Archive for March, 2018
Governo dos Estados Unidos permite que carne orgânica seja produzida a partir de animais confinados em gaiolas

Aves criadas para consumo estão entre os animais mais prejudicados pela ausência de políticas de bem-estar animal (Foto: Jo-Anne McArthur)
Esta semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revogou as Práticas Orgânicas de Pecuária e Avicultura, uma regra que regula os padrões de “bem-estar dos animais de criação” cuja carne pode ser vendida como orgânica. A regra foi criada no Governo Obama depois de muita pressão de organizações ligadas ao bem-estar animal, visando implementar “melhores padrões de vida” para esses animais. Essas práticas exigiam que frangos e galinhas não fossem confinados em gaiolas e que também tivessem acesso ao ambiente exterior às áreas de confinamento.
O Departamento de Agricultura atrasou a votação sobre a implementação das Práticas Orgânicas de Pecuária e Avicultura três vezes e finalmente as derrubou, mesmo depois de receber 47 mil comentários em apoio à proteção aos “animais de criação”.
De acordo com Lindsay Wolf, vice-presidente de investigações da Mercy For Animals, os funcionários do governo responsáveis pela regulamentação do setor agrícola se curvaram para proteger os lucros corporativos do agronegócio em detrimento dos animais, da segurança alimentar e dos direitos dos trabalhadores.
“Como resultado, milhões de animais de criação estão sendo privados do benefício de leis e regulamentos modestos projetados para proteger seu bem-estar e promover o interesse público”, justificou Lindsay. Com essa decisão, a chamada carne orgânica comercializada nos Estados Unidos pode ser inclusive proveniente de lugares não muito diferentes das chamadas fazendas industriais.
Referência
Como Tolstói influenciou o vegetarianismo na Rússia
“O vegetarianismo, desde que não tenha a saúde como objeto, está sempre associado a um alto ponto de vista moral”

Nem mesmo Tolstói imaginava que o seu prestígio como autor faria dele uma das personalidades mais importantes da história do vegetarianismo russo (Acervo: Tolstoy Foundation)
A relação de Lev Tolstói com a abstenção do consumo de carne e mais tarde com o vegetarianismo durou 25 anos, até o seu falecimento aos 82 anos na Estação de Astapovo, no Oblast de Lipetsk, em 20 de novembro de 1910. Porém o seu legado sobrevive. Depois de publicar o seu ensaio “Первая ступень” ou “O Primeiro Passo” em 1892, nem mesmo Tolstói imaginava que o seu prestígio como autor faria dele uma das personalidades mais importantes da história do vegetarianismo russo.
Sim, embora ele mesmo tivesse sido influenciado por nomes como Howard Williams, William Frey, Andrey Beketov e Vladimir Chertkov, nenhum desses nomes teria mais peso na história do vegetarianismo russo do início do século 20 quanto Tolstói. O motivo? O seu prestígio, popularidade e espiritualidade não religiosa. O escritor russo combinava o que existia de mais atrativo para o resgate de uma consciência de respeito à vida humana e não humana no contexto da cultura russa e eslava.
Além de se tornar popular entre os povos eslavos do início do século 20, “O Primeiro Passo” conquistou espaço na Europa Ocidental, tendo como porta de entrada a Inglaterra, e nos Estados Unidos, onde atraiu a atenção das principais sociedades vegetarianas. Em 1900, o movimento vegetariano russo viu uma oportunidade de um novo tipo de articulação valendo-se da imagem e do prestígio de Tolstói como um meio de divulgação e consolidação de uma propaganda em favor do vegetarianismo, inspirada em princípios semelhantes aos do britânico Henry Salt – embora abarcassem também pessoas que se enquadravam no que seria chamado mais tarde de ovolactovegetarianismo.
