que prevê até mesmo a alteração no Código de Caça brasileiro, editado em 1967, proibindo a caça em todo o território nacional por entender que a realidade brasileira não perpassa pela necessidade de caça de animais silvestres. Porém, Colatto alega que hoje em dia a proximidade de animais silvestres com o meio rural coloca em risco pessoas, propriedades e rebanhos, o que na sua perspectiva justifica a liberação da caça. Talvez seja válido perguntar, como em 2018 os animais silvestres podem ser vistos como uma ameaça que já não representavam em 1967? Principalmente se considerarmos que da década de 1960 até a atualidade houve uma redução, não um aumento da fauna brasileira.

Em síntese, o PL defende que a caça de animais silvestres pode ser colocada em prática com diversas finalidades, como alimentação, entretenimento, defesa e fins comercias. Também visa autorizar importação e exportação de animais, e permite que zoológicos possam comercializá-los. Ademais, o projeto defende a anulação do agravamento de até o triplo da pena de detenção de seis meses a um ano para quem matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais sem licença, o que impacta diretamente na lei 9.605/98, que versa sobre crimes ambientais.

Indicações de leitura:

Leia o PL 6.268/2016:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1497510&filename=PL+6268/2016

Releia “Projeto de lei que autoriza a caça no Brasil pode facilitar o tráfico de fauna”, publicado pelo Fauna News em 14 de fevereiro de 2017:

http://www.faunanews.com.br/artigo/2017/02/projeto-de-lei-que-autoriza-a-caca-no-brasil-pode-facilitar-o-trafico-de-fauna-14/

Diga não ao PL:

https://www.change.org/p/assine-contra-o-projeto-de-lei-que-autoriza-a-ca%C3%A7a-de-animais-silvestres-do-brasil?source_location=petition_nav

 

Quando ensinamos nossos filhos a “respeitar” os animais os comendo

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Todos os animais têm direitos, a perspectiva de um cientista

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Marzluff: “A indústria humana frequentemente limita diretamente os direitos naturais – o lugar das espécies na ecologia e na evolução”

Marzluff: “Estou convencido de que todas as aves e mamíferos merecem o cuidado e a consideração que damos aos humanos” Foto: The Herald (Everett)

Em maio de 2015, o cientista e biólogo John M. Marzluff, que também é professor de ciências da vida selvagem na Universidade de Washington, publicou na revista Wired um artigo explicando por que ele acredita que todos os animais têm direitos. O texto intitulado “All Animals Have Rights: A Researcher’s Perspective” se baseia em suas experiências e na sua compreensão da intervenção humana na vida animal. Entre os anos de 1992 e 2014, Marzluff publicou vários livros sobre a realidade da vida selvagem: “The Pinyon Jay: Behavioral Ecology of a Colonial and Cooperative Corvid”, “In the Company of Crows and Ravens”, “Gifts of the Crow”, “Dog Days Raven Nights” e “Welcome do Subirdia”:

Perdoe-me PAI, por eu ter pecado. Faz 35 anos desde que me tornei um cientista e capturei milhares de aves selvagens, equipando-as com pulseiras barulhentas ou mochilas pesadas. Tornei públicas suas vidas privadas. Algumas, temporariamente confinei em gaiolas e as submeti a varreduras cerebrais destinadas a revelar pensamentos desconhecidos.

Sempre me pergunto se violei os direitos desses seres sencientes. Amo e respeito esses pássaros e dedico minha vida à sua conservação. No entanto, para argumentar persuasivamente por sua preservação, devo saber (e contar aos outros) sobre eles. Se possível, eu pediria sua permissão antes de forçar minha curiosidade sobre eles. Mas, claro, isso é impossível.

Como biólogo, acredito que todos os organismos vivos têm direitos. Como alguém que gasta uma boa parte do ano em companhia de animais inteligentes e sociais, como corvos e lobos, estou convencido de que todas as aves e mamíferos merecem o cuidado e a consideração que damos aos humanos.  A arquitetura neurológica avançada e a função cognitiva dessas criaturas comprovam o seu intelecto, mas não vejo razão para não estender direitos iguais a todos os animais.

