David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Uma reflexão sobre a “diversão” baseada em violência contra animais

without comments





Toto Wanje: “Todos nós nascemos veganos”

without comments

Toto Wanje com o médico Michael Greger, especialista em alimentação vegetariana (Foto: Arquivo Pessoal)

O queniano Toto Wanje nasceu em uma pequena aldeia no Quênia, na África Oriental, onde vivia sem televisão, eletricidade e sem água encanada. Ele conta que a vida era simples e que a carne era considerada um item de luxo que fazia e ainda faz parte apenas da realidade dos ricos, ou pelo menos daqueles que podem pagar pelo seu alto preço no Quênia: “Em muitos lugares na África, a carne é dada apenas aos homens. As mulheres e as crianças seguem uma dieta vegetariana. Nem todas as aldeias no Quênia ou na África são assim. Na minha aldeia, as mulheres e as crianças sempre tiveram muito a dizer à sociedade, embora não sejam considerados tão importantes quanto os homens. Então os homens comiam carne e as mulheres e as crianças se alimentavam com vegetais.”

Toto cresceu rodeado de animais como vacas, galinhas, cabras e ovelhas, mas raramente eles comiam animais. A maioria era criado com a finalidade de ordenha, ou então para serem vendidos para pessoas de outras aldeias. Ainda assim, o destino desses animais não era tão auspicioso. Uma vez por mês um animal era morto para ser consumido em um casamento ou algum outro grande evento. Além disso, no Quênia há um costume antigo de presentear um convidado com uma galinha. Esse mesmo animal é abatido e servido no jantar. Os homens se alimentam das “melhores partes”, e as mulheres das sobras. Com “sorte”, as crianças ganham algum pedacinho para sentir o “gosto”.

Na infância, imerso nessa realidade, Wanje corria até a mesa onde seu tio estava reunido com outros homens e implorava por um pedaço de frango ou do bode que haviam abatido mais cedo. “Eu era travesso e aventureiro, e sempre queria sentir o gostinho do que as pessoas mais velhas estavam comendo. As outras crianças tinham que comer sopas de vegetais e arroz. Parecia um tratamento especial, e até encantador, receber um pequeno pedaço para saborear”, relata.

Mesmo vivendo em uma realidade bastante difícil, a família de Wanje conseguia cultivar milho, castanhas de caju, abacates, laranjas, mangas, tomates, páprica e repolho. A comida estava sempre ao alcance das mãos, bastando selecioná-la e prepará-la. Eles consumiam todos os tipos de comida vegetariana, mas principalmente sopas, saladas e feijões preparados de diversas maneiras. Não havia necessidade de muito dinheiro. Na realidade, o dinheiro só era usado na aquisição de três itens – açúcar, arroz e óleo. “Éramos uma comunidade autossustentável. Tínhamos diferentes papéis em nossa pequena comunidade. As garotas cuidavam dos vegetais, as mulheres cozinhavam, e os garotos se responsabilizam pelos animais. Brincávamos com as cabras, com as galinhas e sempre tentávamos montar no lombo das vacas”, narra.

Naquele tempo, nada incomodava mais as crianças da aldeia de Toto do que a presença de um açougueiro que vinha de outra aldeia quando chegava a hora de abater um boi, uma vaca, uma cabra ou uma galinha para uma festa ou outra ocasião especial. Com a chegada do açougueiro, as crianças fugiam e se escondiam atrás dos arbustos ou das cabanas de barro enquanto o ouviam matando um dos animais.

Segundo Toto Wanje, a princípio era horripilante, mas com o tempo acabaram se acostumando, porque a matança, mesmo que não tão frequente, fazia parte dos hábitos culturais do povo de sua aldeia: “Se nunca tivéssemos visto isso sendo feito, provavelmente nunca quereríamos carne [quando soubéssemos a verdade]. As crianças fazem o que os adultos fazem e querem o que os adultos têm. Se uma criança não for ensinada a matar e não for ensinada a comer animais, elas nascerão veganas e crescerão como veganas. Elas não iriam querer ferir qualquer animal ou qualquer ser vivo.“

Suas irmãs e primas jamais assistiam o abate dos animais, e simplesmente porque era chocante demais testemunhar um dos animais com quem eles brincavam e se divertiam no cotidiano ser morto brutalmente. “Mesmo que estivéssemos nos escondendo e observando de longe, como garotos, sentíamos que precisávamos ver como ele os matava. Quanto mais animais vimos sendo mortos, mais ficamos condicionados e acostumados”, reconhece.