À época, os jornais “Vegetarianskiy Obozrenie”, que circulou em Kiev de 1909 a 1915, e o “Vegetarianskiy Vestink”, com quem Tolstói colaborava, se voltaram completamente para a filosofia de vida vegetariana; além de ajudar a fortalecer a construção social do incipiente movimento vegetariano, tendo ainda o suporte de panfletos e livros publicados por importantes intelectuais vegetarianos russos como Beketov. Na realidade, o “Vegetarianskiy Obozrenie” elevou Tolstói à posição de símbolo do jornal e frequentemente incluíam artigos de sua autoria, além de relatos de pessoas que se tornaram vegetarianas e ovolactovegetarianas por influência de Tolstói – que se absteve definitivamente do consumo de carne em 1885 junto com as filhas Tanya e Masha. Mais tarde, rejeitando outros alimentos de origem animal.
Tão logo os jornais vegetarianos se popularizaram com o amparo do escritor russo, o vegetarianismo se tornou cada vez mais bem aceito. Segundo informações do extinto “Vegetarianskiy Obozrenie”, três cafeterias de Moscou serviam refeições para pelo menos 1,3 mil pessoas em um dia comum. Além da pioneira Sociedade Vegetariana de São Petersburgo, fundada em 1901, e composta por mais de 150 membros, surgiram também as sociedades de Kiev em 1908 e de Moscou em 1909 – mudanças diretamente associadas ao crescimento do movimento apoiado por Lev Tolstói até 1910.
E o interesse não se limitou a essas cidades. Vegetarianos de localidades distantes como Saratov, Vologda e Ekaterinoslav (Dnipro), além de Odessa, Carcóvia, Poltava, Minsk e Roston do Don se articularam para criarem sociedades vegetarianas. Em 1915, 12 cidades russas contavam com sociedades vegetarianas de grande representatividade. Inclusive municipalidades que não possuíam movimentos organizados inauguraram cafeterias vegetarianas. Porém a mais antiga surgiu em Moscou em 1894, onde os proprietários se orgulhavam de expor grandes retratos de clientes como Lev Tolstói e do prestigiado pintor realista Ilya Repin, que se tornou vegetariano por influência da escritora e sufragista Natalja Borísovna Nordman-Severova.
As reuniões das sociedades e dos grupos vegetarianos, que também eram formados por reformadores sociais, geralmente eram realizadas em restaurantes e cafeterias. A Rússia nesse aspecto fazia oposição à Alemanha que naquele tempo reprovava a efervescência do vegetarianismo russo por considerá-lo “insalubre”. Em resposta a essas críticas, os russos exaltavam seus atletas vegetarianos que se destacavam pela força física e pelas habilidades esportivas.
Mesmo após a morte de Lev Tolstói em 1910, o jornal “Vegetarianskiy Obozrenie” continuou recebendo correspondências de leitores explicando como Tolstói mudou suas vidas e fez com que abandonassem o consumo de carne, se tornassem vegetarianos e passassem a respeitar mais os animais e as pessoas – considerando que Tolstói não apenas incitava o respeito aos não humanos, mas também a todos os seres humanos independente de hierarquia social. Na realidade, o autor russo passou a nutrir um grande respeito pelos camponeses nos seus últimos 30 anos, depois que rejeitou publicamente os princípios e valores aristocráticos.
Em 1913, durante o Primeiro Congresso Vegetariano Russo, o vegetarianismo foi considerado uma “filosofia de vida com um alto valor moral que só pode ser alcançado quando se busca a realização de um reino de harmonia e justiça na Terra”. Essa afirmação foi ao encontro do que foi dito por Tolstói anos antes do seu falecimento: “O vegetarianismo, desde que não tenha a saúde como objeto, está sempre associado a um alto ponto de vista moral.” Em 1913, nesse clima, Olga Konstantinovna Zelenkova publicou aquele que é considerado o primeiro livro de culinária vegetariana da história da Rússia. Intitulado “Я никого не ем” ou “Eu Não Como Ninguém”, que tem um total de 1,5 mil receitas. Proibido com a implantação do regime soviético, o livro foi relançado em 1991. Na segunda versão, além das receitas, há artigos publicados em jornais e assinados por Lev Tolstói.