Essa ética enfatiza o direito do indivíduo de manter o seu natural nicho ecológico e evolutivo. Aldo Leopold declarou isso eloquentemente em seu livro “A Sand County Almanac”, de 1948, “escrevendo” que algo está certo quando tende a preservar a integridade e a estabilidade e beleza da comunidade biótica. Em minha opinião, está certo – na perspectiva de Leopold – que para os animais viverem uma vida plena e livre em seu habitat natural eles precisam exercer seus papéis ecológicos e evolutivos.

Permitir que uma espécie simplesmente tenha o direito de existir significa que nós, seres humanos, devemos conceder a um camundongo o direito a uma vida em ritmo acelerado, reunindo sementes, se reproduzindo e, muitas vezes, acabando nas garras de um falcão faminto. Devemos ativar a capacidade da população de camundongos de evoluir em táticas evasivas. Os direitos dos falcões incluem a morte diária de camundongos e a evolução das estratégias para viver em um mundo dominado por humanos.

A indústria humana frequentemente limita diretamente os direitos naturais – o lugar das espécies na ecologia e na evolução – que eu concederia a todos os nossos irmãos selvagens. À medida que conduzimos algumas espécies em direção à extinção, comprometemos seu potencial evolutivo. À medida que procuramos reduzir os hábitos naturais de caça dos lobos e coiotes, violamos seus direitos de ser um predador.

Conforme concedemos a mais espécies seus direitos naturais, alguns dilemas certamente surgirão. Considere corvos e tetrazes. No oeste dos EUA, os corvos aumentaram em resposta à modificação de paisagens áridas. Nossas atividades proporcionaram aos corvos novos locais de nidificação, novos alimentos e permitem que eles se espalhem profundamente por terras silvestres degradadas e fragmentadas. Em contraste, essas mesmas ações condenam o perdiz-silvestre à extinção. O desaparecimento do perdiz fez com que os proprietários de terras, administradores da vida selvagem e conservacionistas propusessem o abate de corvos.

O corvo não foi questionado sobre o assunto. No entanto, como os pesquisadores investigam a vida pessoal dos corvos, uma resposta pode ser apresentada em nome das aves escuras. Ao capturar, marcar, contar e seguir os corvos, soubemos que a maioria dos indivíduos não é caçadora de perdizes. Muitos raramente se aventuram em centros de atividade humana – cidades, depósito de lixo e campos agrícolas. Descobrir que os poucos corvos que vivem entre os perdizes têm vida longa e são rápidos aprendizes sugere que em vez de matar pode ser muito mais eficaz ensiná-los a evitar os perdizes.

O condicionamento aversivo de corvos para que não comam os ovos de perdizes e galinhas é viável, e uma vez treinados, os corvos territoriais protegem os perdizes, mantendo outros corvos na baía. Como os animais não têm voz para expressarem os seus direitos e confrontar aqueles que os negam, a pesquisa deve elucidar suas necessidades e falar em seu nome.

Para que nossa voz seja ouvida, pesquisadores devem se preocupar com o bem-estar animal. Comitês estaduais, federais e institucionais revisam pesquisas sobre animais vertebrados para incutir integridade científica e minimizar os riscos para os animais. Os pesquisadores são obrigados a usar modelos ou simulações sempre que possível, em vez de animais reais. Os pesquisadores também devem provar que o número de animais usados é apenas grande o suficiente para garantir rigor estatístico, não maior. Cada nuance da pesquisa é examinada – captura, cuidado, experimentação e treinamento pessoal. Fazer isso produz uma voz forte e eticamente defensável para aqueles que não podem falar.

Apesar da minha boa vontade em conduzir uma pesquisa cuidadosa e significativa em nome dos animais, é evidente que nem todas as aves que pesquisei aprovaram meus métodos. A imagem de um corvo rolando no chão tentando remover as faixas da perna que eu tinha acabado de aplicar incendeia em minha memória. As reações agressivas de outros à máscara que usei durante a captura, há nove anos, servem para me lembrar da minha influência duradoura [sobre suas vidas]. Essas dores são reduzidas, no entanto, quando a exposição à pesquisa sobre a vida selvagem amplia a mente humana para considerar as necessidades dos animais. O conhecimento científico levanta a cortina do mito e do mal-entendido para que possamos aprender a coexistir pacificamente com os animais selvagens que compartilham o nosso planeta.

Referência

Marzluff, John M. All Animals Have Rights: A Researcher’s Perspective. Wired (2015).