Depois de adulto, Toto Wanje percebeu que aquele cheiro estranho do açougueiro da aldeia não era raro. Na realidade, era mais comum do que ele imaginava. Afinal, o mesmo cheiro poderia ser encontrado em qualquer açougue: “Se você é vegano há algum tempo, provavelmente sabe o que quero dizer. Quando você passa por algumas seções de carne, ou quando entra no açougue e passa pelo lugar onde eles cortam a carne, você reconhece que o cheiro é terrível. Você se pergunta como alguém pode comer essa carne morta. Era esse mesmo cheiro de morte, sangue e carne que o açougueiro tinha. Reconheço o cheiro e sei agora que era assim o seu cheiro, e era horrível. Ele estava sempre cercado de animais mortos e matava animais diariamente para ganhar a vida.  Matar animais era a sua profissão. Hoje, acredito que quanto mais alguém mata e fere animais, mais ele ou ela perde um pedaço da sua verdadeira natureza humana e dignidade.”

Como Toto e sua irmã não tinham futuro vivendo em sua terra natal, eles foram adotados por uma missionária irlandesa enviada ao Quênia pela Igreja Católica. A mulher se tornou amiga da mãe de Wanje e se ofereceu para educá-los na Irlanda. Na Europa, o jovem queniano se surpreendeu em ver como as pessoas consumiam e ainda consomem muita carne. Logo no café da manhã, Toto e a irmã comiam bacon e ovos. No almoço, consumiam peixe, frango, carne vermelha ou costeletas de porco. Também nunca faltava carne no jantar. “Começamos a comer carne três vezes ao dia. Isso, com o tempo, mudou nossa maneira de pensar. Nos acostumamos a comer carne e literalmente nos apaixonamos pela carne. Tornou-se tão normal para nós que mal podíamos comer uma única refeição sem carne. Ainda me recordo de como eu não queria comer meus vegetais a menos que me dessem um pedaço de carne para acompanhar a minha comida”, revelou, em referência ao fato de que embora vivesse em uma realidade mais esperançosa, é estranho reconhecer que a matança de animais mais do que nunca fazia parte de sua rotina.

Toto Wanje notou que enquanto pessoas com pouco poder aquisitivo se alimentavam com mais vegetais no Quênia, e normalmente alimentos cultivados por eles mesmos, na Europa, muitas pessoas viam como um retrato de uma vida próspera e digna consumir muita carne e produtos sobre os quais pouco conheciam a procedência: “Lembro-me de dizer, como outras crianças dizem, que odiava vegetais. A maioria de nós quando crianças empurra os vegetais para o lado do nosso prato e só come a carne, o arroz, as batatas ou o macarrão. Minha nova mãe irlandesa me faria sentar à mesa até que eu tivesse comido todos os meus legumes e verduras. Agora, como vegano, é engraçado pensar nesses dias em que me recusei a comer verduras e legumes, e mais engraçado ainda quando volto mais atrás e recordo-me que essa era a dieta padrão no Quênia.”

Toto, que hoje é um empreendedor vegano e ativista dos direitos animais em Upsália, na Suécia, cita os episódios em que implorava por um pedaço de carne ao seu tio como um exemplo comum do condicionamento vivido pelas crianças. Para o queniano, ser vegano é como nascer de novo, reconhecer um novo mundo.

“Ser vegano é ter meus olhos e meu coração abertos novamente para abraçar todos os seres vivos como iguais a nós mesmos. Ser vegano é reconhecer o espírito e o amor que eu tinha pelos animais quando criança. É reviver e abraçar mais uma vez a compaixão que eu tinha pelo mundo e por tudo que é belo na natureza. Um véu foi levantado dos meus olhos e do meu coração. Agora sou capaz de ver os verdadeiros espíritos e as almas dos animais mais uma vez. Acredito que todos nós nascemos veganos, exceto que de alguma forma ao longo da vida, nosso amor e compaixão pelos outros seres vivos são doutrinados e condicionados. ”

Referência

Wanje, Toto. We Are All Born Vegan (22 de novembro de 2016).





Quando as pessoas se alimentam de animais…

without comments

Quando as pessoas se alimentam de animais, normalmente elas não consideram que estão se alimentando de algo que foi alguém; e este alguém teve olhos para testemunhar o mundo sob uma ótica não muito auspiciosa; um mundo que pode ser visceralmente injusto e violento com os mais vulneráveis…

 





Você é um daqueles verdinhos?

without comments

Acervo: Turkey Runner

Na fila do mercado, eu, uma camiseta verde do Type O Negative e uma boina. Uma senhorinha se aproximou e se posicionou atrás de mim aguardando a vez. Expliquei que ela não precisava ficar na fila porque pela idade ela tem preferência no caixa especial.