Alexandra Tolstoy escreveu em “Tolstoy and the Russian Peasant”, publicado no “The Russian Review” em abril de 1960, que seu pai foi o vegetariano mais famoso e bem reconhecido da Rússia: “Embora ele não tenha escrito extensivamente sobre o tema do vegetarianismo em si, seja em sua ficção, ensaios ou correspondências, o seu nome se tornou sinônimo de vegetarianismo no século 20, tanto na Rússia como no mundo todo. Colônias agrícolas tolstoianas surgiram no início do século 20, não só na Rússia, como na Inglaterra, Holanda, Bulgária, África do Sul e Estados Unidos.” Com a morte de Tolstói, Vladimir Chertkov e Johannes van der Veer passaram a ser os principais divulgadores do seu trabalho.
Referências
Tolstoy, Alexandra. Tolstoy and the Russian Peasant. The Russian Review. Volume 19. No. 2. Páginas 150-156 (1960).
Barkas, Janet. The Vegetable Passion: A History of the Vegetarian State of Mind. Scribner; First Edition (1975).
LeBlanc, Ronald D. Vegetarianism in Russia: The Tolstoy(an) Legacy. The Carl Beck Papers in Russian and East European Studies. No. 1507 (2001).
Gregory, James. Of Victorians and Vegetarians: The Vegetarian Movement in Nineteenth-century. I.B.Tauris (2007).
Alston, Charlotte. Tolstoy and Vegetarianism (junho de 2014).
Sobre a crueldade na indústria de peles de animais
“Sobre a crueldade na indústria de peles de animais” é o meu novo vídeo. Nele, falo sobre a problemática do consumo de peles de animais, e cito as breeding farms, que são fazendas ou locais onde animais selvagens ou não são criados e forçados a procriarem para atender a demanda da indústria. Esses locais existem não apenas para “suprir” um mercado regional ou nacional, mas também demandas internacionais e intercontinentais. Nesses lugares, os animais são mantidos em cativeiro até o momento em que normalmente são mortos e têm suas peles arrancadas. Há inclusive registros de animais que, em decorrência do estresse, de graves problemas psicológicos e emocionais, perdem a identidade e chegam a praticar canibalismo.
Além de não usar peles de animais, é importante abdicarmos do consumo de produtos que estão inseridos no cotidiano comum, como couro, lã, seda animal, etc. Porque esses também reforçam a coisificação, a objetificação e a atribuição utilitária que damos aos animais. Opte por produtos sintéticos, são mais acessíveis, baratos e não contribuem com a exploração e a violência de animais.
Cuidado com o engodo da indústria de peles
Cuidado com o engodo. Há várias grifes que dizem estar parando de usar peles de animais. Inclusive lançam peças com peles sintéticas para agradar a opinião pública. Mas isso não significa que já tenham parado de comercializar peles de animais. O que vale mesmo é a confirmação de que uma empresa não está realmente mais envolvida na exploração e na violência contra animais. O resto pode ser publicidade para agradar consciências suscetíveis.
A parábola de Janko
Janko viajava de vila à vila, cidade à cidade. Mesmo sem residência fixa, não carregava malas nem sacos. Afirmava que não tinha história, que o presente era o que deveria ser considerado. Dormia ao relento do alheado relento, nos alcantis ou no topo das árvores, onde poderia sentir a flama da comunidade. Chegava sempre silente. Em poucos minutos, mudava uma vida.
O olhar da chegada não era o mesmo da partida – não de Janko, dos outros. Quem usava animais, se alimentava deles ou ignorava suas necessidades abjurava tal hábito tão logo partisse. “O que aquele pobre diabo fez com você?” “O que ele disse?”, perguntavam aqueles para quem Janko era apenas intrujão.
“Sou vida ao mesmo tempo que sou morte. Me diga você enquanto estamos diante um d’outro.” Janko não falava alto nem vozeava. Trazia uma expressão desabafada da realidade; uma honestidade tão inaudita que não lhe era esforço algum exteriorizar lascas de vidas pregressas, ulteriores ou amealhadas pela derrida da vida. Vidas que poderiam ter sido suas ou não.
Olho, cheiro e dor de boi, de vaca, de galinha, de porco, de cabra e de peixe, sim é o que a gente vê e sente nele. “Unanimidade? Não. “Rábula, chicaneiro, pilantra”, glosavam. Janko não reagia – aquiescia – precisava de minutos. Mudou a cidade. Fecharam açougues, matadouros, curtumes, selarias e criadouros.
A cidade faliu? “Não, emergiu”, alguém berrou. Um antigo morador recém-chegado replicou: “Esse sujeito quebrou a cidade. O que vamos fazer com esses animais?” Cuide deles que a rarefação não toca mais esse chão, advertiu Janko. “Como? Não se cria o que não traz retorno”, “Seria a vida um escambo, um negócio?” “A terra é rica, vocês têm autossuficiência”, “Mas precisamos lucrar”, “Por que e para quê?”, questionou antes de partir.
Sem conseguir convencer ninguém a explorar os animais livres, o velho morador, o único a quem Janko não mostrou os olhos fadados, deitou uma cabra e a degolou com as quatro patas amarradas. Quando retornou para recolher o sangue do animal, levou um susto: “O que é isso? Cadê a cabra?” “A cabra sou eu, você, todos nós”, respondeu Janko com os membros amarrados antes de fenecer.
Relato de um vegano que pratica musculação
Como sou vegano e pratico musculação, me perguntaram o que tenho feito no “cutting”, na fase de queima de gordura. Me alimento e treino – sem aeróbicos, termogênicos ou suplementos pré-treino. Não consumo nem cafeína nem guaraná. Não uso recursos ergogênicos sintéticos. Atualmente, nessa fase, consumo de 1,5 a 2 gramas de carboidratos por quilo corporal/dia, em torno de 2 gramas de proteínas por quilo corporal/dia, e cerca de 0,5 grama de lipídios por quilo corporal/dia. Como treino diariamente há 12 anos, acho que conheço um pouquinho das minhas necessidades nutricionais.
Como sempre digo, meu treino não muda nessa fase hipocalórica, porque não acredito nas tais teorias de treinos diferentes para cada objetivo. Meu corpo corresponde a apenas uma coisa – minha disciplina e força de vontade. Quando se treina há um bom tempo e possui uma razoável massa muscular, seu metabolismo te favorece (tanto para ganhar massa muscular quanto para queimar – claro, desde que você seja uma pessoa realmente disciplinada).
Não uso esteroides anabolizantes. Não uso nenhuma droga farmacológica, mesmo não esteroidal. Há pessoas que recorrem a broncodilatadores para amplificar a termogênese e queimar gordura. Não faço isso e não gosto disso, porque acredito que isso pode trazer consequências para o organismo. Também evito estimulantes. Não acho que devo brincar com medicamentos como se fossem coisas inofensivas. Fármacos são criados com uma finalidade específica, e ainda assim são controversos.
Compensa usá-los com uma finalidade para a qual não foram criados? Será que isso vale a pena em longo prazo? Para mim, não. Além disso, infelizmente diversos dos grandes laboratórios farmacêuticos costumam testar seus produtos em animais, e há ainda aqueles que não testam, mas compram insumos testados. É algo abstruso e pouco claro. Há também laboratórios “underground”, que além da possibilidade de colocarem a saúde do consumidor em risco por questões sanitárias, compram matéria-prima chinesa, onde o teste em animais é um padrão.
Mas cada um sabe de si e pesa na balança o que é melhor em acordo às suas metas. Como sempre tive objetivos modestos, assim como muita gente, e me exercito por prazer, treinar tendo como base simplesmente a alimentação é uma opção minha da qual não abro mão.