— Não, filho, eu gosto de ficar aqui. Tenho saúde e não tenho pressa.

— Que bom — respondi com o meu típico sorriso tímido.

— Filho, olhei pra você e pra sua cesta, diferente o que vi, admito. Você é um daqueles verdinhos?

— Como?

— Um daqueles verdinhos.

— Me desculpe, mas não sei, senhora. O que é um verdinho?

— Que não come carne, leite, ovo…

— É por aí. Acho que vou um pouquinho além inclusive.

— Olhe só, que honra! Um verdinho de verdade!

— É, acho que sim — comentei, entregue a um sorriso encalistrado.

— Olho esses carrinhos e cestas, só consigo pensar em uma coisa. Você sabia que antigamente não existia toda essa comilança de carne? Muita gente do meu tempo, criada em sítio, chegava a ficar até um ano sem comer carne. E vivia bem, realmente bem, com muita energia, lavourando.

— Isso é bom.

— Papai e mamãe deixaram a Polônia durante a guerra e eles viram tanto sangue e morte naquele lugar que quando chegaram ao Brasil falaram que iriam criar os filhos longe de qualquer tipo de morte. Dito e feito. Tenho 78 anos e não como carne desde os cinco anos quando chegamos aqui em 1944.

— Que história interessante. Se a senhora quiser me contar um dia em detalhes, posso transformar em alguma coisa.

— Quem sabe — ela respondeu sorrindo.

— Seria muito legal — comentei.

— Olhe, o conteúdo da minha cestinha é parecido com o da sua. Estamos apenas em um espectro diferente de gerações, pelo menos nesta vida — disse sem desvanecer o sorriso.

— Não duvido — comentei sorrindo.

— É, sempre enxergo um verdinho de longe.

— Por causa da minha camiseta? — questionei com um sorriso enviesado.

— Não — respondeu rindo.

— Hum…

— Meu pai dizia que os nossos melhores hábitos são sempre translúcidos diante dos nossos olhos e dos olhos dos outros quando existe boa vontade. Claro, desde que nós e os outros queiramos enxergar — explicou a senhora antes da despedida.

 





Tom Worby, morto aos 15 anos em uma ação contra caçadas

without comments

Tom morreu nos braços da namorada e ninguém foi responsabilizado pelo que aconteceu (Arte: Labour Animal Rights Group)

Hoje completa 25 anos que Tom Worby, de Milton Keynes, foi morto aos 15 anos, quando se juntou a um grupo de 40 sabotadores de caçadas em Low Farm, perto de Gravesley, no Condado de Cambridge, na Inglaterra. Aquela foi a primeira e a última vez de Tom em um ato contra caçadas. O que começou como uma ação aparentemente normal terminou em uma tragédia.

No dia 3 de abril de 1993, Tom e a namorada se juntaram a um grupo de pessoas que não concordavam com a crueldade da caça à raposa. Por isso, foram até a Low Farm, onde um grupo se preparava para a matança de raposas. No local, quando os caçadores viram os sabotadores, gritaram algumas palavras ameaçadoras e desapareceram floresta adentro.

Depois os caçadores retornaram em maior número e começaram a discutir com os sabotadores. Logo um policial chegou, conversou com os caçadores e caminhou até os sabotadores. Disse que eles eram invasores e que deveriam partir. Então eles justificaram que não havia nenhuma invasão, já que eles estavam apenas sentados diante do sol e da estrada, sem infringir nenhuma lei.

O policial reconheceu que não havia nada a ser feito, e explicou aos caçadores que não estava disposto a colocar mais recursos na operação. Os caçadores novamente se afastaram dos sabotadores. Ninguém sabia o que eles estavam planejando. Mais tarde, um dos líderes justificaria que eles decidiram interromper a caçada e pediu que um dos caçadores, Anthony Ball, guardasse suas coisas.

Segundo informações do artigo “How Tom Worby, a hunt sab, was killed” publicado pela Netcu Watch em 2008, o senhor Ball era conhecido como um homem bastante imprevisível, e que ficava agressivo com muita facilidade. Semanas antes, com o apoio de outros caçadores, ele desceu de um cavalo e atacou a pé um grupo de sabotadores.