Bob Comis, o relato de um ex-criador de porcos que abandonou a sua principal fonte de renda por respeito aos animais

Comis: “Depois de cuidar de um grupo de porcos, nunca vou embora nem dirijo o trator sem sorrir ou, muitas vezes, rir em voz alta” (Foto: Reprodução)
São cinco horas da manhã, e temos quinze graus lá fora, e uma tempestade de neve que pode lançar até 16 polegadas sobre nós está a apenas algumas milhas de distância. Lá fora, nesta terra invernal, estão 250 porcos espalhados pelo campo e pelos celeiros da fazenda, aninhados calorosamente em grandes camadas de palha, dormindo profundamente como grandes pilhas suínas, compartilhando o calor do corpo e o conforto social do contato físico. Eles são porcos felizes. Eles são, talvez, tão felizes quanto a felicidade.
Afinal, tudo que eles poderiam querer ou desejar está bem à mão, ou casco, neste caso. Comida, abrigo, água, ar fresco, espaço para vagar, correr, brincar, se aquecer e se enterrar. Eles não desejam mais nada, mesmo no inverno. Ao percorrerem seus campos e celeiros, enfiando seus narizes na neve e ressurgindo do solo gelado, eles mantêm um fluxo constante de sons e grunhidos silenciosos que expressam contentamento, se comunicando com outros porcos no mesmo local onde estão. Os grunhidos silenciosos são partilhados pelos porcos o dia todo. São tão suaves quanto o som das cigarras nas noites de verão.
Alguns dos porcos, aqueles que estão no celeiro, onde é mais quente, e a palha é mais volumosa, pesam apenas 40 libras [18 quilos]. Outros pesam 150 libras [68 quilos]. Os maiores têm em torno de 300 libras [136 quilos]. Os porcos grandes são tão imunes ao frio que quando o dia está com 20 graus e ensolarado, eles mergulham suas cabeças no tanque de água apenas por diversão, tentando lambê-la enquanto desce pelos seus narizes. Suas várias expressões de contentamento, de felicidade, são contagiosas. Depois de cuidar de um grupo de porcos, nunca vou embora nem dirijo o trator sem sorrir ou, muitas vezes, rir em voz alta.
Dez desses maiores porcos vão morrer amanhã, não na minha mão, mas sob o meu pedido. Esta tarde, enquanto eles dormem, os prenderei no celeiro com uma série de painéis. Então retornarei com o trailer de reboque de gado e criarei uma espécie de rampa para arrebanhar os porcos e levá-los para o trailer. Eu levarei aqueles dez porcos, aqueles dez porcos felizes, para o matadouro, onde vou descarregá-los em uma área de confinamento pré-abate. Por causa da tempestade que está chegando, não posso deixá-los lá amanhã, o que eu preferiria. Em vez disso, esses porcos felizes terão que passar a última noite de suas vidas infelizes em uma estranha e malcheirosa prisão de concreto antes de serem reunidos um por um em um pequeno espaço onde serão mortos rapidamente.
Amanhã, antes das nove horas, no momento em que eu remover a neve para que eu possa alimentar e hidratar os porcos felizes, os dez porcos que deixei no matadouro estarão mortos. Eles terão sido baleados na cabeça com uma pistola pneumática que os deixará inconscientes. Então uma faca excepcionalmente afiada terá sido mergulhada em seus corações palpitantes, de forma a fazer toda a sua vida se esvair com o sangue que percorre suas veias e artérias, criando uma densa e dispersa camada vermelha carmesim no chão de concreto cinzento do matadouro.
Vinte minutos depois, eles estarão sem vida, divididos em duas metades e pendurados por cada perna traseira em longos ganchos brilhantes de aço inoxidável, e presos a um trilho por uma roldana, de modo que os porcos possam ser empurrados para dentro do frigorífico; para que seus corpos, suas carcaças ainda quentes das vidas que foram tiradas, estejam em temperatura abaixo de 40 graus para que possamos comer suas carnes, como determinado pelo USDA [Departamento de Agricultura dos Estados Unidos]. Seus olhos, seus olhos muito humanos que ao longo da vida olham para você com óbvia inteligência, estarão tão imóveis e vitrificados quanto o mármore.
Na atual conjuntura discursiva, os porcos felizes são a alternativa ideal para os porcos miseráveis e abusados que são criados nas fazendas industriais. Os porcos felizes se tornam carnes felizes, e a carne feliz é boa. Devemos nos sentir bem comendo carne feliz. Porcos felizes, sério? Sou assombrado pelos fantasmas de quase dois mil porcos.
(Há um mês, tive minha última crise consciência, em uma década de crises de consciência mais ou menos intensas. Tendo abandonado o último vestígio do que parecia ser a justificativa legítima, baseada na felicidade e na rápida morte indolor, me tornei vegetariano. Agora estou no começo do processo complicado de dar um fim à minha vida como criador de porcos.)
Bob Comis é um ex-criador de porcos que em 2014 abandonou a criação de animais para consumo. Suas histórias sobre as suas experiências que revelam a realidade da exploração animal sob a ótica de quem fez parte desse meio por muito tempo, e como ele percebeu que os animais são mais do que produtos ou meios para um fim, já chamaram a atenção de alguns dos mais importantes veículos de comunicação dos Estados Unidos.
Referência
Comis, Bob. Happy pigs make happy meat. The Dodo (fevereiro de 2014).
Como as redes de fast food contribuíram para a expansão da exploração animal
Brigitte Bardot condena a violência contra animais abandonados na Rússia

Brigitte Bardot enviou carta ao presidente Vladimir Putin, pedindo que ele pare com a violência contra os animais na Rússia (Acervo: Azactu)
Em declaração feita por meio da sua fundação homônima, a ativista dos direitos animais e lenda do cinema francês Brigitte Bardot, de 83 anos, qualificou como barbarismo os programas de crueldade contra animais abandonados que estão sendo colocados em prática em muitas cidades russas, visando “deixá-las limpas” para a Copa do Mundo.
Incomodada com a situação, Brigitte Bardot enviou uma carta para o presidente Vladimir Putin expressando sua preocupação com o destino dos animais abandonados na Rússia. Na carta divulgada pela Fundação Brigitte Bardot, ela diz que se Putin “aceita essa matança em massa, isso significa que ele é a favor da barbárie.” Brigitte pediu que ele substitua a violência desnecessária por campanhas de castração.
A senhora Bardot lembrou que com a proximidade da Copa do Mundo, os olhos da comunidade internacional estarão cada vez mais voltados para a Rússia. Além disso, manifestou preocupação em relação aos riscos que ursos, guaxinins, raposas e texugos, animais comuns na Rússia, podem sofrer antes e durante a Copa do Mundo. “Animais indefesos são mantidos em gaiolas estreitas para serem atacados por cães”, lamentou.
A famosa ativista também apontou que vai ser difícil salvar esses animais enquanto o governo russo permitir que cães sejam treinados para caçar animais selvagens. Em 1973, no auge da carreira, Brigitte Bardot, que estrelou 47 filmes, anunciou a sua aposentadoria do cinema. E foi assim, aos 39 anos, que ela iniciou uma nova vida como ativista dos direitos animais.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 10 de julho de 2015, ela contou que quando descobriu a verdade sobre a realidade da exploração animal, tornou-se evidentemente óbvio para ela, e até mesmo indispensável, colocar um fim em sua carreira. “Que era somente brilho e vaidade, para que eu pudesse me dedicar a esta causa urgente”, justificou.
Em entrevista publicada pelo tabloide Daily Mail em 2 de novembro de 2014, Brigitte relatou que a fama não a satisfazia mais, e que seu amor pelos animais deveria ser expressado oficialmente. “Jamais olhei para trás. Nasci com o amor pelos animais. Não tive nenhum perto de mim na minha infância porque estávamos em guerra, e a vida em Paris era muito difícil”, declarou.
Sobre o mito das “vacas felizes” e das “galinhas felizes”