Um dos jovens envolvidos na ação foi deixado inconsciente após ser atingido na cabeça por uma caçadora que era a proprietária da Low Farm. O senhor Ball também foi apontado como o autor de uma série de tentativas de atropelamentos contra sabotadores de caçadas. “Contamos 27 incidentes para os quais temos vídeos e provas fotográficas do senhor Ball usando violência contra sabotadores”, garantiu um dos sabotadores no artigo da Netcu.

No dia 3 de abril de 1993, enquanto o senhor Ball colocava os cães na van e os cavalos no trailer de reboque, os outros caçadores bebiam e conversavam. Então Ball entrou na van com o filho Christopher Ball, o principal terrierman da caçada, e seguiram em direção à estrada.

Os sabotadores ficarem atentos diante da cena. A menos de 500 metros da van, aventaram duas possibilidades – os caçadores estavam realmente desistindo ou apenas mudando de lugar para recomeçar a caçada. No caminho de volta à estrada, os sabotadores se dividiram. Havia uma massa principal de sabotadores mais atrás, um grupo menor e outros dois sabotadores em pontos estratégicos.

Quando a van alcançou o primeiro grupo principal de sabotadores, eles continuaram na estrada porque acharam uma boa ideia atrasar os caçadores, caso a intenção deles fosse retomar a caçada. Inclusive alguns sabotadores sentaram-se na estrada, na tentativa de bloquear a passagem do veículo.

No entanto, a van do senhor Ball fez o seu próprio caminho entre os sabotadores – em um ritmo lento e constante. As pessoas sentadas levantaram-se no último segundo, porque Anthony Ball não deu qualquer indicativo de que pararia. Não houve nenhum tipo de violência ou ameaça por parte dos sabotadores. O objetivo era um só – atrasar a van.

Depois de algum tempo, a van passou pelo grupo de sabotadores e acelerou bem rápido, aproximando-se de outro grupo de sabotadores. A estrada estreitava-se naquele ponto, com uma vala íngreme à direita, uma pequena cerca de 30 centímetros de altura e uma densa sebe à esquerda. No volante, o senhor Ball acelerou mais e mais, e seguiu diretamente para o segundo grupo de sabotadores que nem sequer tentou atrasá-los, segundo informações da Netcu.

Tão logo os sabotadores perceberam que o homem não reduziria a velocidade, eles pularam para o lado esquerdo na vala à direita. Apenas Tom Worby não conseguiu fazer isso, por causa da distância. Ele só teve tempo de dar um passo para o lado, em direção única, onde poderia pisar entre a sebe e a van. Porém, basicamente não restou nenhum espaço porque a van era muito larga.

Tom Worby foi pego pelo retrovisor esquerdo e arrastado com o veículo por uns 50 metros. Ele gritava muito e batia contra a porta da van, até que perdeu o controle e escorregou. Tom recuou, mas caiu para a frente sob a roda traseira esquerda. Era possível ver o veículo levantar um pouco quando passou por cima de sua cabeça.

A van de caça dirigida por Anthony Ball não parou. Ganhou ainda mais velocidade e passou por dois sabotadores na estrada, que ficaram tão chocados com o que aconteceu que não conseguiram se mover. A van voltou diretamente para os canis, onde muitos policiais chegaram rapidamente para proteger o senhor Ball.

Os sabotadores correram até Tom Worby e tentaram socorrê-lo. Suas orelhas e nariz sangravam, mas o garoto ainda estava consciente. Eles gritaram desesperadamente por ajuda. Alguns caçadores riram e celebraram como se aquilo fosse uma vitória para eles. Inclusive ameaçaram os sabotadores que expressaram a urgência de se conseguir uma ambulância. Eventualmente um policial foi avisado e solicitou ajuda. Tom morreu nos braços da namorada e ninguém foi responsabilizado pelo que aconteceu.

Saiba Mais

Grupos anti-caçadas normalmente são grupos pacíficos que usam de táticas como buzinas, apitos e dispositivos eletrônicos para confundir cães de caça. Também criam falsas trilhas e usam de recursos que chamam a atenção dos animais que serão caçados, para que eles possam se antecipar diante da ação dos caçadores.

Referência

Netcu Watch. How Tom Worby, a hunt sab, was killed (2008).





“Cara, a Páscoa já foi”

without comments

Passei casualmente nas Americanas e vi que havia uma grande quantidade de ovos de Páscoa da Choco Soy de vários sabores. Eles estavam vendendo por R$ 35. Não me importo com ovos de Páscoa, mas por um instante olhei para um funcionário e falei:

— Cara, a Páscoa já foi, vendam por R$ 5 cada ovo que levo todos que sobraram. Me comprometo a distribuir a maior parte para a criançada da Vila Alta.
— Não podemos, amigo. O gerente não está aqui agora, mas acho que pode reduzir o preço nos próximos dias.
— Tudo bem, talvez eu passe aqui depois.
— Mas por que seu interesse nesses ovos? Ah, nem precisa responder. Aposto que você é vegano.
— Por que acha isso?
— Acho que só veganos fazem isso.





Written by David Arioch

April 3rd, 2018 at 12:33 am

Canadá vai sediar o primeiro festival internacional de cinema vegano

without comments

As inscrições do festival se encerram no dia 31 de julho

Estão abertas as inscrições do Ottawa International Vegan Film Festival, que vai ocorrer no Mayfair Theatre, em Ottawa, no Canadá, no dia 14 de outubro. Realizado anualmente, o festival, que segue os moldes dos festivais mais tradicionais, vai ser o primeiro do gênero no mundo. Então se você tem pelo menos um filme de curta-metragem com temática vegana e legendas em inglês não perca a oportunidade de participar e motivar mais pessoas a respeitarem os animais independente de espécie.

De acordo com o organizador Shawn Stratton, sem dúvida, o objetivo é usar o festival para inspirar mais pessoas a adotarem o estilo de vida vegano, e também a motivar aqueles que já estão trilhando esse caminho. Além, claro, de inspirar mais cineastas e veganos a abordaram por meio de obras audiovisuais questões que envolvem a exploração e o respeito aos animais. “Estamos dando a eles uma oportunidade de exibir seus filmes para mais pessoas”, explica Stratton.

Os filmes de curta e longa-metragem podem ser inscritos nas categorias “defesa dos animais”, “estilo de vida’, “saúde e nutrição” e “proteção ambiental”. Os melhores filmes de cada categoria serão premiados. Também haverá premiação por voto popular. Segundo o coordenador do Ottawa Vegan Film Festival, seria muito bom se os participantes enviassem filmes com histórias autênticas que oferecem um senso de esperança em relação ao futuro dos animais. Parte do lucro do festival vai ser destinado a instituições de caridade. Todo o processo é feito online e as inscrições se encerram no dia 31 de julho. Para mais informações, acesse o site do Ottawa International Vegan Film Festival.

 





Nova pesquisa publicada pela Associação Americana do Coração associa consumo de alimentos de origem animal à morte prematura

without comments

O estudo identificou que os participantes que consumiam gorduras monoinsaturadas de fontes animais tiveram um risco de morte ampliado em 21% (Fotos: Shutterstock/Divulgação)

Uma nova pesquisa da Associação Americana do Coração concluiu que embora o consumo de gorduras monoinsaturadas de origem vegetal seja benéfico, o consumo de gorduras monoinsaturadas de origem animal aumenta em 21% o risco de morte por doenças cardíacas.

O novo estudo apresentado no mês passado nas Sessões Científicas de Epidemiologia e Prevenção, Estilo de Vida e Saúde Cardiometabólica da Associação Americana do Coração concluiu que o consumo de gorduras monoinsaturadas de origem animal, particularmente proveniente de carne vermelha, laticínios, aves, ovos e até mesmo peixes, aumenta o risco de morte prematura. Os pesquisadores estudaram ao longo de 22 anos os hábitos alimentares de 63.412 mulheres do Nurses’ Health Study e 29.966 homens do Health Professionals Follow-Up Study, e registraram 20.672 mortes entre os participantes. Desse total, 4.588 morreram em decorrência de doenças cardíacas.

O estudo identificou que os participantes que consumiam gorduras monoinsaturadas de fontes animais tiveram um risco de morte ampliado em 21%, enquanto aqueles que consumiram a maior quantidade de gorduras monoinsaturadas de fontes vegetais tiveram um risco de morte 16% menor. Os pesquisadores descobriram que a substituição de gorduras animais pelas derivadas de plantas reduziu o risco de morte prematura em 10 a 15%. “Nossos resultados enfatizam a importância da fonte e da quantidade de ácidos graxos monoinsaturados na dieta”, disse a PhD Marta Guasch-Ferré, uma das principais autoras do estudo.

Segundo Marta, devemos consumir mais ácidos graxos monoinsaturados de fontes vegetais e menos ácidos graxos monoinsaturado de fontes animais. No ano passado, um estudo publicado no jornal da Associação Americana do Coração informou que fontes de proteína vegetal melhoraram os três principais marcadores de colesterol para a prevenção de doenças cardíacas. O mais recente estudo da American Heart Association foi publicado no site da revista Science Daily no dia 21 de março.

Referência

VegNews





Avenida Paulista recebe Festival de Gastronomia Vegana

without comments

Festival vegano vai oferecer opções para todos os gostos no domingo (Acervo: Rayanne Monstans Galavotti/Divulgação)

No domingo, dia 8, das 12h às 20h, o Festival de Gastronomia Vegana JMA J’adore mes amis vai oferecer no Club Homs, no número 735 da Avenida Paulista, próximo ao Metrô Brigadeiro, em São Paulo, um circuito gastronômico com falafel, samosa, cheesecake, bolos, comida árabe, do Congo, da Índia, do Japão e de tantos outros locais – além dos quitutes brasileiros como a coxinha de jaca verde, sorvetes com frutas tropicais, sucos diversos e até alimentos para animais. De acordo com a organização do evento, são muitas as iguarias para provar sem dor na consciência, ou seja, sem exploração animal.

Além da alimentação para consumo imediato no local ou para viagem – como leites, manteigas e queijos, todos de origem vegetal, haverá expositores de outros setores como cosmético, higiene, artesanato, decoração, vestuário, calçados, acessórios e itens para pets. Será um evento para toda a família, com abertura antecipada às 10h para yoga e meditação com Cláudio Duarte; das 14h às 15h30 a nutricionista vegana Andressa Roehrig Volpe palestra sobre “Os benefícios da dieta 100% vegetariana”; e para as crianças haverá às 17h narração de histórias com o tema “O Casarão das Gatas” com Marcya Harco, vegana idealizadora e organizadora do projeto PAZ.

Em 2018, o Encontro Vegano JMA completa quatro anos. Aberto gratuitamente ao público, já recebeu cerca de 80 mil visitantes e contou com mais de 500 empreendedores, tornando-se referência no veganismo em acessibilidade. No festival, o público tem uma prova de que é possível um estilo de vida baseado na ética e respeito aos animais, aos humanos e ao planeta.

Acompanhando o crescimento do veganismo no Brasil e no mundo, o evento reúne na curadoria expositores qualificados em bens e serviços veganos, ou seja, baseados em ingredientes e matéria-prima sem origem animal e também não testados em animais. O espaço sempre conta com abertura antecipada para a atividade de yoga e meditação, e presença de ONGs e protetores de animais independentes que recebem doações de ração, medicamentos, fraldas, jornais, tapetes higiênicos, cobertores e outros itens para ajudá-los nos resgates.

Saiba Mais

Entrada franca com atividades gratuitas

Acessibilidade com elevador

A maioria dos expositores aceita cartão

Página do evento:  www.facebook.com/events/356043328138658

 





Vidas não valem nada

without comments

Foto: Reprodução

Vidas não valem nada, concluí quando saí do matadouro após uma visita no mês passado. O magarefe posicionou a pistola contra a cabeça de um boi dócil e disparou. Um tiro absterso e silente. O dardo penetrou o crânio do animal e o fez deitar no chão. Barulho intenso. Tive a impressão de que algo estava explodindo. E não estava? O mundo de um animal que naquela tarde não imaginava que não veria a noite ou um novo dia. Não chorava feito criança, embora corpulento e desgracioso tremia como um recém-nascido – (in)voluntariamente, batendo de um lado para o outro dentro de uma caixa de tijolos. Morto? Sim ou não, depende de quem vê. O magarefe não viu os olhos embaciados do boi. Não, aquilo era perigoso. Limpou a pistola, sem prestar atenção no bicho e ajeitou os fones de ouvido por baixo do abafador:

 
Você trabalha faz tempo aqui? — perguntei.
— Pouco mais de um ano.
— Por que você usa fones?
— Não quero ouvir o que não me agrada.
— E o que seria isso?
— A queixa desse animal.
— É possível ouvir mesmo com o abafador?
— É…o que a gente vê a gente ouve. Não precisa de falar.
— Isso acontece sempre?
— Não…
— A última vez faz muito tempo?
— Tem mês.
— O que aconteceu?
— Comecei a usar fone de ouvido.
A música sertaneja amortecia a realidade, e o rapaz, a serviço de quem pode, dissimulava a brutalidade.